Nota: (1) Harry Potter e seus personagens não me pertencem. E sim a J.K. Rowling e a Warner Bros. Entertainment Inc. Essa fanfic não tem nenhum fim lucrativo, é pura diversão.
(2) Contém Slash (relação Homem x Homem), Lemon (sexo explícito entre os personagens) e Mpreg (gravidez masculina), portanto se você não gosta ou se sente incomodado com isso, é simples: Não Leia.
(3) Essa é uma história UA – Universo Alternativo – ou seja, ocorre numa realidade paralela e inexistente na qual TUDO pode acontecer.
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O sol estava mais reluzente, as flores mais cheirosas, os pássaros com seu canto mais afinado e o azul do céu simplesmente divino. Este era o pensamento do jovem príncipe de Hogwarts, que na manhã seguinte ao baile em Durmstrang, acordou com um apaixonado sorriso dançando em seus lábios. Aquele dia prometia ser maravilhoso, Harry pensava, enquanto cantarolava suavemente e se deixava banhar por duas servas do palácio. Estas apenas dissimulavam um sorriso, pois era evidente que o belo príncipe passara uma noite inesquecível, e pela corte ainda corriam boatos de seu sumiço do baile. A preocupação de Harry, contudo, estava longe dos boatos de qualquer corte invejosa, mas sim em um par de magníficos olhos escarlates que não conseguiam deixar sua mente. Tom Riddle, o homem sedutor e elegante que roubara seu coração. Ainda podia sentir o toque daqueles sedosos lábios acariciando os seus, em seu primeiro beijo de verdade, completamente diferente do ataque possessivo que Malfoy debandou na vez que o profanara.
- Deixe-nos – uma ríspida voz adentrou no aposento, dirigida às servas, que naquele momento lutavam para domar o cabelo do jovem e sorridente príncipe.
E o sorriso de Harry não morreu. Mesmo ao contemplar o severo rosto de seu pa'.
- Bom dia, pa'!
Este esperou que as mulheres se retirassem às pressas, em meio a reverências, para então se dirigir ao menino:
- Espero que você me dê uma ótima razão para não trancá-lo nas masmorras a pão e água.
- O dia não está lindo? – questionou de forma ausente. O sorriso bobo ainda nos lábios.
Certo. Aquilo deixou James ainda mais irritado.
- O que aconteceu com você, Harry? E por que diabos você sumiu da festa ontem? Sabe quantas desculpas eu precisei dar? Sem contar o fato de o jovem Draco estar furioso, ele disse que você o deixou plantado no salão e sumiu! Harry, acorde, o que tem a dizer sobre isso?
- Aiai... – suspirou – Eu sou um péssimo filho. Mas ainda sim eu amo você, pa'.
- O que...?
- Agora que tal seguirmos ao Salão? O rei Grindelwald deve estar nos esperando para o café da manhã, e um bom doncel nunca se atrasa, não é mesmo?
- Sim, mas...
Contudo, antes que James pudesse raciocinar, seu sorridente filho já o deixava para trás seguindo em direção aos corredores que levavam ao magnífico Salão de Banquetes, onde Grindelwald e os demais já os esperavam.
- O que eu faço com esse menino? – James pensou em voz alta e com um suspiro, colocou-se a seguir o filho.
O Salão de Banquetes do palácio contava com uma imensa mesa de mogno rodeada por várias cadeiras aveludadas, e dispondo das melhores pratarias e sedas nos utensílios, além de magníficos quadros e tapeçarias rodeando as paredes escuras e o belíssimo lustre de ouro maciço que pendia do teto. Na cabeceira da mesa se encontrava Grindelwald, à sua direita o marquês Thomas Riddle e logo ao lado deste a marquesa Mérope, com Tom sentado logo ao lado da mãe. À esquerda do rei estava Sirius, o lugar de James reservado logo ao lado deste e a seguir o de Harry, em seguida estavam Lucius, Narcisa e Draco respectivamente. O último lançava olhares assassinos a Tom, mas este não percebia, pois estava com os olhos voltados à porta esperando que a qualquer momento aquele belíssimo doncel que literalmente roubara os seus sonhos finalmente aparecesse.
- Perdoe-nos o atraso – a suave voz de Harry logo adentrou no local e fez o coração do conde disparar. Todos os varões se levantaram como manda o protocolo, e após uma sutil reverência a Grindelwald, Harry e James se sentaram. Os olhos escarlates estavam fixos em um par de esmeraldas que os encaravam da mesma forma embelezada, permanecendo completamente alheios ao dono de um furioso olhar acinzentado que contemplava a cena e apertava os punhos embaixo da mesa.
