Nota: (1) Harry Potter e seus personagens não me pertencem. E sim a J.K. Rowling e a Warner Bros. Entertainment Inc. Essa fanfic não tem nenhum fim lucrativo, é pura diversão.
(2) Contém Slash (relação Homem x Homem), Lemon (sexo explícito entre os personagens) e Mpreg (gravidez masculina), portanto se você não gosta ou se sente incomodado com isso, é simples: Não Leia.
(3) Essa é uma história UA – Universo Alternativo – ou seja, ocorre numa realidade paralela e inexistente na qual TUDO pode acontecer.
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O tempo é relativo.
E isso é um fato irrefutável.
Quando se está num ambiente amoroso e saudável cinco anos podem passar como horas. Agora, quando se vive em meio a um clima desagradável, dividindo o leito com o ser que mais odeia no mundo, cinco anos demoram milênios para passar. E esses cinco anos transcorreram desde o casamento do outrora príncipe de Hogwarts, Harry, com Draco Malfoy. Cinco anos desde o nascimento de Richard Elliot Malfoy e quatro anos desde o nascimento de Henry Draco Malfoy VIII. Estes eram a única alegria com a qual o pobre coração de Harry podia contar.
O caçula, Henry, era indubitavelmente mimado. Todo o castelo se via mobilizado quando o pequeno desejava alguma coisa, e seu pai e avós não demoravam a mandar providenciar. Ele era uma cópia perfeita de Draco e este, então, o adorava e fazia questão de não esconder isso. Contudo, o caráter altamente egocêntrico e cheio de vontades do menino diminuía consideravelmente quando estava na presença de Harry, mas principalmente quando estava com Richard, seu adorado irmão, o qual o caçula encarava sempre com admiração e amor.
Richard, por sua vez, era o extremo oposto de Henry, um menino silencioso e doce que se contentava com alguns brinquedos ou uma bela história contada por seu pa'. E raramente, para não dizer nunca, ele se separava de Harry, pois este era a pessoa que ele mais amava e bastava o adulto deixar correr uma lágrima pelo seu rosto, para Richard chorar também, os dois eram incrivelmente ligados e nada poderia separá-los. Ele também amava seu irmãozinho e se divertia muito com ele, protegendo-o sempre, pois era o seu orgulhoso papel de irmão mais velho. A única coisa que Richard não entendia era por que seu pai nunca lhe dirigia a palavra, a não ser para criticá-lo ou repreendê-lo injustamente, ou por que os olhos acinzentados sempre o encaravam com ódio e desprezo. E também não entendia por que seus avós o tratavam com tanta frieza e repúdio. Ele desejava saber o que havia feito de errado para poder se desculpar e assim ganhar apenas um sorriso de Narcisa ou um olhar carinhoso de seu pai. Mas quando comentou isso com Harry, certa vez, este chorou tanto que Richard decidiu não tocar mais no assunto e deixar as coisas seguirem o seu curso natural, talvez, no futuro, ele pudesse descobrir uma forma de ganhar o carinho de seus familiares. Bom, não custava nada sonhar.
- Minha vez de contar!
- Certo, então eu vou me esconder.
- 1...2...3...
Os sorridentes meninos brincavam de se esconder no jardim, sob o atento olhar de Harry que, com um sorriso, observava seus filhos de longe, sentado em um dos bancos de mármore próximo às roseiras.
- ...9...10! – Henry terminou de contar e correu para procurar seu irmão.
O sorriso de Harry, no entanto, desapareceu rapidamente quando ouviu duas vozes, que pareciam discutir, aproximarem-se. Com o porte altivo e o cabelo loiro reluzindo ao sol, Lucius e Draco seguiam em sua direção, e aquilo não lhe agradou nem um pouco. O patriarca parecia repreender o filho e este se mostrava indignado por algum motivo e a única coisa que Harry pôde distingir foi um pergaminho, semelhante a uma carta, nas mãos de seu sogro.
- Eu já disse que não é uma boa idéia, meu pai.
