Olá, caros leitores.
Trago este novo capítulo. Era o último, mas estava tão longo que eu tive que dividir em dois. Espero que gostem e não me matem até ler o último capítulo.
Beijos a todos,
June Magic.

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Hermione se olhou no espelho já usando seu lindo vestido de noiva. Não comprou algo muito pesado que a fizesse parecer uma couve ou um merengue, optou por um vestido de cetim branco simples, sem ombros e que abria discretamente abaixo da cintura, terminando em um círculo bordado flores e folhas. Isso complementado por longas luvas brancas e jasmins naturais encantados, para que não murchassem, enfeitando seus cachos. E a corrente de ouro com a garrafa de poção dourada.

Ainda era cedo, mas tanto sua mãe quanto Molly e Gina tinha insistido sobre a conveniência de se preparar com antecedência. Agarraram-na quando ela saiu da chaminé em meio a gritos de que Rony não iria vê-la antes da cerimônia, e foi mantida presa no quarto de Gina. Ali foi vítima das mulheres que a deixaram nua, a submergiram numa banheira de água morna com sais e azeites aromáticos, a vestiram, a perfumaram e fizeram sua sobrancelha.

E se deixou levar, mas apenas insistiu numa coisa: usar o presente do professor. As mulheres, que não perceberam o que realmente era pensaram que era um belo ornamento que não prejudicaria a imagem como um todo e concordaram. Até mesmo Gina disse que não podia acreditar que o professor fora capaz de fazer um gesto amável com a estudante. Finalmente foi deixada sozinha enquanto as mulheres foram tratar as outras preparações de último minuto. Sozinha para que seus pensamentos e lembranças comprometessem sua determinação.

Ela estava linda. Nunca antes tinha se visto tão bonita. Mas faltava o sorriso, e isso a fazia parecer fria como uma estátua de mármore. Tentou ensaiar um sorriso deslumbrante, como corresponde o de uma mulher sobre o dia mais feliz da sua vida, mas só teve um sorriso indiferente. Claro que poderia apertar os músculos do seu rosto e mostrar os dentes, mas seus olhos eram inexpressivos.

Suspirou, desistindo e foi deitar na cama, dando graças pelos feitiços anti-rugas que manteriam vestido perfeito. Fechou os olhos e as lembranças da noite passada tomaram sua mente de imediato. E só então seus lábios esboçaram o sorriso que estava procurando.

Lá estava ele, olhando-a com seus profundos olhos negros, observando-a como se não houvesse mais nada no universo, com um olhar de adoração absoluta. Seus cabelos negros emoldurando seu rosto magro, a pele pálida e com cicatrizes que ela queria beijar uma e outra vez para apagar a memória da dor que ele sentiu ao recebê-las. Ficar ao seu lado para sempre, apagar a dor, fazer ele se sentir feliz e fazer rir sorrir tão fugaz e maravilhoso novamente e novamente.

Ela ainda podia senti-lo em sua pele, apesar do banho e dos perfumes, parecia que seu aroma a impregnava. Ou talvez fosse apenas a lembrança do aroma.

Foi maravilhoso, mas era tudo uma ilusão. Talvez se ela não tivesse comprometida, as coisas teriam sido diferentes, mas ela estava vestida de branco e não tinha tempo de se arrepender.

Tentou imaginar a vida como Hermione Weasley. Teria um pequeno apartamento em Londres, ela iria estudar Medibruxaria em St. Mungus e ele iria jogar no Chudley Cannons. Nos fins de semana eles iriam visitar a família, talvez no sábado iriam para a casa de seus pais e domingo à Toca. Dividiriam as tarefas domésticas, embora ela suspeitasse de que Rony tentasse escapar de suas obrigações, mas ela iria manter essa idéia firme. E teriam filhos. Depois de casada mostraria a conveniência de esperar até que ela terminasse seus estudos para engravidar ... e definitivamente não teria mais do que dois. Não caso desejasse se dedicar a pesquisa. Talvez Molly quisesse ajudar a cuidar dos bebês...