- Dormiu bem, jovem Harry?
- Sim majestade, muito bem, melhor do que em semanas – lançou um breve olhar cúmplice ao conde.
- Fico feliz – o rei sorriu satisfeito, fazendo sinal para que um servo lhe servisse um pouco mais de chá – Seu pa' mencionou que você não estava muito bem ontem, devido à longa viagem.
- Oh sim, peço desculpas pela minha repentina ausência do baile, mas precisei repousar um pouco...
- É claro, afinal, outra longa viagem os espera hoje.
- Sem dúvida – assentiu com certa timidez. À sua frente, Tom deixava um sorrisinho malicioso e divertido adornar seus lábios ao notar o quão exímio o jovem príncipe era na arte da dissimulação.
James, por sua vez, lançava um olhar analítico ao filho. Mais tarde Harry não escaparia de contar exatamente onde estivera na noite anterior. Aquela alegria toda era muito suspeita, ainda mais quando seu prometido – Draco Malfoy – lhe lançava olhares enraivecidos de ora em ora. Por sorte, os demais não haviam percebido nada, assim como Sirius, que ficaria furioso se soubesse que seu primogênito doncel não havia passado a noite no quarto, repousando, como James contara.
- Mas diga-me, Sirius, como está aquela transição de feudos da qual lhe falei?
- Bom, Lucius e eu sabemos os problemas que passamos para conseguir, mas o campesinato local finalmente cedeu à nova administração.
- Sim, sim... Excelente – Grindelwald sorria. E assim uma ligeira conversa se instalou no agradável clima daquele café da manhã. Agradável para Harry e Tom, pelo menos, que não conseguiam deixar de trocar olhares e sorrisos dissimulados; Mérope agradecia com polidez os cumprimentos de Narcisa devido ao seu belíssimo vestido pérola rendado; Thomas participava da conversa com Grindelwald, Sirius e Lucius sobre as transações comerciais entre os novos feudos que começaram a fazer parte de seus reinos; James fingia estar concentrado em seu Strudel de Maçã, mas não perdia os sorrisos que seu filho lançava àquele conde de ar sedutor, o que esclarecia muitas coisas em sua mente e o preocupava de sobremaneira; e Draco, por sua vez, assassinava a pobre torta de canela em seu prato enquanto observava com verdadeira ira a vergonhosa troca de olhares entre o seu prometido e aquele miserável conde. A única coisa que o impedia de enfiar a faça nos olhos daquele maldito homem ao invés de torturar a pobre torta em seu prato, era o fato de seu compromisso com Harry já estar garantido, o que lhe assegurava plenos direitos sobre o belo príncipe, e este pagaria muito caro por tal atrevimento quando estivesse em suas mãos... Oh sim, Harry não perdia por esperar, ele se vingaria deste momento ou não se chamava Draco Lucius Malfoy.
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Horas mais tarde, nos nobres aposentos da família Riddle, Tom conversava com seus pais sobre a decisão que tomara. Estes pareciam surpresos e animados após ouvir do próprio filho que um belo doncel finalmente chamara sua atenção, e que este doncel era ninguém mais ninguém menos que o príncipe de beleza lendária de Hogwarts. O marquês Thomas, dessa maneira, não pôde conter um sorriso ao dizer que seu filho, como bom Riddle, só podia se interessar pelo melhor.
- Então o senhor fará o pedido, meu pai?
- É claro. Não é o que deseja?
- Sim!
- Perfeito. Hoje mesmo solicitarei a mão do príncipe de Hogwarts para você. E tenho certeza de que Grindelwald também ficará satisfeito com a aliança que se formará entre os dois reinos.
- Uhum... – Tom apenas assentiu. Aquilo pouco importava, o que ele queria mesmo era provar daqueles doces lábios mais uma vez, e poder observar aquele belo sorriso para o resto de sua vida.
Enquanto isso, numa elegante sala de estar da ala de convidados, James e Sirius conversavam sobre assuntos corriqueiros de seu reino enquanto saboreavam um cálice de licor, acomodados no confortável sofá de mogno aveludado, com um sorridente Harry sentando em uma igualmente elegante poltrona logo ao lado. O menino, por sua vez, estava mergulhado num belíssimo livro que emprestara da biblioteca de Grindelwald – seguindo a indicação de Tom, que lhe comentara sobre a obra na noite anterior – um magnífico livro intitulado: Romeu e Julian. Este narrava o trágico amor entre o varão Romeu e o doncel Julian, que se apaixonaram mesmo sendo de famílias rivais, e mesmo sem ter chegado ao fim, Harry já podia imaginar que o final não seria tão açucarado como gostava, mas continuava lendo, pois era uma trama apaixonante e é claro, uma indicação do homem de seus sonhos.
