Esta historia não me pertence e muito menos as personagens.

História de Marion Mckenna e personagens de Rumiko.

Achei a historia muito gira e decidi que talvez ficasse bem no mundo de Inuyasha por isso comecei a passa-la. Espero que gostem. No final deste capitulo direi os nomes que estão no livro referente a cada personagem do anime.

Nesta história não existiram Youkais ou Hanyous, apenas humanos, logo o Inuyasha tem cabelos negros e olhos castanhos como quando é humano.

PAIXAO CIGANA

Capítulo 9 e 10

Levar o pequeno-almoço aos quartos, classificar livros da biblioteca, fazer a lista de compras semanais, receber as chamadas telefónicas e ajudar as raparigas a aperfeiçoar o seu inglês, foram algumas das diversas tarefas que Kagome levou a cabo na sua primeira semana de trabalho.

Felizmente, escolher a roupa de Inuyasha não passou a fazer parte dessa lista, já que – depois da desagradável cena do primeiro dia, o seu ex-noivo não lhe voltara a pedir tão embaraçoso serviço.

A principio, Kagome pensou que não aguentaria com tanto trabalho, mas foi tomando gosto á incessante actividade e acabou por gostar de desempenhar aquelas tarefas.

Sobretudo ensinar inglês às raparigas dava-lhe grande prazer, já que as ciganitas eram alegres, inteligentes e afectuosas, se bem que indisciplinadas.

-Esborracho-te o nariz se voltares a usar os meus colares – foram as palavras de Kanna, a mais velha, enquanto arrancava uma cadeia de prata com seis corais do pescoço da pequena Koharu.

Estavam em plena aula de inglês e a miúda, depois de morder a mão da sua agressora, começou a insulta-la na sua língua.

-Chega, meninas. De não prestam atenção nunca poderão ir á rua sozinhas, sem um tradutor que vos acompanhe. Não gostariam de ir comigo a uma praia, por exemplo, e conversar com as pessoas se fossem verdadeiras cidadãs americanas?

Esta ultima proposta acalmou os ânimos das jovens, se bem que Kanna tenha feita um gesto ameaçador á travessa Koharu.

Evidentemente que todas aquelas jovenzitas precisavam de aprender boas maneiras, mas era natural que assim fosse já que haviam sido educadas pela tal tia Kagura, mãe de Kikyou, a noive de Inuyasha.

Nessa altura já Kagome sabia toda a verdade… ou pelo menos parte dela.

Aquela história do harém tinha sido um boato lançado por algum invejoso, já que todas as raparigas que viviam na mansão Taisho eram simplesmente irmãs e primas de Kikyou, uma ciganita de vinte e dois anos, muito bela, que Inuyasha conhecera na terra dos seus avós. Kikyou não tinha pai e todos os seus irmãos varões tinham partido para trabalhar na cidade.

No total eram seis irmãs e com ela viviam quatro primas que tinham ficado órfãs muito novas.

Dez mulherzitas entre os doze e os vinte anos que conviviam na casa de Inuyasha Taisho havia catorze meses. Se tivessem ficado na Europa talvez tivessem acabado por casar com algum velho, pois só as mulheres com dote podiam aspirar a um varão esbelto e são.

Mas graças ao seu protector haviam escapado a essa fatalidade e, de momento, também ás responsabilidades do matrimónio.

Inuyasha, entusiasmado com Kikyou, propusera á velha levar as dez raparigas para sua casa na América, comprometendo-se a dar um dote a cada uma delas para que pudessem casar na Europa quando fizessem dezoito anos. Claro que a velha vira uma boa oportunidade para si mesma, pois até Inuyasha a retirar da aldeia, tudo tinha sido miséria.

Entre a sua gente tinha fama de bruxa, mas apesar de tudo as filhas e sobrinhas gostavam dela, pois dava-lhes completa liberdade. Quando Inuyasha as conhecera, atravessava o pior momento da sua vida.

O pai e a mãe tinham falecido no espaço de um ano e meio, a irmã mais nova exercia medicina noutro estado, os irmãos mais velhos cuidavam das suas próprias famílias e ele tinha mandado construir uma casa onde sentia medo de viver.

Foi então que viajou para a Europa, para procurar uma noiva tão cigana como ele. Kikyou foi a eleita.

Para Kikyou, Inuyasha era atraente, mas a sua conversa aborrecia-a. Não lhe interessavam os negócios nem os problemas emocionais do seu noivo, só os seus cálidos braços e as prendas que lhe oferecia.

Durante os primeiros meses, Kikyou estivera muito contente na mansão. Mas Inuyasha, a princípio por ciúmes e depois por falta de atenção, mantinha-a prisioneira naquele sítio, como um pássaro numa gaiola de ouro. Ultimamente, a rapariga tinha discutido com a mãe pois desejava voltar á sua terra.

