APÓS TRÊS DIAS, Selene sentia-se mais equilibrada e sua enxaqueca já havia desaparecido, deixando apenas a cabeça ainda levemente dolorida. Se um dia depois de sua prova até o canto mais agudo dos pássaros, tão presente naquela área arborizada, a incomodava, agora soava convidativo, tal como aquele que passou acompanhá-la naquelas últimas noites. A presença de Saga foi um elemento ainda mais em sua recuperação, ainda que sua partida fosse antes do amanhecer para que o sereno da madrugada acolhesse em seu retorno ao Santuário

Contudo, aquilo preocupava a saintia sobre sua ausência naquelas noites. Não comentara naquela primeira noite quando adormeceu e prometendo voltar na outra noite, e cumprindo com sua palavra mesmo que violando diversas regras para alguém responsável de cuidar delas. Cuidara de sua febre emocional, motivada pela tensão e pela sequela do ataque de Albion a quem Saga achou desnecessária o golpe mesmo que ela explicasse que tudo foi parte de seu teste.

Na terceira noite, ela não poderia simplesmente ignorar sua preocupação de sua presença ali quando deveria estar no Santuário.

- Não tem pelo que se preocupar... – comentou ele preparando dois pratos e a chamando para comer um assado de peixe com batata besuntado no azeite. – Ninguém dará minha falta. Estou em ronda, mas não deixaria de vir aqui para jantar com você. E se virou sorrindo para ela, chamando-a mais uma vez para se levantar da cama.

- Eu sei, mas é que... – Selene se levantava da cama, usando um vestido simples branco e os cabelos soltos. – E se acontecer alguma coisa enquanto estiver aqui?

- Falando assim até parece que não me quer aqui. – disse se virando pra ela, puxando-a pela cintura e vendo-a sorrir, algo que não a viu nos últimos dias. – Quer que eu vá embora?

- Não, não quero que vá embora. – disse ela rindo ao ser puxada pela cintura e colar seu corpo ao dele, as mãos apoiadas em seu peito. – Apenas não que saia prejudicado por causa de mim.

- Não se preocupe, tudo bem? – garantiu Saga com a mão segurando o queixo dela e puxando-a suavemente para roubar um beijo. – Eu tomei cuidado quanto a isso. Cavaleiros de Ouro precisam dormir, mas preferi sacrificar isso para ficar aqui.

- E hoje? – disse ela arqueando o semblante e olhando a indumentária dourada num canto, próximo a sua. – Nos outros dias podia isso de desculpa, mas hoje deveria estar fazendo a guarda em Gêmeos.

- Na verdade na primeira noite também, mas deixei apenas a armadura montada na Casa de Gêmeos porque precisava saber como estava. Foi por uma boa causa. – e a beijou na testa. – Vamos comer antes que esfrie?

Ela concordou após um breve suspiro. O cheiro estava bastante convidativo, tanto quanto o paladar que estava no ponto no tempero. Para acompanhar, ele havia trazido um vinho de Rodório e servido a ambos. Selene olhava para a armadura dourada e sorriu, rindo contidamente ao se lembrar de algo e indagada por Saga.

- Estou lembrando de algo que fazia em Jamir... - dizia, aceitando o vinho entregue por ele. – Você comentou de deixar a armadura montada em Gêmeos, e eu lembrei quando as montava para avaliar melhor as avarias e corrigir. – pausou para beber um pouco do vinho. - Quando Mu vinha para o Santuário, junto com mestre Arles, às vezes ficava semanas sozinha naquela torre, então criei uma distração que, certamente, o mestre Arles me repreenderia.

- E o que poderia ser de tão grave? – indagou Saga roubando uma batata. – Vestia as armaduras e ficava encenando ser um Cavaleiro daquela constelação? – e arqueou o semblante por baixo da franja que caía sobre seu rosto.

- Não... – disse rindo daquilo, levando a mão aos lábios. – Mas fazia elas sincronizarem com meu cosmo e se moverem mesmo sem seu Cavaleiro. Eu as chamava de... armadura remota.

Saga levava um pedaço do peixe a boca e parou o garfo no ar, olhando para Selene como quem não entendeu o que ela disse. Percebendo isso, ela fez sinal para que ele esperasse ela engolir uma garfada, tomando o vinho para ajudar.

