Capítulo 05 –
A voz do coração.
22 de Fevereiro de 2006.
Hermione abriu a porta do quarto de supetão e viu Annabeth ainda vestida com o vestido da Festa, Harry deitado ao seu lado, sem o smoking e sem a gravata, porém ainda estava com a camisa branca social toda amarrotada, dormindo abraçado com a namorada. Ela sorriu ao vê-los assim, porém precisava acordá-los.
- Ei, acorda! – disse ela indo cutucar a colega de quarto – A sua mãe está na cozinha, ela antecipou a volta da viagem!
Annabeth acordou assustada, Harry ao seu lado também estava assim, os dois se entreolharam confusos, com os rostos amassados de sono. Hermione sabia que era muito ruim acordar com notícias ruins ou desesperadoras, demora um tempo para gente levar e processar as informações. Por isso, ela resolveu guiá-los me direção à solução mais rápida.
- Harry, você pode ficar um tempo no meu quarto, de lá você sai pela sacada, dá a volta e você estará na sacada da sala. Ok? Está me entendendo? – ele assentiu – Você vai ver uma porta branca, é a porta da saída da frente, você vai sair por lá enquanto nós distrairemos a Sra. Chase na cozinha, tudo bem? Mas tem que ser rápido.
Ele assentiu, deu um beijo rápido nos lábios de Annabeth, saiu pegando suas roupas espalhadas pelo chão, pegou os sapatos e disparou pela porta. Hermione o levou até o seu quarto e apontou para a sacada.
- Que loucura! – disse Annabeth aparecendo dez minutos depois no quarto de Hermione com os cabelos penteados, vestindo uma roupa mais leve do que aquele vestido pesado da festa.
- Pois é.
- E cadê o Rony?
- Nós beijamos – disse Hermione com um sorriso preocupado nos lábios – Porém algumas coisas, aconteceram algumas coisas que eu preciso te contar depois – apareceu uma ruga de preocupação no rosto dela, Annabeth queria saber o porquê mas ela foi pega pelo braço e arrastada me direção à cozinha – Sua mãe está esperando você há algum tempo na cozinha, ela trouxe presentes!
- Mas e...
- Eu te conto depois! – disse ela com uma expressão muda.
24 de Fevereiro de 2006.
Percy tinha faltado na segunda-feira, provavelmente porque o seu rosto ainda ficara manchado com o soco dado por Harry na noite de sábado. Falando em Harry, Annabeth e ele tinham assumido o compromisso de dois dias mediante a escola inteira, estavam andando de mãos dadas, trocando beijos e carícias para quem quisesse vê-los. Em contraponto, Rony e Hermione apesar de estarem "ficando", pareciam ser apenas bons amigos pelos corredores.
Porém, esse dia estava diferente, Annabeth podia senti-lo. Primeiramente porque quando esperava pelo professor para sua segunda aula, Percy apareceu na porta da sala de aula. O seu coração parou, ela estava rindo com Hermione sobre alguma coisa, e tudo de repente pareceu parar mesmo, assim como o seu coração. Era óbvio que ela não esperava que ele viesse falar com ela, porém trocaram um olhar longo, triste, demorado. Ele abaixou a cabeça e se dirigiu para o fundo, longe delas, até mesmo de Thalia, e que tudo indicavam que eles tinham terminado o namoro.
- Se algum dia vocês ficarem juntos, vão precisar passar por um psiquiatra – comentou Hermione bem baixinho próximo ao ouvido de Annabeth. Isso pareceu despertá-la de seus devaneios.
- Oi?
- Nada – disse ela rolando os olhos.
Antes que o professor entrasse na sala de aula, a coordenadora do centro acadêmico esportivo apareceu com uma listinha nas mãos, ela encaixou os óculos nos ouvidos, os alunos terminavam de procurar os seus lugares, ela pegou a lista e leu em voz alta.
- A diretoria está chamando Annabeth Chase e Thalia Grace para algumas comunicações de última hora. Favor me acompanharem!
Algumas pessoas ouviram, achando que elas provavelmente iam se envolver em conflitos por culpa de alguma discussão, mas era óbvio que Annabeth sabia mais ou menos do que se tratava, era do resultado de quem seria a Capitã das Líderes de Torcida, afinal de contas, as duas eram as únicas que estavam disputando pela vaga no colégio inteiro.
