Disclaimer: Embora não tenha dito antes, faço agora e que valha para tudo o que escrevo aqui: os personagens não são meus, pertencem a JK Rowling. Agora, o que fazem aqui, é parte da minha febril imaginação e nada mais.

Obrigada a todos pelas críticas e elogios, gosto muito de recebê-las e por causa disso é que continuei a história, senão já teria tirado daqui como a maioria.

Beijos e abraços a Sayuri Hasejura e Vampilolita. Rickman para sempre!

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Apesar da ameça de Hermione, Severus respirou aliviado ao comprovar que era outra a enfermeira destinada a cuidar dele. Agora que tinha recuperado a voz, mas ainda não estava forte o suficiente para levantar, voltara a ser o "carismático" Severus. Em questão de algumas horas a pobre medibruxa de St. Mungus jogou o avental de Papoula, o nó desfeito, os olhos vermelhos e cheios de lágrimas de raiva.

- Estou saindo daqui! Não passei tanto tempo estudando para cuidar de bastados amargos.

- Mas, querida, o Professor Snape é um heroi de guerra...

- Eu não me importo nenhum pouco! De tanta gente maravilhosa que morreu na guerra tinha que sobreviver justamente essa coisa! Tomara que se engasgue com sua própria língua enquanto dorme.

E assim se foi a primeira enfermeira e não tinha sido fácil consegui-la. A maior parte dos medibruxos jovens tinham sido alunos de Snape e lembravam bem dele. Além disso, bastava mencionar a palavra "Snape" para vê-los estremecer ou torcer a boca. Os mais velhos conheciam sua fama de Comensal ou haviam lidado com ele. Logo, só tinha um bocado de aprendizes, todas da Lufa-Lufa, dispostas a sacrificarem-se para cuidar do heroi de guerra.

Severus, entretanto, envolto em uma nuvem escura de pessimismo, depressão e auto-piedade, não econtrava nada melhor com que se distrair a não ser aterrorizar suas medibruxas. Oh, sim... era um dom, tudo uma arte. Severus as estudava, procurava suas fraquezas, suas inseguranças e ...paf! Sem aviso prévio, via o golpe de misericórdia.

- Oh, a menininha do papai... sempre quis que você fosse medibruxa, não é mesmo? Pergunto-me o que ele diria se soubesse que não tem a mínima aptidão para medibruxaria, não importa o quanto se esforce...

- Senhorita Coleman, suas delicadas mãos foram feitas para outras coisas, certamente não foram feitas para medibruxaria... - dizia com um sorriso malévolo enquanto segurava a mão da jovem confusa – Coisas como...como... diga-me senhorita Coleman, o que serve um dom se não o usa para nada?

- Tsc,tsc,tsc senhorita Belcher. Você acha realmente que pode superar seu irmão? Ele tem anos de vantagem. Anos. Pelo menos é assim que aparece nesta edição de Saúde Mágica. Seus estudos sobre os usos alternativos da essência de ditamo são muito interessantes... mas se esforçar-se o suficiente é provável que ele peça para que você seja... a garota de recados.

- Severus Snape! - o repreendia Papoula cada vez que uma enfermeira saía chorando pela porta. - Ninguém vai querer cuidar de você! Pobres meninas...

- Se elas tivessem um pingo de inteligência ou senso comum perceberiam que o que eu digo não procede. - Ele se defendia com cara de inocente. - Mas, são umas tontas! E já que são tão estúpidas para acreditarem em tudo que digo, é porque merecem.

Se Severus acreditasse na lei do Karma, não teria se comportado de tal maneira. Logo percebeu que tinha mais razões para sentir-se miserável do que as que sabia desde o princípio. Em uma noite, quando se sentiu suficientemente recuperado para ficar de pé... e simplesmente não pode. Empurrou os braços até ficar sentado, mas suas pernas se negaram a sair da cama. Apavorado, ele jogou os cobertores para trás e levantou uma de suas pernas com as mãos e a deixou cair. Nada. E a outra também não.

O impacto da descoberta o deixou paralisado. Não foi sequer capaz de ter um pensamento coerente, as ideias iam e vinham como relâmpagos que confrontavam-se uns com os outros, afogando-se e anulando-se mutuamente.

A manhã chegou sem que ele percebesse, e quando Papoula entrou no quarto com a bandeja de café da manhã o encontrou ali, sentado na cama com as pernas nuas e o olhar perdido.