-Estás louca, rapariga! Queres que tornemos a viver como dantes? Já te esqueceste do que é deitares-te de estômago vazio, ou sair para plantar tomates às três da manha?

-Ele é bom, mãe, mas aqui estamos sós. Sinto a falta dos nossos amigos, das festas…

-Tu sentes falta de outra coisa e vais senti-la o resto da vida.

-Que eu saiba não é pecado desejar.

-Não é, mas este será melhor marido que o outro.

-Claro que sim, mas é do outro que eu gosto.

-E que te oferecia ele? Uma tenda suja em que mal poderias criar um filho por ano.

-A mãe fala assim porque se casou com o homem que amava.

-Assim foi. Mas deixemos de lado os teus problemas de amor, pois temos um mais grave para resolver.

-Qual é?

-Essa governanta que o teu noivo contratou.

-A morena? O que é que tem?

-Não sabes que foi noiva de Inuyasha?

-E que faz aqui?

-Isso é o que tu devias averiguar.

-Vou faze-lo, mãe. Não gosto que toquem no que me pertence.

-Assim está muito melhor. Talvez gostes mais dele do que pensas. Ás vezes, uma mulher só sabe que está apaixonada quando outra lhe tira o que ela julgava estar muito seguro.

-E acha que é isso que pode acontecer?

-Não sucederá enquanto eu viver nesta casa.

-Já lhe pedi que não se meta com as suas magias, mãe. Se um homem me quiser, tem de me querer a mim e não às suas poções.

A velha calou-se. Temia que a presença de Kagome arruinasse os seus planos. Kikyou tinha, até ao momento, tomado precauções para não engravidar.

Mas uma criança mudaria tudo pois ela assim teria direito de exigir ao homem que casasse e cumprisse a lei. Tinha que instruir correctamente a filha e marcar um encontro para um dia fértil. Por nada do mundo estava disposta a perder um genro como aquele. Entretanto, ela própria se encarregaria de fazer a vida negra à morena de olhos azuis. Talvez conseguisse assusta-la e fazer com que se fosse embora.

Mas a rapariga inglesa era forte de espírito, reconhecia Kagura. Era forte e estava louca pelo seu futuro genro.

-Senhora Kagura, o jardineiro magoou a mão e não conseguimos parar a hemorragia – Disse Kagome.

-Tragam-no cá imediatamente.

-Está à porta. Chamo um médico?

-Então diz-lhe que entre – disse a cigana.

O homem, mortalmente pálido, sentou-se e estendeu a mão tapada com a camisa ensanguentada.

-Bom torniquete, mas insuficiente – sentenciou a velha e saiu da cozinha dirigindo-se ao seu quarto. Minutos mais tarde, voltou a entrar trazendo uma grande caixa.

Dentro dela podiam ver-se montes de francos com ervas, pós e estampas coloridas.

Kagome, sem saber muito bem porquê, estremeceu quando a velha abriu a caixa. Mas mais impressionada ficou quando a velha retirou o garrote ao homem, destapou o frasco com cheiro a leite coalhado e, polvilhando uma espécie de farinha sobre a ferida, pronunciou umas estranhas palavras. A farinha tingiu-se de vermelho e pouco depois a hemorragia parou.

Kagome pensou se aquilo não poderia provocar uma infecção ao pobre homem e, nesse instante, como se lhe tivesse lido o pensamento, a velha disse:

-Tu, que és jardineiro, trata-te de duas em duas horas com aloé. Isso fará com que a ferida cicatrize,

-Obrigado, senhora – Disse o homem.

-Estás a olhar para onde? – Gritou a velha para a desconcertada Kagome. – Nós cá não precisamos dos teus médicos para curar pessoas.

A rapariga ficou admirada pois estava precisamente a considerar a hipótese de chamar um medico para examinar o jardineiro. Mas nessa altura recordou-se de Sango. Segundo a sua antiga amiga, a medicina cigana era excelente.

"Talvez tenha sido eu quem chamou Sango com os meus pensamentos", especulou semanas mais tarde Kagome, quando a sua amiga chegou inesperadamente à mansão do seu irmão para pedir ajuda.

"Foi uma sorte eu ter presenciado o que aconteceu", disse naquele momento a jovem, pois Sango tinha desafiado terríveis perigos para se encontrar com Inuyasha e a única coisa que obtivera dele fora uma dolorosa e sincera ameaça de morte.

Chovia torrencialmente e todas as mulheres da casa dormiam. Todas menos Kagome, que esperava a chegada de Inuyasha, oculta atrás das cortinas do seu quarto, com o olhar fixo no lugar onde ele costumava estacionar o Mercedes vermelho, nunca antes das quatro da manhã.

