Notas iniciais: Naruto não me pertence!
Bem, escrevi mil vezes esse capítulo, no final não ficou como eu tinha imaginado, mas espero que gostem.
Minha última prova acabou hoje, estou animada, assim terminei de escrever antes do sábado – como tinha dito.
Comentários no final pra quem chegar ao fim, pleasee, quero saber o que acharam e adoro responder e ler comentários, sou bem tagarela por sinal. Haha.
Capítulo bem grande. Não consegui dividir e me empolguei. Espero que não achem ruim, os outros serão mais controlados.
Vamos lá! Beijo beijo
LEIAM AS NOTAS FINAIS! Spoiler!
Capítulo O2 – Reencontro
"Não há despedida, sem um novo encontro,
Não há encontro, sem haver se despedido,
Mas a certeza é que não há fim
Porque seja para onde vá, você está guardado em mim"
(Capítulo narrado pela Sakura)
Estava em meu consultório, após uma criança gripada sair. Sorri pensando no quanto sua mãe era amorosa e atenciosa com ele, enquanto seu pai esperava aflito no corredor. Comecei a pensar se algum dia, sequer, vou chegar a constituir uma família e ter essa preocupação tão pura e genuína com um ser que saiu do meu ventre.
Inevitável não pensar em um moreno que está não se sabe onde, mas sei com quem. Aquela ruiva maldita. Certo, ela não era maldita. Mas ela está com o homem que eu mais amei na minha vida, que ainda amo e que não sei se algum dia vou parar de amar. Sei que decidi por deixar esse amor de lado, pensar mais em mim e seguir em frente, mas, no começo não é fácil.
Voltei minha atenção para o prontuário da doce criança, quando ouvi um estrondo absurdamente alto e observei todas as paredes do consultório tremerem. Com isso, meus quadros com certificados, pinturas e até mesmo fotos, caíram, os vidros se estilhaçaram em mil partículas no chão.
Não pensei muito e peguei uma kunai, pronta para sair da sala, porém fui interrompida pela porta sendo aberta com tal violência que ela quase se quebrou. Naruto e Tsunade entraram tão rápido quanto meus olhos puderam captar.
- Sakura-chan! Que bom que está a salvo! – O loiro escandaloso gritou, com um sorriso de alívio, mas ainda com o cenho franzido. Algo nada bom ocorreu.
- Não grita tanto, Naruto! – Corrigi-o. – O que houve? Naruto, Tsunade-sama?
- Sakura, a vila está sendo invadida pela Akatsuki! Os guardas da entrada foram exterminados. Viemos te buscar para te dar uma notícia, porém já vamos voltar para a luta.
- Qual? – Sabia que algo ruim estava por vir. Tinha certeza. Aquela dor no peito não era normal. Nada daquilo era normal.
- Tenha calma. – Tsunade começou.
- Contem logo! – Pedi desesperada, já imaginava algo terrível com meus pais ou amigos.
- O teme apareceu. – Naruto disse. Sendo repreendido pela shishou, mas esse ignorou e continuou. – Pelo visto ele estava lutando com o Itachi nas fronteiras, enquanto o resto da Akatsuki rumava para cá. Itachi foi morto, e Sasuke está muito ferido. Aquela nojenta da Karin o trouxe para o hospital. Ele está em estado grave.
- O que estamos esperando? Vou para lá agora mesmo. – Gritei perdendo a noção do meu próprio corpo. Não, ele não pode morrer! Peguei o meu jaleco que estava pendurado em um canto, colocando-o e já me preparando para sair, quando Tsunade barrou minha passagem.
- Sakura, calma. Tem mais uma coisa. – Pelo tom que ela usou, mesmo querendo, não discuti. Parecia decidir, relutou e continuou. – Antes de vir para cá, a Akatsuki capturou o Kage de Suna, o Gaara. Chegamos a mandar um time da anbu e jounins para ajudar, mas não adiantou. Extrairam o bijuu dele, o Shukaku, e o Gaara morreu no final.
- O Gaara? – Gritei.
