CAPÍTULO 5

Hoje era o dia do recomeço, era o dia em que fazia 2 anos que eu tinha chegado a Forks, e também era o dia de um novo recomeço da minha vida, era o dia em que eu ia partir para Londres para fazer a tão temida e esperada faculdade, aquela cuja os estudantes fantasiam sem ao menos completar o ensino médio, aquela que vai nos guiar num futuro não muito distante, aquela que vai tomar o rumo de nossas vidas.

Eram aproximadamente 06:00 da manhã. O vôo ia partir do aeroporto de Seattle ás 14:00, ainda me restavam 8 horas para ir a La Push me despedir dos garotos, já que na festa ninguém quis tocar no assunto despedida.

Ao me lembrar da festa, senti um calafrio percorrendo a minha espinha, aqueles olhos vermelhos cor de fogo me atormentaram a noite toda, praticamente não dormi, mas quando cheguei a conclusão que não tinha nada a temer, pois amanhã eu ia embarcar para Londres e se ela quisesse me fazer algum mal, ela já o teria feito, já era tarde demais, os primeiros raios já indicaram que mais um dia estava pra começar.

Fiz minha rotina habitual: tomei meu banho relaxante, vesti meus jeans e uma blusa confortável e desci as escadas para me encontrar com meu pai. Charlie tinha tirado um dia de folga para poder me ajudar com os últimos preparativos para a minha partida, ou melhor, partida não seria um termo muito correto ao se utilizar, digamos que recomeço seria mais conveniente na ocasião. Ou talvez fuga daquele passado que tanto luto para esquecer e ao mesmo tempo quero tanto recordar. Proibida de lembrar, com medo de esquecer, era uma situação limite.

Após descer as escadas, percebi que cheguei a tempo de me livrar de uma possível intoxicação alimentar, ou seja, a comida de Charlie, ou melhor, a gororoba que Charlie ia preparar para o café da manhã. -Bom dia pai, deixa que eu preparo o café da manhã pra você- disse esbanjando um largo sorriso, para passar segurança a Charlie, pois devido ás sombras arroxeadas em volta de seus olhos, pude concluir que ele não dormira direito a noite.

-Claro Bells, eu ainda vou ter a chance de provar a sua comida antes de você ir embora.- Disse Charlie com uma pontada de tristeza na voz.

- Vai ficar tudo bem pai, vou deixar o número da ambulância na discagem rápida, caso aconteça algo na cozinha enquanto o senhor estiver nela.

- Ra. Muito engraçado garota. Que horas você vai para La Push?

- Assim que eu terminar de tomar café, eu vou pra lá pra me despedi dos garotos e da Praia.

- Que bom, Jake vai gostar de se despedir de você, já que ele ficou de ajudar o pai na oficina hoje á tarde.

Depois desse pequeno diálogo com Charlie, fiz panquecas de carne especiais para ele, como uma forma de agradecimento pelo apoio que ele tem me dado desde que eu cheguei em Forks, e por ter sido um pai muito carinhoso, embora ele não seja um homem de expressar os seus sentimentos, assim como eu .

Logo após de comermos e de lavar a louça, subi para meu quarto pegar minha inseparável capa de chuva, e no trajeto, tropecei em um fiapo de madeira solto do piso do quarto e o inevitável aconteceu, eu caí com força no chão. Mas incrível ainda, foi que ao observar a madeira que foi responsável pela minha queda, pude notar que ela estava meio solta, como se ela tivesse sido recolocada ou mexida a pouco tempo.

Minha curiosidade foi mais forte, e ao puxar a madeira para tirá-la do piso, as lembranças jorraram com tudo em minha mente, me levando para um abismo de escuridão.

(...)

