13° capitulo: de uma nova oportunidade para Serena.

Darien

Acordei bem disposto naquela manhã de sexta feira. Era maravilhoso ter o cheiro de rosas e jasmins entrando misturados aos raios solares pelas janelas do quarto. Levantei-me e fui tomar meu banho matutino. Depois de me trocar, desci para o café. Já encontrei as garotas e meu amigo já na mesa e se alimentando.

Enquanto comíamos, Pierre me falou que deveríamos começar nossa procura, pela Catedral de Notre Dame, já que lá era um ponto turístico muito visitado. Terminado o café, saímos em seguida. Entramos no carro e rumamos em direção de Paris. Enquanto estávamos na estrada, tirávamos fotos de paisagens lindas e sempre banhadas pelo Rio Senna.

Chegamos ao nossa primeira parada: a catedral de Notre Dame. A catedral era fantástica. Não era a toa a sua fama. O que chamava a atenção era os vitrais coloridos, cuja os raios solares faziam os trabalhos feitos nos vitrais serem mais magníficos do que realmente eram e as pinturas do teto que impressionavam e emocionavam quem as viam. Tudo muito bonito, mais nada da Serena.

Depois da visita a Notre Dame, fomos em direção ao ponto seguinte: a Torre Eiffel. Parece que a sorte me sorriu mais uma vez. Encontrei duas das meninas que estávamos procurando caminhando numa calçada em direção contraria a da torre, enquanto passávamos de carro por uma avenida dos Champs Elysées. As reconheci por causa da Amy, que mesmo com o cabelo diferente, continuava bem reconhecível e cada qual com varias sacolas de lojas.

A Mina estava um pouco diferente do comum, sem o laço vermelho e com o cabelo mais curto. Mas nada da coelhinha. Quando olhei mais adiante, vi uma mulher mais velha e de cabelos lisos bem azuis que estava com uma camisa branca florida e calça preta e segurando o braço de um rapaz moreno,que usava um rabo de cavalo no cabelo e estava vestido com roupas azuis de um lado e do outro uma menina de estatura baixa, maravilhosa. Eu podia ser comprometido, mas tinha olhos. Até meu amigo babou por ela.

Ela tinha longos cabelos loiros, que estavam soltos e caiam macios até a cintura delgada. Eles estavam com as pontas repicadas e voltadas para dentro. A garota usava uma blusa branca de alças e decotada em v que valorizava o lindo colo e os seios de tamanho médio . Nela tinha alguns pequenos bordados florais aplicados ao longo do decote, o que deixava uma coisa delicada e sensual ao mesmo tempo e na medida certa.

Usava uma calça de cintura um pouco mais baixa do que o normal, e também um pouco justa, o que dava destaque a mais as lindas pernas, que eram longas e bem torneadas .Calçava sandálias de salto baixo de tiras, que só enfeitava ainda mais o visual.

A moça tinha um rosto de anjo e um corpo de levar um homem a perdição. Era simplesmente de tirar o fôlego. Eu fiquei tentado a pedir para parar o carro e tentar conhece-la.

- Ei Darien, aquela menina que está de braços dado aquele rapaz não é a Serena? – Rey me perguntou ao ver eu literalmente babar pela loirinha da calçada e continuou - Ih já saquei que você nunca viu a Serena de cabelos soltos.

- O que? Aquela é Serena? E o que ela está fazendo de braços dados com aquele homem. Pierre, por favor pare o carro que eu vou descer. Quero saber o que está acontecendo? - Depois da constatação, o ciúme estava tomando conta de mim. Já tive ciúmes de outras namoradas, mas esse sentimento bateu em mim tão forte do que o meu normal, é a primeira vez que eu tava tendo uma crise de ciúmes das brabas e continuei esbravejando- O que minha namorada fazia de braços dados com outro homem? Porque ela nunca se arrumou dessa maneira para sair comigo? Nossa que falta de consideração da parte dela...

- Calma Darien, vai ver que pra isso deve ter uma explicação, Não faça nada precipitado. Até te estranhei agora, porque você nunca foi assim. Sempre tão controlado....- Agora quem falava era o Pierre, tentando me acalmar a fúria que gritava dentro de mim e continuou - Nem precisamos fazer isso, eles acabaram de entrar naquele restaurante. Podemos ir até lá.... Acho que conheço o moço que está com ela ou será que é impressão minha?

