Nota: (1) Harry Potter e seus personagens não me pertencem. E sim a J.K. Rowling e a Warner Bros. Entertainment Inc. Essa fanfic não tem nenhum fim lucrativo, é pura diversão.
(2) Contém Slash (relação Homem x Homem), Lemon (sexo explícito entre os personagens) e Mpreg (gravidez masculina), portanto se você não gosta ou se sente incomodado com isso, é simples: Não Leia.
(3) Essa é uma história UA – Universo Alternativo – ou seja, ocorre numa realidade paralela e inexistente na qual TUDO pode acontecer.
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O Salão do Trono, onde Grindelwald se reunia com Lucius e Draco, demonstrava a magnificência do palácio de Durmstrang, seu estilo sóbrio com as paredes em pedras escuras, um lustre de ouro maciço pendendo do teto, o trono estofado adornado de pedras preciosas e a mesa com as cadeiras em puro carvalho real, na qual estavam acomodados os dois Malfoy, observando alguns documentos e discutindo questões econômicas com o rei, que se encontrava em seu trono na cabeceira da mesa.
- Tenho certeza de que esses feudos são exatamente como eu espero, majestade.
- São magníficos, duque Malfoy, mas seria melhor se o senhor e seu filho acompanhassem suas produções durante algum tempo, não acha?
- Mas não podemos... – murmurou Draco, o rumo daquela conversa não lhe estava agradando.
- Ora, não se preocupe com isso – o rei interrompeu com um sorriso – os senhores podem permanecer na corte o tempo que quiserem.
- Não!
- Draco... – seu pai o encarou severamente.
- Digo, perdoe-nos, majestade, mas seria inapropriado.
- É uma pena – suspirou – Eu estava pensando em financiar algumas produções para que os senhores se acostumassem. Poderia até dar um ou outro incentivo como este, futuramente. O que acha duque Malfoy?
Os olhos de Lucius, é claro, viam apenas cifrões.
Obviamente não desperdiçaria aquela oportunidade de ganhar mais.
- É claro que nós aceitamos, majestade – se apressou a responder – Seria uma honra aceitar tamanha generosidade.
- Mas...
- Silêncio, Draco! – murmurou com a voz gélida.
- Talvez o senhor deva conversar com o seu filho, duque Malfoy, ele não parece compartilhar de seus pensamentos.
- Não se preocupe, majestade, meu filho estará de acordo com o que eu disser.
O olhar que Lucius lançava a Draco, naquele momento, deixava claro que se seu filho abrisse a boca para protestar, acabaria se arrependendo profundamente. E ainda que respeitasse seu pai como ninguém, sabendo que ganharia uma surra – com aquela bengala de prata – que o deixaria na cama por semanas, se ousasse contrariá-lo ou arruinar um de seus negócios, os pensamentos de Draco estavam centrados em Harry e no maldito conde Riddle, e no verdadeiro perigo que aquela repentina mudança para a corte poderia significar. Assim, ignorou o taxativo olhar de seu pai e se dirigiu respeitosamente ao rei:
- Como o meu pai disse, majestade, seria uma honra aceitar tal convite – começou com polidez e frieza – mas meu esposo insiste em criar nossos filhos longe da corte, e eu concordo com ele, não creio que seja uma boa idéia mudá-los de ambiente de maneira tão abrupta...
- Ora, se o problema é esse eu posso resolvê-lo facilmente!
Aquele radiante sorriso de Grindelwald não agradou nem um pouco ao jovem Malfoy, mas tranqüilizou infinitamente o patriarca, que já estava prestes a calar a boca de seu filho a golpes de bengala.
- Tenho um pequeno castelo próximo às redondezas, mais a oeste – continuou o rei – costumava usá-lo quando visitava os feudos daquela região, que são convenientemente próximos aos feudos que estamos negociando, posso cedê-los aos senhores para que assim acompanhem as negociações, e que seus filhos, jovem Malfoy, continuem no ambiente com o qual estão acostumados.
- Er...
- É mais do que poderíamos desejar, majestade – interveio Lucius, silenciando o filho com um ligeiro aperto em seu braço.
- Ótimo! – sorriu satisfeito, dando aquele assunto por encerrado – Devo confessar que será maravilhoso contar com a presença de Harry e seus filhos em meu reino.
