Esta historia não me pertence e muito menos as personagens.
História de Marion Mckenna e personagens de Rumiko.
Achei a historia muito gira e decidi que talvez ficasse bem no mundo de Inuyasha por isso comecei a passa-la. Espero que gostem
Nesta história não existiram Youkais ou Hanyous, apenas humanos, logo o Inuyasha tem cabelos negros e olhos castanhos como quando é humano.
PAIXAO CIGANA
Capítulo 1 e 2
-Que vês no meu futuro? Um marido rico e muitos filhos? – Perguntou Kagome Higurashi á sua grande amiga Sango, fixando os melancólicos olhos azuis sobre as cartas que repousavam no grande rectângulo de tecido felpudo estendido no chão.
-Talvez num futuro longínquo, porque no futuro próximo…
-Alguma coisa horrível? Então não me digas. Acho que tenho medo de conhecer o destino.
-Pronto, então não te digo mais nada. – Obedeceu Sango, começando a ordenar o baralho.
-Não estava a falar a serio, continua a ler as cartas – Apressou-se a dizer Kagome – Afinal, como tu dizes, ate o tarô se pode enganar.
-Sobretudo em mãos pouco experientes como as minhas – Respondeu a jovem, entre risos.
-Mas és cigana, alguma coisa deves saber.
-Só de ouvir a minha avó. Às raparigas costumam ensinar esta arte quando fazem quinze anos.
-Falta-te pouco.
-Menos de dois meses.
-És tão nova – Riu-se a rapariga.
-Pois sou só quarenta dias mais nova que tu – Retorquiu Sango, um pouco agastada.
-Não te aborreças – Disse Kagome – E diz-me o que anuncia esse horrível naipe sobre o meu futuro.
-É a torre, uma carta difícil… Haverá mudanças drásticas na tua vida e tudo o que te dava segurança desaparecerá.
-E esta aqui?
-Essa é o presente.
-Gosto dos desenhos. O casalinho parece feliz.
-Os amantes. Terás um amante, Káh.
-Então diz-me como será ele – apressou-se a pedir a sonhadora Kagome que passava os dias a ler romances de amor.
Sango retirou as cartas da mesa, juntou-as ao resto do baralho e voltou a baralhar com a mão segura, colocando o monte em frente da amiga.
-Parte em três – Indicou.
Kagome obedeceu. Sango pegou então nos três conjuntos, misturou-os novamente, distribuiu as cartas sobre o tapete verde e pediu a Kagome que lhe desse uma.
Ao olhar a carta escolhida, os seus olhos brilharam.
-O rei de copas, querida, está muito bem.
-Não percebo.
-Terá dinheiro, será apaixonado e com cabelo escuro. Apegado á terra, paciente e sensual. E, cuidado, este rei é do mais rancoroso que existe.
-É como se o estivesse a ver. Só falta que me digas o nome – Comentou Kagome, não brincadeira.
-Mais respeito, rapariga. Nunca tomes o destino de ânimo leve – Respondeu a improvisada pitonisa.
-Obrigada. Gostei muito
-Então agora tens que pagar.
-Quanto?
-Algo simbólico, porque uma cigana que se preze deve sempre receber algo quando diz a sina, pois caso contrário perde os seus dons.
Kagome rebuscou nos bolsos, sabendo de antemão que não iria encontrar dinheiro.
-Tem de ser dinheiro? Posso dar-te uma prenda?
-Acho que sim. Nunca me ocorreu perguntar isso á avó Yura.
Então a rapariga retirou um belo anel de prata com ametistas que trazia no anelar direito e deu-o a Sango.
-Sempre gostaste dele…
-Não, não posso aceita-lo. É muito valioso e tu gostas dele.
-Fica-te bem e já há tempos que to queria dar.
Kagome agarrou na mão morena da amiga e pôs-lhe o anel. Os olhos da cigana brilharam por instantes.
-Á nossa eterna amizade.
