Olá querido leitores.

Deixo aqui para vocês o novo capítulo. Saiu um pouco mais longo, a alternativa era cortá-lo antes e deixá-los com vontade...jamais.

Obrigada a todos por seus comentários.

Obrigada a Sayuri, minha gêmea malvada, por ajudar-me com os buracos e as musas estagnadas.

E obrigada a JKR por ter escrito Harry Potter e nos ter dado Severus e permissão para que brinquemos com ele.

June Magic

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A claridade da manhã de verão começava a ameaçar a romper a noite e Hermione e Severus estavam dormindo profundamente na mesma cama.

Quente. Cômodo.

Hermione se mexeu um pouco, mas ele a apertou contra seu corpo, as costas dela contra o peito dele, as mãos na cintura.

Na feliz inconsciência do sonho, Severus sentia que era maravilhoso ter uma mulher adormecida entre seus braços. Jamais havia experimentado tal coisa antes, em primeiro lugar porque era pouco seguro por ser um espião, e sem segundo lugar – mais não menos importante – porque não havia encontrado ninguém de verdade que quisesse dormir com ele. Sexo, talvez, mas ficar adormecida em seus braços era algo completamente diferente, implicava em uma intimidade, que irônico, maior do que a que ele estava disposto a oferecer as mulheres com as quais tinha feito sexo, e maior do que a que elas estavam dispostas a oferecer a ele. Mas agora estava dormindo, e enquanto sua mente descansava, seu corpo a procurava, seu nariz se enterrava na nuca dela para cheirá-la, suas mãos buscavam a suavidade da pele da cintura dela embaixo da blusa... e nada mais, porque o restante do seu corpo se negava a cooperar, exceto por um detalhe não tão pequeno que estava dormindo desde seu encontro com Nagini e agora tinha escolhido o momento para voltar a acordar. Ah, tudo era tão quente, tão suave, tão perfeito.

Hermione, também perdida nas profundidades do sonho apertava-se contra esse corpo maravilhoso que a envolvia e a acariciava. Em seu sonho era Rony, mas não se sentia mesmo com Rony. Quando estava com ele, as coisas não chegavam nem perto de bem... mas era um sonho, e nos sonhos as coisas não são como na realidade. As poucas vezes que haviam dormido juntos tinham se sentido incomodados, incapazes de encontrar uma maneira na qual seus corpos se encaixassem corretamente para permitir que dormissem; sobravam cotovelos, joelhos, ele puxava o cabelo dela ao envolvê-la com o braço... e por fim dormiam cada um para um lado ainda que ela quisesse adormecer assim, com mãos grandes segurando-a firmemente pela cintura, apertando-a possessivamente contra o corpo e, ah!, a evidência física do seu desejo. Hermione não se considerava feia, mas também não se achava particularmente desejável, porém secretamente gostava de saber que era capaz de produzir tal reação em um homem. Deleitando-se com as sensações do seu sonho, apertou-se contra esse volume, provocando um gemido nos lábios do seu suposto amante no sonho.

Perfeito.

Nenhum dos dois queria acordar desse sonho gostoso. Nenhum dos dois estava disposto a deixar a quentura que os uniam.

Hermione virou para abraçá-lo, entrelaçando suas pernas com as dele. Circe! Pareciam que eram feitos na medida certa um para o outro, por isso se encaixavam. Apoiou sua cabeça no ombro dele e deixou sua mão vaguear sobre o tórax, lentamente, com um delicioso abandono.

Quando a luz começava a brilhar, um pássaro pousou no peitoril da janela e começou a cantar com força. Ambos ouviram e reconheceram que estavam despertando, gemeram em uníssono. "Não..." rosnou Severus e a garota reconhecendo a voz e que seu suposto "amante no sonho" não havia desaparecido ao despertar, abriu os olhos sobressaltada para encontrar-se cara a cara com seu ex-Professor de Poções.

- AAAAAAHHH!!! - gritou com a voz aguda, saltando da cama.

- Shhh! Senhorita Granger, acalme-se! - implorou Severus, temendo que pudessem escutá-lo.

Mas hermione só lembrava que na noite anterior tinha bebido muito e...

- Merlin, Merlin, Merlin, o que fizemos!

- Nada do outro mundo... - ele começou a explicar, mas ela interpretou mal as palavras dele.

- Como que não é nada do outro mundo? Como que...!

- Shhh, cale-se, me refiro que a senhorita dormiu e ponto! Olhe-se! Está usando essa roupa trouxa que é o mais próximo que conheço de uma armadura – disse apontando para o jeans que estava debaixo da túnica – e não posso fazer magia, por isso não tem como ter tirado a roupa e ter colocado outra vez. Além disso, caso não lembre, não posso fazer nada da cintura para baixo. - Era mentira, era consciente de que tivera uma ereção, a primeira após sua lesão e agradecia aos deuses por isso, mas não era o momento de mencionar.

