Nota: (1) Harry Potter e seus personagens não me pertencem. E sim a J.K. Rowling e a Warner Bros. Entertainment Inc. Essa fanfic não tem nenhum fim lucrativo, é pura diversão.
(2) Contém Slash (relação Homem x Homem), Lemon (sexo explícito entre os personagens) e Mpreg (gravidez masculina), portanto se você não gosta ou se sente incomodado com isso, é simples: Não Leia.
(3) Essa é uma história UA – Universo Alternativo – ou seja, ocorre numa realidade paralela e inexistente na qual TUDO pode acontecer.
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O inferno.
Desde pequeno, quando assistia as missas de domingo, ouvia os padres e bispos fazerem alusões mórbidas a este lugar. Um lugar repleto de dor e lamentações. Naquela época, Harry não conseguia visualizar tanto sofrimento e agonia reunidos num só ambiente, agora, vivenciava-os.
Não queria abir os olhos. Não queria enfocar uma nova manhã, um novo dia, mais um dia de tormento em sua vida conjugal. Não queria observar as cortinas fechadas de sua cama e o leito vazio ao seu lado, uma vez que o seu querido marido sempre despertava cedo para atender aos negócios da família. Aquela cama, pensou com náuseas, na noite do seu casamento fora testemunha da mais cruel violação em que um ser humano poderia pensar. Mas ele não queria recordar aqueles momentos, não queria reviver as imagens daquelas mãos rudes profanando o seu corpo e a sua alma, não queria reviver o instante em que foi obrigado a se entregar completamente a Draco Malfoy. Se as lembranças ruins se restringissem àquela noite, tudo bem, seu espírito morrera uma vez só, mas não, todas as noites ele era obrigado a entregar o seu corpo àquele odiado homem, que após se satisfazer, sorria com deleite e beijava suas lágrimas.
- Jovem amo, posso preparar o seu banho?
- Sim, Minerva, por favor – sorriu docemente, levantando-se da cama para seguir à pequena mesa junto à janela que já estava disposta com um saboroso café da manhã.
- Espero que aprecie o café, jovem amo – desejou uma sorridente mulher, que colocava algumas rosas num vaso para adornar a mesa.
- Obrigado, parece uma delícia, Pomona.
Harry, em sua vida de casado, agora contava com três amorosas senhoras como damas de companhia: Minerva McGonagall, que o acompanhara desde o berço e obviamente não podia deixá-lo sozinho nessa difícil etapa; Poppy Pomfrey, uma habilidosa conhecedora de ungüentos e técnicas medicinais que sempre o ajudavam depois de seus encontros com Draco; e Pomona Sprout, uma sorridente senhora que simplesmente adorava qualquer tipo de flor ou vegetação. E elas eram sua verdadeira companhia naquele tormento de pedra que o castelo representava em sua vida.
Mas não cabiam dúvidas de que o Castelo Malfoy, o segundo maior em todo o reino perdendo apenas para o palácio da família real, era belíssimo. Consistia de uma estrutura forjada em luxo e poder. Os apartamentos privados de Lucius e Narcisa, assim como os de Draco e Harry, compreendiam uma sala de banhos com uma enorme banheira em mármore, na qual as servas despejavam jarras de água fervendo sempre antes de seus banhos, e uma sala de refeições ornamentada com um lustre em porcelana de Meissen.
O castelo ainda contava com dezenas de salas e antecâmaras menores, além de uma imensa biblioteca e do Salão de Belas Artes, que o próprio nome já indicava ser abrigo de centenas de obras de artes esplendorosas. No corredor dos aposentos de Draco e Harry, encontravam-se ainda mais dois aposentos iguais destinados aos futuros herdeiros que o casal viesse a ter, do qual se seguia à Câmara de Parada e a seguir, à Sala do Conselho, onde Lucius realizava suas importantes reuniões com os nobres convidados ao palácio. Finalmente, os apartamentos privados desembocavam na Galeria dos Espelhos que dava cesso ao imponente Salão de Festas, onde o casamento fora realizado.