- Boa sorte – desejou Hermione piscando discretamente.
Annabeth assentiu, as borboletas voando em seu estômago, abaixou a cabeça e saiu atrás da coordenadora sabendo que Thalia provavelmente estava ao seu lado, pensativa.
Em silêncio, as três caminhavam pensativas pelos corredores. Thalia, por mais que o seu interior dissesse que a sua vaga estava garantida, ela não parecia demonstrar, pelo visto ficara um pouco mais humilde com o término de namoro com Percy. Isso a fizera voltar, a focar na vida real um pouco mais. Annabeth sentiu-se culpada por isso estar acontecendo, e o seu sentimento de bondade, deixou-se pensar que se Thalia ganhasse o cargo de Capitã de Líder de Torcida, não se importaria, porque ela precisava mesmo ter alguns momentos de felicidade em sua vida, principalmente agora que parecia tão deprimida.
O corredor que antes era mais curto, pareceu demorar uma eternidade até chegar na sala da diretora, a coordenadora acompanhou-as até a porta, estendeu a mão para que entrassem enquanto segurava a listinha, elas agradeceram e entraram. Annabeth fechou a porta ao passar, Thalia aproveitou para se sentar diante de uma das cadeiras de frente ao diretor. Annabeth cumprimentou-o vendo os seus cabelos compridos até os ombros e sorriu meigamente.
- Bom, as senhoritas estão aqui obviamente porque estão disputando a vaga de Capitã como Líderes de Torcida. Ocorre que a Srta. Chase – ele olhou profundamente para Annabeth – Tinha ganho o cargo como Capitã, porém veio ao nosso conhecimento uma carta – ele mostrou um envelope amarelo nas mãos – Que a senhorita tem colocado algumas cenas românticos até demais para a sua idade, cenas sexuais, eu quero dizer – Annabeth arregalou os olhos sem entender nada, pouco a pouco, ela reconheceu a carta e soube que era de Vítor que havia enviado para Hermione antes dela fazer intercâmbio – E por esse descuido, Srta. Chase, eu sinto muito lhe informar que estamos passando o cargo para a Srta. Thalia Grace.
- O que? Mas essa carta... Essa carta não é minha, senhor diretor! – disse ela com os olhos arregalados, indignada. Ela olhou para Thalia que fazia uma cara de desentendida.
- Temos três testemunhas que viram essa carta cair da sua bolsa durante o intervalo de aulas, Srta. Chase e muito me preocupa pelo andar da carruagem o que esteja acontecendo na sua vida particular. Eu sinto muito a falta de privacidade, mas tive que ler a carta já que as garotas da outra turma se sentiram constrangidas, elas sequer sabiam o que era sexo.
- Elas quem? – perguntou Annabeth enraivecida, olhou para Thalia de relance.
- Clarice, Rachel, Thalia. Ainda bem que as três vieram me avisar, sendo assim, Srta. Chase, eu terei que ligar para a sua família e conversar com eles em particular.
- NÃO! Essa carta não é a minha, Sr. Diretor, o senhor tem que acreditar em mim! – disse Annabeth quase pulando da cadeira e agarrando Thalia pelos cabelos, a vontade era de esfolar a cabeça dela na parede até que jorrasse sangue e ela contasse toda a verdade.
- Caiu das suas coisas, Annabeth – disse Thalia envergonhada – Eu me senti muito embaraçada ao ver uma carta dessas. Quero dizer, eu levei para a casa, a minha mãe veio conversar com o diretor, e os meus pais ficaram abobados com o que andam espalhando pela escola.
- Isso fugiu do controle. Os pais de Clarice e de Rachel também ficaram indignados com o conteúdo, Srta. Chase! – disse o diretor ainda com a carta em mãos – E esse tal de Vítor Krum? Ele é mais velho do que você, isso poderia colocá-lo na cadeia por pedofilia!
- Sr. Diretor, mais uma vez, eu lhe digo – repetiu Annabeth com paciência, mas ao mesmo tempo sem querer denunciar sua colega Hermione – Eu juro que essa carta não é minha.