- Por que ele está suspirando tanto? – Sirius perguntou ao esposo, indicando com um leve aceno de cabeça o seu ausente filho.
James, por sua vez, apenas suspirou. Precisaria mentir novamente.
- Não sei. Imagino que seja pela história que está lendo, você sabe como ele é.
- Sim, e sei a quem puxou – sorriu divertido – lembra quando éramos adolescentes e eu queria levá-lo para cavalgar ou caçar coelhos e você insistia em ficar mergulhado nesses livros melosos?
- Lembro, é claro, mas nunca deixei de aceitar os convites para as traquinagens que aprontávamos no palácio.
- Hehe... Sua mãe queria me matar.
- É verdade – sorriu com evidente saudade daqueles tempos.
Duas batidas na porta, contudo, interromperam a nostálgica conversa.
- Entre – ordenou Sirius.
Um servo do palácio adentrou no local e logo fez uma profunda reverência aos monarcas de Hogwarts, para em seguida, anunciar:
- Majestades, o marquês Thomas Riddle e sua esposa, e o conde Tom Riddle.
Após o anúncio, a família Riddle ingressou no aposento e também realizou uma profunda reverência. Os olhos de Tom estavam fixos nos de Harry. O coração do mais novo estava disparado: não podia ser verdade, mas era. O pai de Tom estava ali para fazer o pedido de sua mão como o conde prometera quando o deixou na porta do quarto, dando-lhe um beijo suave ao se despedir.
- Traga-nos um chá – James solicitou ao servo, que rapidamente assentiu e os deixou a sós.
- Majestades – os Riddle cumprimentaram. E os reis de Hogwarts corresponderam com um elegante aceno de cabeça, convidando-os com um suave gesto para que se sentassem.
- Marquês Thomas, marquesa Mérope, conde Tom – Sirius cumprimentou, sorrindo – a que devo a honra da visita?
- Na verdade a honra é nossa, majestade.
- Estamos aqui justamente porque não podemos nos sentir mais honrados – Thomas acrescentou ao comentário de sua esposa.
- Magnífico. Mas posso perguntar por quê?
- Bom, estou aqui em nome do meu filho, majestades, para fazer um pedido.
- Prossiga – disse Sirius. E James suspirou internamente, pois a julgar pela troca de olhares entre o conde e Harry, estava claro o motivo daquela visita.
O príncipe de Hogwarts havia fechado o livro rapidamente, sentindo o coração querer lhe escapar pela boca, quando observou a família do homem pelo qual se apaixonara em uma única noite ingressar na habitação. Aquilo não podia ser real, mas era. Quando lhe deixou na porta do seu quarto no nascer do sol daquela manhã, Tom lhe assegurou que pediria um compromisso da maneira correta, selando a promessa com um cálido beijo e agora ele estava ali, com seus pais, para pedir sua mão em casamento. E os reis de Hogwarts, Harry pensava, não seriam tolos para ignorar o fato de que o conde seria um melhor partido que o futuro duque, pois mesmo possuindo um título inferior, assegurava a ligação e a harmonia entre os dois reinos.
- Estou aqui para pedir, em nome do meu filho, a mão do seu filho em casamento.
O sorriso de Sirius, de repente, morreu.
Aquilo não era o que ele esperava.
Aquilo era... Um choque.
- Er... – o monarca aclarou a garganta – Confesso que suas palavras me pegaram desprevenido.
- Perdoe-me, majestade. Mas meu filho nunca se mostrou interessado por qualquer doncel ou donzela dos três reinos, e quando ele comentou que seu filho lhe pareceu um verdadeiro anjo de inestimável beleza, não pude me sentir mais orgulhoso e contente, pois ele havia se encantado pela jóia mais preciosa de Hogwarts.
Harry inevitavelmente corou. A galanteria de Tom, sem dúvida alguma, era herança de família.
- Oh... – Sirius estava sem fala.
- Vossa majestade pode imaginar como esta união será proveitosa para unificar as alianças entre os dois reinos.
- Pura diplomacia – acrescentou Harry, mas logo se calou e abaixou a cabeça ao receber um furioso olhar de James.
E Sirius, por sua vez, suspirou.
A única coisa que podia fazer era o que precisava ser feito.
