4.
Scott estava sentado em sua mesa no escritório, fitando o suave ondular daquelas mesmas cortinas, pensativo, as redações da classe de literatura esquecidas á sua frente. Ele tentara corrigi-las, mas depois de ler a mesma frase cinco vezes, logo na primeira folha, achou melhor desistir.
"Pelo visto Logan sempre dá um jeito de me tirar a paz...de uma maneira ou de outra!"
O rapaz suspirou e então sentiu um leve contato mental, algo tão sutil que podia ser interpretado como um bater suave nas portas de sua psique; e era realmente isso, na verdade, porque um telepata jamais se intrometia em uma mente amiga sem delicadamente informar-lhe, antes, que estava fazendo contato. Scott imediatamente recolheu todos os pensamentos que o estavam distraindo (e que por acaso começavam com L e terminavam com ogan...) e deu as boas vindas ao Professor Xavier.
Lamento interromper seus afazeres, Scott.
"Está tudo bem, Professor. O senhor precisa de mim?"
Sim. Pode vir a minha sala, por favor?
"Agora mesmo, senhor."
Minutos depois Scott entrou na sala, sem bater como de costume, e sorriu para seu velho mentor e quase pai quando este deu ás costas á janela que estivera contemplando e se virou para olhá-lo.
— Sente-se, Scott. — disse o Professor, correspondendo ao sorriso. Quando o rapaz se instalou confortavelmente na poltrona logo a frente da mesa, o professor se recostou na cadeira de rodas e continuou. — Jean me falou a respeito do que aconteceu. — disse ele. — E eu gostaria de falar sobre isso com você.
— Sobre...?
— Logan.
— Oh. — Scott se remexeu, inquieto, na cadeira. Jean não poderia ter...ou poderia? Claro que Charles era como um pai para ambos desde que haviam chegado ali, mas será que o que estava acontecendo (ou deixando de acontecer, gritou uma pequena e irritante voz na mente de Scott) entre ele e Logan devia ser levado ao conhecimento dele? Será que Jean tinha contado TUDO a respeito? Scott nem ao menos tinha contado ao professor que rompera com Jean, quanto mais que estava atraído, ou apaixonado, sei lá, pelo senhor garras de adamantium!!
— Scott...
Mergulhado em seus pensamentos Scott nem percebeu a expressão levemente surpresa do professor. Continuava tentando imaginar como se explicaria, como faria para convencer o professor de que ainda era o mesmo Scott e, mesmo gostando de outro homem, ainda podia muito bem ser um líder forte, confiável e...
SCOTT!!
O jovem líder dos X-Men levou um susto e se contraiu involuntariamente. A voz do professor gritando em sua mente não fora muito agradável de tão perto.
— Senhor?
Charles levou a mão á testa e balançou a cabeça. Mesmo NÃO querendo, certos pensamentos inevitavelmente PEDIAM para ser lidos. E em letras garrafais.
— Quando me referi a Jean ter me contado sobre o que aconteceu, queria dizer que ela me falou sobre a aula de sobrevivência de Logan...não sobre seu recente interesse nele...coisa que de fato eu não sabia. — o professor mal registrou a expressão de puro horror no rosto do jovem líder de sua equipe ao continuar. — Eu lamento que você e Jean tenham rompido, mas se os dois estão de comum acordo e você já está, como é mesmo que os jovens dizem... "em outra"...fico feliz. Também acho que Logan é uma pessoa excelente. Depois que se tem um tempo para realmente conhecê-lo. Parabéns.
Enfiar-se debaixo da terra não era uma opção no momento, então Scott afundou na poltrona mesmo. Resistiu a vontade de esconder o rosto nas mãos como um garotinho, só porque achava que ia ser ainda mais humilhante e...diabos...uma frescura danada.
— Eu...professor...
— Está tudo bem, Scott. — assegurou o professor, calmamente. — Você ia me contar quando estivesse pronto, eu sei. Lamento pelo mal entendido, mas se você planeja que isso continue um segredo, por enquanto, vai ter que se preparar melhor. Alguns de nossos alunos também são telepatas ou sensitivos, não se esqueça.
Oh Deus! As crianças! Scott tinha esquecido dos alunos; as crianças e adolescentes que confiavam nele, que o conheciam ha anos. O que eles pensariam quando descobrissem...?
Charles ficou sério.