- Nós agradecemos imensamente, majestade.
Draco se mantinha impassível, o rosto conservando uma máscara de frieza inabalável, por dentro, porém, desejava arrancar a cabeça daquele rei imbecil com um simples golpe de espada. Apenas em seus piores pesadelos havia imaginado que se mudaria com Harry, seu filho e o pequeno bastardo para Durmstrang, para o reino daquele maldito conde que arrasara o seu ideal de vida perfeita, maculando o corpo de seu esposo antes que este chegasse ao seu leito. O significativo olhar de Lucius, no entanto, calou qualquer protesto e lhe advertiu que aquela era uma decisão tomada e para seu grande pesar, não havia volta atrás.
A família Malfoy se mudaria para o reino de Durmstrang.
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Enquanto a reunião acontecia, Harry e Tom se encontravam no jardim do palácio, completamente alheios ao rumo que a conversa no Salão do Trono estava tomando. Harry já não se importava com o que Draco pensaria se descobrisse que ele não estava no quarto, nem com a possibilidade de sua sogra ou seus pais o procurarem por qualquer motivo, assim como Tom não se preocupava mais em sair para suas opressivas batalhas, as quais usava para suprimir sua dor e energia, pois agora estava com Harry, o seu Harry. Que se explodissem as aldeias que não desejavam pagar os impostos a Durmstrang, ele estava com Harry, podia sentir o doce sabor dos seus lábios novamente, então, nada mais lhe importava. Os pensamentos, tanto de Tom quanto de Harry, estavam centrados um o outro, naquele momento, e em degustar o sabor de seus lábios mais uma vez.
Só podia ser um sonho.
- Harry...
E se fosse, não queriam acordar.
- Sim? – murmurou, as bochechas ainda vermelhas devido a intensidade daqueles apaixonados beijos.
- Vamos embora.
- O que?
- Vamos fugir! Como havíamos combinado antes do seu casamento! – os olhos escarlates estavam decididos. E aquilo assustou o menor.
- Eu não posso...
- Por quê?
- É complicado.
- Complicado por quê? Você não me ama mais?
- Não é isso!
- Então por que não quer fugir comigo para o nosso pequeno castelo ao norte Prússia? E não diga que é porque não me ama mais, porque se esta for a resposta, os seus beijos o desmentem, está claro que você ainda me ama!
- Eu amo! Lógico que amo! Mas as coisas já não são simples assim... – suspirou, as lágrimas querendo se formar em seus belos olhos esmeraldas.
Tom, no entanto, não aceitou aquela resposta. Tão pouco a explicação. Assim, agarrou os braços de Harry com firmeza, obrigando-o a encará-lo fixamente, apenas notando o pequeno gemido de dor que saía dos lábios rosados.
- Você prefere permanecer com aquele miserável que lhe cobre de agressões e com certeza viola o seu corpo a cada noite?
Os olhos do conde obscureceram ao pensar naquilo, aumentando inconscientemente a força nos braços de Harry, que apenas suspirou, ignorando a dor latente que ainda estava marcada em sua pele e negando com a cabeça.
- Então me dê um bom motivo para você continuar com esse canalha! Para agüentar dia e noite os seus maus-tratos e o verdadeiro tormento que deve ser a sua vida! Apenas me dê um motivo!
- Richard e Henry – respondeu simplesmente – são dois motivos, Tom.
- O que?
- Meus filhos.
Tom, na mesma hora, afastou-se de Harry, soltando os braços deste como se queimassem. A dolorosa verdade era cravada como uma adaga de prata em seu coração.
- Seus filhos... – murmurou – É claro, seus filhos com Malfoy.
Harry apenas apertou os punhos com força para conter as lágrimas, ao ouvir a voz que tanto acalentara seu coração se tornar sombria e cheia de ressentimento, então, curvou os lábios num melancólico sorriso e murmurou:
- Perdoe-me.
Para em seguida, correr de volta ao palácio. Não conseguia ver os olhos escarlates, que Richard herdara, encarando-o com aquele despeito, como se o tivesse traído, não quando o venerável conde de Durmstrang não fazia idéia pelo que ele havia passado para conservar o primogênito ao seu lado e assim, contar com uma vida digna e quiçá um pouco tranqüila na companhia de seus dois filhos.
