Capítulo 08 –

Álcool.

29 de março de 2006.

Annabeth estava enchendo a tigela vermelha de leite, com isso, os sucrilhos começaram a flutuar no mar branco que surgia dentro do pote. Ela estava prestando mais atenção em sua mãe comendo do que qualquer outra coisa, mas foi cautelosa o suficiente para não derramar o conteúdo para fora.

- Tem certeza de que está tudo bem? – perguntou a filha preocupada, a testa toda enrugada em preocupação. Ela colocou a mão sobre a da mãe que puxou rapidamente, colocando-as duas entre as pernas e assentindo com a cabeça enquanto dizia.

- Claro, claro, Anna. Estou ótima, eu juro que foi só um pesadelo, eu acordei assustada e... Foi somente isso, eu prometo, filha – ela olhou para a filha e deu um sorrisinho forçado que não convencia ninguém.

- Mãe? Eu te conheço...

Atena levantou com o seu prato com metade do pão, parecia visivelmente estressada com o assunto. Annabeth percebeu que não devia ficar forçando a barra, sua mãe nunca contaria a verdade sob pressão e insistência, ao menos que a filha conquistasse sua confiança aos poucos e era a tática que Annabeth usaria.

- Certo – Annabeth elevou a colher até a boca, nesse exato momento, Hermione apareceu na cozinha com o cabelo parecendo mais uma peruca de palhaço de circo do que qualquer outra coisa. Estava vermelha e com uma cara amarrada.

- Eu nunca fiquei de ressaca – ela se jogou na cadeira em frente Annabeth – Isso é culpa de Nova York!

- Vivendo e aprendendo – brincou Atena enquanto colocava o prato na pia – Aliás, mocinha, que história é essa de você ficar zanzando até tarde?

- Desculpa, Atena, eu só estava tentando afastar algumas coisas da minha mente – Hermione fechava os olhos irritada cada vez que Atena falava uma palavra com o tom de voz alto. O som parecia zunir no fundo de seu cérebro – Prometo não fazer de novo.

- É bom mesmo, ou terei que aplicar regras mais severas nessa casa – disse Atena que parecia não estar brincando, Hermione amarrou a cara morrendo de dor de cabeça com os gritos da mãe de Annabeth, assim que a mulher deixou o cômodo, a amiga se curvou diante da outra.

- Então... Andou pegando alguém?

- Ninguém conhecido – disse Hermione coçando a cabeça de palha – Aliás, o nome dele era Julian ou Robert? Não faço ideia! – ela pegou a jarra de suco pela asa e serviu o seu copo – Quero enterrar minha cabeça numa piscina em nunca mais sair dela.

- Bem feito – riu Annabeth enquanto terminava a última colherada – Não devia ser tão piriguete! – ela se levantou e foi até a pia colocar a tigela vermelha no fundo.

- Eu? Piriguete? Pelo menos não sou espiã de banheiros – jogou Hermione rindo ao morder uma generosa fatia de pão com manteiga em cima.

Annabeth a fuzilou com o olhar, numa espécie de brincadeira, pegou o guardanapo, jogou na direção de Hermione.

- Não vá se atrasar para aula – e acrescentou – Piriguete! – e saiu rindo com os cabelos dançando de um lado para o outro.

02 de abril de 2006.

Annabeth estava em uma reunião fechada no vestiário das garotas conversando sobre as danças de líderes de torcida, algumas garotas ainda estavam duras feito porretes, e para as coisas irem bem até o Campeonato Estadual, elas deviam se exercitar mais, treinar, dançar mais nem varassem as madrugas ensaiando.

- Eu não vou perder para as garotas dos outros anos. Sei que é o meu primeiro ano como Capitã das Líderes de Torcida e vou fazer de tudo para ganharmos o troféu Estadual, ok?

- Ok – disseram as outras empolgadas, todas vestidas com suas sainhas e roupinhas tão curtas que as barriguinhas definidas ficavam de fora.

Após mais um treino exaustivo, as garotas foram deixando a quadra feminina em grupinhos, Annabeth encarregou-se de ajeitar os pompons na mochila e deu uma passada na quadra de basquete masculina para ver se tinha alguma novidade. Acabou por ver Rony e outros garotos de seu ano treinando na metade da extensa quadra, não foi muito difícil raciocinar e virar os olhos, Hermione estava encostada de braços cruzados, na entrada da quadra, bem discreta.

- Não vai ajudar em nada ficar aqui e não ir falar com ele! – disse Annabeth se aproximando, começando a prestar atenção no jogo de Rony também, aliás, ele jogava muito bem, era um pouco exibido quando estava com os garotos, mas talvez fosse seu charme.

