Título: De Platão À Concreção
Autora: Lab Girl
Categoria: Bones, B&B, 5ª temporada, romance, sexo
Advertências: Situações sexuais descritivas, inapropriadas para menores e pessoas sensíveis a esse tipo de leitura.
Classificação: NC-17
Capítulo: 2/4
Spoilers: Episódio 5x15 (The Bones in the Blue Line)
2 Concretização
A parte que ignoramos é muito maior que tudo quanto sabemos
Platão
Brennan piscou. "Eu... eu acho que entendo a essência do que você quer dizer."
"Acha mesmo?" ele perguntou, com um meio sorriso, provocando-a.
"São coisas metafóricas. E embora eu não entenda muita coisa que você diz, acho que consigo apreender a ideia básica."
"Mesmo?" ele sacudiu o copo vazio, fazendo a pedra de gelo balançar.
"Sim" Brennan deu de ombros, pigarreando. "Embora você exagere nas descrições dos sentimentos, eu sei que é bem possível amar alguém com força."
"Isso me surpreende" ele meneou a cabeça.
"O que?" ergueu os olhos para ele.
"Você... Temperance Brennan, a grande e racional antropóloga que reduz o mundo ao seu microscópio, dizendo que compreende que é possível amar alguém com força" ele não disfarçava o sorriso de divertimento.
"Eu não sou tão fria como as pessoas pensam, Booth" ela murmurou. "Eu tenho sentimentos como todo mundo. Embora eu seja mais racional do que a maioria, o que é bom, porque a exacerbação dos sentimentos nunca traz bons resultados. E eu sei muito bem como as pessoas podem se amar com tamanho exagero, eu lido com as consequências disso quase todos os dias – crimes passionais" sentenciou, levando o copo aos lábios, tomando mais um gole de sua bebida.
"Nem todo mundo ama assim, Bones. Não deve generalizar, são casos isolados."
"Isolados? Em todos esses anos que trabalhamos juntos, quantos crimes foram cometidos porque as pessoas se achavam donas da outra? Porque diziam amar desmesuradamente?"
"São casos isolados, sim, Bones. Você não pode entender o amor por esses comportamentos desvirtuados. O amor não é isso."
"Então o que? Senão um conjunto de reações químicas que levam as pessoas a agirem sob a influência de uma coisa que chamam de amor apenas para se sentirem menos primitivas?"
"O amor é um sentimento, Bones... não um conjunto de reações químicas no cérebro" ele disse, muito sério. "O que você diz que acha ser amor, é apenas paixão."
"E tem diferença?" ela questionou, dando de ombros.
"Muita" Booth meneou a cabeça afirmativamente.
Brennan se calou, apenas observando enquanto ele se inclinava sobre o balcão de mármore, os braços cruzados.
"Paixão é efêmera, Bones... dura apenas um tempo. E é sob a influência dela que as pessoas cometem loucuras. O amor, não... o amor é..." ele olhou para o lado, sorrindo, como se estivesse invocando uma lembrança muito boa. "O amor é o sentimento mais puro e mais bonito que pode existir entre as pessoas, Bones" ele voltou a encará-la, o semblante sereno, uma sombra de sorriso nos lábios. "O amor é tranquilo... é paciente, o amor respeita... não é invejoso... não machuca, nem é injusto. O amor não aprisiona, ele liberta... o amor tudo suporta, o amor espera... o amor... o amor nunca falha, Bones..."
Brennan sentiu seu mundo parar quando uma das mãos dele buscou a sua sobre a superfície de mármore. E os dedos quentes de Booth envolveram sua pele, tocando-a gentilmente.
Seus olhos seguiam conectados, e por um instante ela não soube como quebrar aquela conexão. Sentiu-se presa naqueles orbes escuros, onde conseguia ver tantas coisas... por mais louco que fosse imaginar... mas ela via... Temperance via o brilho de honestidade. De conforto e de algo mais que não sabia dizer o que era. Mas estava tudo ali, nos olhos dele... naqueles belos olhos que não deixavam os seus sequer por um segundo.
Então, sentiu-se reagindo de forma inesperada até para si mesma. Sua mão virou-se na dele, colocando palma a palma em contato. Booth sorriu ante seu movimento, e apertou de leve sua mão. Brennan correspondeu. E sentiu o polegar dele roçar seu pulso.
O contato arrepiou sua pele... seu braço, e subiu por seu corpo... atingindo seus seios. Brennan sentiu a onda de calor que tomou conta de seu rosto. Estava quente e arrepiada. Seus mamilos despontaram imediatamente, a visão do rosto dele, ali tão próximo... escutar a respiração dele no silêncio de seu apartamento, tudo estava despertando sensações perigosas.
Ainda assim, ela não desfez o contato – nem de seus olhos nem de suas mãos.
Foi quando Booth se inclinou mais sobre o balcão, e com a mão livre, afastou uma mecha de seu cabelo, depositando-a cuidadosamente atrás de sua orelha.
Brennan sentiu o coração bater apressado no peito diante daquele gesto. E quando viu o rosto dele ainda mais próximo do seu... seus pensamentos voaram como folhas ao vento. E cerrou os olhos, ciente do que estava prestes a acontecer.
E Booth a beijou.
Suave e delicadamente, ele tocou seus lábios com os dele... macios, quentes... cuidadosos.
Oh...
Ela estava dançando. Em sua mente, as sensações dançavam, tornando o momento o mais prazeroso que já havia experimentado antes. Era tola a constatação, afinal, não haviam feito nada mais do que tocar os lábios um do outro. Mas estava sendo o bastante para que todo seu corpo, assim como suas emoções, reagissem ao toque.