Se ao menos aquela proposta houvesse surgido algumas semanas antes...
- Com certeza compartilho de sua visão, marquês Riddle, uma união entre ambos os reinos seria muito oportuna, e agradeço os elogios ao meu filho. Contudo, sua proposta veio em má hora, digamos que tarde de mais, pois Harry já está comprometido com meu sobrinho e futuro duque de Slytherin, Draco Malfoy. O compromisso já está em vigor e como rei de Hogwarts devo manter minha palavra.
Aquela notícia caiu como uma verdadeira bomba para Tom.
Harry estava comprometido?
- Mas papai...!
- Silêncio, Harry.
- Eu não amo aquele narcisista, eu...
- SILÊNCIO! – a furiosa voz de Sirius o interrompeu.
- Volte aos seus aposentos e termine de arrumar suas coisas – ordenou James – Agora!
O menino mordeu o lábio inferior com impotência, lágrimas silenciosas deixavam seus olhos, e com um breve aceno seguiu em direção à porta. Tom acompanhava seus movimentos com um olhar angustiado, e uma sensação de perda lhe tomando por completo o peito. Harry não podia estar comprometido com outro. Por mais fantasioso e poético que parecesse, eles haviam nascido um para o outro, ninguém poderia negar isso, o brilho dos seus olhos se completava e juntos, apenas juntos, poderiam ser felizes.
Harry não amava o pretendente escolhido por seus pais. E merecia ser feliz. Dessa maneira, Tom prometia a si mesmo, enquanto observava as lágrimas deslizarem pelo suave rosto, que faria o que fosse preciso para que pudessem estar juntos e pelo menos terem a chance de ser feliz.
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A hora de partir finalmente chegou. Ao entardecer, com as carruagens prontas, todos se encontravam no jardim para as despedidas. E naquele meio tempo, Draco observava com satisfação os olhos avermelhados e inchados de Harry e o semblante impotente do conde que o observava a distância, pelo visto o seu querido prometido não havia obtido muito sucesso na proposição de um novo pretendente aos seus pais, e silenciosamente Draco agradecia que os Gryffindors fossem tão leais e ligados às tradições de honra à palavra. Com um sorriso arrogante nos lábios, o loiro acariciou a bochecha de Harry, e após um rápido beijo na mesma, subiu na carruagem destinada à família Malfoy. Seus pais, assim como ele, já haviam se despedido do rei Grindelwald e dos marqueses e agora esperavam os monarcas para que pudessem voltar a Hogwarts.
Tom apertou os punhos diante da cena, ficando ainda mais indignado ao perceber a desoladora expressão de Harry, que misturava nojo e impotência, ao ser obrigado a receber as atenções de seu prometido por estar sob o atento olhar de seu pa'.
- Espero vê-los logo – Grindelwald sorria, completamente alheio ao pesado clima que existia ali.
- Não se preocupe majestade, o senhor recebera o convite para o casamento de Harry em breve.
- Oh, excelente! Tenho certeza de que será uma cerimônia encantadora, rei Sirius!
- Sem dúvida será...
Cumprimentos e reverências realizados, após as devidas despedidas, os monarcas de Hogwarts finalmente ingressaram na carruagem, e quando Harry já se dispunha subir na mesma, uma repentina voz acompanhada de um poderoso agarre em seu braço o parou. Diante do estupefato olhar de todos.
- Creio que não nos despedimos, meu príncipe.
- Conde Riddle... – murmurou espantado. As bochechas completamente tingidas de vermelho.
- Foi um imenso prazer conhecê-lo – beijou-lhe elegantemente uma das mãos, sob o olhar incrédulo da maioria. Apenas Grindelwald continuava com um sorriso bonachão.
- Er... O prazer foi meu – gaguejou nervoso.
E vendo que James estava a um passo de sair da carruagem para interrompê-los, Tom se apressou em sussurrar no ouvido daquele belo ser que, numa única noite, mudara completamente sua vida:
- Não vou deixar que você se case.
Naquele instante, o coração de Harry pareceu falhar uma batida, e o conde continuou:
- Mesmo que eu precise seqüestrá-lo, meu príncipe, você não sairá do meu lado. Guarde minhas palavras, Harry, nos veremos em breve.
- Tom...
E com uma solene reverência, o conde se afastou, observando o indignado rei-cônjuge chegar ao lado do menino que ainda sorria embelezado, acenando-lhe com uma das mãos. Ele era um Riddle no final das contas, demorava a possuir sentimentos para com alguém, mas quando o fazia, esta pessoa era merecedora e viveria em seus braços até o final dos seus dias. E com Harry não seria diferente, por mais comprometido que estivesse, afinal, o jovem príncipe de Hogwarts fora destinado a ser seu.