- Você ousa me questionar?
- Não, é claro que não, mas aquele lugar...
- É o lugar perfeito para fecharmos o negócio mais importante de nossas vidas, se conseguirmos aquelas terras, todos os outros nos temerão.
- Certo, mas eu não vou levar o Harry! – grunhiu irritado e o aludido apenas arqueou uma sobrancelha, afinal, sua presença ainda era ignorada pelos dois.
- Você vai – ordenou friamente – Está explícito no convite que o rei Grindelwald deseja vê-lo no baile.
- Mas...
- Aprenda a controlar o seu esposo e você não terá problemas.
- Eu o controlo! Mas aquele maldito! Eu não quero que...
- Silêncio! É uma ordem, entendeu bem?
- Sim, meu pai – murmurou por entre os dentes.
E Lucius finalmente se voltou a um confuso Harry:
- Dentro de dois dias partiremos para Durmstrang, o rei Grindelwald nos convida para um importante baile em seu reino, e não se preocupe, seus filhos ficarão com suas damas de companhia.
-... – Harry estava em choque.
- Você ficou surdo?
-...
- Eu não gosto de soar repetitivo! Mande arrumar seus pertences necessário esta noite, ouviu?
- Sim, meu senhor – conseguiu murmurar. Sua expressão era de incredulidade e o coração parecia a ponto de lhe escapar pela garganta.
Um baile em Durmstrang...
O mesmo cenário em que conhecera Tom.
E agora, depois de cinco anos, poderia reencontrá-lo.
- "Talvez eu possa perguntar porque ele mentiu para mim" – pensou com os olhos marejados - "Mesmo que isso me traga apenas mais sofrimento, e até sabendo de antemão a resposta, eu gostaria de ouvir dos seus lábios".
Draco, por sua vez, estreitou os olhos.
Aquele maldito conde não colocaria as mãos no que era seu, não outra vez, e ele providenciaria isto pessoalmente.
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E o que são dois dias para quem esperou cinco anos?
Absolutamente nada.
Antes mesmo que Harry pudesse se dar conta ele estava na carruagem Malfoy usando sua melhor túnica para assistir ao luxuoso baile no reino vizinho. E precisou respirar fundo para não deixar uma silenciosa lágrimas escapar de seus olhos quando observou o imponente Castelo de Durmstrang surgindo no horizonte coberto pela noite estrelada. Estava tão magnífico. Mas nem mesmo o gélido olhar de Narcisa à sua frente ou o cruel apertão de Draco em seu braço impediram que uma solitária lágrimas escapasse quando passaram pelo jardim, precisamente ao lado do chafariz com a estátua de Zeus e Ganímedes abraçados, onde compartilhara seu primeiro beijo com Tom.
- Controle-se ou você vai se arrepender – Draco murmurou em seu ouvido.
Harry, então, engoliu e choro, respirou fundo e aceitou a mão que seu marido lhe oferecia para descer da carruagem. Haviam chegado.
O imenso salão de festas com saída para o jardim, como sempre, estava ricamente decorado e naquele momento dezenas de nobres conversavam, apreciavam deliciosas iguarias ou dançavam uma bela valsa oferecida pela orquestra real. Todos estavam elegantemente vestidos, ostentando jóias e expressões soberbas, discutindo futilidades ou importantes negócios, dando falsas risadas, lançando olhares de esgueira, enfim, apreciavam o que sem dúvida era o cenário corriqueiro da corte.
Ao ingressar naquele local, os olhos de Harry vasculharam todo o perímetro, mas ele não estava lá. O conde Riddle não havia chegado. O rei Grindelwald e os monarcas de Hogwarts, contudo, não demoraram a se aproximar. E Harry deixou um sincero sorriso adornar os seus lábios, pois estava com saudades de seus pais, há pelo menos dois meses eles não o visitavam e sentia falta de sua família.
- Meu querido – foi o emocionado murmúrio de James, ao abraçar o filho, afagando ternamente os cabelos bagunçados tão iguais aos seus.
