Capítulo 10 –
Trabalhar com a mente.
- 02 de maio de 2006 -
O céu está escuro, as estrelas ainda piscando, a lua cheia parada no mesmo lugar de sempre, iluminando toda a cidade de Nova York. É possível ver algumas acesas em um prédio branco no centro da cidade.
Voz de Atena: Esses dias, eu descobri que não existe sorte ou azar, a vida é simplesmente feita do modo como a construímos, como a moldamos. Somos nós quem tecemos as nossas próprias histórias, guiamos os nossos caminhos. Se alguma coisa falhar, se em algum momento dar errado, não culpe ninguém, não culpe Deus, ninguém tem culpa, além de você mesmo. Acredite nisso e reflita!
Há um casal se beijando na sacada de um prédio, com aproximadamente quarenta e poucos anos, a mulher de roupão azul passava as mãos por trás da cabeça do homem loiro, olhos claros, e os dois estavam enroscados uns nos braços do outro, até que...
- Não, Atena, eu não posso. Isso não pode estar acontecendo mesmo... – Frederick ficou desesperado após se afastar do beijo, segurou os braços fininhos de Atena em sua frente. E os seus olhos se fechavam, sacudia a cabeça de um lado para o outro numa espécie de arrependimento.
Atena não soube dizer nada, não havia o que falar, ele estava se esquivando do beijo após tê-lo feito intensamente como no passado. Foi uma espécie de saudade que batia ainda mais forte no peito quando as bocas se tocaram. Ela o queria, ela não podia negar, ela ainda o amava. Apesar de toda a sua vida independente, ser uma executiva de primeira classe, ser dona de sua própria empresa, ter todo o dinheiro do mundo e ser muito mais sucedida do que o próprio marido com o esforço, ela era fraca de coração, ela ainda era apegada ao passado, às carícias do ex-marido, ao seu sorriso, seu bom dia, seu jeito de segurar os seus braços e tocá-la. Os seus olhos se encheram de lágrimas, sem compreender o que acontecera, ela o encarava, chocada.
- Eu... Eu sou casado, Atena. A minha esposa está me esperando do outro lado do país, e eu simplesmente não posso deixar as coisas se misturarem dessa forma. A minha vida não pode tomar uma decisão diferente daquela que eu tomei.
- O nosso casamento já estava desgastado, Frederick – ela parou com a respiração falhando, a vontade de chorar amarrada no peito, a voz trêmula acompanhando o ritmo dos lábios, puramente em choque – As coisas são diferentes agora, nós podemos tentar fazer dar certo.
Frederick largou os seus braços, deu um suspiro preocupado, fechou os olhos e se afastou com uma das mãos na cintura. Ele estava mesmo preocupado, os seus gestos denunciavam tudo isso. Passou a mão de frente para trás nos cabelos loiros e ondulados, com o olhar voltado para o piso de mármore da sacada. Ao erguer o olhar, Atena ainda o encarava, com os olhos azuis, congelados.
- Temos que encarar a situação, encarar a verdade, Atena. Esse casamento já falhou uma vez e... Eu segui em frente – ele disse sem medo de magoar, olhando-a – E acho que está na hora de você fazer o mesmo – ele a olhava – Eu sinto muito, eu estou aqui para te ajudar a sair dessa, eu prometi isso a você e vou fazê-lo, mas desde que isso não envolva os meus reais sentimentos pela minha atual esposa!
Aquelas palavras cortaram o coração de Atena como navalhas, ela fechou os olhos, as lágrimas inevitavelmente escorreram passando pelas bochechas com pressa e caindo no roupão azul-bebê.
- Eu sinto muito, Atena, mas história veio, aconteceu mas passou... – ele assentiu com a cabeça, olhando para os próprios pés, ele saiu da sacada, deixando o frio estabelecer-se completamente naquele lugar. Um frio que subia as pernas de Atena, rodopiava com o seu estômago, trincava o seu coração, bloqueava o seu cérebro e congelava a sua alma.
Atena mordiscava o próprio lábio, nervosa, entristecida, com a única possibilidade rompida de tê-lo novamente em seus braços, ele havia deixado bem claro que estava com outra pessoa, tinha escolhido ela a voltar a construir a história com sua família Atena, Annabeth. A verdade é que ele tinha uma outra família a cuidar.
