Ola, queridíssimos leitores!

Voltei. Estou bastante inspirada para escrever, e por isso atualizei logo. Parece que a trava que dei na minha musa deixou-a como nova.

Agradeço a todos os reviews. São o máximo.

Um beijo a todos,

June Magic.

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Na vida há momentos maravilhosos, coisas que desejaríamos viver uma e outra vez, momentos que ficam gravados a fogo na nossa memória. O beijo de Hermione e Severus foi um desses eventos memoráveis. Mas logo essa impressão já estava prestes a mudar.

Quando por fim se separaram para buscar ar para seus cansados pulmões, se olharam nos olhos procurando o reflexo de suas almas. Ela levantou a mão para fazer uma carícia na bochecha dele; mas ao mesmo tempo em que fazia isso ele a viu parar o gesto e esconder o olhar. Seguiu a linha dos olhos dela e encontrou a causa: um anel de ouro com um rubi encaixado.

Dizer que Severus sentiu como se tivesse caído um balde de água fia em cima dele seria subestimar a forma pela qual sentiu seu coração encolher-se como se tivesse sido apunhalado. Tão endurecido, tanto sofrimento e encarar a morte, tanto tempo recuperando-se de um coração partido, tão sozinho para uma menina voltar a feri-lo dessa maneira. Uma menina que ele tinha deixado entrar em seus pensamentos e em seus sentimentos, pensando que nada mais poderia causar-lhe dor outra vez. Por um segundo seu rosto se converteu numa verdadeira máscara de dor, mas no momento seguinte seus traços já haviam recuperado a expressão fria de sempre. Pelos menos conservaria sua dignidade. E graças aos deuses pelos seus anos de prática como espião.

Hermione levantou a vista lentamente. Não viu o momento em que destruiu as inexpressadas aspirações de Severus, nem a forma com a qual seus olhos a fitaram com angústia, dor e anseio sem esperança, para logo vestir a máscara de fria indiferença.

Rony. Tinha um compromisso com Rony, seu amigo de infância, o primeiro e único homem com o qual havia estado, o que seria pai dos seus filhos e em uma semana no máximo, seu esposo. Poderia desonrar esse compromisso? Poderia pisar na confiança que ele havia entregado a ela?

Mas Severus... ao beijar Severus sentia algo diferente de qualquer coisa que havia sentido antes. Parecia capaz de beijá-lo até perder os sentidos entre seus braços, afundar nas profundidades de seus olhos escuros, enquanto sua voz aveludada a acariciava pronunciando seu nome uma e outra vez: Hermione, Hermione...

Jamais em toda sua toda sua vida tinha se sentido tão confundida. Necessitava de tempo para pensar, tempo para esclarecer o que sentia... mas precisamente era tempo o que não tinha. Severus estava na frente para ela, esperando-a, e dentro de sete dias Rony estaria esperando-a em frente a um altar, com Harry e Gina como padrinhos, e todos os Weasleys sentados ao seu redor, e seus pais, e os membros da Ordem da Fênix... só de pensar sua cabeça dava voltas.

Porém, Severus a fitava com uma fria indiferença agora. Onde estava o homem assomado pela paixão que a tinha beijado apenas há alguns segundos atrás? Tinha imaginado? Não, impossível. Tinha sido apenas um arroubo? Havia se deixado levar pela emoção do momento?

Hermione secou as lágrimas que ainda umedeciam seus olhos com a manga do casaco, Severus estendeu-lhe um pano branco que ela agradeceu timidamente. Ele se pôs de pé e a ajudou a ficar de pé também. Fitaram-se fixamente por um mais um momento, e então ele deu meia volta e a deixou sozinha no quarto.

Nem sequer havia se dado conta de que esse era o quarto de sua mãe.

Era sábado pela manhã, o dia seguinte ao incidente no quarto de Eileen Prince. Hermione e Severus estavam sentados na mesa de jantar tomando café da manhã, falando num tom cordial, mas evitando se olharem. De repente a lareira brilhou com uma luz verde e apareceu Ronald Wealsey coberto de cinza e fuligem.

- Tem que limpar essa lareira, vejam como fiquei!

- Rony! – ela exclamou ao vê-lo, levantando-se rapidamente para ir abraçá-lo e beijá-lo. Não que estivesse ansiosa por fazer isso, mas era o que se esperava dela.

- Peraí, Mione, ah! Viu, te sujei! – riu feliz, enquanto abraçava sua noiva e a beijava brincando – Senti sua falta.

Rony tocou a ponta do nariz dela e a tisnou com fuligem, deixando-a com uma cara graciosa e adorável, para a maior tortura de Severus, que não duvidava que o espetáculo o faria devolver seu café da manhã se não parasse de comer naquele instante. Mas, interiormente estava valorizando o momento, imaginando-se no lugar do Weasley, fazendo-a sorrir, sujando a ponta do nariz dela antes de voltar a beijá-la. Suspirando, jogou o guardanapo sobre a mesa e saiu da sala de jantar.

Seria um longo fim de semana para Severus Snape.

