Episódio 14 –

Nos eixos.

- 01 de julho de 2006 –

Inalcanzable – RBD

Youtube: /watch?v=lI9jjfphpUU

Hermione estava tirando as peças de roupas de seu guarda-roupa, estava primeiro espalhando-as na cama, dobrando-as nas malas abertas espalhadas pelo quarto, fazendo tudo calmamente. Não tinha pressa para ir embora. Enquanto fazia o gesto, as lembranças passavam em sua cabeça de cada momento daquela cidade, das festas, dos amigos, de Grover, da escola. E todos esses pensamentos ficariam para trás com o tempo. E ela estaria voltando para a realidade que sempre foi a sua cidade natal, Inglaterra, a sua casa, família, o seu ex-namorado.

Mesmo estando a porta aberta, Annabeth bateu com os nós dos dedos, pediu licença para entrar, a garota loira resmungou que sim bem baixinho e a morena ocupou espaço do quarto, sentando-se na cadeira da escrivaninha em frente ao seu notebook desligado.

- Está mesmo decidida? Não vai lutar por isso? – perguntou Annabeth.

- Não tem muito o que lutar, nós já sabemos que é uma causa perdida – respondeu Hermione mexendo os ombros.

- Eu não queria que você fosse embora, de verdade – confessou Annabeth – Confesso que fiquei com um pouco de ciúmes quando vi você na minha casa, invadindo o meu espaço, mas com o tempo, você foi me conquistando, e a única coisa que eu posso fazer é agradecer por ter me ajudado esse tempo todo! – ela estava com lágrimas nos olhos. Hermione largou as roupas em cima da cama e abraçou Annabeth.

- Eu que tenho que agradecer por tudo o que aconteceu, Anna. Você foi uma irmã para mim, tenho que confessar! – elas se apertaram com força, ficaram algum tempo em silêncio.

Hermione se afastou, voltando a dobrar as roupas.

- Você sabe que poderá me visitar sempre quando quiser.

Annabeth fez que sim com a cabeça.

- Assim que chegar na Inglaterra, poderia mandar lembranças ao Harry, por favor? – Annabeth a olhava – Eu sinto saudades, ele simplesmente sumiu das nossas vidas e nunca mais deu notícias. E eu me senti culpada pelos e-mails que ele mandou, dizendo que tinha ido embora por minha causa e tudo mais.

- Eu vou falar com ele sim – disse Hermione – E mandarei e-mails sempre que puder – ela sorriu.

Atena apareceu na porta do quarto, carregando um envelope, interrompendo a conversa das duas.

- Olá, meninas – cumprimentou Atena que recebeu de volta os cumprimentos – Então, Hermione, eu estou tentando ao máximo dar andamento no seu caso, mas o Estado está dificultando ao máximo a renovação de seu passaporte.

- Eu estou conformada – justificou ela continuando a fazer as suas malas.

- Você precisa ter paciência – pediu Atena olhando-a com dó.

- Como? A cada dia que passa nessa cidade é um dia a menos para ficar aqui, os dias estão passando, Atena – justificou-se ela colocando mais roupas na mala – No final das contas, sabemos qual vai ser o resultado.

Atena ficou em silêncio, porque sabia que era muito difícil reverter a situação dela, se fosse qualquer pessoa comum teria sido muito fácil, mas pelo fato de ela ter influenciado muito no quase-suicídio de Rony Weasley, sobrinho de parentes que ocupavam cargo no governo, ela provavelmente não teria muita solução contra a arbitrariedade.

- Eu não vou me esquecer de nada disso que vocês estão fazendo por mim! – Hermione sorriu – Obrigada, Atena – e ela abraçou Atena como se fosse sua mãe, apertou-a com muita força.

Annabeth se aproximou e abraçou as duas.

- Formamos um excelente time nos últimos meses.

- Excelente – assentiu Atena sorrindo.