-Não duvides que será eterna – acrescentou Sango.
Entardecia, as aulas já haviam terminado há muito, mas elas tinham ficado no pátio a conversar.
Nenhuma das duas era bem-vinda no lar da outra, por isso costumavam reunir-se ali, em baixo de uma frondosa arvore, a árvore da memória eterna.
A recordação daquela tarde longínqua entristeceu Kagome. Desde então tinham passado sete terríveis anos e ela já não conservava nenhuma ilusão da adolescência passada.
Quem dera que a vida não a tivesse separado da sua querida amiga Sango e da sua terra.
Mas não voltava por um motivo alegre, e sim para acompanhar o pai na sua dor. Havia dois dias que havia enterrado a mãe que falecera após uma doença prolongada.
Agora que tinha partido para sempre, já não lhe guardava rancor, embora tivesse preferido não estar com ela nos últimos momentos. Para quê contar-lhe quanto a tinha feito sofrer o homem com quem a mãe a obrigara a casar?
O comboio em que Kagome viajava atravessava velozmente campos e vales.
A paisagem era lindíssima, mas o coração da rapariga estava de luto e os seus pensamentos regressavam insistentemente ao passado, aquele passado em que fora tão feliz.
Também pensava no pai, nas dívidas que acumulara durante os últimos tempos, na situação desesperada em que se encontrava. Naraku Higurashi, um rico herdeiro acostumado a não se privar de nada, não aguentaria passar a velhice na miséria.
Mas Kagome já lhe tinha dado o pouco que herdara do marido, e, a menos que a herança de sua mãe fosse suficiente, não sabia como havia de conseguir salva-lo da pobreza.
O homem tinha-lhe confessado na sua ultima carta que se preparava para vender a espectacular mansão onde ela tinha vivido quando pequena.
Como alguém tão inteligente como ele tinha chegado a tal situação?
Preferia não saber, mas suspeitava que o jogo e as mulheres tinham sido a perdição de Naraku Higurashi. Kagome tornou a recordar a tarde em que sua amiga Sango lhe tinha deitado as cartas.
As duas conheciam-se desde a infância. Tinham gostado muito uma da outra, embora as respectivas famílias não consentissem aquela amizade.
Aparentemente eram muito diferentes uma da outra como o dia e a noite, mas tinham algo em comum, algo impossível de descrever por palavras, uma certa qualidade espiritual que as colocava mais perto dos anjos do que dos seres humanos.
Kagome era descendente de ingleses. Cabelo negro como a noite, esbelta e delicada, os seus pais asseguravam que ela tinha sangue nobre nas veias e queriam que ela se desse com pessoas da alta sociedade. A origem de Sango era muito diferente. Tinha algo de árabe e muito de andaluza. Os seus antepassados tinham percorrido de carroça toda a Europa, mas os seus pais, mais modernos, tinham-se radicado na América.
No entanto, continuavam a ser ciganos. Viviam num grande casarão sem móveis, adornado unicamente com caros tapetes persas. Dormiam em colchões e sentavam-se em almofadas de seda coloridas.
Usavam roupas típicas e preferiam ter pouco contacto com pessoas que não pertenciam á sua comunidade. Mas tinham mandado os seis filhos para a escola, a fim de aprenderem a ler e a escrever.
Os dois menores, Sango e Inuyasha, eram inteligentíssimos. Sango destacava-se mais, provavelmente por ser extrovertida. Pelo contrário, Inuyasha, era calado e solitário. Sofria em silêncio o facto de ser diferente dos outros
Durante os seus anos de estudante estivera sempre na defensiva. Provavelmente por isso nunca era convidado para as festas dos seus companheiros.
Sango tinha orgulho neste irmão que era quase cinco anos mais velho do que ela e que a tratava como se fosse um tesouro.
«Matarei qualquer um que se meta contigo», dissera ele quando ela fizera doze anos.
