Nota: (1) Harry Potter e seus personagens não me pertencem. E sim a J.K. Rowling e a Warner Bros. Entertainment Inc. Essa fanfic não tem nenhum fim lucrativo, é pura diversão.
(2) Contém Slash (relação Homem x Homem), Lemon (sexo explícito entre os personagens) e Mpreg (gravidez masculina), portanto se você não gosta ou se sente incomodado com isso, é simples: Não Leia.
(3) Essa é uma história UA – Universo Alternativo – ou seja, ocorre numa realidade paralela e inexistente na qual TUDO pode acontecer.
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Era a vigésima vez que tentava colocar seu cabelo no lugar. Missão impossível, constatou finalmente, e lançou aquela que prometia ser sua última olhada ao espelho. O reflexo deste oferecia a imagem de um jovem altivo, como apenas um nobre poderia ser, mas com um ar pueril encantador evidenciado pelas bochechas rosadas e pelos expressivos olhos verdes-esmeraldas. O pequeno, porém, modelado corpo, encontrava-se oculto baixo a elegante túnica bege, com bordados em ouro, que ainda contava com uma ajustada calça negra e com as botas de couro da mesma tonalidade por baixo. Um cordão cravejado de esmeraldas rodeava-lhe a cintura e dava sustentação à túnica. E mesmo contemplando esta belíssima imagem, Harry James Potter-Black, o príncipe doncel de Hogwarts, mostrava-se inseguro e apreensivo.
E não, não era pela proximidade do seu casamento, que ele sequer recordava.
Era porque estava prestes a se encontrar com Tom Riddle, o seu conde.
- Meu... – um sorriso bobo, aquele reservado especialmente às pessoas apaixonadas, apareceu nos seus lábios.
Há pouco mais de um mês Harry e Tom se encontravam às escondidas na igrejinha abandonada que fazia a divisa dos sub-reinos de Gryffindor e Revenclaw, na maioria das vezes, Hermione acompanhava o príncipe, mas quando isso não ocorria – como nesta mesma manhã, pois a menina precisara resolver assuntos do palácio junto à aldeia – momentos ardentes e apaixonados os esperavam, e o calor desses momentos falava alto, apesar de nunca acontecer nada além do permitido por Harry, pois Tom o respeitava. E o pobre monarca precisava fazer uso de toda a sua força de vontade para não se entregar completamente ao conde sedutor que parecia possuir as mãos mais rápidas de todos os reinos. E céus! Estas mãos quase o levavam a loucura, assim como a boca ardente, os olhos penetrantes, o sorriso sedutor... Enfim, aquele homem era o que se poderia chamar de pecado que ascendera à Terra.
- Vai sair para cavalgar de novo?
A curiosa voz de seu James pareceu despertar o menino, que não percebera a entrada do rei-cônjuge no aposento.
- É claro, está fazendo um lindo dia, pa'.
- Sei – estreitou os belos olhos avelãs – Foi o que você me disse ontem.
- Ora, ontem também estava um lindo dia.
- Você anda saindo muito ultimamente.
Com seu ar mais resignado e deprimido, Harry suspirou:
- É o mínimo que posso fazer, aproveitar cada segundo da minha liberdade antes de cair nas garras daquele réptil loiro. Sentir o vento bater no meu rosto enquanto cavalgo pelas redondezas para tentar esquecer que em breve serei trancafiado no castelo Malfoy e obrigado a obedecer aos caprichos de alguém que ainda nem saiu debaixo das saias da mãe.
E James, inconscientemente, encolheu-se um pouco. Era evidente seu incômodo ao observar o olhar arrasado do filho. Assim, apenas assentiu e lhe desejou uma boa cavalgada antes de sair do quarto.
- Essa foi por pouco... – Harry murmurou, relaxando finalmente a musculatura. Aquele compromisso incabível estava servindo, pelo menos, para afastar as perguntas de seu pa'.
No entanto, Harry não se preocupava com o compromisso em si.
Tom havia garantido que não o deixaria chegar ao altar.
E ele confiava no conde.
