Capítulo 06 –
Dance So Good.
03 de março de 2006.
Thalia dormia profundamente, enrolada nos lençóis dos seios para baixo, completamente nua. A luz do sol começava a incomodar ao atravessar a janela de seu quarto, ela começou a se remexer na cama ao perceber que seu corpo estava em contato com outro. O espaço na cama de casal estava sendo compartilhando com outra pessoa, e o seu cérebro vagamente começou a trabalhar...
Alguém está do meu lado, alguém está dormindo aqui comigo.
GROVER!
Uma voz gritou em seu cérebro tão alta que ela automaticamente pulou da cama puxando os lençóis juntamente com o corpo tentando cobrir as partes mais íntimas, nisso ela viu um rapaz deitado de costas, com as nádegas viradas para cima, ocupando metade da sua cama e definitivamente não havia como confundir ou se enganar, era o amigo de seu ex-namorado, era mesmo Grover.
- Grover. Grover. Acorda! – gemeu ela sacudindo-o pelo ombro, lembrando-se tudo rapidamente da noite passada, como eles foram dormindo juntos, abraçando-se, logo ele a beijou com carinho, ternura e tudo foi ficando cada vez mais intenso até terem as suas roupas jogadas no chão do quarto.
- Hm... Eu não quero ir para a aula, hoje é sábado! – disse ele esfregando os olhos como quem estivesse sendo acordado pela própria mãe.
- É problema seu. Os meus pais estão em casa. E... E nós fizemos sexo! – ela fez uma certa cara de quem sentia nojo de si própria – Você precisa ir embora. Tipo assim, AGORA! – ela deu ênfase nas últimas palavras e tentava falar baixinho para não acordar os pais que estavam a alguns quartos daquele corredor.
- Nós fizemos sexo? – ele arregalou os olhos, parando de esfregar as mãos – Sério? Uau! Eu... Eu fui bom?
- Horrível, seboso. Eu nunca mais quero transar com você! – disse ela pegando suas roupas espalhadas pelo quarto e jogando na cara dele. Mesmo com a cara coberta, ele resmungou.
- UAU. Eu transei com Thalia. O que os caras vão dizer de mim na escola?
Pelo silêncio que se seguiu, ele tirou as roupas da cara e viu que Thalia não parecia nada contente com a preocupação dele. Estava com cara de poucos amigos, e pior, uma cara de obviedade do tipo "você tem problema?".
- Que? Nós caras falamos sobre isso. Sexo!
Ela se aproximou ainda o encarando, sem piscar, de um jeito medonho.
- Se você quiser manter os dentes na sua boca, sugiro que continue em silêncio quanto ao que fizemos na noite passada – ela estava tão próxima dele, que ele começou a se assustar se ela resolvesse socá-lo, não havia para onde fugir – Aliás, o seu melhor amigo, também foi o meu ex-namorado, Percy Jackson. E ele não se sentiria nada feliz em saber que passamos a noite juntos.
- Trepando? – perguntou como quem queria confirmar, erguendo uma das sobrancelhas.
- FAZENDO AMOR. Meu Deus, vocês garotos são tão nojentos, porcos, sebosos, imundos! – Thalia olhou no relógio – Agora, se eu você fosse, ia correndo trocar de roupa.
- Só se você disser que gostou – resmungou ele com um sorrisinho malicioso segurando as roupas com as mãos.
- Gostei tanto que vou por fogo na minha cama ainda hoje! – disse ela irônica indo até o banheiro se trocar.
- Eu gostei – resmungou ele enquanto passava os braços pela camiseta.
- Oi? – disse ela como quem não estava escutando direito.
- Oi, bom dia, tudo bem? – devolveu ele e de repente ficou sério pela expressão dela – Sério, eu gostei, você trepa bem!
- Se você disser a palavra "trepa" mais uma vez, vou fazer com que você NÃO trepe nunca mais – disse seriamente.
- Ok, ok, nervosinha – disse ele vestindo as calças por cima da cueca rapidamente – Foi bom para mim e ponto final. Se não foi bom para você, nós... Nós não faremos novamente – por fim, ficaram em silêncio.