Atena colocou a mão dentro do roupão, tirou o seu celular, abriu-o e rapidamente procurou o nome de seu psicólogo na agenda: Gabe. Ela rapidamente colocou o telefone para funcionar. Era tarde da noite, sabia disso, provavelmente ele devia estar dormindo, mas não se importava, a dor que ela sentia era muito maior. E ainda que estivesse dormindo, podia deixar um recado na secretária eletrônica, e como previsto, foi exatamente isso o que aconteceu.
- Eu sinto muito, Sr. Gabe, sinto muito por ligar nesse horário e te deixar preocupado, é que eu só queria saber se estou fazendo o certo, tentando recomeçar, porque... Quanto mais eu tento esquecer o meu ex-marido, mais ele não sai da minha cabeça, do meu coração. Ele é a única pessoa que consegue me fazer sentir melhor, não acho que exista outra maneira e... – ela enxugou as lágrimas com as palmas da mão, estava chorando ainda mais forte – Eu não posso, eu não posso fazer mais nada. Eu não estou me sentindo muito bem ultimamente. E não mereço isso, não mereço isso mesmo!
Atena está desesperada, andando de um lado para o outro, falando sem parar no telefone enquanto chora e respira, tudo ao mesmo tempo. As luzes continuam piscar no céu, as nuvens aparentemente estão no mesmo lugar e a lua também.
Voz de Atena: Eu disse, as escolhas, a nossa vida, somos nós mesmo que construímos. Não fuja dos seus desafios, enfrente-os enquanto você pode, sinta-se preparado para isso, porque se você os ignorar, eles voltarão e pegarão você desprevenido.
Vemos alguém subir na sacada, colocar os dois pés. E pular.
Athena sacode a cabeça, e afasta os pensamentos.
- 03 de maio de 2006 –
- E o que você fará quanto a isso? – perguntou Grover enquanto arremessava a bola na cesta e marcava um ponto – Você vai contar a ela que Thalia passou a noite na sua casa?
Percy arremessou a bola e errou a cesta, estava preocupado pensando em outras coisas, não conseguia se concentrar muito bem, alguma coisa o impedia de fazer com que as coisas saíssem perfeitamente normais.
- Não sei se é necessário, quero dizer, não rolou nada com a Thalia. Ela só foi a uma festa, ficou bêbada e apareceu na minha casa.
Grover tinha falado com ela no celular minutos antes de sair com Hermione pela noite afora. E de fato, Thalia estava mesmo muito alterada no telefone, foi exatamente por esse motivo que ele resolveu sair com outra pessoa naquela noite e tentar esquecer o passado. No entanto, ele não podia demonstrar muita preocupação ou interesse no assunto, tentou ser o mais sutil possível.
- Ela disse sobre estar saindo com alguém – Percy parou franzindo o cenho, com a bola nas mãos – Por acaso... Você e a Thalia não estão... – Grover engoliu em seco, ficou ligeiramente vermelho e olhou para o chão. Percy parou de falar, encarando-o por mais alguns segundos, piscou várias vezes e sacudiu a cabeça – Esquece, deixa para lá!
Grover sentiu que saiu ileso por muito pouco daquela pergunta, Percy demonstrara algum tipo de desconfiança e isso era realmente um grande risco a correr. Resolveu mudar de assunto o quanto antes.
- Não acho que há necessidade de contar a Annabeth, ela só vai ficar brava à toa com você, não é mesmo? Quero dizer, não aconteceu nada, não precisa se preocupar com isso, cara! – aconselhou Grover vendo Percy marcar um ponto, correu para buscar a bola laranja que quicava sozinha na quadra.
- Você acha mesmo? – perguntou Percy contrariado, alguma coisa dizia que ele não deveria mentir. E mesmo que devesse, não gostava de passar por esse tipo de situação, odiava mentir e não era o tipo de cara que costumava ser. E nem mesmo Annabeth era o tipo de garota que merecia ouvir mentiras do próprio namorado.
- Claro, é pelo bem do namoro de vocês, puxa vida! – Grover arremessou e marcou – Concorda?
Percy pegou a bola, parou, pensativo, com ela nas mãos. Ele olhou para a cesta e arremessou.
- Você tem razão, falando nela...
Annabeth apareceu carregando a mochila nas costas, segurando a alça com uma delas, depositou um beijo seco nos lábios de Percy e o olhou com os olhos espremidos de quem não tinha dormido muito bem a noite anterior.
- Podemos dar uma volta? Eu preciso conversar um pouco!