- Ele não quer falar comigo – sussurrou Hermione ainda de braços cruzados, emburrada, vendo-o jogar de longe – E com razão, Anna. Eu não gostava de fato dele, eu estava mesmo conectada com o Vítor, com o meu passado, eu precisei perder o Rony para sentir o quanto eu gosto dele.

Annabeth a abraçou de lado.

- Dizem que a gente só dá valor as coisas que temos ao perdê-las. Incrível como é verdade na prática, não é?

Hermione concordou por pouco tempo com a cabeça não quero concordar com a veracidade da frase mesmo sabendo o quanto era ruim todo esse sentimento de perda, dor.

- Vamos para casa, minha mãe deve estar chegando – disse Annabeth a soltando do abraço.

Hermione pegou a mochila que estava encostada no chão e passou nas costas.

- Estou indo para biblioteca, eu preciso mesmo estudar, faz um bocado de tempo que não faço isso por pensar em outras coisas – e apontou Rony com a cabeça – Eu pego um táxi para ir para casa, pode ficar tranqüila.

- Você quem sabe, daqui cinco minutos minha mãe estará passando aqui como faz todos os dias. Se mudar de idéia, estaremos lá embaixo na esquina de sempre. Certo?

Hermione piscou para Annabeth e tomou outro rumo no corredor.

Ao terminar de descer as escadas, uma voz que a acalmava nas horas mais estressantes, soou em seus ouvidos, assustando-a de um jeito gostoso que fez o seu coração desembestar por alguns segundos.

- Annabeth!

- Oh... Percy! O que está fazendo aqui? – perguntou ela olhando para trás e vendo-o se aproximar, a pergunta era retórica, ele segurava uma bola de basquete embaixo do braço, ainda assim, delicado, ele respondeu.

- Estive treinando um pouco. E você? Colocando as garotas para emagrecerem? Fiquei sabendo que é bem durona como treinadora! – ele deu um sorrisinho que a fez tropeçar.

- Eu? Durona? – disse desviando os olhos, envergonhada por ter tropeçado, mas ainda assim continuando a andar como se nada tivesse acontecido – Sou nada. Eu... Eu sou sempre assim.

Ele, de repente, pegou em sua mão.

- Vem cá! – apenas sussurrou puxando-a para um corredor mais vazio. E a encostou na parede como sempre fazia, beijando-a na altura de seus lábios. Ela fechou os olhos e soltou um gemido de saudade.

- Nós vamos ser pegos. Isso era segredo, lembra?

- Ah... Logo nós tornaremos isso oficial e não vamos precisar ficar escondendo mesmo – ele a beijou novamente, ela deixou-se ser levada pelo beijo, sentindo o seu corpo ir às nuvens e retornou somente segundos depois dele ter se afastado.

Ela passou as duas mãos no peitoral dele, sentindo subir e descer por causa da respiração rápida e o afastou com as mãos.

- Escuta, eu queria muito ficar aqui com você, curtindo você assim mas preciso mesmo ir embora, minha mãe deve estar me esperando lá embaixo mas eu prometo te ligar antes de dormir, ok?

- Certo – disse ele piscando para ela – Só mais um beijo! – e a puxou novamente, beijando-a.

Ela riu ao se afastar e acenou mais beijos de longe, em seguida, disparou as escadas para a saída, correndo para a esquina. Ainda estava adiantada uns dois minutos, a sua mãe era muito pontual mas ainda que Annabeth atrasasse, ela esperava pela filha.

Olhando no relógio, Annabeth ficou ali, em pé, olhando para os lados, esperando pela picape preta, volumosa. No entanto, esperou, esperou, esperou... E ela não veio.

05 de abril de 2006.

E os dias que se sucederam a história não foi diferente, Annabeth ficava no ponto combinado, esperando pela mãe. Sabia que ela estava com problemas sentimentais, mas achava que não passava disso, levando em consideração que o dia em que chamara sua própria filha de "Hermione" fora somente um colapso, nada muito além ou pior do que isso.

Era no meio da semana, cansada de esperar no ponto, Annabeth resolveu ligar para a mãe lembrando-a (que ultimamente vinha usando a desculpa de que estava muito ocupada com o trabalho), porém ela não costumava esquecer as coisas assim, tão facilmente.

- A sua chamada está sendo encaminhada para a caixa de mensagens e estará sujeita a cobrança após... – Annabeth desligou o celular ao ouvir cair na secretária eletrônica.

- Esperando muito? – disse uma voz nada simpática e irônica se aproximando em suas costas.

Ela se virou, sem um pingo de paciência. Thalia estava de braços cruzados, a alça da bolsinha entre os braços, com um olhar mais simpático do que tinha.

- A minha mãe simplesmente se esqueceu – disse Annabeth murchando os ombros, sendo simpática de volta – Ela está trabalhando muito ultimamente – explicou sem muita emoção, no fundo sabia que não era verdade e isso a preocupava.

