Capítulo IV

Minha reação instintiva quando vi os dois seguranças virem na minha direção foi a de fechar os punhos e descer o cacete nos engravatados. No entanto, algo dentro de mim me segurou a tempo para não bater nos homens, pois sei que isto apenas iria piorar a minha situação. Resignado, permiti que os dois brutamontes se enganchassem em meus braços como dois anzóis de pesca e me carregarem na direção de um Seguchi nada alegre ao me ver dentro de seus domínios.

- Cunhado querido! – soltei, colocando no meu rosto a melhor expressão cara de pau que eu tinha. Seguchi franziu os lábios e as sobrancelhas e juro que quase o ouvi rosnar. Fazendo aquela cara ele parecia um poodle prestes a atacar um pitbull. Era cômico de se pensar na cena, mas nada bonito de se ver.

- Tatsuha. – ele pronunciou o meu nome como se o mesmo fosse amaldiçoado e a minha cara de pau prontamente se desfez quando percebi que os olhos verdes estavam mirando para além de mim e os seguranças, mais exatamente ao longo do corredor atrás de nós onde havia um sofá revirado, um quadro caído e dois vasos quebrados.

- Eu posso explicar. – disse antes que ele pudesse abrir a boca e dei uma olhada por cima do ombro para a bagunça que estava no corredor. Um dos vasos arremessados era de planta e agora terra e folhas enfeitavam o chão de piso encerado. – Certo, não dá pra explicar. – continuei. Como eu diria a ele que a culpa não foi minha, mas sim de um cara morto que aparentemente me confundiu com o Eiri?

Espera aí. Eiri. O sujeito achou que eu era o meu irmão antes de sumir e isto só podia significar uma coisa: o falecido era conhecido da família. E provavelmente conhecido do Tohma, já que estava assombrando a NG em vez do apartamento do meu irmão. Ótimo, agora lá ia eu em um trabalho irritante de investigação para descobrir quem era o pobre infeliz e para isto eu teria que usar como fonte o Seguchi. Ipii urra! Como se realmente fosse fácil arrancar alguma coisa do loiro minguado. Valeu poderes superiores pela merda que vocês jogaram em cima de mim.

- Levem-no. – foi à única coisa que Tohma disse e mais do que depressa os dois armários que me seguravam pelos braços me ergueram do chão e começaram a me arrastar na direção do elevador. Seguchi nos seguiu em silêncio e em poucos minutos estávamos dentro da máquina, com somente uma música vinda do rádio e ecoando no espaço apertado para quebrar a quietude que caíra sobre nós.

Minutos depois o elevador chegou ao vigésimo primeiro andar e mais uma vez me vi arrastado pelos seguranças do Tohma, sendo seguido de perto pelo mesmo. Dei um olá desajeitado, acompanhado por um sorriso amarelo para a secretária do Seguchi que acompanhava a cena com uma expressão surpresa e tropecei nos próprios pés quando fui arremessado dentro da sala do presidente da NG. Tohma entrou logo atrás de mim, fechando a porta com um estalo e eu percebi para o meu extremo horror que estávamos sozinhos e comigo cada vez mais perto de ser assassinado pelo predador oxigenado.

- Sente! – ordenou e eu o encarei por alguns segundos antes de caminhar até a cadeira em frente à mesa de Seguchi e me sentar nela. Fechei meus dedos contra as palmas das minhas mãos, tudo para evitar qualquer resposta mal criada que pudesse surgir enquanto Tohma dava o seu sermão. Porque eu sabia que aí vinha um belo sermão.

- Eu deveria chamar a polícia, sabia disso? – mas não vai fazer, pois não quer o seu "bom" nome manchado pelas manchetes dos jornais, não é mesmo? – Mas não vou fazer porque não quero o nome da família nos jornais. – não sei dizer se Tohma era repetitivo em seus sermões ou se eu já tinha ouvido os mesmos tantas vezes que já tinha decorado linha por linha. – Imagino a decepção da Mika ao saber o que você aprontou, logo ela que se esforçou tanto para te dar uma boa educação… - quis corrigi-lo de pronto já que Mika por anos tentou bancar a minha mãe, mas não conseguiu. Até porque eu tinha uma mãe que apesar de morta ainda estava muito presente na minha vida.