- Como vai, pa'?
- Eu vou bem, mas você está tão magrinho, tem se alimentado direito? – lançou um olhar de esgueira para uma irritada Narcisa.
- Sim, não se preocupe – sorriu.
E após receber um forte abraço de Sirius, pois para a família Potter-Black o protocolo parecia não existir nesses momentos, ouviu a carinhosa voz do rei de Durmstrang:
- Meus amigos, não o monopolizem tanto, este pobre rei também está com saudades – com um sorriso, abraçou o encabulado menino – Céus, da última vez que eu o vi, você ainda era um lindo doncel que acabara de completar dezessete anos e agora já tem dois filhos, que com certeza devem ter puxado tamanha beleza.
- Obrigado, meu senhor.
- Você deve estar orgulhoso de seus filhos, jovem Malfoy, pelo que Sirius e James me contaram eles são duas crianças lindas e incrivelmente inteligentes.
- Sem dúvida – concordou friamente.
Uma agradável conversa se seguiu por um tempo entre eles, até o momento em que Lucius e Draco se afastaram com Grindelwald para discutir alguns negócios pendentes e Narcisa seguiu ao toilette para arrumar a bela tiara de zafiras que estava quase caindo de seu impecável cabelo, deixando Harry e seus pais sozinhos e, assim, matando as saudades.
- E os meninos, como estão?
- Ótimos, papai, eles ficaram com McGonagall e as outras damas, mas não vejo a hora de vê-los.
- Esse sim é um pa' coruja.
- Olha que fala – Sirius sorriu para James. Ambos sabiam a verdade sobre Richard, quando viram o menino pela primeira vez o rei-cônjuge precisou conversar seriamente com seu marido para acalmá-lo, alegando que Harry já sofria o bastante, e após este episódio eles converteram aquele tema em um tabu, nunca mais tocando no assunto e tratando as duas crianças igualmente com amor e carinho, Harry, por sua vez, ficara incrivelmente agradecido.
James entendia seu filho, por pouco não passara por uma situação parecida aos seus dezessete anos, noivo de um, mas apaixonado por outro. A única coisa que o diferenciava de Harry, além de seu prometido ter sido seu melhor amigo e não um imbecil que sempre detestara, foi a sabedoria que lhe acudiu naquela fatídica noite, impedindo-o de se entregar àquele belo rapaz de reluzentes olhos negros que tanto amara em sua adolescência.
O belo rapaz que era apenas um servo do palácio.
O belo rapaz que se convertera num homem.
E que agora caminhava em sua direção.
Céus...
Ele jamais esqueceria aqueles olhos que, agora, encaravam-o profundamente.
- Snivellus! – Sirius exclamou, surpreso, e o recém chegado estreitou os olhos evidentemente irritado.
- Majestade.
- Quem diria! Você, o antigo servo do palácio de Hogwarts, em um baile aqui em Durmstrang!
- Pois é... – grunhiu por entre os dentes cerrados de ódio, mas tal ódio desapareceu, por um momento, ao contemplar a incrédula figura de James, dando lugar à nostalgia.
Harry apenas olhava de um para o outro sem entender absolutamente nada.
-... Mas agora eu fui condecorado cavaleiro – continuou o recém chegado – E sua majestade, o rei Grindelwald, está contentíssimo com o meu trabalho.
- Meus parabéns – murmurou James, conseguindo finalmente se pronunciar – Você merece tal reconhecimento, Seve... Digo, Snape.
Este encarou o doncel por alguns segundos, profundamente, antes de responder:
- Obrigado, majestade.
- Eu realmente nunca entendi por que seus pais mandaram o Snivellus para longe do reino – ponderou Sirius, ausente, o que fez o pobre James desviar o olhar, incômodo, e Harry arquear uma sobrancelha.
- Sem querer eu acabei esbarrando em um dos vasos favoritos de sua alteza Helen, ela ficou furiosíssima e para eu não acabar na forca o rei decidiu me mandar para Slytherin, e de lá eu vim para Durmstrang.