- Olha, não estou querendo ser sua melhor amiga, mas se quiser mesmo uma carona, você pode vir comigo, tem quatro vagas sobrando – disse Thalia girando a chave nos dedos. Ela continuou olhando para Annabeth esperando uma resposta.

- Ok, mas por que você seria gentil comigo? – perguntou ela de braços cruzados.

- E por que eu seria malvada com você? – respondeu Thalia com as sobrancelhas erguidas, virando as costas e caminhando na direção do estacionamento.

Annabeth meneou a cabeça de um lado para o outro considerando a possibilidade, correu para alcançar Thalia e andar ao seu lado.

- Se você não se importar de verdade... – comentou enquanto andava ao seu lado.

- Não me importo – disse Thalia e em seguida sorriu – Não tenho nada contra a sua pessoa e não tem porque ficarmos brigas até a nossa formatura, vamos conviver juntas, não é mesmo? Seremos obrigadas a gostar uma da outra, de qualquer forma!

- É, por esse ponto de vista, você tem razão – disse Annabeth segurando a alça de sua bolsa transversal, elas entraram no estacionamento coberto da escola, outros estudantes estavam entrando em seus carros também após saírem de suas aulas.

Thalia se aproximou de um carro vermelho, todo descoberto, sem nenhum capô, ela jogou a mochila atrás e abriu a porta.

- Que carro lindo! – disse Annabeth avaliando-o ao entrar também e sentar nos bancos de couro. Era bem antigo, o volante era enorme e todo duro, mas era uma relíquia maravilhosa.

- Importado – disse Thalia se justificando – Da Europa. Tem uns CDs legais no porta-luvas, poderia pegar um para mim? – ela colocou a chave no contato e deu partida, deu ré enquanto Annabeth procurava algum CD legal no porta-CDs – Tem um escrito Crash Boom Bang, é uma banda super maneira, você vai adorar.

- Ok – disse Annabeth pegando o CD cinza escrito na capinha com tinta preta própria para CDs. Ela injetou o disco na máquina do carro que logo engoliu e começou a tocar:

Youtube:

/watch?v=_xKHf-9onKs

- Let It You – Crash Boom Bang – explicou Thalia enquanto dirigia o carro, as duas ganharam as ruas, andando de carro e o vento batia contra os seus rostos jogando seus cabelos para trás, era muito bom andar naquele carro dela. Era pura adrenalina, principalmente quando andavam em alta velocidade com as ruas vazias.

- É muito boa, eu adorei – disse Annabeth enquanto escutava a música que rolava – Aliás, você tem uns CDs muito bons aqui. Codplay, Avril Lavigne, Matthew Perryman, são todos muito bons, você tem um ótimo gosto, Thalia, parabéns.

- Fico feliz que você tenha gostado, assim pode vir sempre de carona comigo – disse Thalia olhando no retrovisor enquanto parava no sinal vermelho.

Annabeth estranhou ela dizer isso, olhou para o seu rosto de perfil e perguntou.

- Sério, sério mesmo, por que você está sendo gentil comigo? Você sabe que eu gosto do Percy, seu ex-namorado.

Inesperadamente, Thalia sorriu e olhou nos olhos azuis de Annabeth.

- Eu não amo o Percy Jackson, aliás estou começando a duvidar se algum dia eu o amei de verdade, acho que simplesmente nos apaixonamos, curtimos e nada além disso – disse simplesmente – Eu sinceramente estou me apaixonando por outra pessoa – disse ela se lembrando de Grover – E é para valer, Annabeth.

As duas estavam conversando como velhas amigas.

- Alguém da escola? – perguntou Annabeth inocente.

Thalia riu, os cabelos esvoaçando para trás, foi uma risada meio sarcástica, do tipo "eu nunca te contaria isso", e foi mais ou menos isso mesmo, porque ela não disse quem era, ainda por cima mudou de assunto.

- Gostou mesmo dessa música? Posso copiar o CD, se você quiser.

- Agradecida – concordou Annabeth sorrindo.

As duas ficaram um bom tempo conversando sobre música, entendendo-se, descobrindo que tinham gostos parecidos, até que Thalia parou o carro vermelho em uma sombra, embaixo de uma árvore, na frente do prédio de Annabeth.

- Escuta, você é uma pessoa legal – comentou Thalia – Percy tem razão de gostar de você. Você é uma garota de sorte, Annabeth.

Ela corou levemente.

- Obrigada, tenho certeza de que você encontrará alguém legal também – disse Annabeth enquanto abria a porta do carro e saia, ela parou por um instante e olhou para Thalia, esperando algum comentário a mais.

- Vocês estão juntos, eu vi vocês – disse ela e sorriu para a surpresa de Annabeth. Ela sorriu como se apoiasse o namoro dos dois.