- Por que você faz essas coisas Tatsuha? – percebi que Tohma tinha parado de rodar pela sala e agora estava estacionado às costas da minha cadeira, pois conseguia ver o reflexo dele no vidro da enorme janela que cobria a parede atrás da mesa de carvalho. Cobri um bocejo com a palma da minha mão e logo meu cérebro começou a viajar, ignorando a ladainha do Seguchi.

Fixei a minha atenção em um outdoor que tinha sobre o prédio em frente, não ficando surpreso que ele anunciava o lançamento do novo single do Nittle Grasper, o mesmo que eu já tinha reservado faz tempo em um site de venda de CDs pela internet. Entediado, apoiei o cotovelo no encosto de braço e descansei minha cabeça nos nós dos meus dedos. Ainda bem que Seguchi ainda estava tagarelando atrás de mim e não tinha presenciado a minha expressão de "to cagando e andando para o que você diz". Logo ouvi as solas dos sapatos caros de Tohma baterem contra o piso de madeira da sala e presumi que o loiro voltara a rodar de um lado para o outro enquanto continuava o seu longo discurso de como eu deveria crescer, parar de envergonhar a família com os meus atos e minha obsessão infantil pelo Ryuichi e que eu deveria mirar nos exemplos dos meus irmãos.

Hah, como se eu quisesse me tornar uma esposa neurótica como a Mika ou um bastardo frígido como o Eiri. Dá licença, mas eu estava muito feliz como estava, com ou sem fantasmas me assombrando. E se for avaliar bem, dentro da minha família de psicóticos, até que eu poderia ser considerado o mais normal de todos mesmo com essa história de mediador. Então eu deveria estar recebendo um prêmio pelo sucesso de me manter são neste clã de malucos em vez de estar ouvindo este sermão.

Por ato reflexo fechei os meus olhos, pensando em quantos minutos de sono eu poderia desfrutar antes de Tohma perceber que eu não estava dando a mínima para ele e dar um chilique. E, pelo jeito que a falação continuava de maneira ininterrupta, acho que ao menos uns dez minutos eu conseguiria. Com isto, recostei a minha cabeça no espaldar da cadeira e relaxei todo o meu corpo. Sabe eu conseguia pegar no sono em questão de segundos, cair no sono era coisa fácil para mim, era só relaxar um pouco os músculos e voilá. Um dom que eu considerava uma maravilha visto que até um alfinete caindo no chão era capaz de me acordar. Era por isso que eu sempre já estava desperto e de pé quando um fantasma invadia sem aviso o meu quarto. Meus sentidos sempre estavam em alerta constante por causa da mediação.

Com isto eu já sentia meu corpo todo relaxar, já entrando no primeiro estágio do sono enquanto a voz do Seguchi me ninava, quando novamente aquele arrepio característico fez os meus pêlos eriçarem. Num estalo abri os olhos e eles prontamente se fixaram além da grande parede de vidro, vendo com horror que o fantasma de mais cedo estava lá fora, flutuando a vários metros acima do chão e com os olhos cinzentos escurecidos em um tom quase negro e acompanhando de maneira predatória a caminhada de Tohma pela sala. Prendi a respiração, todos os nervos do meu corpo querendo reagir à presença do poltergeist. Mas o que eu poderia fazer? Ainda não tinha aprendido a voar e não poderia simplesmente me atirar contra a janela em cima do sujeito. Aí sim seria loucura.

Apreensivo fiquei parado na cadeira esperando para ver o que iria acontecer. Com uma expressão maldosa ele desviou o olhar de Seguchi para mim e eu pude jurar que os olhos adquiriram um tom mais claro e suave ao me encarar. Vi que os lábios dele se mexeram, formando uma única palavra: Eiri e depois ele retornou a atenção a Tohma. Meu coração saltou no peito quando ouvi o primeiro estalo de vidro trincando e uma linha fina começando a se formar sobre a superfície da janela.