Nesse momento não aguentei e cai sentada na cadeira. Já sentia lágrimas querendo escapar dos meus olhos. Não éramos muito próximos, mas com o namoro da Temari e do Shikamaru nos tornamos mais conhecidos. Além de tudo, ele tinha se tornado um dos melhores amigos do Naruto, por serem tão iguais pelos bijuus, pela rejeição na infância e, mesmo assim, tão opostos ao mesmo tempo. Naruto aprendeu a lidar com a dor, humilhação e rejeição. O Gaara não teve tanto tato assim. Agora é que ele tinha se tornado mais humano, aberto e sociável, nas poucas vezes que o vi, notei isso. Mesmo que ele tenha tentado nos matar vários anos atrás, agora não havia mais mágoa. Entendia seu lado, e Naruto entendia melhor ainda.
- Sakura. – Naruto se aproximou me abraçando. – Tem mais.
- Mais? – Já esperava outra notícia terrível, quando Tsunade sorriu.
- A Chiyo-sama tinha uma técnica especial, e ressuscitou o Gaara, quando eles o encontraram. – Sorri surpresa. Existia mesmo essa técnica? – Ela morreu após esse processo. Porém, ele estava muito instável e por isso foi trazido para o hospital aqui também e está em coma. Já que não aguentaria uma viagem de volta a Suna.
- Então ele está vivo?
- Mas com risco de morrer, Sakura-chan. – Naruto quem me respondeu.
- Não entendi onde querem chegar. – Estava confusa. Gaara estava vivo, afinal.
- Minha querida, a vila está em guerra. Virão atrás de mim, eu sou a hokage. Não posso correr o risco de envolver pacientes enquanto os curo. A Akatsuki não pode saber que Gaara está vivo, nem sonhar com a técnica! Shizune foi ferida na entrada e não tem condições de curar ninguém. Você é a melhor, minha pupila. – Sorri após esse elogio. Mas logo entendi o rumo da conversa.
- Eu não posso fazer isso. – Me neguei, exasperada. – Ino, Karin, alguém pode o ajudar.
- Sakura, você só pode curar um deles. Ambos estão em estado grave. Sasuke está mais estável, mas mesmo assim há riscos. Viemos conversar contigo para te colocar a par de tudo e deixar livre para que escolha. Não vou interferir com a minha opinião entre um Kage e um traidor da vila, que é um dos melhores amigos de vocês dois e querido para mim. – Finalizou com pena, olhando para Naruto e para mim.
- Eu devo escolher entre quem vive e quem morre? – Não estou acreditando.
- Não! – Naruto gritou. – Sakura, o qual não ficar sob seus cuidados, vai ser tratado pelos outros excelentes médicos, e você e a Tsunade podem ir ajudar depois.
- Seria impossível. Estaríamos quase sem chakra, Naruto. – Tsunade interrompeu-o.
Fiquei em silêncio por algum tempo. Naruto estava iludido, ele não entendia tão bem de medicina quanto nós duas. A esperança e fé inabalável do loiro me deram inveja momentaneamente. Naruto estava mais maduro, mas mesmo assim nunca deixava aquele garoto animado e alegre de lado. Com ele tudo podia acontecer. E vai. Tomei a minha decisão com um sorriso nos lábios.
- Vamos lá. – Exclamei. Eles me olharam curiosos e ansiosos com a reação repentina. – Vou ajudar o Gaara, se ele estabilizar irei para o quarto do Sasuke.
- É sua decisão. – A shishou maneou a cabeça, assentindo. Naruto saiu da sala, estava ao lado da porta, porém ela segurou meu pulso e murmurou, para que só eu ouvisse. - A vida é feita de escolhas. Quando se dá um passo para frente, alguma coisa, inevitavelmente, fica para trás.
Acenei concordando. Entendi o que ela quis dizer. Era um sacrifício necessário. Não estava certa da minha decisão, não queria que Sasuke morresse. Mas não deixaria Gaara sem auxílio, muito menos que ele morresse outra vez - ele estava com mais riscos que Sasuke, meu dever era ajudá-lo. Confesso que me surpreendi com a decisão. Pelo contrário do que todos esperavam, tenho certeza de que Naruto e Tsunade também, não sai correndo até o vingador Uchiha. Agora que ele completou sua missão de matar o primogênito, será que iria querer reconstruir o clã com a Karin? Ignorei esses pensamentos e sai, rumando até o quarto de Gaara.