James o encarou, em choque. Pelo visto, Severus Snape, o misterioso servo de profundo olhos negros que roubara seu coração, ainda mentia muito bem.
- Oh... – Sirius pareceu engolir a história. Harry, é claro, não.
- Agora se me dão licença, majestades, foi um prazer revê-los e conhecer seu formoso filho – proferiu solenemente, fazendo uma reverência, e em seguida, beijou rapidamente a mão de Harry para depois, demorar-se ligeiramente ao beijar a mão de James, que não podia estar mais corado.
Quando observou Snape se afastar, Sirius abraçou a cintura de seu esposo, como se pressentisse o perigo e murmurou:
- Esse Snivellus não muda, sempre com o seu narigão e essa cara mal-humorada.
- Uhum...
- Lembro-me de quando nos divertíamos pregando peças nele.
Harry apenas sorriu, balançando ligeiramente a cabeça, aquele comentário era a cara do seu pai. Sua curiosidade a respeito da reação de James perante aquele tal Snape, porém, desapareceu rapidamente, assim como seu interesse por qualquer outra coisa ao redor.
Ele acabara de chegar.
E seus olhos se cruzaram imediatamente.
Verde e vermelho estavam fixos um no outro, mais uma vez, depois de tanto tempo.
- Tom...
O mencionado conde, enquanto isso, parecia não acreditar em seus olhos. Harry estava ali... Não era um sonho. Quando induziu o rei a fazer um convide específico para os malditos Malfoy, não esperou que estes fossem aceitá-lo, ainda mais trazendo o seu precioso anjo de olhos verdes. E mesmo que o seu coração ainda martelasse em sua mente as palavras de Harry naquele fatídico dia: "sim, aceito", ele não podia ignorar a velha chama que o consumia e o incitava a seqüestrá-lo ali mesmo, deixando de lado a sua mágoa por ele não ter resistido ao casamento e por ter presenteado o desgraçado que acabara com sua vida, diga-se Draco Malfoy, com dois filhos. Pois Tom sabia, por meio de Grindelwald que se comunicava com James e Sirius, alguns detalhes da vida de Harry, ainda que desconhecesse os mais importantes.
- Harry...
O seu anjo estava ali.
E estava lindo.
- "Você deve me odiar agora, pequeno, mas eu nunca deixei de amá-lo".
Os pensamentos de Tom, porém, perderam-se em tamanha beleza. Harry usava uma elaborada túnica verde-escura, da qual pendiam alguns véus de seda num verde mais claro, que evidenciavam seus olhos e o deixavam ainda mais belo. Mas o que deixou o conde sem fala, com os olhos arregalados e um ligeiro sorriso nos lábios, foi reconhecer o colar de ouro com um pequeno coração como pingente, que Harry levava sobre a túnica e que evidenciava mudamente o amor que ainda sentia por ele.
Harry ainda usava o colar.
Harry ainda o amava.
Com aquilo em mente, sem pensar duas vezes, ele se aproximou.
O andar seguro, a expressão decidia e seu ar imponente atraíam inúmeros suspiros, mas ele os ignorava, seus olhos estavam fixos em Harry, que não podiam deixar de reparar no incrível corpo escondido por uma calça negra, em conjunto com as botas de couro por cima, a camisa de seda na mesma cor e a casaca escarlate, com bordados em ouro, complementando a estonteante imagem.
- Majestades – cumprimentou educadamente, com uma reverência, quando chegou até eles.
- Conde Riddle – os monarcas retribuíram o cumprimento friamente. Harry, por sua vez, estava sem fala.
E contra todo o prognóstico, Tom se dirigiu a Harry, lhe tomou a mão e a beijou delicadamente.
- Há quanto tempo, jovem Harry.
- Sim, muito tempo – murmurou.
