Voltei! Demorei muito? Ah, espero que desfrutem deste novo capítulo, o escrevi com muito carinho e acredito que ficou lindo.

Beijos a todos: A Sayuri minha gêmea malvada, a Dinha minha tradutora, a Moe que lê com cuidado e devagar porque não sabe espanhol, a Drake que ainda que esteja ocupada tira algumas dúvidas... e a todos, os que deixam review e aos que não, mas gastam seu tempo para ler essa história.

Beijos,

June Magic.

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Quando o mundo deixou de girar, Hermione abriu os olhos e se encontrou de pé em meio a uma grande lareira, abraçada ao seu professor. Ele a fitou por um momento para certificar-se de que estava bem e ela assentiu. De mãos dadas saíram da lareira para ficar de pé em um espaçoso e elegante salão. A garota tratou de não sentir-se impressionada, ou ao menos atuar como se não estivesse, mas era difícil, se o restante da casa era como o salão... então os Prince estavam podres de dinheiro. E pelo que parecia Snape pensava o mesmo, porque ela o ouviu murmurar baixinho:

- Malditos bastardos!

Um homem vestido com trajes formais limpou a garganta e aproximou-se deles com a mão estendida.

- Castor Robinson, muito prazer, senhor Snape. Sou o advogado da família Prince. E a senhorita, creio, é a senhorita Snape, sua filha?

Severus e Hermione se olharam surpreendidos. Sua "filha"? Esse homem não enxergava? Eram tão parecidos como o dia e a noite...ah, claro. Mas estavam de mãos dadas. Severus soltou a mão de Hermione, porém apenas para abraçá-la pelos ombros.

- A senhorita Granger não é minha filha. – Declarou solenemente, mas sem explicar nada mais, e o homem gaguejou visivelmente constrangido.

- Ah, sim claro... claro... Vamos aos assuntos que nos interessam agora, não se importa?

Sentaram à mesa e o advogado começou a tirar papéis e mais papéis, mergulhando em uma conversa que não tinha o mínimo atrativo para Hermione. Logo se deu conta que seu olhar vagava pela decoração da sala e desejou poder levantar para ir explorar a casa. Realmente não a interessava quanto dinheiro teria Snape, só estava ali para acompanhá-lo e ajudá-lo. Logo soaram três "craks" e apareceram três elfos domésticos diante deles, o que a tirou do sonho que tinha caído.

- ... e estes são Dixy, Mindy e Tabby. – Explicou o homem enquanto os elfos faziam uma reverência ao serem nomeados. – Eles estão a partir deste momento às suas ordens e mostrarão a casa. Alguma pergunta? Não? Pois bem, senhor Snape, foi um prazer. – Concluiu apertando a mão de Severus – E a senhorita também, foi um prazer conhecê-la, senhorita Gregson.

- Granger. – Corrigiram Hermone e Severus em uníssono, ainda que ele o fez mais como um grunhido.

- Granger. – Desculpou-se o homem e saiu via flu, deixando-os sozinhos na casa diante de três assustados elfos domésticos.

- Senhor? – adiantou-se o elfo macho, Tabby, tratando de ser corajoso por todos. Sempre tinham falado para eles que Snape era a pior escória do mundo, gente má e vulgar. Agora Snape era seu dono. – Há algo que Tabby possa fazer pelo senhor?

Severus os fitou seriamente e falou com a voz profunda, como que pensando.

- Dixy, Mindy e Tabby. Nunca tive meus próprios elfos domésticos. Que remédio. Cumpram com suas obrigações e serei justo com vocês. Mas uma advertência: não gosto de intrometidos, sejam da espécie que sejam, está claro?

- Sim, senhor. – Responderam num coro as assustadas criaturas.

- Agora a senhorita Granger e eu desejaríamos tomar nosso café da manhã, por favor.

- E se puderem trazer a cadeira de rodas também, por favor... – adicionou Hermione.

Depois de tomar café na finíssima porcelana dos Prince – agora de Severus – tomaram suas posições, ele na cadeira e ela empurrando-o, começaram a percorrer pela casa. Não chegava a ser uma mansão, mas indubitavelmente era grande e muito elegante. Tabby se ofereceu para guiá-los e mostrar os cômodos. Snape mostrou-se satisfeito ao ver que suas coisas já estavam arrumadas no quarto principal, mas em seguida percebeu que o elfo estava nervosíssimo e agarrou a parte superior da capa da almofada que servia-lhe de roupa, como se estivesse lutando com ele mesmo para falar algo. Hermione percebeu que a irritação dele ia crescendo, e lançando um olhar de súplica pôs sua mão sobre a dele para acalmá-lo, pedindo silenciosamente que não fosse muito duro. Ele a fitou e suspirou para si mesmo. Era capaz de negar algo a ela?

- Está bem, Tabby, o que está preocupando-o?

- Ta-ta-tabby não quer ser intrometido senhor, mas... a senhorita... temos que acomodá-la aqui ou em outro quarto?