Hermione e Rony passaram juntos o resto do dia sem que Snape os importunassem nenhuma vez. Rony não se acostumava com a idéia de que sua Mione ficasse tão perto do morcego das masmorras, e se perguntava o que a mantinha ao lado dele. Não ter boas notas na escola não significa que ele era bobo: Snape estava caminhando e sua ferida estava vermelha, mas fechada. Hermione teve que explicar-lhe que realmente a ferida havia fechado, mas qualquer esforço ou movimento inadequado voltaria a abri-la, e essas oportunidades eram freqüentes... segundo ela.

Ao cair da tarde voltaram a reunir-se para jantar na sala de refeições. Snape não parecia estar muito disposto a iniciar uma conversa com o Weasley, e Hermione compreendia que ele já havia feito muito ao deixar Rony ir até sua casa e não o pressionou mais. Tinha aprendido há tempos até onde podia empurrar tal homem.

Rony conversava alegremente com sua noiva enquanto esperava que os elfos domésticos terminassem de servir a janta, mas então viu algo que o deixou com a boca seca e as palavras estranguladas em sua garganta. Hermione levou um pedaço de carne a boca, e antes que ela pudesse fazer o mínimo gesto de agrado ou de desagrado, Severus pegou o saleiro e o pôs na mão dela, sem sequer olhá-la, ela polvilhou sua carne e seguiu comendo. Rony olhou para o prato do Severus e se deu conta de que ele nem sequer tinha tocado sua carne. Como nesta Terra o morcego sabia que ela queria pôr sal na carne?

- O que foi, Rony? – perguntou ela preocupada, ao ver que Rony ficou em silêncio de repente.

"Nem sequer se dá conta do que tinham acabado de fazer"

- Nada, Mione. Só fiquei olhando como é bonita. Ainda não consigo acreditar que serás minha, e que vamos nos casar este fim de semana. - Disse claramente, olhando de soslaio para Severus, quem parecia estar atento demais a sua carne. – Saúde pelo nosso futuro matrimônio – disse levantando sua taça de vinho, esperando que Hermione e Severus levantassem suas taças também.

Severus deixou de examinar sua carne e levantou sua taça, fitou por um segundo Hermione que também tinha a taça na mão, e deu um breve gole olhando fixamente para Rony antes de voltar a deixá-la sobre a mesa. A olhada de Rony estava carregada de uma advertência que ele pôde ler claramente: afaste-se dela. Mas Snape não era pessoa de se deixar intimidar por ninguém, e muito menos por um pirralho como Rony. Antes que pudesse controlar o que sentia, a taça de Rony quebrou em mil pedaços, fazendo Hermione gritar agudamente. Instintivamente, ela se aproximou de seu antigo professor procurando refúgio e ele se deteve no meio do caminho de levantar o braço e protegê-la.

- Que foi isso! – exclamou a garota voltando para o seu lugar antes que Rony se desse conta, mesmo que um pouco tarde.

- Deve ter sido uma mudança de temperatura, vidro mal temperado... – explicou Severus tratando de parecer inocente.

Rony levantou de seu lugar e acercou-se dela, agachando-se até ficar na altura de sua noiva.

- Está bem, Mione? – perguntou ao fazer uma carícia no rosto dela e com a voz mais suave que encontrou dentro de si. Hermione apenas meneou com o rosto mais calmo. Sentia-se culpada, como se a tivessem pego trapaceando.

Rony não se deixou intimidar, assim que Mindy limpou a sujeira, se sentou para comer a sobremesa. E como Hermione não tinha estômago para continuar comendo, comeu o dela também.

Quando por fim terminaram saíram juntos da sala de jantar, Severus pretendia entrar na biblioteca e beber um pouco até que fosse a hora de dormir. Tinha muito no que pensar. Mas Rony tinha planos muito diferentes. Pegou sua noiva pela mão e a levou até ele e a beijou apaixonadamente, puxando ela para que subissem a escada em direção ao quarto. Subiram entre beijos e risos – dele -, e quando já estavam no segundo andar, ele parou olhando para baixo. Tal e como pensava, Severus estava junto da escada observando-os.

Desta vez não teve máscara de espião habilmente treinado que confundisse Hermione. Sua cara não mostrava emoção alguma, mas seus olhos cravaram nos dela, e então soube. Soube que era com ele com quem deveria estar nesse momento, que era ele quem a deveria levar para o quarto, que era ele quem deveria estar cobrindo-a de beijos. Mas a realidade era outra.

- Boa noite, professor. – Despediu-se Rony com um sorriso satisfeito nos lábios.

- Boa noite Severus. – Despediu-se ela pedindo através do olhar que ele a perdoasse.

Ele não respondeu e deu meia volta, fazendo sua sobrecasaca girar ao seu redor, e se dirigiu com passo firme para biblioteca. Realmente necessitava de whisky de fogo. Já longe ouviu:

- E desde quando você o chama de Severus?

Continuará.

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N/A: Não se queixem de que está curto, tinha que ser assim. Logo virá o seguinte capítulo... e falta pouco para o final.