- Tohma… - chamei para ver se o meu cunhado calava a boca e percebia que estava correndo perigo, mas o mesmo apenas parou ao meu lado e me encarou fixamente com a expressão de desagrado de mais cedo praticamente tatuada em seu rosto.

- O que foi? Resolveu se explicar? – zombou e outro estalo, mais alto que o primeiro, ecoou pela sala. Isto pareceu chamar a atenção do loiro que mirou com curiosidade a janela e em um gesto totalmente estúpido aproximou-se do vidro para poder averiguar melhor o que estava acontecendo. O sorriso do fantasma ao ver a atitude de Tohma alargou-se para algo extremamente macabro e agora todos os nervos do meu corpo estavam vibrando e parecendo gritar constantemente: perigo, perigo!

Veias foram se formando ao longo da janela enquanto as rachaduras ficavam ainda maiores e quando vi os olhos do poltergeist escurecerem por completo, parecendo que as íris tinham se expandido até preencher a parte branca do globo, eu reagi. Num pulo empurrei a cadeira em que sentava para longe, pondo-me de pé. Em outro pulo saltei por cima da mesa de presidente da NG e cheguei até Tohma que parecia estupidamente estático enquanto via o vidro se rachar perante os seus olhos, tentando compreender tal fenômeno estranho. Fechando a mão em seu pulso e o puxando, o tirei do seu estupor e o loiro até abriu a boca para protestar, mas eu já tinha pulado novamente sobre a mesa o trazendo comigo.

Um último estalo ensurdecedor ecoou pela sala e tudo pareceu ocorrer em câmera lenta depois disso. Uma força pareceu sugar o vidro para fora, na direção da rua, o fazendo desfragmentar em vários pedaços. Entretanto, eu sabia que a coisa não pararia por aí e por isso eu segurei com a mão livre a grande mesa de carvalho, a virando e derrubando no chão papéis, adereços, computador e etc, ignorando completamente o grito irritado de Tohma, pois neste momento meu corpo apenas reagia por reflexo. Em um gesto brusco arremessei o loiro no vão da mesa reservado às pernas e logo em seguida me espremi ao lado dele no espaço diminuto porque segundos depois de fazer isso, o inferno veio a terra.

Os cacos de vidro invadiram a sala e eu senti a madeira tremer às minhas costas quando pedaços cravaram-se sobre o tampo da mesa de maneira violenta. Os olhos claros de Seguchi ficaram largos de pavor ao verem cacos enormes se projetarem em todas as direções com a mesma velocidade que as balas saídas de uma arma e enterrarem em paredes ou então destruir quadros que continham discos de ouro e platina e estantes e outros objetos de decoração do escritório.

Batidas insistentes na porta indicavam que as pessoas do lado de fora tinham ouvido a confusão e tentavam entrar, sem muito sucesso. Os cacos de vidro continuavam a disparar a nossa volta, atingindo principalmente a mesa que usávamos como escudo e tudo pareceu uma eternidade enquanto éramos atacados pelos pedaços da janela. Tohma tremia ao meu lado e eu não consegui evitar o breve sentimento de piedade que cruzou o meu ser quando vi o quão pálido ele estava e o modo como a respiração dele estava errática. Esperava que o infeliz não entrasse em choque nos meus braços. Eu sabia algumas coisas sobre primeiros socorros, tive que aprender a me cuidar nos últimos anos para não ficar dando baixa constante nos hospitais. Mas de ossos quebrados, hemorragias internas e externas, hematomas e concussões eu entendia, agora choque por causa de susto não era a minha praia. Eu já não sabia o que era levar um bom susto há anos. Quando você se acostuma a ver pessoas mortas a torto e a direito, levar susto para quê? Eu até conseguia rir dos filmes de terror mais amedrontadores que existiam.

