N.b.: Twilight não nos pertence e eu nuna vou conseguir agradecer suficientemente à Ginny por nos ter deixado traduzir essa fic! :)
Eu traduzi esse aqui e a Dany, como sempre, betou.
Capítulo 24: Tropeçando na Escuridão
"Ela não parece estar bem."
"Ela está sob muito estresse. Você sabe disso, Edward."
Gemi suavemente, mais do que um pouco desorientada. Minha cabeça pulsava onde definitivamente tinha um machucado no meu pescoço, e minhas costas doíam. É claro que tudo isso era normal para mim, então para todos os casos, estava bem. Quantas semanas faltavam?
"Estou preocupado," ele disse.
Ouvi uma risada alta de quem só poderia ser Alice. "Isso sim é uma surpresa."
Eu estava cansada demais para estar impressionada, mas até eu consegui sorrir suavemente pela resposta dela. Piscando os olhos, forcei-me a focar onde estava. Isso não parecia com o meu sofá. Era macio demais, muito confortável e – inalei profundamente – cheirava a couro fino. Eu estava na sala de estar do Edward.
Movi para me sentar justo quando Alice perguntou, "O que você contou a ela?" e eu fiquei onde estava, esperando pela resposta dele. Minha mente rapidamente checou os eventos da tarde. Edward tinha falado muitas coisas, e eu não conseguia evitar pensar se ele se arrependeria de qualquer coisa que disse. Mas então de novo, eu disse muitas coisas também, me fazendo completamente vulnerável.
"A verdade," a resposta do Edward foi simples, e... honesta. Não tinha percebido que estava segurando a minha respiração até que as palavras estivessem fora de sua boca, e deu um suspiro de alívio.
"Não acredito que ela aceitou mudar para cá."
"Isso nos torna dois," ele replicou.
Não, Edward, isso nos torna três. Rocei minha mão na barriga e não consegui parar de sorrir um pouco mais com o pensamento. Eu poderia estar surpresa com a minha decisão, mas também sabia – no fundo das profundezas da minha alma – que fiz a decisão certa.
Foi rápido, a pequena voz de aviso disse no fundo da minha cabeça.
Eu não podia discordar disso.
Ele vai te machucar novamente, a voz acrescentou.
Iria? Pensei nisso um pouco. Eu podia facilmente lembrar quão horrível ele fora. Mas...
Não conseguia evitar de pensar no outro lado dele. Ele parecia verdadeiramente se importar comigo. A verdade – ele tinha acabado de dizer a sua irmã que me falou a verdade. Edward tinha me dito que estava se apaixonando por mim.
Meu coração se aqueceu com o pensamento porque isso era melhor do que qualquer sonho. Mesmo que a minha cabeça ainda discutisse sobre os pontos negativos dele, meu coração não desistiria dele tão cedo. Sim, aquele mesmo coração que eu mantive fortemente protegido pela maior parte da minha vida. Aquele coração não mais era meu; eu estava dando-o para que alguém o guardasse para sempre. Não foi necessariamente algo que fiz conscientemente, mas em algum lugar nos últimos dias, o deixei aqui... com Edward.
Alice e Edward ainda estavam conversando na cozinha; soava como se eles estivessem discutindo sobre o que comer. Alice queria pedir comida Chinesa, enquanto Edward a dizia que mais sal era a última coisa que eu precisava. Ok, eu ainda não gostava do fato que ele estava, ainda, ditando o que eu podia ou não fazer. Entretanto – levantei meu pé e o olhei com um suspiro – mesmo deitava de lado por seja lá quanto tempo tenha passado e mantendo meu pé elevado por grande parte do dia enquanto estava na casa da Esme, meus tornozelos pareciam pertencer mais a um elefante do que a uma mulher pequena – que antes da gravidez – usava roupas de número 40.
Gemendo novamente, sentei no sofá e girei minha cabeça numa tentativa de fazer os nós do meu pescoço saírem. Minha mão foi para a cabeça e eu só conseguia imaginar como horrível meu cabelo deveria estar depois da soneca.
