Parte III

Jasper

Desci as escadas rapidamente para Isabella não ver o quão excitado eu tinha ficado com o acontecido. Minha calça estava me incomodando e se ela tivesse descido um pouco os olhos, teria visto o volume desproporcional demais para alguém tranquilo.

Sentei-me e tombei a cabeça no encosto do sofá. Nos meus quase cento e cinquenta anos, eu nunca tinha experimentado sensação tão prazerosa. A experiência foi surreal demais. Fazer o que eu já fiz em tantas mulheres, porém em uma humana, quase me levou à loucura.

Eu fechei os olhos e passei a língua pelos lábios, saboreando o gosto que havia ficado lá. Era divino. Delicioso. Abri a boca e a fechei, fazendo o cheiro dela chegar ao meu nariz. Salivei com seu aroma. Isabella era cheirosa, e tinha um gosto incrível. Merda, o cheiro. Edward daqui a pouco voltaria e meu rosto cheirava a ela e seu sexo. Não seria algo agradável se ele sentisse o aroma. Mesmo que eu duvidasse que ele já tivesse sentido o cheiro do sexo dela.

Sorri com isso. Levantei-me do sofá e caminhei em direção ao banheiro do meu quarto. Abri a torneira e ensaboei meu rosto por inteiro, enxaguando-o para tirar o aroma que estava impregnado ali. Lavei minhas mãos também, me concentrando nos dedos. Mesmo que o cheiro dela ainda estivesse em mim, se Edward não chegasse muito perto, ele não sentiria. E eu sabia que quando ele chegasse, ele iria direto para o quarto de sua amada. Agora era torcer para ela ter se lembrado de abrir a janela. O aroma da sua excitação estava por todo o cômodo.

Minha boca se encheu de veneno ao pensar no seu aroma. Eu não escovei os dentes, eu teria o gosto dela na minha boca até que ele saísse naturalmente.

Desci novamente as escadas e ao pisar no último degrau eu vi Edward abrir a porta de vidro. Fiquei estático por um momento, mas continuei a andar e caminhei em direção ao sofá, me sentando. Ele se contentou em dar um aceno com a cabeça e passar direto, subindo as escadas.

Em um dia normal eu acharia isso doentio. Mas depois de ver o potencial que Isabella tinha em me excitar, eu poderia passar o dia todo no seu quarto. Trancado. Minha boca salivou ao pensar e eu passei as mãos nos cabelos.

Isso não podia estar acontecendo. Eu era casado. E tinha acabado de fazer sexo oral na futura mulher do meu irmão. Era algo doentio? Pensando melhor, eu nunca fui um vampiro santo, nem recatado. Mas isso já estava passando dos limites, não?

Levantei-me de um salto do sofá e comecei a andar de um lado para o outro. À medida que pensava, escutava os gemidos de Isabella suavemente dentro da minha mente, gemidos que ela havia dado minutos atrás. Gemidos que ela havia dado por minha causa.

Eu poderia dizer que a aliviei. Mas eu não sabia se o que eu tinha feito iria ter consequências boas. Eu não pensei nisso antes de me enfiar debaixo do maldito cobertor e lambê-la como se fosse um sorvete. Ela havia me proporcionado prazer, isso era óbvio. Mesmo que eu não tivesse tido um prazer físico, sentir seu prazer e seu desejo foi algo bem gostoso. Muito gostoso. Deus, eu precisava de ar.

Corri para a janela e pulei para fora, adentrando rapidamente a floresta que eu estava horas atrás. Sentei-me em um tronco de árvore caído e pensei pela primeira vez no que eu faria depois de tudo o que havia acontecido. Edward nunca saberia, a menos que Isabella contasse. Meus pensamentos eram fechados quando eu estava perto dele, e eu agradecia sempre meus dias de treinamento. Alice nunca veria, porque a decisão foi tomada de última hora. Meu plano era ver televisão até Edward chegar, eu só decidi ajudar a humana depois que senti sua onda de desejo me tomar novamente.

Por um instante eu odiei ter o dom que eu tinha. Era ridículo. Manipular as emoções das pessoas era algo divertido até certo ponto. Mas senti-las era bem diferente. Principalmente se a pessoa que estava perto era uma garota chamada Isabella Swan. Uma garota virgem e cheia de desejo.

Virgem sim. Mas agora, pelo menos, ela tinha aprendido o que era usar a língua para outros fins mais interessantes do que comer e beijar. Sorri com isso. Mesmo eu saindo do quarto rapidamente, eu senti a onda de desejo só se intensificar. Pensando melhor no assunto, ela não havia diminuído. Vinquei a testa. Ela era insaciável. E eu não tinha usado o meu dom para injetar desejo nela, tudo o que eu tinha sentido, foi ela que tinha projetado. Claro que quando a toquei com a língua meu desejo escapou, fazendo o dela aumentar mais.