No dia seguinte, Sango, chorosa, contara isto a Kagome, pois receava que o temperamento do seu irmão afastasse todos os pretendentes.
Talvez tenha sido nesse momento que Kagome se começou a interessar por ele. Ela não tinha irmãos e sentia a falta de alguém que a protegesse.
-Sei tomar conta de mim, Inuyasha. Talvez um dia destes me convidem a ir ao cinema, como fazem todas as raparigas – Tinha-lhe dito Sango nessa ocasião.
-Tu não te juntarás a nenhum deles porque és cigana, minha irmã. Sabes muito bem que um dia destes te apresentarão a um dos nossos para que cases – Tinha sido a resposta firme do jovem.
Quanto tinha custado a Sango convencer os seus de que o destino era outro? Kagome supunha que muitíssimo. No entanto, a rapariga tivera mais sorte do que ela, pois conseguira chegar á universidade, fizera-se médica e vivia em Nova Iorque.
Inuyasha, por outro lado, tinha ficado na aldeia. Fizera fortuna instalando várias casas de jogo nos arredores de Shikon e continuava solteiro.
Claro que nunca tinha contado isto ao pai, que se recusava a mencionar o nome do homem que, erradamente, ele pensava ter desonrado a sua filha.
Foi uma antiga vizinha que casualmente encontrou no Canadá quem lhe revelou quanto se havia modificado o tímido Inuyasha desde que ela desaparecera da sua vida.
«Agora está rico e altivo», tinham sido as palavras de Eri Tomoeda. «Mandou construir uma casa que parece um castelo nos arredores da aldeia e, segundo contam, vive ali com um harém de ciganas e uma avo velha que trouxe de Espanha. Em Shikon todos têm medo dele e eu não queria tê-lo como inimigo»
Kagome esperava que Inuyasha não lhe guardasse rancor, embora suspeitasse que isso era quase impossível. Ansiava encontra-lo e contar-lhe a razão por o ter deixado.
-Shikon. Vamos parar dentro de cinco minutos – gritou o guarda.
Kagome olhou pela janela á procura do pai.
Era evidente que o senhor Higurashi não estava á espera dela. Kagome ficou hesitante, não sabendo se devia esperar ali algum tempo ou dirigir-se directamente a casa. Teria ele recebido o telegrama? Ou o bom homem pensava que ela vinha no comboio da noite?
-Boa tarde menina. Precisa de alojamento? – Perguntou-lhe uma velha muito mal vestida.
-Não, obrigada, tenho casa aqui.
- Pois não me recordo de si. Como se chama?
-Kagome Higurashi.
-A filha da falecida. Então, seja bem-vinda – Disse-lhe a desagradável velha, com uma expressão malévola no seu estranho rosto.
-Obrigada – respondeu a rapariga, agarrando nas malas e começando a andar, dirigindo-se para o quiosque de lotaria onde, com certeza, o velho Totousai estaria a vender os escassos dez bilhetes que os habitantes de Shikon lhe compravam todos os meses.
Enquanto caminhava, Kagome apercebeu-se de que a velha cantarolava num idioma estranho.
Finalmente chegou ao quiosque, mas em vez de Totousai viu um bilhete que dizia; «Venda de lotaria das 12 ás 18 horas».
As ruas pareciam desertas e não havia ninguém pelas redondezas. A sua única alternativa era ir a pé, embora tivesse um longo caminho a percorrer.
Recordou a última vez em que tinha estado naquela estação. Tinha quinze anos e estava sob o efeito de narcóticos. Para a poder levar sem resistência para o internato, a mãe pusera-lhe na comida comprimidos para dormir. Recordava vagamente ter chegado de automóvel e de caminhar apoiada no pai.
-O miserável não te terá engravidado? – Insistia a mãe, uma e outra vez.
-Já te contei tudo o que se passou entre nos. Não chegamos a nada, mamã. Deixa-me em paz!