- Por Circe Severus! - exclamou deixando a bandeja cair. Entendeu o que tinha acontecido e percebeu que não seria fácil fazê-lo entender.

Severus levantou a cabeça e a fitou com os escuros olhos vazios.

- Não posso caminhar. - Foi tudo que disse, com uma voz pequena que nunca ninguém havia escutado em Hogwarts.

- Severus, não se preocupe, é muito cedo...

- Não posso caminhar. - Disse um pouco mais forte que da vez anterior, interrompendo-a.

- As vértebras... a serpente quebrou suas vértebras – gaguejou um pouco, atropelando-se para se fazer entender – Mas, conseguimos, no...

- Não posso caminhar! - ele gritou, assustando a pobre Papoula, que se aproximou da cama para tratar de acalmá-lo e confortá-lo. Pôs sua mão no ombro do homem e começou a falar outra vez, procurando a calma e as palavras certas.

- Severus, é muito cedo...

- NÃO POSSO CAMINHAR! - Rugiu agarrando Papoula pelos ombros. O Professor Snape estava de volta da sua viagem pós-traumática – Por que diabos ninguém me disse que não podia caminhar!?

Ao escutar os gritos chegaram correndo os medibruxos de St. Mungus que passaram por lá para entregar algumas poções e a Professora Sprout que necessitava de um antídoto para uma planta venenosa. Ao ver Severo sacudindo Madame Pomfrey pelos ombros, puxaram automaticamente as varinhas e apontaram.

- Solte Papoula imediatamente, Severus! - disse Pomona com a voz fria e calma, que escondia uma ameaça glacial por debaixo.

Ao se ver ameaçado por três varinhas ao mesmo tempo, deixou-a ir, e nesse mesmo instante sentiu feitiços sedativos acertando com força seu peito. Sentiu a ira, mas em seguida experimentou a bênção do nada apoderando-se dele e conseguiu sentir gratidão antes de sua cabeça bater no travesseiro.

Ainda meio atordoado pelo efeito dos feitiços sedativos, Severus acordou às quatro da tarde e teve de fazer um esforço para dissipar a tontura que sentia. Piscou um par de vezes e logo teve a nítida sensação que estava sendo observado. Em um canto do quarto, vestindo o manto marrom e o avental branco das aprendizes de medibruxaria, com um dedo marcando a página de um livro apoiado sobre seu colo...

- Senhorita Granger! Que demônios faz aqui?

- Boa tarde, professor. - Ela o saudou sempre educada primeiro. - Não é óbvio? Sou sua nova enfermeira-assistente -de qualquer coisa.

Severo empurrou os braços até sentar na cama e segurou as têmporas com os dedos numa tentativa de fazer o quarto parar de girar. Ele a olhou por entre os fios de cabelos negros que caiam sobre seu rosto. Merda, era verdade. Caso contrário não estaria de uniforme.

- E Papoula? E as garotas incapazes do St. Mungus?

- Bem, Madame Pomfrey ainda está um pouco assustada, não está acostumada a ser agredida fisicamente por seus pacientes e as aprendizes do St. Mungus não querem vir. Não restou nenhuma que pudesse ser convencida. Então seremos apenas o senhor e eu, professor. - Estabeleceu Hermione com uma segurança e valentia que estava longe de sentir de verdade. Porém, seu instinto e seus seis anos de experiência com o "Professor Sorriso", advertiu-lhe que era melhor não mostrar fraqueza, caso não quisesse terminar como as outras enfermeiras.

Severus riu por entre os dentes.

- Papoula está assutada demais e enviam você, uma... uma garota para fazer seu trabalho?

- Não sou uma garota – respondeu com ar de ofendida – Se não fosse pela guerra já teria terminado meus estudos em Hogwarts. E de todo o modo não há ninguém mais que queira fazer esse trabalho.

- E porque a senhorita ia querer fazê-lo? - a sobrancelha esquerda do homem se elevou junto com interrogação.

Ops! Boa pergunta. Rony tinha gritado se ela estava louca por aceitar tal trabalho, que não havia nota suficientemente alta neste mundo que valesse a pena para passar um tempo extra de tortura perto de Severus Snape. Harry de sua parte tinha uma visão muito diferente. Ele não pediu que ela assumisse o cargo, mas deixou claro que não o faria porque Snape se aborreceria em vê-lo, caso não fosse isso ele mesmo teria aceitado. Não era pena. Não eram notas. Agora era uma questão de honra. O maldito morcego havia salvados os três mais vezes do que podiam contar. Se não fizesse sua consciência não a deixaria em paz pelo resto dos seus dias. O problema era que ele não podia saber disso, porque se via de longe que o homem tinha alergia a piedade e não seria capaz de discernir entre compaixão e uma dívida de honra.