O seu quarto ficava num ponto estratégico da casa, pois dali podia observar-se perfeitamente quem entrava e saia, e também saber em que quartos superiores se apagavam as luzes.

Nesse dia, Inuyasha tinha chegado mais cedo do que o costume. Provavelmente tivera pouco trabalho.

Kagome viu-o sair do pequeno parque de estacionamento, empapado em água e sem guarda-chuva. Preparava-se para correr as cortinas e ir dormir quando reparou que estava a acontecer algo fora do vulgar.

O homem ia subindo as escadas que davam para a mansão quando uma sombra, até ao momento escondida entre as árvores, se interpôs no seu caminho e falou com ele.

A jovem governanta esteve prestes a soltar um grito, mas teve o bom senso de se conter. Pela estatura física a sombra pertencia a uma mulher completamente vestida de preto.

A mulher tentava conversar com Inuyasha. Mas o homem, deduziu Kagome, não quis escuta-la, uma vez que a empurrou violentamente, fazendo com que ela caísse de costas no chão.

Da janela era impossível escutar o que diziam. Então Kagome abriu a janela e espreitou com cuidado. O que ouviu despedaçou-lhe o coração.

-Nunca deverias ter vindo a minha casa. Tu já não tens família.

-Inuyasha, pelo menino… - Suplicava ela.

-Quero lá saber do teu bastardo.

-Tem o teu sangue…

-E suponho que também o meu apelido.

-Supões mal. Kuranosuke reconheceu-o.

-Reconheceu-o e pôs-se a andar ao mesmo tempo.

-Transferiram-no. A princípio escreveu-me. Depois mudou-se e perdi o seu paradeiro.

-Fugiu de ti, queres dizer. Mas não me interessa.

-Mas digo-te que vou presa, não tenho com quem deixar o menino.

-Deixa-o num orfanato. Esse é o sitio para onde vão as crianças que não têm família.

-Como podes ser tão cruel?

E ao pronunciar estas palavras o lenço escuro que tapava a casa da mulher caiu.

Kagome reconheceu Sango, a sua amiga.

-Devia matar-te – Acrescentou Inuyasha.

-Pois então mata-me. Se tenho de ir para a prisão e o meu filho vai ficar em mãos estranhas, prefiro estar morta do que sofrer tamanha dor.

-Tens muitos irmãos. Vai tentar a sorte com outro.

-Tu sempre foste o melhor.

-Mas mudei, Sango.

-Por causa dela?

-Que diabo me importa ela? Vive aqui, aqui mesmo. Agora é minha empregada e sinto por essa desgraçada tanto afecto como pelo seu cão.

-Dizes que Kagome vive aqui?

-Não te atrevas a procura-la porque farei com ela o que devia ter feito quando regressou.

-Seria perfeito. Um crime duplo. Matas a tua irmã e a tua ex-amante. Assim, a tua honra fica lavada.

-Ouve-me – Gritou ele, furioso, abanando-a. – Para mim as duas estão mortas há muito tempo, é como se estivesse a falar com um cadáver e se não desapareces imediatamente da minha casa direi ao segurança que dispare contra uma intrusa.

-Então vou-me embora, mas o que se passar com Ash vai pesar-te na consciência.

-Olhos que não vêem…

-Julguei que eras bom.

-Pois não sou – foram as últimas palavras de Inuyasha.

A mulher, empapada em água, sentou-se num degrau e começou a chorar. Do seu quarto Kagome conseguia ouvir os gemidos. Então, sem pensar, abriu a janela toda e saltou para o jardim. Estava em camisa de dormir e descalça. Aproximou-se silenciosamente da sua amiga.

-Sango. Aqui estou.

Sango levantou a cabeça e cravou os seus olhos no rosto meigo de Kagome.

-Ele disse que estavas aqui mas pensei que mentia.

-Pois vês que é verdade.

-E que fazes?

-Depois te conto. Vem comigo antes que nos descubram.

E Kagome conduziu Sango até á janela do seu quarto. Ajudou-a a tomar balanço paras trepar e, passados minutos, já ambas estavam a salvo.

No entanto, ao correr a cortina, Kagome reparou que no quarto da tia Kagura havia luz.

"Está a espiar-nos", pensou.

Chegou então o momento de abraçar a sua amiga e de chorar as magoas que tinham atingido ambas durante aqueles sete anos de separação.

-Que te aconteceu? Porque dizes que vais presa? – Perguntou Kagome.