Ele trocou um olhar surpreso com Grover, que fez do tipo "o problema não é meu, meu amigo!" e continuou a brincar com a bola de basquete.
Percy, andando ao lado de Annabeth, percebeu que o clima estava um pouco tenso, perguntou-se sem necessariamente falar em voz alta, se Thalia já não teria contado alguma coisa para ela. No entanto, Thalia estava tão mal pela manhã, conforme havia verificado antes de ir ao colégio e ela não parecia em condições para sequer levantar, imagina discar para Annabeth e fofocar alguma coisa. Achou melhor continuar de bico fechado.
- Então, fiquei esperando a sua ligação ontem à noite. Por que não me ligou? – perguntou Annabeth com as mãos segurando as duas alças da mochila.
- Eu estive ocupado – disse sem graça, coçando a nuca – Er... Dormindo.
Annabeth sorriu, dando um suspiro de alívio, ela o beijou nos lábios com mais calma e olhou em seus olhos.
- Que bom. Achei que tivesse alguma coisa para me contar... – ela o olhou. Percy abriu a boca para dizer alguma coisa, ela continuou esperando, por fim, ele apenas disse.
- É, não teve nada.
Annabeth sorriu ainda mais, deu um beijo em seu rosto e saiu andando.
- A gente se vê por aí – e tudo estava bem novamente.
Ao dobrar o corredor, Annabeth caiu sentada rente à parede, com as mãos no rosto tentando não solucionar. Percy Jackson, seu namorado, mentira na cara dura. E ela sentia-se traída, de alguma forma. Não suspeitava que Percy tivesse ficado com Thalia, talvez nunca o fizera.
Mas era doloroso conviver com um "talvez". Para sempre, um talvez.
Vemos alguém subir na sacada, colocar os dois pés. E pular.
- 06 de maio de 2006 –
Era muito incomum ver Grover fora da quadra, ainda mais incomum era vê-lo sem Percy – seu melhor amigo – ao seu lado, Hermione aproveitou a oportunidade, pôs-se sentada ao lado dele, com um sorriso meio torto nos lábios prestes a escancará-lo.
- Como passou o dia? – era uma pergunta que vinha se acostumando a fazer desde que eles tinham começado a sair todos os dias.
- Treinando, suando, fedendo, mas até que agora estou cheiroso – comentou ele abrindo um sorriso. Hermione correspondeu também com um olhar íntimo.
Ele a olhou, por um momento, ficaram assim, em silêncio, conversando através do olhar apaixonado, encantador. Eles se aproximaram, até que Grover inclinou-se mais de perto, beijando-a nos lábios de leve. Um beijo calmo, sem muitas delongas, mas o suficiente para atrair a atenção de todos os que estavam em volta. Ele fizera de propósito.
- Tornando isso oficial? – perguntou ela abrindo os olhos lentamente após se afastar do beijo – Quem diria, hã? Tão rápido e tão oficial! – ela sorriu, ele fez o mesmo.
- Estranho, mas isso é bom. Mesmo que tenhamos começado cedo, eu quero ir além disso com você – ele murmurou.
Três cadeiras para o lado, Thalia conversava animadamente com uma de suas melhores amigas, também cheerleader, mas no entanto, elas não riam mais, pararam para observar Grover e Hermione se beijando no meio da cantina da escola e nunca pararam para pensar no quanto isso era diferente, ou talvez "estranho" fosse a palavra correta. Eles se beijavam como um casal recém-apaixonado, isso fez com que o estômago de Thalia rodopiasse numa espécie de nojo, as suas amigas também estavam espantadas mas era de um jeito diferente.
- Uau, quem diria que uma babaca daquelas pegaria um cara tão musculoso e gostoso? – perguntou Rachel mordiscando um pedaço de Ruffles com um "crack".
- É uma retardada mesmo, só quer alguém follower no twitter além da mãe dela! – comentou a loirinha ainda com o uniforme de cheerleader, evitando comer coisas que engordavam, do tipo, alface. Não era à toa que era vista como anoréxica.
- Ouvi dizer que ela está grávida e ele está ficando com ela por pena – sussurrou uma morena de olhos claros se aproximando das três garotas.
- E você, Thalia? Não vai comentar nada, só vai ficar com essa cara da palerma azeda? – queixou-se a loirinha rindo, as demais repararam na cara de Thalia também.
Thalia saiu de transe, olhou para as amigas que estavam com os rostos em sua direção, tratou logo de dizer.