O carro foi estacionado num lugar apropriado para isso e entramos no estabelecimento. Achamos de cara a mesa e assim que Amy nos viu, nos convidou a nos sentarmos na mesa. Saudei os ocupantes da mesa e beijei a mão de dona Ikuko que tinha ficado bem diferente daquela que sempre via na casa da Serena... Talvez sem aquele avental e roupas de casa e com um penteado diferente, minha futura sogra ficava mais jovem e mais bonita.

Eu vi o carinha da outra hora e fechei a cara. Nós nos sentamos numa mesa maior que era próxima a aquela estávamos, e conversa vai e vem, e as apresentações foram feitas e parte do mal entendido foi esclarecido. Era apenas o guia turístico delas e saiu com elas dessa maneira em sinal de amizade e proteção. Essa justificativa me acalmava um pouco, mas continuava um tanto chateado com a Serena.

Pedi licença aos presentes e me levantei da mesa. Ia lavar minhas mãos para poder comer algo. Andava curioso e nervoso com que seria a reação da coelha ao me ver e com isso me destraí tanto, que nem vi que havia esbarrado em alguém. A reconheci pela voz e pelo inesquecível perfume de jasmins que era a marca registrada dela.

Acho que estava detraída por algum tipo de pensamento, esbarrou em mim também, porque tentou se desculpar em francês.

- Perdon monsieur...

Ao constatar que ela não me reconheceu, não resisti e brinquei com ela como nossos os velhos tempos. Era tão bom ouvir a doce voz da minha namorada e fiquei esperando pela antiga reação dela ao ouvir o apelidinho" carinhoso" que pus nela...

-Certas coisas nunca mudam, não é minha cabecinha de vento?

Ela ao ouvir minha voz, ficou me olhando devagar e incrédula, enquanto olhava minha amada coelha. Ela realmente estava mais bonita do que a ultima vez que a vi, tinha ficado maravilhosa (e me deixava extasiado só de olhá-la), e atraia os olhares masculinos do restaurante, coisa que já estava voltando a deixar irritado. A Serena é minha e de mais ninguém. Não demonstro a ninguém e nem a ela, mas eu sou um namorado um tanto possessivo e ciumento.

Ao ver ela caída no chão, eu a ajudei a se erguer, quando eu ouvi uma coisa que me mostrou o espanto dela.

- Darien, é você mesmo? Mina me belisque por favor e diga que isso é não é um sonho...

Vi a Mina já com uma cara de malandrinha responder a coelha:

-É pra já Serena...

Quando eu percebi que a garota realmente iria beliscar minha gata, coloquei a mão na frente e não deixei. Eu também queria saber se eu estava sonhando, então a abracei e a beijei. Não foi o beijo que queria dar nela ,longo e cheio de paixão, mas foi um selinho por estarmos num lugar público. Mesmo assim, o efeito foi devastador no meu corpo, era como se meu corpo acabasse de ter um curto-circuito.

Continuei abraçado a ela e disse brincalhão(eu geralmente não sou assim, sou bastante serio e até fechado) a Serena que continuava com o rostinho desconfiado.

-Precisa do meu RG pra saber que sou eu, Serena? E isso não é um sonho, meu amor Essa é uma doce realidade..

Depois disso a abracei ainda mais minha noiva e voltamos para a nossa mesa, e no caminho, não pude deixar de reparar que aquele tal de Seiya estava no mesmo lugar do que a gente e por sorte não viu a mim e nem a minha noiva. Estava detraído demais na conversa que tinha com um homem e estava acompanhado dos outros.

Chegamos aonde estávamos e assim que Pierre, nos viu disse ao bater os olhos e me perguntou:

-Darien, então esta moça tão bonita é a sua noiva?

Depois que eu o ouvi elogiar a Serena, não me fiz de rogado e os apresentei:

- Sim , esta linda dama é minha noiva, Serena Tsukino. Amor este é Pierre Viemont, o meu colega de apartamento nos Eua e um grande amigo meu....

Quando depois de me sentar a mesa para comer a comida que havia chegado, não conseguia tirar os olhos da minha coelhinha. Ela esta tão sedutora quanto Paris, ou até mais. Tinha ficado fome, mas uma fome que não se sacia com alimentos. Ela estava tão diferente com os cabelos soltos...