- Entraremos em contato com os seus pais! – disse o diretor a olhando – O que não posso continuar é recebendo ligações de pais falando sobre as influências que a sua carta pode fazer aos seus filhos. Eu sinto muito!
Annabeth achou aquilo um completo absurdo. Primeiro porque as três eram as garotas mais safadas de toda a escola, provavelmente teriam trepado com mais de sete caras ao mesmo tempo. E agora se faziam de santinha diante dos pais como se fossem garotinhas indefesas e virgens? Quanta asneira!
- Eu só lhe peço mais um dia, Sr. Diretor, mais um dia para eu provar que isso não é meu! – disse Annabeth olhando para ele, em seguida deu uma olhada de relance para Thalia que mal a encarava para não deixar escapar pistas.
Ele deu-se vencido por um suspiro, tirou os óculos da face e encarou Annabeth.
- Só mais um dia e nada mais do que isso – disse baixinho, Thalia pareceu desconcertada na cadeira – Até lá, a vaga como Capitã de Líder de Torcida fica ocupada por Thalia Chase.
Annabeth agradeceu, levantou-se e saiu da sala, ficou esperando Thalia do lado de fora por um bom tempo, ela pareceu demorar um mês inteiro lá dentro só para não ter que encarar a arqui-inimiga do lado de fora.
- Então – disse ela olhando para Thalia assim que fechou a porta em suas costas – Vocês andam fuçando nas minhas coisas, é isso?
- Comigo quem quiser, contra mim? Quem puder! – Thalia disse como se fosse a frase mais inteligente do mundo, deu uma piscadela para Annabeth deu as costas e saiu desfilando pelo corredor.
- As coisas não vão ficar assim mesmo – disse Annabeth para si mesma, em seguida saiu em disparada na direção de Hermione. Precisava muito conversar com ela.
24 de fevereiro de 2006
Hermione estava estudando na biblioteca quando Annabeth se aproximou, ela sentou ao seu lado, a amiga até mesmo arregalou os olhos assustada ao ver a expressão dela. Annabeth contou tudo o que aconteceu com os mínimos detalhes, ela disse até mesmo sobre a carta. Hermione parou, olhando-a em seus olhos.
- Desculpa, Annabeth, desculpa mesmo, as coisas não podem continuar assim como estão. Eu vou confessar ao diretor que a carta é minha!
- Você poderia perder a sua bolsa de intercâmbio, eles ligariam para os seus pais. Isso é insano! – Annabeth a encarou – Até mesmo o próprio diretor deve ter achado um absurdo todo esse assunto, o problema é que elas estão se fazendo de ingênuas para os seus familiares. E eles vieram fazer um estardalhaço na escola.
Hermione fechou o livro, passou a mão na testa, preocupada. Começou até mesmo soar frio ali mesmo, na biblioteca. Os seus olhos se voltaram para Annabeth, a sua expressão era de visível preocupação.
- Nós vamos conversar com a minha mãe, ela vai entender e ficar do nosso lado, eu tenho certeza – disse Annabeth confiante olhando nos olhos de Hermione e apertando as suas mãos.
- Tudo vai ficar bem – disse Hermione mais para si mesma do que para Annabeth. Ela pegou o livro em cima da mesa e olhou por cima do ombro da morena – Alguém está querendo falar com você algum tempo, estou indo para casa, a gente vai se conversando por celular!
Annabeth olhou por cima do ombro e viu Harry segurando a mochila no ombro, com um sorriso bobo esperando elas terminarem de conversar. Ela sorriu para ele e vice-versa. Assim que Hermione se despediu, ele se aproximou e deu um beijo em seus lábios de leve. Como namorado.
- Por que você não veio conversar comigo? – perguntou ela piscando as pestanas e observando algumas linhas de preocupação no rosto dele.
- Eu não queria atrapalhar, sabe, né? Conversa de garotas! – ele sacudiu os ombros, gentil. Tão gentil que chegava a incomodar.
- Escuta – disse Annabeth baixinho – Eu sei que eu não devia estar fazendo isso, não é o que o meu coração quer, mas acho que deveríamos ir com calma, sabe?
- Eu queria falar justamente sobre isso – disse ele segurando as mãos dela – Eu gosto mesmo de você, Annabeth, mas eu sinto que você está conectada em algum outro mundo, algum outro lugar que não seja o meu coração. E eu simplesmente não posso ficar aguardando você se decidir.
