Eu não sabia que ele me faria tanta falta.

O cheiro dele, o gosto do beijo, o corpo dele deitado ao lado do meu, o café que ele preparava para mim todas as manhãs, as provocações que ele me fazia, o corpo másculo e definido dele, a preferência por filmes estranhos e a forma como ele falava meu nome.

Meus dias estão tão escuros, tão sem vida, tão mortos, depois que ele se foi. Não é como se minha vida toda tivesse parado pela morte de Camus, por que não foi. Sei que ele não gostaria de me ver triste e cabisbaixo pelos cantos, então nem cogito a possibilidade de chorar.

Certo, derramei minhas lágrimas, sim, mas não chorarei mais. Mas não paro meu mundo inteiro por isso.

Metade do meu coração se foi, mas a outra continua aqui. Sei que não vou amar alguém como ainda amo o Camus, mas eu ainda estou aqui. Eu continuo. Sinto muitas saudades, muito mesmo. Mas eu vou seguir em frente, até o fim.

Eu não me deixarei abater e não me lembrarei dele com dor. Não me lembrarei de como ele morreu, do velório, do enterro ou das brigas.

Me lembrarei das reconciliações, dos momentos felizes que tivemos, de quando ele me levava café na cama, do cheiro da comida que ele preparava, de como ele sabia escolher bons vinhos, da rádio preferida dele, da música preferida, do sorriso, dos natais em família, da mão fina e delicada dele, do shampoo que ele usava, do restaurante favorito, de como ele gostava de tocar saxofone e detestava que eu comesse frituras demais ou assistisse desenhos animados.

E cada vez que eu me lembrar de cada detalhe dele, vou sorrir.

E, ainda amando tanto esse homem, eu não sabia que, em cada mísero momento de cada dia que eu passo, eu ia me lembrar dele, ia pensar nele, ia sentir saudades dele, ia querer estar com ele.

Eu não sabia que ele me faria tanta falta.

Amor, me perdoe por não ter cumprido a promessa que te fiz.

Sei que você gostaria que eu continuasse em frente depois que você morreu, mas eu não posso me perdoar pelo que te aconteceu e principalmente não posso perdoar os filhos da puta que te mataram tão covardemente.

Lembra quando nos conhecemos? Você era meu novo advogado e tinha me prometido tirar da cadeia, mesmo eu tendo tantos anos de pena nas costas. Eu te achei lindo. Você estava deslumbrante naquele terno escuro, com os cabelos longos soltos.

De lá, bastou um passo para que nos apaixonássemos. E, no dia que saí desse inferno, te prometi não voltar para cá mais e não fazer por onde.

Mas, Afrodite, entenda, eu não pude cumprir a promessa.

Eu não podia deixar quieto. Eu não me perdoaria se eu deixasse de lado, se eu fizesse de conta que você morreu de uma causa natural ou que eu não sabia quem te matou.

Eu simplesmente não podia.

Eu tinha que...

Não podia ficar desse jeito, Afrodite. Você não merecia morrer daquele jeito. Você não merecia morrer.

Eu não me arrependo de nada do que fiz na minha vida, amor. E você é o principal capítulo dela. Você é o que fez minha vida inteira valer.

Por você, só por você, eu voltei para esse inferno e vou passar o resto da minha vida aqui, me lembrando de como foram felizes meus dias em sua companhia, só esperando ficar junto de ti, mais uma vez.


Oi pessoas o/
Agora, realmente, é o final de Excelso. Espero que tenham gostado, principalmente desse capítulo minusculoso, que foi totalmente diferente (sabe, fora dos personagens principais?) do resto da fic.
Uma curiosidade? Essa é a terceira vez que escrevo algo sobre o Milo-quando-o-Camus-morreu.

Lembram da fic que eu disse que de certa forma me inspirou? O nome dela é "Sob a sombra do mais silencioso carvalho", tem sete capítulos, é yaoi entre o Harry Potter e o Draco Malfoy, Universo Alternativo e a autora se chama Kikis. Link:

s/3325826/1/Sob_a_sombra_do_mais_silencioso_carval ho

Beijos e obrigada por tudo 3