Ao chegar a unidade de tratamento onde o ruivo se encontrava inconsciente, sendo socorrido por médicos do hospital e enfermeiros, me surpreendi com a cena que encontrei. Ele estava tão indefeso e com semblante angelical, observei-o por segundos até que fui chamada.
- Sakura. Vou defender a vila. Se algo acontecer comigo, Naruto é meu sucessor. – Tsunade afirmou, convicta. Ambos nos assustamos. Ela me abraçou subitamente, só pude corresponder emocionada. Não queria perder ninguém. Mas em uma guerra nada se pode prever. – Te amo, você foi a melhor pupila que eu poderia ter tido. Sei que me orgulhará muito ainda. Sempre siga o seu coração.
Lágrimas insistentes saíram, correspondi o abraço com força e carinho, respondendo rapidamente, antes que ela e Naruto saíssem em direção ao campo.
- Eu também te amo. Obrigada por tudo. Te espero voltar. – Respondi rouca, com a garganta presa.
A loira sorriu e me soltou. Andando até o corredor onde Naruto a esperava.
Ele parou de andar, se virou e correu em minha direção. Me deu um abraço de urso, surpreendendo-me.
- Confio em você, Sakura-chan. Dattebayo¹! – Sorriu alegre e voltou ao seu trajeto.
Rezei a Kami em pensamentos, implorando e rogando para que trouxesse os dois de volta para mim, inteiros e salvos. Virei-me e calcei as luvas estéreis, após fazer a paramentação, e comecei a examinar Gaara. Ele está terrivelmente mal. Os danos internos, externos e psicológicos causados pelo Shukaku resistindo a extração e aos Akatsuki foram muito extensos.
Depois de horas ali, que eu sabia apenas pelos meus auxiliares de tão concentrada que estava, finalmente houve sinais de recuperação. Os monitores apontaram a melhora na saturação de oxigênio no sangue, nos batimentos cardíacos e a função cerebral também melhorou. Sorri feliz. Chiyo havia feito um bom trabalho, sua morte não teria sido em vão.
Após fazer tudo que podia, com chakra já praticamente esgotado, acompanhei os enfermeiros que levaram o Kage até um quarto isolado para prevenção de complicações e monitoramento. Tirei as roupas cirúrgicas sujas com sangue, voltando a trajar o jaleco por cima das roupas e rumei até a secretaria.
Partes do hospital estavam destruídas, em virtude do ataque. Mas estavam todos bem e trabalhando nas vítimas que não paravam de chegar. Encontrei conhecidos pelo caminho, verificando o estado de cada um. Até que cheguei a ala em que Sasuke estava, com aperto no coração.
Me surpreendi ao ver o moreno vivo, dormindo tranquilamente, com Ino, Karin e mais três médicos colegas ao seu lado. A loira sorriu quando parei na porta.
- Fez um bom trabalho, porquinha. – Brinquei. Estava disfarçando o alívio que senti, após ter ficado segundos parada longe, estática e me recuperando do susto, até que tomei coragem e fui até lá. Me senti desconfortável quando a ruiva botou os olhos sobre mim.
- Claro que sim, já que você sempre deixa o trabalho sujo pra mim. – Riu. Me abraçando. – Espero que aquele ruivo lindo esteja vivo.
- Que bom que você está bem. E sabes que aquele também foi trabalho pesado. – A empurrei, implicando. Estava feliz de ela estar bem e viva, comigo ali. – Obrigada.
Não precisei dizer mais nada. Ela sorriu e entendeu. Estava a agradecendo por ter salvado o amor da minha vida, por ter obtido sucesso e sobretudo, por estar bem. Depois de observar o Uchiha mais de perto, ao lado da cama, por um tempo longo, lembrei da sua namorada.
- Olá Karin. Como está?
- Bem. – Me respondeu seca. Mas era visto que estava cansada. Deve ter trabalhado duro para socorrer o moreno. E me fitava dos pés a cabeça, com desdém e olhar superior.
