N.t.: Twilight não nos pertence, e esta fic é da GinnyW31.
Mayra traduxiu este, Danny betou e eu espero MUITO que vocês gostem porque o próximo é o epílogo... =/
Capítulo 26: Círculo completo
Pegando todos os utensílios do carro, incluindo o bebê-conforto que segurava meu filho, dois sacos de fralda, e uma coberta, eu cuidadosamente atravessei a trilha para a porta da frente e consegui tocar a campainha com o ombro. Graças há Deus o tempo tinha finalmente mudado, e mesmo estando nublado, não estava mais congelando na rua. Isso significava que eu não tinha que me preocupar com escorrer no gelo, e eu não tinha que cobrir Jeremy com tantos cobertores quando tinha que sair com ele. Eu o ouvi arrulhar na sua cadeirinha e olhei para baixo. Ele estava mastigando seus punhos e tentando chutar o lençol para longe dele. Eu não pude evitar sorrir mesmo que tentasse.
Ter um filho foi... não o que eu esperava. Ainda que, honestamente, eu não soubesse exatamente o que esperar. Eu tive simplesmente uma dessas situações em que você é batizado pelo fogo, entrando numa situação em que não importa o quanto eu lesse ou com quantas pessoas eu conversasse, era impossível estar completamente preparada. Mas de alguma forma Edward e eu ambos conseguimos passar por isso... e nosso relacionamento estava melhor como consequência.
Possivelmente.
Talvez.
Se você ao menos pudesse chamar isso de relacionamento. Eu não estava bem certa desse termo.
Edward tinha dito em janeiro que a escolha estava comigo e eu tinha que ser aquela a decidir quando eu queria um relacionamento com ele. Desde então, entretanto, ele não tinha dito uma única palavra sobre o assunto. Nós viemos oscilando cuidadosamente na linha de qualquer tipo de intimidade enquanto passamos pelos primeiros passos de sermos pais. E isso não tinha sido um caminho fácil, ou um que foi facilmente estabelecido. Ambos de nós tínhamos lutado com alguns aspectos, e eu finalmente senti que era hora de que enfrentássemos os problemas a nossa frente.
A simples ideia me assustava completamente.
De dentro da casa, eu ouvi um "Já estou indo!" enquanto eu equilibrava toda a parafernália que estava segurando para não deixar cair nada.
Um momento depois, a porta abriu e Esme se iluminou para mim. "Me desculpe. Eu estava no porão. Não esperava você em menos de meia hora."
"Desculpe. Jeremy acordou da soneca mais cedo do que eu esperava, então eu amamentei ele e saí." Expliquei. Exatamente como sempre fazia, Esme dispensou minhas desculpas. Ela tinha deixando perfeitamente claro em várias ocasiões que ela estava animadíssima para passar cada segundo possível com o neto dela.
Atravessei o umbral e Esme rapidamente pegou os sacos de fralda antes que eles deslizassem do meu ombro. "Você realmente não devia tentar carregar tudo de uma vez," ela repreendeu um pouco firme; essa não era a primeira vez que ela brigava comigo por tentar fazer tudo sozinha. E nós duas sabíamos que não seria a última.
Esme tinha se tornado tanto minha mentora e mãe assim como ela era para Kate e Tanya. Ela me colocou debaixo da sua asa e me ajudou a navegar por tudo na minha nova vida. E ela tinha a paciência de uma santa.
Quase três semanas após nós termos recebido alta do hospital, Edward voltou a trabalhar, e eu finalmente cheguei ao meu limite. Começou depois de eu passar uma noite praticamente sem dormir na sala de estar, sentada na poltrona com meu filho no colo. Tinha sido uma tentativa errônea de garantir que Edward fosse capaz de dormir a noite inteira e estivesse descansado quando tivesse que voltar pro hospital. Aquilo, é claro, acabou comigo liquidada com ainda menos horas de sono do que eu vinha conseguindo, e naquela manhã, ambos, Jeremy e eu estávamos sentindo os efeitos disso.
Depois de uma manhã estressante que foi repleta da minha sempre crescente irritação, frustração e uma copiosa quantidade de lágrimas, assim como choros do meu filho, Esme passou para nos ver. Jeremy estava berrando enquanto eu trocava a fralda dele para chegar se era isso que o estava incomodando. Então eu o coloquei no berço para lavar as mãos quando Esme entrou no quarto. Ela foi até o berço e o pegou no colo. É claro, ele instantaneamente se acalmou nos braços dela, fazendo com que eu me sentisse ainda mais um fracasso. Então ela olhou para o berço e depois para mim, segurando Jeremy em um braço enquanto ela pegava o leãozinho de pelúcia. "Você não devia deixar brinquedos no berço quando ele está dormindo. Ele pode se sufocar," ela disse. O tom dela era doce e gentil como sempre era, mas tudo que eu ouvi foi ela brigando comigo como se eu fosse uma criança.