Com aquelas roupas, ela nem de longe se parecia com a minha menina que eu havia deixado para trás. Ela agora era uma jovem mulher, linda e continuava tão cheia de vida como sempre a conheci. Era duro, admitir, mas essa nova Serena me assustava. E também, me fazia sair um pouco da minha acomodação, pois sempre achei que ela já estava conquistada e que nunca a perderia.

Via com raiva e ciúmes os homens daquele restaurante lançarem olhares gulosos e cobiçosos em cima da minha noiva. Se quisesse que ela continuasse sendo minha, teria que começar a me mexer se não viria um urubu, a botaria debaixo do braço e sumiria com ela.

Terminada a refeição, pedi a sobremesa. Ia dar a iguaria a minha doce coelhinha, mas quando vi que se tratava de uma musse de chocolate, eu desisti. Sabe, eu sou um chocolatra assumido de carteirinha, e aquele doce estava tão esplendido, que pedi mais uma. Enquanto todos comiam, ouvia a conversa entre o tal de Charles e o Pierre:

- Charles, você já mostrou a elas dos nossos castelos medievais? Vocês não podem passar pela Europa e não conhecer pelo menos um. Eu por exemplo, moro em um humilde e velho chatoêau.

- Pierre, meu amigo, você esta querendo mostra a sua casa a elas? Humilde? Aquilo é um dos castelos mais belos de toda a França e não adianta dizer o contrario.... E quiser me doar ele, eu o aceito de bom agrado...- o talzinho falou num tom brincalhão, enquanto o meu amigo apenas riu..

- Uau, Pierre, você mora num castelo? Eu adoraria conhecer ele.- vi a Serena comentar animada sobre a possibilidade de visitar um castelo, e essa era a minha chance de ficar mais um pouco com minha namorada. Eu queria e muito aproveitar aquela viagem incomum que havia feito, e de preferência ao lado da Serena. Planejava um passeio como esse, quando minha coelha e eu estivéssemos em lua-de-mel. Mas como foi antes, iria tentar relaxar e aproveitar.

Vi também a Sra. Tsukino quase acabar com a nossa alegria, mas Pierre, que na minha opinião daria um excelente advogado ao invés de um médico, conseguiu convencer a mãe da Serena a visitar o castelo. Que maravilha, pensava cá com meus botões. Então o meu amigo ofereceu uma carona as meninas, já que elas decidiram que naquele dia elas iram passear a pé por Paris. Então antes de ir ao castelo, iríamos passar pelo hotel onde elas estavam hospedadas para deixar as coisas que haviam comprado naquela manhã.

Durante a viagem, não soltei a Serena dos meus braços, e com isso eu percebi que ela havia adormecido. E o me fez lembrar das poucas vezes que ela e a Rini dormiram no meu apartamento. Elas ficavam com a cama e eu dormia no sofá, e de vez em quando ia até lá para vê-las voltando ao assunto, embalado com a atmosfera romântica do nosso momento e alheio ao falatório do carro, eu peguei no sono e pus minha cabeça sobre a dela.

Acordamos em meio aos berros da Rey tentando acordar a Serena por causa da nossa chegada ao nosso destino. Ela podia ter feito isso de maneira mais suave, porque me assustou, e creio eu, que por mais que a coelha estivesse acostumada aos gritos da morena, ela tivesse ficado assustada, assim como eu estava. Notei o olhar assustado e carinhoso que ela me lançava.

Saímos todos do carro e entramos no saguão do hotel. Era de um luxo espetacular, minha namorada realmente tinha tirado a sorte grande. Enquanto isso, Pierre reconheceu alguém na recepção e foi conversar com ele. Então as moças e eu subimos no elevador e fomos ao andar dos quartos das três que vieram.

Chegamos ao quarto que a Serena e a Mina dividiam, as donas do quarto, dona Ikuko e eu entramos, enquanto Lita e Rey entraram no quarto da Amy. Não pude deixar de observar o cômodo com a aparência bem feminina: cortinas de cetim cor-de-rosa com pequenas estampas florais nas janelas fazendo par com o estofado das poltronas Luis-XIV .