- Eu... Eu acho que eles se merecem, só isso! – ela pegou a bolsa, passou pelos ombros – Eu estou indo na biblioteca estudar!
As amigas riram histericamente, com as mãos na barriga como se estivessem doendo de tanto rir.
- Grover e Hermione? Thalia e biblioteca? O que diabos está acontecendo com essa escola? – gargalhava Rachel repetindo.
Thalia pouco se importava com os comentários, ela se importava com o rumo que eles estavam tomando. E se fosse verdade? E se Grover e Hermione estivessem mesmo tão apaixonados um pelo outro a ponto dela sobrar? O que aconteceria dali para frente?
As mesmas perguntas rondavam a cabeça de um certo ruivo, que estava parado na porta da cantina, tinha acabado de chegar com a sua fã (que vivia pulando em seus braços sempre que podia), no entanto, ele a largara para ficar encarando Grover e Hermione juntos e próximos.
Ele não conseguia pensar em mais nada, só queria respirar, sair dali daquela movimentação toda e ter um pouco de privacidade, longe daquelas bocas ridículas se beijando.
Rony também estava tomando o mesmo rumo que Thalia, o rumo de suas próprias casas. O quão ridículo era aquilo?
Vemos alguém subir na sacada, colocar os dois pés. E pular.
- 07 de maio de 2010 –
Annabeth estava passando com o olhar firmado nos pés, arrastando-se praticamente entre uma aula e outra, estava sozinha pelos corredores quando foi surpreendida com um puxão pelos braços até o canto entre dois armários, estava acostumada com essas atitudes de seu namorado (podia chamá-lo assim?), Percy. Só que ela estava com um péssimo humor e não gostava de ser puxada assim quando estava pensativa, concentrada em outras coisas. Ele já foi logo beijando-a nos lábios, todo carinhoso, com as mãos em sua cintura.
- Então... O que achou de Grover e Hermione? Nós bem que podíamos assumir o nosso namoro na frente de todos eles, não acha? – perguntou ele com um sorrisinho nos lábios, escondendo a empolgação. Estava doido, na verdade, para entregar as alianças que havia comprado, ela com certeza ia adorá-las quando visse.
- Eu... Eu estou menstruada, eu quero ir embora – disse Annabeth passando a mão nos cabelos, desviando o olhar novamente para o chão e desvencilhando-se dos braços de Percy, não sabia se conseguia sentir a mesma coisa por ele depois de todas aquelas mentiras.
Ela foi se afastando pelo corredor, ele resolveu verificar o que estava acontecendo de fato, porque sabia que não era só por esse motivo. Andando ao seu lado, ele se perguntava porque eles estavam sem se falar durante aquela semana toda.
- Anna, a gente precisa conversar – disse ele postando-se ao lado dela – O que está acontecendo? Por que as coisas estão estranhas entre a gente? Nós precisamos conversar – ele estava mesmo preocupado com ela.
Annabeth franziu a testa, com os olhos pequenos, ela o olhou, firme.
- Você só pode estar de brincadeira, certo? – devolveu ela sendo um pouco irônica.
- Não, o que houve? – ele colocou as duas mãos nos ombros dela – Você está diferente comigo.
Annabeth se desvencilhou mais uma vez, afastou-se em seguida e disse de costas.
- Eu preciso estudar, com licença! – dessa forma, ele não podia ver as lágrimas que brotavam no canto de seus olhos.
Vemos alguém subir na sacada, colocar os dois pés. E pular.
- 10 de maio de 2006 –
Atena estava sentada em uma poltrona confortável enquanto o psicólogo utilizava de seus instrumentos de trabalho para fazer as palavras dela se tornarem escritas, e de alguma forma, tornar aquilo concluso. Ela respondia as suas perguntas, emendava em suas frases e o monólogo fluía como o desenrolar de um fio embolado de lã. Era simples assim.
- E... Eu não sei mais o que fazer, porque eu continuo apaixonada por ele. E as coisas não são como antigamente, ele já deixou bem claro que tem outra família e que ama a nova esposa dele – ela dizia com os olhos cheios de lágrimas, embora tivesse chorado a noite inteira, agora estava mais calma, menos estressada com tudo o que acontecia.