Minhas emoções e frustração ambos me venceram - ao invés de controlar minha frustração - e a pobre Esme pegou o resultado disso. "Ele não dorme aqui! Eu o coloquei no berço apenas pra poder lavar as mãos, só isso!" Envolvi meus braços ao redor do meu peito e cuspi minhas palavras numa mistura de raiva intensa e soluços quase incontroláveis. "Eu não aguento mais isso. Porque você não vai embora simplesmente? Eu não preciso mais da sua ajuda. Eu agradeço, de verdade, mas eu preciso fazer isso sozinha. Para de me tratar como uma competente inválida!"
Eu me senti imediatamente mal quando Esme se encolheu diante das minhas palavras. Ela não tinha sido nada além de gentil e prestativa comigo. Era minha culpa que eu tinha chegado ao meu limite, não dela. Depois de outro momento, ela respirou fundo e me disse a única coisa que eu não queria ouvir, mas também a única coisa que eu precisava ouvir principalmente. "Bella," ela começou, "Eu sei que você acha que está sendo polida e cortês sendo independente e não pedindo ajuda. Mas quando você nos dispensa - sim, todos nós - a cada tentativa, você magoa não somente a si mesma, mas também a nós. Então você fica sobrecarregada, exatamente como agora. Você precisa parar de ser tão teimosa e nos deixar participar." Então ela me mandou tomar um banho enquanto ela terminava de limpar meu filho e acalmar seu choro. Depois do meu banho, Esme me tranquilizou, me abraçando como se eu fosse sua própria filha. Ela entendeu mesmo quando eu não entendia e me perdoou.
Agora, parada na entrada da casa dela, eu sorri quando ela levou as bolsas com as fraldas para a cozinha e as apoiou na bancada. "Qual delas tem as mamadeiras?" ela perguntou.
Eu a segui e coloquei o bebê conforto do Jeremy no chão. "A azul." eu disse enquanto me ajoelhava no chão e soltava os cintos. Levantando ele no meu colo, tirei os lençóis e o apoiei no meu ombro, e beijei sua bochecha.
Esme colocou as mamadeiras na geladeira e se virou pra nós. "Olha só pra você, docinho. Você tá ficando tão grande. Vem com a vovó." Ela disse enquanto tirava ele do meu colo.
Fazia apenas uma semana que desde que ela o tinha visto a última vez, mas eu tinha que admitir que Esme estava certa, ele tinha uma tendência a crescer de comprimento e largura em um curto espaço de tempo. Eu tinha ficado completamente consumida por tirar fotos dele nas últimas semanas e comparar as mudanças - sutis quando vistas no dia-a-dia, drásticas quando comparadas semana a semana. Quando mostrei ao Edward, ele pegou um vídeo no YouTube para eu assistir onde os pais de uma criança tinham tirado uma foto por dia do menino durante todo o seu 1º ano de vida e colocado elas em sequência durante alguns minutos. O vídeo me fez sentir tanto impressionada com o quão rápido bebês realmente cresciam quanto triste quando percebi quão rápido meu filho estava crescendo. Bebês não permaneciam bebês para sempre, e para alguém que nunca tinha pensado muito em ter filhos, eu tinha ficado surpresa ao reconhecer pra mim mesma o quando eu gostei de ter um bebê.
"Você está bem, Bella?" Esme perguntou, me tirando dos meus pensamentos.
Eu sorri para ela e assenti, levantando minha mão para o tocar o as ondas curtas ruivas aloiradas de Jeremy. "Apenas pensando."
"Nós vamos ficar bem essa noite. Eu prometo."
"Eu sei," respondi, embora minha cabeça e meu coração estivem discordando seriamente dessa resposta. Isso era o que meu atual pensativo estado de espírito verdadeiramente achava. Esme tinha estado por perto me ajudando com Jeremy desde os primeiros dias que saímos do hospital. Entretanto, eu só tinha deixado ele sozinho com ela uma vez, e tinha sido por apenas uma hora.