- Eu... Eu já estou decidida – mentiu ela engolindo em seco, sem olhar em seus olhos – Eu sei o que eu quero. E preciso de um tempo para absorver todos os acontecimentos, porque tudo isso foi muito rápido para mim!
- Sugiro um tempo, um tempo para nós dois – propôs ele mesmo olhando em seus olhos. Ela concordou, não de mediato, mas concordou com a cabeça, olhando em seus olhos, em silêncio.
- Eu estou com alguns problemas. Eu fui recusada do cargo de Capitã de Líder de Torcida por causa de Thalia e... Esquece, deixa para lá. A gente conversa outra hora sobre isso. Vamos dar um tempo!
Os dois precisavam desse tempo. Para pensar, refletir. Eles sabiam muito bem disso, Harry olhou nos olhos dela, ambos brilhavam em ligeiras lágrimas que estavam prestes a surgir. Ele a beijou na altura da testa e sussurrou em seu ouvido.
- A gente se vê por aí – disse ele, ficou em pé e saiu.
Silêncio. E a ficha caiu. Annabeth percebeu que as coisas nunca mais seriam as mesmas. Ela o acompanhou sumir com os olhos. Harry partira.
De repente, Annabeth voltou a cabeça para a própria mesa, triste, afinal de contas, o fim de qualquer relacionamento traz uma sensação de desanimo, desistência para ambas as partes. Por mais que você não esteja no mundo da outra pessoa.
E ela percebeu que os olhos de Percy estavam em sua direção. Eles desviaram de imediatamente, mas Annabeth sabia que ele tinha ouvido tudo.
24 de fevereiro de 2006.
Era o finalzinho da tarde quando Hermione bateu na porta da sala do Sr. Diretor, ele gentilmente pediu que ela entrasse, ficou surpreso ao ver um aluno naquele horário da tarde naquele colégio imenso e vazio. Ele logo a reconheceu como a intercambista da Inglaterra. Ela sorriu, sem graça, prestes a contar o que estava para acontecer.
- É o seguinte, a Annabeth não tem culpa alguma daquela carta, Sr. Diretor, eu... Eu sinto muito, mas aquela carta é minha! – confessou corando muito na ponta das bochechas.
Esperava que ele olhasse sério para ela, que viesse a dar bronca, mas muito pelo contrário, ele começou a gargalhar, gargalhar bem alto, Hermione ficou com medo de que o pessoal no corredor escutasse e o achasse insano.
- O que foi? E-Eu não entendi! – disse ela embaraçosa.
- É que eu já sei tudo o que aconteceu – disse ele sorrindo, colocando as duas mãos sobre a mesa – A tal da Thalia Grace já veio conversar comigo e estamos resolvidos. Toda a invenção dessa história de carta, etc. Está tudo resolvido, Srta. Granger, pode ficar tranqüila!
- Mas... Mas... O que aconteceu? – perguntou sem entender nada.
- Ao que me parece, Percy, namorado de Thalia, conversou com ela, pediu para que ela se entregasse, dissesse de toda a armação da carta. E ela veio confessar, chorou, pediu pelo amor de Deus para não demitirem-na do cargo de Capitã das Líderes de Torcida, mas infelizmente não vejo outra solução.
- Isso quer dizer que...
- Quero dizer que Annabeth será a nova Capitã das Líderes de Torcida. Devo parabenizá-la e perdi desculpas pessoalmente.
Confusa, Hermione pediu desculpas, saiu da sala e ligou para Annabeth.
25 de fevereiro de 2006.
Era tarde da noite, ela estava apertando a campainha da casa de alguém. Até a porta se abriu, e o rosto de Percy se assustou ao ver Annabeth tão tarde ali, parada, na porta de sua casa.
- O que... O que houve? É quase uma hora da manhã.
Ela ergueu os olhos, derrotada.
- Eu vi que você ouviu a minha conversa com o Harry ontem e... Nós terminamos, sem querer você acabou por ouvir também que Thalia havia escrito uma carta de amor e... Eu só queria saber o porquê você fez isso. Se você me odeia, se você tem raiva de mim. Se... Eu não compareci aquela noite na quadra.