Severus virou para olhar Hermione, cujo rosto estava numa cor de vermelho profundo. Sentiu raiva, mas a mão dela em seu ombro o fez mudar de opinião. Em vez de rugir e aterrorizar o elfo, começou a rir...

- Criatura intrometida!Não, a senhorita Granger não é minha noiva, ela é... – pensou em dizer "minha enfermeira", mas então se deu conta de que fazia tempo que ela era mais que isso - ... ela é ... minha amiga. – Concluiu saboreando a palavra em sua boca. Não que dissesse com freqüência, e ainda mais referendo-se a si mesmo... mas se sentia bem. Estranhamente bem.

A garota não disse nada, nem sequer um suspiro escapou de seus lábios, mas a repentina atribuição do título a deixou subidamente sem fôlego. "Amiga? Mas ele tem amigos por acaso? Não, todos os deixaram ou estão mortos. Eu sou sua única amiga."

- E quero que fique claro: mesmo que não seja minha noiva e minha filha – isso o fez virar os olhos ao lembrar-se do advogado – quero que a trate com a mesma consideração e respeito, entendido Tabby?

- Sim, amo Severus, a senhorita Granger é como um membro da família, Tabby se encarregará de dizer aos outros. Se me desculpam, Tabby irá preparar o quarto da senhorita. – Disse com sua voz estridente, estalou os dedos e desapareceu.

Hermione se aproximou da janela para admirar a paisagem. A casa foi construída no alto, por isso tinha uma maravilhosa vista do mar da Cornuália. Fingindo interesse no azul que via ao longe, comentou:

- Então... amigos?

Snape passou a mão pelo rosto num gesto de metade desespero, metade cansaço.

- Senhorita Granger, tanto a senhorita como eu sabemos perfeitamente que faz tempo que isto deixou de ser uma relação médico-paciente. Eu não preciso de uma enfermeira e a senhorita não precisa de mais horas de prática. O motivo pelo qual a senhorita continua perto de mim escapa ao meu entendimento, e no mais a realidade demonstra que de fato deve existir uma. Se não me esqueci como é, e não me enganei, e poderia ter esquecido, eu diria que a senhorita é minha amiga.

- Claro. Sinto-me honrada.

Severus estreitou os olhos e falou ameaçadoramente:

- Se eu fosse você não me sentiria tão feliz, sou uma péssima amizade. Mas agora que esclarecemos isso, podemos esquecê-lo?

- Não! Não quero esquecer. Aliás, se somos amigos, bem que podíamos deixar de nos tratar tão formalmente, os amigos não se tra...

- Senhorita Granger, por favor, não faça arrepender-me o que falei ... – ele a interrompeu e ela compreendeu que era melhor não pressionar. Se tinha que chamá-lo de "Professor Snape" até o fim dos tempos... bem, não importava muito.

Os dias passavam agradavelmente durante a primeira semana na agora residência Snape. Os elfos domésticos se acostumaram rapidamente aos novos e pouco exigentes amos, surpreendidos por serem tratados com amabilidade por um Snape e se esforçavam para adiantar os desejos dos novos amos dando saborosas comidas, quartos impecáveis e serviço imaculado. E enquanto isso tanto o Mestre de Poções quanto a aprendiz de medibruxa se dedicaram a reformar a casa conforme o gosto dele, reorganizaram a biblioteca e remodelaram um quarto no subterrâneo para dedicá-lo a elaboração de poções, esperando o dia em que o homem recuperaria seus poderes ( os antigos hábitos são difíceis de erradicar, e Severus se sentia confortável a vários metros debaixo da terra). Severus passava cada dia menos tempo na cadeira de roda e costumava caminhar pelos corredores com a ajuda de sua bengala. Às vezes Hermione entrava na biblioteca e o encontrava sentado em uma cadeira com um olhar perdido enquanto girava melancolicamente sua varinha entre os dedos, como que ansiando pelo tempo que podia fazer magia. Então ela saía da sala silenciosamente antes de ser notada, para evitar o incômodo de ser descoberto.

Em suas andanças pela casa, em um destes momentos incômodos, encontrou-se com um quarto fechado com chave. Tentou abrir com um Alohomora, mas não teve êxito e chamou a um dos elfos

- Dixy?

Crack

- Chamava senhorita?

- Dixy, pode me dizer o que tem aqui dentro e por que está fechado com chave?

- Dixy quase esquece, senhorita. É o antigo quarto da senhorita Eileen. – e logo acrescentou um sussurro – Os antigos senhores ordenaram que o quarto ficasse fechado para sempre, mas agora Dixy pode abri-la para a senhorita.

- Obrigada Dixy, sim, gostaria que abrisse. – Respondeu ela esfregando as mãos mentalmente. Parecia que havia encontrado um tesouro, limparia o quarto e para dar uma surpresa a Severus, com certeza estaria repleto de coisas de sua mãe... e nesse momento a porta abriu e soube que tinha razão em ambas as coisas: o quarto parecia uma cápsula do tempo, mas repleto de poeira e teia de aranha.