"Bella!" Escutei Alice chamar. Virei minha cabeça e sorri enquanto ela corria pela sala para se juntar a mim. "Como está se sentindo? Não consigo acreditar como aquelas garotas foram horríveis. Angela está se sentindo muito mal por aquilo. Perguntei porquê ela sequer as convidou, e ela disse que chamou todos do escritório. Você está brava comigo por não ter te contado sobre Jasper? Quero dizer, tecnicamente eu te contei, mas sabia que você estava dormindo. Não percebi que você tinha ouvido até Edward ter me falado. Estou tão empolgada que você está se mudando para cá. Comprei algumas roupas e itens necessários para você colocar no seu quarto. Não sabia se você estava planejando usar o banheiro de hospedes ou o do Edward. O dele tem aquela banheira com jato enorme, então achei que você preferiria usar aquela. Isso sem mencionar o chuveiro de lá. Oh meu deus! Acho que daria praticamente tudo por um chuveiro com oito saídas de água. Mas não tinha nenhum lugar livre neste prédio. Oh, bem. Tenho certeza que quando comprarmos nossa casa acharemos algo igualmente legal. Então, tudo bem se Jasper e eu ficarmos no seu apartamento até que o aluguel se encerre? Seria realmente mais fácil para mim. Seu apartamento é tão mais perto do meu –"
"Respira, Alice," interrompi, levantando minha mão. Estive perto dela por semanas, então sabia que essa era simplesmente como era algumas vezes, mais isso não significa que não fizesse a minha cabeça girar tentando seguir sua linha de raciocínio. "Se você realmente quer meu apartamento, pode ficar, mas realmente não é necessário. Posso tentar dar um jeito, se você preferir."
"Jazz e eu ficaremos com ele. Você já tem preocupações suficientes agora."
Engoli e segurei meu argumento. Essas pessoas – essa família – eles estavam sendo genuínos e Alice estava certa – eu já tinha preocupações demais. "Obrigada."
Alice deixou a respiração sair. "Não posso te dizer quão legal é ver você não discutindo comigo sobre algo tão trivial," ela disse enquanto se inclinava e me abraçava forte. "Você não respondeu as minhas outras perguntas."
"Eu não estou chateada que você não me falou sobre o casamento. Entretanto não consigo entender porque você voltou e ficou comigo depois."
Ela sorriu. "Não é só meu irmão babaca que te ama, Bella. Não se esqueça disso."
Senti meu coração tremer no peito. Ele me amava. Alice estava me dizendo que Edward me amava. Não que estava se apaixonando, nem perto disso, mas afirmou aquilo como se fosse um fato. A única pergunta era se isso era algo que ele realmente a disse ou uma conclusão a qual ela chegou sozinha.
"Isso ainda não era a minha maior preocupação, todavia. Como você está se sentindo?" Ela perguntou, seu sorriso diminuindo suavemente e a preocupação nublando sua fisionomia.
"Estou bem."
Alice uniu seus lábios e estreitou os olhos. "Eu te conheço bem o suficiente para saber quando está mentindo, sabia?"
"Já viu meus pés?" A perguntei em resposta.
"Como alguém poderia não ver seus pés? Estão enormes!" ela levantou as mãos para ilustrar o tamanho, exagerando para mais do que o dobro.
Rolei meus olhos. "Estou grávida de oito meses. Estou pronta para terminar."
"Você está bem com o restante?"
"O que você quer dizer?" perguntei.
Alice levantou as sobrancelhas. "Bella, você concordou em mudar-se para cá." Ela levantou sua mão quando abri minha boca para falar. "Não me entenda mal, estou muito feliz. Mais do que feliz, na verdade. Estava esperando por isso enquanto Jasper e eu estávamos na Itália. Só queria me certificar que você estava bem com isso tudo."
"Eu... sim, Alice, eu realmente acho que as coisas ficarão bem." Percebi que quando disse as palavras, realmente acreditei nelas.
Ela apenas gesticulou sua concordância e me ajudou a levantar. Então gritou alto e envolveu seus braços ao meu redor novamente. "Eu vou ser tia!"
"Alice, você sabia disso há meses."
Houve uma alta barulheira na cozinha e Edward veio correndo para a sala. "O que? Bella você está bem? O que está acontecendo?"