- Não costumo misturar as coisas pessoais. Eu gosto da honestidade e acho que elas devem vencer sempre, não precisa agradecer – disse meio irônico, grosseiro – Está perdendo o seu tempo. Eu faria isso por qualquer outra pessoa, Annabeth.
Ela se sentiu magoada com aquelas palavras, o seu coração apertou no peito, com dor. Por um instante, pensou em pedir desculpa e dizer o que realmente sentia por ele mas seria tolice, portanto, engoliu em seco os seus sentimentos e palavras perdidas.
- E outra, eu confio em você, eu acho que você tenha potencial para ser Capitã das Líderes de Torcida, a Thalia já teve sua chance durante o ano passado e... As coisas funcionam assim! – ele sacudiu os ombros, indiferente. E Annabeth tentou buscar refúgio em seus olhos, alguma sombra de que tudo aquilo era mentira, de que ele ainda gostava dela, de que de alguma forma lá no fundo, ele ainda sentia alguma coisa por Annabeth. Porém os olhos dele pareciam tão frios que ela sentiu o coração palpitar ainda mais forte de dor no peito, ele reclamava por dentro, parecia estar se despedaçando aos poucos – Thalia jogou sujo com você, mesmo que a carta fosse realmente sua ou não, ela não tinha esse direito, são coisas intimas e pessoais. Você pode transar com quem quiser, Annabeth. Isso não é interesse de ninguém, é problema seu!
Ela se sentiu ainda mais atingida com as suas últimas palavras, saíram numa espécie de vingança, de reviravolta, um toque de frieza. Como se ele nunca tivesse se importado na vida... Ela o olhou, sem entender muito bem o porquê, ainda na esperança de encontrar alguma resposta. Porém, não havia. Ele estava mesmo frio por dentro, congelado.
- Eu... Eu só vim agradecer – disse Annabeth quase sem voz, ela estava sem o que dizer também, não queria ficar muito mais tempo ali porque estava se sentindo mal com a situação, as coisas pareciam estar bem ruins para o seu lado. Era como amar e não ser correspondido, a dor era parecida. Ela precisava ir embora o quanto antes – E-Eu... Eu... Acho que vou embora! – constrangida, virou as costas e saiu andando. No meio do caminho do jardim, sentiu as lágrimas brotarem nos olhos, então, teve uma idéia. Vendo-o mais alto por causa dos degraus de entrada, ela completou – Eu... Eu e o Harry não fizemos nada naquela noite. Nós só dormimos.
- Não é problema meu – ele sacudiu os ombros e fechou a porta na cara dela. E isso doeu.
Doeu muito.
01 de março de 2006.
Grover estava conversando com os amigos na cantina, rindo alto enquanto conversava sobre os jogos de basquete. Até que pelo canto do olho, viu Thalia sentada sozinha em uma das mesas, pensativa, olhando para o nada. Sentiu pena.
- Thalia parece mesmo chateada com o término do namoro – comentou o seu colega ao lado.
Nesse exato momento, um rapaz alto, loiro, de olhos claros puxou uma cadeira e sentou ao lado dela. Thalia abriu um sorrisinho meio de lado, ele veio puxando conversa e ela começou a dar atenção, os rapazes do basquete assistiam de longe.
- Aquele é o Luke, ele é do Terceiro Colegial, está tentando há anos ganhar o Campeonato de Basquete, ele é fissurado pela vitória, faria qualquer coisa por ela – comentou um dos jogadores.
- Eu já conheço. Conheço a fama dele. E é exatamente isso o que me preocupa – disse Grover com os olhos pensativos vendo Thalia e Luke se entrosarem cada vez mais na conversa, ela começou até mesmo sorrir enquanto conversavam. Luke estava flertando com Thalia, era óbvio – Já volto, rapazes!
Ele tinha um plano, precisava urgente colocá-lo em ação. Subiu os corredores na direção da biblioteca, Percy estava estudando para a próxima prova de Matemática no canto da parede, ultimamente vinha freqüentado bastante a biblioteca (mas não era por causa da matéria e sim por causa de Annabeth).