O examinei rapidamente, não deixando de notar o quanto ele estava bonito. Sem camisa, com o peitoral másculo bem desenvolvido e machucado a mostra. Expressão calma e relaxada. Ele estava com uma leve febre, curei com meu chakra, ficando esgotada totalmente. Karin não tirava os olhos de mim. Tentei não pensar nesse reencontro, no quanto estava feliz, aliviada e com o coração quente ao lado do Uchiha.
- Vamos ver como os outros estão? – Ino perguntou, percebendo o clima tenso. – Mas antes, temos que comer algo. Se não as socorridas seremos nós.
Ri com ela. Apesar da tensão e da imensidão do problema, era bom ter uma amiga como ela do meu lado. Sabia que, por hora, Karin cuidaria bem do Uchiha. Apesar das nossas diferenças, ela ajudou a curá-lo.
Caminhei rapidamente com Ino para pegar comida na cantina do hospital. Lanchamos rapidamente, praticamente engolindo a comida sem mastigar. Ela me contou no caminho que quem mais fez algo foi ela e os outros médicos, que Karin ajudou, mas mais mandava e gritava, chorando. Deve ter sido uma cena lamentável, pensei comigo.
No fim, o estado era grave, mas do Gaara era muito mais. Não errei na escolha, e com isso sorri feliz.
Meu sorriso sumiu após sair do hospital. Uma parte da vila estava devastada, enquanto o outro lado nada era visto. Caminhamos até a parte da luta, encontrando Tsunade quase desfalecida, desesperada com o corpo da Shizune jazido sem vida no seu colo, enquanto a loira a agarrava desesperadamente. Murmurava repetidamente que Shizune a havia salvo, entrando na sua frente e recebendo o golpe. Ao lado, Naruto terminava de matar o atacante delas, Tobi. Poucos integrantes da Akatsuki estavam ali, Deidara e Sasori mortos no chão. Pain e Konan continuavam lutando contra Kakashi, Neji, Hinata e Tenten. Os demais ou estavam mortos em outro lugar ou bateram em retirada. Ainda havia Itachi, que tinha sido morto por Sasuke antes do ataque.
Com muito custo, entre mortos e feridos, os ninjas da folha venceram essa batalha. A qual se encerrou somente ao anoitecer. Todos os Akatsuki que restaram na aldeia foram mortos. Mas Kakashi e Shizune também. Haviam lágrimas por todo o lado, feridos aos montes.
Senti-me inútil, sem chakra, só consegui ficar ao lado de Tsunade, ferida, enquanto Ino curava seus ferimentos mais profundos até ficar sem chakra também. Ela não largava Shizune. Tentei pensar positivamente, que ela e Kakashi estavam em um lugar melhor e juntos, amando-se, pois os mesmos tinham um romance. Não conseguia parar de chorar também. Não acredito que o meu sensei estava morto. Naruto parecia tão desolado quanto eu. Se culpando por ter chegado atrasado. Só parou quando gritei com ele, após isso nos abraçamos e choramos por horas.
Após algumas semanas, aos poucos, a vila foi sendo reerguida. Nossos lares, prédios e estabelecimentos reconstruídos. O Hospital parecia recém construído. Não havia sinais de batalhas, só em nossas memórias e corações. Konoha tem uma força e união invencíveis. Todos se uniram para ajudar. Nosso coração foi sarando a medida do possível, o nome de Kakashi e Shizune estavam na pedra memorial da vila, como heróis. Tanto ele, meu amado sensei, meu segundo pai, quanto ela, minha amiga da medicina, a ninja irmã que ganhei ao ser pupila de Tsunade. Essa, por sinal, estava mais triste e desolada do que nunca, mas continuava firme como líder da vila.
Haviam visitantes morando em Konoha temporariamente, como o antigo time Hebi, sendo Karin, Juugo e Suigetsu vigiados o tempo todo por anbus. Também os irmãos Sabaku, esperando Gaara acordar. Temari e Kankuro, no entanto, eram queridos por todos. Após a união pública da loira e de Shikamaru, o gênio de Konoha, o povo já a idolatrava – exceto Ino, que secretamente tinha uma paixão por ele.
Já havia se passado um mês do ataque, quando Sasuke acordou. Fui chamada por uma enfermeira, não tinha ninguém no quarto dele. Não era horário de visitas. Entrei calmamente, para não o assustar. Fitei o moreno que olhava fixamente para fora da janela.