Rapidamente arregaçou as mangas até os cotovelos e se dirigiu de imediato a abrir a janela para deixar a luz do sol entrar e tirar o cheiro de mofo. Puxando sua varinha realizou alguns feitiços para começar a sacudir a poeira e as teias de aranha. Dixy se ofereceu para fazer por ela, mas Hermione se negou, queria fazer com suas próprias mãos como um presente para Severus, além disso queria ficar sozinha para poder bisbilhotar à vontade, e mandou a elfa ir embora depois de agradecer.

Era, sem dúvida, um quarto de uma menina mimada. Havia quadros com fotografias em movimento, onde se via uma adolescente de cabelo negro como a asa de um corvo, rindo feliz junto de seus amigos na praia, voando na vassoura, no refeitório de Hogwarts. Sobre uma penteadeira tinha vários acessórios de beleza, tinha um receptor sem fio bruxo, pôsteres nas paredes...

Começou a verificar as gavetas e encontrou um diário de vida, mas não leu. Lembrou a história que tinha contado seu professor e imaginou o terrível que deveria ter sido para ela ter que deixar tudo aquilo para substituir por uma vida de privações e penúrias. Talvez fosse doloroso para Severus ter que ver tudo isso, mas sabia que ele tinha o direito de conhecer como havia sido sua mãe quando jovem. Pelo menos evitaria que ele visse o maltratado quarto por causa do passar do tempo e do abandono.

Foi então quando chamou sua atenção o baú, idêntico ao que ela tinha em Hogwarts. Certa de que estaria repleto de lembranças da época de estudante. Sorrindo, levantou a tampa do baú e...

Um horrível e agudo grito tirou Snape de seus pensamentos errantes, e sem perceber o que fazia, levantou-se num salto da cadeira e saiu correndo na direção da onde vinham os gritos, com a varinha na mão.

Não pensou em nada, mesmo que sentindo medo, mas não por ele.

Ao entrar no quarto, encontrou Hermione chorando aterrorizada, encolhida em um canto do quarto, ameaçada pela ponta da varinha de uma Bellatrix Lestrange com toda a aparência de estar mais louca do que nunca.

Severus sentiu que a raiva e o medo subiam a partir do seu estômago até deixar um sabor amargo na boca. E disposto a morrer antes de permitir que acontecesse algo com sua Hermione, colocou-se na frente dela, bloqueando o passo da louca Comensal.

Anos mais tarde, quando Severus se lembrava desse momento, se perguntou que divindade celeste o fez perceber o que realmente acontecia, em que momento a luz se fez presente em seu cérebro. Porque Bellatrix estava morta, e não tinha forma alguma de ter estado em sua casa ameaçando de morte Hermione...

- Avada... – começou a gritar a louca Comensal, mas Snape foi mais rápido e levantando sua varinha exclamou:

- Riddikulus!

Um feixe de luz saiu da varinha de Severus e transformou a enlouquecida Bellatrix numa réplica exata de Pippi Lonstocking, partindo das tranças até as meias vermelhas. Na verdade, era uma imagem para cair no piso rindo, mas Severus não sentia vontade de rir. Empurrando-a com um movimento da varinha até fazê-la cair no baú, o fechou para voltar de imediato e cair de joelhos ao lado da aterrorizada Hermione, que se colou a ele como se fosse um salva-vidas.

Snape a abraçou com força, fazendo sons para acalmá-la, dizendo ' já passou, já passou, estou aqui, não deixarei que nada de mal aconteça com você nunca...' e coisas desse estilo. Ela escondeu o rosto no pescoço dele, buscando o cheiro dele, a sensação de segurança. Ao seu lado ninguém poderia machucá-la. Em seus braços existia a paz e o refúgio. Ele segurou com delicadeza o rosto marcado pelas lágrimas, para garantir que estava bem. Ela o fitou com admiração e agradecimento, com confiança, com... amor? Sem poder conter a beijou na bochecha, e seus lábios se encontraram com o sabor salgado das lágrimas.

Algo se apoderou de ambos nesse momento, porque Hermione sentiu como se tivesse abandonado seu destino, que tinha virado espuma nas mãos daquele homem obscuro, oferecendo seus lábios para que ele pudesse tomá-los por direito próprio.

- Hermione – gemeu ele, sabendo que não seria capaz de resistir o que ela oferecia.

- Severus – chamou ela, entregando-se a força esmagadora dos seus sentimentos.

Os lábios dele se apossaram dos delas, hesitantes, mas logo depois de uma tentativa, ele a beijou como se não existisse nem futuro, nem passado, só o sublime momento.

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N/T: Oi! Aqui eu sei que tem gente e talvez até chateada pela demora. Meninas desculpem, mas meu tempo está curto mesmo e somente agora consegui traduzir o cap. por menor que ele seja. Não fiquem desesperadas, June já acabou de escrever a fic e só faltam uns 7 caps para acabar, então darei prioridade a essa tradução. Bjoks e até o próximo. Ah, perdoem os erros.

Bjoks para Moe *.*, rika, Lady Te, MahH Costa, Morgana Granger^^, Senju Yume, my sister ;P, Afrodite^.^, Camila Lino, Larissa Potter e Cora*-*.