Obrigada a todos por me seguirem nessa ilusão.
Com amor para Sayuri, Dinha e Mel.

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Hermione estava lutando para respirar. Pânico oprimia seu peito e as palavras do oficial atingiam seus ouvidos como se estivesse debaixo da água. Suas mãos suavam tanto que ela só queria se livrar das malditas luvas de uma vez.

- Eu aceito. - Rony disse com voz firme, levantou os olhos e sorriu.

- Hermione Jane Granger ... - Começou o oficial, e ela não conseguiu evitar uma careta de horror.

- Hermione Jane Granger - ela repetiu para si mesma. Ela. Ela, não outra.

Levou a mão no peito e agarrou a pequena garrafa de Felix Felicis. Vê-la tão perturbada fez o oficial parar e perguntar:

- Você está bem, senhorita?

- Mione?

Ela ouviu a voz preocupada de Rony.

O olhou como se tivesse surpresa por vê-lo ali e deu um passo para trás. Os convidados perceberam que algo estava errado e mantiveram um respeitoso silêncio, esperando. Hermione se afastou, virou-se rapidamente para enfrentar o público, e o silêncio era tão grande que podia ouvir o farfalhar da saia do vestido. Com os olhos esbugalhados conseguiu finalmente puxar com ruído o ar como se estivesse há muito tempo debaixo de água, e finalmente voltara para a superfície. Tirou as luvas e atirou-as violentamente ao chão. Suspiros ouvido aqui e ali, mas não se importou o mínimo.

- Desculpe. Eu não posso. Sinto muito.

E destapando a pequena garrafa de poção que pendia no pescoço, bebeu seu conteúdo e desapareceu.

- Lily? - Severus, insistiu, antes de dizer que a sua imaginação e medo da morte, estavam jogando com ele. E naquele momento ele ouviu um "pop" e pensou que realmente estava alucinado.

No outro extremo da sala tinha a visão que para ele era a mais maravilhosa do mundo, envolta em cetim branco e polvilhada com jasmim. A garrafa escorregou de seus dedos e caiu no chão, rolando e derramando seu conteúdo. Em um momento eles estavam fitando-se cada um de um lado do quarto e no outro estavam correndo para encontrar-se no meio do caminho, e gemeram quando sentiram seus corpos batendo um contra o outro, quando ela bateu contra o peito dele como se fosse uma onda.

Hermione chorava, mas de alívio. Por fim podia respirar novamente, e os braços de Severus não eram uma prisão ou uma gaiola, mas o carinho de um lar, confortável e acolhedor.

Severus senti que a emoção o impedia de falar e, pior, de formar um pensamento coerente. Mas ainda havia algo que precisava saber. Levantou o rosto dela delicadamente com um toque, olhou em seus olhos e perguntou:

- Você fez, não fez? Diga-me que não.

- Ainda sou Hermione Granger.

E a beijou nos lábios, pensando que nunca teria imaginado que se sentiria tão feliz ao ouvir esse nome. Eles se abraçaram fortemente, sentindo que eram incapazes de soltarem-se, mesmo por apenas um momento, enquanto a sentia chorar e tremer contra seu peito. Severus percebeu que as lágrimas que tanto tinha lutado para controlar agora corriam livremente pelas maçãs do seu rosto. Mas não importava. Enterrando o rosto nos cachos adornado com jasmim apertou os olhos e deixou que o choro o libertasse. Tudo de que precisava estava ali em seus braços.

"Não deixe eles a tirarem de você Severus.", a voz de Lily novamente ecoou em seus ouvidos e logo ouviu vários pops e a sala estava cheia de gente com a varinha na mão: Rony, Harry, Gina, Arthur e Molly, e até mesmo os pais de Hermione que tinham vindo com a ajuda dos Weasleys.

Severus não se moveu do seu lugar nem deixou de abraçar Hermione, mas assegurou de pegar sua varinha. Hermione sussurrou "seguiram-me" e virou-se lentamente nos braços de Severus para enfrentar os recém-chegados.

- Maldito pervertido! - gritou Ronny - Sabia que era você!

- Calma, Rony, por favor - , implorou ela, tentando minimizar os danos. - Eu sinto muito, Rony, não queria fazer mal ...

- Vamos para casa, Mione. Vamos para casa e esquecer isso, esquecer a cerimônia, a festa, os convidados ... simplesmente chegar e começar de novo. - Ele se aproximou para pegar a mão dela e levá-la, mas ela se esquivou e Severus se colocou entre os dois, protegendo-a.

- Não, Rony. - Sua voz tremeu, mas conseguiu se fazer ser ouvida de todas as formas. - Desculpe, mas eu não posso ir. Não quero ir - , ela se corrigiu de imediato.

Rony estava ali, de pé, boquiaberto de espanto e incredulidade. Harry e o Sr. Weasley se aproximaram por detrás para evitar que o rapaz fizesse alguma estupidez.