Grover jogou a mochila em cima da mesa, sentou-se de frente ao colega que arqueou as sobrancelhas, surpreso, sabendo que alguma coisa estava para estourar – como sempre fofocas – olhou para ele, sem muito se preocupar.
- O que poderia ser pior do que Annabeth te dando um fora? – perguntou Grover o olhando.
- Não sei, talvez você tomando um soco na cara ao falar isso de novo – disse Percy devolvendo a brincadeira, fechando o livro com um marca-página, sabendo que não conseguiria ler enquanto o amigo estivesse em sua frente fofocando.
- Luke. Luke está agindo para cima de Thalia, está dando em cima dela na frente de todo mundo. Está aproveitando das fraquezas de Thalia para conseguir as táticas do nosso time de basquete.
Música: Avril Lavigne – With You
Endereço do Youtube: /watch?v=TxokbUaj7O4
Percy o olhou e soltou a risada pelo nariz com algumas gotículas de cuspe na cara do amigo – que obviamente não gosto – e nenhum outro estudante por causa do barulho alto que atrapalhavam os estudos alheios. E antes mesmo que a bibliotecária fosse reclamar com eles, Percy pegou o livro e se levantou caminhando em direção à porta, despreocupado com a nova notícia trazida por Grover, que aliás parecia ser o fim do mundo para ele.
- Thalia é esperta, ela nunca faria isso. E aliás, não é problema meu. O que você quer que eu faça? Se Thalia quiser passar as táticas para ele, eu não posso fazer nada. Precisamos confiar na palavra dela, na pessoa dela!
- E desde quando confiamos em uma garota desesperada e apaixonada? – perguntou Grover o olhando, furioso – Você precisa focar no basquete, você precisa voltar com Thalia!
- Que? – Percy ia rir novamente, ou estava prestes a fazê-lo – Voltar com Thalia? Pelo amor de Deus, nunca. Eu não gosto dela, e você sabe disso!
Percy continuou a andar. Grover ficou parado, atrás, bufando de raiva.
- Annabeth nunca vai ficar com você. Pára de ser idiota e vá atrás de outra garota, volte a ser quem você era antes. Annabeth está correndo atrás do Harry enquanto você todo babaca fica se derretendo por ela! – esbravejou Grover nervoso.
Percy estava começando a ficar bravo com as frases intrometidas de Grover em sua vida particular, em seus sentimentos, que, aliás, eram problemas particulares e que não tratavam a respeito da vida de Grover. Ele devia respeitá-lo pro isso.
- Você não é ninguém para falar da minha vida, seu retardado! – Percy voltou na direção de Grover e falava alto, quase partindo para cima dele – Eu gosto mesmo dela e isso não é problema seu!
E para a sua pior vergonha, para o pior drama de toda sua vida, Annabeth estava assistindo a briga o tempo todo, em silêncio, segurando os livros na porta da biblioteca, o lugar que ela estava acostumada a enfrentar durante os intervalos, ou até mesmo o período da tarde. Percy não corou, porque estava muito nervoso com tudo o que estava acontecendo, com os comentários de Grover. Virou as costas para os dois e saiu andando.
- Eu vou tomar as minhas próprias atitudes! – gritou Grover em alto e bom som.
- Que se danem vocês dois! – devolveu Percy sem olhar para trás.
02 de março de 2010
Rony encostou levemente Hermione na parede do colégio, passou as mãos em sua cintura e começou a beijá-la.
02 de março de 2010
Vítor Krum estava descendo as escadas do aeroporto de Nova York, passou a mão no celular e procurou o nome de Hermione na lista. Clicou em "discar" e pôs o telefone no ouvido. Esperando...
02 de março de 2010
Era um pouco tarde da noite, o garoto jogava basquete sozinho, arremessava, a bola batia no aro, quicava e voltava em sua direção, ou muitas vezes ele saia correndo, marcava cesta e pegava a bola outra vez no chão para marcar mais cestas.
Cansada de olhar aquilo pela janela, Annabeth colocou um casaco marrom, ajeitou os cabelos lisos e se aproximou da quadra, assistindo-o jogar. Era simplesmente uma graça vê-lo pular, correr daquela forma, todo atlético, saudável, cheio de energia.
Percy sentiu a presença da garota, deixou a bola bater várias vezes até parar, ficou a olhando de volta.