- 03 de julho de 2006 –

- Eu me sinto melhor, é verdade – disse Rony usando calça jeans, uma camiseta verde limão, sentado no sofá da casa de seus tios, sua mãe estava ao seu lado.

- A recuperação foi milagrosa – disse a Sra. Weasley sorridente passando a mão nos cabelos compridos do filho – Você agiu corretamente, querido, você só está um pouco pálido, mas nada como uns bons dias se alimentando normalmente, você voltará ao normal.

Ele abriu um sorriso de lado.

- Nós vamos voltar para a Inglaterra, ok? É uma decisão que eu e o seu pai pensamos desde o momento em que você sairia da clínica.

- Eu quero ficar aqui, mamãe! – disse ele baixinho, contrariado.

- Mas, querido, essa cidade só trouxe problemas a você, pesadelos, coisas do tipo, não seria bom continuar aqui – disse ela ainda passando a mão em seus cabelos.

- Você e o papai não podem decidir por mim, mamãe. Eu quero permanecer aqui. É a minha vontade, é a minha escolha – disse baixinho.

A Sra. Weasley ficou em silêncio por um bom tempo, ela assentiu com a cabeça depois de um tempo.

- Vou convesar com o seu pai, se é realmente isso o que você quer.

Ele, novamente, abriu um sorriso.

- Vamos almoçar, filho!

E os dois, abraçados, deixaram o sofá.

- 04 de julho de 2006 -

Hermione estava sentada em um banco, embaixo de uma árvore, lendo um livro clássica da História da Inglaterra na época de Colonização, percebeu o barulho de alguém pisando nas folhas, o barulho foi se aproximando de seus ouvidos, desconcentrando-a de modo que ela abaixou o livro sabendo que se depararia com alguém em sua frente. E o seu coração quase escapou pela boca ao ver que Grover estava ali, parado, duro como uma estátua, com a mochila suspensa nas costas, sendo segurada apenas por uma das mãos por cima dos ombros.

- Oi – disse ele baixinho, mexendo o menor número de músculos possíveis.

- Oi – respondeu ela fechando o livro, sabendo que ele não estava ali apenas para dar aquele "oi", eles estavam ali para conversar sobre alguma coisa mais – Está tudo bem com você?

- Não, não está, nem comigo e nem com a gente – disse ele em sua frente – O modo como as coisas estão acontecendo, para tudo o que está caminhando.

Ela semicerrou os olhos na direção dele.

- Como assim? – era meio hipocrisia perguntar isso quando ela sabia perfeitamente que as coisas estavam péssimas entre eles.

Ele tomou o espaço ao lado dela, sem muito encarar o seu rosto. Ela ficou olhando o perfil dele, meio tristonho, fixado no horizonte.

- Você não está falando comigo faz algumas semanas, não tem me ligado, me procurado ou atendido às minhas ligações.

- Eu estou com problemas – confessou Hermione quase sem voz, ela não queria demonstrar que estava sofrendo com isso, não queria demonstrar nem um pouco de fraqueza diante das palavras sensibilizadas de Grover.

Ele mexeu a cabeça de um lado para o outro, incrédulo.

- Você podia ter recorrido a mim, eu tentei dar todo o meu apoio a você, fiquei atrás de você tentando te ajudar a sair dessa, mas quanto mais eu me aproximava, mais você me afastava de você – ele parou para respirar rapidamente – De verdade, Hermione, de verdade mesmo, eu estou desistindo disso. Eu estou desistindo do nosso relacionamento, da gente.

- Eu preciso enfrentar os meus problemas sozinha, é só isso – disse ela claramente – Não significa que eu não goste de você – respondeu ela com o coração apertado no peito – Acredite em mim.

- Eu estou cansado de tentar fazer isso dar certo, cansado de ficar correndo atrás de você – Grover tirou o celular da mochila – Quer saber de uma coisa? Eu já deletei você da minha agenda, agora só falta deletar você da minha vida. E eu vou fazer, custe o que custar!