Minha cabeça latejava e flashes e mais flashes de uma época distante foram se passando rapidamente em minha cabeça. Aos poucos, fui recuperando meus sentidos e pude notar que estava sozinha no quarto, Charlie provavelmente estava colocando minhas malas na picape e não escutou o som do impacto do meu corpo caindo sobre o piso de madeira. Depois de cerca de 5 minutos de inteira confusão e memórias embaralhadas, a realidade me atingiu em cheio.

Debaixo daquela madeira, todas as recordações minhas e de Edward estavam dentro de uma caixa estilo baú. Todos os bilhetes trocado na sala de aula, todas as fotos, todos os presentes, absolutamente todas as lembranças dele e dos Cullens estavam dentro daquela caixa em forma de baú, que era num formato bem clássico, do início do século XVX , e o design era familiar. Tentei puxar pela memória e a única coisa que veio a minha mente foi uma caixa semelhante a ela que estava no quarto de Edward no primeiro dia em que eu fui a mansão Cullen .

Quando perguntei, ele me disse que a aquela caixa pertencia a sua mãe, e que vinha de geração após geração na família Masen, e que ela deveria pertencer ás mulheres da família, ou era dadas para as esposas de seu descendentes homens.

De repente percebi que com a "descoberta" daquela caixa, a promessa de Edward foi quebrada, por que com aquela caixa, era impossível eles não terem existido. Como num passe de mágica toda aquela dor acumulada em meio peito durante 1 ano voltou com força total, me cutucando e cavando cada vez mais fundo o vazio em meu peito.

Meus joelhos enfraqueceram, e me vi ajoelhada no piso de madeira chorando toda aquela dor e a saudades acumuladas em mim. A dor me consumiu e a incoerência junto, eu já não sabia mais o meu nome, eu só focava naquela saudades e dor me consumindo pouco a pouco. Por um momento pensei que não fosse encontrar a razão novamente, mas com muita determinação e custo, eu me ergui do chão, e fui em direção ao closet.

Entre diversas bolsas que estavam lá e que não tinham nenhuma utilidade, escolhi a maior e mais fácil transportar e coloquei a caixa e lembranças com cuidado dentro dela. Agora eu tinha que seguir em frente e apenas recordar o quanto eu fui feliz quando eu olhar aquela caixa novamente, apenas uma lembrança feliz, sem mágoas, sem dor, sem tristezas e principalmente, sem saudades. Interrompi a linha de pensamentos com a porta sendo aberta por Charlie, nitidamente constrangido.

-Desculpe Bells, eu pensei que você já estava indo pra La Push, não foi a minha inten.. Que bolsa é essa?

Droga! Por que ele tinha que ser observador justo agora?

-Er.. são alguns livros que estavam embaixo da cama que eu não tinha reparado quando fui arrumar milhas coisas.

- Certo, te espero lá embaixo, se você quiser eu posso levar sua bolsa na picape.

- Não precisa pai, eu já estou descendo, e a bolsa não é tão pesada assim.

- Ok, não demore que ainda tenho que parar no posto pra abastecer a viatura.

Charlie disse e em seguida foi embora do quarto, me deixando imersa em pensamentos. Logo ajeitei a bolsa em meus ombros e desci as escadas para ir até a minha caminhonete e segui rumo a La Push.

Joguei um Até Logo para Charlie por cima dos ombros e sentei em minha picape.

Lá me permiti respirar, e depois de pronta liguei a caminhonete e segui para La Push.

Durante o trajeto, observei atentamente o percurso feito por grandes árvores e excesso de verde, e pela primeira vez, pude observar tudo aquilo sem raiva ou repulsa, eu estava somente admirando a paisagem. Depois de cerca de 30 minutos, eu já avistava as casas que habitavam La Push, as simples casa de madeira dos quileutes, que de geração em geração vem habitando essas terras cheias de lendas e mistérios.

Estacionei minha picape perto da casa vermelha familiar de Jacob, e em 2 segundos depois o meu sol particular aparece na janela da picape com um sorriso imenso e acolhedor em sua face. Num movimento rápido que eu nem mesma fui capaz de notar, eu estava nos braços de Jake e recebendo um abraço aconchegante e apertado de meu amigo.