Bebês. Como seriam? Tomara que tivessem olhos azuis de Rony. Viu a si mesma embalando um bebê de sexo indefinido, com grandes olhos azuis e cabelos ruivos, que a olhava e esticava a mãozinha para tocar seu rosto. E sem saber como o bebê de sua imaginação transformou suas características até ter olhos de um castanho escuro profundo e cabelos negros azeviche, enquanto alguém se aproximava de suas costas até envolver ambos em um abraço sussurrando em seu ouvido com voz aveludada: "Será um grifinório ou um sonserin? "

Hermione apertou os olhos e gemeu. Nunca antes tinha desejado filhos, tinha chegado a acreditar que não tinha instinto maternal, mas agora percebeu que o que não queria era ter filhos com Rony. Porque quando formou a imagem do filho de Severus Snape em sua mente, percebeu que desejava, que queria tanto que sentiu seu peito doer. Teria seus filhos, os amaria. Teria todos que ele desejasse! Se queria apenas filhos de Severus Snape ela os teria!

- OK, Hermione, - ela disse enquanto se sentava enxugando as lágrimas que não tinham chegado a cair de seus olhos. - Acalme-se. Não pode mudar nada. Este é o seu destino, você o escolheu. Aceite-o.

Voltou a olhar-se no espelho.

- É uma grifinória. Mostre sua coragem - , disse ao seu reflexo, levantando o queixo em desafio.

- Calma, querida -, disse ela ao espelho. - É normal ter medo antes do casamento, mas isso não tem que agir como se estivesse se preparando para uma guerra. É apenas um casamento.

Severus finalmente conseguiu ficar de pé. Realmente não soube por quanto tempo ficou estava ajoelhado, o mesmo poderia ter sido um par de minutos ou de horas. Mas não houve choro. De algum lugar, conseguiu reunir a força de vontade necessária para não derramar lágrimas. Tinha dado o seu melhor e perdera de novo ... mas já estava acostumado. Se tinha alguma coisa que sabia fazer depois de tantos anos como um brinquedo dos deuses, era encarar os golpes com graça e dignidade. Sua vida tinha sido uma longa série de lutas e derrotas ... mas já estava cansado e não sabia se iria suportar outro golpe sem quebrar.

Sabia que tinha que fazer.

Fazendo um esforço para produzir um som com sua dolorida garganta, chamou seu elfo com a voz embargada.

-Trixy.

Crack

- Amo Severo, está sangrando!

Severo colocou a mão em sua garganta e cuspiu uma maldição. Estava tão atordoado com a dor da perda, que nem tinha percebido que a ferida abriu novamente e o sangue quente fluía em torrentes, manchando suas vestes.

Trixy rapidamente conjurou um curativo e prestou-lhe os primeiros socorros.

- Trixy, eu preciso que chame urgente Castor Robinson, o advogado da família. Eu não me importo se ele disser que está ocupado, não me importo se ele está com a rainha, se necessário, traga-o contra a sua vontade, mas eu preciso vê-lo imediatamente. Eu estarei esperando na biblioteca. Está claro?

- Sim, senhor, Trixy o trará agora.

E estalando os dedos, desapareceu do recinto.

Hermione mexia em sua garrafa de poção enquanto esperava pacientemente que chegasse a hora de enfrentar o seu destino, quando Gina entrou vestido de lavanda, extremamente nervosa.

- Já é hora, você pode acreditar nisso? Vai ser minha irmã! - disse pegando as mãos da amiga e dando pequenos saltos no mesmo lugar. Hermione tentou parecer tão entusiasmada quanto, mas se recusou saltar.

Nesse momento, seu pai entrou no quarto, corretamente vestido e pronto para a cerimônia. Hermione pensou que o coração tivesse parado por alguns de segundos e percebeu que tinha finalmente chegado a hora da verdade.

Emocionado, aproximou-se dela e a beijou na testa.