Esse detalhe não passou despercebido para ela, lembrava de ter se apertado contra o volume... oh, mas para que tivesse acontecido algo de natureza sexual, então ela teria que ter montado sobre... "Hermione, não entre aí!", repreendeu-se a si mesma, ficando intensamente vermelha ao ver para onde havia voado seus pensamentos.

E então logo, uma vez passado o golpe da adrenalina, a ressaca começou como se tivessem acertado um machado em sua cabeça.

- Oh! - exclamou sustentando-se com as mãos. - Juro que não voltarei a beber álcool nunca mais...

- Sim, sim, sim, uma poção contra a ressaca e esquecerá logo essa ideia, mas pelo amor de Merlin, vá embora senhorita Granger.

A moça arregalou os olhos. Rony. Todos haviam visto ela no Três Vassoura com Snape e não tinha dormido na Torre da Grifinória. Oh, não, ia ter que se explicar muito... e saiu correndo da enfermaria com a esperança de chegar antes que as garotas do dormitório despertassem.

Snape a viu desaparecer através da porta e rodou para dentro da cama, procurando o calor do corpo dela que já começava a desaparecer, o aroma do cabelo que havia ficado impregnado na fronha da almofada.

"Lily", pensou, tratando de procurar uma lembrança do amor da sua vida. Queria colocá-la no lugar de Hermione, imaginar que tinha sido ela a mulher que havia partilhado a cama com ele, a mulher que havia prendido em seu peito. Mas a garota não era Lily e ele sabia disso. Eram muito diferentes. E de uma forma ou outra sentia que sua dívida com ela foi paga ao cuidar do filho dela com sua própria vida. Se deu conta que finalmente, depois de tantos anos e tantas penas a estava deixando ir... mas não queria. Queria prender-se a sua lembrança, queria amá-la até o dia da sua morte, queria ser fiel mesmo ela estando morta, queria... mas o que se desejava e o que conseguia eram coisas diferentes. "Lily, o que está acontecendo? Por um acaso você sabe?", pensou enterrando o rosto na almofada, aspirando profundamente o leve aroma de jasmim que ficou no pano. Dormiu outra vez.

"Graças aos deuses", pensou Hermione ao entrar no dormitório, as garotas ainda dormiam. Mas antes que percebesse, alguém saiu para recebê-la alegremente.

- MIAUUU! - protestou seu gato ao sentir uma de suas patas amaçada pelo pé de sua ama. Ela conteve a respiração esperando que ninguém tivesse acordado.

- Hermione é você? - perguntou abrindo um olho Lavender. - Onde estava? Estávamos preocupadas. Todo mundo andava comentando que esteve bebendo com Snape nos Três Vassouras e que ele estava em uma cadeira de rodas...

"Maldito Bichento!", pensou ao ver que seus planos desmoronaram por causa do seu animal de estimação

- Ah, eh... tive que cuidar dele e... - respondeu tratando de se desculpar e inventar algo, logo suspirou aliviada ao ver sua companheira voltar a dormir. Isso daria tempo para inventar um álibi. Mesmo que pensando melhor, quem ia acreditar que tinha dormido com Snape? Colocou o pijama e deitou-se. Gostaria de pensar em alguma coisa, mas agora só queria dormir um pouco mais. Porém ao fechar os olhos procurando o sono a lembrança de dois braços prendendo-a pela cintura se apoderou da sua mente. Tratou de lutar contra ele. "Por Merlin Hermione, é SNAPE", mas finalmente se deu conta de que ninguém saberia, dessa forma poderia relaxar um pouco e desfrutar da lembrança. Afinal, todo mundo tem algum prazer culpado.

Quando voltou a acordar as garotas já tinham levantado, demorou um tempo para se arrumar e ir para sala comunal. Perdeu o café da manhã, mas não se importou, só precisava de uma poção para ressaca e estaria nova outra vez.

- Olá, Hermione. Parece um pouco abatida. Tem algo para me contar?

A garota sentiu que seu estômago pulava. Harry estava esperando-a e onde estava Harry sempre estava...

- Olá Harry. Onde está Rony? - perguntou de imediato ao não vê-lo ao lado do amigo.

- Foi a Hogsmeade fazer umas compras de emergência. Queria presenteá-la com chocolates, mas esquecemos de passar na loja. Não diga a ele que te contei, supõe que seja uma surpresa. Mas isso não é importante. Todo mundo viu você no Três Vassouras bebendo cerveja com Snape – disse baixando o tom de voz na última frase – E não chegou para dormir antes de hoje de manhã.