Thalia assentiu com um "hm, por mim, ok", mas não parecia muito ok. Ela virou as costas e fechou a porta do banheiro. Grover terminou de se trocar e ficou enrolando mais alguns segundos para se despedir de Thalia antes de ir embora. Ela saiu do banheiro com os cabelos arrumados e vestindo as roupas mais folgadas de ontem, agora com os cabelos escovados e os dentes também.
- A gente se vê – disse ele erguendo o braço na direção dela – Ou não – acrescentou.
Thalia acenou discretamente e quando ele ia virando as costas na direção da porta, ela o chamou pelo nome.
- Grover.
Ele se virou, olhando-a.
- Eu... Eu confesso que também gostei – disse ela dando um sorrisinho tímido, meio de lado, piscando várias vezes – Você sabe fazer amor!
Ele se sentiu lisonjeado com o elogio, sorriu para ela de volta.
- Trepar é uma das coisas que eu mais gosto de fazer! – e antes que Thalia arrancasse as suas bolas, ele saiu correndo do quarto às pressas.
03 de março de 2006.
Vítor estava no volante de uma picape preta, alugada em Nova York somente para passar alguns dias. Foi diminuindo a velocidade até parar na frente do prédio de Atena.
- Então é isso? Eu virei as costas e você já está com outro? – perguntou ele tristemente olhando nos olhos de Hermione.
Assim que chegou em casa e viu várias chamadas perdidas, ela resolveu ligar para ele de volta, eles saíram e ela contou tudo o que estava acontecendo atualmente em sua vida.
- Sim, você não me atendia, ou estava ocupado demais em seus jogos que eu acabei me deixando envolver com outra pessoa, Vítor – disse ela bem baixinho, coberta por um sobretudo cinza, cheio de botões enormes e redondos.
- Mas e a nossa promessa? E a carta que eu escrevi para você?
Ela abaixou a cabeça, triste, com o coração ardendo no peito de saudade. Ela ainda gostava dele, os seus sentimentos ainda palpitavam ao sentir a sua voz, saber que ele estava ali ao vivo.
- Acho que ficou no passado – disse com a voz fraca, falhando – Várias coisas ficaram no passado, Vítor. Você me esqueceu, e eu só segui em frente. Não fui estúpida, eu não podia ficar esperando a vida inteira.
Ele simplesmente balançou a cabeça de um lado para o outro.
- Me... Me dá um abraço? Um último abraço? – pediu ele olhando com carinho nos olhos dela.
Hermione o olhou por alguns minutos, em silêncio, pensando se deveria resistir. Abaixou os olhos e envolveu os seus braços ao redor dele, era difícil mesmo não se deixar levar pelo cheiro que ela estava acostumada. Pelo cheiro que a acalentava nos dias sufocantes, frios, medonhos na Inglaterra. Era um cheiro que ainda transmitia calma, fazia o seu sangue descongelar, lembrava de proteção, assim como quando uma criança pequena abraça o seu pai, protetor e se sente mais protegida do que nunca em seus braços. Eles ficaram alguns segundos assim.
- Eu sempre vou me lembrar de você como uma pessoa doce, carinhosa, meiga – admitiu ele baixinho ainda abraçado.
- Eu também, Vítor – ela se afastou ao perceber que não conseguia muito tempo ficar pensando nele e estar assim com ele. Ela não queria se enganar, estava saindo com Rony e não podia traí-lo. Ele era um cara bacana, simpático e trouxera a felicidade de volta em sua vida, não podia simplesmente deixar-se levar por meia dúzia de palavras de Vítor.
- A gente se vê... – disse ele baixinho, não muito convicto.
- Adeus! – ela abriu a porta e saiu. Antes de fechar, ele gritou o nome dela.
- Hermione! – ela ergueu a cabeça, encarando-o mais um pouco – Eu... Eu ainda amo você – disse, finalmente.
- Adeus, Vítor! – disse ela voltando a encarar o asfalto da rua, fechou a porta do carro e virou as costas com as mãos dentro do bolso do sobretudo. Ela não olhou para trás, porém Vítor a encarava e só acelerou o carro novamente ao vê-la sumir nas escadarias do prédio, entrar pelas portas de vidro do Saguão de Entrada.