- Você está linda princesa -, disse tentando não chorar. - Minha menina é uma mulher adulta agora.

E tomou pelo braço e saíram para o jardim onde os convidados já estavam à espera, o funcionário do Ministério da Magia ... e seu futuro marido.

Andando pelo corredor de braço com seu pai, tentou produzir um sorriso nervoso para saudar os muitos rostos familiares ao seu redor. Hagrid estava sentado no final, Luna com seus trajes estranhos (embora sem eles não haveria Luna, pensou), Neville, Kingsley, mais para frente a professora McGonagall, sua avó materna, sua madrinha, a tia e o tio ... todos. Todo mundo sorria e pensava que ela teria uma vida feliz ao lado de esse era o momento mais feliz de sua vida. Mas à medida que se aproximava do altar, o seu coração passou a bater mais rápido e sentiu que sua respiração falhava, as mãos suavam em córregos dentro da luva branca imaculada. Sua mãe lhe disse que todas as noivas sentiam-se nervosas e medo antes do casamento, era muito natural, mas o medo passava depois da cerimônia e seria perfeitamente feliz como todas as outras noivas. Mas ela percebeu que este não era o medo saudável de uma noiva, mas que estava tendo um ataque de pânico.

Rony estava esperando no fim do caminho, com Harry um pouco mais atrás. Ele quase parecia bonito em suas vestes de gala, e seus olhos azuis brilhavam de excitação. Seu pai entregou sua mão a Rony, que a recebeu com firmeza e sem hesitação. Eles se viraram em direção ao funcionário do Ministério e ele começou a falar. Hermione fechou os olhos e queria desmaiar, mas não teve tanta sorte e a cerimônia continuou.

Severus se sentou à mesa pequena do quarto para voltar a ler tranquilamente o pergaminho contendo a sua vontade. O advogado não se sentia muito feliz por ter sido arrastado à força para dentro da casa de Severus, mas pareciam satisfeito com a idéia de assegurar um novo cliente para o futuro. Parecia estranho o pedido do Sr. Snape, mas, finalmente, deu de ombros e começou a escrever seu testamento nomeando como única herdeira da Sra. Hermione Weasley, com a condição de que o marido não poderia tocar em nenhum único knut do patrimônio.

O professor sorriu para si mesmo, satisfeito com o resultado. Asseguraria o bem-estar dela sempre. Mesmo que o marido se tornasse um bastardo como foi Tobias, ela estaria protegida, assim como seus hipotéticos filhos, e poderia gastar o dinheiro que quisesse para pagar toda a educação que desejasse e compraria uma História de Hogwarts encadernada em ouro e diamantes se tivesse vontade sem ter que olhar para a cara de seu grosseiro marido.

Suspirando, ele olhou para o relógio em sua cabeceira. Já era uma hora, o momento se aproximava. Levantou e abrindo o armário tirou o melhor casaco de seda preta. Passou um pente em seu cabelo oleoso e arrumou-se o melhor que pôde. Estava determinado a deixar este mundo com estilo.

Voltou a se sentar na frente de sua escrivaninha e passeou o olhar pelo quarto. Sim, era o lugar perfeito, o lugar onde por alguns minutos tinha conhecido a felicidade, o lugar onde ela tinha se entregado a ele e onde ela tinha dormido em seus braços. Ao menos essa memória o acompanharia até o fim.

Não era covardia. Era fadiga. Tinha cansado de ser a piada dos deuses. Tinha se cansado do mundo que não o considerava digno de pertencer a ele, da rejeição de seus pares. Ele lutou em duas guerras, arriscando sua vida mais do que ninguém, venceu e sobreviveu, apenas para descobrir que ele não tinha nada na vida, sem família, sem amigos, sem amor ... Merda, não tinha sequer um cão! Tinha amado duas vezes só para conhecer a rejeição. A ferida sangrenta no pescoço parecia curar apenas para agravar-se novamente quando menos esperava, e percebeu, provavelmente, nunca poderia se livrar dela. E viu diante de si o futuro: dia após dia naquela casa, cercado por três elfos, velho, doente e sozinho.