- Sasuke. – Murmurei, num fio de voz.
Tentei me manter indiferente, mas era impossível. Ele me fitou, frio, mas não indiferente como antes. Senti uma corrente de eletricidade percorrer todo o meu corpo. Agarrei a prancheta em minhas mãos, me agarrando a ela para me mantar firme. Fazia anos que não o via, sem contar quando estava desacordado após matar Itachi. Agora já estava aliviada, ele estava vivo. Recuperado. Não graças a mim, apenas ajudei o curando nos dias e crises que se seguiram após o primeiro dia, quando já estava bem e com o chakra restituído. Me isolei no hospital, para cuidar tanto de Gaara e Sasuke, assim como para esquecer a morte do meu antigo sensei. Mal saia de lá, apenas para tomar banho e comer, pouco dormindo.
- Haruno. – Sua voz gélida machucou meu coração. Não parecia indiferente, como não era calorosa. Claro, ele não ia levantar e me abraçar. Ele tem namorada, por Kami. Mesmo assim não consigo desviar meus olhos dos seus ônix intensos.
- Como está se sentindo? – Passado o choque inicial, a saudade contida, dirigi-me até a beira de sua cama. Conferindo a medicação no soro, seu acesso venoso no antebraço direito e alisando, por fim, a mesa ao seu lado.
- Fraco e com dor. O que aconteceu? – Respondeu, rouco, observando meus movimentos. Senti meus dedos formigarem ao tocar sua pele quase translúcida. Ele estava magro, a sonda utilizada não era tão efetiva quanto uma alimentação, afinal. Enchi um copo com água e alcancei a ele. – Obrigado.
- É uma longa história. Você foi trazido até aqui por seus companheiros, após a luta com Itachi. – Como não houve resposta, continuei. – Karin e Ino, com o auxílio de outros médicos, cuidaram de você. Agora está sob minha responsabilidade, pois sou chefe e atendente aqui no hospital.
- E o resto da vila? Onde eles estão, Karin, Suigetsu e Juugo? – Ele não pareceu reparar que não me inclui na frase dos médicos, o que foi bom. Mas senti uma pontada ao ouvir o nome de Karin e a preocupação que ele demonstrou, como nunca havia comigo e Naruto.
- O resto da vila foi invadida pela Akatsuki, houve muita destruição e perdas. Kakashi está morto. – Afirmei e me calei. Ele pareceu se assustar, porém não falou nada. Acho que estava assimilando os fatos. – Seus companheiros estão aqui na vila. Vigiados, é claro. Mandarei os avisar que acordou, eles vêm todos os dias aqui no horário de visitas.
Ele sorriu, um pequeno e imperceptível sorriso. Não me atentei ao que isso significava. Sasuke havia substituído todos nós pela Hebi?
- Preciso fazer exames em você, tudo bem? – Perguntei, receosa. Eu era a médica responsável e era meu dever.
Ele maneou a cabeça, assentindo. Realizei-os o mais rapidamente possível, ansiando para sair correndo dali, afastando-me após dizer que colocasse a blusa novamente. Tentei não observar os detalhes do seu corpo, eu sou uma médica e não podia ter esse tipo de pensamento. Não nesse estado dele. Sacudi a cabeça, ele não percebeu.
- Como estou? – Indagou.
- Vai melhorar. Apenas mais alguns dias em repouso no hospital. – Sorri. – Pretende ficar aqui?
- Não sei. – Ele respondeu após a surpresa inicial pela minha pergunta. Acho que ele percebeu que apesar de não estar fria, eu não estava mil amores com ele, como antes.
- Bom, em todo caso, não tente fugir. Está fraco. E tem anbus te vigiando. Preciso fazer as rondas. Depois retorno aqui. Logo receberá sua refeição, não pode abusar no início. – Ele me ouviu atentamente, me despedi e sai.
Assim que sai, procurei o armário de mantimentos hospitalares e remédios mais próximo, entrei e tranquei a porta. Escorreguei ao chão e me permiti chorar. Chorei por ele. Por alívio. Pela indiferença. Por Karin. Chorei por toda a mágoa, tristeza e rancor guardados dentro de mim. Após minutos que pareceram horas, me recompus e limpei meu rosto com um pouco de gaze e soro fisiológico que encontrei em uma prateleira.