03 de março de 2006
Annabeth acordou achando que tudo não passara de um sonho. O beijo, o toque, o abraço de Percy Jackson. Ficou algum tempo olhando para o teto, sorrindo no travesseiro, certificando-se de que tudo era real. De que realmente acontecera e que a felicidade estava ao seu lado agora. Ficou tanto tempo naquela posição que ela perdeu a noção da vida lá fora, se era dia, noite, ou quanto tempo havia passado. Só para se certificar de que ele não havia ligado (só para certificar!), ela pegou o celular e apertou o botão do lado. A luz acendeu mostrando o horário, sem chamadas perdidas, ou seja, ele ainda não havia ligado.
E o friozinho na barriga começou a se apossar dela, ainda na cama.
"E se ele não gostou de mim? E se ele achou o meu beijo ruim? E se ele não me ligar nunca mais?" pensou. Uma pontadinha de desespero, mesclada com medo, decepção foi se apoderando em seu peito. Quase como um desespero, o sorriso foi embora, substituindo por preocupação "Deus, e se eu estiver apaixonada por ele?".
Mente bloqueada.
Ela não conseguia pensar em mais nada. Nada. Tudo estava perdido, ela ia chorar a semana inteira, ia se trancar no quarto, ia dançar Funk sem calcinha a noite inteira, até que se sentisse melhor. Ou comeria todos os chocolates do mundo e ao mesmo tempo assistir vários filmes com mulheres gordas para não se sentir com auto-estimo lá no chão. Ou poderia virar stripper! Ótima opção, ótimo salário, por que não?
"Afaste-se desses pensamentos bobos. Percy vai te ligar, ele só ainda não acordou apesar de serem quase 11 horas da manhã!" disse uma vozinha irritante em sua cabeça. Ela não sabia se ficava preocupada ou não.
Até que o "vruuumm" em cima da escrivaninha chamou a sua atenção, ela saltou desesperada para pegar o seu celular como se o mundo fosse acabar em segundos. Por um instante, encarou o número do telefone (que provavelmente era do celular de Percy) e ficou pensando em demorar alguns segundos para atender, como quem estivesse muito ocupada.
Com medo dele desistir e não ligar mais, ela resolveu atender.
- Olá – disse com a voz meiga enrolando o cabelo com o dedo, toda simpática.
- Olá – disse uma voz toda graciosa e tímida do outro lado. Era ele mesmo – Estou atrapalhando?
Ela abriu a boca para dizer alguma coisa, mas simplesmente saiu.
- Nada importante, só estava terminando de ler as notícias do dia – mentiu rapidamente querendo mostrar que era uma pessoa culta.
- Ah! – disse ele aliviado do outro lado – Então, como dormiu? – perguntou preocupado, todo fofinho.
Ela deu um suspiro calmo, meio apaixonado.
- Como um anjo. E você, Percy? Dormiu bem?
- Eu tentei mas não consegui parar de pensar em você – disse bem baixinho fazendo Annabeth suspirar ainda mais – Eu acho que eu gosto mesmo de você, Annabeth. E a noite passada foi uma das mais perfeitas de toda a minha vida, eu só gostaria de me certificar de que não foi um sonho qualquer.
- Não foi – disse ela toda apaixonadinha, ficando em pé e olhando o sol brilhar do lado de fora de sua janela. Algumas pessoas caminhavam em volta do Central Park – Foi verdadeiro e eu também estou muito feliz que tenha acontecido, porque eu nunca me senti tão... Tão feliz, Percy.
Ela corou ao desabafar desse jeito, mas era a mais pura a verdade. O seu coração estava desembestado de paixão pelo rapaz, ela mal podia acreditar em tamanha sorte, em tanta felicidade acontecendo em sua vida. Era muito bom estar (muito, muito, muito) apaixonada e ser correspondida. Se aquilo ia virar amor ou não, era outra história. Mas ela ia lutar para que tudo desse certo.
- Eu também estou muito feliz, Anna. Tudo foi muito surreal – murmurou ele do outro lado – A gente vai se ver hoje, não vai?
Por essa ela não esperava.
- Ahn? Se ver hoje?
Mentira. Ela esperava sim.
- É, sair, dar uma volta, conversar? – respondeu como uma pergunta.
