Epílogo
A covardia é um assunto
dos homens, não dos amantes.
Os amores covardes não chegam a ser amores,
sem as histórias, ficam ali.
Nem as lembranças podem salvá-los,
nem a pessoa mais devota pode ajudar.
(Silvio Rodriguez, Óleo de mulher com chapéu.)
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Três anos mais tarde.
Eles sempre souberam que não seria fácil, e na verdade não foi. Hermione teve que derramar muitas lágrimas e Severus teve de fechar os punhos de raiva e impotência muitas vezes. Mas valeu a pena. Cada minuto, cada segundo valeu a pena.
Harry manteve-se fiel à sua palavra, e por um tempo ele foi o único contato que tiveram com pessoas da sua antiga vida. Foi ele quem levou Bichento para a Cornualha, foi ele quem os defendeu quando ninguém mais se atreveu e ele quem convenceu a insegura Gina de que eles nunca quiseram machucar ninguém, que a situação tinha ficado fora de controle.
Jane Granger não tinha suportado ficar longe de sua filha, e três meses depois ela foi pedir a Harry para levá-la a casa de Hermione. Não gostava nem um pouco do homem que sua filha tinha escolhido. Por Deus, ele era apenas três anos mais novo que ela! Mas teve que admitir que eles se amavam, tinha os observado cuidadosamente, ele suavizava o rosto quando Hermione o chamava, e ela costumava contemplá-lo quando ele não estava atento.
E para ser honesto, não agradou a Severus ter Jane Granger em sua casa com a antipatia por ele pintada no rosto dela, mas por Hermione aceitou sem comentários. Por Hermione, porque merecia ser feliz e não havia sacrifício por ela.
Molly a tinha procurado às escondidas de seus filhos e seu marido. Quando por fim se encontraram frente a frente, Hermione pensou que ela dar-lhe-ia uma tapa ou ouviria insultos, no mínimo. Por isso, ficou chocada quando viu que suas feições se contraíram uma careta de dor e disse: "Minha filha, o que você sofreu!" enquanto dava-lhe um abraço apertado. O coração de mãe de Molly há anos a tinha acolhido como mais uma filha, e uma vez ali não tinha como tirá-la. Por isso sentiu remorso terrível por não tê-la ajudado a levantar quando estava chorando no chão depois que seus pais a renegaram. Claro que não menosprezaria o sofrimento de Rony, mas ele tinha a ela e toda sua família, porém Hermione ...
E assim, ao longo do tempo, embora com reservas, muitos que a princípio negaram-lhe a oportunidade de explicar voltaram a ser seus amigos. Menos seu pai. Apesar das súplicas de Jane, Harold era inflexível, embora não soubessem se fosse por causa do erro que Hermione tinha cometido ou por não reconhecer que talvez houvesse errado. A cada visita de sua mãe, ao abrir a porta, Hermione esperava encontrar seu pai, mas só encontrava Jane, sorrindo com uma desculpa silenciosa. E Hermione suspirava, feliz por, pelo menos, sua mãe estar ali.
Faltava muito pouco para que Hermione terminasse seus estudos de Medibruxaria, agora estava trabalhando no seu projeto final de pesquisa. Apesar de Severus ter tentado não se meter o interesse tinha ganhado da sua decisão e acabou totalmente envolvido e agora trabalhava lado a lado com ela, mesmo sem saber o quanto a fazia feliz com isso. A medida que se aproximava em que receberia seu diploma de Medibruxa, Hermione desejava que seu pai estivesse com ela naquele dia. Só isso faltava para que sua vida ficasse completa.
Tinha sido muito difícil. Mas eles foram perdoados. Já não estavam sozinhos.
A prova disso era que estavam na festa de casamento de Gina e Harry.
Hermione estava ao lado de Severus fitando os casais com um olhar sonhador, mesmo que Rony fizesse um escândalo dançando com uma prima Veela de Fleur, ela não dispunha nenhuma atenção, o que deixava Severus mais calmo. Apesar dos anos de vida juntos como casal às vezes se sentia um pouco inseguro e um pouco indigno de ter a companhia dela. Ele a olhou e imediatamente reconheceu a expressão de seu rosto. Também sabia que ela não diria nada, mas como sempre, rendeu-se ao desejo dela.
- Quer dançar?
Sabia dançar bem, mas ele não gostava de fazer isso em público, porque sabia que seria observado, analisado, criticado; e se cometessem o menor erro ririam deles. Mas se ela queria dançar, ele faria.