O psicólogo anotava tudo, paciente, ouvindo cada murmúrio exclamado por ela. Ele a olhava, com um certo ar de piedade, no entanto, sabia o valor que ela tinha, era bonita, jovem, inteligente. E pouco a pouco, o tempo foi passando até que acabou o seu horário, ela agradeceu e se levantou, com o casaco em mãos. Abaixou a cabeça, triste, porque ela gostaria de permanecer ali o dia inteiro, desabafando. Quando se passa por momentos difíceis, a pessoa nunca percebe o quanto está se tornando enjoativa de tanto conversar. Só quer falar, desabafar, falar, desabafar e assim sucessivamente.
- Senhora Atena... – chamou o psicólogo vendo-a de costas. Atena se virou, jogando os cabelos sedosos de um lado para o outro, com os olhos cheios de carência voltados para ele.
Ela fez uma expressão esquisita com a face, como quem gostaria que ele continuasse a falar.
- Você é linda demais – ele murmurou meio abobado, aproximando-se lentamente da mulher a sua frente. Ela estava em pé, boquiaberta, com o casaco nos braços – Você não merece passar por isso...
E quando ela menos esperava, Gabe estava com uma das mãos atrás das orelhas dela, passando rapidamente os seus lábios sobre os dela, aos poucos, eles estavam se beijando no meio da sala de consulta.
Vemos alguém subir na sacada, colocar os dois pés. E pular.
- 12 de maio de 2006 –
Thalia estava conversando com as cheerleaders, rindo bastante quando a mão de Percy a pegou de surpresa, puxando-a pelos braços. Os seus olhos estavam preocupados, ele parecia nervoso.
- Thalia, eu preciso saber de uma coisa – ele a puxou para longe das amigas que olharam estranhas para Percy, ele nunca costumava a ter esse tipo de atitude, ser grosseiro com nenhuma delas, era sempre simpático.
- Está me machucando! – protestou Thalia puxando o seu braço de volta e massageando no lugar em que ele havia apertado – O que você quer? – perguntou ofendida.
Ele olhou em volta, abaixou o tom de voz e se aproximou.
- Você contou a alguém sobre aquela noite em que você dormiu em casa? Quero dizer, não aconteceu nada, mas bêbada do jeito que você estava podia muito bem ter visto coisas!
- Não, é óbvio que não, eu nunca faria isso, não há motivos para fazer nada disso – Thalia olhou chateada para ele – Por que faria pensar que eu o fiz? – Thalia o olhou e deu uma risadinha – Ah, é claro, Annabeth ficou sabendo de alguma forma. Vocês terminaram é isso?
- Quase – resmungou ele, triste, desviando o olhar para o chão – Acho que ela descobriu, mas deixa para lá, te vejo por aí – Percy ajeitou a mochila no ombro, deu as costas e saiu andando.
Na metade do caminho, Thalia gritou:
- Percy! – ele se virou – Tem uma coisa que você precisa saber... – ela se aproximou aproveitando que ele estava parado, aproximou-se calmamente e o olhou – Enquanto eu estive na sua casa, eu andei ouvindo algumas conversas sem querer.
- Quê? Você andou bisbilhotando alguma coisa? – perguntou ele meio encabulado. Ele teria ajudado ela a se reerguer uma noite dessas e ela vinha dando uma dessas?
- Não, eu juro que não, Percy. Eu só estava indo na cozinha buscar um copo de água quando escutei os seus pais conversarem alguma coisa no quarto deles, eles estavam brigando, na verdade e falaram em voz alta, eu fiquei assustada mas não pude evitar. Eu sinto muito.
- O que você ouviu exatamente? – perguntou ele franzindo o cenho.
Ela o olhou, em silêncio por alguns instantes, engoliu em seco, acabou por fim murmurando.
- Você... Você tem um irmão!
Percy ficou um bom tempo parado, com os olhos voltados na direção de Thalia tentando absorver aquelas palavras. Ele sacudiu a cabeça de um lado para o outro.
- Você... Você tem certeza disso, Thalia? É um assunto muito grave!
Thalia assentiu com a cabeça.
- Eu... Eu me certificarei disso! – ele virou as costas e saiu correndo.
Vemos alguém subir na sacada, colocar os dois pés. E pular.
- 14 de maio de 2006 –
- Eu estou cancelando todas as minhas sessões com o Dr. Gabe – disse Atena pendurada no telefone com a secretária do psicólogo. Ela estava desesperada, falando sem parar.
- Nós já percebemos, senhora. Você não tem comparecido nas últimas sessões – disse a secretária – Nós íamos entrar em contato!