- Ah, claro, claro – disse rapidamente antes que ele mudasse de idéia e ela ficasse solteira para sempre (e fosse obrigada a virar freira – ou uma stripper, depende do salário!) – Quer dar uma volta no Central Park? Parece um dia bonito... Caminhar, conversar!
- Eu adoraria, parece perfeito. Só vou colocar um blusão por cima e passo aí na portaria do seu prédio daqui trinta minutos, pode ser ou vou atrapalhar a sua leitura de notícias?
- Leitura? Que leitur... Ah, claro. Nãoooo, não, não vai atrapalhar, as notícias estão meio... Tipo, como eu posso dizer?
- Lidas? Terminadas?
- Isso. Lidas. Então não vai ser problema – disse toda atrapalhada com os pensamentos – Ok, ok, a gente se vê em meia hora – ela achou melhor desligar antes que ficasse ainda mais confusa consigo mesma e ele achasse que ela fosse uma louca-psicopata e a mandasse pastar.
Mas lógico que não faria isso. Era Percy Jackson, o carinha mais fofo, lindo, meio e disputado do mundo. E... Ela estava apaixonada.
Desligou o celular, encarando-o por alguns minutos. Olhou pela janela e murmurou para si mesma.
- Que dia maravilhoso!
03 de março de 2006.
- Que dia péssimo! – resmungou Hermione ao se aproximar do café da tarde.
Annabeth tomava café distraída com os próprios pensamentos.
- Ouviu? OUVIU? – berrou, surtando – Meu dia começou horrível, péssimo, queria que um dirigível elétrico me atropelasse!
- É? – perguntou Annabeth após engolir um pedaço de pão – Por que isso? O que aconteceu? O Rony brochou?
Ela olhou para Annabeth como se fosse dar um soco no meio da sua cara. Ela fez uma cara de peixe morto e murmurou em meados aos chiliques com os braços.
- Você gostaria de passar o restante do ano deformada?
- Er... Não! – disse rapidamente – Não acho que Percy ia gostar de me beijar se eu estivesse roxa! – disse deixando escapar.
- Então é melhor fechar a sua enorme matr... O que? Eu ouvi direito? – perguntou Hermione acompanhando Anna com os olhos até a pia da cozinha enquanto levava o prato para lavar – Você? E o Percy? Juntos mesmo?
Annabeth fez um suspense antes de responder, depositou o prato dentro da pia e a olhou com carinha de ternura.
- Sim, nós ficamos a noite passada e demos uma volta no parque agora pela manhã. Ele foi todo fofo comigo, segurou na minha mão, me beijou todinha no rosto e disse que estava vivendo o melhor dia da vida dele – disse ela sorridente com as duas mãos entrelaçadas na altura do peito.
- Ai, amiga, que bom, eu fico tão feliz em saber que alguém está feliz. Parabéns de verdade, fico feliz que vocês tenham se entendido – e ela estava feliz mesmo, por alguns instante – No entanto, a minha noite foi péssima, tenho que confessar. Eu recebi várias ligações do Vítor, meu ex-namorado da Inglaterra, e eu liguei para ele de volta, nós conversamos no celular e resolvemos sair de carro mas foi um desastre, amiga. Um completo desastre – ela abaixou a cabeça – Eu descobri que ainda gosto dele e que eu também gosto do Rony. E agora eu não sei mais o que fazer da minha vida! – ela afogou o rosto nas mãos e Annabeth a abraçou de lado, como uma verdadeira irmã.
- As coisas vão melhorar para o seu lado, eu prometo. No final do dia, tudo vai ficar bem, você vai se entender.
- Vou? Promete que vou mesmo? – perguntou Hermione completamente insegura e perdida – Porque eu não quero decepcionar ninguém e muito menos a mim mesma!
Annabeth a soltou do abraço.
- Eu sempre estarei aqui por você, rommie. E sempre que precisar, eu vou te ajudar. Nem que eu te empreste o Percy para dar uns amassos – ela olhou para a amiga e riu – Ah, tá, vai nessa... – e as duas deram risadinhas de animosidade.
10 de março de 2006.
- Você não pode estar falando sério – disse Rony vendo o sofá coberto de malas – Mesmo? Você está indo embora somente porque a tal da Annabeth está com outro?