-Eu não vou ter paz, Kagome. Enganaste-me e manchas-te o bom nome da família. Misturaste-te com quem não te merece.
-Chega! Cala-te!
-Daqui a pouco já ficas longe de mim e não terás que suportar os meus comentários. Ficarás só a ouvir a voz da tua consciência.
-Que sabes tu da minha consciência?
-Sei muito porque sou tua mãe.
-Então devias saber que amo o Inuyasha e que mais cedo ou mais tarde vou casar com ele.
-Não me faças rir. – Dissera a mãe.
-Ris do amor porque nunca o conheces-te, mãe.
-Como podes estar tão certa disso?
-Alguém que pensa dessa forma nunca poderá ter-se entregado completamente a outra pessoa.
E foram assim a discutir durante dez horas de viajem. O senhor Higurashi calava-se, como sempre fazia junto á mulher.
Passados poucos dias, Kagome ingressava num chamado «colégio de meninas», que parecia mais uma prisão que um colégio.
Um ano mais tarde, a mãe deu-lhe a opção de se casar com Onigumo Takeda, um amigo da família com mais trinta anos que ela, dono de uma cadeia de hotéis.
-Estás marcada, Kagome – dissera-lhe a mãe para a convencer. – Esta é a oportunidade de te casares como uma mulher decente e viver como uma rainha. O homem é rico, generoso e gentil. Estou certa de que te fará feliz.
A princípio, Kagome, recusou, mas Onigumo foi visita-la ao colégio e fez-lhe a proposta.
Tinha cabelos negros grisalhos e olhos negros assustadores, frios mas belos.
-A tua mãe disse-te que desejo casar contigo?
-Sim.
-E tu que achas?
- Eu acho que sou muito nova para me casar.
-Mas já tiveste noivo – disse o homem, pronunciando a palavra noivo com uma entoação ofensiva.
-Isso foi no ano passado.
-Continuas a gostar dele?
-Prefiro não responder.
-Porque se estás apaixonada por ele, podemos fazer uma combinação.
-Uma combinação?
-Casas comigo e continuas a vê-lo.
-Não percebo.
-É simples, minha querida. Na prática não poderei ser teu marido. Entendes? Sabes a que me refiro?
-Acho que sim – respondeu ela.
-Há alguns anos tive um acidente que me deixou incapacitado como homem.
-Então para que quer casar comigo? – Perguntou Kagome.
-Sou uma pessoa publica e até ao momento consegui ocultar a minha condição, mas já se começam a ouvir rumores. Não quero que as pessoas saibam da minha incapacidade. E uma jovem bela como tu ajudar-me-ia a ganhar o respeito de todos.
-Mas não posso casar com alguém que não conheço, alguém que não amo. – Protestara ela.
-Podes sim. Quando fizeres dezoito anos divorciamo-nos e poderás casar com esse rapazito que tanto amas. Entretanto, poderás encontrar-te com ele sempre que quiseres desde que sejas discreta. É melhor que aceites, de outra forma ficarás aqui fechada durante três anos, até a maioridade, e quando saíres ele já te terá esquecido.
-Preciso de pensar nisso.
-Daqui a quinze dias quero uma resposta.
Ela, ingenuamente, aceitara. Tinha querido falar antes com Inuyasha, pedir-lhe opinião. Mas sabia que lhe interceptavam as cartas, pois nunca tivera resposta ás missivas que lhe enviara ao longo daqueles meses.
Onigumo prometera-lhe que, assim que se casassem, viajariam juntos ate Shikon e a deixaria entrar em contacto com Inuyasha. Ela explicar-lhe-ia a situação e haviam de conseguir encontrar-se, embora o casal passasse a maior parte do tempo no Canadá.
Mas tudo fora um vil engano. Após a cerimónia, Onigumo levara-a para fora do país e nem sequer a deixara visitar os pais.
Na realidade, mantinha-a fechada, permanentemente vigiada por uma empregada.