Grover ficou em pé, com a mochila ainda pendurada nas costas.

- Grover... – chamou Hermione baixinho.

Ele a olhou, seu olhar ainda transmitia alguma esperança, como se as coisas fossem voltar a ser como eram antes. Ele pedia ela de volta, de alguma forma.

- Eu não me importo em ficar sozinha nesses dias de tempestade, aliás eu prefiro tudo isso – ela sacudiu os ombros – Não que eu não goste de você, mas eu não quero voltar para a Inglaterra sabendo que deixei as coisas resolvidas pela metade em Nova York. Assim como eu deixei da última vez na Inglaterra!

- Isso não é verdade e você sabe disso – murmurou ele baixinho – Se você achasse mesmo que eu valesse a pena, você teria corrido atrás, você teria se importado com os meus sentimentos por você nesses últimos dias. E você sequer está pensando nisso – ele parou, com um suspiro, passou a mão no rosto – Mas se você quer realmente enfrentar tudo isso sozinha, como você mesma acabou de dizer, eu não posso fazer mais nada. O que eu deveria fazer, já foi feito. Eu não quero ser mais o cara que fica empacando a sua vida – eles se encararam em silêncio por poucos segundos. Ela ainda sentada, sem saber o que fazer ou dizer, ele em pé jogando todas as cartas em cima da mesa, falando tudo sobre os seus sentimentos como se a sua vida dependesse daquilo – Eu sai de um relacionamento muito conturbado com a Thalia, e no momento em que eu mais precisei de alguém, você esteve lá para me ajudar, Hermione. Eu me apaixonei por você, de coração e alma – assumiu ele todo sentimental.

- Grover... – ela ia abrir a boca para dizer alguma coisa, ele fez um gesto nas mãos parando as palavras dela.

- Quer saber de uma coisa? Eu acho que você devia voltar para a Inglaterra mesmo, é o que eu faria no seu lugar.

Ela abriu a boca para dizer mais alguma coisa, mas as palavras apenas saíram.

- E quanto a gente?

Ele sacudiu os ombros.

- Acabou, acabou para sempre – ele sacudiu a cabeça negativamente – Bom retorno para a Inglaterra, Hermione! – ele virou as costas e saiu andando.

Ela ficou paralisada para trás, com o livro fechado ao seu lado, as pernas cruzadas, uma vontade louca e quase desesperadora de sair correndo atrás dele para abraçá-lo, beijá-lo, dizer que as coisas poderiam ser recuperadas. Ela ainda gostava dele, apesar de todos os problemas que estava enfretando, apesar do foco estar em outro lugar. Ela queria ir atrás, no entanto, ela nada fez, apenas encarou-o de costas até que virasse o quarteirão e fosse embora.

- fim da música –

- 06 de julho de 2006 –

Glee – Lean on me.

Youtube: /watch?v=iZR4cVE0Htw

Percy estava parado na praça de alimentação do shopping, com as mãos dentro do bolso, esperando por alguém. Até que a sua namorada, Annabeth, se aproximou com pulinhos excitados, pulou em seu pescoço e o beijou sem que antes pudesse abrir a boca para cumprimentá-la.

- Cuidado, eu tenho namorada – brincou ele logo após.

- Acho que vou ter que usar as minhas técnicas de karatê se ela aparecer – disse ela rindo – E então? Como está a dieta? – e olhou para a barriga dele dando algumas palmadinhas.

- Ah! – disse ele coçando a nuca, lembrando rapidamente em mentir – Está indo bem, é claro, muito bem, para ser sincero!

Ela mordeu o lábio, pensativa.

- Como chama o nosso Clube mesmo? – perguntou fazendo-se de ignorante.

- Ahn? – ele parou pensativo – Annabeth Chase? – respondeu em tom de pergunta.

Ela o fuzilou com o olhar.