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De volta ao reino de Hogwarts, semanas depois do belíssimo baile em Drumstang, o príncipe Harry James Potter-Black suspirava resignado ao precisar participar dos preparativos de seu casamento. Seu casamento com o insuportável nobre mimado que só sabia infernizar sua vida, pois desde que voltara ao reino, Draco estava ainda mais insuportável, lembrando-lhe sempre que surgia oportunidade de que em breve Harry perderia sua liberdade e passaria a ser uma posse, como um mero objeto, do clã Malfoy. A única esperança do jovem príncipe era que o conde Riddle cumprisse sua palavra.
- Creio que seria adequada uma seda branca, rendada com pequenos diamantes, para a túnica de Harry – James comentou – Foi o que usei em meu casamento.
- Ficaria belíssimo. E podemos usar flor de laranjeira na decoração do palácio e da igreja.
- Com certeza, Narcisa, não importam os gastos, o importante é a beleza da cerimônia.
- Sim, e estas flores combinam perfeitamente com a seda da túnica e os tecidos fluídos que irão decorá-la, transmitindo leveza, assim como os bordados delicados, os babados, as rendas e tudo mais.
- Já posso até imaginar – sorria embelezado – Você não, Harry?
-...
- Harry?
Mas o menino continuava com o olhar pedido em seu chá de hortelã.
- Harry!
- Oi? O que foi, pa'?
- Em que mundo você está, Harry?
- Qualquer pessoa que o observar, jovem príncipe, pensará que você não está interessado nos preparativos do seu próprio casamento.
- Perdoe-me, Lady Malfoy, acordei um pouco indisposto.
- É melhor você voltar para os seus aposentos, eu e Lady Malfoy continuaremos a organizar os preparativos.
- Certo... Com licença.
Após uma rápida reverência, Harry seguiu ao seu quarto, onde se jogou na cama sem se preocupar em amarrotar a bela túnica azul-celeste que usava. Deixou que um longo suspiro escapasse dos seus lábios, olhando para o teto e pensando nos meios pelos quais poderia escapar daquele martírio, também denominado casamento. Em meio a esses pensamentos, o menino não pôde conter um sorriso e, apanhando uma pequena chave dentro da caixinha de música que ficava no criado-mudo ao lado da cama, levantou-se para abrir uma gaveta escondida dentro de seu armário. Desta gaveta, ele tirou um punhado de no mínimo dez cartas endereçadas a ele, tendo como remetente sua querida amiga e princesa de Beauxbatons, Fleur Delacour. Uma enorme mentira, é claro, criada por Tom para que seus pais não desconfiassem. Apenas o criado de confiança de Tom, McNair, que era quem cruzava os reinos com as cartas, sabia a verdade.
- Majestade – uma voz aflita adentrou no aposento, seguida de um emaranhado de cabelos castanhos – Aqui, ele mandou outra carta.
Ah, e sua mais nova e fiel dama de companhia, Hermione Granger. A tímida, porém esperta menina se apresentou a ele no dia de sua volta do reino de Drumstang, com um tom claramente inseguro: "Sou Hermione Granger, majestade, e serei sua dama de companhia". Para surpresa de Harry a menina resultou ser simpática, divertida e inteligente, o que lhe proporcionou várias conversas agradáveis. E como não podia dividir com McGonagall, sua ama, o que realmente pensava deste casamento e do conde Riddle, pois a severa mulher nunca entenderia, Harry encontrou em Hermione uma confidente fiel que logo dividiu com ele o seu desejo de um dia poder se casar com o filho mais novo de uma família de camponeses do reino, Rony Weasley. Assim, dividindo segredos, e com Hermione o acobertando, Harry podia desfrutar de cada linha que o galante conde lhe escrevia.
- Oh céus! – o menino afogou um grito.
- O que foi? – Hermione o encarava com verdadeira preocupação. A jovem dama de companhia ouvira falar da doçura do príncipe de Hogwarts e agora tinha a oportunidade de comprovar os boatos, percebendo que era impossível não se apegar a alguém tão doce quanto Harry.
- Ele está aqui!
- Ele...?
- Tom, o meu conde, está aqui em Gryffindor!
- Madre Santíssima!
- Ele se hospedou na casa de um amigo e de sua esposa, Evan e Mary Rosier, que são viscondes daqui.