-Descobriram-me no hospital a tratar uma criança com um emplastro de ervas. Havia algum tempo que eu usava os meus próprios medicamentos quando um caso se tornava difícil e muito gente sabia mas… não o director. O miúdo curou-se mas começaram a investigar e convenceram a família do rapaz a apresentar queixa e eu, ao saber que me tinham acusado de negligencia médica, fugi com o Ash.

-Eu sabia que tinhas tido um filho. Onde está ele?

-Em casa de uns antigos vizinhos. Eu sabia que a Shima trataria dele durante algumas horas e que seria discreta. Mas se a cunhada dela souber, amanha toda a gente sabe que estou aqui e a Policia virá buscar-me. Estou desesperada, Kah. Que será do meu menino se eu for presa? Quem cuidará dele?

-Eu cuido, querida – Prometeu Kagome. – Mas talvez tenhamos uma ideia melhor para nao ficarem separados. Queres ir busca-lo agora?

-Estás louca? Se o Inuyasha nos descobre até pode matar-nos. Conheço bem o meu irmão e seu quando fala a sério.

-É verdade que com uma criança será difícil, se bem que…

No rosto de Kagome viu-se um sorriso, expressão que Sango sabia interpretar perfeitamente.

-Em que estás a pensar? Diz-me.

-Ouve, a quinta do teu irmão é muito grande e tem alguns sítios secretos que talvez nem ele mesmo conheça. Perto do rio, a quinze metros do caminho, existe uma pequena cabana que deve ter sido usada em tempos por pescadores. Pode ser que alguém a utiliza no Verão, mas com este tempo duvide que haja alguém que se aventure até lá.

-Sei o que estás a imaginar.

-Melhor. Iremos agora mesmo investigar.

-Com esta chuva?

-É mais seguro. Talvez amanha o Inuyasha venha revistar o meu quarto. Levaremos o mínimo de coisas, roupas e fósforos. Tu ficas escondida e eu mando um amigo buscar o menino. Se tudo correr bem, amanhã ao meio-dia mostrarás ao Ash o novo lar.

-Acho que estás maluca, mas não tenho alternativa.

-Vai correr tudo bem. Confia em mim.

-Sempre confiei.

E então Kagome desatou a chorar como uma criança nos braços da amiga, enquanto repetia uma e outra vez:

-Obrigada pelo que disseste. És a única pessoa que não me condenou.

Miroku Houshi portara-se como um verdadeiro amigo. Numa secreta conversa telefónica Kagome contara-lhe o sucedido e o rapaz, largando as suas obrigações, levara a criança até á cabana do rio, deixando-a a salvo nos braços da sua angustiada mãe.

Também tivera o bom senso de carregar o carro com lenha, velas, leite em pó, cereais, frutos e outros artigos de primeira necessidade de que a fugitiva necessitaria enquanto ali estivesse.

Sango ficara impressionada com a gentileza daquele cavalheiro a quem recordava como um rapaz obeso. O tempo tinha sido generoso com ele, tanto como havia sido cruel com ela. Teria ficado surpreendida se soubesse que Miroku a tinha considerado adorável.

Para aquele homem não havia nada de mais belo do que aquela mulher vestida de negro e com os olhos doces, que embalava o filho.

Claro que dissimulou muito bem o seu entusiasmo masculino, pois sabia que aquela mulher não estava em condições de ouvir piropos.

Nem com Kagome falou Miroku do seu segredo, embora a jovem se tenha apercebido do que estava a acontecer com o seu amigo.

Diariamente à meia-noite ambos se encontravam, nas imediações da mansão Taisho para visitar Sango, que estava muito só.

Para Kagome esses encontros diários foram-se convertendo num agradável hábito, pois podia ver o pequeno Ash, a quem já amava como se fosse seu e divertir-se uma ou duas horas com a amena conversa de Miroku, percebia que esses momentos eram vitais para Sango, que estava mortalmente destroçada.

-Porque não aproveitas a tua estadia aqui e escreves um livro sobre medicina cigana? – Propôs Kagome consciente de como seria importante para Sango ter um objectivo a cumprir.

-Excelente ideia – entusiasmou-se Miroku. – Vou trazer-te uma máquina de escrever, folhas, tudo o que precises. Tenho um amigo editor em Nova Iorque que poderá interessar-se pelo material.

A principio, Sango tinha resistido mas no fim fora a elaboração daquele livro que a salvara.

Escreve-lo e ocupar-se de Ash tomava todo o seu tempo e as semanas foram passando.

Mas quis a maldade da velha Kagura que essa paz acabasse abruptamente, pois a cigana descobriu que todas as noites Kagome se ausentava de casa, e, desejosa de, acabar com a rival da sua filha de uma vez por todas, correu a contar ao seu futuro genro, sugerindo-lhe que a jovem tinham um amante.

CONTINUA