Capitulo 10 de : Uma nova oportunidade para Serena.

- A dura realidade de um sonho desfeito e uma loucura em nome do amor.

Em Tókio...

- Ufa, depois de quase quinze horas de viagem, finalmente estou em casa. – falei assim que pus os pés dentro do meu amado apartamento, na parte nobre de Jubaangai.

Naqueles primeiros dias vou ter um trabalho gigantesco: Limpar e organizar a casa depois de tanto tempo fechada. Podia me dar ao luxo de contratar uma faxineira, mas gosto é de mesmo por a mão na obra e deixar tudo arrumado e organizado a minha maneira. Odeio neguinho fuçando minhas coisas. Então após um bom banho frio, vestir roupas surradas e confortáveis e ligar para um restaurante para encomendar o almoço, comecei a limpar com esmero meu apartamento e deixa-lo habitável.

Enquanto trabalho limpando o assoalho do meu quarto, meu almoço acaba chegando em vinte minutos. Então, assim que eu o pego confiro se minha encomenda estava certa: um típico lamén japonês com legumes e frango xadrez(nada como a comida do meu país. Estava cansado de comer comida americana, com tanta gordura e corante).

Pausa para o almoço:era a hora de me alimentar bem e descansar um em direção a cozinha e me sentei sobre a baqueta da cozinha recém-limpa e me servi na embalagem mesma, já que alguns pratos que eu tinha deixado no apartamento estavam numa caixa dentro do armário e pelo tempo estavam empoeirados. E comi a comida saboreando lentamente com o auxilio dos tradicionais hashis de madeira e um bom suco de uva de caixinha . Enquanto comia, fantasiei como seria a minha visita surpresa pra minha coelhinha.

Iria mais tarde ao templo Hikawa conversar com Rey e combinar os detalhes com ela e as outras, já que eu havia ligado para lá antes de pegar o avião em Massachusetts e o avó dela havia dito que ela havia saído naquele momento e não sabia a que horas voltava..

Acabei com minha pausa, e voltei ao trabalho. Acabei de limpar minha casa já iam dar quatro horas da Tarde. Compensava o trabalhão que eu tive vendo meu cantinho arrumado e asseado como deveria estar. Depois disso fui ao banheiro para tomar o meu merecido banho e relaxar numa banheira com água quentinha.

Devidamente banhado e com vestido só com uma calça jeans de uma grife famosa, fui ao meu closet e escolhi uma camiseta preta e uma camisa de botão vermelho-xadrez para um pouco da minha a colônia importada de rosas e me olho no espelho. Gostei muito do que vi e sorrio e digo para mim mesmo: Darien, você está irresistível para sua coelhinha. Ela vai babar por você. Vou até o corredor de entrada e calço os sapatênis novinho preto e saio assobiando uma musica: Minha Amada Imortal, de Beethoven, na qual me fez lembrar que o quanto a minha amada era importante para mim. (E claro que enquanto estava na parte ocidental do planeta, ampliei meu leque de gostos musicais, aprendi a apreciar blues, rock do estilo love metal e algumas do estilo mais " light" desse ritmo. Nada de paulera ou sem uma letra que não prestasse. )

Andando pela avenida principal do bairro, eu estava tão perdido em meus pensamentos esbarro em uma moça. Pensei que fosse minha preciosa coelhinha, já que temos a mania de nos encontrar aos esbarrões pela cidade. Abaixei a minha cabeça e para observar. Nossa... Que bonita moça... Morena e dona de olhos num tom violeta bem conhecido...(foi o que pensei na hora até que a reconheci).

- Rey?! Ah me desculpa por esbarrar em você, sim? Mil perdões...

- Darien, que grata surpresa! Esquece o esbarrão e me diga, quando é que você voltou? Nossa é ótimo te ver de novo... – A jovem cumprimenta o amigo sorridente e genuinamente feliz em vê-lo.

- Voltei hoje de manhã. Estava indo até o templo Hikawa mesmo. – vi minha amiga com varias sacolas, pedi solicito, tentando ajuda-la com o peso:

- Permita-me ajudar com essas sacolas, sim?- Peguei da mão de Rey todas as sacolas que a ela carregava. A garota apenas assentiu com a cabeça e me deu as bolsas.

-Obrigada, Darien- a Rey me agradeceu com um sorriso nos labios

Durante o trajeto dos dois em direção ao templo, conversamos sobre amenidades e o intercambio . Não falamos sobre Serena em tempo algum. Finamente chegando ao templo, Rey me convida para entrar e se acomodar na sala de visitas, enquanto ela ia em direção da cozinha com as sacolas. Olhava admirado a sala do templo. Certas coisas não mudam, assim como a decoração do templo. Meia hora depois vinha com um bule fumegante de chá e biscoitos tradicionais japoneses numa bandeja feita de madeira nobre, vinha a Rey um tanto sorridente demais para meu gosto.

Rey me serve o chá e se serve antes de se acomodar no sofá oposto ao que eu estava sentado. E após solver um gole do chá, tomo a iniciativa da conversa.