— Não existe nenhuma razão para que eles também não fiquem felizes por você, Scott; mesmo que fiquem um pouco surpresos com sua separação de Jean, eles se acostumarão.
— O senhor não compreende, professor. — disse Scott, amargamente. — A questão não é apenas minha separação de Jean. Como as crianças vão reagir quando souberem que eu, seu professor e um homem, pode estar apaixonado por outro...outro...
— Por outro homem. — completou o poderoso telapata, dando-se conta de que certas particularidades de Scott ainda lhe eram desconhecidas depois de tantos anos. Esse estranho preconceito, pra começar. — Você deve se lembrar, Scott, que esta escola e as pessoas que aqui vivem não são como a maioria. Todos aqui dentro sabem muito a respeito de preconceito e de como ele é errado. Pensei que você também soubesse.
O rapaz engoliu em seco. O professor tinha razão, obviamente, mas Scott ainda estava incerto. Não conseguia pensar de maneira clara o suficiente para colocar tudo o que estava sentindo em palavras coerentes, então decidiu mudar de assunto.
— O senhor ia me dizer algo a respeito da aula de Logan. — disse, voltando á sua expressão normal, deixando claro que o assunto anterior tinha acabado.
O professor aceitou aquilo apenas porque sabia que mais tarde, quando as coisas estivessem mais assentadas, os dois retornariam àquele assunto. Scott quisesse ou não.
— Jean e Ororo me explicaram que a aula de Logan foi apagada dos registros da Sala de Perigo, e não foi difícil chegar ao "culpado".
— Logan? Ele não saberia nem programar o vídeo-cassete da sala de recreação, professor.
— Exato. — o professor sorriu. — Dificilmente Logan poderia fazê-lo sem ajuda. Foi nosso jovem e dedicado gênio, Cifra.
— Doug? Douglas Ramsey? — Scott estava surpreso. O rapaz era estudioso e comportado, um aluno modelo como Kitty Pryde. Por que fizera aquilo? Manifestou esse pensamento e o professor assentiu.
— Ao que parece, nosso novo professor e membro relutante de equipe inspira uma certa lealdade nos jovens. É algo notável de acontecer tão cedo, mas as crianças parecem ter reconhecido nele alguém confiável e quiseram acobertá-lo; já que a aula que ele ministrou não estava exatamente de acordo com as regras.
Scott cruzou os braços, o aborrecimento visível em cada linha de sua expressão.
— O senhor parece quase jubiloso, professor.
— Todos precisam de um pouco de diversão, Scott. Eu chamei Douglas e lhe pedi para restaurar as gravações para mim como um favor especial. Ele pareceu bastante preocupado que eu fosse contar a você o que ele fizera. Ficou com receio de que a atitude dele fosse causar a Logan algum tipo de problema com o professor Summers.
Scott abriu a boca, então pensou melhor e a fechou novamente. Era só o que lhe faltava. Virar o vilão da história, sendo que não fora ele quem desobedecera as regras!
O professor sorriu. Scott estava mesmo precisando relaxar. E, se ele não estivesse errado, poderia contar com Logan para dar um jeito na rabugice de seu filho adotivo.
— Professor? O senhor está...rindo? — Scott estava alarmado. O professor estava mesmo dando risinhos contidos??
— Estou? Oh, Deus. Estou mesmo. — o professor se desculpou e disse apenas que lembrara de um velha piada. Scott não acreditou nem por um segundo, mas não insistiu.
— Algo mais, senhor? — indagou o rapaz, tentando não parecer muito constrangido.
O professor balançou a cabeça e fez um gesto suave que indicava que o rapaz podia ir. Quando Scott estava quase saindo a voz do professor o chamou de volta.
— Uma última coisa, Scott. Você não esqueceu de avisar Logan do treino desta noite, não é? Após o jantar.
Scott se lembrou: não tinha avisado. Com um grunhido mal humorado o rapaz murmurou que iria fazer aquilo agora, e tratou de sair do gabinete do professor rapidamente.
Xavier riu com vontade. Definitivamente, pensou, Scott estava precisando relaxar.
X X X
Logan recebera através de Ororo o recado do professor. O homem queria vê-lo o quanto antes, e ele não era idiota para não adivinhar que devia ser por causa da aula na Sala de Perigo. Não devia ter deixado o garoto apagar as gravações, mas quando se deu conta ele já tinha feito.