Sai, parando na secretaria, pedi para avisarem Tsunade, Naruto e os novos amigos de Sasuke que ele estava acordado. Mas que todos, exceto a Hokage, só estavam autorizados de ficar lá no horário de visitas. Não apenas por ciúme da Karin, mas porque ele tinha de descansar. Assim que prescrevi os remédios para dor, aumentando a dose, e a nova dieta do Uchiha, me dirigi ao consultório, me trancando lá por horas, encaminhando pacientes para os outros setores e colegas.
Naruto apareceu mais tarde, para dar um oi. Ele também passou no quarto do Gaara, porém o mesmo ainda estava inconsciente. Expliquei de novo, pela décima vez que eu contei, que aquilo era normal, que o ruivo não ia morrer e não estava em perigo. Eu havia induzido o coma, para que ele se recuperasse mais rapidamente e por completo. Ele se acalmou e foi procurar Sasuke. Como o loiro não retornou, fui até o quarto do moreno para ver o que eles estavam fazendo. Ele disse que voltaria.
Quando cheguei ao corredor, Karin me fuzilava no lado de fora, sentada em poltronas com os dois amigos. Ouvi gritos no lado de dentro, estavam apenas Naruto e Sasuke lá.
- O que houve? – Perguntei assustada, segurando a maçaneta.
- O casal está discutindo a relação. – Suigetsu respondeu, rindo sarcasticamente. Notei que sarcasmo era uma característica forte nele.
- Sasuke não pode se cansar. – Falei, repreendendo-os, assim que entrei no quarto. Ele me olhou com ódio, acusadoramente. Naruto me olhou assustado.
- Desculpa, Sakura-chan. – Murmurou, baixo, o loiro. Aqueles oceanos azuis que eram seus olhos me fitaram, com dor no olhar.
- O que é isso?
- O que é isso? – O Uchiha repetiu numa voz assustadora. Meus pelos arrepiaram.
- Nós conversamos muito. O Teme está a par dos últimos acontecimentos. De todos, desculpe por isso. Não sabia que ele teria essa reação. – Naruto me explicou, enquanto o Uchiha me fitava com raiva. Não entendi mais nada.
- Sim, mas o que tem de mais? – Continuei sem entender nada. Qual era o problema de Sasuke ser atualizado dos acontecimentos? Ele iria pagar por seus erros e traição, Itachi estava morto, Kakashi morreu.
- Vou sair e deixar vocês conversarem. – Naruto continuou. Já saindo.
- O que temos que conversar? – Fitei o moreno.
- Ele tentou te matar! – Gritou Sasuke, e eu recuei assustada. Nunca tinha o visto dessa forma. Não sei se um dia ele alterou a voz tanto assim.
Foi então que eu entendi. Gaara. Minha escolha. Agora fazia sentido. Naruto e sua boca grande. Se fosse Karin, tudo bem. Se gabar para me atingir, mas não. O loiro nunca controla sua mania de falar demais. No entanto, era melhor ele saber toda a verdade de vez. E não havia problema algum nisso, pensando bem.
Ele levantou da cama, arrancou o soro sem se importar e se aproximou rapidamente. Mesmo machucado ele é imponente. Segurou meus pulsos com força. Me assustei e recuei um passo, no entanto ele não me soltou. Vi que Naruto ameaçou entrar na sala, mas foi impedido por Juugo. Karin não sei como ainda não havia invadido o local com seus gritos escandalosos.
- Você também! – Gritei com todo o ar que tinha em meus pulmões. Estou esgotada física e emocionalmente.
Por um momento achei que ele iria avançar sobre mim. Mas me surpreendi ao constatar que não. Por milésimos de segundos pude ver surpresa em seus olhos. Ele me acha tão boba apaixonada a ponto de achar que eu iria esquecer daquele dia? O dia em que ele tentou acabar com a minha vida e a do Naruto, os idiotas que foram atrás dele para redimi-lo?
- Você tem razão.
- O quê? – Não acreditei.
- Eu disse que você tem razão.