Tom não fazia idéia do que aqueles meninos significavam para ele.
Nunca abandonaria seus filhos.
Preferia morrer a fazê-lo.
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As horas passaram voando e no cair da tarde, após se banhar mais uma vez para trocar os curativos, Harry se encontrava nos aposentos reservados a ele e Draco no palácio de Durmstrang, apenas folheando um livro qualquer, sem conseguir prestar atenção no conteúdo deste, pois seus pensamentos ainda estavam voltados àquela maravilhosa manhã com seu amado conde, que com poucas palavras conseguira levar mais lágrimas aos seus olhos e um doloroso aperto ao seu coração.
Traição. Era isso o que havia na voz de Tom, como se Richard e Henry representassem uma traição ao lindo sentimento que existia entre eles, como se representassem uma voluntária demonstração de amor a Draco Malfoy.
- Se ele soubesse... – murmurou – Richard sim é o resultado de um verdadeiro amor, mas Henry, mesmo proveniente de violações, é tão amado por mim quanto seu irmão. Eu jamais abandonaria os dois.
- Disse alguma coisa?
Foi a gélida pergunta de Draco ao ingressar no aposento. Os olhos acinzentados possuíam um misto de indignação, impotência e cólera assustador, que fez o menor engolir em seco antes de responder.
- Não. Apenas repassava um parágrafo do livro em voz alta.
- Largue esta porcaria e me prepare um banho.
- Mandarei uma serva...
- Prepare você mesmo! – rugiu – Ou é inútil o bastante para isso?
Suspirando mentalmente, Harry se levantou da confortável poltrona junto à lareira, para seguir ao quarto de banho e providenciar aquilo que o seu adorável marido pedira tão delicadamente. Minutos depois, quando Draco saiu do banho e regressou ao quarto, interrompendo novamente a sua suposta leitura, Harry se viu obrigado a ajudá-lo a se vestir, sentindo-se enjoado ao contemplar aquele formidável corpo que tantos donceles e donzelas desejariam em suas camas antes de conhecer a personalidade de Draco Malfoy.
- Esse maldito Grindelwald inventa apenas coisas estúpidas!
Harry sabia que Draco não falava com ele, apenas pensava em voz alta, assim, permaneceu em silêncio penteando os cabelos que a cada dia se pareciam mais aos de Lucius. Finalmente asseado, Draco se serviu de um generoso cálice de licor, cuja garrafa se encontrava na pequena mesa de mogno próxima a janela, e se sentou para apreciar o sabor amargo que descia queimando a sua garganta.
- Algum problema? – Harry perguntou, não que se interessasse pelos problemas de seu marido, apenas queria sondar o quanto poderiam influenciar na sua vida e na de seus filhos.
- Aquele maldito Grindelwald! – praguejou novamente – Ele veio com uma infeliz idéia que meu pai não duvidou em aceitar, é claro que não duvidou, Lucius Malfoy só pensa em riqueza e poder.
"E você pensa em outra coisa?"
"Além, é claro, de como ser um desgraçado filho da mãe?"
Harry quis perguntar, mas achou melhor ficar em silêncio.
Os dois estavam sentados na pequena mesa forrada com uma toalha de seda verde-musgo, Harry olhava distraidamente pela janela tentando adivinhar o que poderia ser tão ruim para seu marido se encontrar tomado por desejos homicidas para com o rei de Durmstrang e Draco, por sua vez, servia-se de um copo de licor atrás do outro, buscando organizar seus pensamentos para dar aquela notícia a Harry. Dependendo da reação deste, outra surra estava por vir.
- O rei quer que nos mudemos temporariamente para Durmstrang.
Harry ficou mudo.
Não podia acreditar naquelas abruptas palavras.
- De acordo com ele, visitando os feudos que visamos adquirir e acompanhando a produção por um tempo, as negociações fluirão melhor.
- Oh... – conseguiu murmurar, seus pensamentos ainda assimilavam as primeiras palavras.
- Ele até ofereceu um incentivo econômico... O desgraçado! – apertou os punhos com força e arremessou o cálice vazio contra a parede.
Aquele assustador barulho logo trouxe Harry à realidade.