A principio, Kagome pensara que conseguiria divorciar-se facilmente ao atingir a maioridade, mas a primeira vez que o insinuou, o marido agrediu-a com força até a deixar quase inconsciente.
Não era a primeira vez que a maltratava nem seria a única.
-Terás de me matar para te livrares de mim, maldita – dissera-lhe ele – Ou então, morrer, para poderes sair desta casa. Comprei-te e agora pertences-me.
-Podes ter comprado um casamento, mas não me compraste a mim. Nunca gostarei de ti. Amava Inuyasha mas nunca me deitei com ele – defendera-se a frágil rapariga, enquanto se esquivava dos golpes.
-Pois não é isso que consta, mas nem sequer me vou dar ao trabalho de verificar, já que não posso fazer eu mesmo.
-Juro-te.
-Pois então, pior pra ti, pois vais continuar virgem durante muito tempo.
Kagome lembrara-se de pedir ajuda ao pai, mas receava que Onigumo fosse capaz de cometer algum crime violento. Confiar na mãe era inútil, pois a senhora Higurashi venerava o genro e não iria acreditar em nada de negativo sobre ele.
Também não podia contar com Inuyasha, que nessa altura devia pensar que ela o tinha abandonado e traído. Portanto, aos dezasseis anos, Kagome teve de aceitar o facto de estar só, longe da sua casa e a mercê de um desequilibrado.
Lamentavelmente Sango dissera a verdade ao ler-lhe a sina, pois tudo o que lhe dava segurança tinha desaparecido da sua vida.
«O pior já passou», pensava agora Kagome, á medida que se aproximava do seu antigo lar.
Com vinte e dois anos sentia-se uma velha. Inuyasha agora deveria estar com os seus vinte e sete e deveria estar lindo.
Cansada de carregar as malas e os pensamentos, deteve-se depois de ter percorrido seis ruas. Então um automóvel travou ao seu lado e um rapaz desenvolto convidou-a a entrar com delicadeza.
-Desculpa, queres que te ajude? Essa bagagem é muito pesada para ti. Entra que eu levo-te.
-És muito amável, mas já falta pouco – agradeceu a rapariga com um sorriso forçado.
-Se é isso que te preocupa, comportar-me-ei como um cavalheiro.
-Não tenho dúvidas sobre isso.
-Espera… és a Kagome Higurashi, não é verdade?
-Sou. Conheço-te?
-Claro. Sou Miroku Houshi, fomos colegas no preparatório. Os meus pêsames pela tua mãe.
-Obrigada. Estás muito mudado, Miroku. Tinhas o cabelo mais curto e…
-E era muito mais gordo, não é verdade?
-Bem, a mudança favorece-te – reconheceu a rapariga, delicadamente.
-Agora que já sabes quem sou, deixas que te leve a casa?
-Claro e confesso que é um alivio. O que aconteceu? Porque é que as ruas estão tão desertas?
-Já te vais inteirar das mudanças que houve desde que partiste. É verdade que estás casada?
-Enviuvei há seis meses.
-Lamento.
Kagome teve de se conter para não confessar que enviuvar foi o melhor que lhe acontecera desde o casamento, embora tenha sido horrível ocupar-se do seu terrível marido durante a prolongada doença.
Ela tinha tratado dele com dedicação sem, contudo, ter algum sentido de reconhecimento dele.
Talvez Onigumo pensasse que ela estava á espera da herança. Mas Kagome sabia perfeitamente que o marido tinha feito o testamento a favor da sua única irmã, deixando-lhe apenas uma pequena propriedade em muito mau estado.
No mesmo dia e que Onigumo morrera, a irmã pedira-lhe para abandonar a casa pois já tinha comprador para ela.
Nada deixou mais feliz a jovem do que sair daquela casa. Telefonou ao pai que se mostrou de acordo em que ela regressasse á casa familiar e lhe fizesse companhia depois da morte de Kaguya Higurashi.