Choque. Uchiha Sasuke estava mesmo concordando comigo? É isso? Acabou a discussão? Ele soltou os meus pulsos, só agora notei que eles estão doloridos e com marcas vermelhas na pele sensível.
- Sasuke.
- Eu já falei que entendi.
- Olha, o Gaara estava pior que você na triagem. Ele tinha mais chances de ter sequelas. Não foi como se fosse uma vingança por tudo que você me fez passar ou um capricho meu.
- Sério? – Riu sarcástico. Ele não acreditou.
- Claro que sim. Eu não tenho culpa que sua namorada médica não sabia te tratar. – Minhas palavras saíram amargas, quando notei já havia falado demais. Não queria que ele achasse que era tudo pela Karin. Não era. Afinal, era? Claro que não. Eu fiz um juramento. E na hora escolhi o Gaara, pela triagem ou não, foi ele quem meu coração mandou ajudar.
- Karin? Não importa. Você escolheu ele. Ele! Eu podia ter morrido! E você nem liga. Quem é você?
Um estalo foi ouvido. Sasuke me encarava com fúrias nos olhos, levando a mão até a região da face onde eu havia acabado de lhe acertar um tapa. Mas apesar da ira e confusão em seus olhos eu não me arrependi.
- Nunca mais fale o que você não sabe! - Comecei irada. Ele achava que era o que? Ele não tem noção nenhuma da besteira que fala. - Nunca mais! – Gritei.
Como o moreno não proferiu nenhuma palavra continuei.
- Eu te esperei. Te amei mais do que a mim mesma. Você também tentou me matar! – Não conseguia mais controlar as lágrimas que a todo custo saíram, a raiva e mágoa falavam mais alto. Ele pisou no machucado, onde não tinha nem ideia da extensão da ferida.
- Você tem noção do quanto eu ficaria destruída se você morresse? De como Naruto, Kakashi se estivesse vivo, nossos amigos e até Karin ficaria? Você acha que eu sou um monstro? – Gritava a todo fôlego, não me importo com os pacientes, não me importo com as pessoas que passavam no corredor – mesmo sendo poucas e a plateia ali.
- Eu preferia morrer a ver a sua morte. Ainda mais tendo que escolher. Eu não tenho culpa que os dois estavam machucados. Mas Gaara estava pior! Confiei em Ino e Karin pra te salvar. O Gaara morreu e ressuscitou! Você tem um mínimo de imaginação pra ver o quão complexo é isso?
Sasuke pareceu surpreso ao ouvir minhas últimas palavras. Droga. Falei além da conta novamente, ninguém além de nós que estávamos na sala, da família Sabaku e do próprio Gaara poderiam saber da velha técnica da Chiyo.
- Você gosta dele? – Foi tudo que ele perguntou. Fiquei chocada. Não acredito no quanto Sasuke é idiota. Céus, como eu consigo ainda amar uma pessoa assim?
- Para de ser egoísta, ele é meu amigo. Gosto dele. Mas a questão não é essa. Eu fiz um juramento, eu sou ética. Ele estaria morto!
- Eu poderia estar morto! – Uchiha estava, gritando?
- Mas não está! Qual é o seu problema?
- Você não é a mesma, Sakura! Se fosse anos atrás você explodiria até Tsunade para me escolher, independente de juramento e carreira.
- Realmente, as coisas mudam.
Nunca vi o Uchiha tão descontrolado. Ego ferido, raiva, infantilidade e egoísmo, não sei qual prevalece mais, qual é culpado das suas frases e ações. Eu realmente não me sinto culpada ou arrependida.
- Não me arrependo, e escolheria o Gaara de novo.
O Moreno se afastou e saiu, me lançando um olhar mais gélido que a neve, que gelo e brasa queimando a pele. Deixando-me aturdida e confusa com meus próprios pensamentos.
Final! O que acharam, gostaram?
Fiquei em dúvida, não foi meu capítulo preferido.
Mas está ai.
Logo logo o Gaara divo aparece! 3
E lembrando que, mesmo eu adorando o ruivinho lindo, essa fic também é SasuSaku. E o casal final ainda não está definido! Então vai ter mais alguns momentos com o Uchiha.
Beijos! Tentarei postar outro até domingo a noite.