- Está tarde – resmungou ele com fumaça saindo de sua boca por causa do frio, ainda assim, ele estava usando uma blusa muito fininha – Garotas boazinhas não ficam acordadas na rua até esse horário.
- Eu estou lutando contra a minha dignidade para estar aqui, exatamente aqui, Pery Jackson. Estou lutando contra todos os meus princípios, contra todas as minhas não vontades e aquela vozinha irritante que fica na minha cabeça dizendo "Não, não vá" – ela parou, com os olhos cheios de lágrimas, os lábios crispando, com medo, com o coração palpitando, a respiração falhando, ela o olhava, com muito medo, trêmula de tomar mais uma fora, mas disposta a tomá-lo – Eu estou aqui porque o meu coração falou mais alto, porque o meu coração não agüenta mais sofrer, não agüenta mais lutar. Eu estou me rendendo, me rendendo ao meu coração, aos meus sentimentos, Percy. Porque eu também gosto de você e preciso admitir isso.
Ele a encarava, em silêncio. Annabeth começou a chorar e falar tudo ao mesmo tempo.
- Eu estou gostando mesmo de você e dói te ver todos os dias, não falar isso, não poder te tocar. Dói muito forte aqui – ela colocou a mão no peito – E eu estou cansada de lutar contra isso, de camuflar os meus sentimentos, de dizer que não te quero, quando o que eu mais quero nessa vida é estar com você.
Percy começou a se aproximar, olhando-a nos olhos, um minuto sem piscar, entendendo, absorvendo cada palavra, cada sentido e identificando-se com todos os sentimentos. Ele também sentia o mesmo por ela. Eles ficaram muito próximos, mesmo chorando, ela o olhava, os seus narizes estavam próximos. Ele colocou as mãos na cintura dela.
- Não diga nada, Annabeth. Nada! – e foi se aproximando, os seus corações batiam forte, as fumaças provenientes das respirações se cruzavam, e os seus lábios se entreabriram de leve. Percy a tocou nos lábios, com calma, com carinho. Foi um choque, foi como se tivessem sentido uma descarga elétrica por todo o corpo, como se um raio tivesse nocauteado os dois, ali, no meio da quadra iluminada pelos holofotes. No meio do frio da noite.
Eles estavam se beijando. Não era sonho. Era real, os sentimentos pulavam, borbulhavam, os seus corações imploravam por mais, mais sentimento, mais contato. E tudo foi ficando mais intenso, as mãos de Percy percorreram os braços de Annabeth, ela se deixou ser beijada e aos poucos foi se entregando também ao contato, passando as mãos pelo rosto dele, descendo pelos ombros e fixando-as na nuca. Isso era amar de verdade, isso era sentir o amor.
O desejo, a loucura, tudo vinha à tona agora. Ela se sentia completamente e perdidamente apaixonada por Percy Jackson aquela noite. E com certeza, absoluta, ele sentia o mesmo por ela.
02 de março de 2010
Thalia estava sentada na cama, encarando o teto, a televisão estava ligada mas ela pouco se importava com o que estava passando, queria ficar sozinha, pensar sobre tudo o que estava acontecendo, como sua vida estava uma desgraça total: primeiro terminara com Percy, depois perdera o cargo como Capitã das Líderes de Torcida para sempre e agora estava recebendo detenção da escola em que estudara desde pequena. Estava pensando seriamente em suicídio.
- Filha, tem visita! – avisou a sua mãe sem bater na porta do quarto.
- Mande-a embora, não quero conversar com ninguém – disse ela ainda deitada.
- Ele já está aqui! – disse ela saindo do quarto e o sorriso familiar de Grover apareceu na porta. Ela se postou sentada rapidamente na cama, forçando um sorriso meio de lado e sem graça por ter falado aquilo.
A mãe dela resolveu deixá-los a sós, mas com a porta aberta, obviamente.
Grover se aproximou, com as mãos no bolso da jaqueta preta, meio cauteloso, afinal de contas se Thalia não quisesse visitas, ela podia tratá-lo mal, mas foi exatamente ao contrário.
- Você ia sair? – perguntou ele vendo-a que estava toda arrumada, de calças jeans, uma blusa rosa cheia de argolas nas alças.
