Aproveitei que estava na cozinha e decidi fazer algo pra eu comer e pra ele também, afinal, eu precisava tentar me socializar com o in-socializável.
Eu não sabia fazer muita coisa, como eu disse, sou um desastre culinário e a única coisa que eu sabia fazer era um misto e um café, não era a melhor das combinações, mas foi o que eu fiz.
-Neji. – chamei batendo na porta, ele não respondeu, mas a convivência com Ino me deixou pouco atrevida, abri a porta sem esperar um sinal, ele estava só de calça, sentado na cama lendo um livro, que imagem dos Deuses! Naquele momento agradeci aos céus por viver a ponto de admirar tal ilusão, mas logo praguejaria a mim mesma por ter visto, e esse logo estava perto, ele abaixou o livro de suas vistas e me encarou com insatisfação.
-O que você quer, tarada?
-Eu? Tarada? Ficou maluco? – eu ainda segurava a bandeja como se fosse uma idiota.
-Você não sabe se a zona é perigosa quando se mete numa? – ele estava se aproximando – Primeiro me agarra daquele jeito insano ontem e hoje vem me bisbilhotar trocando de roupa – ah, tá, como se eu tivesse uma bola de cristal pra saber quando ele ia ta trocando de roupa! – Você tem alguma tara por primos "desconhecidos" de suas amigas? – o tom dele era sutil, mas ainda assim sedutor. Ele se aproximou de modo que pude sentir aquele hálito quente arrepiando minha espinha, soltei a bandeja num ato de reflexo, minhas mãos estavam tremulas demais pra segurá-la, ia abaixar-me pra juntar os cacos da xícara e do prato, mas seus braços alvos e fortes já haviam me encurralado na parede – Está nervosa, Mitsashi?
-P-por que eu estaria? – tentei forçar desdém, mas aquilo ficou um lixo, só serviu pra dizer o quanto desesperada eu me encontrava, Neji, sem mais delongas, continuou falando, com aquela voz rouca e aquele hálito quente cheirando a creme dental.
-Por que não foi com seus amiguinhos assistir a porcaria da patinação? – a voz dele ainda era tranqüila e sedutora, mas existia um pouco de ameaça naquela frase. Seu hálito subia pelo meu pescoço arrepiando todo o meu dorso, eu iria acabar cedendo àquela tentação. Ele parou na minha orelha – Está com medo, Mitsashi? – eu tentei, juro que tentei, mas responder alguma coisa naquela situação era impossível, minha boca abriu e fechou duas vezes, sem sair voz alguma. Ele se afastou de mim, desdenhoso, estava com um sorriso de canto perigoso, ele sentia-se um vencedor – Consegue entender a diferença entre nós? – ele ainda mantinha o sorrisinho – Pare de tentar se aproximar de mim, não faz sentido algum. – ele até podia ter razão, mas meu coração era insano. –Não entre mais sem permissão. – avisou por ultimo fechando a porta na minha cara, não tive chance de falar nada e nem de arrumar a bagunça que eu tinha feito com a bandeja, bom, o problema é dele, ele que arrume então.
Voltei à cozinha, estava com fome, ia comer meu misto com café, depois do desjejum tomei um bom banho e me troquei, o dia estava agradável, então optei por um short verde e uma camiseta branca e chinelos. Fui até o estábulo, eu não sabia montar, mas achava lindo quem sabia. Lá haviam alguns peões cuidando dos cavalos.
-Bom dia, dona. – cumprimentou um deles com certa sem-vergonhice na voz. Senti-me incomodada, ignorei. Continuei andando pelo extenso corredor do estábulo os cavalos, com suas cabeças pra fora da baia, bufavam e se remexiam, pareciam incomodados, assim com eu, saí de lá, minhas pernas pareciam ser a atração principal para aqueles caubóis tarados. "Tarados", a palavra ecôo na minha cabeça, por que o Hyuuga me achava "tarada"? Eu apenas me segurei quando pensei que ia cair, e abri a porta porque pensei que Hinata estaria lá. Que droga... Só faço burrada na minha vida...
Vaguei pelos pastos, eles deveriam ter gado em algum lugar, mas eu não havia visto ainda, o Sol estava bem quente, torrando meus neurônios, decidi voltar pra casa encontrei Neji na cozinha, jogando no lixo os cacos da louça que eu havia quebrado mais cedo. Me escondi atrás da parede, na esperança dele sair e não me notar.
-Se escondendo de mim, Mitsashi? – eu estava tão preocupada em me esconder que fui vista, ele estava à minha frente, me encurralando de novo. Minhas pernas tremeram, porque eu me sentia daquele jeito diante dele? E somente diante dele...? Neji era enigmático, horas humano, outras nem tanto, eu tinha medo de falar com ele, ficar com ele, sentir ele... Aquele hálito logo estava encostado em mim de novo, brincando comigo.
