Esse cap é o mais recente. Talvez percebam alguma mudança do tipo da narrativa, talvez não.. Enfim..
Boa leitura. :)
- Akira
Estão todos mortos. Estão todos mortos. Eu os matei.
Meus olhos ainda não acreditavam no que viam. Eu havia perdido o controle.
Homicídio em massa, foi isso que aconteceu. Mais da metade da população de Tokyo havia sido devastada.
Eu causei isso. Oh, meu Deus, eu ainda não acredito. -Desabei em lágrimas.
- Asuna
Já fazia dezessete dias que eu estava presa aqui. Dezessete dias com ele. E já faziam mais de dois dias que eu estava deitada na cama, sem comer, beber, ou algo do tipo. Tudo doía. Minha barriga estava inchada, e eu sentia meu estômago revirar.
Depois de uma semana dentro desta casa, mansão, castelo, ou seja lá o que for, eu vejo coisas. Ouço vozes. E eu tenho medo disso tudo. Nem sempre são imagens ou sons ameaçadores, mas todos eles me dão medo.
Tentei me sentar na cama. Meus braços enfraqueceram e minha barriga doía. Mais uma tentativa fracassada.
E nesses dois dias em que tenho estado aqui, não havia sombras de Loki. Eu só servia como um brinquedinho para ele. É. Somente um brinquedinho. Mas quando eu finalmente morresse, ele não teria mais um brinquedinho para satisfazê-lo todas as noites. Ou dias e tardes.
Adormeci mais uma vez, antes de ver uma borboleta azul passar por entre as grades da janela, e tentar passar pelo vidro.
Eu abriria a janela, se não estivesse tão fraca.
Já estava ficando meio depressiva com a falta de comunicação e contato com outros seres.
Eu realmente preciso sair daqui.
'Dois dias, e ela não saiu do quarto'- Loki murmurou para si mesmo, e adentrou no quarto de Asuna. Parecia estar no mesmo estado da noite anterior. Sim, ele havia tomado conta dela todo esse tempo. E sabia exatamente o que estava acontecendo.
Observou atentamente o pequeno inseto que batia insistentemente no vidro da janela. E refletiu durante alguns segundos, enquanto a borboleta pousava, provavelmente exausta.
Loki foi até a janela, abriu lentamente, e permitiu que o inseto passasse graciosamente, e pousasse em uma das suas mãos.
-Você veio. - Loki suspirou aliviado e cansado. E a borboleta bateu as asas em concordância, enquanto ía em direção a Asuna, e pousava do lado esquerdo da sua face.
Alguns segundos depois, a borboleta pousou em seu pescoço, e passou para o lado esquerdo de seu seio. O último lugar em que a borboleta pousou foi a sua barriga. E então, a pequena borboleta foi até Loki, e pousou novamente no peito da sua mão.
-Chou, eu não ligo. - Chou voou graciosamente até ficar na altura de Loki, como se estivesse o encarando. E pousou na moldura do espelho que se encontrava no quarto. Então, um pequeno brilho azulado tomou conta do quarto, e Chou era apenas mais um detalhe da detalhada moldura daquele espelho. -Tudo bem.
E ele se retirou do quarto, passando antes, os dedos por entre os cabelos de Asuna, carinhosamente. E lhe lançou um olhar preocupado.
'Pensei que nunca mais o veria assim .´ - Chou soltou um riso.
Visões.. Essa visão era totalmente aterrorizante. Eu não enxergava nada com nitidez. Eram brilhos alaranjados, avermelhados e acinzentados. Gritos e sussurros. Alguns clamavam por ajuda.
Entretanto, o que mais me assustou foi ouvir a voz de Ichigo e de algumas outras pessoas que já havia conhecido e me aproximado.
O desespero tomou conta de mim.
Abri meus olhos e saltei da cama, fui até a janela, e a abri com brutalidade. Comecei a socar as grades tentando fazer com que elas simplesmente se soltassem dali. Porém não tive sucesso, pois quando elas estavam quase cedendo, elas se prenderam novamente, e uma força absurda me empurrou em direção à cama. Eu arfava completamente assustada. Fui escorregando até o chão.
Minhas mãos sangravam, e hematomas estavam aparecendo.
Doía. Minhas mãos doíam. Meu coração queimava.
Se aquela visão fosse verídica, eu estava completamente só. Os únicos amigos que eu havia conquistado se foram. Eu passaria minha vida inteira presa aqui? Eu nunca poderia confirmar a realidade? Eu não posso mais... Eu preciso realmente sair daqui. Implorar ao Loki não adiantaria nada. Eu estaria fadada a viver aqui o resto da minha vida?
O que ele realmente quer de mim?
E então, a porta se abriu. Minha cabeça estava entre os meus joelhos, e não pude enxergar, entretanto, sabia que era Loki.
Ele parou na minha frente, e demorou alguns segundos até fazer algo. Eu senti as mãos dele em minhas mãos, e parecia que eu estava sendo analisada. Ele fez uma tentativa fracassada de me carregar, pois eu me debati e voltei à minha posição anterior. E então, Loki foi bruto e me pôs em seus braços de qualquer jeito, e depois que ele se levantou do chão comigo, se ajeitou.