- Bom, Rey, o motivo da minha visita é para ver se você estaria disposta em me ajudar com a surpresa que eu estou organizando para a Serena. Ela não sabe sobre minha volta e eu queria pega-la desprevenida e me desculpar pelo jeito que andei tratando-a nesses últimos tempos. Bom minha ideia é o seguinte...

Expliquei minuciosamente o que pretendia fazer e alegre pedi a opinião da minha amiga, que respondeu me séria :

- Darien, a ideia de combinar um piquenique com as garotas em que você apareceria de repente e sem avisar é ótima mas tem um pequeno porém que achei que você já soubesse, mas estou vendo que não: Esse piquenique não se realizar porque a Serena não está aqui no Japão.

-O que? Não acredito! Isso não pode ser verdade. Rey , a Serena nunca iria viajar sem me comunicar. Ela não me deixaria fazer papel de palhaço e vir até aqui a toa. – Eu falei chocado com acabei de ouvir.Não era verdade o que a Rey me contou. Sempre controlei bem meus sentimentos com uma frieza surpreendente, tanto que eu era tido pelos meus colegas tanto aqui como nos EUA como frio e calculista. Pronunciei essas palavras com lagrimas nos olhos com o coração cheio de revolta Sonhei tanto com essa volta. É assim que ela dizia me amar? Mas isso não ia ficar assim...

- Isso mesmo Darien,ela foi para a França com a mãe dela, Amy e Mina a passeio...- A Rei continuava a falar quando sentiu a presença de uma amiga- Lita – que acabara de entrar no cômodo conduzida pelo avó de Rey e interrompeu o que me dizia .

- Olá Rey, vim fazer uma visitinha, já que as garotas não estão por aqui.... Darien?! Nossa quando foi o que você voltou?- Lita falou assustada com a minha presença não esperada.

- Voltei hoje de manhã Lita e já vou voltar para os Estados Unidos amanhã, já que a sua amiga cabeça de vento esqueceu que eu existo e não me avisou sobre a viagem que é assim que ela diz se importar com o nosso noivado. –Eu repliquei decepcionado e em prantos para a moça que acabara de chegar. Não consegui controlar o que sentia na hora, coisa que nunca aconteceu comigo. Até antes, quando me relacionava com uma garota , eu quase não me envolvia emocionalmente com ela. Era como me protegia da decepção amorosa. Foi assim com todas as garotas com quem me envolvi até mesmo com a Serena, quando a gente começou a namorar. Só resolvi me soltar mais com ela durante a semana que a gente passou junto antes de eu novamente embarcar para o intercambio, porque adquiri mais confiança na nossa relação e pela primeira vez na vida eu realmente amava uma garota e não apenas a estimava. Não que ela fosse dormir lá em casa, mas fizemos muita coisa junto naquela semana e confesso: foram os melhores dias da minha vida. Mas nada de muito profundo ou intimo demais. A respeitei muito, mesmo a desejando demais.

- O que foi que você disse a ele Rey?- Lita perguntou com uma cara interrogativa para a morena. Olhei assustado para a cara de revoltada da recém chegada, que me deu a nítida impressão que a Rey não contara todos os detalhes da historia direito.

- Só disse a verdade, Serena está passeando na França.- Rey respondeu.

- Só que você contou a ele sobre a metade da história. Darien, eu vou contar a você tudo. Aconteceu o seguinte... – Lita começo a me contar estória desde o começo, do concurso a escolha de quem ia e da tristeza das duas por não ter sido escolhidas para ir.

- A então foi isso que aconteceu: Minha coelha teve a sorte de frase dela escolhida e ter ganhado a viagem e essa bolada. Que você me disse. Mas o que não entendo é de ela não ter compartilhado a alegria dela comigo pelo telefone. Até por que quando estava aqui, sempre que acontecia algo que a deixava feliz, ela vinha correndo me contar.

- Já parou pra pensar que ela talvez não tenha te avisado por causa do tempo que vocês estavam dando no namoro e na crença dela que você a acharia incapaz de vencer um concurso por ela ser taxada como burrinha. – Lita tentava me trazer uma luz aos meus pensamentos confusos . .

- Mas nunca pensei isso dela. De onde ela tirou essa ideia estúpida? Eu sei que ela é uma preguiçosa com os estudos, mais isso é diferente de burrice.- eu falei indignado com tal insinuação. Jamais diria isso a ela. Eu a amo muito e sei que pela aparente pseudo-desinteresse por tudo que se trata de educação escolar , se esconde uma garota muito inteligente.

- Mas se ela fosse realmente inteligente , ela não tiraria notas tão baixas. – replicou Rey , descordando da Lita.

- Descordo de você Rey.- Lita era quem falava agora- Nesses últimos meses, a Serena se superou. Ela ficou em segundo lugar em notas na sala, logo depois do Hiroshiro Hayashi, já que a Amy não é da mesma sala que a Serena, Mina e eu. E na classificação geral ela ficou em terceiro lugar. Fora que a Molly me disse que tanto ela como a Serena viraram as queridinhas do treinador e mascotes do clube de ginástica, já que as duas ajudaram a nossa escola a ganhar o campeonato municipal de ginástica olímpica entre escolas de Tókio.