- Esse é o meu nome, engraçadinho! – ela deu-lhe um beliscão no braço, ele passou a mão por cima, dolorido – O nome do clube é Vege Sexy. Não se esqueça. Vege Sexy, repete comigo em voz alta, VE-GE-SE-XY! – todo mundo olhava em volta, ele estava vermelho de vergonha.

- VE-GE-SE-XY! – respondeu fazendo.

- Tem que fazer beicinho – disse ela constrangendo-o ainda mais.

- Chega! – disse ele olhando ao redor. Ele ainda esfregava a mão em cima do beliscão - Vou me lembrar de não comer vegetais, vou me lembrar – resmungou querendo mudar o foco da conversa.

- Quê? É ao contrário, nós devemos comer somente vegetais, por isso que é Vege, de Vegetais. Vege Sexy, e não comer carne, repete comigo: VE-GE-SE-XY – ela o olhou, ele estava com uma cara de peixe morto – Enfim, só porque você é muito bonito, dessa vez passa!

Ele sorriu e a beijou no rosto.

- E o que viemos fazer no shopping?

- Compras? – sugeriu ela erguendo uma das sobrancelhas.

- E o meu cinema? Eu quero ver um filme, ficar um pouco abraçado com você – sugeriu ele sorrindo.

- Hm – ela mordeu o lábio – Sabe que eu gostei da ideia?

Ela saiu desfilando na frente, puxando-o pelas mãos, só que Percy não saiu do lugar, ela olhou para trás para saber por qual motivo ele estava parado no lugar.

- Eu preciso te contar uma coisa – disse preocupado.

A expressão de felicidade de Annabeth se desfez em segundos. Ela o olhou, preocupada.

- Você está fumando maconha? – perguntou querendo adivinhar.

- Antes fosse! – Percy sacudiu a cabeça – Quero dizer, eu preciso conversar sobre uma coisa muito chata que está acontecendo comigo, na verdade, eu recebi uma proposta para jogar basquete com a galera em Chicago. É o Campeonato Estadual que acontece todos os anos.

- E...? – ela estava se perguntando aonde aquela história ia parar.

- E a data da viagem coincidiu com o seu aniversário. Dia 26 de julho – disse ele meio preocupado.

- E...?

Ele continuou calado, esperando que ela interpretasse o silêncio. Annabeth piscou várias vezes, soltou um suspiro de alívio, os seus cabelos se mexeram para o lado.

- Ufa, eu esperava que você fosse dizer que teria que dividir o quarto com a Thalia ou algo parecido. Já estava pronta para começar um barraco aqui mesmo – ela sorriu, ele também, aliviado – É claro que você pode ir, meu amor. Eu nunca colocaria você contra a parede e pediria para escolher entre o seu jogo de basquete e o meu aniversário – ele a beijou.

- Você é demais, sabia?

- Mas é claro, tem as suas condições – disse ela virando os olhos para cima – Nada de buquê de flores porque esse é um presente muito simples e brega. Eu quero algo bem legal em troca!

Ele deu um assobio longo, com as mãos na cintura dela.

- Isso pode me custar um ano inteiro como limpador de privadas.

- Ou... Apostar bastante na loteria – brincou ela rindo – Nada muito especial que não seja você para comemorar comigo assim que voltar. Um jantar, uma balada, qualquer lugar, desde que seja com você. Ah, claro, um colar de pérolas cairia muito bem!

Ele riu e a beijou.

- Não estou brincando – disse ela se fazendo de séria, mas acabou não agüentando e rindo ao ver a expressão preocupada dele, ela deu um tapinha em seu ombro – É claro que é brincadeira – eles se olharam apaixonados – Promete que vai se cuidar em Chicago?

- Só se você prometer que vai ficar bem aqui em Nova York – ele colocou o cabelo dela atrás da orelha.

- Não muito, mas nada que um Go-Go-Boy não resolva! – brincou ela mexendo com as mãos e batendo palmas várias vezes, excitada com a ideia.