Enquanto isso, o mencionado conde, Tom Marvolo Riddle, conferia a cela do imponente alazão negro que seu amigo lhe emprestara e fazia um breve aceno para o servo do pequeno, porém, belo castelo Rosier, em concordância com os serviços do mesmo. Tom estava sendo muito bem tratado por Evan e Mary, que eram bons e antigos amigos da família Riddle. O casal se encontrava longe do único herdeiro, pois este viajava pelo reino de Beauxbatons a negócios, e assim, aproveitava para abrandar a solidão com a presença do conde. O motivo da visita, obviamente, fora dissimulado por Tom, que argumentou o mesmo que dissera aos pais: necessitar a presença de novos ares. Os "novos ares" que ele necessitava, contudo, possuíam nome, sobrenome e título nobiliárquico.
- Harry... – um leve sorriso surgiu no atraente rosto do conde, ao montar no cavalo e dar impulso em direção àquela tão conhecida igrejinha.
Quando deixou Durmstrang para se encontrar com o príncipe, Tom não pensou em nada, senão em manter ao seu lado aquele que parecia ser o único destinado a compartilhar com ele o resto da sua vida. Percebera isto logo no primeiro encontro, o que se consolidou com as cartas trocadas, e mais tarde se fez ainda mais evidente com os beijos ardentes, as conversas divertidas, os toques insinuantes, os olhares apaixonados e os maravilhosos momentos que passaram juntos ao longo daquele mês. Não possuía qualquer dúvida quanto ao fato de estar perdidamente apaixonado por aquele sorridente doncel de olhos esmeraldas que sempre o encarava com confiança e amor. Assim, enquanto passava aquela temporada no reino de Hogwarts, Tom agilizava a compra de um pequeno feudo ao norte da Prússia, que contava com um aconchegante e modesto castelo para darem início às suas vidas, longe das obrigações que os consumia e fazendo uso apenas de sua fortuna pessoal e do dote de Harry, que este roubaria dos pais quando estivessem prontos para fugir.
- Desculpe o atraso... – a doce voz de Harry lhe trouxe de volta ao cenário da igrejinha.
- Não se preocupe, pequeno, acabei de chegar também.
O menor sorriu, deixando-se envolver por aqueles fortes braços, suspirando feliz ao sentir seus lábios serem tomados com doçura e carinho.
Harry poderia viver assim para o resto de sua vida.
Ambos poderiam. E era o que pretendiam.
- O que acha de um piquenique? Trouxe vinho, pães e os melhores patês da região, ou pelo menos foi que Evan me disse.
- Eu adoraria – sorriu animado, correspondendo a mais um beijo que lhe fazia perder os sentidos.
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A família real de Hogwarts, assim como a família Malfoy, estava em contagem regressiva. Pouco mais de quinze dias era o que faltava para o casamento de Harry e Draco. E o último não poderia se mostrar mais animado, provando a elegante casaca negra que usaria na cerimônia, ou então, discutindo com seu pai os detalhes para a noite de núpcias, assim como a emoção que seria a chegada do primeiro herdeiro. O jovem príncipe, contudo, soltava suspiros resignados ao ver-se rodeado de servas enquanto estas davam os últimos retoques em sua túnica. Pensava consigo que seus pais e o casal Malfoy estavam gastando tempo e dinheiro – muito dinheiro – desnecessariamente, pois a cada dia que passava Tom organizava os principais detalhes para a fuga que o pouparia daquele martírio.
- Quer parar de se mexer, Harry?
- Oh, desculpe, pa'.
- Assim Ginny vai acabar errando o ponto.
- Certo, parei.
A mais nova serva do palácio abaixou os olhos rapidamente, concentrando-se na costura. A pequena e ruiva menina não devia ter mais de quinze anos e, por vezes, Harry a surpreendia encarando-o com adoração, o que lhe desconcertava de sobremaneira.
- Podemos continuar isso amanhã? Estou cansado e quero passear um pouco antes de anoitecer.
James revirou os olhos ao observar a silenciosa súplica nas esmeraldas do filho.
- Está bem – suspirou – Minerva, ajude-o com a túnica e depois guarde-a com o resto do traje.
- Sim majestade.
Um radiante sorriso surgiu nos lábios do príncipe. Queria se encontrar logo com Tom para desfrutar de mais uma linda manhã, e naquele dia planejava levá-lo àquele que era o seu lugar favorito em toda a imensidão do sub-reino de Gryffindor, um lugar que sem dúvida alguma ele considerava mágico e perfeito para dividir lindos instantes com o amor da sua vida.