Havia orquídeas, rosas e jasmins em todos os vasos do aposento. As camas eram no mesmo cômodo e eram separadas por uma mesinha de cabeceira . Um tapete felpudo cor-de-rosa do mesmo tom das cortinas fazia contraste com a madeira escuras dos moveis. Eu reconheci a cama da Serena por causa do coelho que eu havia mandado de presente para ela que estava em cima da cama e pelo fato de que na mesinha que era dela, ter uma foto nossa, num porta-retrato de moldura dourada. E vi também um violão preto, com uma aparência impecável e bem cuidada encostada perto da porta da varanda que era próxima a cama da minha fofinha.

Não resisti a curiosidade e perguntei:

-Serena, de quem é esse violão?

E vi ela fazer uma das caras de bobinha que ela faz sempre que está afim de provocar alguém ao responder:

- É meu, Darien ...

E eu quieto, só observando a conversa entre a mãe desconfiada e a filha querendo se explicar:

- Mas como minha filha, se eu estive todas as vezes que entrou numa loja para comprar alguma coisa, como eu não a vi compra-lo, logo um violão grande e com cara de caro... Não me diga que....- Não era possível que a dona Ikuko, pudesse insinuar que a filha fosse roubar um violão. Eu que sou namorado da Serena, posso afirmar que a minha coelhinha nunca seria capaz de fazer algo desse tipo.

- MÃE!!!- Vi minha noiva com uma carinha de raiva e continuando a se defender - Foi o Kou-kun que me deu ele de presente, depois que ele me deu algumas aulas quando ele estava no Japão - Quando eu escutei o nome do maldito Seiya , meu sangue voltou a esquentar.

Quer dizer que aquele conquistador barato estava dando aulinha de violão para a minha noiva enquanto eu tava passando por coisas terríveis na mão da Sailor Galáxia? Deixei ela terminar de se explicar com a mãe para eu poder falar - Lembra não que às vezes ele ia com os garotos estudar lá em casa e tinha dias que ele levava um violão preto para lá.

Já tava ficando p**** da vida com essa história e não aguentei:

- Serena, Me explique essa estória direito, isso você não me contou !

Que Estória é essa do Seiya Kou ficar te dando aulinha particular, enquanto eu estive viajando? - Falei já espumando de raiva e ciúmes. Estava ficando com um comportamento que até eu mesmo me estranhei, e a coelha ficou chocada comigo. E gritou comigo também:

- Ei que direito que eu te dei gritar comigo desse jeito Darien ? Não fiz nada de mais com o Seiya. Ele só me fez uma tremenda gentileza comigo. E foi só isso. Como ousa duvidar de MIM?

Essa reação da coelha me pegou de surpresa.. Nunca que eu me lembro, agi desse jeito com uma mulher. Era a primeira vez que isso acontecia e estava doendo muito em mim a possibilidade da Serena não ter me respeitado. Percebi que a feri com a insinuação, porque vi isso no rosto dela e ela continuou a se defender:

- Você só deve estar brincando ou com a consciência pesada por ter feito algo de errado lá nos EUA.. Enquanto você estava lá.,eu nem tive mais tempo para nem ir ao trabalho do andrew,Quanto mais para me envover com outro garoto. – e ela continuou a me responder-

- meus dias são Da escola , pro ginagio de esportes e do ginagio para a casa. Enquanto voCe se divertia nos EUa.

Ai com essas palavras ela me ofendeu. Como ela pode ousar pensar que eu a trai enquanto eu estava nos Eua? Será que ela esqueceu que eu sou um homem de princípios, e se eu quisesse farrear com outras mulheres, eu tinha terminado com ela de vez, para poder ai sim ir a caça? Deixei ela terminar de falar para poder eu me manifestar:

-eu estava dando duro na escola e treinando para as competições de ginástica olímpica, porque quando disse que eu ia mudar, eu ia cumprir a minha promessa. E ainda Mais, se eu contasse que eu estava tomando aula de violão, todo mundo zombaria de mim, já que todo mundo, e até o doutor - Vi ela tomar ar e voltar a falar. Finalmente a conversa que eu queria ter com ela estava acontecendo e deixei ela ainda falar-

- O Seiya foi o único que apostou na minha capacidade e teve a boa vontade de fato de me ensinar algo. Não que a Amy e você não tenham me ensinado as matérias da escola, mas muitas das vezes eu sentia que vocês faziam isso por obrigação e não porque o queriam realmente. Então Senhor Chiba, se você veio para me criticar ou duvidar da minha fidelidade, perdeu o tempo e a viagem.-