- Eu fiquei sabendo desse campeonato. Até minha escola tentou competir mais ficou em sexto lugar. Mas achei que era estorinha ou mais uma brincadeira dela. Até hoje a Luna não acredita muito na mudança dela, assim como eu. Não sei como ela te convenceu, Lita.- Uma Rey descrente rebatia os argumentos que soavam como verdadeiros de Lita.E eu assistindo a discussão das duas como a um jogo de tênis.

- Então realmente a Serena resolveu modificar o jeito dela. E o que mais aconteceu com ela, Lita? - indaguei curioso a garota de cabelos castanhos.

- Ih Darien, pode esquecer a Serena bobinha, que acreditava em todo mundo, pseudo-burrinha. Por fora, mudou foi pouca coisa. A mudança foi mais no jeito de ser dela e que ela se afastou bastante da gente e anda mais com o povo do clube de ginástica. Mas não a culpo, já que quase estava sem tempo para nós, suas amigas. A gente se via mais quando surgia algum monstro solto e conversávamos rapidamente e só.- Lita explicou resumidamente a mudança. Coisa que me deixou muito curioso. Então minha coelha tinha se tornado ginasta e excelente aluna. Como será que ela estaria agora?

Enquanto as duas moças iam conversando, já que a Rey tinha trazido mais uma xícara e servido o chá a Lita, na minha mente veio uma ideia louca para os meus rígidos padrões de comportamento. Se for para fazer uma surpresa para Serena, porque não ir para a França também e tentar achar ela lá? Eu estava louco de saudades dela, e não mediria esforços para estar com ela. Estava tentando desenvolver a ideia quando fui solicitado ao mundo real.

- Darien, quer mais chá? Nossa o que aconteceu para você ficar desligado de repente? – A Rey a me perguntava pela terceira vez seguida

- Nada de muito importante; só uma ideia louca que eu tive aqui...

- Sobre? A Lita me perguntou curiosa.

- Eu estava pensando se seria uma loucura incabível ir a França atrás da Serena. Não sei ao menos onde ela está hospedada, se está em Paris ou outro lugar de lá... é melhor esquecer essa ideia louca de uma vez por todas.

- Ai que romântico, quem me dera do meu ex fizesse uma coisa dessas por mim...Ela está em Paris e tenho anotado o nome do hotel que ela ta, lá em casa. É muito fácil acha-la. Depois eu te passo o nome, só não tenho o telefone de lá . – A Lita tava suspirando encantada com minha ideia .-E nada de esquecer essa ideia. Rey e eu vamos te ajudar nessa empreitada...

Olhei no fundo dos olhos da Lita e percebi que aquela doida tinha bolado alguma coisa ...

- Darien, nós duas vamos te ajudar, mas com uma condição...

- Qual?- perguntei já assustado com alguma possível bomba que ela ia me desferir.

- Que leve Rey e eu com você nessa viagem. – Lita falou direto, sem me dar chance de argumentar.

-O que? Você por acaso ficou louca? Como vou levar vocês? Esqueceram que são menores de idade e precisam de autorização? E como vamos tirar os vistos em tempo recorde.? Essa ideia deve ser descartada, meninas. Não tem a mínima chance de se realizar.- tentei por um pouco de juízo e trazer a Lita a razão. Realizar tal façanha em tempo hábel era missão impossível.

- Darien, acho que isso não é tão impossível como você acaso esqueceu que eu sou filha de um importante político do governo japonês? E por sorte papai é amigo do cônsul francês e se eu ligar pro Sr. Hino, ele pode muito bem mexer os pauzinhos e conseguir os vistos em três dias. – Rei falou um tanto tranqüila para a situação e com o telefone na mão. A aparente tranqüilidade dela sempre me assustou, pois ela estava com a mente a mil por hora.

- Já a minha autorização, vou ligar para minha tia assim que chegar em casa. Não moro com ela, mas ela é minha responsável legal e administra as contas lá de casa. Com certeza ela me libera para a viagem. – Lita falou para Rey e pra mim bem animada pro meu gosto.

- Mas eu não falei nada que ia viajar para a França, só pensei de ir até lá. Vocês estão se precipitando a toa.

- Uee, não foi você mesmo sugeriu a ideia que ir atrás dela. Vai ficar esperando passivamente que ela tome alguma atitude em relação ao namoro de vocês? Lute por ela, Darien! Arrisque-se e mostre a Serena o quanto a ama e diga isso diretamente pra ela. Não deixe escapar de fazer algo de que vocês dois possam se lembrar pro resto da vida! Se esperar que ela volte da viagem pra fazer o que tem que ser feito, pode ser tarde demais! – A Lita acabou me dando um puxão de orelha merecido e que me fez lembrar das palavras da coelha na nossa briga antes de eu embarcar para os EUA pela segunda vez. E tinha uma coisa dentro de mim falando que eu deveria fazer essa viagem ou se não poderia dar adeus a minha Serena.