Horas mais tarde, quando ingressou naquela conhecida igrejinha abandonada, Harry não demorou a vislumbrar a imponente presença de Tom Riddle, concentrado num livro qualquer e à sua espera. Este, ao levantar os olhos do livro para encarar o príncipe, deixou que o seu característico sorriso sedutor lhe envolvesse a face. Harry suspirou. Era tão incrivelmente belo e com um toque de arrogância, sedução e altivez que o enaltecia ainda mais.
- Atrasado – Tom constatou, sem deixar de sorrir.
- Desculpe, precisei provar a túnica do casamento.
- Tempo perdido. Será que seus pais ainda não se deram conta disso?
- Infelizmente não – suspirou, mas logo sorriu ao sentir aqueles aconchegantes braços lhe envolverem – Acho que eles só vão acordar para a realidade quando eu lhes mandar uma carta da Prússia dizendo que fiz boa viagem e que eles já podem mandar o imbecil do Malfoy para a merd...
- Esse não é o linguajar de um príncipe! – interrompeu divertido.
Harry, no entanto, apenas deu os ombros e se aconchegou mais contra o forte peitoral do conde, que lhe afagava os cabelos com doçura.
- Quero lhe mostrar um lugar – o menor sorriu, separando-se um pouco para encarar aqueles hipnotizantes olhos escarlates.
- Um lugar? Pelas redondezas?
- Hum... Não exatamente. É perto do castelo, mas garanto que ninguém vai nos ver, somente eu sei exatamente onde fica.
O conde arqueou uma sobrancelha com desconfiança, mas antes que pudesse sequer argumentar, o hiperativo príncipe o arrastou em direção aos cavalos. E ele não poderia negar nada àquelas doces esmeraldas que o encaravam com ansiedade e animação. Talvez fosse o lugar apropriado para dar a Harry o pequeno presente que levava no bolso, um presente simples, mas com grande significado.
E quando contemplou aquele belíssimo cenário, Tom Riddle, numa ocasião rara em sua vida, ficou sem fala.
Todo o desdém que o acompanhara no decorrer dos dez metros de túnel, o qual percorrera ao atravessar a pequena passagem de rochas, com Harry o guiando, ao deixarem os cavalos descansado no imenso bosque que ocultava a passagem de pedras, dissipou-se para dar lugar ao assombro. Aquela apertada, mal iluminada e incômoda passagem de rochas os levaram a um lugar indubitavelmente mágico.
- Uau...
- Gostou?
- É lindo.
- Eu sei. Descobri esse lugar quando tinha doze anos e sempre que posso venho aqui para espairecer.
O lugar no qual o pequeno túnel de pedra desbocara era fracamente iluminado, mas encantador. Era uma gruta circular, inteiramente forjada em pedras de mármore, calcário e quartzos que iluminavam o ambiente com o seu suave brilho. O piso gelado de mármore chegava ao meio da gruta e fazia divisa com a água cristalina que possuía uma ínfima nascente ali, esta parecia uma pequena cachoeira, e o mármore fazendo divisa com a água doce dava a impressão de se contemplar uma pequena praia dentro da gruta, enquanto os quartzos que pendiam do teto em suas formas pontiagudas apenas incrementavam aquela paisagem afrodisíaca.
- Trouxe a manta? – um sorridente Harry perguntou, e logo pegou o pacote negro que Tom lhe oferecera. Este não entendeu quando o menor pediu que trouxesse a manta de veludo vermelha com a qual forravam o gramado sempre que faziam seus piqueniques, mas agora fazia sentido, afinal, para contemplar aquele belo lugar era preciso estar protegido do ar gelado que o mármore oferecia.
Devidamente acomodados sobre o veludo, e abraçados, aproveitando para trocar pequenas carícias, o casal se perdeu no som da pequena cachoeira e em seus próprios pensamentos. Um ar calmo e feliz os invadia.
- Tom...
- Harry... – os dois falaram ao mesmo tempo. E quando seus olhos se encontraram o mundo desapareceu. Apenas vermelho-rubi e verde-esmeralda podiam ser discernidos.
E aconteceu tão naturalmente que eles sequer puderam pensar.
Seus lábios logo se perderam no sabor um do outro, aquele sabor doce e embriagador que entorpece os sentidos. Com cuidado, Tom recostou o menor sobre a manta de veludo, admirando o contraste da pele imaculada com o vermelho-escuro que convidava ao pecado, assim, não demorou a desabotoar a graciosa túnica perolada que Harry usava, deixando-o apenas com a camisa de seda branca, a calça da mesma cor e as botas beges de couro. Os olhos verdes brilhavam, mergulhados em deleite e expectativa.