- Certo, eu só estou cancelando! – ela desligou o telefone e deixou-se cair no sofá, triste, com os olhos cheios de lágrimas.
Música: How to Save a Life
Youtube: /watch?v=qw0wRfHjF5M
Os seus olhos estavam cheios de lágrimas, a campainha tocou, ela levantou em um sobressalto, tratou de enxugar as lágrimas que botavam no canto dos olhos com as mãos. Correu para atender e viu a expressão de preocupação do Sr. Gabe na porta, ele massageava o punho.
- Tive que socar o porteiro! – justificou.
Atena fechou a porta imediatamente, ou teria feito se ele não colocasse o pé no batente, de modo que sua voz vazasse pela fresta aberta.
- Eu... Eu só quero conversar. Eu vim aqui para saber o que está acontecendo, eu sou o seu psicólogo, eu tenho o direito de saber.
- Você não tem o direito de invadir a minha casa – resmungou ela baixinho.
Ele usou um pouco mais da força e empurrou a porta, assim sendo, Atena cedeu e ele adentrou, olhando em seus olhos.
- E você não tem o direito de entrar no meu coração – resmungou baixinho, com o coração de fato batendo no peito – Eu quero uma chance, eu sei tudo sobre a sua vida, sei o você precisa, sei cada detalhe seu. Por favor, deixe-me entrar – e ele já não estava mais falando da casa.
Atena se aproximou, passou os braços em volta de seu pescoço, beijando-o.
Frederick, que se aproximava, parou no mesmo instante, vendo tudo de longe.
Vemos alguém subir na sacada, colocar os dois pés. E pular.
- 14 de maio de 2006 –
Os seus pais estavam tomando café da manhã, Percy puxou a cadeira, quieto, sentou-se de frente a eles, logo perceberam a expressão do filho. Preocupados, perguntaram.
- Aconteceu alguma coisa, Percy?
- Aconteceu – disse ele levantando o pescoço – Eu fiquei sabendo... Sabendo que eu tenho um irmão. Isso é verdade?
Os seus pais se entreolharam, em estado de choque.
- Sim, é verdade! – assentiu o seu pai.
- 14 de maio de 2006 –
Annabeth estava pensando em Percy, em como as coisas estavam indo de mal a pior em sua vida, em seu relacionamento. Ela se aproximou da sacada e olhou para as pessoas em volta, caminhando de um lado para o outro, sem preocupações, felizes da vida.
Foi então, que ela teve uma ideia. Subir na sacada, ficar em pé, somente para apreciar a vista. Que mal teria?
Annabeth sacudiu a cabeça de um lado para o outro. Estava louca? Que tipo de pensamentos eram esses? Deu as costas e correu para o seu quarto, aproximou da escrivaninha, pegou uma folha de fichário e uma caneta. Ocupou-se na cadeira branca para começar a escrever.
"Percy, eu não sei aonde estamos chegando com esse relacionamento, aonde iremos, mas eu só gostaria que você soubesse que eu estou pondo um fim em tudo isso..."
Ela começou a chorar enquanto escrevia, mas não parou um minuto para enxugar as lágrimas, deixou-as que caíssem sobre a folha. Era um preço que tinha que pegar por ter sido idiota e ter acredito nele.
Parou apenas um segundo para olhar a sacada de seu quarto. As pessoas caminhando lá fora, felizes.
Ela abaixou a cabeça e continuou a escrever.
- 14 de maio de 2006 –
Rony estava remexendo em seu computador, revendo as fotos de Hermione. Lembrou-se de como ela estava feliz beijando Grover. O seu coração apertou no peito.
Não havia solução, ela estava em outra, ela seguira em frente. E ele não.
- 14 de maio de 2006 –
Grover e Hermione estavam aconchegantes em um sofá de uma Starbucks ali no centro. Estava bastante frio e eles estavam se deliciando com os cafés quentes do local, os cremes, etc. Era ainda mais gostoso porque estavam abraçadinhos, juntos, felizes.
Até que o celular de Hermione vibrou. O telefone era da sua própria casa, provavelmente era Atena ligando. Sentiu o seu coração disparar, por algum motivo.
- Alô? – atendeu ela enquanto Grover foi pagar a conta dos dois. Estavam muito felizes, nada ia estragar a felicidade deles. Nada!
Grover terminou de acertar tudo e voltou, Hermione estava boquiaberta, com os olhos cheios de lágrimas, ela desligou o telefone, sem palavras.