- Até parece, vou colocar um GPS em você, garotinha – riu ele puxando-a pela cintura e a beijou com muito amor.

Ela segurou nas mãos dele.

- Vamos dar uma volta, vamos fazer compras, ir ao cinema e se pegar loucamente! – e eles foram dar uma volta pelo shopping assim, felizes e apaixonados.

- fim de música -

- 08 de julho de 2010 –

Luke estava com o rosto marcado apenas na região dos olhos agora, algumas marcas de mãos nas costas mas que não era tão visível quando ele estava usando roupas.

Tinha passado muitos dias sozinho na escola, nas ruas, sem com que as pessoas viessem falar com ele, preferia assim para ser sincero, continuar no anonimato, embora fosse difícil isso acontecer com o rosto tão inchado quanto uma colméia de abelhas.

Caminhando pela noite, ele viu de longe, os mesmos rapazes que bateram nele, lembrou-se claramente do rosto de cada um deles e seu corpo arrepiou só de lembrar das cenas em sua caabeça, não desejava aquilo para mais ninguém no mundo. E no meio de todos os pilantras, rindo, estava Thalia, jogando os cabelos para trás, sentindo-se vitoriosa por tudo o que acontecia. Pela vingança armada.

Luke olhou de longe, na calada da noite, até que eles se afastaram, satisfeitos. E ela ficou sozinha no lugar, com as mãos no bolso. Agora era a hora da vingança, Thalia estava caminhando em sua direção. Ele estava se preparando psicologicamente para atacá-la.

"Fazer com que ela ficasse em silêncio, primeiramente, tapando a sua boca com as mãos" – foi o que passou em sua cabeça.

A cada passo, o seu coração parecia mais atento, disparava no peito. E Thalia estava muito próxima quando ele saiu do esconderijo e sorriu para ela.

- Boa noite – murmurou com um sorriso malicioso nos lábios. Ela assustou, colocando a mão no peito, estava segurando um pacotinho branco com as mãos, eram drogas. Luke sabia disso porque já havia experimentado uma vez na vida, agora não mais.

- O que você quer? – perguntou ela enfiando a mão com pressa para dentro do bolso a fim de esconder o pacote.

- Não devia andar sozinha, numa noite tão escura como essas em Nova York e ainda mais em um bairro tão vazio como esses, pode acabar machucada! – disse Luke andando em volta dela, girando.

Ela respirou fundo, rindo ironicamente.

- Eu sei me defender muito bem sozinha, obrigada – e saiu andando. Luke a puxou com força pelo braço, machucando-a.

- Vou terminar de deixa você roxo se não me soltar! – murmurou ela com os dentes cerrados, corajosa.

- Sabe que o sentimento de vingança me dominou até alguns minutos atrás? – ele a olhou com ódio nos olhos – E sabe o que eu mais sinto de você agora? Nojo e desprezo, os dois empatados no mesmo nível.

- Eu vou te bater, me solta! – repetiu ela, nervosa.

Ele falava, enquanto a encarava com ódio, soltando aos poucos o aperto em seu braço, até que finalmente a soltou. Ela ficou parada na frente dele, esperando alguma reação pior, pronta para enfrentá-lo se fosse preciso. Estava mesmo surpresa.

- Pode correr se quiser, ainda dá tempo – disse ele abrindo os braços.

- Não vai mesmo me machucar? – perguntou ela o olhando, com os olhos espantados – Nem mesmo um tapa?

- Eu só queria agradecer você, Thalia. Você me mostrou o ponto errado da minha vida, o momento em que eu preciso deixar todas as malandragens para trás e seguir em frente, amadurecer. Ser um novo Luke!

Ela apenas o olhava.

- Eu aprendi com os meus erros, eu vou ser uma pessoa diferente daqui para frente. Sabe por quê? Porque eu tive uma segunda chance, você me mostrou esse lado bom da vida. Agora é uma pena que embora você mesma tenha me passado essa lição de moral, e ainda continue a viver nesse inferno! – apontou para o bolso dela com as drogas – Será sempre uma fracassada, miserável, nunca vai conseguir superar a si própria!