E com grande esforço ele conseguiu manter o semblante impassível.
- Você sabe que eu não entendo dessas coisas de rendimentos de feudos, então, não posso opinar, mas meus pais sempre me falaram que o rei Grindelwald é muito habilidoso com os negócios e...
- Não se faça de idiota, Harry! – grunhiu irritado – Eu sei que você está adorando isso!
- Eu? Ora, para mim é indiferente... Ai! – gritou. Draco se levantara de repente para lhe agarrar os cabelos com violência, aproximando perigosamente seus rostos.
- Se você acha que aquele condezinho imbecil vai poder se aproximar de você... – encarou as belas esmeraldas lacrimejantes severamente, arrastando-o sem consideração até a cama -... Está muito enganado!
- Pare! Está me machucando!
- Você é meu! Em Durmstrang, Hogwarts, não importa onde estivermos! Você disse sim no altar, agora, você me pertence Harry James Malfoy e para sempre pertencerá!
Aquelas palavras soaram tão dolorosas e verdadeiras.
E elas o feriram mais do que os horríveis atos que se seguiram.
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No dia seguinte ao acordo entre o rei de Durmstrang e Draco e Lucius Malfoy, estes seguiram de volta ao seu palácio no sub-reino de Slytherin, com Narcisa e Harry, para organizarem alguns pertences que seriam levados ao castelo disponibilizado pelo rei, no qual viveriam por pelo menos alguns meses, acompanhando a produção dos feudos que desejavam adquirir e que se encontravam pelas redondezas. Para alegria de Harry, e evidente desgosto de Draco, eles se mudaram em semanas, assim, no final do mês já se encontravam no modesto, porém, belíssimo, castelo oferecido por Grindelwald.
- É lindo... – murmurou Richard, ao olhar pela janela e observar a imponente estrutura. Harry apenas sorriu, concordando com a cabeça, e Draco revirou os olhos, concentrando-se em acariciar os cabelos louros do menino em seu colo.
Várias carruagens os seguiam para o novo castelo. Algumas contavam apenas com as bagagens, outras com os servos, e as duas primeiras levavam Narcisa e Lucius em uma, e Harry, Draco e seus filhos em outra. Quando desembarcaram, as crianças logo correram para conhecer o belo jardim cheio de árvores e flores exóticas que rodeava o local, deixando os adultos cuidarem da arrumação. O castelo obviamente já contava com os móveis, elegantes móveis forjados em carvalho real cabe destacar, além de possuir inúmeras obras de artes e tapeçarias adornando as paredes, assim como lustres de ouro e banheiras de mármore nos quartos de banho.
- Quero as louças arrumadas imediatamente – Narcisa demandava aos servos – e os quartos com as camas com lençóis de seda azuis, entenderam?
- Sim, mi Lady.
- Ótimo.
Enquanto Narcisa dava ordens a esmo para tudo ficar a altura de um Malfoy, como ela mesma dizia, Lucius e Draco seguiam para o Salão de Conselho que serviria de escritório, pois não queriam perder tempo para organizar os tópicos que deveriam verificar quando visitassem cada feudo. Harry, por sua vez, seguia ao jardim para zelar por seus filhos, sem deixar de admirar a beleza sóbria do castelo.
Tal castelo fora forjado com pedras brancas que se assemelhavam às pedras de mármore, o que transmitia um ar calmo e pueril, suas janelas eram amplas e assim, garantiam excelente luminosidade de dia, enquanto as inúmeras tochas e candelabros cuidavam da luminosidade à noite, sua estrutura ainda era composta de algumas pequenas torres, mas o que mais chamou a atenção de Harry foi observar uma imensa torre se erguendo em meio às menores, uma torre incrivelmente alta e completamente fechada. Era ali que o rei estocava alimento quando se fazia necessário.
O castelo, majestoso e cheio de resplendor, exalava nobreza mesmo possuindo apenas três andares. No primeiro andar estavam situados: a cozinha e os aposentos dos servos, bem ao fundo, assim como uma pequena biblioteca, Salão de Descanso, Salão de Conselho, Salão de Banquetes que contavam ainda com inúmeras câmaras e antecâmaras; no segundo andar os aposentos que seriam de Lucius e Narcisa, os maiores, seguidos dos de Draco e Harry, e então os aposentos de seus filhos, todos amplos, bem decorados e com seus quartos de banho; e no último andar se encontravam algumas Salas de Descanso lindamente decoradas e as escadarias que levavam para a torre mais alta do castelo, que servia para estocagem de alimento, e que no momento se encontrava vazia, composta apenas das pedras forjando as paredes e da umidade que a falta de luz ocasionava.