- Ta bom garotas, vocês venceram. Vou tentar falar com o meu amigo Pierre pra ver se ele nos deixa ficar na casa dele durante a nossa viagem, Rey será que podemos contar com a ajuda do seu pai com os vistos? E a autorização, Lita você me consegue pra quando? Por favor tenta ver isso o quanto antes... – Eu estava falando com as garotas, quando percebi que a Rey não estava me dando atenção. Estava no telefone com alguém e parecia muito satisfeita com que ouvia.

- Sim pai, e se os meus amigos mandarem os documentos pro senhor, os vistos estariam prontos quando? Na quarta-feira? Certo, deixa eu anotar aqui os documentos necessários ... Já anotei tudo! Ah é pra falar com eles pra deixar os documentos aqui no templo que o senhor mesmo vem pegar e levar pro consulado. Certo. Obrigada pai e me desculpa te tirar da reunião importante do senhor.- via a Rey falar ironicamente com o Sr. Hino, o pai dela ao mesmo tempo que terminava de anotar alguma coisa num caderno.

- Rey, pensei que não falasse com seu pai, o que houve? Fez as pazes com ele?- vi a Lita perguntando a Rey enquanto eu terminava a minha xícara de chá e pegava uma copia do que ela tinha anotado durante o telefonema.

- Não fiz as pazes com ele. Só falo com ele o extremante o necessário. – Rey respondeu secamente a nossa amiga em comum.

- Bom já vou meninas. Tenho muita coisa para providenciar amanhã e passo aqui de tarde com a documentação. Até mais. – Eu acenava para as meninas enquanto descia a escadaria do templo.

Durante meu trajeto, ia pensando na argumentação que teria que usar para convencer o Pierre a deixar mais duas pessoas se hospedar na casa dele . Talvez ele tomasse como abuso levar mais duas pessoas para dormir no castelo . Por mais constrangedor que fosse, eu veria o que poderia fazer e se não conseguisse, teria que arrumar um jeito de dizer as meninas que não iríamos mais ir.

Passei no mercado 24 horas e fiz uma pequena compra para o fim de semana que prometia ser longo e solitário. Já passavam das nove horas da noite quando cheguei a meu apartamento.

Eu estava esgotado, não só fisicamente, como emocionalmente. Vim cheio de esperança de encontrar minha namorada e saber que ela nem pra me avisar de que faria uma viagem, foi demais pra mim. Mas ia seguir o conselho da Lita e lutar pelo meu namoro. Eu realmente amo minha coelha e faria qualquer sacrifício para vê-la feliz e estar ao lado dela.

Assim que tomei um banho e pus minhas costumeiras calça de moletom e regata pretas, liguei para o Pierre. Passamos quase meia hora conversando por telefone, e ao contrario do que eu pensava, Pierre achou minha ideia ótima e aceitou de bom grado hospedar minhas duas amigas. Ele achava que se a irmã convivesse com garotas da mesma idade, ela sairia da depressão em que envolveu desde a morte dos pais.

Nisso lembrei da alegria contagiante e da facilidade de fazer amizade da Serena. Talvez se Celine e Serena se tornasse amigas, o entusiasmo da minha coelhinha curasse a depressão da menina.

Então combinei com ele de que quando saísse os vistos, eu ligaria avisando para os preparativos do lado de lá fossem feitos. Terminada a ligação, fui dormir.

Nos dias que seguiram foram uma correria sem fim. Foram quatro dias frenéticos. Documentação e entrevistas para o visto e sem falar de ligar pro Pierre e as conversas com o pai da Rey e a tia da Lita. Mas em fim, conseguimos nos organizar e amanhã iríamos embarcar no vôo das quinze horas . As meninas e eu ficamos de nos encontrar no aeroporto. Enquanto me preparava para dormir, recebi uma visita inesperada. Era a Luna que tinha sabido pela conversa das garotas que eu tinha voltado ao Japão.

- Oi Darien, a quanto tempo não nos vimos, miau...Fiquei sabendo que vai viajar. Vai atrás da Serena, não é?- gatinha me perguntava curiosa

- Oie Luna, como vai? Amanhã estarei embarcando para a França e irei sim atrás da Serena.

- Isso é tão romântico... Quem me dera se um gato fizesse isso por mim, aiaiai... Darien, tente por um pouco de bom senso naquela cabecinha dura e tente faze-la lembrar da sua missão e de quem ela é. Por favor, seja meus olhos lá e cuide da Serena, já que eu não posso ir por causa da estúpida quarentena* que tem nas fronteiras da França . Eu to muito preocupada com ela e com as besteiras que ela possa fazer por lá. – Via a Luna sentada sobre as patas e me pedir isso tanto angustiada no mesmo momento em que eu acertava meu celular para acordar na hora certa de manhã.