"Oh, ela está bem," garantiu Alice com um sorriso enorme. "Só estou excitada. Estamos chegando perto. Posso sentir."
Podia literalmente senti a tensão deixar Edward enquanto ele exalava depois do surto da Alice. "Você tem certeza?" Ele me perguntou, de qualquer forma.
"Sim. Estou bem."
"Ótimo. O jantar ficará pronto em uns quinze minutos."
Sorri e pedi licença para usar o banheiro e trocar de roupa. Não estava tentando impressionar alguém, e queria ficar confortável. Também pensei que, depois do meu surto emocional mais cedo, seria uma boa ideia ligar para Renee e deixá-la saber onde e como eu estava. Alice trouxe várias roupas, mas eu jurei que quase poderia beijá-la por trazer a minha camiseta da faculdade favorita e calças pretas elásticas.
Renee ficou feliz em ouvir que eu me sentia melhor e mais contente de saber que eu não passaria a noite sozinha, mesmo que ela tenha dito já ter adivinhado isso. "Eu sei que eu disse que queria torturá-lo pelas bolas, querida, mas ele parece realmente ter mudado. Não se preocupe, o fiz tremer nas bases quando ele me pegou no aeroporto, mas eu gosto dele. Ele é bom para você. E, meu deus, você ouviu o que ele disse aquelas mulheres na cozinha?"
"O que? Que mulheres? Você está falando da Jéssica e Lauren?" Percorri meu cérebro tentando lembrar tudo que aconteceu na casa da Esme depois que deixei os pratos caírem, mas estava tudo embaçado.
"Sim, bebê. Edward falou para elas calarem a porra da boca, para saírem da casa da mãe dele e para ficarem longe de você ou ele as processariam por perseguição."
"Ele fez isso?"
"Bebê, você estava ali."
"Eu não... Sim, mãe, não estava pensando muito claramente no momento. Só lembro dele me levando para a lavanderia."
"Bem," ela prosseguiu, agora assumindo o papel de fofoqueira, "então aquela mulher muito alta, magra e loira – Rosanne ou Rosa—"
"Rosalie."
"Sim, Rosalie, bem então ela jogou seus casacos nas mãos delas e escoltou-as pela porta. Foi uma visão linda, garotinha." Então ela pausou por um momento e suspirou. "Eles são realmente bons. Todos eles. E todos te amam."
"Sim, eu sei que amam. Então o que você fez hoje a noite?" perguntei numa tentativa de alterar a direção da conversa.
"Na verdade, acabamos de voltar para o hotel. Kate tomou conta da Brett enquanto Phill e eu jantamos com Esme e Carlisle. Foi adorável."
"Brett e Ashley se deram muito bem essa tarde," comentei.
"Eu fui informada que elas serão melhores amigas para sempre. Aparentemente estão tentando arrumar uma maneira de nos fazer mudar para cá, para que elas possam se ver todos os dias."
Meu coração apertou por uma fração de segundo com a ideia da minha mãe morando mais perto de mim. Eu amaria isso - o apoio da minha própria família. Força, segurança. Mas não existia possibilidade dela fazer isso. Ela deixou Forks porque odiava a chuva. Frio, úmido, triste e depressivo. Não podia dizer que a culpava nem um pouco.
Uma olhada rápida para o relógio me disse que demorei mais do que quinze minutos, e eu não queria fazer Edward me esperar mais para jantar. Disse a minha mãe que nos veríamos pela manhã e encerrei a ligação.
O cheio de algo na cozinha me tirou do quarto antes que pudesse pensar nisso mais tempo.
"Tudo bem?" Edward perguntou enquanto eu entrei na cozinha para procurar o que ele não tinha terminado.
"Sim, acabei de falar com a minha mãe."
Ele gargalhou. "Ela é muito protetora."
"Eu sei. Ela me ama, mesmo que seja do seu jeito único."
"Isso ela faz."
"Onde está Alice?"
"Foi para casa."
"Ah." Peguei uma cenoura bebê da tábua. "Vamos tomar café da manhã com a minha mãe amanhã as onze."
"Sim. Mãe e pai, Emmett, Rosalie, Alice e Jasper estarão lá também."