Com o incentivo da Esme, pedi a ela que viesse tomar conta do bebê para que eu pudesse ir ao supermercado. Fiquei ansiosa a partir do momento em que cruzei a porta do apartamento, e a sensação de desconforto que tinha se alojado no meu estômago só fez piorar conforme eu ia me afastando. No momento em que eu estacionei o carro no supermercado, eu senti minha ansiedade atingir o ponto máximo. Foram compras bem rápidas enquanto eu ia correndo pelas prateleiras e pegando somente as poucas coisas que eu lembrei precisar, nem mesmo hesitando um momento a mais para checar minha lista de novo. Eu tinha certeza que para quem me observava parecia uma dessas pessoas que ganham 30 segundos para pegar o máximo possível de produtos. Quando eu terminei, eu escolhi a menor fila que aconteceu de ter o caixa mais lerdo, eu batia o meu pé impacientemente enquanto contava os segundos perdidos em pé esperando. Dirigi pra casa numa velocidade lancinante, avancei um sinal vermelho apenas pra chegar em casa mais rápido. Não foi até eu estacionar meu carro de volta na garagem do prédio que meu coração desacelerou e voltou ao ritmo normal. Aquela tinha sido uma hora bem comprida, e eu não estava disposta a passar por aquilo novamente tão cedo.
Eu não tinha conseguido deixar meu filho desde então.
Esme pegou minha mão enquanto eu brincava com o cabelo do meu filho, a segurou por um momento e então deu um aperto de incentivo. "Nós vamos ficar bem."
Respirando fundo, eu assenti enquanto me forçava a acreditar nela.
"Vai pra casa. Tome um banho. Saia e curta. Nós vamos estar aqui esperando por você de manhã."
Tudo que eu pude fazer foi concordar, faltava um bom tempo até amanhã de manhã. Carlisle e Esme ficariam chateados se eu batesse na porta deles depois de meia noite? Seria tecnicamente de manhã, e eu duvidava que Jeremy estivesse dormindo de qualquer forma, ele sempre acordava em algum momento entre onze e uma da manhã.
Como se estivesse lendo meus pensamentos, Esme entrecerrou os olhos pra mim. "Me permita consertar essa frase, nós estaremos esperando por vocês amanhã as oito horas para o café da manhã."
Suspirei em resignação, enquanto Esme ria. "E se você decidir que quer dormir até tarde e aparecer depois disso, a comida vai estar esperando a qualquer momento que você chegue aqui."
Eu não respondi, mas ela já sabia... Guardar o café da manhã não seria necessário.
Me inclinando beijei meu bebê na cabeça e passei meus dedos na pele macia do seu pescoço. "Se comporte," sussurrei.
Esme me deu um meio abraço, me fazendo sentir tão amada quanto se eu fosse sua própria filha. "Vai ficar tudo bem. Apenas ligue se precisar de alguma coisa."
"Obrigada." disse a ela sinceramente, e a deixei para cuidar do meu filho pelas próximas 17 horas.
Maldição, era um tempo enorme
Novamente em casa, eu fui direto ao trabalho, organizando as bagunças que eu consegui fazer mais cedo no dia.
Casa.
Era engraçado o quão rapidamente esse lugar tinha se tornado isso pra mim. Mesmo quando eu tinha morado no meu próprio apartamento, Seattle não parecia um lar. Eu sentia como se eu fosse um observador externo da vida. Então, quando eu realmente refletia sobre isso, eu lentamente comecei a perceber que eu nunca tinha sido mais do que uma observadora na maior parte da minha vida.
Uma observadora emocionalmente distante.
Não que eu não quisesse ser. Parecia que a minha vida era muito fácil de lidar quando eu podia sentar e simplesmente observar os outros. Era mais fácil passar pelas durezas e estresses que vinham da minha direção. Era uma forma de lidar... uma que eu tinha me apegado quando eu era mais nova e nunca tinha deixado.
Agora, eu estava na verdade vivendo a minha vida. Não tinha sido uma transição fácil e tinha feito eu me sentir vulnerável, mas os benefícios valiam à pena. Eu gostava de me sentir unida as pessoas e sentir como se eu pertencesse a algo.
Suspirei e tentei focar no que estava fazendo. Tinha simplesmente tanta coisa pra fazer. Eu precisava ligar pro Charlie e informar a ele que eu ia visitá-lo no fim de semana do dia dos pais dentro de algumas semanas, mas outras coisas pequenas tomavam minha atenção. Justo quando eu comecei a pegar as coisas do chão, eu descobri mais uma coisa que precisava ser feita. Como limpar o chão da cozinha porque eu tinha derramado molho de espaguete na noite anterior e limpei, mas o chão não brilhava como o resto do piso. Uma coisa sempre levando a outra e a atenção detalhada que eu dava para as coisas estava agora falhando, porque o bebê precisava da minha atenção na maior parte do tempo.