Respirei fundo e fechei os olhos, me concentrando no meu propósito de ter corrido para a floresta. O que eu faria de agora em diante? Eu entraria em casa, e fingiria que nada tinha acontecido. Edward nunca descobriria. E era isso.

Que merda de ideia era essa de ajudar Isabella e satisfazê-la? Onde que eu estava com a cabeça quando tomei essa decisão?

Pisquei algumas vezes desnecessariamente e bufei. Os gemidos dela ainda estavam na minha mente e eu tentei em vão esquecer o som do prazer que ela sentia quando eu enfiava meus dedos dentro do seu sexo apertado, macio e quente. Merda, era lindo. Minha calça apertou e eu fiquei em alerta. Se eu não conseguisse arrancar das minhas lembranças o que eu havia feito, teria que me aliviar novamente.

Respirei fundo quando meu membro protestou dentro da calça. Não teria outro jeito. Ou eu entraria em casa e desmembraria meu irmão para entrar em Isabella e saciar meu desejo, ou eu faria algo para esquecer.

Balancei a cabeça. Seria a segunda vez que eu faria isso em apenas um dia. Mas não via outra saída. Desabotoei a calça e a desci um pouco, me envolvendo e fazendo os movimentos enquanto pensava em Isabella, no seu gosto, no seu cheiro, e nos seus gemidos.

Merda.


Quatro horas e cinco cervos depois eu voltava para casa. A cabeça baixa, a sede e o desejo saciados. Apesar de que momentaneamente. Se eu não tomasse cuidado, faria todos os Cullen ficarem excitados. Eu teria que ser cauteloso e não projetar nada.

Abri a porta de vidro e entrei na sala. Continuava escura e com o abajur ligado. Vinquei a testa quando escutei várias vozes saindo da cozinha. Caminhei em direção ao cômodo e vi Emmett e Rosalie conversando alegremente. Edward estava empoleirado na bancada da cozinha, fitando seu amor eterno, Isabella.

Eu entrei no cômodo e todos os vampiros me fitaram, mas meus olhos procuraram os únicos olhos que não eram dourados na cozinha. Ela me olhava enigmaticamente e um pouco sem graça, eu fiz um esforço enorme para que meus olhos não ficassem negros quando os passei pelo seu corpo, rápido demais para qualquer vampiro perceber.

- Já jantou, Jasper?

A voz de Emmett chegou aos meus ouvidos e eu me virei para meu irmão. Ele estava sentado em uma cadeira de frente para Isabella, que comia um pedaço fedido de torta de chocolate.

- Sim.

- Jesus, homem, estava passando fome?

Meu irmão brincalhão falou e eu vinquei a testa não entendendo de imediato o que ele quis dizer.

- Seus olhos estão quase amarelos. Você deve ter caçado muito.

Revirei os olhos para Emmett e ele riu. Eu quase o matei por isso, se Isabella ligasse a excitação com a fome, veria que ela quase tinha me enlouquecido horas atrás. Mas acho que ela era devagar demais para ver ligação na minha caçada com o momento que passamos. Agradeci mentalmente que meus olhos estivessem dourados, e não negros. Com dificuldade, passei por Rosalie e Edward para me sentar na outra cadeira vazia que estava ao lado de Isabella. Ela me olhou e sorriu, seu corpo me passava ondas de vergonha. Eu a fitei intensamente e retribui o gesto. Seu rosto corou levemente.

Emmett observava com fome sua mulher e Edward olhava para a janela com atenção. De repente ele se levantou da bancada.

- Alice já está perto com Esme. Irei ajudá-las.

Emmett e Rosalie saíram da cozinha para subir para o quarto. Eu nem pensei no que eles poderiam querer fazer. Não era possível que o casal já estivesse com planos sexuais. Edward pulou a janela, deixando-me sozinho com Isabella pela primeira vez desde o ocorrido.

Ela permanecia olhando para o resto do pedaço de torta que ainda estava no prato. Eu podia ver cada pedaço dela com atenção. Seus lábios rosados e carnudos, sua maçãs do rosto um pouco avermelhadas devido à vergonha e seus cílios longos. Os seios dela desciam e subiam de acordo com sua respiração, e seu coração estava acelerado. Eu pousei minha mão na sua sem conseguir me refrear e ouvi as marteladas aumentarem dentro do seu peito.

- Melhor?

Isabella olhou para mim com confusão e o sangue subiu por todo o seu rosto. Ela abriu a boca e seus lábios estavam tremidos. Deus, eu realmente gostava quando ela ficavadesorientada.

- S-s-sim.

Eu sorri para ela e tirei minha mão de cima da sua mão quente. Levantei-me de um pulo da cadeira quando senti os cheiros familiares chegarem ao meu nariz e Isabella se assustou. Eu quase ri com isso. Depois de alguns segundos, Edward chegava com três malas enquanto Esme e Alice vinham atrás com mais duas cada uma.