Ele virou as costas e saiu andando, Thalia ficou pensativa, encarando as suas costas. Porque sabia, que de fato, no fundo, ela tinha razão.

- Não, Luke, eu tenho certeza de que você não vai mudar. Continuaremos nesse jogo de vingança até que um dos dois saia morto, isso não vai acabar nunca.

Ele parou de andar, voltou-se na direção dela.

- Não estou jogando mais, Thalia. Aliás "aquele Luke" que você conheceu não está jogando mais – ele deu uma piscada para ela – Obrigado, muito obrigado – repetiu com ênfase e continuou a andar no escuro.

Thalia ficou abismada para trás, com as palavras dele ecoando em sua cabeça: "obrigado, muito obrigado". Ele não ia mudar, tinha convicção disso. Mexeu a cabeça, segurou o saquinho com as mãos e ia fumar o seu baseado em paz.

- 10 de julho de 2006 –

Gabe estava com uma das mãos dadas com Atena, os dois estavam no carro, voltando para casa, ele dirigia apenas com uma mão aproveitando que o carro era automático. Sendo assim, após uma noite muito gostosa em um restaurante romântico, ela parecia um pouco triste e dispersa em seus próprios pensamentos. Ele estava cantarolando a música do rádio, e só terminou ao parar o carro na frente do prédio da casa dela.

- Está acontecendo alguma coisa, Atena? Você esteve muito quieta essa noite – perguntou ele olhando em seus olhos, segurando a sua mão com carinho.

Ela sacudiu a cabeça de um lado para o outro com um sorriso forçado no rosto.

- Não, não está acontecendo nada, não se preocupe, bebê – ela o beijou nos lábios rapidamente – A noite foi perfeita, é só que eu tenho algumas coisas na cabeça para resolver, mas não precisa ficar pensando nisso!

- Tem certeza? Não quer dividir? – perguntou ele com um olhar todo carinhoso e fofo para ela.

- Absoluta – ela sorriu mais uma vez e puxou a alavanca para sair do carro, ele deixou que ela partisse sem dizer mais nada, ficou apenas ali, no escuro, contemplando a donzela entrar em seu prédio, charmosa como nunca, era linda, elegante, espetacular. Qualquer homem se apaixonaria facilmente por ela, assim como ele estava.

E não conseguia imaginar a sua vida outra vez sem Atena.

- 14 de julho de 2006 –

Poker Face – Daughtry

Youtube: /watch?v=bqT4VnnEU0M

Hermione estava dobrando as peças de roupas dentro da mala aberta sobre a cama, novamente, Annabeth estava na porta, de braços cruzados.

- Parece dejá vu – ela sorriu - Não adianta pedir para você ficar, não é mesmo? – perguntou a amiga preocupada – Quero dizer, eu queria muito que você ficasse aqui comigo, nós vamos defender você até o fim – ela cruzou as pernas em formato de borboleta em cima da cama de casal no quarto de visitas e olhou a garota com seus cachos bem formados caindo sobre os ombros.

- Eu estou voltando para casa – disse ela baixinho.

- Tudo bem, desde que você não me troque por suas amigas riquinhas e patricinhas! – brincou.

Hermione riu balançando a cabeça, nostálgica. Annabeth a olhava, sorriu por um instante.

- Você quer ter o bebê com os seus pais, correto? – perguntou ela sorridente – É fofo e tudo mais, só que eu gostaria muito que você tivesse o seu filho aqui em Nova York conosco! – ela sacudiu os ombros.

- Eu gostaria que as coisas fossem fáceis para mim, mas costumam não ser, sempre tive que lutar por aquilo que sonhei – era como se encarasse tudo de forma natural – Aliás, falando em coisas difíceis, Grover terminou comigo semana passada, não quis te contar para não te abalar.