- E o que mais ele diz? – perguntou, temendo a resposta.
- Quer se encontrar comigo.
- Você...?
- É claro que eu vou! E você irá me ajudar, querida Hermione.
- Oh céus...
Com um radiante sorriso, e ignorando o olhar aflito da pobre menina, Harry se colocou a ler novamente o que Tom dizia:
Meu belo príncipe,
Perdoe-me a demora em responder sua carta, mas McNair foi surpreendido por uma forte tempestade na trajetória entre os dois reinos,
assim, só consegui receber sua carta em mãos esta semana. E mais uma vez peço que não se preocupe, pequeno, não deixarei que você se case com aquela doninha de nariz empinado.
Você pode participar dos preparativos com seu pa' e a duquesa Malfoy, mas tenha em mente de que tudo o que estarão organizando será inútil e jogado fora,
pois você não colocará os pés naquela igreja, ou não me chamo Tom Marvolo Riddle. Então, não se preocupe.
Estou providenciando um pequeno palácio afastado dos três reinos, próximo ao norte da Prússia, onde ninguém poderá nos achar.
Às vezes sinto-me um louco apaixonado, por querer raptar um doncel com o qual estive conversando uma única noite,
mas então me lembro do sabor dos seus lábios e me dou conta de que estou fazendo a coisa certa, pois quero ser o único a saboreá-lo e quero tê-lo em meus braços até o final de nossas vidas.
Quando penso em você me dou conta de que desejo o que nunca quis antes: um lar, uma família e passar a vida inteira com uma única pessoa. Com você, Harry.
As semanas sem você, apenas apreciando sua bela caligrafia, converteram-se num verdadeiro martírio.
Meus sonhos, meus pensamentos, meu mundo está completamente dominado por um belo anjo de olhos verdes. Um anjo do qual não consigo me afastar.
Quero vê-lo, Harry. Vim de longe para contemplar seus lindos olhos mais uma vez.
Sim, não estou brincando, estou no reino de Hogwarts, mais precisamente em Gryffindor, hospedado na casa de um antigo amigo, Evan Rosier e sua esposa Mary.
Não me torture com a sua ausência, pequeno príncipe, preciso vê-lo, preciso acariciar o seu rosto, saborear os seus lábios e mergulhar nos seus belos olhos mais uma vez.
Por favor, marque o lugar que seja apropriado. Acredito que essa menina, a dama de companhia da qual me falou, possa nos ajudar, mas não deixe de atender ao meu chamado.
Estarei esperando.
Seu eterno e enamorado criado,
Tom Marvolo Riddle.
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Obviamente, Harry mandou uma resposta para Tom, através de McNair, no mesmo dia. Agora, 48 horas após esta resposta, o nervoso príncipe estava a um passo de enlouquecer sua dama de companhia com a mesma pergunta:
- Estou bem mesmo?
- Majestade, pela milésima vez, está incrível.
- Já falei para você me chamar de Harry – sorriu com carinho, a menina se tornara uma verdadeira amiga – E me responda com sinceridade...
- Harry, pelo amor de Deus, olhe para o espelho e veja o resultado. Tenho certeza de que o conde Riddle ficará boquiaberto.
O menino apenas assentiu, sentindo suas bochechas corarem, e voltou o olhar novamente ao espelho. A imagem devolvida era a de um belíssimo jovem de 17 anos, com o esbelto corpo escondido por uma túnica verde-escura, bordada com fios de ouro, e por baixo desta uma ajustada calça preta e botas de couro da mesma cor. Demarcando a estreita cintura estava um cinto com adornos em ouro e pequenas esmeraldas que acentuavam o emocionado brilho de seus olhos e combinavam graciosamente com a gargantilha de ouro e o anel com o brasão da família real que levava no dedo indicador. O cabelo sempre rebelde acentuava a sensualidade natural e oferecia uma imagem misteriosa em contraste com os olhos límpidos do príncipe. Em síntese, estava simplesmente de tirar o fôlego.
- Muito bem – respirou fundo – Está na hora de ir.
Hermione concordou com um aceno e logo se pôs a segui-lo, o vestido bege simples, adornado por um pequeno avental branco, esvoaçando ligeiramente enquanto corria para tentar alcançar o apressado nobre.
- Indo a algum lugar, Harry?
A suave voz fez o menino parar em seco, fazendo com que a serva quase batesse em suas costas.
- Então? – James questionou novamente.
- Estou cansado de ficar aqui – suspirou por fim – vou dar uma volta com Hermione. Quem sabe visitar a aldeia dos camponeses, ou cavalgar um pouco pelos arredores do palácio.