- Rony, meu filho, é melhor irmos. Talvez amanhã ...- Arthur permaneceu ao lado de seu filho e colocou a mão no ombro dele para mostrar seu apoio, mas Rony o interrompeu:

- Hermione, você está louca? Você está me trocando por essa ... essa ... coisa?

- Eu acho que a senhorita Granger deixou claro seu ponto de vista para ...

- Você! O que deu para ela? A enfeitiçou com uma poção do amor! - Rony interrompeu-o com tanta raiva que parecia cuspir fogo. E então ele se lembrou e deu uma gargalhada amarga. - Claro. Foi isso que ela bebeu antes de desaparecer. O que era? Amortentia? Você não passa de um velho tarado que não pode ter uma mulher por seus próprios méritos, então tem que roubar a noiva dos outros com poções ...

- Não, Rony, você está errado - Hermione cortou-o, desesperada, sabendo que Severus estava se segurando para não ferir ninguém, mas em breve chegaria ao seu limite - o que Severus me deu foi uma dose ...

Mas antes que ela acabasse de explicar, Rony sentiu que o sangue fervia de raiva ao vê-la defender o morcego e perdeu o pouco de auto controle que tinha. Levantando sua varinha lançou a maldição mais terrível que se lembrara naquele momento.

- Sectumsempra!

- NÃO!

Houve um grito coletivo naquele momento de Harry e Arthur.

O feitiço estourou em cima dele, derrubando-o e fazendo falhar por pouco. Ou quase, porque a maldição foi capaz de roçar a pele do pescoço de Severus, derrubando-o ao chão, rompendo o curativo e fazendo a velha ferida sangrar abundantemente.

- Severus!- Hermione gritou com a voz rasgada pela dor quando ele caiu de joelhos ao seu lado, temendo o pior. - Severus, não, por favor!

Rony olhou espantado como ela lutou para conter o sangue com as mãos, murmurando um encantamento para parar o sangramento. Em desespero, rasgou a anágua com sua varinha para improvisar uma bandagem. Severus piscou algumas vezes e murmurou algumas palavras para tranqüilizá-la, incorporando-se.

- Eu estou bem, Hermione, foi só a velha ferida ... eu acho.

Depois que ela o ajudou a se levantar e ter a certeza de que pelo menos desta vez não havia possibilidade de sua morte, ele limpou as mãos de sangue no vestido e se virou levantando a varinha com uma fúria que teria deixado pequena uma arpia.

- FORA! - ela gritou enquanto lançava uma maldição que fez o ruivo voar para o outro lado da sala, batendo contra a parede, tirando todo o ar dos pulmões e soltando pesadamente. - Fora, fora, fora! Como você se atreveu a fazer isso, Ronald Weasley? Você poderia tê-lo matado! Eu não quero te ver nunca mais na minha vida! Você pode me ouvir?

Gina e sua mãe ficaram horrorizadas ao ver a enfurecida Hermione. Nunca a tinham visto perder a cabeça daquela maneira e mal podia acreditar.

- Como você pôde Hermione? É o Rony! - gemeu Gina doída - Snape deve tê-la sob controle por causa de uma poção. É verdade, Hermione, todos vimos você bebê-la!

- Por todos os santos, Gina! Por acaso não a viu, não a reconheceu? Você já a tomou antes. Era Felix Felicis!

Todos os bruxos na sala soltaram a respiração. Se isso era verdade, então a situação era completamente diferente do que tinham pensado. Hermione aproveitou o silêncio para continuar explicando.

- Sim, foi Felix Felicis. Eu não sabia o que fazer ou para onde ir. Quando eu a tomei estava com muito medo de pensar em algo, então eu fechei os olhos e pensei em desaparecer ... E a poção me trouxe até aqui. Pois é aqui onde devo estar. Porque é aqui junto a Severus, onde de fato pertenço.

Severus se aproximou dela por trás e descansou as mãos sobre seus ombros nus, de maneira protetora.

- Novamente, eu acho que está claro quais são os desejos de Hermione - disse o nome dela devagar olhando para Rony nos olhos, desafiando-o a contestar o seu direito de chamá-la. - Gostaria muito que deixassem de invadir minha propriedade e parassem de ameaçar minha segurança física. Se vocês não se importam.

- Vamos, Rony. Não temos mais nada a fazer aqui. - Disse Arthur ao filho, tomando-o pelo braço e levando-o, mas o rapaz se soltou e a enfrentou pela última vez, lágrimas de raiva nos olhos dele.

- Por que, Mione? Por que você teve que esperar até a cerimônia para me deixar? Eu não te amava o suficiente?

Mas Hermione não respondeu, apenas abaixou os olhos, envergonhada de suas ações.

- Adeus, Hermione - ele disse ao não obter uma resposta dela e desapareceu.

Ela suspirou profundamente, fechando os olhos e inclinando-se sobre o peito de Severus, pensando que o pior havia passado, mas então seu pai, que tinha permanecido calado, aproximou-se para falar.