- Eu... Eu coloquei tudo o que eu tinha nesse relacionamento – disse Harry apontando o dedo para Rony como se fosse culpa dele – Eu me apaixonei por ela de verdade, eu... Eu lutei por ela no começo, mas simplesmente não posso continuar fingindo que está ótimo para mim vendo os dois trocarem risadinhas no meio do corredor quando não está!
- E... Você supera, fica com outras garotas!
- Eu não posso. Eu queria que as coisas fossem fáceis assim, Rony. Você acha que eu não tentei? Faz mais de duas semanas que nós terminamos, faz mais de duas semanas que eu não consigo me sentir bem comigo mesmo e lutando contra o meu orgulho para não rastejar aos pés dela, implorar pela volta.
- Não deveria fazer isso, deveria ao menos tentar ficar com outra pessoa.
- Ou ir embora – disse ele socando as roupas com violência dentro da mochila – Eu só quero voltar para a Inglaterra. Nova York não é para mim, não é a minha casa.
- Nós podemos passar por isso juntos – disse Rony indo atrás do amigo que passava o zíper rapidamente pelas malas em cima do sofá verde – Sério, vamos sair, beber, falar mal da vida dos outros.
- Não é o suficiente – parou Harry com lágrimas nos olhos – Eu agradeço muito a tentativa, os conselhos, mas eu quero ir embora, eu preciso voltar para casa.
- Como quiser – disse Rony – Sempre que precisar, eu estarei aqui. Ok?
- Eu volto – disse Harry segurando a mala com as mãos e olhando no fundo dos olhos de Rony – Eu volto assim que estiver bem – e o dois se abraçaram com força, muita força – Eu vou sentir sua falta, buddy. Você foi quase um irmão para mim, eu vou sentir mesmo sua falta.
- Eu também, cara. Eu também, força para você. Força e sucesso na volta para casa! – Rony se afastou. O amigo piscou de volta para ele, levantou a mão em um último acenou e abriu a porta da sala.
Era triste deixar o seu amigo partir, mas não havia nada que pudesse fazer, nada mesmo, era sua decisão, sua escolha.
- Diga a Annabeth que eu desejo toda a sorte do mundo para ela e para o Percy – disse antes de fechar a porta – Adeus, Rony.
- Adeus, Harry – e correspondeu ao aceno discreto. A porta se fechou com um clique.
Rony olhou ao seu redor, o sofá verde sem as malas, tudo parecia mesmo vazio ou até mesmo grande demais sem a presença de seu melhor amigo ali. Era difícil, estranho, era como perder alguém de verdade.
13 de março de 2006.
Grover estava fazendo uma dancinha esquisita (e totalmente gay) após ter vencido contra o time da própria turma na Educação Física, até mesmo Percy notou a felicidade exagerada do melhor amigo.
- Hm, a noite foi boa – comentou para ele após se acertarem das últimas brigas que tiveram no corredor ultimamente. Os olhos de Thalia observavam a conversa de longe. Ela estava toda bonitinha, com as pernas de fora, depiladas, vestindo uma saia azul, curta, cheia de pregas, de líder de torcida.
- Sempre! – disse Grover estufando o peito – Adoro trepar.
As narinas de Thalia dilataram de raiva, ela odiava essa palavra, era tão grotesca, desumana e insensível. Argh!
- Sexta-feira, às 16 horas, ensaio no Saguão do meu prédio, ok, meninas? – disse a Capitã das Líderes de Torcida para as demais, todas em suas roupinhas apertadas e azuis.
Thalia assentiu para Annabeth e saiu andando depressa atrás do grupinho de Grover e Percy. Ela tentava ouvir a conversa do rapaz à frente, até que Percy inventou uma desculpa que ia passar na biblioteca e mudou o caminho, enquanto Grover ia sozinho para a sala de aula.
- Ei, você – disse Thalia se aproximando de Grover.
- Ah, olá. Desculpa, sem rapidinhas hoje à noite – disse ele todo convencido – Eu sei que você gostou muito aquele dia mas...
- Escuta, eu só não vou te deixar sem dentes porque eu tenho consideração por você, mas quer fazer o favor de calar a boca e parar de ficar se achando? Você é bom de cama mas nem é tudo isso!