- Você deve voltar ao seu marido, Harry – o rei-cônjuge encarava o filho seriamente – Draco não tira os olhos de você, e se não fosse pelo importante assunto que está discutindo com o rei Grindelwald, ele com certeza já estaria aqui.
Tom estreitou os olhos ao ouvir aquelas palavras.
E encarou os monarcas com auto-suficiência.
- Antes disso eu peço que me conceda esta dança – voltou-se às belas esmeraldas que brilhavam como nunca.
- Eu não posso...
- Por favor – insistiu. E Harry, suspirando, decidiu ignorar seus pais e o olhar assassino de Draco, aceitando a mão que Tom lhe oferecia.
Assim, sob os olhares incrédulos de James e Sirius, indignados de Lucius e Narcisa, e sob o olhar claramente homicida de Draco, Harry e Tom se dirigiram ao meio do salão.
Aquela romântica valsa não poderia oferecer um cenário melhor.
E Harry estremeceu ao sentir a mão de Tom em sua cintura.
Logo dançavam com maestria.
- Você está usando o colar.
- Sim, ele nunca me abandonou, ao contrário de você – a voz era suave, mas em seus olhos a dor era evidente, e Tom não pôde se sentir pior.
- Houve uma emboscada... – suspirou, começando a relatar o que acontecera naquele dia. A medida em que falava, sentia seu coração ficar mais leve, e os olhos de Harry se tornavam cada vez mais marejados de lágrimas.
- Você viu...
- Sim, eu vi você se casar, os capangas do Malfoy se mantiveram em silêncio, apenas ouvindo.
- Céus!
- Foi o pior momento da minha vida.
- Eu achei que você tivesse me abandonado depois de...
- Nunca! Eu nunca te abandonaria! Eu te amo!
- Mas você não lutou por mim, não voltou ao castelo para me buscar, era por que eu estava casado? É isso?
- Não! Mas como você não o repudiou, como não disse não para o padre, eu achei que você estivesse de acordo com o casamento.
- E como eu falaria não? – perguntou incrédulo, os dois discutiam em sussurros, dançando a bela valsa – Como eu acabaria com a imagem da minha família, do meu reino, nos narizes dos meus pais?
Antes que o conde pudesse responde, a valsa era encerrada e um repentino movimento arrebatava o doncel dos seus braços.
- O que...?
- Eu não vou falar duas vezes, Riddle, fique longe dele!
Um furioso Draco Malfoy agarrava dolorosamente o braço de seu esposo e encarava o conde com verdadeiro ódio. Poucos prestavam atenção na cena, mas os monarcas de Hogwarts, assim como Grindelwald e o casal Malfoy, aproximaram-se depressa para conter um possível escândalo.
- Algum problema, meus queridos? – Grindelwald sorria despreocupadamente, ainda que seus olhos brilhassem numa clara advertência para Tom.
E alguns segundos se passaram até que alguém respondesse:
- Não, problema algum, majestade – a voz de Draco soou gélida e perigosa – Mas o meu amado esposo não está se sentindo muito bem...
- Oh, então é melhor você levá-lo aos aposentos que já estão preparados para vocês.
- Obrigado, majestade, mandarei um servo indicar o caminho.
- Faça isso. E espero que você melhore logo, Harry – sorriu com certa preocupação.
- Eu... Eu agradeço – murmurou com um fraco sorriso, contendo a expressão de dor devido ao agarre em seu braço.
Draco, então, praticamente arrastou o menor para os nobres aposentos que os esperavam. E Tom observou a cena com os punhos cerrados de ódio. Aquele maldito pagaria por todo sofrimento que lhes causara, ou ele não se chamava Tom Marvolo Riddle, agora conhecido como general Voldemort, um nome que em breve causaria terror em Draco Malfoy.
