A música utilizada agora, no comecinho da fic, é a 'The Kill' de 30 seconds to Mars. Vale comentar que quando 'projetei' o Loki, estava pensando no vocalista dessa banda, Jared Leto. (Jaaay!*-*)

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O decorrer da semana passara bem. Exceto pelo fato de que eu estava em meus "Dias Ruins". Não, não falo de TPM ou algo do tipo. São dois dias no mês em que sinto uma espécie de dor... Anormal. Uma espécie de cólica que sai vinte vezes do normal. Os médicos não conseguiram explicar, mas tudo bem. Isso só acontece duas vezes no mês. Entre os dias treze e quatorze, á noite. E nesse dia, eu pedi folga para Ryou, e consegui adormecer, acordando de madrugada, e notando uma estranha presença. Ele cantava.

-"Venha me destruir... Enterre-me, eu terminei com você." – Demorei alguns segundos para perceber quem cantava, e como estava posicionado. –"Olhe nos meus olhos, você está me matando." – Era Loki, e eu estava em cima dele, mais precisamente de costas, e ele estava acariciando minha barriga. – "Tudo que eu queria era você..." – Minha dor havia passado.

-Loki? – Eu chamei, de olhos fechados, ainda meio dopada, por conta dos remédios que havia tomado.

- Sim?

-O que faz aqui?

-Vim me aproveitar de você, mas havia me esquecido de que estava em seus dias ruins... – A posição em que ele se encontrava, deixava sua boca bem próxima aos meus ouvidos. Isso me causava arrepios.

-Vá embora.

-Como quiser. - Assim, ele se levantou e me depositou na cama, mas no segundo em que o corpo dele se afastou do meu, a dor voltou, e eu me contorci.

-Ainda quer que eu vá?

Eu nada disse, mas ele voltou, e me pôs sobre ele. Desta vez, eu estava de barriga pra baixo, de modo que minha cabeça ficasse em cima de seu pescoço, e eu ouvia sua respiração lenta. Ele botou novamente as mãos por debaixo da minha blusa, e começou a acariciar minhas costas.

-Por que faz isso? – Eu perguntei.

- Os médicos não souberam responder, não é? – Ele parou de me acariciar e me abraçou – A doença que você tem... Não é conhecida por esse Universo.

-C-Como assim?

-Nunca se questionou Suna... Sobre sua estranha marca de nascença?

-Mas é a marca que todas Tokyo mew...

-Não, não é. – Ele me interrompeu. – Sua marca de nascença é mais importante que isso.

-O que mais sabe sobre mim?

-Não deveria te contar nem isso, mas... Você era uma pessoa que eu deveria proteger, mas hoje não sigo mais essa obrigação, e posso seguir com minha vingança... Segundo prometi para Suna Akaishi.

-Quem é essa?

-Quem você acha que é? - Eu estava pasma. Quem era Loki? Não... A pergunta certa seria... Quem sou eu? – Durma agora, Suna...

Ele começou a cantar novamente, e eu adormeci, com a mente confusa. Aqueles sonhos terríveis...

Um reino distante...
E pessoas morrendo.

- Coisas que se deve falar numa crise existencial: -Quem sou eu? O que eu sou? Pra que vivo? Pra que fui?Pra que vim? Pra que fiz? O que me tornei? O que deixei de ser?

Mas minha pergunta é: Quem eu fui ao passado? As pessoas que apareceram de um tempo pra cá... Sora, Akira, Tsuki, Zero, Yue... Por que todos eles parecem saber mais sobre mim do que eu mesma? E agora... O nome que Loki disse... Suna Akaishi. Esse nome me parece tão familiar...

Tive sonhos estranhos naquela noite. Sangue e Anjos. Era mais ou menos o que eu conseguia lembrar. Anjos com asas negras... Lutando contra os anjos de asas brancas. Havia os de Asas vermelhas, mas eles apenas estavam em pé, observando toda confusão. Entre os anjos de asas negras, um me chamou a atenção. Era o Loki. Sim, era ele. Mais adulto... Uns vinte e dois anos, talvez? E uma garota...De cabelos curtos e loiros, lutava ao lado dele. Ele estava armado com uma espada, e ela, com uma foice. A minha foice. Sangue e luzes para todo o lado. Era só o que eu via depois.

Acordei e já era de manhã. Sábado. Dia nublado. Ótimo.

Pus minhas habituais roupas, e saí sem avisar ninguém. Estava nevando... Olhei para cima maravilhada.

-Asuna!- Sora, veio correndo em minha direção. Estava com uma sombrinha em suas mãos. – Vamos à biblioteca? – Ela estava sorridente.

-Tá- Eu disse.

Era tudo tão clichê. Parecia que estava tudo armado, que cada coisa havia sido planejada.