Não ajudava o fato de que logo depois de ter o bebê, eu tivesse obrigado Edward a cancelar o serviço de limpeza que ele tinha antes, eu insisti em que desde que ele não ia me deixar pagar nada que no mínimo ele demitisse a faxineira para que eu não sentisse que estava abusando dele. Sem mencionar o fato do que eu me sentia desconfortável com a forma que ela me olhava como se eu fosse preguiçosa sempre que passava por mim, embora eu nunca tivesse dito isso pro Edward.
Esse foi o porque de, quando a Alice chegou, ela me encontrou esfregando o chão da cozinha. "O que é isso?" ela chorou no momento em que a deixar passar pela porta.
"O que?" perguntei intrigada.
"Isso!" Alice pegou o esfregão das minhas mãos.
Eu ri. "Isso é um esfregão, Alice. Eu entendo que na sua vida privilegiada você talvez nunca tenha de fato visto um desses em uso. A maioria das pessoas usam ele pra limpar o chão. Apesar de eu ter escutado que tem gente que o usa para limpar caminhões e janelas, mas eu acho que devem tomar muito cuidado. Você sabe, pra não arranhar a pintura. A não ser que seja um carro velho, eu acho. Mas isso não tem nada a ver com janelas. Então, talvez, eles não sejam bons para limpar mais nada além de pisos."
Ela revirou os olhos e me encarou, nem um pouco divertida pelo meu discurso espertinho. "Você terminou aqui?"
"Não de verdade. Eu preciso ir terminar de limpar o chão." Peguei o esfregão da mão dela e comecei a andar de volta pra cozinha. Eu não consegui entender qual era o problema dela, eu ainda tinha um bom tempo antes de precisar sair.
Alice se apressou pra me acompanhar, o salto dela clicando no piso de madeira enquanto ela me seguia pra cozinha. Antes que eu pudesse terminar minha tarefa auto-imposta, ela tomou o esfregão de volta e apoiou ele na bancada. Então ela me pegou pela cintura e arrastou para fora da cozinha. "Caso você não tenha percebido, eu estou atrasada, sendo assim, você está atrasada."
"O que?" perguntei confusa. Eu tinha cronometrado o tempo para poder deixar o Jeremy na casa da Esme às 15:30 e Alice estaria aqui pra me encontrar quando eu voltasse às 16:00. Mas eu tinha chegado cedo na Esme, e quando eu cheguei em casa eu tinha tempo de fazer algumas coisas. "Que horas são Alice?"
"Quase cinco."
Ah merda.
"Cinco?" engasguei alto.
"Sim, cinco." ela disse preocupada enquanto me empurrava pro banheiro do quarto de casal. "Agora se despe e toma banho. Eu volto em 5 minutos, então eu to avisando pra você se apressar a não ser que você queira que eu te arraste pelada pra fora daí."
Eu nunca tinha estado tão feliz em ver o surgimento da personalidade militar da Alice na minha vida toda. Embora, graças a Deus, ela tivesse me dado 7 minutos no banho enquanto ela terminava de limpar o chão da cozinha. Então ela estava de volta ao jeito mandão dela. Era exatamente o que eu queria e a exata razão pela qual eu pedi a ela que viesse nessa tarde.
Enquanto eu sentava na bancada do banheiro, ela escovou e secou meu cabelo, depois passou um produto nas mechas úmidas. "Eu acho que nós vamos conseguir fazer isso em tempo," ela disse.
"Que bom. Obrigada pela ajuda Alice."
Ela sorriu pra mim pelo espelho. "Tudo que você precisa fazer é pedir."
"Eu sei." assim como tinha sido com Esme, era difícil para eu pedir qualquer coisa pra Alice. De qualquer forma, eu estava aprendendo. E quando eu comecei a planejar essa noite, Alice foi a primeira pessoa pra quem eu liguei pedindo conselhos.
"Pare de roer suas unhas." ela disse, dando um tapa no meu dedo tirando ele da minha boca.
"Desculpe." Desde que ela tinha me levado ao salão e mostrado minhas unhas mastigadas pela metade, eu tentei controlar mais esse hábito. Parece que isso sempre acontecia quando eu estava nervosa com alguma coisa e não pensava exatamente sobre o que estava fazendo.