Vendo ela falar desta maneira, tão imperativa e querendo fazer cumprir a vontade de um passado caprichoso, me fez me colocar no lugar da Serena. Pela primeira vez , vi que minha namorada e eu tínhamos mais coisas em comum do que eu realmente achava. Eu também não concordava com aquele tipo de futuro e talvez me tornei um pouco mais frio com a Serena depois da nossa ida ao século XXX. Parecia obrigação ficar juntos por causa de um passado e pseudo-futuro já estabelecido ao invés de ficarmos juntos por amor e gostar da companhia um do outro. É, claro que muitas vezes me deixei influenciar pela pressão da responsabilidade de ter cumprir a risca o destino que nos foi imposto. Essa estória me incomodava de mais e já estava chegando no meu limite. Talvez meu intercambio foi uma maneira de sair um pouco dessa pressão danada.

Nunca admiti isso com medo das conseqüências que meu modo de pensar acarretaria a mim e a Serena. Afinal, podia conviver com os gatos, mas como não são animais comuns e não os conheceríamos a fundo, não sei o que poderiam fazer em retaliação.

- Pode ficar descansada que cuidarei bem dela, Luna. Quando eu voltar lhe trarei uma lembrancinha de lá.

-Muitíssimo obrigada Darien. Miau... Posso te pedir uma outra coisa? Posso dormir aqui? Sabe, o pai da Serena ronca alto demais e como ela e a mãe não estão em casa, não consigo ficar em paz naquela casa.

- Pode sim, Luna. Vou tomar um copo de leite morno e te preparo um pires. Não demoro... – Falei a minha amiga felina num tom acolhedor, enquanto me dirigia a cozinha e me servia do leite morno que eu tinha posto numa vasilha dentro microondas.

Aprontei o pires da Luna e a chamei para tomar ceia. Enquanto bebíamos, a conversamos sobre o meu intercambio e ela me pos informado sobre todos os acontecimentos. E me contou que finalmente parou de brigar tanto com o pobre do Arthemis, chegando a se acertar as vezes. Acomodei minha hospede de quatro patas em uma almofada bem fofa do sofá e fui para cama.

Eram seis e meia da manha quando meu celular tocou. Me levantei não muito descansado, mas estava de pé.Fui para banheiro, onde tomei uma ducha fria pra me despertar o corpo, me barbeei e fui fazer o meu café da manhã.. Mas pelas minhas contas, chegaria lá na França, lá pelas nove da manhã saindo daqui as três da tarde. Minhas coisas estavam organizadas junto a porta e passei perto do sofá pra ver se a Luna ainda estava lá. Ela dormia tranquilamente, estirada sobre a almofada. Deixei um pires de leite perto de onde ela estava e fui fazer minha corrida matinal. Era bom rever minha cidade e meus amigos. Encontrei com antigos colegas de classe e fiquei sabendo por eles que meu bom e velho amigo Andrew estava de volta a Tokio e trabalhando no lugar de sempre. Fui até lá e o vi, ele me pareceu um tanto abatido e tristonho. O que poderia ter acontecido na Europa com ele para estar desse jeito? Me indaguei mentalmente. Enquanto me sentava no banco do balcão e quando Andrew me viu, abriu um sorriso um tanto fraco mas mesmo assim de grata surpresa e me cumprimentou. Pedi o de sempre: a minha xícara de café que ele sabia fazer melhor do que eu...

- Aqui está o seu café, Darien...- meu amigo me disse meio abatido ao entregar o que pedi e continuou- Sabe de uma coisa, Europa é ótimo para se conhecer, mas ainda sim prefiro o meu país. Lá tem paises com cada mania esquisita... Sabe eu fiquei sabendo que foi fazer intercambio nos Eua e está estudando em Harvard. Nossa queria ter tido uma chance dessas também...

- Uéee Andrew, esteve na Europa e não tentou se matricular em alguma universidade de lá. Tem as escolas de Medicina em Oxford, na Inglaterra e a deCoimbra em Portugal que são ditas como ótimas universidades.

- Eu sei Darien, , fiz algumas provas para lá consegui passar na prova de Oxford e estava fazendo o ano de Medicina que eu parei aqui, mas perdi a vontade de estudar quando terminei com a Wanda lá. Foi terrível! Nem sei como consegui ter forças de pedir a transferência de lá e voltar para o Japão, e recomeçar a vida aqui. Minha irmã dirigiu as lojas da família, mas não ficou a mesma coisa de quando eu tomava conta antes de ir. Mas consegui fazer que elas voltassem ao normal . Ai minha irmã concluiu o colegial e se mudou para a Inglaterra para fazer a faculdade de engenharia lá. E essa é a minha historia.

- Terminou com a Wanda? Mas porquê?– perguntei curioso.

Foi quando Andrew me pediu para ir a uma mesa afastada do balcão e me contou tudo: na verdade quem terminou tudo foi ela. Seis meses depois de eles se instalarem em Londres, ela conheceu um aluno inglês do mesmo curso que ela fazia e os dois se apaixonaram e começaram a se relacionar secretamente. Ela não agüentando o peso da própria consciência, teve uma conversa séria com meu amigo e contou tudo e pos um fim ao namoro dos dois. Andrew, sozinho num país estranho, passou quatro meses em profunda depressão, até que resolveu voltar para casa. E retomar tudo que largou para trás.