Isso era novidade para mim, mas depois de pensar nisso, eu sabia que essa era uma família simplesmente maior do que a que eu cresci. Obviamente. "Ela me disse o que você falou para Jéssica e Lauren. Obrigada."
Ele olhou para cima pela panela que estava cozinhando algum frango e me encarou. "Você realmente não se lembra daquilo?"
Balancei minha cabeça. "Não. Eu estava…" suspirei. "Eu só não conseguia me focar em nada."
"Bella, seja sincera comigo, você está bem?"
"Quantas vezes mais vão me perguntar isso hoje?" Perguntei irritada. Então suspirei. Realmente não era culpa dele. "Desculpa. Vou ficar bem. De verdade." O bebê chutou e meu estômago urrou. "Mas estou faminta."
"Aqui, coma isso," ele disse, me entregando uma travessa de salada. "Vou seguir com o resto disso e alimentaremos sua barriga barulhenta."
Mesmo depois da minha soneca no sofá do Edward, me percebi caindo na cama horas depois. Dormi melhor do que já tinha em várias noites. A cama no quarto de hóspedes – no meu quarto – era mais confortável do que minha própria cama no meu apartamento. A única vez que fiquei desorientada foi quando estava indo usar o banheiro no meio da noite e acabei, inadvertidamente, parando no quarto do Edward. Tinha acabado de perceber isso e estava me virando para sair quando Edward pulou da cama, acendendo a luminária no seu criado mudo, me cegando. "Bella o que foi? Você está bem? Está tendo contrações? Estourou sua bolsa? Sangramento? Dor de cabeça? Náusea? Vômito?"
Olhei-o com os olhos semicerrados pela luz clara demais, tentando descobrir o que diabos ele estava me dizendo. Ele colocou uma das suas mãos firmemente na minha barriga e parecia que estava se focando intentamente em alguma coisa. "Eu não sou uma dos seus pacientes. Estou bem," murmurei, empurrando suas mãos, irritada com sua preocupação desnecessária. "Só preciso ir ao banheiro. Acabei me perdendo. Desculpa." Me virei de volta para a porta, e ele segurou meu braço. "Olha Edward, você tem que aprender a se acalmar e relaxar se vamos fazer isso. Não gosto de brincar de ser a garotinha fraca que precisa de alguém para cuidar dela. Não quero meu médico pessoal. Só quero usar a porra do banheiro."
Edward suspirou e puxou meu braço. "Tem um banheiro logo ali."
Esfreguei minha testa e respirei fundo antes de segui-lo. Alice estava certa. O banheiro da suíte era ótimo e a banheira era enorme. Eu estava tentada – tão tentada – a tomar um banho exatamente aqui e agora. Quando terminei, saí do banheiro e encontrei Edward sentado em sua cama, aparentemente esperando por mim. Olhei-o por um momento. Estava vestido com uma camiseta cinza e boxers com seus cabelos perfeitamente desalinhados, esfregando seu rosto com suas mãos, como se estivesse tentando se acalmar.
"Obrigada," disse depois de pigarrear para ganhar sua atenção.
Nenhum de nós moveu-se ou disse algo, e eu perdi um momento para pensar no que disse para ele. "Desculpa pelo o que falei."
"Bella," ele disse com um suspiro, "Vou tentar não te fazer sentir sufocada, mas sério, você apareceu no meu quarto, me acordando de um sono profundo, as três da madrugada. O que você esperava que eu fizesse?" Edward soou cansado, e apesar das suas palavras poderem ser consideradas duras, seu tom era calmo e nada acusativo.
Andei até a cama e sentei próxima a ele. "Sim, eu sei."
Ele virou sua cabeça para mim e sorriu. "Você só precisa entender que eu vou me preocupar. Não te enfraquece deixar alguém cuidar de você."
"Ninguém nunca cuidou de mim." Isso era verdade. Ninguém tinha. Eu sempre fui a quem cuidava.
Edward colocou seu braço ao meu redor, me abraçando forte contra seu lado. "Está na hora disto mudar."
Descansei minha cabeça contra seu ombro. "Vou tentar. Mas só se você prometer não ser obsessivo demais."
Ele riu. "Vou tentar," repetiu.