Ele continuou presunçoso, com a barriga meio estufada, como quem tivesse comido o melhor prato de carne do mundo e estivesse apreciando todo um reino após o jantar.
- Eu sei que sou bom de cama.
- Acha mesmo? Porque seus 10,5 centímetros nem fizeram cócegas! – disse ela rindo e voltando a andar.
Com a suposição (e não supositório) pequena de seu pênis, ofendido, ele começou a correr atrás dela e discutir baixinho para que ninguém mais pudesse ouvir ou perceber.
- O que você quer dizer com isso? Acha mesmo que meu pênis é pequeno? Para o seu governo, da sala, eu sou o que tem o segundo maior... Ok, ok, essa conversa está ficando estranha.
- Vocês medem? – perguntou ela rindo e alto.
- Shh... Fala baixo! – disse ele olhando para os lados, preocupado – Quero dizer, a gente... A gente não mede, mas tomamos banho no mesmo banheiro após a Educação Física.
- E fica reparando nas "coisas" dos outros? – perguntou ela rindo, de braços cruzados.
- Você não quer que eu toma banho de olhos fechados, né? – resmungou ele enquanto subiam as escadas – E diferente de você, eu tomo banho, pelo menos. E não cheiro à bacalhau!
- O QUE? EU CHEIRO O QUE? REPETE! – ela fechou a mão como quem fosse dar uma bela de uma porrada no meio cara dele.
- Quero dizer – disse ele se afastando, com medo, muito medo, porque ela não parecia estar brincando – É... Er, bem, tchau, bacalhau! – e saiu correndo antes que ela o alcançasse.
Thalia bufou de ódio.
- Escroto!
E de repente tentou medir com os dedos 10,5 centímetros. Ela começou a aumentar e diminuir o tamanho entre os dedos como se tivesse uma sanfona invisível entre eles.
- É, da próxima vez vou diminuir para 9,5 centímetros!
17 de março de 2006.
Música: /watch?v=WB1RhmMw37Y
Youtube!!!
Era bem de noite, as ondas calmas e leves terminavam na praia, Percy andava descalço com os chinelos nas mãos e na outra mão segurava a de Annabeth com carinho, os dois estavam caminhando e conversando sob a luz do luar.
- Então meus pais se mudaram para Los Angeles e se separaram, eu ainda era muito jovem para lembrar de tudo. Só sei que quando acordei um belo dia, ela já estava com as malas prontas – comentou meio indiferente – Foi difícil no começo, mas aos poucos eu fui superando.
- É, a minha infância parece um pouco menos conturbada do que a sua – comentou ele sorrindo e a beijando na altura da testa enquanto caminhavam, felizes, como dois pombinhos apaixonados, escutando o barulho das ondas no fundo e deixando a brisa do mar brincar com os seus cabelos.
Eles pararam de andar, ficaram um de frente para o outro, olhando nos olhos, conectados pelos laços de paixão, carinho, ternura. Estavam cada dia mais juntos, apaixonados, grudados e famintos por desejos maiores do que os beijos de língua que agora estavam se tornando cada vez mais freqüentes.
- Dança comigo? – perguntou ele no ouvido dela, bem baixinho. Jogou os chinelos para longe deixando as mãos livres.
- Na areia? É estranho! – riu ela baixinho.
- Só ficar juntinho, assim – ele com a mão nas costas dela forçou a colar a cintura na sua, os dois ficaram grudados na altura da cintura, mexendo os corpos de um lado para o outro, dando passos pequenos – Se quiser posso cantar para você – disse ele ainda no ouvido dela – Mas já vou avisando que cantar não é o meu forte.
- Prefiro poupar os meus ouvidos então – brincou ela rindo também enquanto dançavam de um lado para o outro, com as mãos juntinhas.
Ficaram um bom tempo assim, só curtindo o momento, um ao outro, pensativos, curtindo o presente.
- Você dança tão bem – comentou ele baixinho.
- Par aquém canta mal, você também dança muito bem – comentou ela sorrindo.
E ainda dançando, ele passou as mãos em volta de seu rosto delicado, puxou-a para mais perto, beijando-a nos lábios. Dançando para lá e para cá.
- Eu... Eu estou gostando mesmo de você, Annabeth Chase.