- Tem certeza? – Tom perguntou com a voz rouca. A simples visão do menino languidamente entregue, com as bochechas coradas e o olhar ansioso, conseguia nublar seus pensamentos e fazer uma onda de pura luxúria percorrer o seu corpo.
- Sim.
- Harry... Pense bem, eu não quero forçá-lo a nada, não precisamos seguir se você...
- Por favor – aquele sussurro necessitado, seguido das suaves mãos acariciando sua nuca, foi demais para o pobre conde.
Dessa maneira, com o maior fazendo uso de imenso cuidado e devoção, as vestes reais abandonaram o corpo do jovem príncipe, deixando-o como viera ao mundo e proporcionando ao conde a visão da mais bela obra de arte que já contemplara na vida. Porque, sem dúvida alguma, Harry era uma obra de arte. O cabelo sensualmente bagunçado acariciando o veludo vermelho-escuro; o corpo languido se contorcendo, seduzindo-o, inconscientemente; as bochechas tingidas de carmim evidenciando seu incômodo gerado pela timidez; e aquelas esmeraldas, cujas pupilas se encontravam dilatadas pela excitação, brilhando como apenas o sol poderia, formavam uma obra de arte que naquele momento era imortalizada na mente do apaixonado conde.
- Vem... – Harry murmurou, deslizando a elegante casaca verde-musgo para longe dos ombros de Tom, e este pareceu raciocinar finalmente, apressando-se em se desfazer de suas sofisticadas vestes. Logo a calça e as botas negras foram fazer companhia à camisa de seda branca e à casaca que abandonaram o seu corpo, seguidas finalmente da roupa íntima, e assim, deixando-o na mesma condição do jovem monarca.
A cor vermelha das bochechas de Harry se fez ainda mais intensa quando este contemplou o amado como veio ao mundo. Céus... Aquilo era o que se podia chamar de deus grego. As costas largas de Tom o cobriam completamente, os músculos estavam bem marcados e definidos, o cabelo negro sempre impecável contava com algumas mechas fora de lugar que o faziam ainda mais sensual, e seus olhos cor de fogo, em conjunto com o sorriso galanteador, formavam uma imagem que levava Harry a perder o fôlego. O olhar do menino seguiu então pelo escultural corpo até aquele ponto decisivo da musculatura de um homem.
Santo Céu.
Harry umedeceu os lábios inconscientemente. Era tão imponente. E grande... Definitivamente grande.
- Apenas relaxe – o conde sussurrou. Seus lábios voltaram a se unir e suas mãos a percorrerem a pele quente de seus corpos.
Em meio às carícias, Tom umedeceu seus próprios dedos e levou um ao interior de Harry, forçando um pouco para profanar a virgem entrada. Um murmúrio de dor escapou dos lábios deste, mas foi logo calado pelo ardente beijo do maior, que o distraía do incômodo acariciando sensualmente cada pedacinho de pele sensível daquele corpo pueril.
- Ah... – Harry gemia e arqueava ligeiramente as costas. Era uma mescla de sensações tão intensa que ele apenas podia se deixar levar, deixando-se guiar pelas experientes e apaixonadas mãos do conde.
Logo outro dedo de Tom adentrou no pequeno corpo de Harry e após alguns minutos, o terceiro se fez presente, dilatando mais um pouco aquela entrada virginal. Os movimentos circulares do quadril de Harry acompanhavam os dedos de Tom, num pedido mudo que logo foi atendido quando o maior retirou seus dedos para substituí-los pelo seu excitado membro, que pulsava de desejo a cada gemido que deixava os lábios de Harry. E este gritou quando sentiu tamanho órgão invadi-lo. Grito que fez eco por toda a gruta, mas que logo foi calado por um beijo ardente do conde, que procurava distrair o menino e a si próprio, pois se segurava para não começar com as estocadas rápidas e profundas que tanto necessitava.
O líquido quente e vermelho que escorreu por suas pernas, Harry pensou, representava claramente sua virgindade lhe dando adeus. Estava noivo, prometido ao jovem Malfoy, e mesmo assim se entregava ao conde Riddle, pois confiava neste, confiava que ele não o deixaria chegar ao altar. E nunca lhe pareceu tão certo o que estava fazendo como agora, pois estava se entregando, de corpo e alma, ao homem que amava e com o qual compartilharia a sua vida.