Sentamos daquela maneira por um longo tempo, sua mão fazendo pequenos círculos na minha lateral. Quando senti meus olhos pesarem, sentei com uma melhor postura e me afastei dele. "Deveria voltar para cama."
Edward baixou sua mão e concordou. "Você sabe que poderia..." ele acenou para a sua cama ao invés de falar as palavras.
Sua oferta era tentadora. Era muito mais sedutor do que eu poderia sequer verbalizar, mas só lancei um pequeno sorriso e balancei a cabeça. "Acho que deveria..." minhas próprias palavras sumiram, como as dele.
Edward simplesmente meneou a cabeça concordando, e eu fiz meu caminho de volta para o quarto para dormir por um pouco mais de horas.
Café da manhã foi… longo. Dormi muito mais do que é normal para mim e estava faminta quando acordei, mas graças ao fato do Edward pensar em tudo, tinha menos do que uma hora até chegar ao restaurante. Não tive tempo de comer nada. Diabos, mal teve tempo para eu tomar um banho e tirar os pijamas.
Nunca entendi o clichê sobre mulheres grávidas com fome serem extremamente escrotas. Mas eu juro que parecia como uma experiência extracorpórea. Tudo o que eu podia fazer era observar a minha versão grávida e faminta brigar repetidamente com Edward. Mesmo Alice, minha mãe e finalmente Esme – de todas as pessoas – foram pegas pela mira daquela Bella por uma ou duas vezes, antes que ela comesse algo e voltasse a sua típica maneira calma de ser.
Minhas desculpas foram ignoradas, e a única pessoa que disse algo foi Esme. "Isso vai ensinar Edward a alimentar vocês dois. É culpa dele não ter te acordado essa manhã, querida."
Edward olhou-a irritado, mas depois que ela levantou as sobrancelhas em resposta, o canto da sua boca levantou num sorriso suave, e ele olhou da sua mãe para mim, e eu sabia que nós duas fomos perdoadas.
Quando voltamos para a casa dele a tarde, mesmo que tenha sido apenas a terceira vez, não conseguia evitar de notar que eu estava começando a me sentir normal ali. Andar pelo apartamento, tirar meus sapatos, pendurar meu casaco – parecia certo. Fiz meu caminho pela cozinha para fazer um inventário do que estava lá para que eu pudesse fazer uma lista de compras. Antes de deixarmos o restaurante, Edward convidou minha mãe e Phill para jantar na segunda feira. Eu estava me sentindo um pouco culpada pela minha mãe ter chegado ontem e eu só ter passado algumas poucas horas com ela. Eu disse a ela isso, é claro, mas ela ignorou minha preocupação e me assegurou que eles tinham coisas suficientes para mantê-los ocupados e essa era a hora para eu ser egoísta, sem me preocupar com ela. Depois disso os convidei para jantar hoje a noite, mas aparentemente eles iriam para a Kate e Garrett mais tarde.
"O que você está fazendo?" A voz do Edward me assustou, e eu pulei em resposta.
"Tentando decidir o que fazer para jantar amanhã a noite," disse enquanto fechava a geladeira.
Ele meneou a cabeça em direção ao papel na minha mão. "Se você me der a lista posso comprar tudo amanhã a tarde."
"Ok."
"Teremos companhia em uns trinta minutes," ele anunciou quando terminei a lista de comprar e entreguei para ele.
"Quem?" Acabamos de ver sua família e todos mencionaram planos para a tarde e noite.
"Seu nome é Marcus Attino."
Não sei por que não me ocorreu antes, mas foi só depois que Edward falou o nome de uma pessoa que eu nunca ouvi antes que percebi que ele tinha amigos fora da sua família. "Oh. Bem, eu vou para o meu quarto para dar a vocês um pouco de privacidade."
"Ele é um advogado, Bella."
"Ok. Vou para meu quarto dar a você e seu amigo advogado um pouco de privacidade," Repeti um pouco irritada. Não me importava as carreiras que os amigos do Edward tinham. Médicos, advogados... todos só gritavam dinheiro, para mim.
Edward suspirou exasperado. "Marcus não está vindo para me ver."
"O que?"
"Ele é especializado em leis trabalhistas e discriminação. Ele está vindo para ajudar você a se preparar para sua reunião de amanhã."