-Por que está fazendo isso? – decidi perguntar, meu Deus, quanta coragem. Ele pareceu surpreso, não que tenha demonstrado isso explicitamente, eu poderia até ter imaginado isso.
-Por que pergunta?
-Porque você está brincando com a minha cara e isso me incomoda.
-Não estou brincando só com a sua cara. – ele sorriu de canto de novo – Você ainda não entendeu, não é? – o que eu deveria entender pelo amor do meu bom Deus?
-Como assim? – ele não me respondeu, pelo menos não com palavras. Simplesmente agarrou minha cintura com agressividade, obrigando-me a aderir meu corpo ao dele eu podia sentir sua respiração e ele com certeza podia sentir a minha também, ofegante. Eu tentei abrir a boca em protesto, mas o desejo de selar meus lábios nos dele foi mais forte, muito forte, quando dei por mim estava deslizando minha língua pela a dele, eu estava louca, só podia ser! Com certeza, louca de tesão! Hyuuga Neji era sedutor, bonito, enigmático e acima de tudo brincava comigo daquele jeito, sem me deixar saber o que ele realmente sentia. Afastei-me em busca de ar, não, não era em busca de ar, de repente me bateu um medo, medo de alguém nos ver, medo de continuar e gostar, por mais que eu já tenha gostado, medo do que poderia acontecer depois de um beijo mais demorado que aquele, enfim... Foram tantos medos que no final só tive medo de ter medo novamente.
-Conseguiu entender agora? – perguntou-me. Seu semblante ainda era tranqüilo, como ele poderia estar calmo naquela situação?
-Pra falar a verdade fiquei mais confusa... – ele parecia se divertir com a minha confusão.
-Você disse que gosta de cavalos, nãos é? – perguntou mudando o assunto – Podemos dar um volta com eles.
-Eu não sei se é uma boa idéia... – afastei-me, mas ele pegou meu braço e me puxou até os estábulos, ele parecia superior, elegante, sutil. Me ajudou a montar e montou atrás, ei, como assim atrás? Eu disse que não sabia cavalgar, deixei isso bem claro – Eu...
-Silêncio. Segure as rédeas. – ordenou-me de repente sério entregando-me as tais rédeas.
-O que eu faço? – entrei em desespero.
-Você cutuca ele com o pé pra ele andar, vira as rédeas pro lado que ele tem que ir e puxa se quiser que ele pare, mas se você puxar com muita força ele vai se assustar e nos derrubar. – explicou calmo e sereno, segurando minhas mãos que por sua vez seguravam as rédeas.
Consegui sair do lugar sem morrer, e sem arrancar pedaço de ninguém. Mas por que de repente ele me faz essa proposta? Eu estava distraída, perdida em devaneios, pensando em como ele podia me deixar daquele jeito, quando sua voz rouca me arrancou brutalmente de todos eles.
-Olhe o que está fazendo! – foi a vez dele se agarrar à minha cintura.
-Está me tarando Hyuuga? – desdenhei desviando da árvore que provavelmente nos bateríamos. Ele alisou minhas curvas enquanto soltava-se do abraço, fazendo minha pele se eriçar.
-Você tem um bom cheiro, Mitsashi. – continuei guiando o cavalo calmamente.
-O que você quer fazer comigo? – perguntei de novo – Por que brinca comigo assim?
-Você não gosta? – falou na minha orelha, senti-me arrepiada de novo. Eu gostava só não podia admitir isso, nem pra mim mesma eu podia admitir, mas era impossível.
Puxei as rédeas do cavalo com força, nós caímos, eu sobre ele, de costas.
Senti minha coluna batendo no peito duro dele, e minha cabeça deve ter parado no queixo dele, não sei bem, levantei-me rapidamente num impulso, ele estava desacordado, meu Deus... O que eu fiz? Eu matei o Hyuuga?
-Neji... Neji, acorda! Acorda, Neji! – berrei sacudindo-o. Nada surtia efeito, eu estava desesperada eu olhava pra todos os cantos de seu corpo, procurando por machucados, algum sinal de fratura, alguma coisa que não estivesse no lugar certo, nada de errado aparentemente, olhei o horizonte, mato, mato e mato, ninguém pra nos socorrer,enquanto me distraía procurando por alguém senti uma mão quente no meu braço, logo eu estava no gramado verde, havia alguém encima de mim, não pude ver muito bem, pois estava contra o Sol.
-Ficou preocupada comigo, Mitsashi? – eu não podia enxergá-lo muito bem, mas aquele tom arrogante era dele, com certeza.
Sua cabeça tapou o Sol e pude ver aqueles olhos prateados fitando meus pobres chocolates, ele tinha aquele sorriso de canto, estava encima da minha barriga, naquele instante senti um misto de medo e curiosidade, medo de provar e curiosidade de como seria se eu provasse, ele era tão sexy... E aquela posição era um tanto sugestiva...
