Capítulo 16 –

Férias de Verão

- 27 de julho de 2006 –

Era como se tivesse sido atropelado por um carro, ou pior por um caminhão, no entanto ele sequer fora atropelado por uma motocicleta, mas sabia como devia doer.

Voz de Percy Jackson: "Sem pensar em nada mais, fecho os olhos para esquecer. Dorme - repito no escuro. E o sono também me salva. Ou adia a minha dor."

Percy abriu os olhos, já estava sol do lado de fora e isso irritava ainda mais a sua visão, mesmo que a cortina tentasse impedir com que os raios entrassem no quarto. A sua cabeça latejava de dor e os seus tímpanos pareciam prestes a explodir. As buzinas do carro lá fora ampliavam em sua cabeça.

- O Príncipe Charmoso acordou – murmurou Thalia sentada e sorridente enquanto mexia em seu celular.

Percy olhou para o lado, cansado demais para se sentar, os seus olhos estavam inchados. Ele olhou para Thalia, piscou várias vezes.

- Nós… - sabia que tinha feito uma burrada, não adianta ficar bravo por isso, nem mesmo com Thalia, porque ele estava consciente quando começou a beber.

Sentiu que estava pelado embaixo das cobertas, e não foi muito difícil raciocinar o que tinha acontecido na noite anterior.

- Nós transamos? – perguntou ele olhando para ela.

- Sim, nós fizemos amor! – disse ela toda sorridente, apoiando o rosto nas mãos. E da mesa, olhou para ele.

Percy enrolou-se na coberta, preocupado. Procurou pelo celular jogado em algum canto, ele estava desligado.

- Droga! – disse ele agachando para pegar o celular, imaginou quantas pessoas não deviam ter ligado para ele enquanto estivesse ali, bêbado. Inclusive sua namorada Annabeth, por quem nutria tanto amor e estava desesperado para descobrir o que ela faria se soubesse – Thalia, isso tudo… Isso tudo não pode ter acontecido, eu sou apaixonado pela minha namorada.

Thalia fechou o celular e olhou para toda a preocupação em seu rosto. Ela ficou em pé na altura dele, ao menos ela estava vestida, os cabelos molhados diziam que ela havia acabado de tomar um banho.

- Fique tranqüilo, Percy. Eu sei o quanto você ama Annabeth e tudo o que aconteceu entre a gente foi uma coisa de pessoas bêbadas, sem o menor juízo. Adolescentes fazem besteiras o tempo todo! – ela sorriu.

Percy admirou que ela fosse topar com tanta facilidade com a sua proposta, e o mais engraçado de tudo é que não havia pedido nada em troca. Ficou olhando para ela, tentando penetrar em sua mente, adivinhar o que se passava lá dentro de sua cabeça.

- Obrigado – disse meio receoso – Eu… Eu vou conversar com ela, tenho certeza de que ela entenderá! – ele coçou os cabelos procurando a cueca pelo quarto – Eu espero!

Thalia sorriu, mordiscava uma por uva de um cacho em cima da mesa.

- Tem uma toalha extra no banheiro, se você precisar.

- Er… Não, obrigado, embora eu precise mesmo de um banho, vou para o meu quarto! – disse ele pegando o seu All-Star branco, espalhado no chão do quarto – Vejo você mais tarde no aeroporto!

- Ok – disse ela piscando e rindo – Fofinho!

Percy deixou o quarto naquele estado, enrolado em um lençol segurando as peças de roupa como se fosse um desesperado. Aliás, estava mesmo desesperado e isso fez com que Thalia sorrisse, ela abriu o celular novamente e começou a brincar com o aparelho.

No celular tinha foto dela nua de costas, deitada no peitoral de Percy, enrolada no mesmo lençol que ele. Ela fingia dormir. Thalia terminou de ver as fotos, todas muito parecidas, fechou o celular e guardou na bolsa.

A diversão estava só começando.

- 27 de julho de 2006 –

Annabeth estava ansiosa no aeroporto, as pessoas passavam em grupos, conversando, rindo, mas nenhuma delas eram sequer familiares. Começou a ficar preocupada com o atraso da saída de seus colegas, mas depois de um tempo acostumou-se ao ver que ao seu redor outras pessoas também esperavam os seus familiares.

Até que começaram a surgir as primeiras pessoas do colégio em que ela estudava mas que em breve se desacostumaria com os rostos familiares por causa das férias de verão. Isso sempre acontecia, até que as aulas voltassem novamente.

E lá estava, o seu namorado, carregando a alça da mala, com um sorriso apaixonante no rosto, os cabelos lisos e castanhos esvoaçando ao vento, ele corria em sua direção. Annabeth sorriu de volta, com o coração batendo forte no peito, sequer reparou quem estava ao seu redor, ele se aproximou, largou todas as malas em volta e a beijou, colocando as mãos na cintura. Ela passou os braços ao redor de seu pescoço.