E ela sorria enquanto dançavam, mas a expressão sonhadora não foi apagada do rosto. O que queria agora? A conhecia tão bem que ela podia lê-la como um livro aberto, mas não conseguiu descobrir a causa desse olhar de desejo desta vez.
- O que foi Hermione? - finalmente perguntou, preocupado.
- Não é nada, não se preocupe. - Ela respondeu evasivamente e escondeu o rosto no casaco dele, respirando profundamente para preencher-se com o cheiro do amado. Severus sentiu um arrepio passar por sua espinha; ela ainda o desejava tanto quanto no primeiro dia. Sempre.
E de repente ele soube.
Ele parou no meio da pista de dança e gentilmente levantou o queixo dela para obrigá-la a olhar em seu olhos. Sim, era isso. Eles nunca tinham conversado sobre tal assunto, porque ele pensava que depois da experiência traumática pela qual tinham passado, ela jamais gostaria de voltar a uma situação similar. E porque ele não achava que era o suficientemente ... digno.
- Hermione. - A olhou atentamente, bebendo em cada uma das suas expressões, querendo não estar imaginando coisas e implorando aos deuses para estar certo. - Quer casar comigo?
Hermione sentiu como se seu coração encolhesse de ternura e logo voltasse a bater com força. Fechou os olhos. Finalmente, ele finalmente tinha perguntado. Abrindo os olhos lentamente virou-se para encontrar um Snape à beira de um colapso nervoso. E rir de pura alegria, o tirou de sua miséria de três palavras.
- Mais do que tudo nesse mundo.
- Hermione ... - Ele sussurrou, com a cabeça girando como se estivesse tonto, para em seguida aproximar-se dela até beijá-la.
Ele sempre tentou não ser possessivo com ela, sabendo que ela precisava da sua liberdade. Mas havia um limite para tudo, e Severus tinha alcançado o dele. E não podia deixar de sentir que Hermione pertencia-lhe ... pertencia a ele tanto quanto ele era dela.
E eles se beijaram por um tempo, ignorando totalmente o pequeno espetáculo que estavam dando no meio da pista, cercada por dançarinos um pouco incomodados. Mas há muito tempo tinham criado um mundo perfeito, onde apenas eles se encaixam e seu amor.
Algum tempo depois, Severus teve um sonho maravilhoso. Ele se via com oito ou dez anos, vestido com as roupas usadas da infância pobre, sentado no balanço do parque, onde costumava ir com Lílian antes de entrar em Hogwarts. O sol da tarde batia neles com seu calor e parecia brincar com o cabelo dela, fazendo-os luzir como fogo, criando um halo vermelho enquadrava o rosto de criança. Sentada no balanço ao lado dele, balançava languidamente como o amigo, compartilhando um silêncio confortável, enquanto a contava o fim do caminho.
- Você me perdoou, Lily?
- Shhh ... Claro, seu bobo. Mas não vamos falar disso, ok?
Continuaram balançando em silêncio por um momento, aproveitando o sol quente em seus corpos, até que ela parou desceu do balanço pondo os pés no chão e perguntou:
- Você está feliz, Severus?
Ele suspirou profundamente, fechando os olhos para recuperar as lembranças maravilhosas da vida com sua amada Sabe-Tudo antes de responder com um sorriso tão grande como nunca antes havia mostrado a Lílian.
- Como nunca antes na minha vida, Lílian. Ela é tudo. Ela me preenche, me alimenta, faz-me sentir ... digno do ar que respiro. Ela me deu a segunda chance que eu precisava. Vamos nos casar. Não será um grande casamento como ela merecia, mas ... finalmente terei minha própria família Lílian, uma mulher para chamar de minha e meu próprio lar.
- Então eu tenho uma boa notícia. Hermione está grávida de uma menina.
Severus fechou os olhos e levantou o rosto, deixando que o sol de seu sonho o banhasse com seu calor. Em seu sonho não sentiu surpresa com o que Lílian tinha contado, deixou que esse conhecimento o preenchesse interiormente. Sentia-se completo, como se não pudesse faltar mais nada para ser feliz.
- Uma menina, você diz?
- Sim. Mas não pense em chamá-la de Lílian. Sua esposa não gostaria e meu filho quer que sua primeira filha tenha meu nome.
- Eileen, talvez?
- Parece bom.