- O que aconteceu? – perguntou ele preocupado.
- Aconteceu que... Houve um suicídio essa noite, Grover! – ela o abraçou com muita força e chorou, chorou profundamente – Eu não acredito!
- 14 de maio de 2006 –
Luke e Thalia estavam bêbados, ele a jogou contra a parede, beijando-a com intensidade. Eles estavam se pegando como se o mundo fosse acabar.
- Experimente isso! – disse ele tirando uma bala do bolso.
- O que é?
- Para deixar as coisas mais quentes – ele pegou a bala que segurava e colocou em sua boca, imediatamente ficou tonto, mas tratou de beijar Thalia o quanto antes, e durante o beijo, com um movimento na língua, ele passou a bala para a boca dela, em seguida, parou de beijá-la.
- Hm, que bala gostosa! – sorriu ela experimentando. Ele sorriu de volta, meio sexy e se afastou.
Thalia foi ficando meio lenta, as pálpebras começaram a piscar involuntariamente, ela foi escorregando pela parede. E dormiu profundamente assim que se sentou.
Luke deu um sorriso maquiavélico e olhou em volta, começou a fuçar nas gavetas, procurando desesperadamente por alguma coisa. Até que achou alguns papéis antigos em suas coisas. Eram as táticas de basquete de Percy. Ela vivia guardando as coisas dele, uma vez que era técnico do time, e mesmo que tivessem terminado o namoro, Percy ainda confiava em Thalia para tal segredo.
Luke segurou os papéis com firmeza e deu risada.
- 14 de maio de 2006 –
Rony fechou as janelas das fotos de Hermione, rumou para varanda de seu apartamento com um único objetivo: livrar-se desses pensamentos de uma vez por todas.
O vento batia contra o seu rosto, era gelado, frio, rápido. Não ia demorar muito para que o processo fosse finalizado, e por sorte, talvez nem doesse. Ele dormiria antes mesmo de atingir o chão.
Os seus cabelos estavam agitados contra o vento. Ele era teimoso, não era uma decisão sensata, mas ele estava farto, cansado, queria por o fim em toda aquela história.
Não conseguia imaginar Hermione nos braços de outro cara, dormindo com outro cara. Isso doía demais.
Vemos alguém subir na sacada, colocar os dois pés. E pular.
Ele pulou com os braços fechados ao corpo.
E caiu em queda livre.
Voz de Atena: Como eu disse no começo, somos nós que tomamos nossas próprias decisões e atitudes. Somos nós que construímos a nossa vida. E algumas vezes colocamos ponto final nessa história, desnecessariamente...
Continua!
Nota do Autor: Eu não podia estar mais velórico hoje. Passei a minhas últimas semanas me apaixonando para valer, para valer mesmo, dando meu coração para alguém. E hoje tive que terminar esse relacionamento (por falta de evolução, tosco, mas eu precisava terminar. Acabei de terminar, faz pouco menos de 2 horas e estou aqui escrevendo em nome do Rony, embora eu seja forte o suficiente para não fazer uma besteira igual a ele, não sair por aí me jogando, porque não vale a pena. A cada dia que passa, eu construí um futuro para chegar aqui, para passar no vestibular, chegar no trabalho, conseguir emprego, lutar, ter status, comprar minhas coisas com meu dinheiro, etc. etc. Então essa atitude, não vale a pena, ok? Quero deixar isso bem claro para todos que suicídio por amor não vale a pena, NÃO VALE MESMO. Porque depois você supera a perda, você redescobre a vida e não tem sensação MELHOR do que descobrir que ainda existe alguém lá fora esperando por você... E que você tem fôlego o suficiente para fazer uma carreira, sucesso e ter uma família. Então, em nome do meu próprio personagem, mesmo após ter terminado um namoro hoje em que eu era apaixonadíssimo por essa pessoa, acho essa atitude uma tremenda burrice.
Estou triste, claro, é inevitável, mas com uma sensação de que vou superar e a vida vai me trazer novas oportunidades de ser ainda mais feliz. Espero que aconteça o mesmo para todos.
- E a letra da música How To Save a Life – The Fray – tem tudo, tudo haver com o suicídio. Depois dêem uma olhada na letra, se tiverem um tempinho!