- Percy… - gemeu ela com saudade, sorria entre os beijos desesperados.

- Anna… O que aconteceu? Por que não atendeu as ligações? Eu estive preocupado esse tempo todo, achei que você queria terminar comigo – desabafou ele desesperado.

Ela ficou triste de repente, cabisbaixa.

- Aconteceram algumas coisas comigo enquanto vocês estavam fora, e eu não queria contagiar você com os meus problemas, é só isso.

Thalia, Rachel e Clarice estavam reunidas, dando risadinhas de longe. Annabeth notou-as por cima dos ombros do namorado.

- Por que disso?

- Nós perdemos o campeonato – cortou Percy com a primeira coisa que veio em sua cabeça – Elas estão bravas comigo e querem me ferrar por causa disso, Annabeth. Elas estão espalhando boatos terríveis sobre mim, não acredite nelas.

Annabeth franziu o cenho.

- Que tipo de boatos?

- Boatos, são só boatos – disse ele passando o braço em volta dos ombros dela – Vamos para casa, eu não quero ficar mais um segundo sem você!

Voz de Percy Jackson: "Eu constantemente sinto saudade das coisas que perco, mas não as quero de volta. Já doeu uma vez."

Percy tentou sorrir, embora fosse difícil. Ele olhou para Annabeth.

Voz de Annabeth Chase: "Estou com tanta saudades de conversar contigo, de rir com você, ficar idiota com você, saudades de saber da sua vida. Saudades de você."

Annabeth correspondeu, porém o seu sorriso era sincero.

- 28 de julho de 2006 –

Era o último dia de aula, todos estavam prontos para as férias de verão, estavam recebendo as notas e se despedindo dos professores nos corredores da escola. Annabeth estava muito empolgada em terminar o primeiro ano, estava contente com a possibilidade de se tornar mais velha, ir para o segundo ano, aprender coisas novas. Mas para isso, é claro, teria que passar pelas férias. E ela queria descansar bastante.

- Annabeth! – chamou a voz de Thalia no corredor.

Annabeth olhou para trás, tentou dar um sorriso meio bobo.

- Desculpa ter rido de você no aeroporto ontem, eu só estava meio estranha – ela sorriu.

- Não tem problema – Annabeth sacudiu os ombros e continuou a andar, Thalia ficou ao seu lado.

- Eu ouvi dizer que você tem um Clube, um Clube Vegetariano. É o Vege Sexy, não é mesmo?

Annabeth sorriu, empolgada.

- Nossa, você é a primeira pessoa que acertou o nome do meu clube, deve mesmo conhecê-lo.

- Os boatos correm nesses corredores – disse Thalia olhando para o corredor dos armários – Eu queria me filiar ao seu clube, sabe? Eu sou vegetariana desde os meus 11 anos, é por isso que eu tenho esse corpinho para lá de sexy! – gabou-se.

- Eu sempre quis seguir a sua dieta – disse Annabeth sorrindo para ela – Você é mesmo muito magra, o seu corpo é excelente!

Thalia olhou para cima, convencida, como se aquilo fosse óbvio.

- Então – Annabeth abriu o armário que estava praticamente vazio, apenas alguns bottons verdes e amarelos do Clube Vege Sexy. Ela entregou um deles para Thalia – Toma! Espero que você goste de verdade.

Thalia sorriu.

- Obrigada.

- O seu pai vai se orgulhar disso – comentou Annabeth tirando tudo do armário, esvaziando-o por completo.

Thalia a olhou, em silêncio.

- Que foi? As vacas são do bem!

- Eu sei, é que você falou do meu pai e… Ele meio que não me dá muita atenção – disse Thalia com a cara murcha – É como se eu nem existisse na vida dele, principalmente depois que eu fui presa, muita coisa aconteceu!

Annabeth mudou a expressão em solidariedade.

- É bem triste, eu desejaria que as coisas não fossem assim para você – disse Annabeth triste por ela. Guardou tudo na mochila e fechou o armário – Preciso devolver a minha chave na secretaria, vem comigo?

- Claro, preciso devolver a minha também – Thalia sacudiu a chave com as mãos e as duas foram andando juntas.

Elas desceram as escadas, conversando.

- E como está Hermione? Ela voltou mesmo para a Inglaterra?

Annabeth fez que sim com a cabeça.

- Eu sinto uma falta enorme dela, é uma pena que ela tenha ido embora tão cedo. O bom é que ela conseguiu passar em todas as matérias com nota dez. Ela é muito nerd!

Thalia sorriu.

- Você deve estar se sentindo um pouco sozinha – disse como se tivesse pensado muito no assunto.