- Eu achei Durmstrang mais bonito do que Hogwarts – a inocente voz de Richard confessou a Harry, que não pôde conter um sorriso – Tem mais animaizinhos e as flores são mais coloridas.
- É um reino lindo mesmo, meu amor.
- Podemos morar aqui para sempre, pa'?
- Bem que eu gostaria, pequeno... – murmurou mais para si do que para o menino.
Poucos dias haviam passado, em meio às arrumações, e agora tudo estava em seu devido lugar, como Lady Narcisa Malfoy aprovava. E naquele momento, aproveitando uma agradável manhã de sol, acomodados num dos bancos de mármore rodeado de flores, Harry e Richard apreciavam o cenário que os cercava, o menor brincando com alguns de seus poucos brinquedos, que simplesmente adorava.
- Parece que você está mais feliz aqui, pa'.
A inocente constatação fez o coração de Harry disparar.
- Por que diz isso, Rick?
- Você está sorrindo mais.
- Oh... Eu não...
- E seus olhos estão brilhando! – sorriu feliz com suas descobertas.
E Harry engoliu em seco, sabendo que os despreocupados apontamentos de seu filho eram verdade. Mesmo sem ver o seu amado conde desde aquele dia, no jardim do palácio de Durmstrang, o simples fato de estar no reino de Tom levava um pequena chama de esperança ao seu coração. Era como se pudesse vê-lo a qualquer momento, quando fosse às aldeias, ou percorresse os bosques que rodeavam aquela região. E apenas a esperança de vê-lo outra vez já levava um emocionado brilho aos seus olhos e um constante sorriso aos seus lábios.
Em uma determinada manhã, Narcisa e suas servas se preparavam para visitar a aldeia vizinha, e Harry estava mais emocionado do que nunca com a simples idéia de poder se encontrar com Tom, que provavelmente já sabia que eles estavam vivendo ali.
- Ande logo! – uma irritada Narcisa o apressava – Não tenho o dia todo!
- Estou a caminho...
E após algumas instruções para McGonagall e um estalado beijo em cada um de seus filhos, Harry seguiu para a carruagem, na qual a bela senhora Malfoy o aguardava com impaciência.
Contudo, antes que pudesse subir na carruagem, uma severa voz o deteve:
- Onde você pensa que vai, Harry?
E o sorriso que adornava seus lábios desapareceu imediatamente.
- Eu e sua mãe estávamos...
- Volte para o castelo agora mesmo – Draco ordenou com frieza – não quero que você saia sem a minha permissão.
- Mas Narcisa...
- Não interessa! Eu não quero você perambulado por esse reino, ouviu bem?
- Mas...
- NÃO ME OBRIGUE A REPETIR! VOLTE AGORA MESMO PARA O CASTELO!
Draco nunca se exaltava na frente dos outro, e aquilo assustou Harry, mas assustou ainda mais os meninos, que correram para se esconder no quarto de Richard, pois este abraçava protetoramente o irmão. E Harry não pôde fazer outra coisa, se não regressar aos seus aposentos, escoltado pelo seu furioso marido que lhe agarrava dolorosamente o braço esquerdo.
- Eu sei o que você está querendo – Draco sussurrou com maldade, enquanto lhe arrastava para o quarto – mas eu não vou deixar você sair desse castelo, não, você não poderá se encontrar com aquele desgraçado!
E o belo sorriso desapareceu.
Assim como o brilho em seu olhar.
Para dar lugar às inúmeras lágrimas... Mais uma vez.
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- Você tem certeza, Tom?
- Certeza absoluta, majestade.
- Mas...
- Será um imenso prazer me certificar de que a família Malfoy esteja bem instalada no castelo que o senhor lhes cedeu.
- Bom, se você diz.
- Inclusive, permita-me dizer que foi uma excelente idéia convidá-los a permanecer em Durmstrang por mais tempo.