Dizer que eu estava impressionada seria eufemismo. "Mas é domingo," consegui murmurar quando finalmente achei minhas palavras.
Ele encolheu os ombros.
Só demorou mais um momento para o choque transformar-se em raiva, e eu bati meu punho na mesa. "Por que me arrumou um advogado, Edward? Não disse que não queria pessoas me circundando e tentando fazer tudo por mim? Não quero um advogado. Vou conseguir resolver esse problema sozinha!" Senti meus olhos começarem a ardem com lágrimas raivosas.
"Bella, até um General tem um exército para liderar na batalha."
Sequei meus olhos antes que as lágrimas pudessem cair. "E quem sou eu neste cenário."
Ele andou até que estivesse na minha frente. "Você é o General, e é tempo de você preparar suas tropas. Angela também estará aqui logo."
Respirando fundo, considerei suas palavras por um momento. Quando exalei, liberei um pouco da tensão e raiva que rapidamente surgiu na superfície. "Está bem."
Edward inclinou-se e beijou minha testa antes de sair da cozinha com minha lista de supermercado nas mãos.
Era depois das sete quando Marcus e Angela finalmente foram embora. Mais de quatro horas de discussão, mas pelo menos me sentia mais preparada para a reunião de manhã. Não tiveram grandes avanços nem pontos perigosos. Simplesmente um plano de ação. Como Edward previu, de acordo com Marcus, eu tinha como apelar para as leis. Agora o objetivo era simplesmente ir para a reunião com a intenção de me concentrar no meu caso e então esperar para ver o que Jack estava planejando fazer.
Marcus estaria na discagem rápida se eu precisasse que ele aparecesse na reunião, entretanto, eu achava que Jack precisava colocar as cartas na mesa antes que fizéssemos qualquer coisa. Minha decisão era completamente baseada em instinto, que não era nem perto de satisfazer Marcus e Edward. "A última coisa que você precisa agora, Bella, é mais estresse desnecessário," Edward disse. Mas não importava o quanto ele tenha pedido, eu tive que negar. Sabia melhor do que eles o quanto Jack trabalhou e eu precisava ver suas cartas antes de aceitar jogar.
Edward novamente fez o jantar, dizendo que eu estive ocupada com Marcus e Angela e ele não queria cometer o mesmo erro de mais cedo pela manhã e não me alimentar no horário propício.
Quando terminando de comer, eu mal conseguia me manter acordada. Desculpei-me e fui para a cama, quase não conseguindo manter meus olhos abertos até que eu trocasse de roupa para um pijama confortável.
Felizmente, a ida ao banheiro na madrugada de domingo foi tranquila. Bem, tão boa quanto não ir a nenhum lugar por engano. Entretanto, o banheiro ficava do outro lado do apartamento, e quando eu tinha acabado lá, já estava totalmente acordada. Depois passei duas horas sentada numa cadeira de balanço no quarto do bebê, pensando no que estava por vir nas próximas semanas. Mas enquanto me balançava gentilmente, não conseguia evitar que a sensação de trepidação e medo que senti pelos últimos meses estarem rapidamente acabando... tanto que, na verdade, quando finalmente achei meu caminho para a cama em alguma hora depois das três, eu estava com um pequeno sorriso e uma rápida e crescente bolha de empolgação.
"Você tem que relaxar, Bella." Angela estava sentando na minha frente enquanto passamos os últimos detalhes antes do Jack chegar. Seu voo estava marcado para chegar às 09h15min. Como sempre acontecia, ele alugou um carro para trazê-lo do aeroporto até o escritório.
"Estou tentando," disse enquanto massageava minhas têmporas. Era uma tentativa torpe de conseguir me livrar da dor de cabeça. Pelo menos ela apareceu com uma razão, desta vez.
Justo quando o relógio do meu escritório marcou a virada da hora, meu telefone tocou para avisar que o carro do Jack estava estacionando na frente.
Angela me olhou com preocupação. "Vou me certificar que a sala de conferência está pronta," disse antes de respirar fundo. Então correu para fora do cômodo, enquanto eu arrumava meus papeis e notas.