Que perspectiva agradável.

Considerando-se que ninguém vai chorar, ele estava cansado e poderia fazer muito mais morto que vivo ... não foi uma decisão difícil. Pelo menos se ela tivesse ficado ...

Severus Snape não era um homem romântico. Não era uma pessoa dada a fantasias e não gastar seu tempo imaginando cenas idílicas. Mas em algum momento ousara imaginar como seria a vida com ela ao seu lado. Mesmo sendo a pessoa áspera que era teria tentado mimá-la, para agradá-la em todos os caprichos. A teria deixado mandar em sua casa e sua vida à vontade. Inclusive (sim, até que ponto tinha chegado suas fantasias estúpidas) inclusive teria se casado se ela assim o desejasse. Ele teria a adorado, adorado, adorado. Tudo para acordar todas as manhãs com ela e para vê-la dormir ao seu lado.

Como se atreveu a sonhar com tal absurdo? Não importava. Olhou novamente para o relógio e sabia que naquele momento ela estaria de frente para o funcionário do ministério para dar o "sim". Como o tempo passa rápido quando está quase na hora de encarar a realidade! Ela, Hermione Granger, estava tornando-se em Hermionhe Weasley, vestida de branco e rodeada por seus entes queridos.

Acariciou três garrafas pequenas alinhados esperando por ele à sua frente. De aparência insignificante três frascos contendo a promessa de libertação. Ser Mestre de Poções tinha suas vantagens.

Ainda não tinha decidido qual dos três iria usar. A cicuta, apesar de sua origem Trouxa, tinha a honra de ter sido usada por um personagem ilustre como Sócrates, e dava-lhe uma aura especial. Dormiria levemente em um sonho do qual não acordaria jamais. Seria a morte doce que todos desejam ter um dia.

O veneno de acromântula não seria tão benevolente, oh não. Mas ele estava acostumado com a dor. Era o veneno de uma criatura mágica, e também tinha a vantagem de manter o seu corpo intacto. A idéia de que seu corpo não fosse naturalmente suscetível à corrupção no túmulo atraiu, mas ... Será que isso importa tanto? Afinal, ninguém iria apreciá-lo.

E, finalmente, o cianureto. Outro veneno Trouxa ... Que fixação ados Trouxas com o veneno! E esse era tão eficaz que mal daria tempo para perceber o que estava acontecendo. Em menos de um minuto teria acabado tudo ... para ele. Porque, depois, de liberar o cianureto de hidrogênio no ar, uma bela surpresa para quem encontraria.

Todos tinham a promessa de uma morte elegante. Bem, talvez o veneno da acromântula distorcesse as características em um rito de dor ... Não que fosse bonito nem nada, mas não queria ficar para sempre com a cara torta.
Ah, mas o cianureto era imbatível. Ele estendeu a mão e acariciou a pequena garrafa pensando que era irônico como algo tão pequeno poderia matá-lo em segundos, algo que nem mesmo o Lorde das Trevas tinha conseguido.

Ao levantar a garrafa percebeu que sua mão estava tremendo. Estaria Severus Snape perdendo a coragem? Claro, ele não poderia enganar a si mesmo: ele estava com medo. Mas ele faria de qualquer maneira. Esta era a parte mais difícil, reunir a coragem para destampar a garrafa e levá-la aos lábios. Mas depois disso apenas alguns segundos o separaria do descanso eterno...

Suas mãos tremiam tanto que ele não poderia remover a tampa da bendita garrafa. E quando ele o fez, sentiu uma brisa gelada no rosto que causou um arrepio, uns dedos glaciais invisíveis repousavam sobre os dele, e uma voz conhecida e querida sussurrou em seu ouvido:

- Pare com isso, Severus. Espere um momento ...

- Lily?

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Continuará.

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N/T: Olha o outro cap aí gente! E como a June falou, não queiram matá-la antes do fim. Bjos/;*