Ouvir o relato dele me deu uma imensa compaixão do meu amigo de infância. Ele sempre foi o oposto de mim: um cara alegre e apaixonado pela vida. E tentava me fazer sair da defensiva, me fazendo sair para festas e passeios com ele e os nossos amigos em comum. Não que eu seja uma pessoa amarga; Mas sempre fui fechado e um tanto retraído. E escondia esse meu jeito sendo um pouco arrogante e debochado, só para me defender da vida e das pessoas. Principalmente quando me aproximei mais da Usako e "pentelhava" a Serena toda a vez que a via, dando toques para ela mudar o jeito infantil dela. Não queria dar minha cara a tapa, mas já amava minha coelhinha e era assim que eu tentava chamar a atenção dela para minha presença. E adorava( e ainda adoro) a carinha dela de brava, ficava tão bonita vermelhinha( e ela é linda de todas as maneiras). Ai foi a vez dele me perguntar sobre o meu namoro com a coelha.

- E ai Darien, como vai o namoro com minha irmãzinha? Espero que esteja bem. E tem falado com ela depois que viajou para a França?

Foi a minha vez de desabafar com meu amigo. Andrew sempre foi o meu único melhor amigo desde do primário. Foi ele quem me apoiou e me deu um ombro amigo quando aos dez anos, fiquei sabendo que iria ser mandado pra uma escola interna. Contei tudo. (mas com alguns certos detalhes omitidos, por uma razão obvia) Sobre meu intercambio, o assedio das garotas da faculdade e em especial a confusão com a Cindy, a minha duras seis horas de residência por dia no hospital norte-americano, as brigas que tive com minha garota, minha decepção de não ter sabido da viagem dela e os meus planos pro dias que se seguiriam quando eu chegasse a Paris.

- Se fosse outra garota, eu te desestimularia a você fazer essa viagem. Por causa do que eu passei, mas como se trata da Serena, e sei que ela só fez isso por está chateada com você e sei muito bem o quanto vocês se gostam, o que só posso lhe dizer é que tenha boa sorte lá e te desejar toda a felicidade do mundo aos dois. E que eu estou muito surpreso pela sua atitude. Darien Chiba, o rapaz tido como o senhor perfeição e auto-controle ao extremo fazendo uma coisa dessas? Só me fez constatar um fato: milagres realmente existem. – Meu amigo começou a me zoar um pouco mais animado. Era bom que ele tenha esquecido a própria dor por um momento e voltou a ser o Andrew de antigamente. Ele se retirou da mesa assim que viu que chegara mais clientes e foi atende-los

Terminei o meu café um pouco mais animado e fui até o balcão pagar pela bebida. Alem de me dá o troco, Andrew me fez prometer que traria algumas coisinhas pra ele. Vi ele anotando umas coisas no bloquinho que ele carregava dentro do avental e tirar uma folha, que depois me entregou. Voltei para casa e fui terminar os preparativos.

Luna continuava no apartamento e almoçamos juntos.A hora de que eu havia de sair para o aeroporto tinha chegado e quando me preparava para começar a descer a bagagem, a campainha tocou. Atendi curioso, pois não esperava visitas naquela hora e eu estava com um pouco de pressa. Eram as garotas e suas malas.

- Oi Darien, eu sei que combinamos de nos encontrar no aeroporto de Tókio, mas apareceu um problema de ultima hora.- Rey me saudou e a convidei para entrar junto com Lita. As duas estavam de vestido florido e sandálias baixas. Roupa típica de alto verão.

- Qual? Não pode ser, tínhamos tudo organizado... – perguntei assustado e preocupado Enquanto terminava de fechar a porta .

- È que a Lita, que apesar desse tamanhão todo e jeito de braba, tem medo de uma coisinha boba: viagem de avião. Podemos com isso Darien? – Rey falando de um jeito brincalhão e que não estava agradando a garota mais alta. Capotei ao ouvir isso

- Vamos parar com isso Rey, eu tenho medo de avião e daí?- Lita a respondeu com cara de poucos amigos e um pouco tremula.

- Isso realmente é um problema sério - falei serio enquanto me refazia do susto e continuei- Pior que eu não tenho nenhum calmante leve aqui em casa para te dar. E nem se isso seria uma boa ideia.

- Miau... acho que eu posso ajudar... – Luna falou assim que se aproximou mais de onde estávamos.

- Oi Luna, o que você fazes no apartamento do Darien? E como pode nos ajudar?- Lita indagou a gata preta.

- Eu dormi aqui ontem. Lita, por favor, olhe para meus olhos e relaxe....- Luna falou num tom de voz tão calmo que assustou a Rey quanto a mim. A Lita fixou o olhar nos olhos da gata preta que repetia umas palavras num idioma esquisito. Depois que a felina parou de falar, a menina dos cabelos castanhos parecia estar hipnotizada.

- Agora vocês podem ir viajar tranqüilos. Assim que chegarem em terra firme , estalem os dedos bem próximo ao ouvido dela que ela voltará ao normal. Boa viagem e Darien, lembre-se que eu pedi a você. Até a vista.