Quando entrei na sala de conferência, Angela me deu um breve abraço e esperou comigo até que todos chegassem. Ignorei todos. Sabia que se precisasse Angela teria Marcus na discagem rápida.
"Sr. Newton," cumprimentei quando ele entrou na sala que Angela arrumou para a reunião.
"Bom dia, Isabella," cumprimentou me olhando cuidadosamente antes de sentar no outro lado da mesa que eu estava. Laurent sentou perto do Jack. Então Mike sentou à minha direita, enquanto Angela sentava a minha esquerda. Jessica foi para o outro lado do Mike. Fez-me sentir um pouco mais confiante ter nós quatro em um lado da mesa, encarando Jack e Laurent.
As apresentações continuaram e eu lutei para me focar neles, mas a missão estava se provando mais difícil do que antecipei. O que era um constante latejar na minha cabeça estava se transformando num latido massacrante.
Jack virou sua atenção para Angela e Jessica e então pediu para que elas voltassem para o trabalho em suas mesas. Jessica saiu do cômodo rapidamente. Angela apertou meu ombro numa demonstração de suporte antes de sair, deixando Mike e eu sentados juntos e sozinhos para encarar seu pai.
"Você não parece muito bem," Mike sussurrou do meu lado.
Mal balancei a cabeça em resposta antes de virar minha atenção para Jack. Como ele esperava que eu estivesse? Estava prestes a ser demitida, e parecia que Jack certificar-se-ia de ter uma audiência para a minha humilhação.
"Vim para discutir o futuro das Corporações Newton no pacífico noroeste," ele começou. Então passou a explicar a sua visão da empresa, seus objetivos, e a análise fiscal. Nenhuma das informações era nova para mim, e eu percebi que era cada vez mais difícil me concentrar em suas palavras.
Tentei anotar enquanto ele falava, esperando que ele dissesse algo que ajudasse em minha defesa – sim, parecia um julgamento, completo com argumentações de abertura – entretanto, as palavras pareciam nada no papel a minha frente.
Quando Jack terminou seu discurso focou sua atenção somente em mim. "Nestes arquivos estão todas as reclamações que foram feitas a este escritório desde que abriu a seis meses atrás," ele disse, apontando para a pilha grande de pastas repousadas na mesa em sua frente, "a maioria foi nos últimos dois meses. A mais notável é a carta que recebi de Bill McIntyre depois que ele achou a maneira de cancelar o contrato conosco, então decidi fechar este escritório. Vou precisar de vocês dois," disse indicando Mike e eu, "que fechem a loja aqui e voltem para Arizona em um mês."
O zumbido no meu ouvido estava ficando ensurdecedor enquanto eu processava o que ele tinha acabado de dizer. "Espera. Você não vai me demitir?" perguntei, balançando minha cabeça numa tentativa de clareá-la. Obviamente o ouvi errado.
Jack bufou irritado. "Não seja ridícula, Isabella. Você é da família." O rápido, mas pontual, olhar que lançou para Mike não me escapou, entretanto.
"Mas eu ferrei tudo." Ok, isso foi estúpido, mas minha cabeça estava doendo demais. Eu estava com dificuldades na inesperada direção que essa manhã seguiu. Virando-me para olhar para Mike, parecia que ele estava tão surpreso com os eventos quanto eu.
"Estou ciente deste fato," Jack disse, soando mais como um pai dando bronca em seu filho. "É por isso que vamos fechar o escritório. O bebê te fez perder a audição também?"
Babaca. Julgando pelo alto tamborilar em minhas orelhas, entretanto, eu diria que ele está completamente certo, mas não deixaria saber disso. Ao invés disso, soquei meu punho na mesa. Isso não era algo o qual eu estava preparada. Não foi como Mike disse que seria. Além do mais, quem diabos fecha um escritório depois de só seis meses? "Você espera que eu me mude sem aviso prévio? E nossos clientes? E os empregados? Eu vou ter um filho em um mês. Não posso simplesmente entrar num avião e ir embora!"
"Você mudou para cá sem aviso prévio," me lembrou.
As coisas eram diferentes. Foram diferentes. Minha vida era só minha, sem compromissos com nada ou ninguém.