E ele acordou no meio da noite, surpreendido por de repente ir do sonho à realidade, e com a esperança de que a Lílian do seu sonho estivesse certa. Por que não? Não foi o espírito de Lílian que tinha o impedido quando estava prestes a derramar na garganta um frasco de cianeto?
Com cuidado para não acordá-la, livrou-se do abraço de Hermione e voltou para o seu criado-mudo para pegar a varinha.
- Lumus.
A pergunta era "Como?". Hermione tomava a cada três meses a poção contraceptiva de que ele mesmo preparou. Lembrou-se da última garrafa de poção que havia preparado, se viu tapando a garrafa e deixando-a sobre a mesa de laboratório... onde seguramente estava juntando poeira. Com os preparativos para o casamento tinha esquecido de dar a ela e ela tinha esquecido de pedir.
Ela se mexeu em seu sono inquieto, incomodada com a claridade da luz da varinha, Severus foi rápido em apagá-la.
Poderia ser verdade?
Um dos primeiros feitiços que Hermione havia aprendido em sua formação em St Mungus foi o diagnóstico geral, o que permitia ao medibruxo conhecer o estado de saúde do paciente e, no caso das mulheres também revelar a gravidez. Ela mesma tinha ensinado a ele, como ensinava cada coisa útil que aprendia em . Respirou profundamente para se acalmar, sussurrou as palavras.
—Diagnostum Generalis.
Uma bola de luz dourada saiu de sua varinha e percorreu o corpo da desacordada Hermione, iluminando o seu sistema circulatório para indicar uma anemia leve; sua a mão direita mostrando a tendinite que ela mesma tinha causado após tantos anos segurar a pena com tanta força; para finalmente parar sobre a matriz e iluminar-se mais forte antes de desaparecer.
- Oi, Eileen. - Ele a cumprimentou no escuro.
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Nota da Autora:
Vejo-me mais ou menos obrigada a explicar algumas coisas. Eu não gosto de explicar nada, porque se supõe que tudo deveria estar na história, explícita ou implicitamente. Mas várias pessoas se queixaram de que achavam que as ações dos pais de Hermione eram muito extremas ... implausíveis. Claro que foram extremas, mas eu não escrevi nada que não tenha visto antes. Porque sim, amamos nossos pais, mas são humanos e cometem erros, e muitas vezes dizem coisas que queriam dizer, e às vezes eles se arrependem muito cedo, mas outras vezes se apegam às suas palavras, orgulhosos demais para pedir desculpas .. . Eu vi com meus próprios olhos, e por coisas menos importantes do que o erro de Hermione na história.
Sei também que deixei Hermione e Severo sozinhos contra o mundo, que talvez fui muito dura, mas como você acha que as pessoas que os rodeiam agiriam? Hermione sabia o que poderia acontecer, por isso teve medo de deixar Rony. Só uma pessoa verdadeiramente corajosa poderia enfrentar isso sabendo o que estava por vir. Mas como eu escrevi no início, citando as palavras de Silvio Rodríguez, "Os amores covardes não chegam a ser amores, ou histórias." E esta é a história de um amor corajoso.
Mas eu acho que consertei um pouco no epílogo. Eu sempre tive a intenção de devolver as coisas a normalidade ... porque é isso que acontece na vida real, o que é extraordinário com o tempo se transforma em cotidiano e acabamos aceitando.
Para fins de "literário", considerem o final do epílogo, a parte onde Severus e Hermione se beijam na pista de dança. O restante é um presente para as leitoras verdadeiramente românticas que amam os finais carregados de açúcar como eu, porque me desespera não vê-los chafurdados na felicidade e com as crianças quando leio o final de uma fic.
Obrigado a todos por acompanharem-me até o fim .
Um beijo
June Magic.
Osorno, 08 de abril de 2010.
N/T:
Meninas, aí está o epílogo e, infelizmente, o fim da fic. Obrigada pela paciência de todas porque sei que demorei na att, mas vcs não têm a impressão de que o relógio está correndo mais rápido? Num piscar de olhos o Ano Novo já foi e hoje são 11! Eu perdi muitas vezes para o tempo. Desculpem.
Perdão também pelos erros que meus olhos deixaram passar, não tive beta para essa aventura.
Bjus para Aline , ashleyfisc, Lady Luna Andrews, Ana Scully Rickman, RakBlack e Flaah Duduch.
Até logo pois ainda continuarei muuuuiiito tempo por aqui./;*