- Assim... As armaduras não são meras vestimentas. Elas guardam memórias, são objetos vivos capazes de escolher seu Cavaleiro. – dizia olhando momentaneamente para a armadura. – Como foram forjadas pelos lemurianos, acabou-se criando um vínculo maior, ou seja... são capazes de ligar-se à memória das armaduras, diferente dos outros. – ela explicava, mas percebia que Saga não parecia assimilar bem aquilo. – Ahn... seria como eu entrasse em sua mente e a lesse seu subconsciente.

- Isso seria imoral... – comentou Saga a fitando.

- E é imoral. – ela concordou de imediato. - Seria uma invasão às memórias da armadura absorvida de seu Cavaleiro quando os dois se tornaram um. Isso é condenável, ainda que seja bastante sedutor ver o que a armadura guarda.

- E você fazia isso? – Saga a olhava com um misto de curiosidade e seriedade.

- Não, não isso. – ela sorriu para ele. – Apenas pedia seu consentimento, para que me ajudasse a repará-la. Para isso, pedia que meu cosmo se unisse ao da armadura para saber onde exatamente trabalhar. Armaduras também choram, Saga. Carregam a dor de seu Cavaleiro, compartilha de seus conflitos, de seus medos... Elas também podem morrer.

Saga ouvia tudo aquilo batendo de leve o garfo no prato, ouvindo tudo aquilo com atenção e se voltando para a de Gêmeos, em sua forma como se tivesse quatro braços, olhando para seu elmo onde um semblante era sério e outro com semblante mais fechado.

- Então você era capaz de fazer a armadura responder a você? – indagou ele. – Por um instante pensei da armadura em Gêmeos agindo enquanto estivesse aqui.

- Não é impossível. Ela o escolheu, Saga. Você e a armadura de Gemini são um. – disse Selene ainda o fitando, alternando brevemente para a armadura. – Diferente de mim que era eu e uma armadura. Isso é apenas uma questão de... sincronia do seu cosmo com ao da indumentária sagrada. Uma vez que esse elo existe...

Saga nada disse, apenas piscou e continuou a olhar para a armadura de maneira contemplativa.

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- YAY! Não imagina como estava com saudade de você. – exclamou Aelya abraçando Selene.

- Até parece que não ia me visitar duas vezes ao dia. – comentou Selene retribuindo o abraço à amiga e caminhando junto a ela.

- Mas é diferente de vê-la acamada e agora aqui, imponente com sua indumentária e como a Saintia de Prata Selene de Pyxis. – comentou a Bronze de Vulpecula animada. – Quando Illyra me contou que voltaria hoje...

- Conversei com mestre Arles ontem que estava bem e já podia voltar. – comentou Selene cumprimentando e sendo cumprimentada por aspirantes e soldados. - O som a minha volta já não me incomoda mais. Então pedi se poderia voltar hoje.

"O que já não era sem tempo!", ouviu ecoar de dentro de um templo, e dela sair Geisty com uma Bronze e outras duas aspirantes mais atrás. A Prata de Serpente olhou em direção de Vulpecula e a ignorou sumariamente. Ainda não aceitava a ideia de uma de sua aprendiz ter sido derrotada por aquela garota, afirmando que tinha 'usurpado' o mérito de sua jovem pupila.

"Não diga nem insinue qualquer coisa. Ela é um Prata, e está acima de você na hierarquia. Portanto...", disse Selene em telepatia para Aelya que se assustou no primeiro momento até perceber o sinal discreto feito por sua amiga. Manteve-se apenas atrás dela, buscando não encarar Geisty, mas não as duas aspirantes que a olhava com desprezo tal como a de Bronze.

- Olá, Geisty. – cumprimento Selene formalmente.

- Olá, Selene, como tem se sentido, descansando na sombra, enquanto todas nós trabalhávamos debaixo desse maldito sol? - Questionou a Serpente com desdém. - Tá melhorzinha? Já consegue ouvir as vozes dos meros mortais sem ter um xilique?

- Sim, já estou recuperada dos danos e assumindo oficialmente meu dever, Geisty. - respondeu Selene buscando ignorar todo aquele veneno e provocação da Prata diante dela. - Obrigada por perguntar.

- Cuidado para não se machucar mais uma vez, queridinha. - Falou Geisty com olhar de desprezo, por debaixo da máscara. - O mestre Arles pode não gostar de ver sua "queridinha" incapacitada de… "cumprir com suas obrigações", não é mesmo? - E riu, sendo seguida de suas garotas.