Em sua opinião não tinha nada a esconder. A equipe é que tinha errado tentando dar a ele um esqueminha padronizado de como ele deveria fazer a coisa. Deviam saber que ele não era do tipo que seguia as regras dos outros...além do mais aquelas crianças estavam sendo preparadas para tempos difíceis e ninguém sabia mais sobre tempos difíceis do que Logan.
Estava no corredor que dava para a sala do professor quando viu Scott sair de lá.
Ótima oportunidade, sim senhor. Vamos ver se o senhor Summers não mudou de idéia de ontem pra hoje.
Scott também o viu. Infelizmente o gabinete do professor ficava no fim do corredor e Scott não podia fingir que ia para o outro lado, coisa que, Logan percebeu, ele gostaria muito. Achou divertida a maneira como ele pareceu subitamente um animal encurralado, para logo depois se empertigar e continuar na direção do canadense como se nada tivesse acontecido.
— Me evitando, Summers? — disse, sorrindo de lado e encarando o jovem líder dos X-Men. — Não é muito educado deixar uma pessoa esperando uma resposta tanto tempo, você sabe.
— Nada de gracinhas, Logan. — cortou o rapaz, lutando para não enrubescer diante do olhar insistente do mutante mais velho. — Na verdade, foi bom encontrá-lo.
Logan ergueu uma sobrancelha e Scott franziu os lábios.
— Esqueci de avisá-lo...teremos uma sessão de treino após o jantar. Só os membros da equipe. Como você ainda não teve a oportunidade de testar seus poderes contra nós, será interessante avaliar como um trabalho em conjunto ou um combate podem se ajustar com você na equipe.
— Eu não lembro de ter me alistado na sua equipe, guri.
Scott suspirou, exasperado, e Logan teve que reprimir um sorriso.
— Não vamos começar com isso de novo, está ficando cansativa essa sua atitude de lobo solitário. Quando vai aceitar que sua participação na equipe é uma realidade?
— Não é. Eu só lutei ao lado de vocês umas duas vezes...isso não me torna parte da equipe ou de qualquer outra coisa. Principalmente se eu não quiser.
— Você até usou o uniforme dos X-Men!
— Vocês me obrigaram! E usei o seu uniforme, nas duas vezes.
O rapaz fez uma pausa e então deu de ombros.
— Você poderia ter usado o que foi confeccionado especialmente pra você. Já estava disponível da segunda vez, não percebeu? — Scott cruzou os braços, sorrindo. — Aquele, no vestiário, com uma etiqueta escrita "Wolverine" embaixo.
— Nah. O couro não estava amaciado e, além do mais, o cheiro de couro novo não é tão bom quanto o seu cheiro, no uniforme antigo.
Aquilo era realmente interessante, avaliou Logan. O rosto do garoto conseguiu ficar ainda mais vermelho que seus óculos de quartzo-rubi.
— Logan...— ele murmurou, fracamente. O mutante com garras de adamantium se aproximou mais e Scott subitamente recuou. Logan quase rosnou. — Escute, apenas vá ao treino, está bem? Eu preciso ir...
Lá estava o rapaz tentando escapar. Logan não ia facilitar. Barrou-lhe o caminho esticando o braço e apoiando a mão na parede; quando Scott quase se chocou com a barreira improvisada e fez menção de se esquivar, o canadense simplesmente o prendeu contra a parede. O guri devia estar de olhos arregalados, imaginou, porque a luminosidade se intensificara por trás das lentes vermelhas.
— Logan! — Scott disse, entre os dentes cerrados, contendo-se para não elevar a voz. — Solte-me agora mesmo!
— Me dê uma boa razão, guri.
— Não me chame de guri, velhote! — rosnou o rapaz, furioso, sem consciência de que só estava divertindo ainda mais o homem mais velho. — Alguém pode chegar a qualquer minuto, até mesmo uma das crianças! O que elas vão pensar vendo isso??
— Que nós estamos prestes a lutar, acho. É o que qualquer um pensaria, com nosso histórico de convivência. — Logan sorriu maliciosamente. — No que você está pensando?
— Em nada!!!! Deixe-me ir, Wolverine!!
— Não antes de você me dar aquela resposta, guri. Eu quero saber agora.
— Por quê?
Logan ficou confuso por um momento.
— Hun?
