Capítulo 20: Vale Mil Palavras
Na tarde de domingo, eu me encontrei com Angela e Kate para um almoço tardio depois que as duas voltaram para casa da igreja. Elas estavam animadas sobre o planejamento do meu chá de bebê, e o tópico de nossa conversa girou pela maior parte em torno disso. Nós discutimos principalmente a comida e a lista de convidados. Entretanto, não importa o quanto eu tentasse dizer a elas que as únicas pessoas que eu queria no chá eram elas duas, Alice, e Esme, elas se recusaram a ceder. Quando nós tínhamos terminado, a lista de convidados incluía as quatro pessoas que eu tinha insistido mais todas as mulheres de meu escritório, a mãe de Angela, Rosalie, Tanya, e a namorada do meu pai.
A festa seria em mais duas semanas, e eu já podia dizer que ia ser um dia que eu iria querer esquecer. Eu odiava ser o centro das atenções.
Edward passou sábado e domingo à noite no meu apartamento, e nós compartilhamos jantar e conversa agradável antes de ler, assistimos televisão, escutamos um pouco de música, ou trabalhamos um pouco. A cena toda era muito doméstica, e se eu pensasse muito sobre isso, eu teria que admitir que me assustou. A única coisa que faltava era que a minha cama ainda estava fria e solitária, enquanto ele dormia no quarto de hóspedes – que em breve seria berçário.
Novamente, esse era um assunto sobre o qual verdadeiramente me assustava pensar, mas no qual eu pensava. Ele estava me encarando em cada ocasião, e eu não sabia o que fazer com ele. Mas meus sentimentos por Edward estavam mudando. Talvez tenha sido a gravidez, ou talvez fosse porque eu já sentia como se minha estabilidade, minha vida, estivesse em risco. Claro, eu não quis dizer isso literalmente, mas eu tinha aquele temido, pressentimento de que meu trabalho estava por um fio e com isso, acabaria a minha capacidade de sustentar a mim e meu filho. Talvez meu desejo crescente por Edward fosse apenas alguma compulsão patética neandertal que fazia uma mulher querer um macho provedor e protetor. Eu poderia racionalizar isso mais facilmente do que reconhecer a simples noção de que eu estava realmente desenvolvendo uma conexão emocional com esse homem em particular.
O problema era que relacionamentos me assustavam.
E quer eu culpasse minha infância bagunçada ou não, realmente não importava. Eu tinha dificuldade em confiar nas pessoas, crer que elas estariam lá para mim quando eu mais precisasse. Meus pais tinham falhado miseravelmente nessa tarefa, e se meus próprios pais não estavam lá para mim, então como eu ia encontrar uma maneira de acreditar que outra pessoa não iria me desapontar?
Eu estava lentamente começando a confiar nessas pessoas. Angela e Mike, meus dois amigos fieis no trabalho. Kate, que tinha tomado essa pobre, assustada e jovem mulher solteira sob sua asa quando eu soube da minha gravidez. Esme, que era forte, confiante, e solidária. Alice, que invadiu minha vida, minha própria casa. Todos eles tinham se tornado muito mais importante para mim, no pouco tempo que eu estava em Seattle, do que a maioria dos meus mais próximos e queridos amigos em Phoenix.
E então tinha Edward.
Edward.
Ele estava se tornando meu amigo.
Não, não era isso. Ele era meu amigo. A mudança em nosso relacionamento de seu odioso, doloroso estado apenas um mês antes para o que quer que fosse agora, era facilmente reconhecível. E eu tinha essa sensação estranha que, no momento em que eu abracei essa possibilidade de amizade com ele que eu tinha na verdade concordado com muito mais.
Esse pensamento me deixou ainda mais assustada. Porque enquanto conversamos no sábado e me contei a ele sobre como eu me sentia sobre Charlie e como eu estava lutando com essa mudança no meu relacionamento com ele, ele foi atencioso e solidário, e enquanto o fim de semana progredia, eu me senti confiar nele só um pouco mais.
Edward e eu estávamos de volta ao trabalho na segunda-feira.
Minha segunda-feira no trabalho não foi melhor do que sexta-feira, mas pelo menos eu não fui ríspida com Angela por me rondar. Edward estava de plantão e planejando passar a noite no hospital. Ele ligou um pouco depois das dez para me desejar uma boa noite e perguntar se eu queria encontrá-lo no consultório do médico ou se eu queria que ele me pegasse.
Naquela noite, não só a minha cama parecia fria e solitária, mas o meu apartamento inteiro parecia da mesma maneira, também.
Eu encontrei Edward no consultório médico na manhã de terça-feira. Embora ele tenha sorrido pra mim depois de eu ter me registrado e sentado ao lado dele, eu podia ver claramente o esgotamento pintado no rosto dele.
"Noite difícil?" Eu perguntei.
Ele bufou enquanto colocava a cabeça contra a parede e fechava os olhos.
"Vou aceitar isso como um sim."
Os cantos dos lábios dele se levantaram quando ele moveu a cabeça para o lado e mal abriu os olhos por um instante antes de fechá-los novamente. "Foi uma longa noite."
"Você não tem que voltar, tem?"
"Não. Quando terminarmos aqui, estou planejando em ir para casa e dormir até a manhã de amanhã."
Estava na ponta da língua para perguntar a ele, e eu abri a boca para falar.
"Bella Swan," a enfermeira chamou.
Levantei minha cabeça, e Edward estava de repente em pé na minha frente, sua mão estendida para me ajudar.
Me senti extremamente envergonhada quando peguei Edward tentando furtar olhadas para o meu prontuário quando a enfermeira documentou meu peso e minha pressão arterial. Ela nos levou para a sala de ultra-som, onde, em seguida, esperamos por alguns minutos antes de a minha médica entrar.
A doutora sorriu quando chegou, e por um pequeno momento eu me perguntei por que ela que ela estava fazendo a ultra-sonografia e não a técnica que eu tinha visto pela última vez. Drª. Swanson primeiro me cumprimentou e, em seguida, se virou para Edward. "Ora, ora, Edward. Eu vi sua irmã algumas semanas atrás, e eu estava pensando quando você iria vir." Ela disse.