"Como vai sua mãe?" Alice perguntou numa óbvia tentativa de me distrair.
"Bem. Eu falei com ela na terça-feira, e ela está planejando em vir aqui com a Brett algum dia em junho."
"Oh, mesmo? Ashley vai ficar feliz em ouvir isso."
Eu gargalhei. É claro que eu sabia que a Renee estava vindo pra visitar ambos: Jeremy e eu, mas eu também sabia que Brett tinha estado falando sobre a "melhor amiga" dela sem parar desde a visita delas em janeiro.
"Okay, pronto." Alice anunciou. "Se vire pra eu poder te maquiar."
Antes que ela tivesse uma chance de virar, eu olhei pro meu cabelo no espelho e sorri com o resultado. Alice tinha um talento verdadeiro para domar meu cabelo em ondas macias e naturais. Sorri para ela quando ela me virou e aplicou uma maquiagem leve. Em apenas alguns minutos, nós saímos do banheiro e fomos para o quarto onde Alice tinha um modelo novo pra eu colocar.
Então, antes que eu percebesse, nós estávamos no caminho pra porta e caminhando para o carro da Alice que estava estacionado na garagem. Como sempre, as roupas que Alice tinha escolhido estavam perfeitas. Ela tinha um dom pra moda que eu nunca seria capaz de entender, e melhor ainda, ela me conhecia. Alice sempre escolhia modelos bonitos e com classe para mim e eu gostava. Hoje, eu estava vestindo uma blusa azul-escuro sem mangas com uma gola alta, uma saia preta e um par de sapatos baixos pretos.
"Pronta?" Alice perguntou com um sorriso enquanto ligava o carro.
"Acho que sim." respondi enquanto lutava para controlar as bolhas de nervoso no meu estômago. Deixei meu celular na mão para não perder o telefonema dele. Mas eu sabia que, graças a Alice, nós estávamos agora perfeitamente a tempo. Edward não devia me ligar dentro de pelo menos mais 15 minutos.
Alice encostou na frente da porta momentos depois. Depois de dar um abraço nela e agradecê-la pela ajuda, eu peguei minha bolsa e entrei.
Nós estávamos morando juntos havia apenas alguns meses, mas nós tínhamos facilmente entrado nas nossas rotinas. Uma delas sendo que toda sexta-feira à noite quando Edward estava no caminho de volta do trabalho, ele me ligava e perguntava se devia trazer comida pronta. As únicas vezes que ele não fazia isso era quando estava em algum atendimento de emergência.
Quando ele tinha me ligado há dez minutos atrás, eu simplesmente dei a ele o endereço de onde eu estava e pedi a ele para me encontrar. Eu sabia que assim que ele chegasse perto, ele saberia onde eu estava, mas eu não quis contar a ele e avisá-lo mais cedo.
Depois de tomar um gole de vinho, eu nervosamente cruzei e descruzei minhas pernas... então as cruzei de novo. Com um suspiro, eu me encostei na cadeira e olhei em volta do ambiente. Estava exatamente como eu lembrava que era. Luz baixa, várias mesas pequenas e cadeiras, alguns sofazinhos próximos do centro do salão e um grande bar no decorrer da parede – uma calma, relaxante atmosfera.
Passei meu dedo pela borda da taça de vinho e gentilmente mordi meu lábio inferior enquanto me perguntava o que Edward ia achar. Agora ele estava perto o bastante que saberia, ou pelo menos teria alguma ideia de onde eu estava. Mas o que ele ia achar disso? O que ele queria?
Meu estômago deu uma pequena volta.
Duas semanas atrás, no meio da noite, eu tinha tomado minha decisão.
Meu sono tinha a tendência de vir em ciclos. Algumas semanas Jeremy ficava bem e dormia por seis horas direto. Então ele passava por vários dias seguidos onde ele não dormia, e sendo assim, eu também não dormia. Jeremy tinha estado agitado e mal-humorado nos últimos dois dias, e eu estava mais do que cansada.