Hermione procurou desesperadamente por uma desculpa, mas fitou os olhos de Harry e soube de imediato que não poderia mentir para ele, não para ele. Além disso, por que se sentia tão culpada? Tudo que havia acontecido tinha sido um acidente. Um infeliz acidente.

Sentaram-se em um sofá na sala vazia e falando em sussurros contou tudo. Tudo menos que Snape e ela haviam dormido abraçados e que havia gostado.

- Rony vai me matar. E vai matar o professor Snape por ter me feito beber. Ou melhor, tentará matá-lo e acabará morto.

- Fique calma, Rony não tem ideia. Ninguém tem a intenção de contar, mas você deveria, afinal, é seu noivo e vão se casar logo.

Hermione percebeu a verdade nas palavras de Harry. A confiança e a sinceridade eram as bases de uma relação. Onde estava a sua confiança em seu noivo? Devia estar em algum recôndito, porque agora não era capaz de encontrá-la, teria que fazer das tripas coração e contar o que tinha acontecido. A versão censurada, pelo menos.

- Mione! - exclamou Rony ao entrar no salão comunal. - Senti sua falta. Até quando vai ter que cuidar do morcego? - perguntou e lhe deu um grande beijo, entregando uma caixa de chocolates. - Pelo menos hoje não. Mamãe nos espera em casa, Luna e os outros irão e quero ficar com você um pouco.

- Obrigada, Rony, não devia... - disse referindo-se a caixa de chocolates.

- Não, quero mimar minha noiva. Talvez poderíamos dar uma passada no Largo Grimmauld e... já sabe...

Hermione olhou ao seu redor e percebeu que Harry havia desaparecido silenciosamente, para dar aos noivos privacidade. Suspirando, se deu conta de que era o momento de contar os eventos recentes para seu noivo.

Com muita cautela foi narrando o que aconteceu sem ser capaz de olhá-lo enquanto falava. Ao terminar seu relato fitou-o, seus olhos se encontraram e ele riu.

- Não posso acreditar! Teve que dormir com o morcego! Pobrezinha, garanto que vai ter pesadelos...

A garota sentiu como se o peso do segredo sumisse do seu peito. Como pôde ter sentido medo de falar com Rony? O garoto era um amor. Seu amigo. Aliviada, abriu a caixa de chocolates e comeram juntos.

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- Acho que as bordas estão um pouco mais fechadas. - Comentou Hermione enquanto limpava a ferida e trocava o curativo. - Dentro de pouco tempo não precisará mais da minha presença.

Snape sorriu sem vontade.

- Infelizmente, não acredito que isso seja possível, não sei cuidar dela sentado nesta cadeira.

- Professor, logo virão os N.I.E.M's e eu deixarei a escola para sempre. Suponho que alguém terá que cuidar do senhor. Eu... já ultrapassei as horas de prática que me pediram em St. Mungus. - Não gostava de lembrá-lo, mas sabia que tinha que deixar claro que não podia ficar para sempre ao lado dele.

- Eu sei senhorita Granger, eu sei bem. E não gosto de dever nada a ninguém.

Severus moveu a cadeira e aproximou-se da estante de livros. Tinha saído para se divertir em Hogsmeade, Papoula considerou que ele já estava bem o suficiente para voltar para seus aposentos e ali se encontravam. Ele pegou um caderno com aspecto maltratado pelos anos e entregou a ela.

- Que é isso? Oh! - exclamou ao abri-lo e descobrir o que era na realidade.. suas anotações pessoais sobre a elaboração de poções avançadas. - Professor, não posso aceitar isto... é seu trabalho, seus estudos, não posso aproveitar-me disto...

- Aceite garota boba. Não teria tanto escrúpulo se estivesse impresso, não é mesmo? E que diferença há entre isto e um livro? É apenas um livro mais exclusivo.

Hermione sentiu a vontade de chegar perto dele e dar um beijo na bochecha em forma de agradecimento. Mas se conformou em apertar o caderno contra seu peito.

- Obrigada, professor.

Não era exagero dizer que a garota estava encantada com o presente e que sentia que não merecia, mas tiraria dali tudoque fosse possível. Quando mostrou aos rapazes eles ficaram boquiabertos.

- Snape te deu de presente as anotações dele? O veneno da serpente deve ter fritado o cérebro dele...

Para dizer a verdade, desde a discussão horrível que tinha ocorrido o professor havia começado a comportar-se um pouco melhor com ela. Não muito, mas o suficiente para não mais odiá-lo. É claro, os garotos jamais iam acreditar que ele estava tratando de ser amável com ela. Ela sabia e isso bastava e cada vez que olhava o velho caderno sorria.