"Oi, Maggie."
Ela o olhou especulativamente por um momento antes de perguntar, "Você acabou de sair de um turno, não foi?"
"Sim."
Ela riu. "Eu avisei antes que você sequer começasse a faculdade de medicina." Então, ela acenou para mim. "Vai ser ainda pior agora."
Edward igualou o sorriso dela com seu próprio quando a doutora fez um gesto para eu me deitar sobre a mesa.
"Foi o que eu soube", Edward respondeu. "Tanya foi ficar com meus pais noite passada, porque Mitch tinha que sair da cidade e ela entrou em pânico."
"Tanya?" Eu interrompi.
"Sim."
"Como em Tanya-Bebê-Perfeito?"
Edward levantou a sobrancelha para meu nome para ela, mas depois de outra breve pausa, ele acenou. "Kirsten decidiu na semana passada que ela não gostava de dormir à noite."
"Oh."
Drª. Swanson esguichou o frio liquido pegajoso na minha barriga, e a atenção de Edward foi imediatamente atraída para a imagem que logo apareceu no monitor. Minha médica moveu o transdutor, e Edward observou com muita atenção. Todo o tempo, a única coisa que eu conseguia pensar era que se Tanya estava finalmente tendo dificuldades, então como eu iria conseguir? E o noivo dela saiu da cidade e ela entrou em pânico? Minha mente estava tendo dificuldade se envolvendo em torno desse conceito. Eu mal ouvi algo que a médica estava dizendo.
"Bella? Bella?"
"O que?" Eu finalmente respondi, e eu virei a cabeça e vi que Edward estava me olhando com preocupação.
"Você está bem?" Ele roçou os dedos levemente ao longo de minha testa.
"Sim, desculpe." Virei a cabeça e notei que a minha médica estava ocupada tentando parecer ocupada digitando dados na máquina de ultra-som, descaradamente tentando nos ignorar.
"Você ouviu o que Maggie disse?"
"Hein?"
"A placenta está alta o suficiente, Bella" Ela disse enquanto olhava da tela do computador para mim. "Eu espero que você tenha prestado atenção na respiração nas aulas de parto."
Tenho certeza de que meus olhos estavam tão grandes quanto pires naquele momento, e eu senti minha mão apertando a de Edward tão forte quanto eu pude. "Aulas de parto?" Consegui guinchar.
Edward apertou minha mão de volta, mas em vez de terror, os olhos dele mostravam tranquilidade. "Nós vamos no sábado, na verdade" ele disse como se fosse um fato, embora acontecesse de eu já saber que ele iria trabalhar o fim de semana inteiro.
A médica acenou enquanto desligava a máquina e me entregou uma toalhinha para limpar meu estômago. De repente, comecei a lamentar o fato de que eu na verdade não tinha sequer visto nada do ultra-som, eu estive muito presa nos meus próprios pensamentos. Edward obviamente percebeu a minha distração e tomou a toalha da minha mão. Ele começou a limpar o gel da minha pele e, em seguida, puxou minha camiseta de volta antes de me ajudar a sentar.
Drª. Swanson sentou no banquinho e abriu meu prontuário. "Como você esteve se sentindo?"
"Bem. Só cansada."
Ela riu. "Isso deve desaparecer em cerca de dezoito anos."
Me forcei a sorrir daquilo, embora por dentro meu senso de alarme só estivesse aumentando.
"Por quanto tempo ela deve tirar uma licença de maternidade?" Edward perguntou. Eu o encarei por interferir.
"Pelo menos seis semanas, mas eu preferiria se você tirasse mais tempo." O olhar na cara da Drª. Swanson me disse que ela queria saber por que Edward estava perguntando. Felizmente Edward não parecia estar se vangloriando da resposta dela, ele simplesmente acenou pensativo.
"Ela está se queixando de dores de cabeça" disse ele em seguida.
Eu lutei contra o desejo de ser rude com ele. Agora ele estava apenas sendo ridículo. Ninguém se importava se eu estava tendo dores de cabeça. Mas apesar dos meus gritos internos, minha médica começou a folhear meu quadro médico e acenando com a cabeça antes de ela começar a perguntar a frequência, intensidade, e se eu estava vendo pontos negros ou qualquer coisa assim. Então ela disse que achava que tudo estava bem provavelmente, mas que ela faria o laboratório executar alguns testes apenas para ser prudente.
Alguns testes incluíram dar a enfermeira alguns frascos do meu sangue e um recipiente grande que parecia uma jarra de suco de laranja que eu deveria encher e devolver no dia seguinte, eu realmente não queria nem pensar em como eu deveria enchê-la. E eu encarei Edward enquanto eu tentava descobrir como eu iria lidar com urinar em uma vasilha, enquanto estava no trabalho o dia inteiro.
Depois, com mais fotos para colocar no álbum do bebê que eu ainda não tinha comprado, nós finalmente fomos autorizados a sair.
"Obrigado, Bella", Edward disse enquanto me acompanhava até o meu carro.
"De nada", eu disse, embora eu não tenha certeza de que pareceu sincero. Então eu olhei para ele e mais uma vez notei como ele parecia completamente esgotado. "Durma um pouco."
"Eu te ligo quando acordar hoje a noite."
Eu só acenei enquanto abria a porta do carro e entrei.
Pouco antes de fechar a porta ele disse: "Não se esqueça que temos um encontro no sábado."
"Um encontro?"
"Aulas de parto. Eu vou te buscar as oito."
"Eu pensei que você iria trabalhando neste fim de semana."
Ele deu de ombros. "Eu consegui alguém para assumir sábado."
Eu estreitei os olhos e franzi os lábios. "Como você sabia que eu ia precisar de aulas de parto?" Eu perguntei com ceticismo.
Edward sorriu. "Alice não é a única que é psíquica." Quando tudo que eu fiz foi encarar em resposta, ele alterou sua declaração. "Há um seção de aulas para cesariana e recém-nascidos que acontecem simultaneamente. Eu conheço a mulher que dirige o centro de educação, e ela nos prometeu uma vaga em qualquer classe que precisássemos. Vou ligar pra ela e confirmar assim que eu sair da garagem."