- É claro... – Grindelwald suspirou. O astuto rei sabia das intenções de seu protegido, e fora com base nessas intenções que arquitetou a permanência da família Malfoy em seu reino. Esperava apenas que Tom fizesse a coisa certa, e ao contrário dele, lutasse pelo seu amor.
Com os olhos escarlates brilhando, apaixonados e decididos, o conde cavalgou para oeste de seu reino, seguindo a um dos castelos preferidos do rei, que naquele momento servia de lar para o seu primeiro e único amor, para o amável doncel de olhos esmeraldas que com apenas um beijo roubara seu coração. Sua imponente égua negra de olhos dourados, uma fiel companheira, de nome Nagini, corria pelo gramado verde como se sua vida dependesse disso, como se sentisse a ansiedade do homem que a montava. Assim, em poucas horas, Tom vislumbrou o imponente castelo forjado em pedras brancas que se erguia no horizonte.
Há quase um mês a família Malfoy se mudara para Durmstrang.
Há quase um mês Harry vivia em seu reino.
E agora, poderia vê-lo.
- Acalme-se, Tom, você não duvida em dizimar dezenas de aldeias e agora está com medo de revê-lo? – murmurou consigo, ao baixar de Nagini, que pareceu lhe lançar um olhar encorajador. Isto é, se os animais pudessem fazer tal coisa.
Ao se aproximar dos grandes portões de madeira, Tom respirou fundo e colocando a máscara de elegância e superioridade natural da nobreza, golpeou a argola de prata contra a madeira polida para indicar a sua presença. Não precisou esperar muito e logo uma serva lhe deu passagem com uma respeitosa reverência.
- Diga ao duque Malfoy que o conde Riddle veio a pedido de vossa majestade, o rei Grindelwald, verificar se estão bem instalados.
- Imediatamente, senhor – pronunciou Minerva – Por favor, acomode-se, Lord Malfoy está a caminho.
- Excelente.
Quando se viu novamente sozinho, o conde suspirou e decidiu inspecionar a decoração ao seu redor. O barulho de apressados passos, porém, chamou sua atenção e quando se virou para conferir a procedência do barulho, um grande impacto o levou ao chão. Ao olhar para baixo se deparou com uma cabecinha de maleáveis cabelos negros apoiada em seu estômago, e quando esta cabecinha se ergueu, Tom ficou sem fala.
- Richard, não corra de jeito, você vai acabar...!
As palavras de Harry, no entanto, morreram em seus lábios. Ele vinha logo atrás de Richard e ao observar aquela cena, a cor de sua face sumiu no mesmo instante.
Tom, por sua vez, contemplava boquiaberto os olhos do menino com quem colidira.
Vermelho vs. Vermelho.
- Desculpe, senhor – o envergonhado garoto murmurou, após alguns instantes, levantando-se, mas sem conseguir desviar o olhar.
E o conde permanecia com os olhos vidrados no menino. Ele era sua cópia perfeita, os cabelos negros e maleáveis, as feições idênticas às suas, mas que compunham um rosto juvenil, mas principalmente os olhos escarlates, como piscinas de sangue, olhos cuja coloração por gerações fora restrita à família Riddle. Aquele menino era um Riddle, não cabiam dúvidas quanto a isso. E qualquer dúvida que passou pela sua mente num milésimo de segundo, desapareceu no mesmo instante, ao observar a expressão assustada de Harry, que os encarava em estado de choque, como se visse o seu mais precioso segredo ser descoberto.
- O que está acontecendo aqui?
Para piorar a situação, a gélida voz de Draco Malfoy se fez ouvir.
- Draco... – Harry murmurou, em pânico, correndo para afastar o filho do recém chegado conde que, após se colocar em pé, não se movia de seu lugar.
- Eu vim a pedido do rei – Tom pareceu despertar. Seus olhos iam de Harry para a criança que este abraçava, encarando-os fixamente, o que não agradou nem um pouco ao nobre loiro.
- Suma imediatamente daqui, Riddle! Eu não quero você em meus domínios!
- Minha conversa é com o seu pai, criança mimada, poupe-me de suas reclamações estúpidas. Não vim aqui para isso.
O vermelho se estendeu pela face de Draco, evidenciando sua cólera.