E num tom conciliatório que eu sabia que acalmava a Serena, comecei a expor o que eu pensava sobre aquela situação toda:

- Serena, como você pode pensar assim a meu respeito? Enquanto estava em Harvard, eu só queria saber de estudar e da minha residência. Mal tinha tempo para fazer minhas corridas e só. Mulheres dando em cima de mim nunca faltaram e você, melhor que ninguém, sabe disso. Mas eu sempre as rejeitei por amor e lealdade a você. Eu vim até a França te pedir desculpas e tentar ficar um pouco contigo.Já que nem se deu ao trabalho de me avisar que tinha ganhado um concurso e viajado por conta dele e enquanto eu passava minhas horas livres planejando a minha volta surpresa e o que os passeios que nós faríamos.-Tomei mais um pouco de ar e continuei com os meus argumentos:

-Você não tem noção do tamanho da minha saudade e quando chego aqui, vejo você se vestindo de uma maneira que nunca se arrumou desse jeito para mim, de braços dados com um homem e ganhando presentes de um cara que é louco para te roubar de mim. -E continuei expondo minhas ideias -

-Como você quer que eu reaja, Serena? Eu sou humano , e não um ser sem sentimentos, como imaginas. Coloque-se no meu lugar e saberás o que estou sentindo.

Senti que a coelhinha tinha ficado mais calma, pelo jeito que ela respirava e ainda sim nervosa, quando ela soltou uma que eu não esperava:

- Agora você entende o que eu sentia todas as vezes que eu via aquelas vagabas que davam em cima de você, e você achava que eu estava sendo exagerada...

E eu pensava que eu conseguiria ouvir toda aquela conversa com a minha frieza rotineira, acabei começando a chorar. Mas não de raiva, mas de dor na alma, nunca tinha passado por uma situação extrema como aquela. E vi uma ternura e doçura sem fim no olhar da minha menina. Percebi que naquele momento, era a hora da verdade e que devíamos passar nossa relação a limpo ali. Quando a ouvi falar num tom racional que nunca ouvira sair da boca dela eu fiquei quieto só escutando:

- Darien, precisamos conversar seriamente. Você dispõe de algum tempo vago na sua agenda para mim esta tarde?

Eu estranhei o que ela disse e retruquei:

- Que isso Serena, para você eu tenho e sempre tive todo o tempo do mundo. E claro que quero conversar a serio contigo.

E eu a ouvi falar a seguinte frase desdenhosa dos lábios dela:

- Não é o que parece...

Aí tive que perguntar a Serena:

-Porque você está dizendo isso, meu amor?

Eu vi ela pensativa por um instante e ela começou a falar num tom baixo.

- Porque a maioria das vezes você estava sempre ocupado, meus telefonemas sempre caiam na sua secretaria eletrônica, sempre foi um tanto frio comigo. Você sempre dava a entender que você estava comigo por causa de um passado que temos em comum e um futuro que mais parece uma prisão do que deveria ser uma época feliz das nossas existências, ao invés de a gente ta junto por amamos um ao outro.- E continuou-

- Darien, eu posso ter cara de bobinha, ter agido como uma menininha baka, mas eu sempre tive inteligência. Céus, não sei como eu consegui agüentar tudo isso calada até hoje?

E em silencio e de pé, continuei a deixar a Serena falar. Geralmente as mulheres tem mais necessidade de falar e discutir a relação do que a gente que é homem. A voz infantilizada da Serena tinha dado lugar a voz de uma moça de 17 anos e que de longe era do mesmo timbre que da Serenity quando ela se incorporava nela. Mas que lembrava bem a Serena de sempre.

-- Procurei ser sempre uma boa garota, tentando agradar a todos, e com tanta cobrança eu acabei ficando tão critica comigo que eu quanto mais estudava, mais minhas notas ser uma menina obediente ao que a Luna falava., o que a antiga rainha Serenity me aconselhava. Mas percebia que eu estava me mutilando em favor dos outros. Mas tudo tem um limite, o meu já estourou. – e ela continuou-

-Faça o que você quiser com as minhas palavras, se quiser volte para a Rey. Ela nunca conseguiu engolir o nosso passado e ela gosta muito de você a ponto de não dar nenhuma chance ao pobre do Nicholas. É claro que eu vou sofrer muito. Mas não quero migalhas de uma pessoa que já morreu.