Finalmente no que pareceu horas o ataque repentino cessou e eu até arrisquei dar uma olhada por cima da borda da mesa para ver o fantasma dar um último sorriso macabro e desaparecer. Com isto o meu coração pareceu voltar as batidas normais, mas deu outro pulo quando o som de disparos soou pela sala. Virei na direção da porta para ver que a maçaneta desta tinha caído e agora a mesma era arrombada. K, o louco empresário do Bad Luck, agora era emoldurado pelo batente da porta e estava com a sua fiel magnum em punho. Os olhos azuis de K fizeram uma varredura pela sala, surpreendendo-se ao ver o estrago em que ela estava. Vento entrava agora pelo buraco que um dia foi à janela, levando os papéis revirados e poeira de vidro.

Lentamente eu saí debaixo da mesa virada, trazendo um Tohma trêmulo comigo. Em questão de segundos a sala começou a ser preenchida por seguranças, funcionários e uma secretária preocupada que começou a bajular o chefe, perguntando se ele estava bem. Por meu lado eu apenas me aproximei lentamente da janela quebrada, dando uma espiada por sobre o beiral para a rua e a vendo a metros de distância como uma coisa pequena e insignificante há vinte andares abaixo de mim. Ouvi uma comoção atrás de mim e uma voz familiar me chamou a atenção. Olhei por cima do ombro para ver que Ryuichi estava no escritório acompanhado de Noriko que tinha empurrado a secretária de Seguchi para o lado, tomando o lugar dela no quesito paparico.

Dei as costas para o buraco que foi uma janela um dia e voltei a minha atenção para a mesa. Involuntariamente encolhi os ombros ao ver que os cacos de vidro estavam enterrados profundamente no tampo dela, causando um estrago irreparável na mesma. Não quis nem imaginar o estrago maior que eles causariam se tivessem conseguido o seu intento, ou seja, acertar Tohma.

- A emergência já foi chamada. – a voz de K preencheu a sala e voltei a minha atenção para o americano que tinha uma expressão confusa no rosto diante do cenário que se apresentava. Aposto que todo o treinamento militar que ele teve quando jovem não cobria ataques de fantasmas irritados e como se defender deles. – Mas o que afinal aconteceu aqui? – perguntou e depois me lançou um olhar de suspeita. Quase ri na cara dele. Sério mesmo, se ele tivesse presumido bem, o que com certeza fez, deve ter chegado a conclusão de que o vidro havia explodido para dentro da sala com força o suficiente para os seus cacos destruírem tudo a sua volta e cravarem de maneira dolorosa na madeira da mesa. Se eu tivesse quebrado a janela em um acesso de fúria ou coisa parecida, o vidro explodiria para fora. Era pura física. Contanto, para ele ter feito o caminho inverso significava que o ataque viera de fora para dentro. Simples assim.

- O vidro… estourou. – Tohma pareceu finalmente recuperar a sua compostura, embora eu pudesse ver que ele ainda estava mais pálido que o normal e as suas mãos tremiam. Assim que explicou, ele virou-se na minha direção e me encarou de maneira estranha. – E você me salvou. – é desgraça, eu salvei a sua vida. O que ganho com isso então? Espero que a sua gratidão venha em dinheiro porque eu ando curto de grana ultimamente. – Como você sabia… - graças a Buda a pergunta dele foi interrompida quando os para-médicos entraram espalhafatosos pela sala, interrompendo qualquer interrogatório de Tohma.

Sabia que assim que ele se recuperasse do susto iria lembrar nos mínimos detalhes o que tinha acontecido e iria se recordar que eu tinha previsto antes mesmo dele reagir o que iria acontecer. E, com certeza, isso acarretaria em mais perguntas em como eu sabia que o vidro iria explodir pra dentro em vez de pra fora e que tal explosão seria perigosa e que iríamos precisar de proteção. E eu não estava a fim de responder que a causa daquela confusão era um fantasma que aparentemente achava que eu era o Eiri e que estava puto com o Seguchi.

- Você está sangrando. – fiquei surpreso ao perceber que a voz estava bem perto de mim, ao meu lado exatamente, e virei para ver Sakuma parado a poucos passos de distância e me olhando com uma expressão estranha. Franzi as sobrancelhas ao finalmente registrar o que ele tinha dito e senti uma fisgada no meu pescoço. Levei a mão até o ferimento e o toquei, sentindo algo quente e viscoso contra os dedos. Trouxe a mão na direção dos meus olhos e vi que Sakuma tinha razão, estava sangrando, mas não muito ao que parecia. Portanto o corte não era grave.