- Eu sei muito bem porque você veio aqui – arrastou as palavras com verdadeiro ódio e desprezo.
- Draco, por favor...
- Leve o pequeno bastar... o garoto – se corrigiu rapidamente, mas seu ato-falho não passou despercebido para o conde Riddle – para o quarto imediatamente, Harry!
Para desespero do moreno de olhos esmeralda, os dois homens se encontravam com a mão na bainha da espada, prontos para se atacar como animais sedentos de sangue. Por sorte, a chegada de Lucius e Narcisa os interrompeu.
- Posso ajudá-lo, conde Riddle? – foi o frio cumprimento de Lucius, que naquele momento agarrava firmemente o braço do filho para evitar que este cometesse uma estupidez ao investir contra o protegido do rei e aquele que era o renomado general do exército de Durmstrang.
- Sua majestade me pediu para conferir se os senhores estavam bem instalados.
- Gozamos de todo o conforto, conde Riddle, mande nossos agradecimentos ao rei.
- Certamente. Agora se me dão licença... – com um rápido movimento de cabeça aos demais, Tom se voltou ao assustado moreno ao seu lado, e Harry conteve a respiração por alguns segundos quando sentiu os lábios do amado acariciarem sua mão e este lhe sussurra um breve: "eu te amo", antes de se agachar para se colocar na altura de Richard, sob o olhar assassino de Draco, que era firmemente contido pelo pai.
- Meu nome é Tom – sorriu ao envergonhado menino – E foi um imenso prazer conhecer você.
- O meu é Richard, senhor – murmurou timidamente.
- Richard... – repetiu embelezado – Nos encontraremos outra vez, pequeno.
Com essas decididas palavras e um profundo olhar para Harry, o conde desapareceu pelas imensas portas de madeira, deixando um verdadeiro pandemônio no interior das paredes de pedra do castelo. Harry apenas teve tempo de correr com Richard para o quarto deste antes que Draco pudesse descontar toda a sua fúria nos dois. Mais tarde, porém, ele não escaparia.
- O senhor Tom me pareceu uma boa pessoa – Richard comentou com um alegre sorriso, completamente alheio às repercussões que aquele encontro causaria, sentado no colo de Harry, em uma confortável poltrona junto à janela. Para o menino foi uma experiência completamente nova, e genial, um adulto que não fosse seu pa', seus avós – James e Sirius – ou as damas de companhia de Harry, interessar-se por ele com tamanha sinceridade.
- Ele é uma boa pessoa sim, meu querido, uma das melhores que eu conheci.
- Espero vê-lo de novo.
- Eu também... – murmurou, abraçando mais o corpinho infantil, uma silenciosa lágrima escapando de seus olhos.
Continua...
Próximo Capítulo: - Bem que o Sr. Riddle podia ser o meu pai... – murmurou com a voz embargada pelo choro.
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Esclarecimentos: O castelo para o qual a família Malfoy se mudou em Durmstrang é baseado no Castelo de Lichtenstein. Quem o desejar ver é só digitar no Google: Castelo de Lichtenstein.
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N/A: Hello people! Espero que vocês apreciem o novo capítulo! Agora, cá entre nós, quem está com um imenso desejo de esquartejar o Draco, reduzindo-o a pequenas fatias loiras e aristocráticas, por favor, junte-se ao clube! xD Hehehe... Meu lado sádico está adorando ver o pobrezinho do Harry sofrer, mas não se preocupem que a qualquer momento os ventos podem soprar a favor! Pobre Harry, a cada capítulo ele fica mais desidratado, parece uma torneira aberta de tanto chorar... Bom, se eu tivesse no lugar dele também estaria reduzida a lágrimas xD Enfim, uma hora as coisas precisam melhorar!
Se quiserem a próxima atualização é só deixarem suas REVIEWS! – olhinhos brilhando – Please!
Qualquer comentário, críticas, elogios ou sugestões...
São sempre bem vindos!
Meu imenso carinho e agradecimento para:
Nanda Sophya... Laura... vrriacho... Inu... Bruner M.O... Amber... Raquel Potter Draco... e Simon de Escorpiao!
Em breve, um novo capítulo de O Pequeno Lord para vocês!
Muitos Beijos! E até a próxima!