Me arrastei pra cama pela primeira vez em algum momento perto da uma da manhã. Às quatro, eu acordei e por hábito, fui checar o Jeremy – ele não tinha dormido mais do que duas horas de cada vez nos últimos dias – só pra descobrir que ele não estava no berço. Então ouvi barulhos vindo da sala de estar e fui ver. Parando na sombra do corredor, eu vi quando Edward sentou no sofá com nosso filho no colo. Ele estava esfregando a barriguinha do Jeremy e falando com ele. Eu devo ter ficado ali por uns 10 minutos, sem ser notada pelos dois enquanto Edward falava baixinho sobre coisas que ele lembrava fazer quando era pequeno e todas as coisas que ele estava animado em mostrar pro filho – desde pescar e acampar até querer ensinar Jeremy a tocar piano. Eu tive que segurar o riso quando Edward começou a dar conselhos amorosos. Porém o que mais derreteu meu coração depois de tudo isso foi quando Jeremy arrulhou e gritou alto em deleito com algo que Edward estava fazendo. Edward o silenciou gentilmente. Eu pude ouvir o sorriso na voz dele quando ele disse, "Shh. A mamãe tá dormindo. Ela é uma ótima mamãe, e precisa descansar." então ele parou e adicionou "Nós dois somos sortudos por tê-la. Quando ela tiver mais tempo pra se acostumar, nós vamos ter que fazer um plano para garantir que nós dois possamos ficar com ela."
Eu silenciosamente voltei pro meu quarto depois disso, e Edward não sabia que eu tinha estado acordada para ouvi-lo. Eu não tinha consegui dormir enquanto repassava como os últimos meses tinha sido. Nós nos dávamos relativamente bem. Claro que brigávamos ocasionalmente, embora nós fôssemos geralmente capazes de resolver nossos problemas. Edward tinha um hábito estranho de lavar os copos três vezes antes de beber qualquer coisa nele o que me irritava pra cacete, mas o irritava igualmente muito que eu estivesse constantemente perdendo minhas chaves e o celular, então essas eram coisas nas quais cada um de nós estava trabalhando. (Fosse trabalhar nisso sendo mais tolerante ou tentando não irritar um ao outro, realmente dependendo do dia.) Mas acima de tudo nós éramos compatíveis. Compartilhávamos gostos parecidos em música, filmes, e comida e nós dois ficávamos mais do que felizes em passar uma tarde sentados ao lado um do outro no sofá lendo. Embora ele tendesse a ler periódicos de medicina, enquanto eu preferia coisas mais leves. Edward era doce, divertido, e carinhoso, e mesmo que eu estivesse me apaixonando por ele antes do nascimento de Jeremy, observá-lo como pai tinha apenas fortalecido esses sentimentos. Tinha algo em ver Edward quando ele segurava nosso filho enquanto brincava com ele que me fazia querer abraças os dois e nunca mais soltar.
Mas Edward não tinha feito nada para me dizer que ele sentia o mesmo que eu, e depois de tudo o mais pelo que a gente tinha passado, eu não queria colocar meu coração numa bandeja apenas pra ele ser partido. Sim, ele tinha me dito que a decisão era minha, que eu tinha que dar o primeiro passo, mas eu não sabia se os sentimentos dele tinham mudado depois que o bebê nasceu. Edward era afetivo, mas nunca passava dos limites. Beijos eram somente na minha testa e ocasionalmente na minha bochecha. Ele segurava minha mão ou me envolvia nos braços dele, mas nunca nada, além disso. Somando-se a isso o fato de que algumas semanas antes daquela confissão-no-meio-da-noite, Edward tinha se jogado no trabalho mais do que nunca. Ele estava cansado e mais facilmente agitado... e eu sentia que ele vinha se cansando de me ter por perto. Então, quando eu o ouvi conversando alto com Jeremy, eu finalmente soube que ele queria algo mais de verdade.
Isso foi quando eu olhei no calendário e decidi o que eu iria fazer. Tinham algumas coisas que eu teria que resolver primeiro, mas de verdade tudo que tinha sido envolvido foram alguns telefonemas.
Um movimento perto da entrada do bar chamou minha atenção. Olhei pra cima e imediatamente vi Edward entrar no salão. Seus olhos percorriam o lugar cheio, e quando ele me localizou, um sorriso iluminou seu rosto. Eu me recostei e vi ele andando rapidamente, propositalmente para a mesa. Como ele sempre estava depois de trabalhar no consultório, ele estava bem vestido. Hoje ele vestia uma camisa social de manga comprida azul e calças escuras. Seu cabelo estava em perfeito desalinho, provavelmente por correr os dedos nele dirigindo até aqui. Eu tinha certeza que tão logo nós falássemos no telefone, ele tinha se perguntado o que estava acontecendo.
No meu próprio nervosismo, eu olhei embaixo da mesa pra descobrir que tinha embolado o guardanapo de pano completamente. Rapidamente pus minhas mãos no colo para esconder a bagunça, então olhei de volta pra cima vendo que Edward tinha diminuído o passo e estava me olhando sobriamente.