Selene nada disse, senão assentir como se aceitasse os 'conselhos ácidos' da Prateada à sua frente. Mantinha sua postura e até sorria por debaixo da máscara se pudesse ser vista. Porém, os ombros caídos e braços jogados para trás como se tivesse conversando de maneira amigável era bem notório, e isso devia irritar ainda mais Geisty em perceber que suas provocações não surtiram o efeito esperado.

Por outro lado, Aelya se conteve o máximo, voltando a caminhar com Selene no caminho contrário da Prata 'de víbora', como ela mesmo comentou de maneira solta e certa de que ela longe o bastante para não ser ouvida. Ouvi-la provocar Selene e sem poder dizer nada, era inconcebível!

- Ela está é mordida contigo. - confidenciou Aelya. - Não suporta a idéia que se tornou uma Prata como ela… Minto! Melhor que ela. Aquilo que fez, Selene, foi demais! Todos ficaram impressionados com você. Não se falou de outra coisa no Santuário senão sua luta com Albion.

Selene nada comentou, ficando apenas a ouvir de como Geisty levantava uma parte da platéia contra ela e torcendo para Albion, do quanto ela riu de seu desnorteamento e depois 'salivando veneno' quando soube de sua licença de recuperação. Apenas suas garotas e alguns outros aspirantes a Cavaleiros concordaram com o 'protecionismo' do mestre Arles para com sua aprendiz, enquanto que outros acharam mais que merecido até que Aiolos de Sagitário e o próprio Saga de Gêmeos deram um basta naquilo.

- Precisava ver como ela torcia contra você no anfiteatro. Ridículo! - disse Aelya indignada.

- Deixa pra lá. - respondeu Selene se voltando para a amiga. - Basta não ceder as provocações dela. Fiz certo pedir Illyra que ficasse com ela até que eu pudesse assumir de vez. Vocês duas seriam uma péssima combinação.

- Então foi você? - indagou Aelya parando os passos e Selene pouco adiante olhando para ele respondendo que sim. - Então estarei subordinada a você? - e Selene concordou mais uma vez, rindo ao perceber a felicidade da amiga. - Serei uma subordinada fiel!

As duas riram e seguiram em direção do porto, onde supervisionaria a entrega de mantimentos para o Santuário e para Rodório, com Aelya auxiliando com a separação nos armazéns. Foi um trabalho que tomou toda a manhã e início da tarde, uma vez que precisou separar os grupos para o almoço. Após descarregar do navio, era chamar os soldados para levar a parte que cabia ao Santuário, auxiliados por alguns aprendizes e aspirantes para que uma remessa seguisse para o Campo das Amazonas.

Um dia cheio, mas que correu tranquilo. Ao fim do trabalho, agradeceu e cumprimentou a todos os presentes, mas Selene não pôde deixar de perceber uma relação mais afetuosa entre Aelya e um dos marinheiros, a quem ao longo do dia notou diversas chances de trocar meia dúzias de palavras, e enquanto retornavam ao Santuário, estava demasiadamente animada.

- De onde o conhece? – comentou Selene para Aelya que pareceu não entender, mas até mesmo se assustar com aquela pergunta. A Prata tinha certeza que ela estava corada por baixo da máscara. – Pareciam se conhecer há muito tempo.

- Ah... o Declar...? – e se traiu, xingando-se mentalmente. – Tá, eu conheci ele logo que cheguei ao Santuário. Ele queria também ser um Cavaleiro, mas... – e soltou um suspiro. – Ele não foi capaz de despertar o cosmo e abandonou os treinamentos, mas não tinha para onde ir. Ele não tinha ninguém! Disse que queria ser Cavaleiro após ser salvo por um. Como não conseguiu, queria ao menos ficar próximo ao Santuário. Foi quando conseguiu emprego no porto e sempre é escalado quando vem para cá. – disse animada.

- Ele deve ter ficado surpreso quando a viu como Saintia, não? Aliás, ele te reconheceu? – indagou Selene.

- Se eu te disser que ele que me reconheceu, você acredita? – disse Aelya ainda mais animada. – Disse que reconheceu... a minha voz... por conta do meu jeito de falar... YAY!

As duas riam daquilo quando perceberam a aproximação de um soldado, cumprimentando ambas e entregando um envelope com selo amarelo nas mãos da Saintia de Prata. Selene conhecia bem o que era aquele tipo de convocação. Quando indagada por Aelya sobre o que seria aquilo, somente respirou fundo e mantendo um tom muito sério.