- Eu também, Percy Jackson!
Ela o olhou com carinho.
- Você é tão romântico... Eu quero me casar com você – murmurou ela planejando desde já o futuro, em tom de brincadeira.
- Uau. E quantos filhos?
- Uns... Três, pode ser?
Ele olhou para cima, erguendo as sobrancelhas, pensativo.
- Ok, pode ser. Três e pelo que estou vendo, vou ter que trabalhar bastante para sustentar todos eles.
- Ah, vai mesmo, e vai ter que dar de tudo porque os meus filhos serão os mais mimados do mundo, assim como o pai deles.
- Mimado? Eu? – brincou ele – Hm, quero só ver.
- Vem cá! – ela o puxou pelo queixo, lascando um beijo ainda melhor gostoso e quente do que o anterior.
- Estou gostando disso – murmurou ele após um segundo no intervalo entre o beijo calmo e doce dado por Annabeth – Logo nós vamos tornar isso oficial na frente dos nossos amigos.
A noite ia se estender pela frente.
17 de março de 2006.
Rony e Hermione estavam jantando fora, um jantar romântico à luz de velas, só entre os dois. Até que ele começou a questionar a distração excessiva da garota, ela resmungou que era por alguns motivos e explicou-os. Incluindo Vítor Krum na história mas excluindo os seus sentimentos confusos por ele.
- E... Você não sente mais nada por ele? Você está certa disso? – ele parecia desconfortável com o assunto.
- Nada – disse ela, mentindo. E dando um suspiro, as velas em cima da mesa se apagaram. As duas.
Voz de Annabeth: Por trás de toda a falsa iluminação do sol, a verdade sempre aparece algum dia, não importa quantas vezes você minta. Não minta para você mesmo, não minta para o seu coração.
Rony olhou para as velas apagadas. Hermione também.
Voz de Annabeth: Porque no final das contas, o seu coração vai doer e vai lembrá-lo de que tudo aquilo não passa de uma grande mentira.
- Eu te amo, Rony! – murmurou ela convicta disso – Eu te amo. De verdade, Rony!
Voz de Annabeth: Não minta para si mesmo!
17 de março de 2006.
Annabeth ao chegar em casa, colocou o celular e a chave em cima da escrivaninha e havia um e-mail na tela piscando.
A tela vai se aproximando.
"Caso você não tenha percebido, eu fui embora..."
Era de Harry. Annabeth sentou-se para lê-lo.
Voz de Annabeth: As conseqüências podem ser graves e podem afetar inteiramente a vida de uma pessoa.
Os olhos de Annabeth enchem de lágrimas ao começar a ler o e-mail. Ela coloca a mão na frente da boca para abafar o som de choro.
- Harry...
17 de março de 2006.
Percy está na cama, brincando com o celular, olhando para o teto.
Voz de Annabeth: Alguém pode sair ganhando nessa história...
17 de março de 2006.
Rony levantou-se da mesa.
- Vá embora, vá embora, por favor, Hermione.
Ela o olhou em estado de choque.
- Mas... Eu acabei de dizer que eu te amo.
- Então eu vou – disse ele jogando o guardanapo ao lado do prato. Ele se levantou e saiu andando, deixando-a para trás, confusa, perdida.
Voz de Annabeth: E alguém sairá perdendo, com um enorme fardo nas costas...
Vemos Hermione incrédula, sozinha na mesa, enquanto Rony está correndo em direção à saída do restaurante.
17 de março de 2006.
Bianca está parada na frente da casa de Thalia, ela vê Grover saindo de lá.
Voz de Annabeth: Nunca tente viver das mentiras...
Thalia e Grover parecem estar discutindo na calçada. Até que finalmente ele a toma pela cintura e a beija, apaixonadamente.
Voz de Annabeth: Por mais que pior verdade a machuque!
17 de março de 2006.
Atena sentou-se em uma cadeira branca, era um lugar todo arrumado, ajeitado, um homem vestido de branco estava sentado na sua frente, com uma caneta nas mãos e uma prancheta.
- Eu... Eu preciso de ajuda – disse ela chorando desesperada.
Voz de Annabeth: Não tenha medo da verdade, porque no final das contas, por mais dor que ela traga, ela é sempre a melhor opção.