- Ah... Tom... – um gemido suave, de deleite, escapou dos lábios de Harry ao sentir a dor diminuir consideravelmente e o impulso preciso do conde lhe atingir num ponto chave e imensamente prazeroso.
Aquilo era a glória.
O verdadeiro paraíso na terra.
A mescla de sensações que incendiava a alma e os sentidos.
O cenário afrodisíaco da gruta logo se viu invadido por gemidos extasiados, necessitados e mergulhados em luxúria. O barulho da pequena cachoeira se via abrumado pela verdadeira melodia dos dois corpos se chocando, ecoando, em meio a gemidos e sussurros de prazer. Palavras doces, ardentes e apaixonadas deixavam seus lábios à medida que seus corpos se uniam cada vez mais. Os beijos fogosos, as carícias veementes, o constante roçar de suas peles, que queimavam como brasa e se aqueciam em meio ao ar gelado da gruta, faziam daquele cenário a visão do limbo a qualquer puritano que o contemplasse, mas representava o verdadeiro éden, imerso em amor e desejo, para o casal de nobres apaixonados.
- Ah... Tom...! – rodeando a cintura deste com as pernas, Harry se arqueou, gemendo alto e sentindo poderosas correntes elétricas percorrem o seu corpo.
- Humm... Harry...
Com um gemido rouco, após mais algumas estocadas, enquanto estimulava o membro do menino, Tom sentiu aquela abrasadora sensação do orgasmo nublando-lhe completamente a vista. Assim, quase simultaneamente, os dois chegaram ao clímax: Harry nas habilidosas mãos do conde e este se derramando no interior do jovem príncipe, que jamais se sentira tão preenchido em toda a sua vida.
Ao fecharem os olhos para normalizar a respiração, os dois puderam contemplar centenas de pontinhos prateados, resplandecentes, e souberam que aquele encontro os levou, literalmente, às estrelas. Segundos depois, com imenso cuidado para não machucá-lo, Tom saiu do interior de Harry para deitar ao seu lado e na mesma hora o menino aproveitou para se aconchegar no seu cálido peito.
- Você está bem?
- Uhum... – assentiu com um sorriso. Aquelas belas esmeraldas se encontravam ainda mais brilhantes e inundadas de satisfação.
Um cômodo e agradável silêncio então se instalou entre os dois.
Cada um perdido em seus pensamentos. E em suas alegrias.
Não poderiam estar mais felizes.
De repente, Tom pareceu se lembrar de algo e com cuidado se afastou de Harry para buscar um objeto no bolso de sua casaca. Este o observava com curiosidade e interesse, que se fizeram ainda maiores quando o conde sentou ao seu lado com uma caixinha de veludo negra na palma da mão.
- É para você – Tom anunciou, abrindo a caixinha, e pegando o delicado objeto dourado que se encontrava lá dentro – Eu queria ter-lhe dado antes, mas chegou apenas hoje cedo, pois foi feito sob encomenda para você.
- Tom... – murmurou encantado, virando-se para que o conde pudesse colocar o colar em seu pescoço.
Tal colar consistia de uma delicada e fina corrente de ouro, da qual pendia um elaborado pingente em formato de coração que possuía o tamanho de uma moeda, mas o detalhe que deixou Harry sem fala foi contemplar, ao abrir o pingente, uma pequena e elaborada letra "T" forjada em puro rubi de um lado e uma igualmente bela letra "H" forjada em pura esmeralda do outro. Tom e Harry. Num coração de ouro, com suas iniciais eternizadas, para Harry levar junto ao peito.
- Gostou?
- Eu... Eu não sei o que dizer...
- Então não gostou – Tom o encarou preocupado.
Harry, no entanto, apenas balançou a cabeça em negação, com imperceptíveis lágrimas nos olhos e abraçou seu pescoço com força, demonstrando o que verdadeiramente sentia.
- Eu amei – sussurrou em seu ouvido – E eu amo você, Tom. Amo com todo o meu coração.
- Eu também amo você, Harry, como nunca pensei que poderia amar alguém.
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Por que duas malditas semanas passam tão rápido?
Parecem horas! Principalmente quando antecedem o dia do seu casamento.