- Estou sendo convocada para uma missão.

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Selene cruzava os corredores do Templo do Patriarca, vestida com sua indumentária sagrada e seus passos ecoando mais altos de quando atravessava ali com suas sandálias. Mais uma vez olhou em direção da parede onde havia esculpido os mitológicos Cavaleiros, os quais sempre lhe causavam uma sensação curiosa de conforto e, ao mesmo tempo, de uma tristeza a qual não sabia justificar. Desta vez, porém, não parou para estudá-los, pois estava ali convocada pelo próprio Patriarca.

Na porta alta e talhada em branco com folhas de oliveiras douradas, vigiado por dois soldados, estes lhe abriram o caminho e permitindo a passagem para o grande salão principal do templo, onde o Patriarca realizava as audiências. Na última vez que estivera ali, recebera a punição que a exilou por um mês em Jamir, e agora voltava como uma Saintia de Prata para uma missão pelo Santuário.

Avançou pela sala, ouvindo a porta ser fechada às suas costas, mas não olhou para trás. Seguiu firme até perceber que não estaria sozinha naquela audiência, mas acompanhada por dois outros Cavaleiros: um com suas asas semi-abertas apoiadas sutilmente no chão e o outro com sua capa branca adornada , mas reconhecendo aqueles longos cabelos que caiam por suas costas.

Ambos estavam ajoelhados no chão, diante do Patriarca que explicava o motivo de estarem ali sem que parecesse notar ainda sua presença. Aquilo fez o coração de Selene disparar.

- ... e isso será imprescindível a anulação dessa célula dos Cavaleiros Negros. – dizia o patriarca sentado ainda em seu trono, acompanhado de Arles que percebeu a chegada de Selene e fazendo apenas menção para que ela se aproximasse. – O modus operandi será que não retornará a essa missão sozinho, mas com alguém que o ajudará na conclusão dessa missão. – e o Grande Mestre pausou em suas palavras e levantou a cabeça, alternando dos Cavaleiros para a Prata que apresentava naquela sala.

- Selene de Pyxis se apresentando. – disse Selene baixando a cabeça, buscando evitar em direção de Saga, ainda de costas para ela. – Atendendo sua convocação para uma missão, Grande Mestre.

Os dois Cavaleiros de Ouro se levantaram, juntamente com Selene, e a encararam por alguns instantes. Voltaram-se para o Grande Mestre quando esse voltou a falar.

- Selene de Pyxis, acompanhará Aiolos de Sagitário para uma missão fora do Santuário, e deverão partir o quanto antes. – disse o Patriarca de maneira incisiva. – Creio que seu senso de direção será eficiente na localização da base dos Cavaleiros Negros anteriormente investigados pelo Cavaleiro de Ouro.

Ouvir aquilo fez Saga fechar os punhos, mas mantendo uma expressão neutra e sem se voltar em direção da jovem ainda parada pouco mais atrás deles, assentindo a missão da qual era incumbida. Sem mais se conter, pediu a palavra meio aquela audiência.

- Grande Mestre, não seria ideal enviar dois Cavaleiros de Ouro para esta missão? – questionou Saga alternando para o amigo e para Selene, que por baixo da Máscara estava apreensiva. - Se for comprovado ser a última célula, sendo a base de comando deles...

- Saga! – chamou Aiolos caminhando até o amigo, tocando em seu ombro e tendo sua atenção, interrompendo-o. - Eu entendo sua preocupação, mas somos os dois únicos Cavaleiros de Ouro, e o Santuário não pode ficar sem a presença de ao menos um de nós dois.

Saga queria contra-argumentar aquilo, mas Aiolos adiantou-se em continuar, baixando o olhar e fechando brevemente os olhos.

Além do mais... – e reabriu os olhos. - Eu falhei, e preciso corrigir isso. – e olhou em direção de Selene. – Lamento que tenha que fazer sua primeira missão de modo a concluir um erro meu, Selene de Pyxis, logo em após se recuperar dos danos causados pela técnica de Cepheus e assumindo hoje oficialmente seu dever como Saintia, mas...

Desvencilhou-se de Saga, soltando-o e se voltando mais para Selene e abrindo um discreto sorriso. Saga mantinha-se de lado, apenas observando aquela cena. Sentia-se consumido por dentro, mas controlando sua expressão e suas reações mediante aquela cena.

- Sinto-me honrado em podermos seguir juntos para essa missão. – disse a reverenciando com leve curvar do corpo para frente.