Ele puxou a cadeira ao meu lado e sentou. "Isso é uma surpresa." ele disse.
Sorri de volta para ele e assenti. Edward me observava como se procurasse por dicas, e ao meu sorriso ele relaxou.
"Onde o Jeremy está?" perguntou.
"Com a sua mãe."
"Sério? Como você está lidando com isso?" ele perguntou se inclinando pra frente na mesa, mas voltando depois.
Foi quando eu notei que minhas mãos ainda estavam firmemente colocadas no meu colo. Eu soltei o guardanapo destruído e movi minha mão de volta pra cima da mesa para poder segurar a mão de Edward na minha. Seus olhos pareceram brilhar com o contato.
"Sim, sério." respirei fundo. "Eu estou lidando bem, com tanto que não pense sobre isso."
"Que horas nós temos que buscá-lo?"
Tive a impressão de que Edward estava tentando determinar o que eu estava pensando assim ele não iria dizer nada fora de hora ou dar mancada.
"Nós vamos buscá-lo amanhã de manhã." respondi, observando ele atentamente para ver se ele entendia o que eu estava tentando dizer, sem precisar de fato dizer as palavras.
"Estamos comemorando alguma coisa em particular?" ele perguntou apontando com a cabeça para as taças de vinho à mesa.
"Várias coisas na verdade."
Edward esfregou seu dedo relaxantemente pela minha mão e me deu um aperto de encorajamento. Foi então que eu senti – paz. Eu estava subitamente calma. Isso era o certo. Isso era como as coisas tinham que ser.
Edward apenas me observava pacientemente e permitia que eu organizasse meus pensamentos.
"Eu vou voltar a trabalhar," comecei.
Edward sentou direito e tirou sua mão da minha. "Me desculpe, o que você disse?"
Suspirei. Edward tinha me dito inúmeras vezes que eu não precisava voltar a trabalhar. Uma das primeiras coisas que eu tinha feito ao voltar pra casa do hospital depois de ter o bebê foi ligar pro Jack e pedir demissão do meu emprego. Um pouco depois disso, Mike tinha feito o mesmo. Ele nunca voltou pro Arizona. Jack tinha ficado furioso. Tinha ficado pretérito perfeito. Tudo isso tinha mudado quando Jack tinha sofrido um infarto no final de fevereiro, não muito depois de deserdar o Mike. Agora, Laurent estava dirigindo a Newton Corporation. Mike tinha voltado pra casa pra ajudar a mãe dele por um tempinho, mas depois que ela ouviu sobre a Angela, ela tinha encorajado Mike a voltar. Agora ela estava tentando abrir sua própria empresa em Seattle.
"Eu liguei pro Mike semana passada, e eu vou aceitar a oferta dele para trabalhar com ele e a Angela."
"Você não tem que fazer isso, Bella."
"Sim, eu tenho de verdade. Edward," falei pegando a mão dele novamente. "Eu não vou ser feliz se simplesmente sentar e deixar você cuidar de mim. Eu vou sentir como se estivesse me aproveitando de você. Eu vou me sentir como um caso de caridade. Isso não é o que eu quero."
Ele negou com a cabeça, e eu pude ver a preocupação nublando seu cenho. Isso não estava indo como eu tinha planejado. "Você não entende," suspirei novamente juntando meus pensamentos. "Eu queria encontrar você aqui hoje à noite pra comemorar três coisas, Edward."
"Okay." ele respondeu, sua voz e postura claramente demonstrando seu receio.
"Em primeiro lugar, eu quero comemorar meu novo emprego." Antes que ele pudesse dizer alguma coisa, eu continuei. "Em segundo lugar, deixar Jeremy com os seus pais pela primeira vez." Sorri, e ele espelhou minha expressão, apenas levemente relaxando suas defesas. "Em terceiro lugar, nosso primeiro encontro."
Edward relaxou mais, e seu sorriso cresceu, mais sincero do que antes.
"A única forma de que isso funcione pra mim é se eu puder ser sua igual. Eu sempre cuidei de mim mesma." Ele abriu a boca pra interromper, mas eu levantei minha mão o impedindo. "Eu sei que eu não estou mais sozinha, eu realmente sei disso. Mas eu ainda preciso ser capaz de fazer algumas coisas por mim mesma. Eu quero ser capaz de ganhar meu próprio dinheiro. Eu preciso ter algo fora de casa pra manter minha cabeça ocupada." Levantei minha outra mão e cobri as nossas já unidas. "Eu quero ter um relacionamento com você Edward, porque eu sinceramente não consigo nem imaginar o que seria minha vida sem você. Mas eu preciso ter alguma fonte de independência."