Então nós quatro saímos do apartamento e cada um pro seu destino. Achei que ia ter que esperar por um bom tempo pelo táxi, mas o pai da Rey havia providenciado um carro para nós e um empregado dele nos levou até o aeroporto Internacional de Tókio.

O avião chegou na hora e embarcamos no horário marcado nas passagens. Foram oito horas bem tranqüilas e a Lita não demonstrou nem um sinal de pânico por estar dentro de um avião. Chegamos em Paris, umas nove e cinco da manhã e fazia um dia de sol muito bonito. A sensação térmica aqui era mais agradável do que em Tókio. Assim que pusemos os nossos pés em terra firme. Rey e eu se colocamos cada um em um lado de Lita e estalamos os dedos. Foi divertido ver a cara de espanto da menina recém desperta do transe..

- O que houve? Onde estamos? Será que vamos ter que entrar no avião agora?Oh não...- Lita já suando frio só de olhar os aviões indo e vindo.

- Bem vinda de volta Litinha, já estamos em solo francês e não precisa se preocupar em pisar em um avião de novo pelos próximos quinze dias. – Rey tentou acalmar a amiga e eu me segurando para não rir da cena.

- Mas como eu vim parar aqui, se a ultima coisa de que me lembro era de estar na casa do Darien e olhando para a Luna. O que foi que vocês fizeram comigo? Me digam....- Lita perguntou um tantinho invocada e curiosa.

-É segredo – Rey respondeu matreira a Lita , enquanto começamos a caminhar pelo saguão procurando pelo Pierre. Achamos ele rápido: ele e um senhor que parecia ter uns cinqüenta anos nos aguardava perto de uma loja de revistas.

- Aquele é o seu amigo de quem nos falou Darien?- Rey me perguntou ao ver o Pierre se aproximar de nós. E se voltou para a nossa amiga - Lita, nem me venha com aquela estória de ele se parecer com seu ex-namorado, porque é a primeira vez que o vemos.

- Mas eu não disse nada e cá entre nós ele se parece com o meu ex mesmo e é muito mais gato do que ele.- Lita falava animadamente enquanto eu cumprimentava meu amigo.

Feita as apresentações, saímos do aeroporto e entramos no volvo preto do Pierre que estava no estacionamento. Fomos para Troyes, uma região francesa que fazia parte da área produtora dos melhores champagnes do mundo, e onde ficava a propriedade da Família de Pierre. Era uma cidade pequena um pouco afastada de Paris e o castelo dos Vermont era muito mais belo do que eu vi pela foto. Era um prédio de pedra em estilo gótico , mas sem as pontes elevadiças ou vilas de pessoas. Acho que ele foi construído depois da época feudal européia. Tinha um lindo jardim e estava em flor. O terreno dele parecia que tinha milhares de metros quadrados e tinha um bosque e um pouco mais longe se via o começo de um parreiral. Tudo parecia um sonho, o que me deu uma pontada estranha de saudades.

Desci do carro juntamente com os outros e o dono da casa. Enquanto admirava o castelo, senti que estava sendo observado. Ergui meus olhos e vi em uma das varandas do andar superior, uma menina loira muito bonita e de esvoaçantes cabelos compridos. Ela tinha olhos azuis expressivos, um tanto tristes e pareciam que iam chorar e trajava um vestido de mangas preto. Deveria ser Celine, a irmã mais nova de Pierre. Entramos no prédio antigo e na entrada encontramos uma senhora de cabelos ruivos e um pouco grisalhos e era gordinha com vestido florido . Parecia ser bem simpática e estava ao lado de dois adolescentes de cabelo ruivos e eram meio sardentinhos. A menina parecia ter uns dezessete anos e era baixa e meio cheinha . Estava com uma bermuda jeans e uma camisa de mangas azuis e o menino mais magro que a irmã, parecia ser mais velho que ela uns dois anos estava com uma camisa preta e macacão jeans e ele segurava uma bola grande colorida..

- Oi tia Collie , como foram as coisas enquanto estive fora? E Celine, onde está? Deixe-me apresentar meus amigos a senhora.: estes são Darien Chiba, meu colega e companheiro de apartamento nos Eua e estas são Rey e Lita, amigas dele e minhas também –Pierre perguntando a senhora assim que a viu e continuou as apresentações -Meninos, estes são Colette Monserrat, mas conhecida por tia Collie por todos do castelo e é a governanta e a mulher que cuidou de mim e de minha irmã desde que me entendo por gente, esses são os filhos dela Marion e Raul. O velho tio Maurice vocês já conhecem,( ele estava se referindo ao senhor com a aparência de pacato e com um francês com sotaque meio caipira que foi com ele nos buscar) e tem as duas empregadas, a Margaret e a Nina.

- Oie prazer em conhece-los- nós três respondemos acanhados ao apertar as mãos dos moradores do castelo.

- Sejam bem vindos petites, e fiquem a vontade. O café da manhã está servido na sala de refeições, e não quero ver nenhum farelinho no prato, viu Pierre ? Ah, sobre Celine, monsieur Pierre, ela continua na mesma. Pobre petit – A senhora que tinha botado as mãos sobre as cadeiras e fingiu uma cara seria., e tinha o jeito de ser uma mãezona.