Foi nessa hora que eu parei para perceber que a verdadeira Serena que eu sabia que existia em algum lugar dentro dela estava aflorando. Finalmente minha coelha estava despertando de verdade para a vida.

Eu queria muito essa conversa para que pudéssemos ser verdadeiros um com o outro. Estava cansado com essa duvida que me martelava a cabeça. Será ela me via como o Darien ou como o Endymion? Tudo bem que saber que era o príncipe da Terra era ótimo. Mas naquele momento eu era (e sou) o Darien Chiba, quase um médico formado e com uma carreira brilhante e sou oposto ao Endymion . Um raio de esperança me recarregou e me deu animo de começa a falar:

- Finalmente você esta se mostrando de verdade, coelhinha. A minha Serena que ficava se escondendo do mundo, preferindo se magoar a falar o que acha e pensa sobre o sempre achei que esse seu jeito atrapalhão e um tanto inconseqüente, escondia uma garota de bom senso e inteligente. Eu estou muito orgulhoso dessa sua atitude um tanto rebelde, mas corajosa. Porque você acha que eu estou com você por causa da Serenity?- Parei para respirar e olhar o rostinho dele que começava a se iluminar. Eu ia ao encontro dela para poder abraçá-la e continuei –

-Eu pedi foi você em casamento e não ela.. Eu amo é a minha Serena, cheia de vida e de amor pelo próximo.E por essa mesma Serena, é com quem eu estou chateado por ela ter viajado sem pelo menos me avisar, por ela ter se tornado uma moça tão bonita e que chama tanta a atenção de outros rapazes e que me desperta tantos sentimentos contraditórios e tanto ciúme. - Consegui abraça-la e olhar dentro daqueles olhos azuis, límpidos como o céu daquela tarde e continuei depois de uma pequena hesitação minha-

-E por essa minha menina que eu fui tão idiota de não ter demonstrado melhor meus sentimentos enquanto eu estive tive próximo a ela a ponto de fazer ela chorar e às vezes querer desistir da própria vida. Uma garota na qual me preocupo e quero proteger por toda a minha vida e com ela ter aquela menininha de cabelos cor de rosa, como outros filhos. Não me interessa o passado e nem tão pouco o futuro, mas o presente ao lado dela e aproveitar essa viagem em busca da minha felicidade aqui na França, que eu quase deixei ir embora quando fui um completo bobo com você. Me perdoe Serena, me desculpa se eu não fui o namorado perfeito, e se eu te magoei muito com minha frieza. Não quero outra garota na minha vida, quero só você.

Escancarei meu coração naquela hora, falei tudo que eu queria e precisava falar. Sabe, foi ótimo poder desabafar e ver que alem de uma noiva, Serena para mim, era a minha melhor amiga. Eu sentia isso, e com lagrimas nos olhos, eu a observava mudar para uma expressão cautelosa e ainda sim carinhosa. Era tão bom estar nos braços dela e ouvir sua voz. Eu a apertava cuidadoso nos braços quando a ouvi falar:

- Eu já te perdoei a muito tempo Darien., é claro que anda continuo te amando,mas eu ainda estou tentando me encontrar e cheia de duvidas em muitas coisas, ei...

Encostei a minha boca perto da orelha dela e sussurrei num tom de voz que eu sabia que a fazia ficar quieta e a deixava arrepiada:

- Não desistirei de você Serena, eu vou lutar por você e não vou te entregar de bandeja para aquele urubu do Seiya ou qualquer outro ê é minha e só minha

Pontuei o que eu tinha afirmado com um beijo quente e possessivo. O mesmo que eu queria dar-lhe assim que a vi, e esse mesmo beijo me despertou o poder do desejo. O desejo reprimido e forçadamente adormecido durante quase três anos.

Apesar de eu ser um cavalheiro, eu era homem e ser humano, e sempre a respeitei demais por ela ser uma menor de idade. E era difícil fingir que não percebia que a "irmãzinha meiga" de consideração do meu melhor amigo havia se transformado numa mulher que poria muita modelo capa - de- revista no chão. Só ele que não enxergava isso, graças a Kami-sama.

A prova final do que eu penso, se concretizou, naquela tarde, quando eu mesmo não fui capaz de reconhecer minha própria noiva. Não ia dar ela de bandeja a nenhum homem. Ela era minha desde sempre. E brigaria por ela até o fim.