Quão estranho era aquilo? A ex-namorada de Percy Jackson, que o amo, que a vida inteira correu atrás dela, estava apoiando o romance com Annabeth, sua pior rival de toda a escola? A garota que havia roubado a sua vaga de cheerleader?

- Ahn... Como você sabe? – perguntou Annabeth quase fazendo as sobrancelhas se cruzarem na testa.

- Sabendo – ela sorriu – Contatos – e isso foi surpreendemente estranho. Ela estava insinuando alguma coisa? Queria dizer algo além das entrelinhas?

- Ah... Obrigada! – respondeu Annabeth pensativa, depois de um tempo de terem ficado em silêncio, encarando-se.

- Sempre que precisar – Thalia virou na direção do volante, girou a chave, acelerou o carro e saiu andando pelas ruas de Nova York.

No entanto, Annabeth não saiu do lugar, continuou ali, na calçada, boquiaberta com tudo o que tinha acabado de acontecer. O vento gelado brincando com os seus cabelos, os raios de sol iluminando o asfaltado e o céu completamente azul claro, sem nenhuma nuvem para atrapalhar.

07 de abril de 2006.

Grover estava terminando o suco, deixou alguns trocados em cima do balcão, pegou a sua mochila e ia se levantando quando foi surpreendido pela presença de Bianca em sua direção.

- Olá – disse com um sorriso infantil nos lábios – Estudando muito?

- Er... Não! – disse Grover com sinceridade e estranhando os seus pulinhos de felicidade repentina em sua direção como se eles fossem os melhores amigos do mundo – Na verdade, estou saindo do banho, tivemos um treinamento pesado hoje. Acho que se bobear o Percy ainda deve estar treinando até agora. Nunca vi uma pessoa tão alucinada pelo Campeonato Estadual que nem ele.

- Ele é bem competitivo, mas é fora dos limites, não gosto de caras assim – ela deu um sorrisinho safado – Prefiro caras como você, Grover. Simpáticos, engraçados.

Ele, assustado, ergueu uma das sobrancelhas.

- Ué, o que foi? Você não é tudo isso?

- Er... É genético, não sei, talvez – disse totalmente sem graça – Mas eu nunca me namoraria, se eu fosse mulher. Ou homem, sei lá!

Bianca riu e passou a mão em seu braço musculoso numa espécie de carinho.

- Tão engraçado, tão fofo e deve ser tão bom de cama!

- Er... Eu preciso ir! – disse ele acelerando o passo, sem graça, todo vermelho de vergonha.

Antes que ele tomasse distância, Bianca gritou por seu nome, ele olhou por cima do ombro querendo saber o que era.

- Você e a Thalia não estão namorando, não é mesmo?

Ele pareceu preocupado, olhou par aos lados verificando se ninguém estava escutando e em seguida se aproximou, falando baixinho.

- Ei... Quem disse isso? Shhhh, ninguém pode ouvir uns absurdos desses. Está doida?

- São apenas os boatos, eu não tenho culpa se eles estão correndo por aí. Sabe como é a escola, não é mesmo? – ela deu um sorrisinho – Só os boatos conseguem ser mais rodados do que a própria Thalia!

- Escuta – Grover a segurou pelos ombros – Não fala assim da Thalia, ok? E outra coisa, pare de falar isso, não é verdade! – ele parecia mesmo preocupado, não estava mais sorrindo, no entanto Bianca estava toda empolgada com o assunto.

- Acho que Percy não ia gostar muito de saber... Sabe? Aliás, se eu fosse você, eu falaria para ele antes que qualquer outra pessoa o contasse. Aposto que ele ficaria furioso – Bianca olhou para Percy por cima do ombro que estava jogando a bola de basquete no aro. Bateu na ponta e caiu, Percy deu um soco de raiva no ar – Furioso mesmo! – acrescentou ela arregalando os olhos.

- Ok, ok, pare de falar essas coisas e... Sim, eu sou bom de cama! – ele virou as costas e saiu correndo na direção de Percy.

Ele estava batendo a bola na quadra, girou o corpo de lado e arremessou a bola com os dois braços no ar virados para a tabela de basquete. Ponto, comemorou todo feliz.

- Ei, Grover, já não terminamos o treino? O que está fazendo aqui?

- Nada – disse inocentemente com um sorrisinho meio broxante de lado – Eu vim apenas conversar com meu... meu melhor amigo!

Percy, surpreso, parou de prestar atenção no jogo e olhou para Grover.

- Fala aí, quanto você precisa dessa vez? 200 dólares, é isso? – insinuando que a puxação de saco de Grover era apenas por dinheiro.

- Não, cara, não é nada disso. É apenas que... Eu queria conversar com você sobre algumas coisas – disse olhando para o amigo, tirando-o de seu foco.