-Eu estou muito bem, Mitsashi. – disse ainda com o sorrisinho, depois baixou-se deixando seu peito rende aos meus seios – Obrigado pela preocupação – sussurrou no meu ouvido, naquele momento minha boca ficou sedenta pelos lábios que deixaram aquelas palavras escaparem. Eu agarrei aquele rosto entre minhas mãos e selei nossos lábios, minha língua não esperou convite, nem permissão, invadiu a boca dele e explorou tudo que tinha direito, minhas pernas agarraram o quadril dele e logo quem estava encima dele era eu, um calor louco me possuiu, eu arranquei a blusa e fiquei só com o sutiã azul, abri a camisa dele e comecei a beijar seu peito, e que peito , meu Deus... Neji era o pecado em carne, osso, gostosura, perfume e tudo que ele tinha direito.
-Neji, você é perfeito. – sussurrei entre os beijos que subiam e desciam do tórax ao rosto e do rosto ao tórax. Ele inverteu o jogo de novo e fez o mesmo que eu fiz, mas ele era ousado, que mãos hábeis! Ele alisou todo o meu corpo em segundos, ou assim pareceram, e pousou uma das mãos na minha coxa elevada em sua cintura, enquanto a outra mão estava em minha nuca, forçando-me a beijá-lo.
Extravasei todo o meu desejo naquele encontro, provei com meus lábios quase todos os cantos daquele corpo glorioso, eu não queria saber que pecado ou crime eu havia cometido, mas aquele feriado estava prestes a ser o melhor da minha vida.
Subimos no cavalo, eu atrás dele, abracei-me a ele e pousei minha cabeça em suas costas, eu era a princesinha que havia sido salva pelo príncipe, em seu cavalo branco, na verdade era marrom e não era dele, mas não importava, eu estava vivendo meu conto de fadas, eu tinha esse direito.
Chegamos ao estábulo ele guardou o cavalo e eu fui pra casa, a sala estava cheia, eles haviam voltado, ops...
-Tenten! Onde você estava? – perguntou Sakura preocupada.
-Se ela sumiu e o Neji sumiu... – começou Temari com muita malicia na voz.
-Vocês já estavam se agarrando? – perguntou Ino chocada, com um sorriso malicioso.
-Eu não estava me agarrando! – defendi-me.
-Não? – perguntou a loira mais velha sarcástica – E que marcas são essas no seu pescoço?
-Temari! – arfei incrédula.
-São iguais às marcas que meu irmãozinho deixou na caçula dos Yamanaka. – continuou a loira olhando pra Ino, porém, falando comigo – Não foi, Ino? – a loira mais nova ficou sem jeito, pela primeira vez na vida.
-O que você fez com minha irmã, seu desgraçado? –Sasori, o super-protetor, vôo encima de Gaara, estava-o segurando pelo colarinho.
-Ow.
-Pára, Sasori! –ordenou a loira – Eu... Eu tive culpa nisso também... – admitiu – E a gente nem fez tanta coisa, só uns... Beijinhos...
-Não acredito. – Sasori soltou o outro ruivo enquanto o Yamanaka loiro ria – Calado, Deidara, você acha lindo sua irmã se exibindo desse jeito? – o loiro logo ficou sério. Sakura estava achando hilária a cena – Sakura. – chamou ainda sério – Você não aprontou nada, não é?
-Ai Sasori, claro que não, eu sou a irmã certinha, esqueceu? – ela tinha um sorriso bobo na face. O mais velho puxou a loira mais nova pra dentro da casa, algum dos quartos eu acho, alegando que iriam conversar. Logo depois Neji entrou e todos murmuraram um "hmmm" pra ele. Esquecendo a pequena discussão da família que acontecera há pouco.
-Pegando, né Neji... – disse Naruto dando-lhe tapinhas nas costas. Ele me olhou como se dissesse "O que você disse pra eles?", tinha uma certa raiva em seus olhos. Eu apenas ergui os ombros sem ter o que explicar.
Naquela tarde não nos falamos mais, Neji me evitou de todas as formas, à noite jantamos em silêncio, o clima na casa estava tenso, Sasori mantinha a irmã mais nova longe de Gaara como uma galinha mantinha os filhotes debaixo da asa longe dos predadores. Naruto trocava olhares nada discretos com Hinata, Sakura e Deidara comentaram algo sobre o exagero de Sasori, nada mais que isso. Itachi e Hidan volta e meia falavam sobre as professoras "gostosas" deles e Sasuke estava alheio a tudo. E Neji... Bom... Ele comia educadamente, cultamente, belamente... E todo e qualquer adjetivo bom terminado com "ente", Neji era perfeito em tudo, eu não podia mais negar isso à mim, eu não entendia o porquê dele me ignorar e bancar o frio e calculista, mas fazia parte dele, e mesmo que eu não entendesse eu tinha que aceitar, faz parte dele... Faz parte do meu desejo, este desejo que deseja ele...
Feliz 2011! \o/
Milhões felicidades pra vocês, queridas leitoras! ^-^
Reviews? *-*