- Espero que você saiba bem o que está fazendo, Hermione. Porque você terá que viver com a sua decisão para o resto da vida. Nós nunca estivemos tão envergonhados, sua mãe e eu, não a criamos assim. Não se preocupe em voltar para casa, porque você não é mais nossa filha.

- Papai, não! - exclamou a jovem ao tentar atirar-se para os braços do pai, mas foi rejeitada sem misericórdia. Virou-se para sua mãe, implorando, como fazia quando era pequena e seu pai a repreendia-a, e a mãe, ainda que parecesse parecesse chocada, não foi capaz de ficar ao lado da filha e defendê-la.

- Mãe? Mamãe? Não por favor não faça isso comigo! Por favor me perdoe!

Incapaz de enfrentar a rejeição de seus pais, a menina caiu de joelhos, chorando de soluçar, que comoveria os mais duros. Horrorizado, Severus se ajoelhou ao lado dela e a abraçou, em seguida, para logo levantar o rosto e fulminar seus sogros com a olhada.

- Que tipo de monstros vocês são? Como podem tratar sua única filha assim?

Molly estava realmente chateada com a situação. Seu coração de mãe estava sangrando e teve que se segurar para não correr até Hermione e confortá-la. Porque afinal, ela tinha feito muito mal ao seu filho, e não sabia o que fazer. Afastando o olhar abraçou Gina e desapareceram juntas, ambas com o coração partido pela lealdade dividida.

- Arthur, por favor nos leve de volta. - Pediu a mãe de Hermione com a voz embargada e desaparecendo também.

- Parece que desta vez a merda foi grande.

Tanto Severus quanto Hermione levantaram a cabeça surpreendidos. Tinham se esquecido de Harry que estava observando os acontecimentos em silêncio num canto.

- Você também Potter? Você não acha que Hermione teve o suficiente por hoje para mortificá-la também?

- Bem, eu não vou aplaudir. Afinal, Rony é o meu melhor amigo. Mas não vou condená-la, eu não preciso ter um olho interior para perceber que não seria um casamento feliz, embora deva dizer que há diferentes maneiras de fazer as coisas, e não essa não foi exatamente a melhor. - Ele sorriu com tristeza de seu canto, sem se aproximar .- Mas eu não posso me virar contra você. Tenho uma dívida com você, professor, lembra? Falarei por vocês. Eu não estou dizendo que será fácil e, certamente, levará muito tempo para arrumar essa bagunça. Mas farei o possível para consertar esse problema. Todo mundo está sofrendo, até eu estou! E eles não estão pensando claramente. Tentarei trazê-los de volta a razão.

- Não, Harry - , ela interrompeu, enxugando as lágrimas e tremendo ainda por causa do pranto - Se fi-fizer isso pensarão que está contra eles e acabará brigando com eles também.

- Não se preocupe, ficarei bem.

Severus olhou para Harry com o respeito pela primeira vez em sua vida. Talvez os seus esforços seriam inúteis, mas não duvidava de que ele iria manter sua palavra. E teria que ser corajoso para enfrentar todos os seus entes queridos por ela ... e ele.

- Obrigada Harry. - Ele disse com um aceno de cabeça e o rapaz respondeu com um outro idêntico, e desapareceu com um pop em seguida.

E, finalmente, eles estavam sozinhos no quarto, completamente exaustos. Severus arrastou Hermione para a cama e deitaram sobre ela, abraçando-se.

- Que farei, Severus? Perdi tudo, tudo ...

- Isso não é verdade. Talvez não seja muito, mas você tem a mim ... se me aceitar. Isto é tudo culpa minha ...

- Não! Não é culpa sua! Fui em quem ...

- Se não foi minha culpa, então, pelo menos, foi por minha causa. Ao escolher a mim arriscou tudo ... mas eu vou fazer de tudo para compensá-la, Hermione, mesmo que sabendo que nunca devolva tudo.

Seus rostos estavam próximos, ambos apoiados sobre o mesmo travesseiro, e fitando-a nos olhos, ele falou:

- Arriscou tudo por mim e eu nem tive coragem de dizer que te amo. Eu te amo, Hermione Granger, você pode me ouvir? Eu te amo com minha vida. E eu vou fazer de tudo para te fazer feliz.

- Apenas fique comigo, Severus, fique comigo para sempre e me fará feliz. - Ela sorriu fracamente - Eu também te amo, Severus Snape.

E eles ficaram ali, abraçados e esgotados até que o sono os venceu, envolvidos um no outro, o vestido de cetim branco e a túnica de seda preta, convertidos em um só para enfrentar juntos tudo o que viria.

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Fim

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N/A: Ainda tem o epílogo. Acharam que acabava aqui?

N/T: Ainda tem o epílogo e eu aguardo os reviews de vocês para postá-lo antes do Ano Novo. Bjus!/;*