Meu corpo começou a se manifestar do que estava sentindo e com isso me afastei rapidamente da coelha, para que ela não percebesse o que se passava. Mas foi em vão, ela percebera e fingiu que nada aconteceu. Bem típico da Serena. E envergonhado e muito corado comecei a pedir-lhe desculpas e a olhava sem jeito, mas acho que ela conseguiu ler o que se passava dentro de mim, mas não preferiu não ousar falar nada e deu uma das risadas nervosas dela. Ela estava tão corada como eu.

Então, para não piorar mais a situação caótica que se instalara naquele quarto de hotel, dei uma desculpa qualquer e sai de lá. Mas enquanto fechava a porta, eu ouvi a conversa de mãe e filha, que comentaram sobre a briga, mas resolvi deixar para lá.

Eu ia me concentrar em encontrar uma estratégia para convencer de vez a minha noiva sobre os meus sentimentos. Então peguei o elevador e desci para o hall e vi meu amigo ainda conversando com o gerente.

E vi também aquele serzinho,o ladrão de namoradas, todo alegrinho com uma jornalista ruiva. Ela era bonita, mas não tanto como a minha coelha, e era bem atirada pro meu gosto. Fazia bem o estilo dele. O Seiya podia sair com aquela mulher e evaporar da vida da Serena. Olhar aquele homem tava me dando nojo e me sentei bufando e amuado em dos sofás vermelhos do hall do hotel .

Um tempo depois veio a minha gata com uma mochila preta com rosa. Ela veio até a mim, um tanto séria, e eu coloquei minha cabeça no peito macio e aconchegante dela. Me aninhei em seus braços, abracei a cintura fina dela e a puxei contra meu corpo e a apertei suavemente, enquanto a mesma me acariciava a cabeça.

Notei que ela percebeu o que eu olhava fixo em um ponto, e voltou o rosto para onde eu olhava e não me disse nada. Acho que ela estava adorando meu acesso de ciúmes, pois o meu rosto me entregava. Nunca tinha tido esse tipo de atitude com ela.

As meninas chegaram e eu me levantei, tirando a mochila das mãos da Serena e a joguei nos ombros e dei a mão a ela. Finalmente, Pierre tinha acabado de conversar. Aí, todos foram em direção do volvo preto do meu amigo e entramos.

O velho caseiro e motorista deu partida do carro e nos pos a caminho do castelo. Enquanto estávamos viajando, não soltei a mão da coelhinha. A segurava como um cristal delicado e raro, ainda sim firme.

Enquanto estávamos na estrada, as meninas não paravam de falar e pareciam um bando de maritacas, exceto a Serena que olhava tudo no meio do caminho com o deslumbramento de uma criança. Era delicioso ver a carinha de encantamento que ela fazia ao ver os campos verdejantes e alguns trechos visíveis do rio Senna.

Eu comentava com ela sobre as paisagens e acariciava os cabelos sedosos dela que se mexiam pela ação do vento. Nós dois estávamos em tamanha sintonia naquele momento, que nos isolamos da conversa dos demais passageiros do veiculo. Nós ficamos tão distraídos com o nosso mundinho particular, que nem vimos quando chegamos no castelo.

Só nos demos conta que acabávamos de chegar ao nosso destino, quando Lita nos cutucou. Todos desceram do carro e as quatro que viram conosco ficaram fascinadas com o imponente castelo medieval.

Eu vi a Serena com um brilho diferente nos olhos. Ela estava emocionada ao ver o castelo e todo o resto do terreno, que tinham um lindo jardim com um labirinto vivo, do outro lado do jardim, tinha uma piscina grande e mais ao longe, havia um parreiral e um pequeno bosque.

De repente, o sorriso de contentamento da minha noiva sumiu, dando lugar a uma expressão interrogativa, ao ver uma das sacadas do castelo.

- Darien, quem é aquela menina loira? E porque ela esta com uma cara tão triste? - Ela me perguntou ao ver a Celine.

Esqueci de falar a ela sobre a irmã mais nova do Pierre.

Gente desculpa eu postar três capítulos seguidos. È que ando numa correria sem fim.

Cursinho, trabalho e mais o curso. Aguardo mais rewiews. Bjoss