Dias felizes
O sol apareceu pelo vidro da minha janela e não tive como não sorrir. A noite anterior tinha sido maravilhosa e eu esperava que tudo continuasse assim. "É, se melhorar estraga" eu pensei.
Mas eu também tive as minhas conseqüências. Chegar á uma hora da manhã em casa e descer correndo sem dar explicação nenhuma aos seus pais é a maior furada. Não posso sair de casa á partir das cinco horas da tarde e se não fosse pela piedade de Alice, meu pai teria me deixado de castigo o dia inteiro e minha mãe teria recolhido o meu jeep.
Pareceu uma tortura ir para a escola aquela manhã. E se o Phillip estivesse achando que eu e ele tínhamos alguma coisa? Ia dificultar tudo e com certeza aquela conversa chegaria aos ouvidos do Jake. Mas não importava muito, por que eu o amava incondicionalmente e sem limitações.
Estava um pouco quente e o sol estava a pino entre as nuvens, então deixei o meu casaco em casa. Ninguém da minha família podia sair à luz do sol e felizmente eu me dei bem nesse negócio de genética.
- Eu quero você em casa ás cinco horas. – Minha mãe falou enquanto eu ia ás pressas para a escola. Eu estava um pouco atrasada então eu teria que usar uma velocidade acima do normal.
- Tudo bem.
Corri até a escola e diminui a velocidade quando cheguei à porta do prédio quatro. "Legal, aula de cálculo com o Sr. Varner" eu murmurei para mim mesma, decepcionada. O Sr. Varner era um pé no saco de tão chato e implicante. Algumas pessoas faziam os livros como travesseiro e dormiam em plena aula.
Sentei nas cadeiras no fundo da sala de aula onde Sasha acenava para mim. Eu sentei na cadeira e retirei os livros da bolsa, organizando-os na minha mesa.
- Você parece um pouco mais animada hoje. – Sasha comentou. Ela era muito observadora, mas não se importava de preencher o silêncio. Minha mãe disse uma vez que Sasha parecia com uma antiga amiga dela, Angela, e que sentia saudades dela.
- Eu realmente estou mais animada. – Eu confirmei, mas eu olhava à frente da sala de aula, fingindo observar as explicações do Sr. Varner.
- Posso saber o motivo? Mas se preferir não contar não tem importância.
- Não, tudo bem. Eu voltei com Jacob ontem à noite.
- Que bom - ela sorriu, mas seu sorriso logo desapareceu. – Bom... Eu acho melhor você manter o Jake longe aqui da escola por algum tempinho.
Eu virei o rosto e olhei para ela. Sasha mordeu o lábio inferior e me olhou com seriedade.
- Phillip espalhou para todos que você é a nova namorada dele e que ele a beijou ontem. É verdade?
Eu olhei para frente, constrangida.
- É claro que eu não sou namorada dele, mas em um momento de loucura eu beijei o Phillip... E Jacob viu. – Eu sussurrei, morta de vergonha.
Sasha arregalou os olhos.
- Phillip está com virose gástrica e vai voltar terça-feira. Dê algumas explicações ao Jake caso esta história vazar, porque você sabe como é o temperamento dele.
- Hoje é sexta-feira, não é? Certo, eu tenho algum tempo.
Ela assentiu e nós duas voltamos a prestar atenção na aula. O tempo passou voando e na hora do almoço eu fui para o refeitório com Jordin e Sasha. Nós três conversávamos animadamente, mas eu não conseguia parar de pensar em como fazer o Phillip parar de espalhar aquela história para a cidade inteira. Eu precisava falar alguma coisa.
Quando a aula terminou, fui correndo para La Push, morrendo de vontade de ver o meu amor. Eu estava tão empolgada que eu estava quicando ao invés de correr.
Eu e Jake chegamos ao mesmo tempo e corremos um para o outro. Ah, como era bom abraçá-lo e beijá-lo sem preocupação. Era como ficar o dia inteiro com a pessoa que você mais ama.
- Vamos entrar? – Ele perguntou, com os lábios ainda colados nos meus.
- Hmm... – Foi só o que eu consegui falar. Jacob me carregou para dentro de sua pequena casa e fomos direto para o quarto dele. Eu sentei em sua cama e ele se sentou ao meu lado, me beijando mais uma vez antes de segurar a minha mão. Eu suspirei e abri a boca para começar a falar dos acontecimentos com Phillip, mas Jacob me deitou em sua cama e me beijou ainda mais, tirando a camiseta branca e deixando a mostra o seu peito musculoso que eu nunca deixei de admirar. É claro, era uma ótima hora para aquilo, mas eu precisava falar com Jacob.
- Jake, hmm... Espere... – Consegui murmurar sob os seus lábios urgentes.
Ele parou de me beijar e se afastou para olhar nos meus olhos.
- Você não quer?
- É o que eu mais quero, mas eu preciso falar com você antes.
Jacob não entendeu nada, mas esperou para que eu começasse a explicar.
- Bom... – Eu sentei na cama, de modo que eu ficasse frente a frente com ele – Lembra aquele dia que você me viu... beijando o... Phillip?