Atena chorava com as mãos no rosto, sem controle algum do choro.
- Eu vivo dizendo a todo mundo que eu estou bem, mas a verdade é que eu não estou nada bem. Eu acho que estou em depressão...
Vemos o seu rosto em lágrimas afundas nas mãos.
Continua...
Nota do Autor: Juro que nunca escrevi um capítulo tão rápido. Espero que tenham gostado... Gostado de verdade, tentei acrescentar um pouco de comédia no começo principalmente com GroverThalia, um pouco com AnnaHermione também. E drama no final, muito drama. Espero que tenham gostado de verdade, porque eu gostei mais desse capítulo do que do passado, principalmente pela comédia e pelo romance de AnnaPercy.
Quanto mais reviews, mais cedo eu posto o próximo capítulo ein!!! Beijos para quem é beijos e abraços para quem é abraços, bom restinho de final de semana e feliz dia das mães para quem é mãe!
Perguntas e Respostas:
A Anna e o Percy vão ficar juntos até o final da temporada? – by .
Olhaaaa, para ser sincero não escrevi a temporada toda, estou escrevendo o 16º capítulo no caderno ainda, mas eles tem uma briga para valer na altura do campeonato... Uma briga MUITO feia que pode ocasionar o fim do relacionamento deles para sempre. Hehehehe!
Quanto mais episódios melhor, né? – by Luiza.
HAUHAUHA, eu também acho. Quanto mais capítulos melhores e quanto mais reviews também, hauhuaha, adoro reviews, sou psicopata por reviews. xD.
Prevendo possível confronto entre Vítor e Rony? – by Translation.
Talvez sim, talvez não. O confronto é mais entre Rony e Hermione mesmo, hauhauhauha!
Harry estará na segunda temporada? – by Ariel Maria.
Ele fará uma participação especial, mas nada fixo por enquanto. Ainda não fechamos contrato com ele... E bem vinda à história! XD.
Thalia pensa mesmo em suicídio? – by Annie Chase.
Sim, ela pensou mesmo em se suicidar, ela estava mesmo depressiva sem amigos, sem ninguém. Agora ela só pensa em outra coisa... HAUHAUHAUHAUHA! Nem te digo o que e nem o tamanho da coisa porque eu não sei e não estou interessado em saber, huahuauhauhuahuaha! Beijos!
Vítor vai causar ciúmes? – by BiGaiski
O Vítor vai causar coisas piores, hauhauuhaha. Como visto nesse capítulo, coitada da Hermione... Eae foi bem na prova? Espero que sim, ou vou me sentir mal por você não ter estudado. Beijos!
O Harry vai ser o gay da história ou vai ter um par romântico? – by Karol
Eu juro que pensei no Harry mas não vai ser. Aliás, eu já decidi quem vai ser e quando vocês descobrirem vão querer me matar, hauhauhuauha!
A Hermione vai ficar grávida do Vítor? – by Karol.
Do Vítor? Não sei, mas confesso que eu tenho 2 possibilidades de gravidez nessa história e a Hermione está definitivamente nessa mini-lista. HAUHAUHA, ela que se cuide!
Você costuma postar de quanto em quanto tempo? – by Mari.
Na verdade não tem data fixa, eu costumava postar de 1 em 1 semana, mas como tive provas, atrasei e comecei a postar de 3 em 3 semanas, mas tudo depende mesmo da quantidade de reviews. Quanto mais reviews, mais rápido eu escrevo a história e tento postar. As reviews me dão força para escrever...
- OBRIGADO A TODAS AS REVIEWS, EU LI TODAS (ri de algumas, HAUHAUHAUHAU!) e ADOREIII, amei, como sempre! Obrigado!!!
PRÓXIMO CAPÍTULO
Atena está chorando, sozinha, no quarto.
Voz de Annabeth: Os pesadelos começam...
- Rony, nós precisamos conversar – disse Hermione.
- Como você se atreve a vir falar comigo?
Voz de Annabeth: Mas no final do dia, tudo acabará bem...
- Eu adoro você, Percy.
- Eu também te adoro, Annabeth.
Os dois se beijam. Thalia se aproxima e arregala os olhos.