Primeiro, Loki reaparece. Depois, chega gente nova e louca. Loki tem aquele papo estranho comigo. Depois, eu me questiono sobre meu passado. E depois, tenho um sonho que talvez me revele alguma coisa. E agora estou indo para uma biblioteca! Quando chegar lá, encontrarei um livro, e "PUFF"! Vou saber tudo sobre meu passado. Aposto cinqüenta pratas, que vai ocorrer EXATAMENTE isso.

Chegamos à biblioteca. Sora me puxou para a parte de mitologia. Procurei alguma coisa que me interessasse, e quem eu encontro? (Não, não é o Loki). Yue, sentado no chão, lendo um livro que chamava "Anjos sobre sangue". Não disse? Só poderia ser o livro.

- Ele está lindo, não é? O Yue? – Sora estava com um sorriso radiante. Entendi tudo agora.

-Hááá, Safaaada! Veio por causa dele, não éé?

-Bem, acho que sim. –Ela começou a rir junto comigo. – vamo sentar perto dele? Só pra pirraçar um pouquinho...

- Pode ser. - Nós sentamos uma de cada lado dele. Ele nos olhou, sorriu, e mexeu nos cabelos brancos.

-Bom dia, garotas.

-Bom dia, Yue.

-Tá lendo o quê, cara? –Eu perguntei, tirando o livro da mão dele. -Ah... Fala sobre seres... Que existiram a alguns anos atrás..-Sora começou a conversar com ele, e eu ia olhando página por página, e achei o que procurava. Um desenho, da garota do meu sonho. O rosto... Era tão familiar.. Corri para um dos grandes espelhos da biblioteca, prendi meu cabelo, e botei a imagem ao lado do meu rosto, e tomei um pequeno susto ao ver que a garota era idêntica á mim. Yue e Sora estavam ao meu lado.

-Eu disse, que ela não era tão idiota assim, por que a deixou pegar o livro? – Sora reclamou.

-Não pensei que ela fosse reconhecer..- Yue disse, meio desconcertado. Perdi a paciência em meio a discussão dos dois.

-Vocês podem me explicar.. O que realmente está acontecendo?

-Não. – Responderam ao mesmo tempo e sorriram.

-Por que não?

-Fomos proibidos, e não pergunte por quem.

Olhei para os dois, desconfiada, mas compreendi que não mentiam. Forçá-los a falar não iria adiantar muita coisa, então.. Talvez eu pudesse descobrir sozinha, mas Yue poderia não querer me emprestar o livro. Eu poderia tentar.

-Yue, já que não podem me contar nada, poderia ao menos..Me emprestar o livro?

-Suponho que isso não interfira nas regras... - Ele disse.

-Tudo bem. – Sora confirmou.

-Obrigada. – Sorri como resposta.

Os dois me acompanharam até em casa, e quando cheguei, deitei na cama e fui ler um pouco do livro. A explicação mais resumida que eu posso dar, é essa aqui:

Iustitia (Justiça, do Latim), o mundo cujo livro se referia, era dividido em várias partes. Primeiramente, dividido em duas: Luz, e Trevas. E novamente, dividido em quatro partes: Ar (norte), Terra (sul), Fogo (leste) e Água (oeste). E mais uma vez, dividido em duas: Parte inferior, e parte superior.

Era um processo meio complicado de entender, só entendi realmente quando virei a página, e vi a representação daquele mundo, e vi que nem parecia tão grande.

A parte "trevas" era habitada por anjos de asas negras. A parte "luz" era habitada por anjos de asas brancas. Havia o de asas vermelhas, mas estes nunca eram vistos, e eram considerados Deuses. Havia dezenas desses deuses, mas apenas cinco desses eram considerados vivos. Hera, Artemis, Apolo, Afrodite e Poseidon. Os anjos de asas negras eram chamados de Tenyami (Abreviação de Tenshi no Yami), e os de asas brancas eram chamados de Tenkari (Tenshi no Hikari). Para cada uma das partes, havia um rei, e uma rainha, e um príncipe ou uma princesa. Dos Tenyami, havia uma princesa, chamada Suna Akaishi, e um príncipe chamado Loki, parente de Suna. Dos Tenkari, havia também, uma princesa chamada Hiro, cujo sobrenome era desconhecido, e o príncipe, Touya.

Os Tenyami e os Tenkari viviam em uma eterna guerra, devido à arrogância dos Tenkari, que sempre se achavam superiores aos Tenyami, por associarem "Trevas" ao Diabo.

Não pude ler o resto do livro, pois Loki estava parado na minha frente, e sua face demonstrava raiva. Loki fez o livro ir até ele, e quando o tocou, desapareceu. Eu o encarava, assustada.

-Quem te deu o livro? – Ele me olhava, ameaçadoramente. Não iria entregar meus amigos assim, com facilidade.

-Não é do seu interesse!

Ele caminhou até onde eu estava sentada, e olhou nos meus olhos. Eu tinha que admitir, estava com medo.

-Me diga quem foi.