"Oh." Foi uma resposta patética, mas de verdade, eu nunca sabia o que dizer a ele quando ele mostrava o quanto ele tinha planejado e pensado antecipadamente. Me fazia sentir totalmente inadequada.
"Tenha um bom dia no trabalho", disse ele genuinamente. Então ele fechou minha porta para mim e deu um passo para trás, enquanto eu me atrapalhava um pouco com minhas chaves e ligava meu carro para dirigir para o trabalho.
Fiel à sua palavra, Edward me ligou terça-feira à noite, pouco antes de eu ir para a cama.
Quarta-feira eu levei o meu recipiente de plástico cheio pela maior parte de volta e mandei para o laboratório. Então, quarta à noite, depois que minha médica me ligou para dizer que todos os resultados dos meus testes estavam normais, Edward me levou para jantar fora. Fomos a um pequeno lugar italiano, que não era longe do meu escritório, e após uma boa refeição, ele passou os braços em volta de mim em um abraço e me beijou no topo da cabeça antes de me acompanhar para o meu carro e me dizer boa noite. Justo quando eu estava ligando o meu carro, Edward bateu na minha janela. Depois de abaixá-la, ele me deu um envelope grande.
"Fotos", ele disse simplesmente com um sorriso, e então ele correu para o carro dele.
Eu segurei o envelope em minhas mãos por alguns minutos antes de colocá-lo no banco ao meu lado, respirar fundo e empurrar todos os pensamentos sobre elas para fora da minha mente. Eu tinha o suficiente com que me preocupar, e algo me dizia que eu não estava pronta para olhar para elas ainda.
A segunda metade da semana passou do mesmo que modo que a primeira. Nós dois trabalhamos, e quando tínhamos tempo livre, Edward iria me ligar ou passar algum tempo comigo... geralmente por causa de comida. Nós estávamos conversando, e era bom fazer isso. Nós revelar pequenas quantidades de informação pessoal sobre nossas vidas, e então ele me contaria sobre seu dia, e me perguntaria sobre o meu. Eu nunca disse há ele muito sobre o trabalho. Não havia muito para contar. Reuniões de negócios em cima de reuniões de negócios, um empurrão para assinar contratos, os clientes esquisitos e mal-humorados, e Laurent que passou mais tempo fora do escritório, nos últimos dois dias do que tinha passado dentro.
Depois disso, Edward e eu falaríamos sobre o bebê. Desde a consulta com minha médica, meu nervosismo em me tornar uma mãe de verdade tinha aumentado dez vezes. Eu quase perguntei a Edward se ele poderia usar suas conexões e me levar para a aula de recém-nascido para a semana seguinte. No entanto, isso teria interferido com o meu chá de bebê, e de jeito nenhum Alice me perdoaria por tal infração.
Eu acho que Edward pareceu sentir o meu enorme sentimento de medo, porque ele começou a fazer pequenos comentários sobre como eu iria ser uma "mãe fantástica" ou que ele achava que nosso filho seria "sortudo por ter uma mãe como" eu. Era meigo, mas eu não acho que Edward tinha alguma idéia sobre o que diabos ele estava falando.
Havia duas coisas que não tínhamos discutido. A primeira era que ele nunca trouxe a tona o cartão de Natal que eu tinha deixado para ele. Eu nem sabia se ele tinha recebido, mas eu tentei confiar em Esme o suficiente para saber que ela teria feito o que eu pedi. E depois do tempo que Edward e eu tínhamos passado juntos nas últimas duas semanas, eu estava quase com medo até mesmo de perguntar se ele tinha recebido. Eu estava começando a me sentir um pouco culpada por seu conteúdo impessoal.
O outro assunto que nós dois fizemos bem em evitar era como iríamos lidar com custódia do bebê e com quem ele iria morar depois que nascesse. Mesmo que eu não pudesse me fazer dizer isso em voz alta, eu estava com medo. Eu não sabia como as coisas iriam se resolver, e apesar de Edward estar tentando me dizer que eu podia contar com ele, eu não sabia quais eram os limites dele. Mas eu estava começando a entender exatamente quão difíceis as coisas seriam de repente.
Eu tinha visto o bebê de Tanya. Eu segurei ela. Ela era tão perfeita quanto qualquer bebê pudesse ser. Eu poderia dizer isso a partir das histórias com as quais Tanya tinha nos deleitado no Natal. O fato de Tanya ter entrado em pânico porque o noivo dela tinha saído da cidade para uma viagem de negócios de três dias definitivamente me assustou. Edward não morava comigo. E após a partida de Alice no dia de Ano Novo, eu tinha essa sensação de que ela não iria morar comigo por muito mais tempo também.
Como eu iria cuidar de um bebê recém-nascido sozinha? Não haveria ninguém por perto para me aliviar quando eu estivesse exausta por não ter dormido em três dias. Ninguém em volta para segurá-lo quando ele tivesse cólicas e estivesse gritando por seis horas seguidas e tudo que eu quisesse fosse me afastar por cinco minutos, em um esforço para salvar a minha sanidade. Ninguém para permitir que eu tivesse duas horas de sono porque eu tinha uma importante reunião de negócios de manhã e eu tivesse que dormir para poder funcionar. Não haveria ninguém por perto para me segurar quando eu caísse.
Teria sido um cenário completamente diferente se minha mãe morasse nas proximidades. Poderia até ter sido melhor se Charlie não estivesse a horas de distância. E eu sabia que a família de Edward estaria lá para mim. Mas eu também sabia que não havia nenhuma maneira de que eu seria capaz de me permitir considerar arrumar minhas coisas e ir para a casa de Carlisle e Esme, mesmo que apenas por alguns dias.
Quando eu não estava passando tempo com Edward ou tentando trabalhar na pilha crescente de relatórios que eu precisava terminar para o trabalho, minhas noites eram gastas lendo livros sobre gravidez, parto, e cuidados maternos. Eu estava absorvendo as informações como uma esponja, mas a coisa que eu descobri ser a parte mais frustrante de informações era que cada bebê era diferente e que os bebês não nascem com manuais de instrução.