- Ela era como uma irmã para mim – confessou.

As duas chegaram na secretaria e deixaram as chaves, assinaram alguns documentos.

- Thalia. Anna! – chamou a voz de Percy no final do corredor, aproximando-se delas como quem estava preocupado. Ele veio andando em passos apressados.

- Escuta, eu preciso ir, tenho muita coisa para fazer – Thalia a beijou no rosto rapidamente – Obrigada pelo botton, vou divulgar! – e saiu correndo.

Percy se aproximou, ofegando.

- O que ela queria?

- Nada, apenas falar sobre a Hermione comigo.

- Nada mais?

- Não – respondeu Annabeth olhando-o com estranheza – Por que?

- Por nada – ele sacudiu os ombros, deixou a chave no balcão também. Abraçou Annabeth com força.

Percy estava preocupado, com os olhos abertos, quase como arregalados.

Voz de Annabeth: "Quando você abraça alguém com os olhos fechados, significa que você possui sentimentos por esta pessoa…"

Percy suspirou, fechou os olhos, aliviado.

Voz de Percy Jackson: "Eu te amo, Annabeth! Acredite em mim!"

- 30 de julho de 2006 –

Grover estava com os seus fones de ouvido, lendo um livro, sentado no metrô, distraído com a sua própria leitura enquanto passageiros andavam de um lado para o outro ao entrar naquela estação.

Só ficou atento para que a próxima estação não passasse despercebida, ele fechou o livro, levantou-se e segurou para se equilibrar enquanto o metro andava. Até que sua atenção foi desviada por um rapaz que estava ali perto, muito parecido com Percy. Ele se lembrou de tê-lo visto em Chicago, aproximou-se.

- Tyson? – perguntou ao se lembrar do nome dele.

- Oi? – disse o rapaz com os olhos virados para o outro lugar, voltou a sua atenção para o desconhecido que o chamava – Eu o conheço de onde mesmo?

- De Chicago, nós cruzamos em uma festa – Grover parecia meio sem graça – Você estava meio ocupado, se é que me entender – e deu uma risadinha.

Com as bochechas bem clarinhas por trás da barba loira, Tyson sorriu. Ele jogou os cabelos lisos para o lado, desviando os fios finos dos olhos azuis, o seu sorriso era encantador assim como o de Percy.

- Então, nós não trocamos o telefone aquele dia – insistiu Grover achando que talvez estivesse fazendo ao manter contato. Quem sabe se ele não era algum parente próximo de Percy. Um primo, talvez.

Tyson pareceu ainda mais envergonhado, colocou as mãos no bolso.

- Eu namoro, cara – respondeu meio sem jeito.

Grover corou.

- AH! Não... Er, quer dizer, eu não quero o seu telefone para isso, eca! – ele fez que não com as mãos – Eu confio no meu taco – e deu uma risadinha sem graça – Quero dizer, eu gosto de xoxotas! – disse rapidamente tentando consertar mas ficou ainda mais sem graça. Todos olhavam para os dois no meio do metro.

Tyson o olhou, provavelmente pensando o quão estranho ele era.

- Escuta, desculpe, o meu nome é Grover. E eu só gostaria de saber se poderíamos sair algum dia desses. Numa boa! – insistiu Grover.

Tyson sorriu.

- Tudo bem, eu não tenho aquilo uma vagina, você pode me ligar qualquer dia desses – Tyson tirou um cartãozinho do bolso e entregou ao rapaz – É só me ligar – e seu sorriso era tão educado e elegante que Grover sentiu-se intimidado.

- Eu gosto de xoxotas! – repetiu afirmando para si mesmo.

Tyson deu algumas palmadinhas em suas costas.

- Se falar isso em voz alta de novo, farei você lamber os meus pés – repetiu Tyson ficando completamente sem graça ao redor de tantas pessoas.

Grover assentiu e o metrô parou exatamente na estação em que ele ia descer. Tyson acenou e viu Grover partir.

- Que cara mais esquisito – murmurou Tyson jogando os seus cabelos lisos mais uma vez para o lado, como se fosse um tique nervoso.

- Que cara mais esquisito – murmurou Grover olhando por cima do ombro enquanto o metro ganhava velocidade novamente sumindo na primeira curva do túnel escuro.

- 02 de agosto de 2006 –

A escola estava completamente vazia, não era para menos, todos estavam de férias, no entanto Annabeth estava organizando algumas coisas na sala das cheerleaders. Ela era a capitã de todas elas e gostaria de deixar tudo muito limpo para que não surgissem reclamações durante as férias.

- As suas cheerleaders costumam ser muito bonitas – disse uma voz masculina vindo da porta, assustando Annabeth.