- Se minha habilidade é a ajuda que precisa, a honra será minha! – disse ela reverenciando de volta.

Saga nada mais disse, senão concordar com tudo aquilo, resignado. Dizer qualquer algo mais acabaria por expor demais os dois, sem contar que estaria colocando a Saintia numa situação delicada e em descrédito, o que certamente a magoaria. Poupá-la novamente apenas levantaria mais rumores do protecionismo dela pelo mestre. Ela havia se tornado uma Saintia, e era o momento de assumir plenamente isso.

Com todos de acordo, o Grande Mestre dispensou os três, enfatizando para que Aiolos e Selene agilizassem, o quanto antes, os preparativos para a longa viagem que fariam e que discutissem antecipadamente as estratégias, algo da qual Aiolos mencionou providenciar imediatamente antes de se retirarem. Para isso, convidou Selene a acompanhá-lo até sua sala pessoal onde explicaria todo o processo de investigação sobre aquele assunto de modo a deixá-la à parte do que estavam para encontrar.

A reunião entre os dois tomou todo o restante da tarde, e Aiolos surpreendeu-se de como Selene traçou os caminhos para a viagem da Grécia até o extremo norte da Europa, mas que isso exigiria intervalos de dias até a chegada do primeiro ponto de destino, o que foi acordado pelo Sagitariano afirmando que o processo seria uma vantagem a considerar outro meio de transporte até o destino. E uma vez que tudo foi afirmado, Selene apenas pensava em uma pessoa ao sair daquele templo ao observar o horizonte. A maneira como Saga os deixou para trás horas atrás, desde ainda no salão, foi preciso resistir em não abraçá-lo ali.

E tal como ela imaginava, ela o encontrou na clareira, recostado na árvore e de braços cruzados. Não parecia ter percebido sua chegada ali com teleporte. Removeu a máscara guardando em sua cintura e o chamou, vendo certa hesitação dele.

- Saga? Saga... Nós dois sabíamos disso. – disse ela se aproximando dele, mas não o tocou para que ele se virasse. – Seria apenas uma questão de tempo.

- Eles esperavam apenas a sua recuperação para seguir para a linha de fogo... – e se virou para ela. – E Cavaleiros Negros, aqueles desonrados e traidores? Eu poderia ir com Aiolos...

- Não, Saga, não podia. – interrompeu ela. – O Aiolos me explicou tudo. Eles apagaram todo e qualquer rastro. Ele perdeu a pista deles! O meu teste... O que Cepheus fez... era a prova que o Grande Mestre precisava para saber se era capaz de rastreá-los... e eu posso. – e Selene se aproximou mais dele, tocando em seu rosto. – Não confia em mim?

- Eu não confio naqueles malditos! – disse olhando para ela, segurando sua mão. – E eu me preocupo com você. Se recuperou há pouco e já partindo para uma missão que vai exigir muito de você, Lene.

Ela sorriu para ele, puxando seu rosto para um beijo demorado, mas suave.

- Eu tive um bom mestre na arte da guerra... Esqueceu? – disse ainda mantendo o seu rosto próximo ao dele e vendo-o sorrir, até tomá-la no colo.

- Só me prometa que vai tomar cuidado? Promete? – disse ele buscando os olhos da saintia.

- Prometo! Pyxis vai me guiar e iluminar nessa missão... – e roubou mais um beijo dele. – De quebra tenho as constelações de Pollux e Castor, as estrelas de Gêmeos para dar uma forcinha. Já notou os quão brilhantes eles tem estado ultimamente?

- Ah! Não, não notei. Estava muito ocupado, olhando para coisas mais interessantes nesses dias. - ele comentou envolvendo as mãos na cintura dela.

Ela corou ao ouvir aquilo, voltando o seu olhar as estrelas e mordiscando os lábios. Tocava em seu rosto, sentindo uma barba que estava para nascer, e foi quando sentiu o Cavaleiro virá-la para ficar de frente para ele, enquanto ria daquilo.

- Nós vamos partir amanhã de tarde, então... – ela buscava os olhos dele. – Por que não passar essa noite... juntinhos... – sussurrava ela, vendo-o sorrir. – O que me diz?

- Acho uma ideia maravilhosa! – respondeu ele. – E quais seus planos?

- Que tal me acompanhar para ver as estrelas?

E assistiu Saga franzir o cenho, mas aceitar o convite com um beijo.