- Certo, vamos conversar, acho que já acabei aqui – disse olhando para a bola aposentada no canto da quadra, após ter feito a cesta.

Os dois foram andando lado a lado em direção à saída da quadra, Grover ao seu lado, apreensivo, querendo contar toda a verdade sobre os seus sentimentos por Thalia, sabia que corria sério risco de Percy ficar bravo no começo mas aos poucos ir aceitando a situação.

- Eu... Eu estou gostando mesmo de alguém, cara!

Percy, desde então, já ficou surpreso com o tipo de diálogo que os dois teriam dali para frente.

- Sério? Que bom, cara, há muito tempo não corre atrás de alguém...

Grover riu, porque no fundo sabia que era verdade independente de estar com Thalia ou não.

- É que... Você conhece essa pessoa! – disse Grover parando de andar. Percy parou também e o olhou diretamente.

- Eu? Conheço? Quem? – ele pareceu um pouco preocupado, Grover ainda não sabia de sua relação com Annabeth. E se... Grover estivesse a fim de Annabeth? Como eles seriam amigos dali para frente? – Espero que não seja...

- Não, não é ela – cortou Grover começando a suar, mesmo parado, achando que estavam falando de Thalia – Não é essa pessoa que você está pensando.

Grover falava de Thalia, enquanto Percy estava preocupado se era Annabeth, como eles não haviam citados os nomes, ficaram achando que estavam falando da mesma pessoa.

- Er... Ufa, que alívio – Percy deu uma pancadinha no ombro de Grover – Então, quem é essa pessoa misteriosa?

- É... É a Hermione – e foi a primeira pessoa que lhe veio a cabeça.

Percy abriu a boca em formato de "O", pego de surpresa. Hermione nunca ficaria com Grover nem nos seus piores pensamentos, não fazia mesmo o seu estilo, e vice-versa.

- Hermione – repetiu Percy chocado – Eu... Nem sei o que dizer ou aconselhar, eu só digo que... Uau, uau mesmo. Vai fundo, se é isso o que achar que deve fazer!

- Eh... Er... Bom, obrigado – disse com as mãos no bolso, envergonhado.

- Ok, vamos beber.

- Yeay, vamos beber! – comemorou Grover mais pelo fato da conversa ter acabado do que de estarem saindo para beber.

E, juntos, eles deixaram a quadra, conversando sobre outras coisas esquisitas. Enquanto isso, a quadra ficou vazia, e a bola de basquete jogada no canto.

- fim da música: Let It You -

10 de abril de 2006.

Annabeth bateu na porta do escritório de sua mãe, ela sussurrou um seco "entre", a garota empurrou a porta e viu a escrivaninha lotada de outros papéis espalhados.

Ela estava ocupada, com seus óculos apoiados no nariz, olhando alguns relatórios e anotando rapidamente no notebook algumas coisas importantes.

Sorrateiramente, Annabeth foi se aproximando, sem tirar os olhos da expressão de sua mãe, parecia mais velha, preocupada, séria. Percebeu que demorou um tempo para ser notada, então Atena tirou os óculos da face e olhou para filha.

- Alguma coisa importante, Anna? Você nunca costuma me interromper quando estou trabalhando – disse Atena meio seca. O que era bem difícil, Atena dificilmente a tratava mal.

Annabeth a olhou, sua mãe estava cada dia mais irreconhecível, diferente daquela mulher no aeroporto que a acolhera com um sorriso, abraço e todo carinho do mundo. Como uma verdadeira mãe. Agora estava mais para madrasta.

- Nada. É só que... – Annabeth tentou dizer alguma coisa que veio em sua cabeça, organizou as palavras rapidamente mas não conseguiu dizer nada – É só que... Está tudo diferente!

- Diferente? Como?

- Durante essas últimas semanas você esqueceu de me pegar na escola todos os dias, não justificou, não me ligou e... E me trata como se eu fosse uma qualquer!

- Negócios, Annabeth. Eu estou ocupada, é só isso, minha filha! – disse ela com os óculos nas mãos, piscando várias vezes ao falar com a garota.

- Espero que seja só isso mesmo – disse Annabeth notando a indiferença de sua mãe, seus olhos arderam em lágrimas.

Sabia que não era só isso. Tinha certeza, absoluta.

- Espero mesmo... – Annabeth virou as costas e foi deixando o escritório. Olhou mais uma vez por cima do ombro, e como se nunca tivesse se importado na vida, Atena estava trabalhando novamente em seus relatórios como se não tivesse sido interrompida.

Annabeth enfiou as mãos no rosto e só desabou em lágrimas quando estava em quarto, segura de que ninguém a ouviria com a cabeça enterrada no travesseiro.

15 de abril de 2006.