Eu queria um manual de instruções, droga.
Minha mente estava muito sobrecarregada, e eu me sentia perdida sobre o que fazer.
Sábado de manhã, Edward foi ao meu apartamento e me pegou para a nossa aula.
Se eu estava assustada com as coisas que eu tinha lido nos livros, isso nem chegava aos pés dos vídeos que assistimos ou as histórias de terror que o instrutor disse. Eu continuei lançando olhares preocupados para Edward, e ele apenas sorria e me puxava de volta para descansar em seu peito.
Depois de olhar ao redor da sala para todas as outras pessoas, a maioria das mulheres pareciam tão calmas e relaxadas quanto Edward. Eram seus parceiros que tinham expressões horrorizadas que espelhavam a minha. Novamente, eu me perguntava por que eu não poderia ser uma mulher normal, onde coisas como gravidez e parto automaticamente pareciam naturais para mim, como pareciam para todo mundo.
"Isabella, eu acho que eu posso dizer quase com certeza que não há uma única pessoa nesta sala que não está pelo menos um pouco assustada", Edward sussurrou ao meu ouvido.
"O que?"
"Você está preocupada", ele disse com naturalidade. "Mas todo mundo está também. Eles simplesmente passaram mais tempo se preparando mentalmente para isso do que você passou."
Eu mantive meus olhos colados na tela que agora mostrava um bebê muito sujo e feio sendo esfregado com um cobertor, mas eu virei a cabeça ligeiramente para Edward e perguntei: "Você está com medo?"
Eu senti as vibrações quando ele riu baixinho. "Totalmente apavorado", ele disse com os lábios bem perto do meu ouvido. Eu respirei fundo e, quando expirei, senti um pouco da tensão começa a soltar e deixar o meu corpo. Edward beijou o lado da minha cabeça antes de se endireitar e me apertar de leve nele, colocando as mãos para trás para descansar no meu estômago enquanto observávamos o resto do vídeo.
Domingo foi o primeiro dia que eu tive inteiramente para mim nas últimas semanas. Edward estava trabalhando, Alice ainda não tinha voltado, eu não tinha nenhuma razão para ligar para Angela ou Kate, e quando eu falei com Jacob na noite anterior, ele me disse que iria passar o dia com alguns amigos dele assistindo futebol. Então, eu finalmente cedi a compulsão de aninhamento e fui trabalhar no quarto de hóspedes. Meu dia passou através de caixas, jogando coisas fora, e lavando as coisas de bebê que Edward tinha comprado para mim semanas atrás. Eu arrumei o berço com lençóis limpos e deixei a mesa de troca-fraldas pronta pra uso. Depois disso, eu até lavei e troquei os lençóis da cama de casal que estava no quarto. A única coisa que precisava ser feita depois disso era mover a mobília, mas eu era esperta o suficiente para não fazer isso sozinha. Edward e Alice teriam cortado minha cabeça se algum deles descobrisse. Além disso, Alice tinha dito que o pintor deveria chegar algum dia da semana que ela voltasse das férias dela, e eu tinha certeza de que os móveis teriam de ser movidos novamente.
Segunda a noite, Edward insistiu em trazer o jantar para minha casa, onde nós tivemos uma discussão muito longa sobre nomes de bebê. Novamente, ele não ficou, e mais uma vez eu fui forçada a admitir para mim mesma que eu realmente queria que ele tivesse... Eu só não tinha certeza do que fazer com ele. Cada vez que estávamos juntos ficava mais e mais confortável. Ele iria passar os dedos pelo meu cabelo ou meu pescoço e me sentia quase como se eu pudesse derreter em uma poça bem no chão. Ele era atencioso e carinhoso, mas a parte lógica de minha mente continuava a me avisar que era tudo uma atuação ou alguma reação atrasada ao bebê. Talvez Edward estivesse agindo daquela forma puramente porque eu era a mãe do seu filho, não por causa de quaisquer sentimentos profundos e reprimidos que ele tinha por mim.
Eu tinha outra consulta médica agendada para terça-feira. Edward tinha cirurgias marcadas para aquela manhã e me perguntou se ele poderia mudar a minha consulta da manhã para o fim da tarde para que ele pudesse ir comigo. Concordei e como a minha médica era uma amiga íntima da família, Edward conseguiu puxar as cordas necessárias e me agendar para as cinco da tarde.
"Bella", Angela disse quando entrou no meu escritório aquela terça à tarde.
Olhei para cima, para longe do meu computador e imediatamente percebi sua aparência preocupada e esgotada. Aquilo não era incomum, especialmente não nos últimos dias. Ela e eu tínhamos trabalhado arduamente nesse tempo, tentando equilibrar as coisas. Embora eu não tivesse conseguido assinar nenhum contrato novo, eu tinha tido várias reuniões de sucesso, e as nossas perspectivas eram boas. Jack só tinha ligado uma vez para dizer que estava satisfeito com a maneira que Laurent estava lidando com as coisas e que estava feliz por ter pensado em colocá-lo aqui. Isso tinha sido o suficiente para fazer eu me sentir mal.
"O que é?" Eu perguntei a Angela quando ela se aproximou de minha mesa e colocou um envelope grande sobre ela.
"Eu não sei. Um serviço de correio acabou de entregar isso". Então, ela apontou para o endereço de retorno, e o meu rosto empalideceu para combinar com o dela.
Engolindo seco, eu abri o fecho do envelope e retirei uma pequena pilha de papel. Um rápido passar de olhos me disse mais do que eu queria saber, e eu senti meu estômago revirar. Outro minuto se passou enquanto Angela deslocava seu peso nervosamente de um pé para outro, enquanto eu folheava as páginas do documento, todas confirmando exatamente o que a carta de abertura tinha revelado: a nossa maior conta havia encontrado uma brecha em nosso contrato, e eles estavam concluindo os nossos serviços.
Respirando fundo e lutando para manter as minhas emoções em controle, olhei para Angela. "Consiga Bill McIntyre no telefone... agora".