Uns dias mais tarde, depois de ter tirado seu professor a força para tomar um ar perto do lago, sentados debaixo da sombra de uma grande árvore, Hermione pegou o caderno e abriu em um obscura poção fortalecedora.

- Hoje irei embora mais cedo, professor. Quero tentar fazer esta poção... outra vez.

- Está tendo problemas? - perguntou o professor com sua sobrancelha esquerda levantada. - Talvez não seguiu as instruções ao pé da letra.

- Eu fiz! - saltou ferida em seu orgulho e logo baixou a voz decepcionada – mas não quer funcionar não importa o que eu faça.

- Vamos. Um pouco mais de ar fresco e meus pulmões entrarão em colapso.

- Aonde?

- Ao meu laboratório, senhorita Granger, onde mais? - respondeu com tom cansado.

- Vai me ajudar a fazer a poção Augeo? Por quê?

- Porque se continuar tentando vai ficar sem cabeça e eu sem enfermeira.

- Mas...

- Cale-se e empurre a cadeira antes que eu me arrependa.

Hermione estava sinceramente surpreendida. Snape não havia voltado ao seu laboratório desde seu encontro com Nagini e sabia que ele não voltaria a menos que pudesse caminhar e fazer magia de novo, de outro modo não teria sentido, pois não seria capaz de fazer poções. No entanto foram para lá.

Uma vez dentro, Severo fez um gesto amplo com a mão, dando a ela permissão para começar.

- Adiante Granger, mostre-me a sua versão de Augeo.

Hermione começou a trabalhar de imediato, confiante em suas habilidades, mas logo teve que parar, faca na mão.

- Não, não, não, está segurando errado a faca.

- É assim que sempre seguro a faca, é a forma correta de fazer tal como aparece no livro.

- Achava que a senhorita já tinha alcançado o limite do que os livros podem ensinar, Granger. - Severus aproximou-se da mesa, mas estando sentado não podia alcançar a altura que necessitava para poder ensinar sua técnica do uso da faca. - O que está esperando, Granger? Reduza a altura da mesa!

Hermione se apressou em obedecer, mas então ela ficou em um péssimo nível. Suspirando ruidosamente, Snape se aproximou dela por trás com a cadeira e bateu nos joelhos dela com os seus joelhos fazendo-a cair sentada sobre seu colo. Ela gritou de surpresa, mas ele a fez calar de imediato.

- Pegue, Granger, assim. -Ele pôs a faca na mão dela e a guiou. Começaram a cortar os bichos de seda de um jeito rítmico e metódico. Hermione não pôde evitar de rir de felicidade, essas criaturas escorregadias não a deixavam cortar assim mesmo!

Severus a viu rir e algo fez um clique dentro dele. A lembrança na noite dos Três Vassouras o tomou. Rememorou o maravilhoso que era ouvi-la e vê-la feliz e logo tomou consciência de que ela estava sentada sobre suas pernas, que ele a prendia com seu braço esquerdo em volta da cintura e que sua mão direita segurava a dela. Seu rosto estava a escassos centímetros do dela, podia ouvir perfeitamente o aroma de jasmim do xampu. E como se não o pertencessem seu braço esquerdo estreitou ainda mais contra ela e sua mão direita apertou a mão dela, parando por um segundo.

Hermione sentiu que ele estava apertando seu abraço e sua mão, e um gemido saiu involuntariamente de seus lábios. Uma sensação desconhecida a invadiu dos pés a cabeça, como um arrepio mas não desagradável. Podia sentir o rosto do seu professor junto a sua orelha, podia sentir ele respirar... e desejou ter coragem o suficiente para poder deitar a cabeça para trás e deixar cair sobre o ombro dele... oferecer seu pescoço... "Controle-se Hermione", disse para si mesma e soltou a respiração que não sabia que tinha prendido.

Quando a ouviu gemer, Severus quase perdeu a cabeça. Jamais em sua vida sentiu nada parecido por uma estudante. Mas desejou ser vinte anos mais novo e ter coragem para fazê-la girar o rosto e beijá-la até ela perder o sentido. Acariciá-la... possuí-la... "Controle-se, Severus", disse também. " Não é um adolescente cheio de hormônios e ela é sua aluna, jamais olharia para você."

"Não é sua aluna, só está ajudando-o." Falou outra voz em sua cabeça. " E jamais saberá se ela olharia para você ou não se não tentar.

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Continuará.

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N/T: Ahhhhhhhhhhh eu quase tive um TRECO com essa cena, June foi muIIIIIto má...rs... Bjoks para June(^.^), Coraline, Pathy Potter, Larissa Potter, Marry Pierobon [respondendo a sua pergunta: eu posto conforme o ritmo da June, que está uns caps a frente, mas vou me atualizar], Mika e Rosy SS ^^.

Sorry pelos erros e deixem coments;*