E mesmo com todos esses ambientes magníficos, os lugares mais freqüentados por Harry eram o quarto que compartilhava com Draco – infelizmente –, a biblioteca, o Salão de Belas Artes e o jardim. Há quase um mês sua rotina era se levantar depois da saída de Draco, saborear um reforçado café da manhã com frutas, pães, bolos, queijos e geléias – menos geléia de avelã, há dias não podia sentir o cheiro dessa geléia – tomar um demorado banho com sais, assear-se, seguir à biblioteca para esquecer o mundo mergulhado num bom livro, almoçar no Salão de Banquetes com sua adorável família – onde desfrutava do constante olhar crítico de Narcisa, que sempre encontrava um novo comentário desagradável para lhe aborrecer, da frieza de Lucius, que muitas vezes conseguia ser pior do que a duquesa, e é claro, da insuportável presença de Draco, com seu olhar vitorioso e seus comentários que deixavam claro o seu lugar como mera possessão do clã Malfoy – assim, após se deleitar com tal ambiente, Harry passava horas no jardim ou no Salão de Belas Artes apenas sofrendo em silêncio e sonhando com o rumo que sua vida poderia ter tomado se Tom houvesse cumprido sua palavra.
Por sorte, a família Malfoy era muito ocupada. Narcisa estava sempre concentrada em seus inúmeros cremes e sais que ela mesma preparava, em suas costuras e em tudo que dissesse respeito a ela mesma; Lucius, por sua vez, estava sempre preocupado em controlar as aldeias do seu feudo e garantir boas finanças através da exploração de seus servos e ensinava a Draco aquele importante labor para que este seguisse a mesma filosofia quando se tornasse o venerável duque de Slytherin, o que requeria a constante presença do jovem Malfoy nos importantes negócios do patriarca. Contudo, após o agradável jantar que adotava o mesmo clima do almoço, os afazeres já não existiam e eles seguiam aos seus aposentos. Este era o pior momento do dia para Harry.
Mas ele não se rendia àquela mísera vida. Não, ele esbravejava, colocava todo o seu empenho em contrariar o marido e constantemente tentava fugir daquela prisão cujo nome conhecido era Castelo Malfoy, mesmo sem um rumo ao qual seguir, ele buscava se livrar daquelas paredes de pedra, ainda que o seu destino fosse ser morto por qualquer fera na floresta, seria mil vezes melhor do que permanecer ali.
Harry lutava dia e noite.
Mas todos os dias, a cada luta, ele perdia.
Ele não era mais forte que Draco e o loiro fazia questão de demonstrar isso.
- Eu só queria que tudo isso acabasse, Tommy, é pedir muito? - murmurou, afagando o pelo negro do adorável gato persa em seu colo. Este chegara ao castelo há pouco tempo e, ao contrário dele, já havia se acostumado àquela vida.
O gato, é claro, não respondeu, apenas se acomodou melhor e continuou a ronronar desfrutando das agradáveis carícias. E Harry sorriu tristemente, pelo menos para o seu pequeno Tommy a vida era simples, um pouco de leite, alguns mimos e um amplo jardim eram o que ele pedia.
- Eu não agüento mais sentir o corpo dele junto ao meu, acordar com o seu perfume impregnado na minha pele, até mesmo o som da sua voz revira o meu estômago. E o que eu posso fazer? Nada. – suspirou – Mas não continuarei vivendo assim, prefiro renunciar à vida, a ter que seguir neste tormento pelo resto dos meus dias.
Quando notou os olhos dourados do gato fixos nos seus, Harry deu um pequeno sorriso.
- Sim, Tommy, eu prefiro acabar com a minha vida – ao colocar a mão no bolso da túnica, Harry sentiu o formato do vidrinho que levava consigo, comprado ontem mesmo na aldeia, tendo alegado ao simpático vendedor que o seu aposento estava impregnado de ratos.
Ele não viveria mais naquela mentira.
Nessa mesma noite, ao invés de gozar do seu corpo, Malfoy choraria sobre o seu cadáver.
- Harry...
Falando do diabo.
- O que você quer?
- Hum... – estreitou os olhos – Já disse para não usar esse tom comigo.
- Diga logo o quer ou me deixe em paz, Draco, não estou com humor para discussões.
- Parece que você ainda não entendeu quem manda aqui, querido.
Oh sim, ele havia entendido muito bem. As constantes discussões, agressões e violações deixaram essa questão bem clara e marcada a ferro em brasa no seu corpo. Contudo, não aceitaria facilmente.
- Me deixe em paz, Draco.