- Eu ia, mas não estou com tanta vontade assim – disse ela desanimada.
- Ora, vamos. Eu estou com o carro aqui, podemos ir a algum lugar legal, vamos aproveitar a noite. Você não pode ficar aqui dentro, sozinha, mofando.
- Não, Grover. Eu não quero, de verdade. E agradeço, mas prefiro ficar em casa, assistir a um bom filme, descansar e tentar esquecer de tudo o que está acontecendo na minha vida – ela disse meigamente. A tristeza era bem visível em seu olhar. Grover a olhava – Você pode assistir aqui comigo se quiser.
Ele sorriu.
- Eu andei percebendo que você anda meio triste nos corredores da escola, e eu vim aqui porque eu queria saber como você está, cuidar de você... – disse ele com um carinho fraternal.
Thalia sorriu de volta, sentada, ela deu um espaço para ele e pegou o controle da televisão. Ele sentou ao lado dela.
- Obrigada. Obrigada por estar aqui. Comigo! – ela disse carente.
- De nada – ele disse bem baixinho.
E no canal 72 estava passando: Ps: Eu te amo!
Continua...
Nota do Autor: Peço um trilhão de desculpas pelo atraso, mas estive em semana de provas, faculdade, muito trabalho no escritório, etc, etc. Foi uma semana hiper, mega, ultra corrida! Estou postando o capitulo correndo e sem revisar, então desculpem os erros de português que não vieram a calhar. E... ESPERO QUE TENHAM GOSTADO porque foi um dos capítulos que eu mais gostei de escrever – apesar de ser meio rápido -. Espero que tenham gostado da música da AVRIL LAVIGNE que me inspirou muito para escrever a cena do beijo. E esperem... Porque eles vão ser, FINALMENTE, felizes. Mas não para sempre, HAUHAUHUAHUUHUAHA!
Nota do Autor (dois): Eae curtiram o novo casal? O novo triângulo Luke, Thalia e Grover??? O que vocês acham??? E quando a Thalia souber que o Grover está se aproximando dela só por causa do basquete??? E quando o Percy descobrir tudo??? OMG!!!
HEYYYY, eu li TODAS as reviews, gostei de TODAS, e adorei as indignações de alguns achando que a Annabeth e o Harry tinham transado. HAUHAUHUAH, nÃOOOO, eles não transaram, que sorte! XDDD. ADOREI AS REVIEWS, quero mais, pleaseeee. Beijos e bom final de semana!
Boatos:
- A atriz de Hermione Granger deu entrevistas essa semana dizendo que está gravando a cena do oitavo capítulo dessa primeira temporada e deixou escapar que o namoro dela e de Rony está se desgastando por causa do ciúme. Será que eles sobreviverão a essas turbulências?
- Mais boatos: O ator do personagem Harry ainda está no set de gravações. Será que ele vai continuar participando do Seriado???
Fofocas da Ti-Ti-Ti (hauhauhuah!):
- Se o sucesso de reviews continuar sempre assim, COM CERTEZA teremos uma segunda temporada. Beijos e obrigado pelas reviews!
Perguntas e Respostas:
Quem vai ficar grávida? – by CahBigaiski e Ghata Granger
R) Eu tenho duas opções em mente. Não decidi ainda quem vai ficar grávida nessa temporada.
Quem vai ficar com a Thalia? – by Ghata Granger.
R) Não sei, mas FICA A DICA, HAUHAUHAUHUAHA!
Quem será o gay da história? – by Ghata Granger.
R) Estou pensando seriamente nisso também, hauhuhaha. Não me decidi ainda mas em breve vocês saberão. Espero também me decidir logo! XD
Quantos episódios terão a primeira temporada? – by Ghata Granger.
R) Em torno de uns 20 episódios, mais um ou menos um... Por aí! Você acha muito? Pouco? Mais ou menos?
Por que o nome da história é "Your Love is a Song?" – by Karol
R) Ah, eu gosto dessa música por vários motivos, a letra dela é linda e parece o amor que a Annabeth sente pelo Percy e vice-versa. Melodia, canção, é o que a história faz o tempo todo, coloca músicas, cenas de músicas. A música é do Switchfoot, eu adoro, acho fantástica e recomendo!