Nota do Autor Dois: Em algum momento vocês chegaram a achar que a Atena se suicidaria né? Em outros, acharam que seria a Annabeth, né? Então, eu fiz de propósito, faz parte do meu "joguinho de cintura" com as escritas, HAUHAUHAUH. Eu gosto disso, induzir vocês a uma situação e ocorrer outra.
Nota do Autor (Três): Desculpa a demora, desculpa, não abandonei ninguém não. Só que eu passei muito tempo escrevendo a segunda temporada no caderno e isso me levou muitas horas (mas a segunda temporada está ótima). E eu acho que vai ser a melhor de todas, é a mais engraçada, a mais intrigante, a mais baforenta. Acontece TUDO na segunda temporada. Sério, estou ansioso para começar a passar para o Word a segunda temporada, muito ansioso mesmo. Beijos.
Spoilers da Segunda Temporada:
- Hermione vira cheerleader no final da temporada!
- Annabeth reencontra Harry na Inglaterra.
- Thalia faz a pior besteira de sua vida!
Nota (última): Próximo capítulo...
- A culpa é sua, é toda sua! – berrava a Sra. Weasley descontrolada apontando o dedo na cara de Hermione – EU VOU ME VINGAR DE VOCÊ!
Atena está dançando tango com Gabe.
Annabeth deixa a carta nas coisas de Percy.
See you. E deixem reviews, por favor, isso com certeza vai dar um "UP" no meu dia. Beijos!
Perguntas e Respostas:
1) Por que o Fred e a Atena se separaram? – by Ip S.
R) Atena sempre foi uma mulher de negócios, ela é mais pulso firme do que muito homem por aí, acontece que ela nunca foi aquela mulher de ficar em casa, acariciando homem, ou esperando ele com janta após o trabalho. Já o Frederick sempre exigiu isso dela, o amor foi se desgastando e eles se separaram. Foi aí que Atena caiu na real de quanto o amava, precisou perder para dar valor. Entende?
2) Thalia é vítima das circunstâncias ou é má por natureza? – by Ip S.
R) Os dois. Ela é má por natureza, ela gosta fazer umas maldades mesmo mas também por tudo o que ela está passando. Ela está completamente perdida. Mas é engraçado, porque ela ainda vai querer virar freira na segunda temporada, hahahahaha!
3) Existe alguma chance de Thalia e Percy voltarem? – by Annie Chase, by Melissa Jackson.
R) Não por parte do Percy. Eles vão ficar mais vezes, mas nem rola sentimento, sabe? Percy já broxou com ela, não há como voltar atrás, hehehe!
4) Percy vai se decepcionar com Annabeth? – by Annie Chase.
R) Vai, vai, aguarde a segunda temporada (risos!). Peço desculpas pela demora!
5) Annabeth já ficou com alguém? – by Renata.
R) Já ficou sim com vários caras em Los Angeles, mas nunca transou com nenhum deles. Hm, algum deles vai aparecer? Talvez, você me deu uma ótima idéia agora. Acho que vou colocar personagens novos na terceira temporada, hehehehe. Obrigado!
6) A Thalia e a Annabeth vão ser amigas para sempre? – by Renata.
R) Não, não, acho muito difícil isso acontecer. A Thalia vai dar muitas mancadas com a Annabeth daqui para frente!
7) O Luke vai aparecer com mais freqüência? – by Karoll.
R) Sim, mas ainda assim ele não vai ser nada importante para a história. Mas na segunda temporada... Se cuida, porque ele vai ser MEGA-importante, ele vai aparecer em mais cenas do que o próprio Percy!
8) O Grover está com a Hermione só para esquecer a Thalia? – by Karoll.
R) Olha, no começo confesso que foi, mas o Grover está mesmo gostando da Hermione, os dois estão cada vez mais juntos e conectados. É bem capaz que eles virem fixo!
9) O que acontecerá com Frederick e Atena? – by Melissa.
R) Hm... Eles tem muito pano para manga ainda nessa temporada e na outra também. Hehehehe, sem muitos comentários se não vira spoilers!
10) E no final dessa temporada, a Hermione ficará com Rony ou Grover? – by Melissa.
R) Ela estará com o Rony, mas gostando de Grover. No final dessa temporada – frisando. Rs! E vou ver se trago o Robert ou o Julian, mas não há muita storyline para eles. A Hermione já seguiu em frente com o Grover, é capaz deles darem certos juntos, depende do que os leitores acharem!
11) Percy Gay? – by Larissa.
R) Rssss, nunca pensei nisso, confesso. Beijos!