- Hum... Leve Minerva com você.
- Oh, eu adoraria, mas ela está ocupada bordando o resto do meu enxoval.
- Não era você que deveria estar fazendo isso?
- Por favor, pa', eu quero sair um pouco – murmurou com os olhinhos de cachorrinho abandonado que, na maioria das vezes, sempre garantiam bons resultados – Você sabe como eu odeio ficar trancado e há dias não saio do palácio.
James, por sua vez, acabou sucumbido ao olhar de seu filho. Olhar que ele próprio usara muitas vezes com seus pais.
- Certo. Mas estejam aqui antes do anoitecer e Hermione, fique de olho nele.
- Sim majestade – a menina engoliu em seco.
E antes que James pudesse dar mais alguma recomendação, Harry já puxava a dama de companhia em direção aos estábulos, pois se demorassem um pouco mais acabaria atrasado para o seu encontro com o maravilhoso conde que deixara o seu próprio reino apenas para vê-lo. Assim, montado em Edwiges, sua querida égua que ganhara de aniversário aos 15 anos, e com Hermione logo atrás, montada em outro cavalo, eles seguiram para um pequeno bosque que fazia a divisa dos sub-reinos de Gryffindor e Revenclaw. O bosque em questão contava com as ruínas de uma igrejinha antiga, que estava ali antes mesmo da unificação de Hogwarts, e que agora serviria de ponto de encontro para Harry e Tom.
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Quando Harry baixou de Edwiges e adentrou nas ruínas da igrejinha, ficou estático por um segundo, o corpo suando frio, o coração golpeando violentamente no peito e a sensação de que perderia os sentidos a qualquer momento. O motivo: um imponente homem de corpo musculoso e bem formado escondido por um elegante conjunto de calça negra, camisa vinho e casaca negra com botões de prata, trajando botas de couro por cima da calça, e portando um lenço bege no bolso da casaca. O cabelo impecavelmente alinhado emoldurava a face varonil e os olhos escarlates, quando se fixaram nos seus, pareceram enviar correntes elétricas a cada uma de suas células. Sua postura como um todo denotava poder e sedução.
A própria Hermione sentiu suas bochechas corarem ao contemplar o imponente conde, e balançando a cabeça rapidamente, afastou-se para lhes dar mais intimidade. Ficaria cuidando dos cavalos fora da igrejinha enquanto folheava um interessante livro de poesias que ganhara de Harry.
- Meu príncipe... – Tom sorriu ao vê-lo, perdendo-se mais uma vez na incomparável beleza do jovem monarca de Hogwarts. Harry estava ainda mais belo desde a última vez que o vira. E este não pensou duas vezes antes de correr para os braços do conde.
Como dois amantes que não vêem a hora de suprimir a distância, os dois se fundiram num apaixonado beijo, Harry com os braços em volta do pescoço de Tom e este lhe abraçando a cintura de tal forma que chegou a levantar o jovem príncipe do chão.
- Você não sabe como eu sonhei em beijá-lo novamente – Tom murmurou, sem afastar completamente os seus rostos, perdendo-se nas brilhantes esmeraldas que o contemplavam – E agora que eu tenho você, meu pequeno príncipe, não o deixarei partir jamais.
- É o que espero, Tom, porque eu não sobreviveria nas mãos de outro.
- As únicas mãos que você conhecerá, as únicas mãos que irão percorrer o seu lindo corpo e que colocarão uma aliança no seu dedo, serão as minhas.
- Promete?
- Já não lhe prometi nas cartas?
- Mas eu quero que você olhe nos meus olhos e diga.
- Eu prometo... – o encarou profundamente -... Que o levarei para longe daqui e que assim passaremos o resto dos nossos dias juntos.
- E eu acredito em você – sorriu, acariciando o rosto do conde e juntando os seus lábios mais uma vez.
Logo eles se sentaram, abraçados, em um dos bancos de pedra da igrejinha e entre beijos e carícias começaram a visualizar o futuro perfeito que os aguardava, além de fazer planos para que escapassem antes do casamento de Harry e discutir os problemáticos momentos pelos quais estavam passando. Harry contava que o palácio estava um verdadeiro inferno com os preparativos do casamento, que seria dali dois meses, e a constante presença de Draco apenas lhe causava mais náuseas e arrepios, pois o loiro fazia questão de lhe recordar a cada instante que em breve seria seu amo e senhor. Tom, por sua vez, apertava os punhos com verdadeiro ódio, garantindo ao príncipe que o insuportável Malfoy nunca encostaria um dedo nele, pois mesmo que precisasse ser deserdado por seus pais, seqüestraria Harry antes que este pudesse subir ao altar.