E quando deu por si, sua mão livre foi de encontro à nuca de Booth, os dedos deslizando por entre os cabelos do parceiro. E ela inspirou, respirando o cheiro e o perfume dele. Seus lábios se acariciaram mais, deslizando sobre o outro com curiosidade.
Sua outra mão continuava apertada à de Booth. E o contato dizia tantas coisas a ela... era diferente de tudo o que já havia experimentado. Não era apenas seu corpo que o sentia... que respondia a ele. Sua mente também havia interrompido todo o curso de pensamentos e razões para deixar que as sensações assumissem o momento.
E Brennan agradeceu. Pois não havia nada mais prazeroso do que a suavidade dos lábios de Booth sobre os seus... roçando, deslizando... acariciando com gentileza e calor.
Oh, ela estava bem agora... apenas sentindo.
A língua morna do parceiro se permitiu acesso ao interior de sua boca, num passeio lento e carinhoso. Brennan inclinou a cabeça ante o contato, não só permitindo a exploração, como acompanhando-a com sua própria língua, sentindo o gosto do whisky misturado ao gosto natural de tudo o que era Seeley Booth.
Os segundos se passaram, e a carícia foi interrompida quando Booth se afastou um pouco. Ela ainda permaneceu relutante por um momento. Sem abrir os olhos, manteve a mão que acariciava os cabelos dele na nuca macia.
Ele permaneceu próximo, o rosto sobre o dela, suas respirações unidas... levemente alteradas, mas lentamente voltando ao normal. Quando se sentiu forte o suficiente para tornar a abrir os olhos, sua mão deslizou pelo pescoço dele, até se afastar.
E viu Booth voltar a sentar no banco que ocupava anteriormente, um leve sorriso nos lábios agora avermelhados. Embora o contato proporcionado pelo beijo tivesse sido rompido, o de suas mãos ainda permanecia. Brennan levou os olhos para a mão ainda unida à do parceiro sobre a bancada.
"Eu entendo o que você quer dizer" murmurou, sem mover os olhos dos dedos de ambos, agora entrelaçados. "Acho que algumas coisas não podem ser explicadas pelas reações químicas."
"Que bom..." ele sorriu "É bom ver a cientista dando espaço ao coração."
"Eu não sou uma pessoa insensível, sabe?"
"Eu nunca achei você uma pessoa insensível, Bones" ele disse, seriamente, enquanto apertava mais os dedos aos dela. "Você é apenas... um tanto quanto reservada com as emoções. O que não faz de você, de forma alguma, uma pessoa insensível."
"Eu consigo entender o que é gostar de alguém e querer ficar ao lado desse alguém" ouviu-se dizer, de repente. "Posso entender o que é encontrar alguém com quem se sinta à vontade o bastante para achar que esse alguém é quase como uma parte de você mesmo. Sei o que é ter alguém que considera tão importante na sua vida que não consegue se imaginar sem esse alguém – mesmo que seja possível viver sem ele... porque não é prazeroso imaginar a vida longe dele" seus olhos encontraram os do parceiro. "Você me ensinou essas coisas, Booth."
"Eu?" ele perguntou, surpreso.
"Sim" disse, deslizando os dedos da mão livre sobre um dos antebraços dele sobre o balcão. "Você me ensinou coisas sobre os sentimentos esses anos todos. Sobre como às vezes é preciso deixar que as emoções tomem conta do meu coração – metaforicamente falando" ela riu, sem conseguir evitar; e ele também riu. "Você me ensinou sobre ter alguém especial para todo mundo... alguém com quem é possível estabelecer um nível profundo de conexão, do tipo que não pode ser quebrada" ergueu os olhos para ele, por fim. "E me ensinou que tudo isso seria possível, se eu acreditasse e desse uma chance a mim mesma. Porque tudo acontece, no final."
Booth a olhava com olhos luminosos.
"Você me ensinou essas coisas, Booth..." murmurou, fechando sua mão livre sobre a outra mão dele. "E se isso tudo o que você me mostrou pode ser definido em uma palavra... então eu acho que essa palavra é amor."
Um sorriso surgiu nos lábios dele... expandindo-se lentamente, iluminando a expressão do rosto de Booth.
"Talvez eu tenha levado um tempo para entender essas coisas..." prosseguiu, sem conseguir impedir-se. "Para encaixar tudo isso em alguma definição. Mas acho que amor é a melhor delas."
"Então, quer dizer que você agora sabe o que é amor... por todas as coisas que eu ensinei a você nesses últimos cinco anos?"
"Não só pela teoria."
"Como assim?" ele pareceu preocupado.
"Enquanto você estava definindo almas gêmeas para mim, na sua concepção de complementação... eu percebi que o que temos se encaixa muito bem nessa metáfora."
Ele ficou calado. Parecia ter perdido a fala.
"Nós somos assim, não somos?" perguntou, querendo certificar-se de que havia entendido corretamente as palavras anteriores dele. "Nós temos uma relação de companheirismo e cumplicidade. Você me completa, metaforicamente falando. E tudo o que você disse sobre isso se aplica... eu me sinto à vontade com você como não me sinto com mais ninguém. Eu posso falar com você sobre coisas sérias ou sobre amenidades, e sempre gosto da sua companhia. E nós já compartilhamos alguns dos piores e dos melhores momentos das nossas vidas, não?" sorriu. "Você me compreende e eu me sinto amada no seu olhar. E não gosto de imaginar a minha vida sem você nela."
Continua...