Os olhos dela se moveram de mim para o meu relógio e de volta para mim novamente. Então, ela acenou com a cabeça uma vez e correu para fora da sala. Coloquei a informação no pacote a tarde inteira. Não havia nenhuma maneira que eu fosse deixar que Jack soubesse o que aconteceu antes de eu ter uma chance de consertar as coisas. Enquanto eu lia tudo profundamente, o nó no estômago apertou quando percebi quão profundo McIntyre e os seus advogados tinham sido. Quando Angela voltou momentos depois para me dizer que ela ainda não tinha conseguido fazer a minha ligação para mim, eu disse a ela para entrar em contato com nosso advogado para que eu pudesse falar com ele.
Ela concordou, mas não antes de me lembrar que eu tinha um compromisso em vinte minutos. E então lá estava. Minha escolha: continuar trabalhando e tentar resolver um grande problema que eu provavelmente nunca seria capaz de resolver de qualquer maneira, ou colocar o meu filho que não tinha nascido em primeiro lugar. A consulta com a médica podia ser movida. Edward teve o esforço de reorganizar sua agenda para que ele pudesse encontrar uma maneira de estar lá hoje. A médica tinha me agendado tecnicamente fora de hora para acomodar nós dois. Mas eu sabia que essa era uma decisão muito maior do que uma simples questão de saber se eu poderia adiar a minha consulta. Minha decisão era quem era mais importante e quem iria vir em primeiro lugar na minha vida: meu filho ou o meu trabalho.
Quando eu pensei sobre aquilo, eu sabia o que tinha que fazer. "Passe os documentos por fax para os advogados, diga a eles o que está acontecendo, peça a eles para rever tudo e enviar de volta para mim de manhã".
Angela sorriu, o primeiro verdadeiro sorriso que eu tinha visto em seu rosto o dia inteiro, e saiu do meu escritório.
Eu estava distraída durante a visita a médica, e eu tinha certeza que eu estava mais ríspida que o habitual. Tudo com a gravidez estava progredindo normalmente. Minha médica disse que já que eu estava de 35 semanas e meia, ela queria fazer um exame de Streptococcus, para ver se eu precisava de antibióticos quando eu desse à luz. Ela saiu por um instante para que eu pudesse me trocar. Eu não me importava que Edward ainda estivesse no quarto. Ele ficou de pé, como se fosse embora, mas eu o ignorei. Tirando minhas calças e roupas íntimas antes mesmo que ele chegasse a porta, joguei elas no banco no canto e sentei sobre a mesa, só para pegar o pano como um pensamento tardio.
"O que?" Eu perguntei quando ele continuou a olhar para mim.
Edward voltou a se sentar em uma cadeira ao lado das minhas roupas. "Você está bem?"
"Não é como se você não tivesse visto tudo antes" Eu falei rispidamente.
Edward estreitou os olhos por um instante antes que ele parecesse relaxar, a confusão e a preocupação foram substituídas por tranquilidade. Ele se levantou da cadeira e se moveu para ficar ao meu lado. Sem uma palavra, ele pegou minha mão na dele. Enroscando seus dedos com os meus, ele apertou minha mão suavemente. E nesse momento, eu senti o conforto e a segurança que eu tinha sido ansiado. Eu me encontrei encostado nele para apoio, e dentro de instantes, ele tinha o meu lado contra o seu peito, enquanto seu braço passou ao redor de minhas costas e descansou o queixo sobre a minha cabeça.
"Desculpe. Esse foi um dia muito longo."
"Você quer falar sobre isso?" Ele ofereceu, recuando um pouco para que pudesse me olhar nos olhos.
Eu tomei fôlego, e debati as minhas opções durante cinco segundos antes de responder: "Não, eu vou ficar bem."
Ele não conseguiu dizer mais nada antes de a médica voltar ao quarto.
Estávamos a caminho da saída menos de quinze minutos depois.
"Jantar?" Edward perguntou enquanto andava comigo até meu carro.
Suspirei. Eu realmente não sentia vontade de ir a nenhum lugar, mas o olhar na minha cara deve ter dito isso a ele. "Que tal você vir para o meu apartamento?" ele sugeriu ao invés.
"Eu gostaria disso" eu respondi, após um momento de reflexão.
"Bom. Apenas me siga. Não é longe. O código é seis-oito-seis-nove-dois".
Eu segui de carro de Edward um pouco mais de dez quarteirões, no limite de onde a estrutura imponente começava a se dispersar. Era um lugar agradável, não tão lotado. Edward virou o carro em uma pequena rua lateral e para dentro de um estacionamento, parando no portão onde ele cutucou algo em um teclado e o portão abriu para ele.
Quando fui para frente, eu digitei os números que ele me disse e segui. Ele estacionou no lugar número 812, e o vi apontar para o local ao lado dele quando ele saiu do carro. O segundo espaço também estava marcado com o número 812.
Edward estava na minha porta e me ajudando fora do meu carro em um momento. Segurando minha mão, ele me levou a um conjunto de elevadores, onde novamente teve que digitar outro código. À medida que subimos ao oitavo andar, Edward me disse o código para o elevador da garagem e que, quando eu passasse por lá, ele gostaria que eu estacionasse na garagem. Ele fez soar como se eu fosse estar lá muito. O que, eu supus, era possível.
Inferno, era mais do que possível, era muito provável. Pensando nisso, eu não tinha notado quando saímos do elevador. A próxima coisa que eu me dei conta era que estávamos diante da porta dele, e ele estava destrancando e abrindo para mim.
Edward acendeu a luz enquanto me seguia para dentro, e eu parei abruptamente. Estávamos em sua sala de estar, e eu fiquei lá com a minha boca aberta, olhando fixamente. Era espaçoso e amplo. Dos sofás de couro marrom, ao piso de madeira, à televisão de tela plana, à lareira, ao piano de cauda preto, fiquei imediatamente invejosa. Mas essas coisas não eram nada comparadas ao fato de que a parede inteira do fundo era de vidro, dando uma maravilhosa vista da cidade.
"Isso é... Uau."
Edward riu. "Aqui, me deixe pegar o seu casaco" ele disse enquanto me ajudava a retirá-lo e, em seguida, o pendurou em um armário. "Que tal um tour?"