Thalia ainda estava suando, encarando o teto, deitada do lado esquerdo da cama. Ao lado direito, não podia estar ninguém menos que Grover, o menino que ela vinha mantendo relações sexuais nos últimos dias após descobrir que os dois juntos – magicamente – tinham as melhores sensações do mundo. Como se tudo no mundo se encaixasse, como a tampa e a panela. Como o... E a... Enfim, deixa para lá!

- Foi bom para você? – perguntou ele ainda transpirando, suando muito após três horas seguidas (orra!) sem parar.

- Não – disse ela voltando à realidade, toda ofegante – Eu... Eu ainda acho que falta alguma coisa em você, talvez mais alguns centímetros!

- Você parecia gostar há 10 minutos atrás – murmurou baixinho ao lado dela. Ele depositou um beijo em seu rosto, ela empurrou a boca dele com as mãos.

- Sai para lá. Eu só quero tomar um banho, pentear os meus cabelos e ir dormir – ela se enrolou em volta do lençol e foi ao banheiro.

Grover ficou esperando ela sair, enquanto isso foi se vestindo pouco a pouco. Ela saiu toda molhada, enrolada na toalha, cheirosa. Ele simplesmente a olhou.

- Sabe, Thalia, desculpa se eu te ofendi aquele dia, desculpa mesmo – disse ele com os olhos baixos – Eu gosto de você de verdade.

- Eu... Eu também gosto de você – disse ela o olhando, incrédula mas confiante nas palavras – Eu, eu não vejo problemas em você, eu acho que foi tudo ótimo, tudo perfeito. Você é sempre carinhoso e... – ela parou de falar percebendo que estava falando mais do que deveria – Eu acho que estou gostando mesmo de você, Grover.

- Isso é bom – disse ele dando um sorriso – Eu também estou gostando de você!

Ela ficou em pé, de repente, preocupada, mordiscando levemente a unha.

- Não, Grover, não. Isso não é bom, quero dizer, o Percy, ele nunca vai aceitar isso. Quero dizer, ele não pode nem sonhar que estamos juntos, você é o melhor amigo dele...

- O Percy nem comenta mais sobre você – disse Grover sinceramente – Ele tem reparado muito na aluna nova, a tal de Annabeth.

- Eu o conheço, ele ficaria possesso da vida em saber que estamos juntos – Thalia se aproximou, preocupada. Grover também ficou em pé, eles ficaram frente a frente – Acho que... Acho que devíamos parar por aqui, antes que as coisas se tornem mais sérias, Grover.

- O que você quer dizer com isso? Voc... Você está terminando comigo?

- Estou – disse ela piscando – Nós vamos enterrar isso o quanto antes. Ninguém mais pode descobrir.

Os olhos de Grover marejaram de lágrimas por breves instantes.

- Você gosta de mim? E quer se afastar? Não quer lutar para isso dar certo. É isso mesmo o que eu entendi?

Thalia o encarou, silenciosa, não havia o que responder, estava em seus olhos, em seu próprio silêncio. Grover assentiu, abaixou a cabeça, pegou seu celular, a chave de seu carro e deixou o quarto para sempre.

15 de abril de 2006.

Música: Belle of Boulevard – Dashboard Confessional

Youtube:

/watch?v=-RqS9GclPcg

Hermione olhou para o seu copo cheio de vodka. Estava pensando em ficar bêbada novamente, como quando terminou com Rony, e por fim, acabou ficando com um desconhecido. Apenas por vingança, teimosia, nada daquilo era porque realmente queria.

- Eu... – ela segurou o copo cheio de vodka e ia virar goela abaixo quando ouviu um grunhido de choro vindo de seu lado esquerdo, deixou o copo de lado e viu um garoto debruçado sobre o balcão, na mesma situação que ela há algumas semanas. Com o rosto molhado em lágrimas, ele estava bebendo como se o mundo fosse acabar. Ele resmungava alguma coisa em outra língua, ao levantar o rosto novamente, ela o viu de perfil – Grover. O que está acontecendo?

Abandonando completamente a sua bebida e o seu lugar, Hermione saltou na direção de Grover preocupada. Ela o segurou pelo braço impedindo que levasse outro copo de vokda à boca. Brava, Hermione olhou para o garçom.

- Você não vê que ele está quase em coma alcoólico e continua empurrando bebida para ele? Você é retardado ou o que?

Ele simplesmente murchou os ombros, envergonhado consigo mesmo.

- Não vou deixar que façam com você o que eu fiz comigo mesma – Hermione o segurou pelo braço, ajudou-o a ficar em pé, estava cambaleando de tão bêbado – Vamos, vou levar você para minha casa!

- Eu... Eu... Eu... – Grover agarrou Hermione pela gola de suas vestes e a beijou de leve nos lábios.