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Ao ingressar no aposento em que passariam a noite, Draco não pensou duas vezes e, ainda apertando dolorosamente o braço de Harry, jogou-o no chão. O moreno, por sua vez, apenas apertou os lábios para não gemer de dor e segurou o braço machucado, encolhendo-se no chão, sem se atrever a olhar para cima. Qualquer palavra apenas pioraria a sua situação. Os olhos de Draco brilhavam de ódio e ele não descansaria até fazer Harry pagar, descontando sua raiva e insegurança, que afloraram ao ver o seu esposo nos braços daquele maldito conde, levando-o a pensar que poderia perdê-lo a qualquer momento. Oh, não. Ele não deixaria isso acontecer.
- VOCÊ PENSA QUE PODE ME FAZER DE IDIOTA? – agarrou os cabelos de Harry forçando a encará-lo.
- Draco, por favor...
- COMO SE ATREVE A OLHAR PARA AQUELE MALDITO? COMO SE ATREVE A DANÇAR COM ELE COMO UMA CORTESÃ QUALQUER?
- Eu sinto muito, mas, por favor, pare! Está me machucando!
- VOCÊ AINDA NÃO VIU NADA!
Um violento tapa não demorou a ser desferido contra o rosto de Harry, o anel com o brasão Malfoy que Draco usava logo abriu uma ferida na pálida face, manchando-a rapidamente de vermelho. Mas ele não se conteve, continuou a gritar e esbofetear o esposo, usando de sua força superior e covardia para conter as tentativas de Harry se soltar, maculando a pele suave que no dia seguinte estaria coberta de hematomas.
- EU FUI GENEROSO AO DAR UM SOBRENOME PARA O SEU FILHO BASTARDO, EU DEIXEI ELE VIVER E O CRIEI COMO MEU FILHO! E É ASSIM QUE VOCÊ ME AGRADECE?
- Draco... – murmurou, a voz quebrada pelo choro e pela dor – Por favor, pare...
Mas as agressões continuavam.
Draco despira o cinto de couro e agora, em cima de Harry, deferia mais e mais golpes com a correia, usando é claro a parte da fivela de prata, que arrancava ainda mais sangue do menor.
- EU DEVERIA MATAR VOCÊ!
- "Sim, por favor, faça isso" – pensou por um segundo, desesperado.
- Mas não... – a alterada voz agora se tornara fria como gelo, calma e calculadora, e aquilo assustou Harry ainda mais. Quando Draco se acalmava as coisas ficavam ainda piores -... Não vou matá-lo, porque você é meu, me pertence, e deve aprender isso.
E quando Harry se viu arrastado até a imensa cama de lençóis de seda, lençóis na imaculada cor branca, dos quais apenas a nobreza poderia usufruir, percebeu que as coisas realmente haviam ficado piores, muito piores. Sem o menor cuidado, Draco começou a despi-lo, deixando o dorso machucado exposto, o qual começou a beijar e morder com brutalidade, e Harry, naquele momento, desejou que ele voltasse a espancá-lo. Em poucos minutos o doncel estava completamente nu, coberto apenas pelo seu próprio sangue e pelos hematomas que já começavam a se formar.
No momento seguinte, os imaculados lençóis brancos se tornavam vermelhos.
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Uma nova e bela manha de sol não demorou a surgir e quando os magníficos raios do astro rei se fizeram presentes, Draco Malfoy se levantou da cama, espreguiçou-se e seguiu ao quarto de banho para se assear, antes, porém, observou com satisfação seu exausto esposo encolhido na cama, o lençol manchado apenas cobrindo-lhe a cintura e as marcas de lágrimas ainda adornando a adormecida face tingida de roxo e vermelho. Fizera um excelente trabalho, agora, Harry pensaria duas vezes antes de olhar para aquele maldito conde.
- Lembre-se do que conversamos – foi o cumprimento de seu pai ao vê-lo sair para o corredor do palácio – Essa reunião com Grindelwald é importantíssima para anexarmos mais terras produtivas ao nosso feudo e até, quem sabe, contar com um incentivo econômico deste reino.
- Eu sei, meu pai.
- Se os seus problemas com seu esposo e aquele conde imbecil interferirem no meu negócio eu garanto que você levará uma surra muito pior do que a surra que Harry, com certeza, recebeu ontem a noite.