-É aqui, não é? – Perguntou Miroku, parando o carro á frente da mansão dos Higurashi.
-Foste muito amável em me trazer, Miroku. Não te convido a entrar pois nem sequer sei se o meu pai está em casa, mas não faltará oportunidade.
-Será um prazer. – Assegurou Miroku, galante.
Kagome tocou á porta com timidez. Esperou quase dez minutos e depois insistiu com determinação. Alguém começou a praguejar. Kagome tremia.
-Quem é? – Perguntou finalmente o homem que pronunciava as palavras com dificuldade.
-Sou eu, a Kagome.
Passado pouco tempo a porta abriu-se. Então Kagome pode ver o pai, que, com dificuldade, passava a mão pelo cabelo.
-Porque não avisaste que vinhas?
-Enviei um telegrama ontem á tarde. Julguei que o tinhas recebido.
O homem fez um esforço de concentração. Muita gente tentara contactar com ele durante os últimos dias mas ele não atendera ninguém.
Após o enterro encerrara-se no grande casarão com varias garrafas de uísque, disposto a brindar ao espírito da falecida ate perder a noção do tempo.
Naraku Higurashi não tinha sido particularmente feliz ao lado da mulher, mas sabia que nenhuma outra teria suportado as suas ausências e infidelidades como a orgulhosa Kaguya Higurashi.
Ocupava-se muito de Kagome e, sendo uma mãe severa, desejava o melhor para a jovem, embora ele pensasse que ela se tinha equivocado ao casa-la com um homem velho que vivia tão longe de Shikon.
Nunca concordara com tal união, mas Kaguya era quem tomava todas as decisões que diziam respeito á filha. Provavelmente o facto de a ter encontrado na cama com o cigano fora uma coisa tão terrível que só passara quando a vira vestida de branco frente ao altar. As poucas vezes que tinham viajado ao Canadá para a visitar tinham notado que a rapariga estava demasiado calada, provavelmente ressentida com a mãe e também com ele.
E agora, depois de tanto tempo, Kagome estava outra vez em Shikon.
-Entra, vais encontrar tudo numa desordem mas cá nos arranjamos – disse Naraku com um gesto afectuoso.
-Não te preocupes, papá. É natural que não tenhas tido disposição para tratar das coisas.
No entanto, e apesar destas palavras, Kagome tentou ocultar a impressão que lhe tinha causado o aspecto deteriorado da casa e do seu próprio pai.
A casa estava na penumbra e o pó tinha-se acumulado sobre os majestosos móveis de cedro e as teias de aranha abundavam em todos os cantos.
Dezenas de copos sujos amontoavam-se sobre a mesa do bar e algumas garrafas vazias davam conta do novo hábito do pai.
-Despediste todos os empregados?
-Eles é que se despediram, Káh. Há mais de três meses que eu não lhes pagava.
-A mamã tinha a sua própria conta bancária. Esse dinheiro chega para pagar a hipoteca da casa?
-Esse dinheiro agora é teu e mesmo que o usassemos para pagar a hipoteca não chegaria.
-A divida é assim tão grande?
O senhor Higurashi não respondeu. Limitou-se a encolher os ombros.
Kagome não disse nada. Agarrou nas suas coisas e começou a subir as escadas rumo ao quarto. Ali tudo se encontrava como ela tinha deixado. Quando abriu a porta do roupeiro, os olhos encheram-se de lágrimas pois lá estava o vestido de festa que tinha usado na noite dos seus quinze anos, quando se apaixonou por Inuyasha.
Deixou a porta do roupeiro aberta e recostou-se na cama, começando a recordar o que tinha acontecido na semana anterior á festa.
A sua falta de interesse para a realizar, quão difícil fora fazer com que a Sango fosse, e, finalmente, a paixão entre ela e o rebelde e terno Inuyasha.
Aquele Inuyasha que certamente já não era o mesmo.
Aquele Inuyasha que tanto amara.
CONTINUA