Todos riram e após um rápido tour pelo castelo,cada um foi direcionado para um quarto. O velho Maurice e Raul ajudaram com a bagagem. Assim que eu entrei no quarto, eu o olhei encantado o recinto. Era muito bem decorado e tinha o tamanho maior que meu apartamento. Uma cama de casal com pilares e em estilo vitoriano é quem ditava o ritmo da decoração. Se eu que sou eu fiquei embasbacado com tudo o que eu via, imagina se a Serena estivesse lá...

Olhei para a parede, tinha quadros de pintores famosos e varias janelas adornadas com lindas cortinas azuis e algumas portas que estavam abertas e davam para uma varanda com uma vista incrível do jardim e de área de piscina e bem ao fundo o rio Senna. Não resisti e fui a varanda que tinhas lindas floreiras com rosas-meninas vermelhas que contrastavam com bem trabalhados peitorais de pedra, onde eu olhava toda a belíssima e impressionante paisagem com um encantamento quase infantil...

Depois de umas duas horas que eu tirei para descansar da extenuante viagem, desci para a sala refeições e peguei uma fruta do cesto. A governanta ainda não tinha tirado a mesa do café e fui até a área da piscina. As garotas já estavam se esbaldando na água e Pierre estava sentado sobre uma espreguiçadeira e lendo alguns jornais. Ele me ofereceu alguns e comecei a ler o Paris –Soir, enquanto comia a minha fruta. Passamos uma parte o dia a beirada da piscina conversando sobre a vinícola que pertencia a família do dono do castelo a gerações e sobre os roteiros turísticos.

- Você deve procura-la nesses lugares, principalmente em versalhes, Notre Dame e no Louvre. - Meu amigo me dando dicas de onde podíamos começar a procurar por Serena.

- Obrigado Pierre, mas alguma coisa me diz que vou encontrar minha namorada a nossa maneira.- um tanto enigmático

Nesse ínterim a, senhora nos chamou para o almoço e a comida dela era ótima. Além de governanta, ela era a cozinheira da casa e nos olhava satisfeita com nosso apetite e os elogios que estavam recebendo, Lita, sabendo dessa informação foi logo perguntando se podia ajudar Colette com a louça.

-Dona Colette, será que posso te ajudar com a louça? Por favor diga que sim e se possível a senhora poderia me passar a receita desse guisado de frango. é que adoro cozinhar e gostaria de me tornar uma chefe de cozinha.- Lita falava com estrelinhas nos olhos.

- Que negocio é esse de dona mocinha? É Tia Collie viu e todos podem me chamar deste jeito sim- A senhora falava num tom brincalhão conosco e continuou a falar depois de olhar Pierre e este acenar a cabeça positivamente- Pode sim e é com o maior prazer que eu te passo a minha receita. Adoro saber que apreciam minha comida.

- Sério?Que bom!!! A propósito,não é abusando muito,mas a senhora poderia me dar algumas aulas sobre a culinária tradicional daqui, isso se a senhora puder, é claro.- Lita

- Desde que Monsieur Pierre não se encomode, posso lhe dar aulas sim – disse Tia Collie animada.

- Tia Collie...- Pierre fingindo brabeza e continuou- Já te disse para parar de me chamar de monsieur. A senhora é quase uma mãe pra mim e para Celine, cuidou de nós desde que éramos bebes enquanto meus pais curtiam a vida sem lembrar da nossa existê voltando ao assunto. É claro que pode dar a suas aulas a Lita, e espero em breve poder experimentar os quitutes dela.

Terminado o almoço, Lita e tia Collie foram para a cozinha com a louça e Rey passou pela biblioteca do castelo e foi pro quarto dela ler um pouco. Pierre e eu fomos até a biblioteca dele para estudarmos e eu poder lhe explicar a ultima matéria passada pelo professor. Estudamos até tarde e vi Celine entrar no recinto pegar um livro qualquer e em silencio já ia saindo quando o irmão mexeu com ela.

- Ei Celine bobona, não vai cumprimentar as visitas?- Pierre falou num tom bricalhão.

- Oi...- foi um cumprimento tímido e quase distante só o que loiro conseguiu arrancar da irmã . Ela saiu um tanto sem graça do cômodo e eu a olhava pensativo e me lembrava que até um certo tempo atrás eu também era assim Se não fosse Andrew e Serena para me tirar do poço solitário que eu mesmo me enterrei, não sei que o que aconteceria comigo no futuro.

Tia Collie, entrou e nos chamou para o jantar. Terminamos os nossos estudos naquele dia e fomos para a sala de refeições. Depois de alimentados, fomos para o jardim e ficamos conversando até mais ou menos umas dez da noite, quando todos nos recolhemos aos nossos quartos. Depois de ter tomado um banho e posto o meu pijama, me sentei sobre a cama e fiquei um bom tempo olhando a foto da minha coelhinha. Imaginado onde estava, se ela estava gostando da viagem e se sentia a minha falta.