Sentindo um enorme bafo de álcool puro, ela se afastou, segurando-o e tentando equilibrar-se ao mesmo tempo.

- Grover, não seja imbecil, não faça isso. Agora vamos, vamos porque eu sou amiga e eu vou te ajudar. Tem um espaço para você no meu quarto essa noite. E... Não, não vou transar com você!

E tentando mantê-lo em pé, ela o arrastou até a rua, levantou o braço chamando desesperadamente por um táxi.

15 de abril de 2006.

Hermione colocou o ouvido na porta e ouviu Annabeth chorando. Achou melhor não atrapalhar e não dizer que Grover estava em seu quarto, dormindo profundamente após um banho bem gelado.

Voz de Annabeth: Um escrito muito famoso disse que as paredes têm ouvidos, imagine-se o tamanho que terão as orelhas das estrelas?

Na ponta do pé, Hermione tirou o ouvido da porta e voltou no meio da escuridão para o seu quarto. Grover dormia como um anjo em sua cama, ela trancou a porta ao passar, foi até o chão, puxou a coberta e o cobriu até o queixo.

Ela olhou para a poltrona no canto do quarto, buscou um travesseiro e um edredom no guarda-roupa, com isso, ela se ajeitou e desejou um:

- Boa noite, Grover – sussurrou e fechou os olhos, sentada e desconfortável, mas prestes a ajudá-lo a se recuperar do que estivesse sofrendo.

15 de abril de 2006.

Annabeth está segurando uma foto sua e de sua mãe. As duas sorriam, eram anos atrás, um passado bem distante.

Voz de Annabeth: Uma vez, um escritor, escreveu: "Gostar é provavelmente a melhor maneira de ter, ter deve ser a pior maneira de gostar."

E ela continuou a chorar com o retrato nas mãos.

Voz de Annabeth: "Se você tem um coração de ferro, faça bom aproveito dele, porque eu... Eu tenho um coração de carne e que sangra o dia todo!"

15 de abril de 2006.

Percy estava debruçado sobre o balcão, era uma loja bem feminina, para ser sincero. Só tinham atendentes e tudo em volta reluzia a ouro ou prata. O balcão todo de vidro, ele apontou para dois pares de alianças.

- Eu quero essas!

- A sua namorada é uma garota de sorte – disse a loirinha balconista – Muito bem escolhido. Vai levá-las?

Voz de Annabeth: E disse também, o mesmo escritor: "Não tenhamos pressa, mas também não percamos tempo."

- Annabeth é especial. Ela merece! – disse ele orgulhoso para a mulher.

Ela sorriu enquanto agachava para pegar as alianças cheias de pedrinhas de ouro branco.

15 de abril de 2006.

Thalia estava guardando as suas coisas de cheerleader na mochila, achava que estava sozinha no vestiário, quando a voz de Bianca a surpreendeu por trás.

- Eu sei que você e o Grover estão juntos. E estou sinceramente decepcionada com o fato de você não ter me contado isso, Thalia – Bianca estava de braços cruzados – Que bela amiga é você, não?

Ela a encarou. Os olhos de Thalia encheram de lágrimas.

- Nós não estamos juntos...

Voz de Annabeth: Esse escritor é tão incrível que ele mesmo disse: "Há esperanças que é loucura de se ter"... Sabe por que?

- Não minta, para mim. Não seja falsa, Thalia, não...

Thalia a cortou.

- Nós terminamos – ela jogou a mochila em cima do ombro, fez o contorno e deu a volta em Bianca, não sem antes passar em seu ouvido e sussurrar – Pode ficar com ele.

Voz de Annabeth: "Porque, eu te digo... Porque se não fossem essas esperanças, eu mesma já teria desistido de viver."

Bianca ficou para trás, boquiaberta, vendo Thalia sumir nas escadas em direção à saída.

15 de abril de 2006.

Atena estava arrumando as suas coisas para dormir, segurou o telefone com força e ligou para o número de seu ex-marido, que provavelmente estava dormindo esse horário.

Voz de Annabeth: Você já ouviu essa frase famosa:"O que seria de nós se não sonhássemos? Se não fugíssemos da realidade por uns instantes?". Então, é do mesmo escritor.

- Atena, que horas são? Por que está me ligando esse horário?

- Eu... – ela começou a chorar – Eu estou perdendo a minha memória para sempre. Eu não sei quem eu sou, não sei o que estou fazendo, não sei quem é a minha filha. Eu... Eu preciso de ajuda!

E desabou em lágrimas, em seguida, desligou o telefone, jogando-o com força na base. Puxou o fio do telefone com violência da tomada para que não retornassem a ligação.

E chorou.

Voz de Annabeth: E, por fim, uma de suas últimas frases foi: "a lucidez, é um luxo que nem todos se podem permitir".