Essa pergunta rondava a mente de Harry, que ao gritar com suas servas, conseguira um minuto de sossego em seu quarto antes que se visse obrigado a entrar na carruagem que o levaria ao castelo Malfoy, local onde seria realizada a cerimônia. Estaria mentindo se negasse seu nervosismo e preocupação, mas confiava em Tom, confiava que este interceptaria a carruagem e o seqüestraria antes que Malfoy pudesse sequer vê-lo. Sim, é óbvio que confiava em Tom, pelos céus, entregara-se a ele com verdadeira paixão e desejo quase todos os dias dessas duas semanas, sob o envolvente cenário daquela gruta afrodisíaca.
- Vai dar tudo certo... – murmurava para si mesmo, apertando o pingente em formado de coração que pendia do colar que levava no pescoço.
Tudo sairia conforme o planejado, o dinheiro do seu dote estava na carruagem que Tom seqüestraria em poucas horas, assim, seguiriam rapidamente para o sul em direção à Prússia, era uma estrada longa e dificultosa, mas que poucos conheciam. A maioria dos guardas escoltaria a carruagem dos reis mais à frente, dessa forma, era só esperar o momento certo e agir com astúcia que sequer seriam vistos. E se Tom possuía uma característica marcante, esta era a astúcia, além da elegância, da sedução, do carisma, da inteligência, da beleza... Enfim, não havia como dar errado.
- Está pronto? – a emocionada voz de James o despertou.
- Sim, pa'.
- Venha, deixe-me vê-lo – o rei-cônjuge apenas conseguia conter as lágrimas ao observar o menino. Porque Harry era somente um menino. Um menino que em breve subiria ao altar e deixaria para trás a sua família – Por que você cresceu tão rápido?
Um melancólico sorriso surgiu nos lábios do jovem príncipe. Sentiria muitas saudades de seu pa', de suas irmãs, de Alex e é claro, de seu pai Sirius.
- Não sei, pa', mas eu queria continuar sendo aquele pirralhinho que vivia correndo atrás dos coelhos do jardim.
- E vivia com as vestes imundas porque não via por onde andava – comentou divertido – mas olhe para você agora, um lindo doncel, que em breve terá sua própria família.
- Terei sim – sorriu – "mas não com o imbecil do Malfoy" – completou em pensamento.
Com algumas traiçoeiras lágrimas abandonando seus olhos, James arrumou a coroa de Harry e constatou que seu filho estava simplesmente divino. O corpo adolescente estava oculto por um conjunto de calça e camisa de seda, ambas na cor branca, assim como a bota que lhe chegava à altura dos joelhos. Cobrindo-lhe completamente, porém, estava uma magnífica túnica de seda na cor branca cravejada com centenas de diamantes, com mangas longas que se abriam na altura do cotovelo, gola em V e um belíssimo caimento com pregas que chegavam à altura do chão, abrindo a partir do meio da coxa, e terminavam numa longa cauda. Uma faixa de seda transparente, cravejada de diamantes também, rodeava a cintura de Harry e acentuava o brilho da coroa dourada que estava pousada delicadamente em sua cabeça, e que ajudava a domar seus rebeldes cabelos. A coroa era a única jóia que deveria usar, mas oculto sob as vestes estava o colar com o qual Tom lhe presenteara, e que não abandonara seu pescoço desde que fora posto ali pelo conde.
- E o bouquet? – perguntou James.
Harry apenas suspirou, pegando na cama o lindo bouquet em forma de cascata que possuía lírios brancos – representando a suposta pureza do doncel –, celósia lilás – representando a fertilidade –, e rosas cor-de-rosa – que representavam o amor esperado daquela união.
O rei-cônjuge então sorriu, alinhando sua própria túnica bege com bordados em fios de ouro, e ofereceu a mão para acompanhar seu filho até a carruagem.
- Vamos?
- Sim – conseguiu dar um falso sorriso, respirou fundo e então seguiu com o mais velho em direção à entrada do palácio, onde sua família e os servos esperavam.
Tom...
Este era o único nome que sua mente acudia.
- "Apenas não demore" – pensou com angústia, ao sentir o arranque dos cavalos.
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E o conde já estava a caminho, cavalgando como se sua vida dependesse disso, vestido completamente de negro para não ser facilmente identificado, quando, de repente, viu-se surpreendido antes mesmo de chegar à estrada que levava ao castelo Malfoy por no mínimo dez homens corpulentos e mal encarados. Estes rodearam Tom rapidamente, que sacou uma adaga de prata do cinto, levando-os a mostrarem as afiadas espadas que os levavam consigo.