Mas este apenas cerrou os punhos com ódio e agarrou o braço de Harry, levantando-o sem qualquer delicadeza do banco de mármore que adornava o jardim, o que fez o pobre gato soltar um miado indignado ao ser jogado de volta na grama fofa.
- Hey! – protestou Harry, tentando se soltar – O que você pensa que está fazendo?
- Cale a boca e ande logo!
Sem nenhuma delicadeza e ignorando os protestos de Harry, Draco o arrastou até o quarto que compartilhavam e o jogou brutalmente na cama. O moreno, encarando-o com fúria, podia sentir a marca dos dedos de Draco se formarem mais uma vez na sua pele.
- Então você foi à aldeia ontem? – a irritação visível nas palavras frias.
- Qual o problema? – perguntou na defensiva, elevando ligeiramente a voz – Narcisa foi comigo e Minerva e as outras servas também.
- Eu conheço você, Harry, sei que planeja alguma coisa.
- Não seja idiota. Oh, espere, você não pode evitar.
Na mesma hora, ele sentiu o peso da mão de Draco impactar em seu rosto. O gosto de sangue, é claro, não demorou a surgir nos seus lábios.
- Eu não admito que você fale assim comigo!
- E eu não me importo! – gritou com ódio – Você não passa de um garoto mimado que não consegue sair da sombra do pai! Você não é nada! Nada!
Mais um golpe e Harry caía de bruços na cama. O loiro, então, posicionou-se em cima dele para castigá-lo da pior forma que conhecia, tomando-o como seu. Mas Harry se virou e começou a se debater, a chutar, morder, gritar. Assim, eles seguiram em meio a golpes, insultos e gritos.
De repente, porém, os olhos de Harry ficaram turvos e o quarto começou a dar voltas. E não, não era pelas agressões. Mas antes que pudesse dizer qualquer coisa, desmaiou nos braços de um assustado Draco, que, em pânico, perguntava-se se havia matado o seu amado esposo. Amado, sim, de maneira louca, sádica e doentia, mas amado profundamente.
- Harry, por favor, acorde! Por favor, meu amor, acorde! – sacudia-o com desespero.
Mas o menor não raciocinava.
- Mamãe! McGonagall!... Alguém!
Não demorou muito e as aludidas, seguidas de Lucius, ingressaram no aposento. Minerva sentiu o sangue gelar ao contemplar a cena, imaginando que o pedante garoto Malfoy finalmente havia conseguido matar o seu menino, e as lágrimas não demoraram a surgir.
- Chamem o médico e o padre – ordenou Lucius, com indiferença.
E quando Harry acordou, viu-se rodeado pela família Malfoy, suas damas de companhia, o padre e por um senhor desconhecido que segurava um pequeno recipiente de vidro próximo ao seu rosto. Ao sentir aquele cheiro mais profundamente, Harry correu para o quarto de banho e se pôs a vomitar no penico, em seguida, quando regressou ao quarto, o desconhecido o encarava com um curioso brilho nos olhos, assim como Minerva e Narcisa, que conheciam os sintomas.
- Como se sente? - a preocupada voz de Draco ecoou no aposento.
- Bem... – murmurou confuso – Um pouco enjoado, mas bem.
- Há quanto tempo vem sentindo enjôos, senhor Malfoy?
-...
- Senhor Malfoy?
- Oh, sim – suspirou. Agora ele também era "senhor Malfoy" – Eles começaram há poucos dias.
- Cansaço?
- Sim, ando demasiado cansado ultimamente.
- Muita sonolência?
- Também.
- Entendo... – com um sorriso, o homem se dirigiu a Draco – Meus parabéns, senhor Malfoy, parece que o seu primeiro herdeiro está a caminho.
E Draco, é claro, ficou sem fala. Um olhar orgulhoso adornava o rosto de Lucius e um pequeno sorriso, não menos prepotente, desenhava-se nos finos lábios de Narcisa. As damas de companhia de Harry, porém, sorriam com verdadeira alegria. Este, contudo, parecia não assimilar a idéia ainda.
- Um bebê? – foi o seu fraco murmúrio.
- Exatamente. Meus parabéns, jovem Malfoy.