- Eu 'to legal. – respondi displicente. A adrenalina de encontrar com um poltergeist e sobreviver a um ataque de um ainda corria pelo meu corpo, por isso que o mesmo não estava reagindo muito bem à presença de Ryuichi Sakuma. Em um bom dia eu já teria pulado no cantor e o molestado, mas como podem ver hoje não estava sendo um bom dia para mim e nem para o Tohma que tentava dispensar os cuidados dos para-médicos sem muito sucesso.

Com o circo que estava armado eu vi nesta a minha oportunidade de sair de fininho do meio da confusão antes que alguém se lembrasse da minha presença na sala. Quando Ryuichi virou-se para responder o chamado de Noriko eu comecei a me afastar dele a passos suaves e extremamente silenciosos. Eu era muito bom nesse negócio de ser quieto, foi uma arte que eu aperfeiçoei com os anos de entrar e sair de casa de madrugada por causa do meu trabalho de mediador.

Não cantei vitória quando passei pela porta arrombada do escritório sem que ninguém notasse a minha presença e só soltei a respiração que prendia quando me vi em frente ao elevador e mirando o painel de andares dele que piscava indicando que ele estava subindo direto para o 21º sem nenhuma parada.

- Deveria deixar o para-médico olhar este ferimento. – quase que a minha alma saiu do corpo ao ouvir a voz e virei de supetão para perceber que mais uma vez estava sob o olhar intrigado de Ryuichi Sakuma. Quase gritei para ele um "faz barulho fantasma", mas me segurei. Era hilário o fato de que aparentemente os papéis estavam invertidos e parecia que era o Sakuma que tinha ficado obcecado por mim, pois não conseguia explicação melhor para o fato de que ele me seguiu até o elevador.

E por falar em elevador, agradeci quando o mesmo chegou ao andar e abriu as suas portas, mostrando um cubículo vazio no qual eu rapidamente me refugiei. Rangi os dentes ao ver que Ryuichi veio atrás de mim e apertou o botão térreo. Silêncio perdurou entre nós dois até que quando chegamos ao décimo andar Sakuma apertou o botão de emergência e o elevador parou com um tranco. Quase me belisquei para garantir que não estava sonhando, pois isto estava começando a se tornar uma das minhas fantasias sexuais, mas o latejar dos meus músculos doloridos pela tensão de mais cedo e a ardência em meu corte me fez perceber que eu estava bem acordado e aquela situação estava ficando cada vez mais estranha a cada segundo que passava.

Por um minuto ele ficou me encarando, parecendo pensar no que iria dizer e mudando de idéia cada vez que abria a boca para falar. Soltei um suspiro indicando o quanto eu estava começando a ficar contrariado com aquilo tudo. Queria ir para casa e me jogar sob um jato de água quente e esvaziar a cabeça para assim começar a arquitetar um plano sobre este fantasma que estava perseguindo Tohma. Quando deram dois minutos e Ryuichi não disse nada eu perdi a paciência, o empurrando para o lado e destravando o elevador que voltou a descer calmamente, felizmente sem parar em nenhum andar.

Quando finalmente as portas se abriram no térreo, saí da máquina sem dizer palavra para o Deus ao meu lado. Entretanto, quando estava prestes a me afastar do elevador, a voz dele pareceu soar pelo espaço entre nós e chegar aos meus ouvidos como se ele estivesse gritando neles.

- Eu sei quem você é. – disse em um tom calmo e suave que mais pareceu um berro para mim e assustado me virei para encará-lo, apenas para vê-lo sumir por detrás das portas do elevador que se fechavam. Não sei quanto tempo eu fiquei parado estático no saguão da NG, recebendo olhadas curiosas de quem passava, só sei que quando voltei a mim a única coisa que consegui soltar foi:

- Merda! – e pensar que pior do que isto não poderia ficar.