Embaraçosamente o suficiente, meu estômago escolheu esse momento para roncar alto.
"Okay. Que tal comida primeiro? Então eu vou lhe dar aquele tour" Ele retificou.
"Soa bem" Eu disse, com um sorriso. Eu senti um pouco do meu stress começar a derreter.
"Siga-me."
A sala de estar era o centro do apartamento. Na direita, no canto, estava a mesa de jantar e perto dela estava a cozinha dos meus sonhos. Mal consciente dos meus arredores, segui Edward até lá. Era incrível. Eu não pude deixar de passar os dedos ao longo das bancadas de mármore liso enquanto encarava abertamente os aparelhos inoxidáveis e um dos cooktops mais legais que eu já vi.
Edward começou atirar comida da geladeira, colocando uma variedade de vegetais no balcão ao lado da pia, e assim que percebi o que ele estava planejando, lavei as mãos, e comecei a lavar a alface. Foi como tinha sido no dia de Natal quando eu fiz o jantar – nos movemos fluidamente em volta do outro. Assim que eu terminei de enxaguar os legumes, me virei para encontrar uma tábua de cortar, faca e tigela, só para encontrar Edward pegando eles naquele exato momento. Enquanto eu preparava uma salada, Edward aqueceu um pouco de pão no forno e, em seguida, cortou um pouco de frango cozido. Não muito tempo depois, estávamos sentados em sua mesa de jantar e comendo o nosso jantar.
"Você quer falar sobre o que te deixou tão chateada quando você chegou ao consultório médico, hoje?"
Engoli a porção de galinha na minha boca e tomei um gole de água. "Não foi nada, só um dia muito longo."
"Sabe, se você quiser falar sobre qualquer coisa, eu vou ouvir, Bella."
Eu olhei para ele, seus olhos verdes cheios de preocupação. Eu estava ficando dependente daquele olhar dele, o óbvio afeto. Era fácil ser presa, e eu muitas vezes me encontrei desejando que aquele olhar pudesse ser muito mais. Apesar disso, eu não poderia me fazer dizer alguma coisa. Meu trabalho era meu assunto e minha responsabilidade, e, como tal, era algo que eu precisava lidar sozinha. "Obrigada", eu respondi e depois retornei a minha atenção de volta para o meu jantar.
Pelo canto dos meus olhos, eu podia vê-lo me observando por um momento mais antes de ele suspirar quietamente e comer um pedaço de pão.
Nós dois terminamos de comer, e Edward levantou-se para pegar os nossos pratos. Quando fui para a cozinha para começar a limpar, ele colocou os óculos ao lado da pia e em seguida colocou a mão na minha. "Deixe. Eu acredito que te devo um tour."
"Você deve".
"Bem", disse ele, gesticulando os braços em torno dele, "esta é a cozinha."
Revirei os olhos.
"Ok, óbvio. Vem." Edward acenou para eu segurar o seu braço, e saímos da cozinha de volta para a sala de jantar. "Sala de jantar".
"Eu gosto da mesa."
"Minha mãe fez toda a decoração aqui", ele disse. "Acho que ela achou isso em Vancouver. E, obviamente, esta é a sala de estar."
A medida que passamos pelo sofá, meus olhos foram até uma das mesas laterais e a moldura curvada de vidro lá. Eu imediatamente reconheci as fotos. Havia três imagens separadas de perfil dos meus ultra-sons. Uma da minha primeira ultra-sonografia, a segunda era de quando eu tinha sido internada no hospital, e a terceira era do meu ultra-som, de uma semana.
"Eu gosto disso", eu disse enquanto deslizava minha mão de seu braço para pegar o quadro e examinar as fotos um pouco mais perto.
Obviamente, ele tinha recebido o meu cartão de Natal, porque era dali que duas das imagens tinham vindo. Ele apenas sorriu, sem comentários, e eu decidi não dizer nada sobre o que mais tinha estado no cartão. Se Edward quisesse dizer algo sobre ele, então ele iria. Eu coloquei o quadro de volta sobre a mesa de madeira e permiti que ele continuasse.
Passamos pelo piano, e eu lembrei vagamente dele me dizendo muitos, muitos meses antes que ele gostava de compor músicas. Eu fiz uma anotação mental para perguntar a ele sobre isso mais tarde quando ele apontou a sacada, lavanderia e o banheiro de hóspedes a esquerda, e então ele me levou para a direita.
"O escritório", ele disse abrindo a primeira porta que vimos. Eu podia sentir o cheiro dos livros nas prateleiras, mesmo antes que meus olhos se focassem nas estantes que iam do chão ao teto, ao longo da parede do lado oeste. Ele parecia saber exatamente o que eu estava pensando quando meus olhos se desviaram à mesa, porque ele disse: "Sim, é o mesmo estilo que a mesa. Esme encontrou no ano passado, e ela insistiu para que ela a substituísse pela outra mesa que eu tinha".
Havia vários porta-retratos na mesa dele, mas estavam de frente para o sentido oposto e não podia vê-los. Na parede estavam pendurados seus diplomas, e então havia uma imagem grande de toda a sua família, incluindo a família de Kate, Jasper, Rosalie, Tanya e Mitch, e outro casal que eu nunca tinha visto antes.
"Esses são Irena e Eric."
"Ah." Eu já sabia que Irena era irmã de Kate e Tanya. Ela era a pessoa que morava no Alasca.
"São muitas pessoas. Quando essa foto foi tirada?"
"A semana do casamento de Emmett e Rosalie".
Eu não sei por que, exatamente, mas ao ouvir e ver o quanto todos pareciam felizes, eu não podia deixar de me sentir como se eu tivesse perdido alguma coisa. Como se soubesse exatamente o meu pensamento, Edward colocou o braço sobre meu ombro. "Haverá pelo menos mais três pessoas da próxima vez."
Duas eram fáceis de descobrir: o nosso bebê e Kirsten. "Quem é a terceira?"
Edward apenas riu e deixou cair os braços de mim, antes que ele pegasse minha mão. "Vamos".
Nós andamos pelo corredor, e ele abriu outra porta.