-Me solte. - Murmurei e meio aos soluços e lágrimas.
-Tem que receber um castigo por isso. - Ele disse friamente enquanto me levava ao seu quarto.
Loki foi rapidamente tirando as minhas roupas. Parecia cansado e estressado com algo.
Eu realmente não acreditava que Loki fosse se aproveitar de mim naquela hora.
E não foi isso que ele fez.
Eu já estava totalmente sem roupa, tremendo em frio quando Loki me carregou e foi em direção ao chuveiro que havia no seu banheiro. E somente quando ele o abriu, eu me dei conta do que iria fazer.
-Não. NÃO! - eu gritei - Estou com frio! - eu chorava e esperneava, enquanto ele me botava em baixo da água, que mais parecia gelo. Meus dentes batiam.
-É verão. - Ele disse friamente, mas parecia ainda irritado. - Aqui está um inferno de tão quente.
Só então eu percebi que ele havia entrado junto comigo, e que apesar de usar uma quente calça de algodão, estava sem camisa, e seu cabelo estava molhado de suor.
Eu tremia por completo. Meus braços estavam enlaçados em seu pescoço, e eu o apertava
com força, como se aquilo pudesse acabar com meu frio. Loki apenas relaxava com os olhos fechados e a cabeça meio que voltada para cima.
Parei de tremer. A temperatura estava ficando lentamente agradável, mas ainda sentia um pouco de frio.
Loki saiu debaixo da água, e me pôs em pé no chão. Eu olhava para baixo, envergonhada. Ele tirava sua grossa calça de algodão, agora encharcada. E eu apenas observava por minha visão periférica, tudo que eu já tinha visto todos esses dias. Ele abriu um dos armários de seu enorme banheiro, e pegou duas toalhas grandes e brancas, que pareciam ser extremamente macias. Eu o vi se enxugando lentamente com uma, depois pegou a outra e começou a me enxugar.
Eu queria muito poder dizer à ele que eu não estava tão debilitada à ponto de não poder me secar, mas eu estava. Minhas mãos ardiam, e eu podia ver o enorme estrago que eu mesma havia feito nelas.
Loki estava sendo totalmente delicado comigo, parecia estar com medo de me quebrar.
-Eu não sou uma boneca. - Murmurei teimosamente, e ele apenas me ignorou.
Ele me carregou e me pôs sentada em sua gigantesca cama, enquanto vestia agora, uma leve calça de seda. É. Somente ela, e nada mais. - Balancei levemente a minha cabeça tentando afastar alguns pensamentos impróprios da minha cabeça. - E notei um olhar sobre mim.
Levantei a cabeça e ele já havia se virado novamente. Parecia estar procurando algo. Então ele desistiu e bateu a porta do seu guarda-roupa com força. Puxei o lençol que estava esparramado pela cama, onde Loki provavelmente estava antes de ir para o meu quarto. E apenas o observava curiosa. Era estranho vê-lo estressado.
Lembrava de tê-lo visto com raiva, ou muita raiva. Mas nunca estressado e mal-humorado.
Ele abriu uma das gavetas de um pequeno armário, e me jogou uma curta camisola verde, de seda, simples e com alguns detalhes. Eu a vesti com alguma dificuldade, e ele se pôs na minha frente segurando pequenos tecidos brancos, que logo reconheci como curativos e derivados. E então, ele me empurrou para o meio da cama, perto da cabeceira, e tomou minhas mãos com rapidez.
Espalhava cicatrizante por toda região cortada e machucada, o que causava uma dor terrível. Mas eu não gritava. Eu não tinha forças para aquilo. Pois cada vez que eu olhava para as minhas mãos, eu lembrava o motivo que me levou a fazer aquilo. Eu me recusava a pensar nas coisas que havia visto hoje.
-Você estava com febre. - Ele me disse, antes de deitar ao meu lado, e virar as costas para mim.
Eu não enxergava nada, pois a única fonte de iluminação que havia no momento, era a da lua, que passava pela janela. Eu ainda estava com um pouco de frio. Me enfiei debaixo dos lençóis de seda, e tentei dormir, não conseguia. Estava tudo tão frio..
Loki tinha a respiração calma. Talvez já tivesse dormido. Cheguei mais perto dele, passei a mão por debaixo do seu braço, e o abracei. Senti a mão dele automaticamente se fechar sobre a minha, o que significava que ele estava acordado esse tempo todo, mas não me importei.
Depois de algum tempo, quando eu já estava quase pegando no sono, ele se virou e me puxou mais para perto. Pegou uma das minhas pernas e passou por entre as dele. E inconscientemente, passei uma das minhas mãos pelo seu pescoço, me aconchegando mais no seu peito.
Ele parecia ter dormido antes do que eu. Sua respiração e seu rosto estavam calmos e sem expressão. Arrisquei me esticar um pouco para ficar à altura dos seus lábios. Dei um demorado selinho, e voltei para o meu lugar, satisfeita. Em seguida, apaguei.
Ele me transmitia certa calma. Eu conseguia me sentir totalmente bem quando estava perto dele. Apesar de me trazer bastante sofrimento quase todos os dias, algo me dizia que não era por mal.