Annabeth fez uma cara de decepção.

- Eu meio que esperava que isso fosse acontecer logo, ele estava bem triste por esses dias nos corredores da escola, ele acha que é muito mais fácil você fugir do que dar a volta por cima, lutar e encarar o que você realmente quer da vida. Eu também acho que seja verdade! – disse Annabeth baixinho mas foi o suficiente para fazer Hermione pensar, ela parou de fazer o que estava fazendo, ficou apenas absorvendo as palavras. Demorou algum tempo que se recuperasse após as navalhas de Annabeth.

- Parece fácil visto de outro ponto de vista, mas as coisas não são tão coloridas assim.

Annabeth a abraçou de lado, beijou-a no rosto.

- Eu odeio mentir, eu odeio inventar as coisas e manipular as situações, ainda mais deixando todos pensarem que sou uma otária, mas as coisas tem que ser assim. Estou fazendo isso para proteger as pessoas ao meu redor – disse Hermione abraçando-a.

- Eu não queria entender, queria te bater, mas eu entendo – brincou Annabeth rindo – Vou deixar você um pouco em paz – e a soltou – E o seu bebê também – fez um carinho em sua barriga, saiu do quarto cabisbaixa, pensando na amiga.

Atena estava parada na porta, com um olhar de preocupação.

- Desculpa, eu não costumo ouvir as conversas alheias, mas não pude evitar dessa vez – ela mexia os braços de um lado para o outro – Mas que história é essa de bebê? Você não está...?

Hermione sacudiu a cabeça negativamente, olhando-a com as roupas nas mãos.

- Não, Atena, você sabe muito bem que não estou – ela sorriu – Aliás, eu também não costumo fuçar nas coisas dos outros mas encontrei um teste de gravidez positivo na minhas coisas esses dias e escondi de Annabeth porque eu sabia que era seu!

Atena arregalou os olhos para Hermione, sem muito o que dizer, ela apenas riu.

- Eu tive que mentir para a Annabeth nos últimos dias dizendo que estava grávida, isso porque eu queria protegê-la da verdade – Hermione sorriu – Eu sou uma péssima amiga, não sou? – e enfiou as mãos na cara, arrependida. Atena se aproximou, abraçando-a de lado.

- Hermione, você fez isso para me proteger? Para proteger Annabeth da verdade? Oh, meu Deus, obrigada, Hermione. Obrigada de verdade, você não sabe o quanto me deixou feliz em saber – ela parou preocupada – Annabeth não desconfiou de nada em momento algum?

- Não, eu menti muito bem – disse Hermione olhando-a – Mas acho que não conseguirá manter isso em segredo por muito mais tempo, Atena. Está na hora dela saber a verdade!

- Como você disse, mentir é uma coisa muito ruim, Hermione, mas às vezes precisamos fazê-lo para proteger as pessoas ao nosso redor – confessou Atena baixinho – Eu tenho tanto medo da verdade, qual será a reação quando Annabeth souber?

Hermione a olhou nos olhos, segurando as suas mãos.

- Annabeth é a pessoa mais especial que eu conheci na minha vida, esteja grata pela filha que tem, Atena. Orgulhe-se disso e não a magoe se algum dia estiver fora da vida de vocês. Promete?

Atena sorriu fazendo que sim com a cabeça, as duas se abraçaram com muita força. Como mãe e filha.

- Obrigada por me ajudar, obrigada, Hermione.

- É o mínimo que eu posso fazer depois de todos esses meses maravilhosos em que eu passei aqui em Nova York!

E as lágrimas nos olhos de Atena revelavam o quanto ela sentiria saudades de Hermione. Sua mais velha filha, uma vez que a atual estava a alguns meses para nascer.

- 22 de julho de 2006 –

Thalia estava espalhando o pó no espelho, em seguida, enrolou um pedaço de papel, curvou-se diante olhando a sua própria face.