Ele ficou em silêncio por alguns minutos enquanto absorvia minhas palavras, e enquanto o silêncio se estendia, eu ia ficando mais e mais preocupada de que ele fosse me rejeitar.
"Você não sabe há quanto tempo eu venho esperando pra ouvir você dizer isso." ele falou baixinho.
Uma pequena, aliviada risada escapou dos meus lábios, e seu sorriso cresceu ainda mais.
"O que nós vamos fazer com o Jeremy quando você estiver trabalhando?" ele perguntou gentilmente.
"Eu vou trabalhar menos horas por dia e levá-lo comigo. Na maior parte do tempo eu vou conseguir fazer tele-conferências ou trabalhar no computador. Angela vai estar viajando com o Mike. Vai ser raro, isso se eu precisar ir a algum lugar, e quando eu precisar fazer isso, sua mãe disse que pode tomar conta dele."
"Okay," ele disse um momento depois. "Contanto que você esteja segura."
"Eu estou bem segura... sobre tudo isso."
"E seu motivo pra vir até aqui me dizer isso...?" sua voz sumiu, me convidando a preencher as lacunas pra ele.
O encarei, Edward não era burro de nenhuma forma. Ele sabia, ele apenas queria que eu dissesse. "Bem, se você não sabe então obviamente não foi tão importante pra você como foi pra mim." Eu disse fingindo irritação enquanto me afastava dele e me levantava da minha cadeira.
Ele gargalhou, me pegando novamente. Quando eu dei um passo pra trás, ele levantou e andou na minha direção envolvendo seus braços na minha cintura.
"Eu tenho um calendário, Bella. E foi muito importante pra mim, também. Mudou a minha vida."
A minha também.
O rosto dele estava tão perto do meu, eu podia sentir sua respiração fazer cócegas nas minhas bochechas. "Eu só queria ter certeza de que nós estamos falando da mesma coisa aqui, porque nesse momento, eu quero ir até a recepção e pedir um quarto pra nós. Mas se eu tiver entendido você errado ou se isso não for algo pra que você esteja pronta, nós vamos ter um jantar agradável e ir pra casa depois."
Procurei pelo bolso da minha saia e puxei o cartão-chave entregando a ele. "Eu já pedi um quarto."
Os lábios do Edward encontraram os meus, colocando meus nervos em fogo no mesmo instante. Levou tudo de mim não aprofundar o beijo estando em de pé no meio do bar, onde certamente nós agora tínhamos uma platéia. Afastando sua boca, ele encostou sua resta na minha.
"Eu amo você," ele sussurrou para que somente eu pudesse ouvi-lo.
"Eu amo você também."
Ele se inclinou novamente para um beijo ainda mais rápido. "Vamos." Edward disse depois de me afastar. "Vamos antes que eu perca o controle na frente de todas essas pessoas."
"Só mais uma coisa," eu disse antes que ele pudesse continuar me levando para fora do salão. "Eu posso ficar com seu celular, por favor?"
Edward inclinou a cabeça pro lado e me olhou com olhos de dúvida.
"Eu só quero garantir que se alguém tentar te ligar no meio da noite pra te levar pra longe de mim que eles tenham que passar por mim primeiro."
Ele caiu na gargalhada, e puxou seu telefone do bolso. Apertou minha mão enquanto colocava o telefone na minha palma estendida. "Bella, ninguém vai jamais ser capaz de me separar de você de novo." ele prometeu.
Eu sorri abertamente, e depois deixei algum dinheiro na mesa, nós andamos para os elevadores e subimos. Nós não podíamos voltar no passado e corrigir nossos erros, mas nós podíamos seguir adiante e pegar um começo turbulento e transformá-lo em algo bonito, algo significativo. Nós dois tínhamos nos acertado com nossos erros e nossos passados... nós fechamos um círculo, e era hora de um novo começo.
Dessa vez, Edward não iria sumir no meio da noite.
Dessa vez, eu não ia me encontrar sozinha.
Dessa vez, nós íamos chegar e ir embora juntos antes de começar o resto das nossas vidas.
n.t.: alguém vivo comigo? nos digam o que acharam da fic, ok? nos gostamos muito de ver a opinião de vocês. :)
nos vemos no epílogo
Lou.