- Ele mereceu.
- Não duvido disso – replicou friamente – Mas agora mantenha a mente centrada e não me atrapalhe.
- Sim senhor.
Os dois Malfoy, então, seguiram ao salão do trono onde Grindelwald os receberia para a reunião.
Harry, enquanto isso, abria lentamente os olhos sentindo a dor percorrer todo o seu corpo. Com cuidado, conseguiu se levantar, apoiando-se na parede, mas estava prestes a cair quando uma serva que ingressara no aposento para preparar o seu banho conseguiu segurá-lo, ela parecia horrorizada com o estado em que o formoso doncel se encontrava, mas este apenas sorriu levemente.
- Obrigado.
- Meu senhor, quem fez uma atrocidade dessas?
- Não se preocupe com isso. E eu agradeceria se você não comentasse com ninguém.
- É claro, como ordenar – assentiu depressa, ajudando-o a se sentar na cama.
- Você poderia, por favor, providenciar alguns ungüentos e uma solução de gengibre, camomila e melissa para aliviar um pouco a dor?
- Oh, céus! Imediatamente, meu senhor!
A assustada serva desapareceu rapidamente do aposento, deixando o doncel sozinho com suas lágrimas, que agora podiam sair livremente.
A única coisa boa daquela noite, Harry pensava, foi descobrir que o seu amado conde não o abandonara, mas fora surpreendido por uma armadilha de Draco. Aquilo aliviava cinco anos de profundas dores em sua alma, pois pensava que não havia significado nada para Tom. Assim, Harry ficou alguns minutos imóvel, sentado na cama, apenas se confortando com a imagem do seu amado conde e a sensação que lhe arrebatara ao estar naqueles braços novamente, apenas recordando os seus olhos escarlates e a profunda voz dizendo que lhe amava.
De repente, porém, uma cálida voz o despertou.
- Com licença, meu senhor.
- Entre.
Um servo trazendo uma bandeja de prata repleta de ungüentos e medicamentos adentrou no aposento, fez uma leve reverência com a cabeça e se aproximou da cama. Era um doncel também, com certeza, o cabelo castanho, o corpo esguio oculto por uma túnica simples e um par de belos olhos dourados que se assemelhavam a duas pepitas de ouro. Ele soltou um suspiro entristecido e deu um sorriso encorajador para o menino que tinha idade para ser seu filho.
- Eu agradeceria se você não comentasse o que viu com ninguém.
- Não se preocupe, meu senhor, sou o servo do médico da corte, ele não se encontra aqui hoje, mas compartilho o seu profissionalismo e garanto que o seu segredo está a salvo comigo.
- Obrigado – sorriu levemente, deitando-se para que o servo lhe aplicasse os modicamentos – E qual o seu nome?
- Remus Lupin, meu senhor.
- Remus... É um bonito nome.
- Obrigado, senhor.
Após alguns minutos, Harry já sentia o alívio que as ervas proporcionavam, e se lembrou de sua querida dama de companhia, Pomfrey, que sempre lhe salvava após seus encontros com Draco. O remédio para a dor logo fez efeito e os hematomas estavam bem dissimulados com a arnica e um pouco de pó de arroz por cima, os ferimentos visíveis eram apenas o lábio partido e o olho direito ligeiramente arroxeado, mas aquilo podia ser desculpado com um simples tombo ao sair da banheira, então não haveria tantos problemas.
E depois de se assear, vestindo uma leve túnica azul-clara, Harry agradeceu o atencioso servo e se dirigiu ao jardim, pois somente o ar puro e a visão das exóticas flores do reino poderiam acalmar um pouco o seu coração.
- Pobre menino... – Remus murmurou tristemente, observando-o se afastar. Ele ouvira falar do belo príncipe de Hogwarts, é claro, e pela corte existiam rumores de que este era a paixão jamais esquecida do general Voldemort, apenas não pensou que o menino sofresse tanto em seu casamento com o herdeiro Malfoy.