Com essas últimas palavras o homem se dirigiu à saída, acompanhado de Lucius e Narcisa, que já discutiam com o padre sobre os preparativos para um batizado à altura de um Malfoy. Assim, as três acompanhantes de Harry também se retiraram do aposento, ao receberem um significativo olhar de Draco, que desejava ficar a sós com seu esposo.
- Harry...
Este gelou ao ouvir o marido. Se Draco suspeitasse o mesmo que ele, o bebê corria perigo de nem chegar a nascer, mas ele defenderia o seu filho, com unhas e dentes se fosse necessário.
-... Você precisa de alguma coisa?
- O que? - perguntou confuso. Esperava insultos e acusações, não aquilo.
- Lembre-se de que agora você não poderá fazer esforço – apesar do tom frio, a preocupação era genuína – Então descanse, por favor, suas damas de companhia entrarão em seguida, não duvide em pedir nada a elas, há um Malfoy crescendo dentro de você que precisa de todo o cuidado possível.
- Er... Certo, pode deixar. Eu sei como cuidar do meu filho.
- Nosso filho – corrigiu. E Harry concordou depressa.
Quando fechou a porta do quarto, deixando Harry descansando lá dentro, Draco se permitiu abandonar sua impenetrável máscara de indiferença para se deparar com a realidade. O bebê que crescia dentro de Harry podia muito bem não ser um Malfoy, mas não queria acreditar nisso, não queria acreditar que aquele miserável havia tocado no que era seu e saído vivo. Não... Harry era puro até se deitar no seu leito, não podia duvidar disso. Um Malfoy, sim, um Malfoy crescia no ventre do seu amado, o seu primogênito e herdeiro.
E Harry, naquele momento, olhava para o pequeno frasco de veneno, suspirava, e o derramava na pia. Uma abençoada alma crescia dentro dele. Poderia muito bem cometer suicídio, mas assassinato, nunca.
Era o seu filho.
Seu e de... Bom, ainda que suspeitasse, não sabia.
Mas em nove meses descobriria.
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Nove meses que passaram depressa de mais para Harry, uma vez que o seu querido marido decidira lhe deixar em paz devido aos riscos da primeira gravidez. Agora, numa agitada madrugada de sexta-feira, enquanto Draco andava de um lado para o outro no salão de estar do castelo, com Narcisa e Lucius, sentados e saboreando um cálice de licor, dando-lhe apoio, Harry dava a luz ao primogênito do clã Malfoy, auxiliado por suas experientes damas de companhia e pelas demais servas do palácio.
As horas pareceram eternas.
E quando McGonagall adentrou no salão, convidando-o a conhecer o seu filho, Draco imediatamente correu para os aposentos privados que compartilhava com Harry. No entanto, ao observar o seu exausto esposo abraçando um pequeno ser rodeado por uma manta de linho branca, notou que algo estava errado, Harry estava pálido de mais e sua face tomada pelo pânico.
- Por favor... Por favor, não faça nada a ele – murmurava, a voz embargada pelo choro e o pavor.
Ao observar a criança de perto, Draco se deu conta de que suas suspeitas estavam certas. Aquele lindo bebê, um varão, segundo McGonagall, de maleáveis cabelos negros no alto da cabeça, possuía um par de grandes e intensos olhos vermelhos, olhos que em toda a imensidão dos três reinos, apenas uma família tinha igual, a família Riddle. Julgando a expressão amedrontada de Harry, as coisas se tornavam ainda mais claras e o ódio começava a subir pelo corpo de Draco, que apenas lançou um olhar de profundo desprezo à criança e se retirou do aposento, pois precisava pensar com a cabeça fria.
Logo em seguida, Minerva e as outras servas adentraram no aposento para assearem o bebê e lavá-lo para uma jovem ama de leite amamentá-lo. Quando Harry se viu sozinho, sem o seu pequeno e frágil filho, um imenso pânico começou a invadi-lo, pânico que apenas aumentou quando, horas depois, um furioso Draco cruzou a porta do quarto, gritando:
- Esse bastardo será entregue aos andarilhos para virar escravo!
- NÃO!
- Ou melhor – sorriu com maldade – mandarei jogá-lo do penhasco mais alto do reino!
- Não!... Não, por favor... – ainda convalescente, Harry se levanta da cama e se lança aos pés do marido – Por favor, eu faço qualquer coisa...