-Não acredito que você veio, disse Jacob com felicidade estampada em seu tom de voz

- Eu disse que vinha me despedir.

- Mas eu pensei que você ia estar arrumando suas coisas para a viagem.

- Eu arrumei tudo ontem, pra sobrar tempo e vim até que aqui te ver e me despedir.

- Vamos conversar na praia tudo bem? Aqui as paredes tem ouvidos.

E eu entendi o que ele quis dizer, quando vejo alguns movimentos pela mata, e de repente a alcatéia estava a nosso olhar.

- Olá. – disse encabulada pela posição em que eu me encontrava nos braços de Jacob. Eles acenaram com a cabeça e partiram em direção á floresta.

- Vem, vamos Bells.

Jacob pegou a minha mão e eu, por incrível que pareça não pensei em momento algum recusar.

Chegamos na praia e ficamos num silêncio confortável, vendo os movimentos suaves das ondas pelo mar. Até que Jacob resolveu quebrar o silêncio.

- Bella, eu quero que você saiba que não importa o tempo, a circunstância e nem a distância, eu sempre vou estar te esperando, eu sempre vou levar você dentro do meu coração, eu vou lutar pra ter você de volta, até que o seu coração para de bater. Eu quero que você saiba, se por ventura der algo errado na Europa, eu vou estar esperando você de braços abertos durante todo os momentos do meu para sempre. Eu quero que você tenha consciência de que você tem escolha se der algo errado lá.

Aquelas palavras de Jacob mexeram em meio interior, e sem pensar, grudei meus lábios no de Jake. De início ele ficou surpreso, mas depois correspondeu á minha investida. Os lábios de Jacob não eram frios do qual eu tinha me habituado a beijar, mas sim era de um calor, que rapidamente se espalhou pelo meu corpo, me causando uma sensação de bem estar e de aconchego. Nossos lábios se moviam de forma calma e doce, um desfrutando do outro enquanto ainda era tempo. Logo precisamos de ar e com um ultimo encostar de lábios, eu disse a Jacob:

- Eu também nunca vou te esquecer, e não se esqueça, eu te amo, não da forma que você gostaria, mas mesmo assim eu te amo, muito, nunca se esqueça diso também.

Depois de citar essas palavras, deixei Jake na praia e fui correndo em direção á picape, lutando contra as lágrimas e a conhecida sensação de saudades em minha alma.

(...)

Eu e Charlie estávamos no aeroporto de Seattle, esperando o chamado de embarque do avião que ia me guiar á Londres. Depois da conversa em La Push, só tinha forças para pegar a minha bolsa e ir até a viatura de Charlie, que no momento em que me viu, percebeu que a despedida tinha sido dura demais, cruel demais para ambas as partes.

O painel de embarque e desembarque mostrava que o vôo já estava perto de acontecer, e Charlie ao que pareceu, também percebeu, pois me apertou mais em seu abraço desajeitado.

- Eu te amo muito garota, embora eu não demonstre muito no dia a dia, você é a minha garota, e sempre será.Eu vou sentir muito a sua falta.

- Eu também pai, te amo muito, mas não é o fim, eu vou arrumar um emprego lá, e venho visitar você e a mamãe quando eu puder. –

Vai lá que já está na hora. Boa sorte. E nunca se esqueça de que eu te amo muito.

- Eu também pai, o senhor nem imagina o quanto.

Peguei o carrinho com minhas malas, ajeitei a bolsa em meus ombros, e fui em direção ao portão de embarque, De lá arrisquei um olhar em direção a Charlie e vi uma lágrima solitária descendo pelo seu rosto.

E então percorri o corredor que ia muda toda a minha vida e mudar meus conceitos, e pela primeira vez, não pensei no passado, mas sim no futuro que tinha pela frente.

CONTINUA EM LONDRES...