Que merda era aquela? Elas não tinham saído com tanta bagagem assim, tinha certeza, ou eu estava ficando louco. Minha fada veio saltitando para meu lado e me beijou suavemente na boca. Esme sorriu para mim, e eu retribui o sorriso. Era bom, a casa estar cheia novamente. Distraía-me da humana que me fazia ter apenas pensamentos maliciosos. E não eram pensamentos com o seu sangue.

Saí da cozinha que agora estava lotada com a bagagem extra e fui acompanhado por todos. Alice conversava com Esme alegremente e Edward parecia fazer um esforço enorme para não abrir as malas e ver o que tinha dentro. Ver com os próprios olhos, já que sabia o que tinha escutando os pensamentos das compradoras.

- Nossa, o que vocês compraram?

A voz do patriarca da família chegou e eu me virei para o médico que no momento colocava sua maleta na bancada da cozinha e caminhava para Esme, depositando um beijo suave no seu rosto.

- Nada que vocês homens vão entender. Logo precisaremos voltar à Seattle para comprar o resto.

Alice respondeu a pergunta de Carlisle com pulinhos e eu revirei os olhos sorrindo com sua atitude. Não existia ser na Terra mais animado com compras igual minha mulher. Esme pegou as malas e subiu as escadas, sendo seguida por Carlisle com o restante da bagagem.

- Edward, você precisa vir comigo dessa vez.

Os olhos dourados do meu irmão se arregalaram e Isabella vincou a testa do mesmo modo que eu. Edward ir para Seattle com Alice era algo novo demais na família Cullen para eu não perguntar o motivo. Mas Edward fez esse favor para mim.

- Posso saber por quê?

Alice revirou os olhos impaciente, mas sorriu. Edward lia seus pensamentos e sua expressão passou de incompreensão para felicidade em segundos.

- Ei!

Isabella interrompeu os dois vampiros que conversavam em silêncio e eu a agradeci por ela ter me poupado disso. Edward olhou para a noiva com um sorriso no rosto.

- Vou te deixar em casa, Bella. Para você arrumar as malas. Amanhã iremos para Seattle.

O quê? Alice, Edward e Isabella iriam para Seattle fazer o quê? Minha curiosidade estava gigantesca, e eu sentia a mesma sensação vinda de Isabella.

- Posso saber por quê? E Charlie?

- Alice de qualquer jeito vai ter que ir para pegar os restos das encomendas que ainda não tinham chegado. Eu vou junto porque vou escolher seu presente para a lua-de-mel. Alice já conversou com Charlie, Bella. Amanhã eu vou pegar você na sua casa de carro para irmos. Claro que passarei a noite com você.

Claro que Edward passaria a noite com ela. Ele não podia deixar Isabella sozinha nem um segundo. Suspirei lentamente. Era isso, eu teria um dia de paz quando ela saísse de perto de mim. Ela e suas ondas de desejo. Ela, suas ondas de desejos, e seu corpo. Ela, suas ondas de desejo, seu corpo e seu cheiro. Merda, Jasper. Pare com isso.

- Jasper irá também.

Quê? Escutei a voz de Edward e me virei para ele, vincando a testa.

- Pra quê? Eu não quero ir...

Alice riu da minha reação julgando ser pelo motivo de eu não gostar de compras. Mas ela não sabia que era porque eu queria paz de Isabella, eu queria fugir da tentação de sugá-la novamente.

- Quem ficará com Isabella quando sairmos para fazer as compras?

Eu travei o maxilar com força, reprimindo um 'foda-se Isabella' que queria sair da minha boca.

- Rosalie pode ir.

Edward revirou os olhos e Alice olhou para mim como se fosse me dar um sermão. O que era agora? Eu deveria ser obrigado a gostar de viajar, enquanto meus irmãos faziam compras e eu era babá de uma humana?

- Rosalie não irá, Jasper. Você sabe como ela é.

Esperta. Isso que ela é. Mas como era Alice me pedindo, eu faria. Acenei com a cabeça levemente e ela deu dois pulinhos de felicidade. Isabella irradiava nervosismo e eu tinha certeza do motivo. Depois do que havia passado, não seria seguro eu ficar sozinho com ela em um quarto de hotel.

Ela pegou sua bolsa no sofá e acenou com a cabeça para Alice e para mim. Alice sorriu e Edward passou o braço em volta da cintura da sua noiva, conduzindo-a para fora da casa. Minha mulher me beijou no rosto e correu para o segundo andar. A julgar pela sua velocidade, era pra refazer as malas.

Daqui algumas horas eu estaria com Isabella. Com ela, dentro de um carro com Edward e Alice. Com ela, dentro de um quarto, sozinhos.

Merda.