-Não. – Ele me deu um tapa no rosto, que me tirou algumas gotas de sangue.

-Não se atreva a negar uma ordem minha! – Ele gritou, e me jogou contra a parede. Eu estava sem ar, e a dor nas costas era insuportável.

Me levantei, quando ele caminhava até mim, e tentei me transformar. Mas nem me surpreendi quando vi que não fazia efeito.

-Droga. – Tentei me esquivar tarde de mais, ele já havia prendido os meus pulsos acima da minha cabeça.

-Você descobriu mais do que deveria. – Minha visão estava ficando meio turva, e eu estava me sentindo muito cansada.

Ele parecia estar sugando toda minha energia vital, minha respiração estava ficando difícil. Quando minhas pernas não agüentaram mais, ele me carregou. Me debati, e dei um murro na boca dele,fazendo com que um pouco de sangue saísse de lá. Ele me olhou, com ódio.

–Vai se arrepender disso. – E então ele me beijou violentamente, me deixando mais fraca do que já estava, e eu estava sentindo gosto de sangue. Uma nova dor tomou conta do meu corpo, eu desmaiei em seguida.

-Eu ainda estou sozinho.. Mesmo fingindo não estar.. - Escutei.

Eu acordei sentindo pesos estranhos nos meus braços, e logo depois percebi que estava acorrentada numa parede, deitada sobre alguma coisa macia, e também estava com ataduras. Loki estava sentado no parapeito da janela, ao meu lado, me observando com os olhos azuis.

Tentei me mexer, mas a dor estava tão intensa que perdi a vontade.

-Você agora trabalhará nessa mansão, e irá me servir pelo resto de sua vida.

-EU ME RECUSO!

-Você fará o que eu mandar. Se não, sofrerá as conseqüências.

Eu custava a acreditar que ele havia tido a coragem de fazer aquilo comigo. Não acreditava que agora eu viveria presa junto á ele, se alguém não conseguisse passar pelos portões daquela mansão. Não, eu não ficaria aqui, presa com esse mostro. Eu tentaria fugir, mas com certeza não teria sucesso. O que eu faria? Minha cabeça latejava, eu não conseguia pensar direito. Não conseguia armar um plano... E as chances dos meus planos darem certo, seriam menos de um por cento. Sem dúvidas, eu estava assustada.

-Eu sei muito bem o que está pensando. - Ele levantou-se, e seguiu até a porta. – Não irá conseguir escapar daqui tão cedo. - E fechou a porta.

Adormeci em meio ao choro, apesar de estar dormindo este tempo todo, ainda me sentia cansada.

Acordei pela manhã, e me encontrei livre das correntes. Mas... Havia uma marca negra e comprida no meu pulso, duas linhas de tamanhos diferentes, em sentindo horizontal, com as pontas curvadas. Era sem dúvidas uma marca bonita, mas eu sabia que aquilo não era bom.

Levantei-me, e pude observar atentamente o quarto. Uma grande cama de casal, com lençóis de seda pretos, armários antigos de madeira escura. Era tudo bonito demais para os meus olhos. Olhei novamente para cama, e vi um lindo uniforme de empregada. Minhas roupas estavam um pouco rasgadas, então deduzi que seria vergonhoso aparecer na frente dele com aqueles trapos em que eu estava vestida. Eu vesti o uniforme, com um pouco de medo. Havia caído perfeitamente em mim

Saí do quarto e fui procurando alguma sala ou coisa do tipo. Garanto que agora eu receberia ordens, odeio minha vida.

Cheguei a um cômodo maior, e deduzi que aquilo, que mais parecia um salão, era uma sala. Uma grande mesa retangular de mogno estava em um dos cantos da sala. Um grande sofá de couro em "L" ocupava uma grande parte do canto da sala. E ele estava lá, deitado, com um dos braços sobre os olhos. Aproximei-me, e fiquei em frente á ele. Sem dúvidas, era realmente um homem belo. Sua beleza chegava a ser anormal, aos olhos de uma pessoa comum, como eu.

Ele abriu os olhos azuis e me encarou. Levei um leve susto, e meu coração meio que disparou. Ele sentou-se, e bagunçou os cabelos negros. Parecia um garoto rebelde. Apoiou o queixo no cotovelo e disse:

-Venha aqui. – O seu habitual tom frio e sem vida... Ele me encarava, e eu estava com um pouco de medo.

Fui até ele, um pouco receosa. Os olhos de Loki eram malícia pura.

- Me beija. – E então eu o beijei. Não sei por que fiz aquilo sem hesitar. Talvez tenha sido o medo.

Ele me fez sentar de lado, no colo dele, e me segurava pela cintura. Possessivo, sempre foi. O beijo dele era tão hipnotizante que eu nem ao menos conseguia romper. O cheiro dele era inebriante. Era como uma droga. Era como um chocolate. Você não consegue parar.