- Eu pensei em seguir a carreira de medibruxaria. Embora eu ainda não tenha desistido dos meus NIEM's, a professora McGonagall escreveu uma carta de recomendação a St. Mungus e eles acreditam que eu obterei as qualificações que pedem para ingressar como aprendiz. Aceitarão meu tempo aqui como horas de trabalho prático.

- Bem típico de você, Granger, encontrar uma forma de chegar antes de todo mundo, mas há algo que não entendo.

Hermione sentiu que seu sangue abandonava rapidamente seu rosto e estava ficando pálida. Se ele pensava que ela estava fazendo isso por compaixão, a faria arrepender-se tão rápido que a noite lamentaria ter aceitado o posto e estaria enviando o uniforme de volta para St. Mungus. Mas, conseguiu manter a compostura e a cara de pôquer.

- Uma mente privilegiada como a sua – continuou Severus com o tom sinuoso que usava quando queria causar um impacto maior em seu público – Para não mencionar que uma "Sabe-Tudo" absoluta como a senhorita...não teria um desempenho melhor em uma área de conhecimento reservada as melhores mentes, digamos, Aritmancia por exemplo?

Hermione sorriu aliviada, em primeiro lugar porque era a primeira vez que ele reconhecia que ela era uma pessoa inteligente, o que era algo bastante incomum. E em segundo lugar, porque tinha a respsota precisa para sua pergunta.

- É que não pretendo me dedicar exclusivamente a cuidar de doentes. Quero me dedicar a investigação. Quero desenvolver novas poções, novos feitiços. Encontrar soluções para os problemas que hoje não tem. – Seus olhos brilharam de emoção. O futuro se apresentava promissor e ela estava ansiosa para começar a vivê-lo.

- Gostaria de saber quanto tempo demorará para abrir os olhos para a realidade, Granger. Todos querem fazer a diferença na área que escolhem. Todos querem mudar o mundo quando são jovens, mas, em pouco tempo percebem que o mundo permanece o mesmo, e continuaria sendo o mesmo com ou sem eles. Todos perdem as esperanças depois de uns alguns anos atrás de uma mesa assinando papéis, ou no seu caso...curando resfriados.

Contudo, Hermione o ignorou. Balançou a cabeça com um meio sorriso nos lábios, estava bastante consciente de que algo desse tipo aconteceria quando entrou no quarto para enfrentar seu Professor de Poções. Sim, ele acreditava que ia fazê-la chorar como as outras aprendizes, então ele teria que trabalhar mais...muito mais. Deixou o livro sobre a mesa e aproximou-se da cama.

- Tenho que trocar seu curativo, professor.

Bem, aquilo não era uma piada e Papoula não ia sair detrás de uma cortina dizendo, "Surpresa, Severus!". Com um grunhido ele recostou na cama e ofereceu seu pescoço coberto por curativos. Seu pescoço nas mãos de uma aluna que já tinha feito chorar. Isso sim que era um verdadeiro ato de fé.

A garota removeu com cuidado o curativo e não pode reprimir uma exclamação de espanto.

- Está tão ruim assim?

- Hum. Bastante.

- Tem um espelho? Quero ver.

- Acredite professor, é melhor que não veja.

Sentiu as mãos leves da garota na ferida. De fato, sentia-as muito melhor do que as mãos da experiente Papoula e das aprendizes. Talvez a menina tivesse um dom natural para ser medibruxa, afinal.

- Dói muito?

- Só quando respiro.

Hermione o olhou chocada e depois riu. Severus Snape havia feito uma piada? Sobre si próprio? E ainda assim tão sério como sempre. Talvez... talvez chegassem a se entender. Teriam tempo para isso.

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N/T: Menininha de coragem essa tal de Hermione, hein? Bem, até eu preferiria cuida de Severus Snape a ficar com Rony(argh!) Weasley. Sorry pelos erros. Todos os créditos para June Magic.

Bjoks para: Afrodite *-*, my sister, Nathi, Claire D'Lune e aos que colocaram a fic no alerta.