Scott o encarou, acuado e nervoso como nunca Logan o vira antes. Ele cheirava a medo, desejo e várias outras coisas. Inclusive desespero. Alguma coisa não ia bem dentro da alma do garoto e Logan percebeu. Piscou e apenas o encarou de volta.
— Por que você quer saber? Que diferença vai fazer? — Scott engoliu em seco. — Você me perguntou o que eu queria de você. Pois bem. O que VOCÊ quer de mim, com toda essa atitude? — Scott olhou para o braço que o impedia de escapar. — É algum tipo de brincadeira de mau gosto, agora que sabe do que sinto por você?
Se Logan não tivesse seus sentidos aguçados e uma larga experiência com sentimentos amargos e rejeição, teria largado o guri ali mesmo e esquecido tudo o que tinha acontecido na outra noite. O problema era que o canadense sabia que, quando um animal ferido é acuado e pressionado, ele faz a única coisa que acha que pode diminuir um pouco o medo e a dor: ele morde.
Era isso o que Scott estava fazendo, mas com palavras; no entanto Logan não relaxou a armadilha. Se fizesse isso nunca mais conseguiria pegar o guri de novo e aquilo jamais teria um fim. Mas o garoto precisava tanto de uma resposta quanto Logan, e o mutante ficou surpreso ao descobrir que já a tinha na ponta da língua.
— Eu não faço brincadeiras com o sentimento das pessoas, Scott. — disse Logan, suavemente, olhando firme para o rapaz. — Quero saber o que você quer de mim por duas razões: Primeira, se é só uma transa que você quer, só ir pra cama com um homem pra satisfazer um desejo puramente físico, pode esquecer. Eu não sou o tipo. Melhor sair e procurar algum cara pelas esquinas. — Scott se contraiu ao ouvir aquilo, mas Logan deixou a informação passar naquele momento. Ainda tinha que concluir. — E segunda, se for pra valer, vai ser mesmo pra valer. Nada de segredinhos, nada de ficar se escondendo por aí como se isso fosse algo sujo ou errado. Eu também não sou o tipo. Se você quiser estar comigo, vai ter que pegar o pacote todo.
Agora a palidez substituíra o escarlate no rosto de Scott. Ele mal podia acreditar no que estava ouvindo. Aquele era mesmo o selvagem e imprevisível Wolverine? O homem que todo mundo acreditava ser quase um animal?
Percebendo que o rapaz se acalmara, Logan baixou o braço e ficou esperando. Era hora do guri dar a resposta, agora.
— Estou interrompendo, meninos?
Pela primeira vez desde que a conhecera, Logan ficou muito aborrecido ao ouvir a voz de Jean Grey. Olhou para Scott e viu o rapaz suspirar e se recompor. O clima acabara de se romper.
— De jeito nenhum, ruiva. — mentiu Logan, sabendo que ela podia muito bem identificar a mentira. — Você nunca interrompe.
— Que bom. — Logan viu que ela olhava para Scott e que o rapaz também parecia retribuir o olhar. Deixava-o frustrado e irritado não saber que tipo de conversa os dois estavam tendo no momento, pois sem dúvida estavam se comunicando. Uma pequena e inesperada pontada de ciúmes cutucou o canadense, e ele se voltou para Jean com um olhar penetrante. — Precisa de alguma coisa, Jeanie?
Ela sorriu docemente e balançou a cabeça.
— Não, na verdade eu apenas ia até o gabinete do professor buscar alguns livros. Mas, já que estou aqui, gostaria de saber: Já está sabendo do treino de hoje, após o jantar?
— Sim. Summers aqui já se encarregou de me contar, obrigado, ruiva. — virou-se para Scott. — Nós estávamos tendo uma...pequena...conversa. Que ainda não terminou, certo, Scott?
— Não, mas podemos terminar mais tarde. Com licença. — Scott contornou Logan, ignorando a expressão meio surpresa do mutante canadense, e passou por Jean rapidamente. — Vejo você depois, Jean...
— Tchau, Scott.
Quando o líder dos X-Men sumiu no corredor, Logan e Jean se encararam.
— Quer me dizer alguma coisa, Jean? Ou está só se certificando de que eu não estou partindo o guri no meio?
Jean riu.
— Uma pouco das duas coisas, acho. — respondeu ela, aproximando-se do mutante de garras de adamantium, o suave perfume dela envolvendo-o. Ela percebeu, com alívio, que aquilo não o abalava mais. — Posso perguntar uma coisa, Logan?