"Oh!" Eu ofeguei enquanto meus olhos imediatamente se encheram de lágrimas. Era o berçário mais encantador que eu já tinha visto. O mobiliário idêntico que estava atualmente guardado no meu quarto extra parecia infinitamente melhor aqui. Duas das paredes eram de um amarelo-pálido, e havia um mural de selva que cobria as outras duas paredes. Combinava com a cama perfeitamente. O quarto era confortável, convidativo, e... quente. Fui até o berço e pegou um leão de pelúcia na cama e o abracei enquanto olhava para a imagem sobre o troca-fralda. Então as lágrimas começaram a cair.
Era uma das imagens da sessão de fotos. Uma das fotos que ainda estavam no envelope pardo que Edward tinha me dado quase uma semana antes, que eu ainda não tinha aberto. O envelope estava acomodado na minha mesa de cabeceira.
A imagem era de quando Eduardo tinha levantado a minha camisa e beijado minha barriga. Seus olhos estavam fechados na imagem e ele parecia tão extasiadamente feliz, como se ele estivesse de pé as portas do céu e esperando para residir no paraíso pela eternidade. Limpei as lágrimas de meu rosto e funguei, constrangido pela minha exposição emocional. Enfim, consegui tirar meus olhos da imagem, e notei a cadeira de balanço no outro canto. Outra foto estava em um quadro em uma mesa pequena: uma foto em preto e branco das mãos de Edward formando o coração sobre minha barriga e minhas mãos em cima das dele.
Eu olhei para trás para ver que Edward estava de pé na porta, me olhando enquanto eu olhava para o berçário do nosso filho. Seus olhos estavam iluminados e dançando com alegria, e seu sorriso era contagiante. "Você gosta?"
Acenei. "Sim. Eu gosto muito". Embora ele não soubesse, eu estava falando mais sobre as emoções que de repente surgiram através de mim do que a própria sala.
"Tem mais", ele atraiu, e eu o segui para fora do quarto.
O cômodo seguinte era um quarto de hóspedes. Uma cama de casal e uma cômoda eram tudo que tinha do quarto, mas havia mais algumas fotos penduradas nas paredes, a mais notável sendo de Ashley. Ele me disse que Tanya ia tirar fotos de Kirsten outra semana, e então ele ia colocar algumas dela no quarto, também.
"Mais um quarto", ele disse, e eu desliguei a luz e fechei a porta antes que eu o acompanhasse.
O último era o quarto principal. Tal como em tudo em sua casa, seu quarto era lindamente decorado. Notei sua cama cuidadosamente feita com seus travesseiros afofados, e eu tive que perguntar a ele, "Você tem uma empregada?"
O rubor no rosto dele respondeu a minha pergunta.
"Ela vem duas vezes por semana. Então, minha cama não será feita novamente até sexta-feira."
Eu ri. "Bom. Eu me sinto um pouco melhor agora." Eu estava virando para sair da sala e não invadir a privacidade dele mais quando uma última foto chamou minha atenção. Na cabeceira de Edward estava um retrato emoldurado. O homem estava de pé atrás da mulher, com os braços enrolados firmemente em torno de seu tórax, por trás. A cabeça da mulher estava virada para o lado enquanto ela olhava para o homem. Eles olhavam nos olhos um do outro com amor, adoração, e desejo escrito claramente em seus rostos. E se eu não soubesse melhor, eu teria dito que eles estavam muito apaixonados. Era de quando eu tinha esquecido que o fotógrafo estava no local.
Edward veio por trás de mim e passou os braços em volta de mim, assim como ele tinha feito na fotografia. "Você não tinha visto as fotos ainda, tinha?", ele disse.
"Não."
Seus braços apertaram um pouco, e ele me abraçou mais perto dele antes que ele beijasse o topo da minha cabeça e, em seguida, afrouxou o seu aperto. "Por quê?"
Apertei o leão de pelúcia no meu peito por um momento antes de segurá-lo com uma mão e virar em seus braços. Olhamos um nos olhos do outro por uma quantidade incomensurável de tempo. "Eu estava com medo", eu finalmente sussurrei.
A cabeça de Edward caiu um pouco enquanto os olhos dele moveram-se bruscamente dos meus olhos para minha boca. "Do que você tem medo, Bella?"
Meu corpo estava preenchido com expectativa. Meus nervos estavam formigando, e meu coração estava batendo tão forte que eu mal podia pensar claramente. Eu podia ouvir a voz sabe-tudo de Alice na minha cabeça, dizendo: "Ele realmente gosta de você", seguido por: "E você gosta dele."
Então, em um momento, eu estava ali olhando, quase o desafiando a fechar a distância, e no seguinte, eu tinha deixado cair o brinquedo no chão, levantado nas pontas dos meus pés, e passado meus braços em volta do pescoço dele o puxando o resto do caminho até mim. "Disso", eu disse pouco antes de pressionar meus lábios aos deles.
Não havia como ignorar a energia que eu senti passar entre nós, enquanto nossos lábios se moviam em harmonia. Era a energia que eu tinha notado a primeira vez que nós nos tocamos, e era a sensação que eu estava me forçando a esquecer e ignorar desde então. Meus dedos se moveram de seu pescoço para se enroscar em seus cabelos. Edward gemeu, e eu aproveitei isso para lamber a fina linha entre seus lábios. Quando a boca dele se abriu e eu senti a doçura em sua língua, a mão de Edward deslizou das minhas costas para a lateral do meu estômago. Seus dedos carinhosamente esfregaram pequenos círculos contra a minha pele esticada, um lembrete de que ambos sabíamos exatamente o que a nossa relação envolvia e que as palavras que ele estava me dizendo por semanas eram verdade... ele realmente queria estar lá para nós dois. Ele não estava simplesmente sendo envolvido por um beijo. Isso me fez desejá-lo muito mais.
A necessidade de oxigênio foi a única coisa que conseguiu nos separar, e eu afrouxei meu aperto em seu pescoço. Edward inclinou a testa para baixo e a pressionou contra a minha enquanto nós dois lutávamos para respirar.