Era uma luta ganha.
- Tom Riddle? – um dos corpulentos homens se adiantou.
- Depende. Quem quer saber?
- Meu nome é Vincent Crabbe. E meu senhor manda esta carta para você.
Com seus olhos escarlates inundados de desconfiança, Tom pegou a carta e usando sua adaga, abriu-a:
Conde Riddle, como vai?
No momento acredito que bem, mas posso garantir que meus empregados mudarão esta situação,
espero que não se incomode com o desconforto de algumas pancadas.
Afinal, é pouco se comparado ao que você merece por seduzir o meu prometido.
Você achou mesmo que fosse fugir com ele?
Oh, por favor, não seja ridículo, desde o nascimento Harry me pertence.
Mas alegre-se, meus empregados não vão matá-lo, isso geraria um certo mal estar com o reino de Drumstang que desejo evitar.
Mas passar algumas horas amarrado e amordaçado, sofrendo com as dores de recentes hematomas não fazem mal a ninguém, correto?
Peço que desculpe minha ausência, eu queria muito presenciar algumas de suas costelas sendo partidas, mas você entende, não é mesmo conde Riddle?
Hoje é o dia do meu casamento, não posso me atrasar, meu lindo prometido jamais me perdoaria.
Meus mais sinceros votos de felicidade,
Draco Lucius Malfoy.
Tom não viu o primeiro golpe chegar. Em seguida, estava no chão.
Aquilo não podia ser verdade!
Mas era...
O apaixonado casal não contara com a interferência de uma garotinha ruiva que ao encontrar uma carta embaixo do travesseiro de seu amado príncipe, desesperou-se com a possibilidade deste deixar o reino de Hogwarts para sempre, e acudiu ao único que ela acreditava ser capaz de protegê-lo, afinal, eles formavam um casal tão bonito. Ginny Weasley, a mais nova serva do palácio, desde pequena admirou a beleza e doçura do príncipe de Hogwarts nas ocasiões em que este deixou o palácio para visitar a aldeia. Ela sabia que ele era um doncel e um príncipe, ou seja, nunca olharia para ela, mas apenas o fato dele estar no reino já servia para deixar seus dias mais cálidos e alegres. E a presença de Draco Malfoy junto ao príncipe lhe parecia tão protetora e correta que a menina desejou um amor igual a este um dia, e quando se deparou com a carta de um tal Tom Riddle mencionando a fuga dos dois para longe, ela não pensou duas vezes e correu para impedir aquele erro que julgava inconcebível.
Como é cruel a mente humana...
Principalmente se dotada de nobres intenções.
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As lágrimas banhavam o rosto de Harry.
- O que foi meu filho? – Sirius questionou preocupado, ao oferecer a mão para o menino descer da carruagem. Este apenas negou em silêncio, aceitando o gesto do pai.
Haviam chegado ao castelo Malfoy.
- Não se preocupe, Harry, tudo acabará bem – sussurrou James.
Tom não cumprira sua promessa.
- Venha – chamou o rei – Está na hora.
- Sim, meu pai.
E Harry se encontrava destroçado.
Seguir pelo imenso jardim rodeado de chafarizes e estátuas no estilo clássico, vislumbrando as orquídeas, tulipas, margaridas, crisântemos entre outros belos exemplares da flora do lugar, em meio às imensas árvores e arbustos, até chegar ao palácio, equiparou-se ao caminhar do condenado em direção à forca para Harry. Não reparou na beleza do castelo, repleto de tapeçarias luxuosas, lustres de cristal, adornos em ouro e pedras preciosas. Tão pouco observou os nobres convidados se levantarem quando ele adentrou no imenso Salão de Festas, de braço dado ao pai. Não ouviu a marcha nupcial tocar enquanto andava pelo longo tapete vermelho que o guiava ao fim do salão, onde um altivo Draco Malfoy o esperava, trajando a melhor casaca negra que o dinheiro poderia pagar, combinando com a calça e as botas da mesma cor, em contraste com a camisa de seda branca e a rosa que levava na lapela. E quando este tocou sua mão, Harry finalmente pareceu despertar, como se um pedaço de brasa enlaçasse seus dedos.
Aquilo era um pesadelo!