— Claro. — ele sorriu, também consciente de que a beleza e todo aquele charme de Jean não tinham diminuído...só não faziam mais o mesmo efeito.
— Como você mudou tão rápido? Quero dizer...num momento você diz que está atraído por mim e, no outro, está pronto para assumir um relacionamento com Scott se ele quiser. Como?
— Não sou volúvel, ruiva. O caso é que eu me sentia atraído pelos dois desde o começo. — ele deu de ombros e encostou, de lado, na parede onde Scott estivera pressionado. Ainda podia sentir o cheiro e o calor do garoto. — Ele é um cara, e não são todos os caras que estão acessíveis, você sabe. Você foi...
— A escolha natural. Entendo.
— Isso. Não foi que eu gostasse mais ou menos de um de vocês. Eu apenas investi em quem eu poderia ter mais chances. E parece que eu me enganei na primeira escolha, certo? — não havia ressentimento na voz de Logan. — Você não caiu no meu charme. Não totalmente, não é?
Jean riu gostosamente por alguns segundos depois respondeu.
— Foi difícil, no começo. — confessou. — Mas o que me atraiu me você foi o quanto era diferente de Scott em tudo. Depois de um tempo percebi que o que eu queria mesmo era alguém como Scott...mas não o Scott. Não sei se você consegue me entender...as vezes nem eu mesma entendo. Scott é como um irmão agora, mas sempre representou, pra mim, uma espécie de homem ideal.
Logan assoviou.
— Não posso dizer que ele não tenha seus méritos. Mas você nunca vai me ouvir dizer isso em voz alta, ruiva, muito menos pra ele. Não quero aquele garoto mimado ainda mais cheio de si do que já é.
Jean comprimiu os lábios. Logan percebeu que dissera algo errado no momento seguinte.
— Você não o conhece, Logan. — disse ela, encarando-o firmemente. Uma leoa protegendo a cria. — Ele não nasceu na mansão Xavier, com todo o conforto que tem agora. Ele perdeu os pais quando tinha oito anos e, quando seus pais adotivos descobriram que ele era um mutante, simplesmente o abandonaram. Durante anos Scott teve que viver nas ruas, Wolverine, e isso não é fácil pra um adulto, quanto mais pra uma criança. As coisas pelas quais ele passou...você quer que eu conte o que ele teve que passar nas ruas pra conseguir comida e abrigo, Logan?
— Não, Jean. — Logan se desencostou da parede e a encarou de maneira firme também. — Tenho certeza de que Scott não iria gostar de saber que estamos falando da vida dele assim, pelas costas. Se nós dois...você sabe...ele me contará o que quiser, e se quiser, sobre a vida dele. Quando estiver pronto. Mesmo assim eu agradeço a dica...sei que não conheço o guri, mas tem minha palavra de que não vou machucá-lo.
— Tenho certeza de que não vai. Você é uma boa pessoa, Logan.
— Só não espalhe por aí, certo? — fez uma pausa, organizando os pensamentos e indagou: — Você só chegou na hora errada porque o guri precisava de um tempo, não é? Muita informação de uma vez?
— Exatamente. Você acabaria ouvindo o contrário do que ele realmente gostaria de dizer, acredite.
— Eu acredito. Agora me diz uma coisa, ruiva...o guri ficaria muito irritado se eu não fosse ao treino desta noite?
Jean cruzou os braços, pronta para dar um sermão digno de Scott Summers no canadense mas, então, percebeu exatamente o que estava acontecendo e assentiu, um brilho maroto nos olhos verdes.
— Muito irritado.
— O suficiente para vir atrás de mim onde quer que eu esteja, com um daqueles discursos na ponta da língua?
— Ele provavelmente vai estar prontinho pra acabar com a sua raça, Logan. — Jean estava se divertindo muitíssimo com aquilo. Scott teria uma bela surpresa...e até lá já estaria mais calmo e poderia lidar melhor com a situação.
— Bom. Agora se me dá licença, Jeanie, eu tenho umas coisas pra acertar com o Chuck. — ele se virou e então se lembrou. — Você vai buscar os livros?
Jean franziu o cenho e olhou para o mutante de garras de adamantium como se ele fosse de outro planeta.
— Claro que não! Ora, Logan...
A doutora Grey girou nos calcanhares e seguiu pelo corredor, sacudindo a cabeça.
Esse Logan...
X X X