- Luke não vai mudar – e como se a sua vida se comparasse a dele. Ela começou a aspirar o pó – E eu também não vou!

- 25 de julho de 2006 –

Atena está trancada no banheiro, sozinha. Ela olha para o teste de gravidez positivo e sorri.

- 26 de julho de 2006 –

Todos estavam dormindo, Hermione carregava as malas em silêncio pela sala, não querendo acordar ninguém. O seu celular piscou no silêncio, os números no relógio se alteraram de 23:59 da madrugada para 00:00. O que só podia significar uma coisa: era 26 de julho. Era o aniversário de Annabeth.

- Parabéns, irmã – sussurrou ela abrindo a porta no escuro, carregando a mala sozinha.

Fechou a porta, deixando o apartamento de Atena para trás.

- 26 de julho de 2006 –

O quarto de Hermione está completamente vazio, a cama bem arrumada, tudo no lugar, como se não tivesse ninguém ali há anos. Estava tudo muito bem encaixado. E apenas dois bilhetes em cima da escrivaninha.

Um para Annabeth.

E o outro para Atena.

Hermione se despedira por cartas, não queria chorar na frente delas. E assim, partiu.

- 26 de julho de 2006 –

Não havia barulho algum, exceto das turbinas silenciosas do avião. Percy abriu os olhos e olhou as nuvens lá embaixo, estava viajando para Chicago para o Campeonato Estadual.

Olhou no relógio e viu que já passava da meia noite. Era o aniversário de sua amada, Annabeth. Sentiu saudades dela, queria que ela estivesse ali, do seu lado.

Na outra fileira do avião, podemos ver Thalia acordada, olhando para o lado, observando o perfil de Percy. Ela deu um suspiro.

Percy fechou os olhos, tentando dormir. Thalia sorriu para ele, não via a hora de chegar em Chicago.

A tela escurece.

Continua...

Nota do Autor: É tarde para caramba, revisei meio por cima, desculpem. Tenho aula amanhã cedo (sim, sábado!), poderia estar agora vendo televisão, comendo, dormindo ou vendo seriado, mas não, estou aqui escrevendo para vocês. Porque eu amo isso e porque eu ganhei uma fã nova que me empolgou muito no Twitter.

Não trago notícias da terceira temporada, por enquanto nada!

Enfim, bom final de semana. Preciso dormir.

Próximo Capítulo (prometo colocar comédia, apesar do drama):

É o aniversário de Annabeth, embora ninguém esteja lá para comemorar com ela. Hermione foi embora, Percy está do outro lado do país com os seus amigos no Campeonato Estadual. A sua única opção que resta é Atena. E teremos surpresas desvendadas. Como Annabeth receberá o presente de aniversário? E Thalia vai aprontar em Chicago? É o que vamos ver, ou melhor, ler!

Questions:

O que o Percy vai escolher: o basquete ou Annabeth? – by Regina, by Melissa Jackson.

É o Percy, e ele está apaixonado por Annabeth, ela entenderia, é óbvio, é isso que eu gosto do casal, cada um cede um pouco. E gostei da ideia de ser roteirista de novela, sabe que é um sonho que eu tenho, né? Hahaha, pois é, eu espero ser mesmo. Obrigado pelo apoio!

Será que a Hermione e o Percy ficaram aquela noite? – by V. Keat.

Hm, é uma possibilidade. E das boas, eu gosto de imaginar uma história entre o Percy e a Hermione, eu acho que seria muito engraçado os dois juntos.

Thalia vai aprontar? Ela será presa? – by Karoll e Melissa Jackson.

Vai. Vai e muiiiiito. E sim, ela será presa novamente!

Gromione acabou? – by Melissa Jackson.

Adorei o nome que você deu ao casal, hahahaha. Sim, acabou. A Hermione de fato não gosta dele, ele que gosta dela. Difícil, muito difícil.

O TWITTER YLIS_ continua ativo, ok?