Atena pegou um remédio em cima da escrivaninha e tomou, bebeu água em seguida e dirigiu-se para a cama, puxando as cobertas, deitada, querendo dormir.

Voz de Annabeth: E que José Saramago descanse em paz!

Continua no próximo episódio...

Nota do Autor: Todas as frases lidas por Annabeth no final desse capítulo são de José Saramago. Esse capítulo foi em homenagem a ele. Um excelente escritor, um cara com uma visão extraordinária do mundo e da vida. Eu simplesmente fui apaixonado por seus poemas e livros, principalmente o famoso "ensaio sobre a cegueira", que apesar de, ser um porre para ler por falta de pontos, vírgulas, travessões, é ótimo. Você lê naturalmente, entendendo tudo, entra no ritmo do livro, se encanta, se apaixona, etc. Enfim, todas as frases citadas foram dele. E que ele descanse em paz...

Nota do Autor (dois): Saindo desse 1 minuto de silêncio em homenagem ao Saramago, encontramo-nos em meados aos gritos (irritantes) das vuvuzelas. Parabéns Brasil, parabéns time, odiei a escalação do Dunga, mas é isso aí, bola para frente (literalmente!). Estamos torcendo por você, Brasil!

Nota do Autor (três): Gostaram das músicas? Esse capítulo tiveram duas! Espero que sim...

Nota do Autor (quatro): Preciso muito, muito, MUITOOOO da ajuda de vocês. Se alguém souber o nome do pai da Annabeth, PELOAMORDEDEUS, me manda um e-mail, uma review, um tweet, QUALQUER COISA falando... Porque eu preciso do nome dele para o próximo capítulo. Ele é fundamental nos próximos capítulos, ele vai aparecer muiiiiiito! Obrigado.

Respondendo as perguntas!

Thalia e Percy? Grover gay? – by Luizah. By Baahs.

Hmmmmm, acho difícil dizer "não" para uma das perguntas. HAUHAUHAUHA, uma elas é sim, ou as duas, não sei, quem sabe. Não posso falar spoilers, ia estragar toda a fanfic, Luiza, mas você e a Baah estão no caminho certo, hehehehe!

Quem será que a Hermione vai ficar? – by Ghata Granger.

Olha, eu tenho duas opções para ela. E nesse capítulo, uma delas está muito na cara, hauhauhauhau. Espero que tenha gostado.

Percy e Anna vão ficar juntos até o final da temporada? by Annie Chase. By Karol. By Nandinha.

Hmmm, para a primeira pergunta, eu vou ser bem sincero, nãooo. Percy e Annie irão se separar até o final dessa temporada. Problemas surgirão o quanto antes e irão separá-los.

Na segunda temporada, Percy e Annabeth estarão juntos? – By Nandinha.

Eles vão começar separados, mas o Percy fará de tudo para reconquistar a Annabeth. Eles ainda se amam, eu garanto disso. Ela o ama, mas estará "chovendo na horta" dela, muitos caras em volta dela e o Percy concorrendo para reconquistá-la. Será uma disputa difícil, hehehehehe!

E a Annabeth vai ficar grávida? Quando vai ser o campeonato? Vai ter uma festa? – by Annie Chase.

Annabeth grávida? Bom, talvez... Mas não acho que seja o momento ideal para ela agora, ela terá seu destaque mais para frente. E o campeonato será no final do ano, provavelmente em um dos últimos capítulos e terá festa, claro, se Hogwarts ganhar, hehehehe. Vamos torcer, porque eu ADOROOOO festas, sempre tem bafões, hehehehehe.

Thália ficará grávida do Grover? – by Karol. By Biiiip.

É uma possibilidade, é uma possibilidade.

O que está acontecendo com a Atena? – By Melissa Jackson. By Ariel Maria.

Ela está em depressão e perdendo a memória, tudo ao mesmo tempo. Obrigado por ter perguntado, hauhauhauhuaha, queria muito que alguém tivesse perguntado isso antes.

A pessoa que ficará grávida já apareceu na fanfic? Todos os personagens de Harry Potter irão sair? Com quem a Hermione irá ficar? – By Ariel Maria.

Sim, a pessoa que ficará grávida já apareceu na fanfic e aliás apareceu em quase todos os capítulos – eu acho. E a maioria dos personagens de Harry Potter irão sair, restarão somente Rony e Hermione, ninguém além dos dois, hehehehe. E a Hermione? Bom, ela ficará com alguns, alguns, não posso dizer ainda, desculpa, seriam spoilerssssss e estragariam a fanfic!

AGRADEÇO A TODASSSSSS REVIEWS, todas maravilhosas, fantásticas, amei, amei, amei. Obrigado e... Me ajudem, por favor, preciso saber o nome do pai da Annabeth para o próximo capítulo. Obrigadooo!