E aquilo era exatamente o que Draco queria ouvir.
Ao pensar friamente, o loiro decidira aceitar o pequeno bastardo como membro da família Malfoy para garantir a total submissão de Harry, e ainda contar com uma carta na manga para chantageá-lo sempre que precisasse. Era brilhante. Cruel, mas brilhante.
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Meses depois, a vida de Harry no Castelo Malfoy seguia numa rotina de humilhações e submissão imposta. Sua única alegria era o anjinho de maleáveis cabelos negros e brilhantes olhos vermelhos que tanto lhe recordavam seu amado conde, chegava a ser doloroso observar aqueles lindos olhos por muito tempo, mesmo assim, era com infinito amor e dedicação que Harry cuidava do menino. Este era a sua fonte de vida, o seu único estímulo para não sucumbir de uma vez. Assim, com Harry prometendo ao marido que lhe seria obediente em tudo para conservar o filho ao seu lado, Richard Elliot Malfoy podia, então, considerar-se um legítimo membro daquela família, mas contava apenas com o incondicional amor de Harry, a indiferença de Narcisa, a frieza de Lucius e o profundo ódio e desprezo de Draco, que sequer olhava para o suposto filho.
- Fique tranqüilo, meu amor, eu estou aqui com você – Harry murmurava junto ao berço, no qual o lindo bebê começava a pegar no sono embalado pela doce voz de seu pa'.
O quarto de Richard, no corredor destinado aos herdeiros, contava com uma decoração simples, mas bonita: um confortável berço, duas poltronas e alguns brinquedos providenciados por Harry que adornavam o aposento em cores pastéis.
- Harry...
Este suspirou. Seu marido acabava de ingressar no quarto, e obviamente não era para lhe dar boas notícias, pois odiava estar na presença do menino.
- O que foi? – perguntou em voz baixa. Richard começara a dormir.
- Meu pai dará uma festa hoje – respondeu sem alterar o tom de voz – Esteja pronto em uma hora.
- Mas eu não suporto essas festas. Prefiro ficar aqui com o Richard.
- Eu não perguntei o que você prefere ou deixa de preferir. Esteja pronto em uma hora, entendeu?
- Mas...
- Uma das suas damas pode cuidar do pequeno bastardo – pronunciou com desdém – mas eu quero você ao meu lado esta noite.
- Certo – suspirou – Apenas não o chame assim, por favor.
- É o que ele é, um bastardo – replicou friamente e se retirou do quarto batendo a porta.
Lá dentro, Harry deixava silenciosas lágrimas banharem o seu rosto, ouvindo o assustado choro de Richard.
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Com pouco mais de um ano após o nascimento do pequeno Rick, Harry se descobre grávido novamente, agora, a alegria de Draco era genuína. Nascia um verdadeiro Malfoy. Aquilo pareceu aplacar um pouco todo o ódio que este sentia, pois sempre aparecia no quarto que compartilhava com Harry levando um novo brinquedo ou uma roupinha, radiante, e fazendo planos para o futuro brilhante do seu filho. Era como se Richard não existisse. Apenas Harry e suas damas de companhia se ocupavam do menino e o enchiam de todo o amor e carinho que aquele castelo carecia.
Henry Draco Malfoy VIII, em homenagem ao pai de Lucius e avô de Draco, Henry Abrahan Malfoy VII, nascera aclamado por toda família. E quando Draco o contemplou pela primeira vez, observando a madeixa de cabelos louros e os sonolentos olhos acinzentados, não pôde conter um orgulhoso sorriso. Era um varão também e o legítimo herdeiro da família.
- Bom trabalho, Harry, ele parece saudável, como apenas um Malfoy pode ser – Draco sorria embelezado, com o filho que acabara de nascer nos braços.
- O Richard, onde ele está?
- McGonagall está com o pequeno bastardo, não se preocupe.
- Não o chame assim! – gritou, mas a voz saiu rouca, seu corpo estava fraco – Eu preciso vê-lo, Draco, por favor.
Com um suspiro resignado, o loiro assentiu, o que importava mesmo era o pequeno e adorável Malfoy em seus braços.
E Harry observou o marido e o filho abandonarem o quarto sem qualquer peso no coração, pois sabia que Henry seria praticamente idolatrado por toda família. Sua preocupação estava centrada em Richard, que podia contar apenas com ele e com suas damas de companhia.