Talvez Severus estivesse certo, Remus pensou tristemente.
Talvez os donceles da família real de Hogwarts nunca pudessem ser livres amar.
Harry, nesse meio tempo, deixava um pequeno sorriso adornar os seus lábios observando a estátua de Zeus e Ganímedes, lembrando-se daquela noite em que, contrariado, assistira a um baile em Durmstrang e conhecera o amor da sua vida. Sob o luar, protegidos pelos dois amantes da mitologia, eles deram o seu primeiro beijo e entregaram suas almas àquele amor.
- Eu sabia que encontraria você aqui.
Aquela voz às suas costas lhe estremeceu.
- É mesmo? Por que? – murmurou.
- Porque você não consegue se esquecer daquela noite, assim como eu, e também não se esquece dos outros momentos que passamos juntos.
- Eu deveria esquecer.
- Harry, por favor, olhe para mim.
Não era uma boa idéia. Mas ao sentir aquelas mãos envolverem carinhosamente os seus ombros, girando-lhe lentamente, não pode negar o pedido e encarou fixamente aqueles belos olhos vermelhos que imediatamente se inundaram de fúria.
- O que aquele desgraçado fez com você?
- Oh... – tocou o olho machucado inconscientemente – Isso não foi nada, eu apenas escorreguei ao sair da banheira.
- Você não me engana – a voz era séria e irritada – Ele bateu em você! Aquele desgraçado, covarde... Como ousa?
- Não, ele não...
- Eu vou matá-lo!
- Tom! – gritou assustado, impedindo o outro de seguir de volta ao castelo – Por favor, não faça isso! Por favor, eu imploro! Isso só resultaria numa guerra entre os reinos...
- Mas ele...!
- Se você realmente me ama, não me cause mais sofrimento, por favor.
Os olhos verdes brilhavam assustados, e o menor agarrava suas vestes com desespero, encarando-o, seus lábios separados a escassos centímetros.
- Eu não quero ver você sofrer, Harry, nunca.
- Tom...
- E agora que eu o tenho de novo em meus braços, não deixarei você partir – abraçou a estreita cintura, aproximando seus corpos – Aquele maldito não voltará a tocar em você, eu prometo.
Como se quisesse atestar suas palavras, Tom juntou seus lábios num beijo apaixonado, que matava cinco anos de saudade, um beijo que o surpreso doncel não demorou a responder, entregando todo o seu amor enquanto abraçava o pescoço do conde e se colocava na ponta dos pés para alcançá-lo.
Era mais uma promessa.
E Harry esperava que fosse cumprida.
Continua...
Próximo Capítulo:
O menino, porém, tropeçou e colidiu com o homem que acabara de ingressar no aposento.
Vermelho contra vermelho.
(...)
Harry estava pálido, os olhos arregalados e completamente sem fala.
Tom não conseguia acreditar no que os seu olhos estavam vendo.
E Richard não entendia absolutamente nada.
-x-
N/A: Hello pleople! Aproveitando mais uma deliciosa semana de férias eu aproveito para atualizar esta história, espero que vocês apreciem o capítulo, já deu para notar que no capítulo que vem um emocionante encontro vai acontecer, não é mesmo? E agora, como o Harry explica para o Tom a existência daquele lindo menino de olhos vermelhos? E o Draco, o que vai achar de tudo isso?
Bom, se quiserem o Próximo Capítulo rapidinho, enquanto as férias não acabam, deixem suas REVIEWS! – sorriso feliz.
Qualquer comentário, críticas, elogios ou sugestões...
São sempre bem vindos!
Agradeço muito mesmo pelo apoio e pelos lindos comentários de:
InoMax... Laura... Inu... Umbreon-chan... Raquel Potter Draco... vrriacho... Bruner M.O... e fefivertuan!
Até a próxima atualização:
O Pequeno Lord!
Esta sairá muito em breve! Espero que gostem!
Muitos Beijos! E até mais!