- Eu trouxe um presente para você.
Após se separar daqueles doces lábios que pareciam a encarnação do pecado e do vício, Tom pegou um pacote que estava no chão logo ao seu lado.
- É mesmo? – Harry questionou distraído. Os lábios inchados e vermelhos apenas acentuando a beleza de sua imagem.
- Sim, eu reparei que você não pôde terminá-lo em Drumstang.
- Oh... – uma expressão surpresa logo adornou a face do príncipe ao abrir o pacote e contemplar o livro que estava lendo no fatídico dia em que o marquês Thomas fez o pedido de sua mão em nome do filho.
Romeu e Julian.
A bela, porém trágica obra que Tom lhe indicara.
- Obrigado, eu realmente não pude chegar ao final.
- Espero que não lhe decepcione.
- Eu sei que não será tão açucarado como eu gosto – sorriu com certa timidez – mas estou certo de que será igualmente belo.
- Com certeza...
Antes que o conde pudesse continuar, porém, uma envergonhada Hermione se aproximou dos dois com o olhar afligido:
- Majestade, precisamos ir antes que anoiteça.
- Humm... – Harry suspirou. E Tom se pronunciou para acalmá-lo:
- Não se preocupe, pequeno, agora que estou em Gryffindor poderei encontrá-lo quando quiser.
- Amanhã? – murmurou esperançoso.
- Amanhã, e depois, e depois, e depois...
Com um radiante sorriso, Harry se jogou mais uma vez naqueles fortes braços que o estreitaram com cuidado e adoração. E logo eles se perderam nos lábios um do outro, travando uma deliciosa batalha de línguas, que o inexperiente príncipe acabou por sucumbir, entregando-se completamente à habilidosa combinação de lábios e mãos do conde sedutor.
E Tom estava certo.
Depois deste encontro vieram outros.
Outros.
Outros.
Outros.
E mais outros.
Sempre na igrejinha abandonada, com Harry acompanhado de Hermione – que nunca esquecia um bom livro para ler – desfrutando, às vezes de um piquenique regado a beijos e carícias, outras vezes o conde levava algumas poesias e as declamava para o príncipe apaixonado, mas sempre se conhecendo e se apaixonando mais. Descobrindo que um era ainda melhor do que o outro pensava e vice-versa, surpreendendo-se com as novas descobertas e entregando um pouco de seus corações em cada encontro, em cada beijo, em cada carícia.
Continua...
Próximo Capítulo: Aquele lugar era, sem dúvida, magnífico para a sua primeira vez.
A sua primeira vez com o homem que amava.
A sua primeira vez...
Entregar-se a Tom Riddle de corpo e alma.
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Esclarecimentos:
Apenas para facilitar um pouco as coisas, observem a ordem dos títulos nobiliárquicos, do mais importante para o menos importante.
Rei – Príncipe – Arquiduque – Grão-duque – Duque – Marquês – Conde – Visconde – Barão – Baronete – Cavaleiro – Escudeiro.
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N/A: Olá pessoal! Nossa, há séculos eu não atualizo esta fic, mas não se preocupem porque ela está voltando com força total. Com Prazer Sem Limites concluída, o foco agora será em Lágrimas de um Príncipe e O Pequeno Lord. Bom, vamos falar da fic... Não reparem no mel e no açúcar que está escorrendo da tela de vocês, por enquanto as coisas estão nesse patamar romântico, mas logo o belo mundo de cristal dos nossos amados protagonistas virá abaixo – sorrisinho sádico nos lábios.
O Próximo Capítulo, acredito que já deu para perceber, contará com um LEMON! E espero sinceramente que apreciem! Bom, se quiserem uma atualização rápida – aproveitando que acabou a época de provas – é só deixarem suas lindas REVIEWS!
Qualquer comentário, críticas, elogios ou sugestões...
São sempre bem vindos!
Agradeço muito mesmo aos belíssimos comentários de:
Morgan... Nanda Sophya... Freya Black... Miyuki... Bruner M.O... Paulo Ruembz... Lilith Potter Malfoy... Sasami-kun... Freya Jones... Umbreon-chan... Hyuuki... Laura... vrriacho... mesquila... e aribh!
Muitos Beijos...
A próxima atualização, O Pequeno Lord,sairá logo!
Espero que gostem! E até a próxima!