"Eu..." eu comecei, mas perdi minha linha de pensamento quando o polegar de Edward roçou minha têmpora.
Ele riu. "Você não tem idéia de quanto tempo eu quis fazer isso."
"Me diga."
"Eu te quero tanto. Cada parte de você. Desde que te vi no casamento do meu irmão."
Fechei meus olhos devido à lembrança dolorosa, e senti Edward afastar a cabeça. O polegar dele roçar pela minha bochecha novamente. "Eu sinto muito, Bella. Você pode nunca saber o quanto eu realmente lamento."
Sentindo uma lágrima se formar no canto do meu olho e deslizar pela minha bochecha, eu abri meus olhos e olhei para ele. Eu acreditava nele. Ele estava falando sério, e ele lamentava profundamente toda a animosidade que tinha crescido entre nós. E apesar da dor que havia sido deixada como consequência de suas palavras, sua resposta me disse aquilo que eu realmente precisava ouvir: seja o que fosse que estivesse crescendo entre nós era muito mais profundo do que apenas o nosso bebê.
"Então, muito tempo desperdiçado", ele disse tão baixo que eu quase não o ouvi. Então, ele baixou o rosto um pouco mais e me beijou novamente. Suavemente, gentilmente, quase reverentemente, seus lábios roçaram os meus.
Uma vez...
Duas vezes...
Na terceira vez, ele recuou e ajeitou suas costas para ficar totalmente de pé. Foi só então que eu percebi o quanto ele deveria estar desconfortável por se inclinar tanto. Com o meu estômago no caminho, ele teve que se curvar ainda mais longe do que ele teria antes.
Ele me beijou mais uma vez na minha testa e então me puxou para um abraço.
Me senti como a mulher na fotografia ao lado da cama dele, aquela que era amada, querida e com quem se importavam. Precisou de tudo que eu tinha para sair do conforto e segurança que os braços de Edward me proporcionavam, mas eventualmente eu não tive escolha. Estava ficando mais tarde, e eu sabia que precisava ir para casa dormir para que eu pudesse estar preparada na parte da manhã para quaisquer conseqüências que me aguardassem.
"Eu tenho que ir."
Edward acenou e, em seguida, tirou a mão da minha cintura para passá-la pelo cabelo. "Tudo bem. Me deixe te acompanhar até lá fora."
Depois que ele me ajudou a colocar o meu casaco, Edward foi comigo de volta para a garagem. Quando chegamos ao meu carro, ele segurou meu rosto e se inclinou para um rápido beijo inocente. "Eu te ligo amanhã."
"Boa noite, Edward."
"Boa noite."
Ele abriu a porta do carro para mim e fechou depois que eu estava assentada. Enquanto eu saia da garagem, eu podia ver Edward no meu espelho retrovisor, parecendo perdido em pensamentos.
Minha mente percorreu a última hora da noite com Edward, quando comecei a dirigir de volta para meu apartamento. O lado racional da minha mente me lembrou que eu não queria cometer os mesmos erros que os meus pais tinham cometido quando eu nasci. E eu não queria que Edward se sentisse da mesma maneira comigo que Carlisle se sentiu com Elizabeth. Eu não faria isso com ele... eu não podia fazer isso com ele.
O lado emocional de mim era uma história completamente diferente. Me senti completamente pega desprevenida e impressionada. Tudo nele estava me puxando para ele e ao lado dele era exatamente onde eu queria estar. Seus beijos eram doces e necessitados e me faziam sentir que, finalmente, eu era uma pessoa completa. A parte ausente do quebra-cabeça era Edward. Ele era o que eu ansiava, almejava, aquilo pelo que minha alma estava chorando por todo o tempo. O desejo era ardente, e quando eu estava com ele, me sentia agradavelmente estupefata.
Eu estava quase em casa quando ouvi o toque abafado do meu celular de dentro da minha bolsa. Eu tentei encontrá-lo enquanto mantinha meus olhos grudados na estrada e uma mão no volante. Após me atrapalhar com minha bolsa, pegando tudo dos meus tampões completamente inúteis até um pacote de chiclete, eu finalmente encontrei o meu celular. Apertei o botão para atender sem sequer olhar.
"Alô?"
"Bella, eu estou tão feliz por você ter atendido. Agora, só me escute ", ele disse apressadamente. "Eu tenho pensado bastante nisso, e eu realmente acredito que esta é a melhor solução. Apenas, não me responda de imediato e pense sobre isso por alguns minutos primeiro. Ok?"
Abri a boca para responder, mas ele quase não parou antes de continuar. "Bella, e-eu acho que essa é a melhor coisa a fazer. Quer dizer, eu não diria isso se eu não achasse que fosse. Bella—" Eu o ouvi tomar fôlego. "—Quer casar comigo?"
Eu o conhecia bem suficiente bem para saber que ele estava sendo totalmente sincero com sua pergunta. Eu estava em tal perda de palavras que, enquanto eu olhava pelo pára-brisa levei dois segundos para perceber que a luz no cruzamento em que eu estava chegando estava vermelha.
Pisando com força nos freios, eu deixei cair o celular ao mesmo tempo.
Enquanto a minha frequência cardíaca e respiratória, lentamente voltava ao normal, eu disse uma rápida oração de agradecimento pelo caminho que eu estava dirigindo estar praticamente deserto e que eu estava bem.
"Bella! Bella!" Ouvi quietamente da direção do assoalho.
Engoli em seco.
Logo, eu teria que lidar com aquilo.
N.T.: Dia das mães... nada mais justo do que postar aqui, né? ;)
Um dos capítulos mais fofos da fic! Eu fico completamente em dúvida entre este e o das fotos! *suspira*
O que vocês acharam?
~Dany_Cullen é a nossa beta! Eu não poderia agradecer pelos pepinos gigaaaantes que a gente joga nas mãos dela, e mesmo assim ela sempre está disposta a nos ajudar. Brigada baby!
Essa fic é da ~GinnyW31 e se vocês sabem inglês corram para ler o que ela escreve! O perfil dela está no meu e também nos autores favoritos!
Esse capítulo foi traduzido pela Kathy - e eu morri de inveja dela por isso. ;)
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