"Você pode ter seu filho em Arizona. Ou, inferno, tenha aqui, eu não me importo. Só diga a eles que quer ter agora. Não é assim que os partos funcionam hoje em dia? Você marca a data? Entrega Planejada? Dê seu jeito. Eu realmente não me importo, contando que você esteja em Arizona até o fim do mês," ele disse, me encarando sério.
Minha cabeça girava com suas palavras, e eu mal acompanhei sua explanação de Laurent ficar para trás para ajudar Mike a limpar as coisas e então algo sobre Jack mandá-lo checar os escritórios novos em Colorado. "Espera. Espera," disse interrompendo o que quer que Jack fosse dizer. "Você o contratou como algum tipo de especialista em eficiência?"
"Isso te surpreende?" Jack perguntou.
Depois de pensar nisso por um minuto, não, isso não me surpreendia mesmo. Mas segurei minha língua, e depois de outro momento, Jack falou seu plano. Tudo o que podia fazer era olhar os três homens numa tentativa de descobrir seus pensamentos. Laurent não parecia nem um pouco surpreso com a conversa.
"Você não respondeu a minha pergunta sobre os clientes," disse, interrompendo novamente.
"Faremos o que sempre fizemos e gerenciá-los-emos de Phoenix. Em seis a doze meses, podemos tentar abrir uma filiam em Boise ou algum lugar por lá, mas sempre nos demos bem com apenas viajar, antigamente."
Ele queria que Mike e eu voltássemos a viajar o tanto que fazíamos? Eu estava prestes a ter um bebê, caralho! Com quem eu o deixaria? "Mas—"
"Você perdeu o cliente que estava mais preocupado com a distância de onde ficávamos. Agora é simplesmente um gasto adicional e desnecessário para manter vocês dois aqui. Quero que você e Mike voltem para casa... para onde vocês pertencem."
Agora eu me sentia exatamente como uma criança travessa sendo disciplinada. Então tudo o que Mike disse há algumas noites atrás veio a tona. Jack queria Mike e eu juntos. Minha garganta fechou quando percebi a extensão das suas vontades. Ele desejava tanto que nos mandou aqui para trabalharmos juntos, e agora que estava claro que as coisas não aconteceram da maneira que planejou, ele estava nos mandando de volta para debaixo dos seus dedos, onde achava que pudesse ter mais controle... Onde ele achava que poderia forçar sua agenda sob seu filho e eu.
A raiva começou a borbulhar meu sangue, e eu senti meu coração disparar no peito enquanto a dor de cabeça aumentava em dez vezes. Quanto mais os segundos passavam, mais minha cabeça latejava e mais difícil era eu conseguir me focar em algo. Mal notei quando levantei no meio de uma das tiradas do Jack. Tudo o que sabia era que precisava sair daqui.
Fiquei parada no corredor, encostei minhas costas contra a parede e fechei os olhos, respirando calma e compassadamente enquanto tentava me tranquilizar. Eu conseguia ouvir gritaria na sala de conferência, mas decidi que nada disso me importava. Uma súbita onda de náusea me atingiu, e eu engoli forte. Mais uma me atingiu e eu sabia que precisava ir ao banheiro. Afastando-me da parede, abri rapidamente meus olhos, mas logo percebi que não me ajudou a enxergar onde eu estava indo. Centenas de pontinhos pretos dançavam, bloqueando minha visão, e eu me senti quase cega enquanto minha mão segurava a maçaneta.
Eu enjoei tão logo que entrei no banheiro, mal conseguindo chegar na privada. Vários minutos depois, quando meu estômago estava completamente vazio, deitei a minha cabeça no piso frio, um forte sentimento de mau presságio caiu sobre mim.
A única coisa que eu sabia, era que precisava do Edward, e precisava dele agora. Retirei o telefone do bolso da minha calça.
Preciso de você. Venha me pegar agora, digitei, mas conseguindo distinguir as letras no teclado. Então enviei, fechei meus olhos e esperei.
N.b.: Aaaaaaaaaai que meu coração dói só de reler isso!
Então bonitos... A fic está chegando ao seu fim. Mais dois capítulos e dois outtakes. *suspira*
Nos digam o que acharam deste, ok? ;)
lou.