Seus olhos se encheram de tristeza e fúria e suas mãos começaram a tremer. Eu coloquei minha mão em seu ombro, tentando acalmá-lo. Funcionou um pouco.
- Lembro... O que tem isso?
- É que aconteceu um mal entendido muito grande.
Jake me encarava enquanto colocava a camiseta branca de volta. Fiquei um pouco decepcionada, mas continuei a conversa.
- Então, Phillip acha que eu e ele estamos namorando. É claro que isso não é verdade, eu sou a sua namorada, mas para Phillip eu sou a namorada dele.
Jacob começou a tremer novamente, os lábios se arreganhando e a fúria tomando o lugar da compreensão. Ele demorou um minuto inteiro para se acalmar.
- Mas o que esse idiota está pensando? Eu vou dar uma surra nele!!
- Acalme-se, Jake. Phillip está com virose gástrica e só vai voltar para a aula terça-feira. Eu preciso conversar com ele, está certo? Ele precisa entender que não tem nada entre eu e ele!
- Tá...
- Está mais calmo?
Jake assentiu e deu um meio sorriso para mim. Eu sorri de volta e roubei um beijo seu, atirando os meus braços em volta de seu pescoço.
- Era só isso que eu queria falar. Agora, você pode fazer o que quiser comigo. – Eu sussurrei em seu ouvido, deixando as minhas intenções claras.
Jacob deu o seu riso baixo e rouco e as suas mãos começaram a passear pelo meu corpo, enquanto os seus lábios quentes e macios se encaixavam nos meus. Ele me deitou na cama e se deitou por cima de mim, sustentando a maior parte de seu peso. Suas mãos passavam da minha barriga para a minha cintura e ele me agarrou com firmeza enquanto eu tentava tirar a camiseta dele. Em um movimento rápido e ágil, Jacob tirou a camiseta e a minha blusa de mangas curtas. Seus lábios passeavam pelo meu colo e roçavam na minha clavícula, com a ponta dos dedos procurando o fecho do meu sutiã. Mas quando ele ia abrir o fecho...
- Jacob! Está ai?
As vozes de Quil e Embry estavam na sala, então eles logo entrariam no quarto. Eu e Jacob colocamos nossas roupas imediatamente e cinco segundos depois Quil e Embry entraram no quarto, sem se importar se estavam invadindo nossa privacidade ou não.
- O que vocês querem?! – Jacob sibilou, olhando feio para os companheiros. O estalo na cabeça de Quil e Embry foi quase audível quando eles entenderam porque estavam incomodando. Quil disfarçou uma risadinha e Embry sorriu.
- Nós só queríamos ver se você estava disponível para a patrulha que vamos fazer esta noite, mas parece que você está ocupado com outra coisa.
- É, caia fora! – Jacob falou, atirando um travesseiro na cabeça de Embry. Os dois rapidamente saíram do quarto, cochichando baixo. Jacob ficou parado por um instante e eu pude ouvir os passos dos dois se afastando. Eu e ele nos olhamos e sorrimos maliciosamente. Jacob me derrubou na cama novamente e me beijou, passando a mão grande e pesada para o fecho da sua calça jeans. Minha respiração ficou irregular imediatamente e ele tirou a camiseta, ficando apenas de cueca em cima de mim. Eu comecei a ofegar e meus dedos se entrelaçaram em seus cabelos enquanto ele abria o zíper da minha calça. Mas, como aquele era o meu dia, o meu celular gritou e nós dois gememos de decepção. Vi o número da minha mãe no visor do celular e atendi imediatamente.
- Alô? – Eu atendi.
- Nessie, são cinco e dez da tarde! Onde você está?!
- Ah, meu Deus! Eu não vi as horas passarem!! Eu já estou indo!
- Você tem dez minutos para chegar em casa!
-Tudo bem. Tchau!
Eu desliguei o celular e Jacob era a decepção em pessoa. Eu o abracei e me vesti rapidamente, me direcionando até a porta.
- Amanhã nós tentamos, tá?
- Claro, claro. – Ele respondeu, desanimado. Antes de me deixar, ele me beijou mais uma vez, com a mão acariciando a minha barriga. Eu senti o desejo transbordando e me livrei dos seus braços antes que eu cedesse à tentação.
- Tchau, eu te amo! – Eu gritei quando estava saindo da casa.
- Eu também!
Corri pela floresta e isso demorou uns sete minutos, mas pelo tempo que fiquei me despedindo de Jacob, eu tinha apenas um minuto e dez segundos. Agora eram nove segundos. Oito, sete, seis...
Cheguei em casa na hora exata e pude ver minha mãe verificando o relógio.
- Desculpa, mãe, é que eu me atrasei um pouco. – Eu arfei, minhas pernas protestando o esforço que fiz correndo feito uma louca.
- Nessie, eu não quero ser chata, mas é sério, você precisa cumprir seus horários!
- Tá...
Quando eu fui subir as escadas, Alice surgiu do nada e veio até mim, com um sorriso enorme no rosto. Aquele sorriso metia medo em todos nós.