Queria correr. Queria fugir o mais rápido possível daquele lugar. Queria se jogar no abismo mais próximo e esperar a morte lhe alcançar. Mas então observou o sorriso de seu pa', o olhar orgulhoso de Sirius, as risadinhas das gêmeas, e o aceno alegre de Alex. Viu também o sorriso encorajador de seu padrinho, Alvo Dumbledore, e o olhar comovido do rei Grindelwald, que de ora em ora lançava alguns olhares em direção ao seu padrinho. Todos o encarando da primeira fileira. Olhou para o reverendo, que sorriu, abrindo o grande livro marrom no altar.
- Senhoras e senhores. Irmãs e irmãos aqui presentes. É com grande alegria que dou início a esta cerimônia...
E mais lágrimas passaram a banhar o rosto de Harry.
Ele não notou o tempo passar.
Perdido em sofrimento.
- Draco Lucius Malfoy, você aceita Harry James Potter-Black como seu legítimo esposo e promete amá-lo, cuidá-lo e respeitá-lo a partir de hoje e até o dia de sua morte?
- Sim, aceito.
- Harry James Potter-Black...
Apertou os olhos com força, não queria responder a pergunta, não queria ser forçado a mentir.
- "Tom... Por quê? Por que você me abandonou? Por que me iludiu tanto? Apenas para possuir o meu corpo? Fui apenas mais um doncel cuja alma você destruiu? Eu te amei demais... Não, a quem quero enganar? Ainda amo, com todas as minhas forças, seu desgraçado, eu ainda te amo!".
Perdido em pensamentos, Harry não viu uma conhecida silhueta sendo violentamente sujeita por dois homens enormes atrás de uma das pilastras, e um deles tampava-lhe a boca. Com um esforço sobre-humano, Tom conseguiu se livrar das cordas que o deixaram imóvel no imenso bosque que rodeava o sub-reino Slytherin, alcançou seu cavalo e seguiu diretamente ao palácio Malfoy, ignorando seu corpo surrado de golpes. Acabara de chegar, mas os empregados do herdeiro do duque foram mais rápidos e o interceptaram antes que pudesse interromper a cerimônia, antes que Harry e os convidados pudessem vê-lo.
-... você aceita Draco Lucius Malfoy como seu legítimo esposo e promete amá-lo, cuidá-lo e respeitá-lo a partir de hoje e até o dia de sua morte?
Mas ele viu o desfecho do casamento.
E ele ouviu dos lábios do príncipe:
- Sim, aceito.
Sem perceber, contudo, a imensa amargura que inundava os lacrimejantes olhos de Harry. Para este, o mundo havia desmoronado completamente e sua vida acabado com a sentença do padre:
- Eu vos declaro casados sob o olhar de Deus e a lei dos homens.
Harry James Potter-Malfoy não poderia se sentir mais miserável. O simples roçar de lábios com Draco enviou náuseas ao seu estômago, mas ele ainda ignorava um importante fato:
"Nada é tão ruim que não possa piorar".
Em breve começaria a noite de núpcias.
Continua...
Próximo Capítulo:
Sentia-se morrer pouco a pouco.
Mas quando estava prestes a desistir...
- Harry! – gritou assustado.
(...)
- Um bebê?
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N/A: Férias! Férias! Férias! Gente, eu simplesmente adoro férias! Com isso poderei me dedicar quase que integralmente às histórias! Bom, espero que vocês estejam gostando! Hihihi... – sorrisinho malvado – Agora vocês já podem deixar a insulina de lado e pegar os lencinhos descartáveis! Yeah! O nosso amado príncipe vai comer o pão que o diabo, ou nesse caso o Draco, amassou! Mas não se preocupem porque sempre aparece uma luz no fim do túnel... Er... Ou não! Hihihi...
Se quiserem o Próximo Capítulo rapidinho – rapidinho mesmo, devido às férias, que eu adoro – peço encarecidamente que deixem suas REVIEWS! É muito importante para mim, de verdade, saber o que vocês estão achando!
Qualquer comentário, críticas, elogios ou sugestões...
São sempre bem vindos!
Agradeço com muito carinho ao apoio de:
mesquila... Bruner M.O... Laura... Umbreon-chan... vrriacho... Lilith Potter Malfoy... aribh... Nanda Sophya... Hyuuki... Raquel Potter Draco... e Freya Jones!
Obrigada mesmo pelas lindas reviews de vocês!
A próxima atualização: O Pequeno Lord.
Esta sairá, provavelmente, agora no final de semana!
Espero que gostem!
Um enoooorme Beijo!
E até a próxima!