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- Está tudo pronto, general.
- Ótimo.
- Quanto às crianças, o senhor tem certeza...?
- Homens, mulheres, denceles e crianças, quero todos mortos!
- Mas...
- Você está questionando uma ordem minha, Avery?
- N-não, não senhor.
- Então vamos começar o massacre – sorriu com maldade – Essas aldeias vão aprender a não burlar os impostos de Durmstrang.
Nesse meio tempo, Tom Marvolo Riddle havia deixado o ódio e a ambição tomarem conta de si, agora, ele era conhecido pelos seus aliados como general Voldemort ou, pelas aldeias e pequenos feudos que o temiam, como "aquele-que-não-deve-ser-nomeado". Consumido pelo ódio contra tudo e contra todos, Tom iniciara uma série de massacres às aldeias e reinos vizinhos que se mostravam resistentes à soberania de Durmstrang. Era um período de Terror implantado nos arredores do reino, que não chegava a abranger Hogwarts ou Beauxbatons, mas os preocupava de sobremaneira. Esse comportamento, é claro, era apenas uma forma de extravasar sua perda e o ódio que o consumia devido ao casamento de Harry.
Ele tentava não pensar no jovem príncipe.
Passava todas as noites com um doncel ou uma mulher diferente.
Buscava ocupar sua mente com a dominação de diversos feudos, com o poder, mas nada adiantava.
- Por que eu não consigo esquecer você, meu precioso anjo de olhos verdes? - suspirou, observando por alguns segundos a bela estátua de Zeus e Ganímedes, abraçados, no jardim, local onde provara pela primeira vez os doces lábios de Harry.
Após dizimar mais uma aldeia que burlara os impostos do reino, Tom voltava ao palácio para relatar o ocorrido a Grindelwald. Este, velho e cansado, deixava o pupilo fazer o que achasse melhor para garantir a hegemonia de Durmstrang. E Tom se aproximava cada vez mais do solitário rei, como o filho que este nunca teve, e assim, planejava o golpe de estado que usurparia a coroa.
- Tom, meu filho, voltou cedo.
- Majestade – fez uma pequena reverência ao adentrar da na bela Galeria de Espelhos em que o rei passava horas e horas – Tudo seguiu conforme o planejado. As demais aldeias daquela região não ousarão ludibriar novamente o cobrador do reino.
- Fico feliz – murmurou sem muita convicção – Algum sobrevivente?
- Nenhum. O exército está cada vez melhor.
- Graças ao seu comando, imagino.
- Obviamente, mas não quero me gabar.
O rei soltou um pequeno suspiro.
- Os monarcas de Hogwarts estão apreensivos – o encarou com cuidado – Temem que suas fronteiras sejam prejudicadas.
- Os monarcas de Hogwarts... – estreitou os olhos – Aqueles abutres, sempre preocupados com o próprio umbigo.
- Tom, não fale assim!
- Mas é a verdade, entregaram o próprio filho como um mero objeto a um louco sem escrúpulos.
- Oh... Entendo.
- Agora se me der licença, majestade, vou me arrumar para o jantar.
Tom Riddle, agora conhecido como general Voldemort, não era nem a sombra do sedutor e apaixonado homem que havia sido, convertera-se, no entanto, em um ser consumido pelo ressentimento que não conseguia esquecer o momento em que os rosados lábios se abriram para dizer: "sim, aceito" ao odioso homem que destruíra sua vida.
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No Castelo Malfoy, enquanto isso, duas crianças cresciam de maneira distinta. O pequeno Henry VIII, agora com dois aninhos de idade, usufruía de todos os mimos e consentimentos possíveis, que, segundo Draco, apenas um Malfoy poderia ter. Era paparicado por Lucius, adorado por Narcisa, e bastava um simples "ah" para o amoroso papai Draco mandar providenciar o que o filho queria. Harry também amava o menino, era seu filho, mas suspirava ao ver como os sogros e o marido estragavam sua educação e o convertiam num "mini-Draco" cheio de vontades. E Harry também fazia a balança em relação a Richard, que ignorando pelos Malfoy, contava apenas com a incondicional atenção de Harry e de suas damas de companhia. O lindo moreninho de olhos escarlates, de três anos de idade, para grande felicidade de seu pa', tornava-se um menino doce e sincero que estava sempre com um lindo sorriso.