- Nessie, amanhã eu, você e sua mãe iremos até Olympic e talvez passaremos em Seattle depois. Desmarque qualquer compromisso!
Olhei incrédula para Alice e pude ver minha mãe bufando no sofá, zapeando com o controle pela TV. Alice continuava sorrindo, balançando o minúsculo corpo pra lá e pra cá.
- Alice, eu tenho um compromisso sério amanhã, não posso desmarcar nada.
Ela ergueu uma sobrancelha, desconfiada, e minha mãe desligou a TV para olhar para mim. Agradeci mentalmente por meu pai não estar em casa. Aliás, onde ele estava? Minha mãe nunca se desgrudava dele.
- O que você tem de tão importante amanhã? – Alice perguntou.
- Ah, nada! Eu desmarco! – Eu ri, nervosa. Alice se satisfez com a resposta e foi para a sala, sentar ao lado da minha mãe. Eu subi as escadas, a decepção estampada no rosto e me atirei na cama, pegando o celular para ligar para Jacob.
- Alô? – Atendeu uma voz rouca e baixa. Ele devia estar dormindo.
- Oi, amor!
- Nessie! – A empolgação tingiu a sua voz. Sorri imediatamente, embora ele não pudesse ver.
- Não tenho boas notícias, Jake.
- O que houve?
- Não vou conseguir ver você amanhã.
- Mas por quê?
- Por que eu vou estar muito ocupada com Alice e minha mãe amanhã. Se eu desmarcasse, elas iam imaginar coisas, sabe?
- Hmm... Então, nós nos vemos domingo, não é?
- Domingo não vai dar, Jake. Eu preciso falar com o Phillip, lembra?
- Ah, droga. Segunda?
- Pode ser. Vou aparecer por ai logo depois da escola!
- Certo. Eu te amo.
- Eu também. Tchau!
Desliguei o celular e suspirei. Vou ter que esperar até segunda-feira para namorar mais um pouquinho, saco! E eu teria que suportar uma tarde de compras com Alice e minha mãe provavelmente não estava mais animada do que eu, é claro.
Tomei um bom banho e me enrolei na toalha enquanto ligava a TV. Não tinha nenhum programa descente para olhar, mas deixei a TV ligada por costume. Coloquei uma roupa e desisti da televisão. Desliguei-a e coloquei um CD do Paramore no rádio que Alice me dera e fiquei ouvindo as músicas. Mas que saco, ficar de castigo é uma droga! Não tem nada para fazer, nenhuma lição de casa para ocupar o tempo e nenhuma prova para estudar. Eu costumava comemorar por isso, mas aquele dia estava insuportavelmente monótono.
Ouve uma batida brusca na porta e eu murmurei um "Entre". Era Emmett. Eu não o tinha visto o dia todo e era bom ver o tio mais engraçado da casa. Abri um sorriso involuntário e Emmett veio bagunçar meu cabelo.
- Trago boas novas: Sua mãe abriu uma exceção para o castigo e deixou eu levar você para ter algumas aulas de direção. Aceita?
O senhor ouviu minhas preces, aleluia, irmãos!
- É claro que sim! Deixe-me colocar umas botas e um casaco que está tudo certo!
Me vesti adequadamente e desci correndo as escadas, puxando Emmett pelo braço.
- Ei, Bella, nós já voltamos! – Emmett gritou quando estávamos saindo porta afora.
- Vou ficar esperando! – Ela riu de longe.
Entramos no meu jeep e ele dirigiu até a mesma estradinha de terra que tínhamos treinado algumas semanas antes. Emmett estava com medo que eu estragasse a pintura do jeep caso eu dirigisse mal e fazia piadas com isso.
Passamos o resto da noite inteira dirigindo pra lá e pra cá e eram quase nove horas quando meu pai apareceu por lá e sorriu para mim. Suspirei de alívio que ele não estivesse bravo por eu ter furado o castigo. Mas foi minha mãe quem autorizou então ele não poderia brigar comigo.
Voltamos para casa um pouco tarde demais. Minha mãe deu um cutucão em Emmett e ele riu feito uma hiena. Dei boa noite a todos e subi para o meu quarto p0ara trocar de roupa imediatamente e me jogar na cama.
Quando meus olhos estavam vagando para a inconsciência, meu celular anunciou uma mensagem.
Mensagem 1
De: Jacob Black
Durma com os anjos.
Eu te amo.
Depois disso, os meus olhos se fecharam e um sorriso fraco se abriu no meu rosto, empurrando-me para os mais belos sonhos.
Oh, droga!
Meu olho está doendo muito! Acordei hoje de manhã com um saco de berinjela embaixo do olho e enfim, eu estou com tersol! Pra quem não sabe, tersol é aquela bola de beisebol que aparece embaixo do olho e lateja até o seu olho cair. O meu está a ponto de se suicidar...
Deixando as lamentações de lado (é sério, meu olho está pulando aqui) queria agradecer a todos vocês pelas reviews maravilhosas que vocês deixaram! Mto obrigada!
Continuem deixando suas reviews, pooor favor!!
Shika Luka 3