- Então, o jovem doncel Julián pronunciou solenemente: "Oh Romeu, meu amado Romeu, abandona teu pai e renega o teu nome e eu não serei mais um Capuleto".
Harry e Richard se encontravam na biblioteca do castelo, e o primeiro, acomodado na confortável poltrona de mogno, lia seu romance preferido para o menino, que sentado no tapete, ouvia atentamente seu pa' enquanto brincava com alguns soldadinhos de chumbo. O barulho de pequenos passinhos e risadas infantis, contudo, interrompeu o cálido ambiente. Um sorridente Henry acabara de ingressar no aposento seguido de perto por Narcisa.
E Harry sorriu ao observar o filho, que mesmo se parecendo tanto com Draco, para ele, era lindo.
- Ele queria vê-lo – a aristocrática mulher pronunciou com frieza – Mas você não larga esse menino e nem sai dessa biblioteca.
- Obrigado por trazê-lo, Narcisa.
- Meu! - Henry sorriu vitorioso ao pegar alguns soldadinhos de Richard – Vovó, meu!
- Eu vi, querido, muito bem.
Harry, no entanto, suspirou e o encarou seriamente:
- Henry, você não pode pegar os brinquedos do seu irmão sem pedir.
- Mas... Mas o papai diz que podi! É tudo meu!
- Não, não é, agora devolva o brinquedo do seu irmão ou se sente para vocês brincarem juntos.
- Mas...
- Ora, deixe o menino brincar com o que quiser, Harry, ele está no direito legítimo dele!
- Ele não pode fazer isso, Narcisa...
Percebendo a tensão do ambiente, Richard sorriu ao irmão:
- Vamos brincar juntos, Henry.
E após pensar por alguns segundos, o aludido abriu um grande sorriso e se sentou ao lado do irmão que tanto adorava.
Narcisa observou a cena com o cenho franzido, num claro sinal de desaprovação, mas Harry não poderia estar mais contente, sempre que os seus dois filhos estavam juntos demonstrando que eram amigos, ainda que fossem tão diferentes, era como se um grande peso saísse de suas costas. Pelo menos a nova geração Malfoy poderia crescer, quem sabe, com um pouco de harmonia.
Uma pequena alegria como aquela, ouvir as melodiosas risadas de seus filhos, significava muito para alguém cujo coração estava partido.
- "Eu só queria vê-lo mais uma vez..." – pensou com um triste sorriso, acariciando de maneira ausente o pingente em forma de coração escondido sob a túnica, este, ao contrário de Tom, nunca o abandonara.
Continua...
Próximo Capítulo:
Um luxuoso baile no reino de Durmstrang.
O reencontro mais do que esperado.
E as esperanças renovadas.
- Harry...
- Tom...
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Esclarecimentos:
O Castelo Malfoy é baseado no Palácio de Herrenchiemsee. Quem o desejar ver é só digitar no Google: Palácio de Herrenchiemsee.
O nome Richard faz alusão ao rei "Richard (Ricardo) - Coração de Leão". Rei da Inglaterra e um dos líderes da Terceira Cruzada que foi em sua época considerado um herói.
O nome Henry faz alusão ao rei "Henry (Henrique) VIII". Rei da Inglaterra que rompeu com a igreja católica, separou-se de Catarina de Aragão e se casou com Ana Bolena, dentre outras.
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N/A: Olá pessoas! Aqui vos trago mais uma atualização super rápida! Espero que apreciem este capítulo, no qual o Harry sofre "um pouquinho", mas não se preocupem porque no próximo capítulo o conde Riddle se reencontra com o seu amado! Hihihi... Quem sabe as coisas não começam a melhorar?
Se quiserem a próxima atualização, rapidinho, é só deixarem suas REVIEWS! – olhinhos brilhando – Elas me deixam muito feliz!
Qualquer comentário, críticas, elogios ou sugestões...
São sempre bem vindos!
Um beijo enorme e o meu sincero agradecimento pelo super apoio de:
vrriacho... Raquel Potter Draco... Bruner M.O... mesquila... e Umbreon-chan!
Em breve, O Pequeno Lord estará online!
Espero que apreciem!
Muitos Beijos! E até a próxima!