- Pessoas educadas costumam bater na porta antes de entrar – disse ela chateada guardando alguns pompons amarelos com fitas pretas no armário.

- Desculpe, não foi intencional.

Annabeth o olhou, ele era Luke, do mesmo ano, da mesma sala, mas não se falavam muito. Ele costumava ser ignorado, principalmente por ser egoísta, arrogante e metido, mas o seu jeito de ser tinha mudado após tomar alguns bons tabefes na rua.

- O que está fazendo aqui nesse horário? Estão todos de férias! – perguntou ela guardando alguns troféus na prateleira.

- Eu só vim ver como as coisas estão – ele olhou ao redor – Ultimamente eu não tenho muitos amigos para compartilhar ou me divertir durante as férias – ele olhou para os próprios pés – Tenho me sentido meio sozinho.

Annabeth deu os ombros.

- Quem manda ser tão idiota?

Luke semicerrou os olhos em sua direção.

- O que você sabe sobre mim? – perguntou, ofendido.

- O que os boatos contam? – respondeu ela em tom de pergunta – Mas não se empolgue muito, você deixou de ser um boato quando passou a ser um loser nessa escola.

Ele sentou no banco de madeira.

- Ei, eu não sou um loser!

Annabeth riu enquanto dava os toques finais de limpeza no vestiário.

- Agora é, sinto muito, mas é assim que as coisas funcionam. Você apanhou, ficou isolado, ninguém mais conversa muito com você, pode até não ser um loser, mas não é o que parece.

Luke a olhava, acabou deixando escapar uma risadinha abafada pelo nariz.

- Sabe de uma coisa? Eu não me importo com essa história de aparências. Não é mesmo um problema meu! – ele se levantou – E eu vou provar isso.

Annabeth o olhou como se ele estivesse fazendo algum mistério. Ela fez que não se importava, ele virou as costas e foi andando em direção à saída. Ela, por fim, disse:

- Você deve ser um cara legal, Luke. Não nego isso, é que eu apenas não o conheço – disse simplesmente.

Ele sorriu, meio que piscando com os dois olhos ao mesmo tempo. Continuou o seu trajeto em direção à saída.

Voz de Luke Castellan: "A menos que você tenha vivido a minha vida não me julgue, por que você nunca soube, não sabe, e nem nunca vai saber tudo sobre mim."

- 06 de agosto de 2006 –

Rony estava andando no centro de Nova York, o seu celular começou a tocar. Sem parar de andar, ele atendeu.

- Quem fala?

- Somos nós, da polícia de Nova York e nós encontramos Hermione Jane Granger pelas câmeras de segurança.

- Sério? Aonde ela está? Eu preciso saber!

- Faça a gentileza de vir até aqui, Sr. Weasley – disse o policial.

- Em um segundo – Rony desligou o celular e começou a andar mais rápido.

Hermione tinha sido localizada. Ela finalmente ia ser presa.

Voz de Rony Weasley: "eu tive um amor, mais foi a dor que me ensinou a ser quem sou."

O seu sorriso mostrava vingança.

- 06 de agosto de 2006 –

Percy arremessou a bola e marcou uma cesta. Thalia estava se aproximando da quadra, ele arregalou os olhos em sua direção.

- Não precisa se assustar, ainda não fiz o teste de gravidez – ela riu da própria piada, enquanto ele ficava muito sério – Foi uma brincadeira, no entanto, pode relaxar, se algum dia estivesse grávida de Percy Jackson, o mundo inteiro saberia no dia seguinte.

Ele deu um suspiro aliviado, aproximou-se dela com a bola nas mãos.

- Escuta, Thalia, aquela noite foi uma bobagem, eu não sei porquê fiz aquilo, simplesmente perdi a razão, extrapolei os motivos só porque estava longe dela, foi muito fraco da minha parte.

Ela assentiu.

- Foi estupidez, mas foi uma estupidez gostosa – disse ela sorrindo – Eu faria novamente se você quisesse, porque eu sou gostosa, meu traseiro é lindo e você não me resiste, já fizemos isso várias outras vezes! – e se aproximou.

Percy deu alguns passos para trás, negando com as mãos e com a cabeça.

- Não, Thalia, dessa vez é diferente, chega. Eu sou apaixonado por Annabeth, todo mundo sabe disso e eu não posso estragar o meu namoro!

Thalia murchou os ombros.

- Acho que devia contar a ela, sabe como as coisas funcionam no colégio, as fofocas criam asas e voam!

Ele a olhou, pensativo.

- Estamos de férias, ela não precisa saber, porque afinal de contas não significou nada para mim.

- Às vezes significa para ela! – disse Thalia – Sério, entregue as alianças o quanto antes. Tudo é relativo nessa vida e daqui a dez minutos pode ser meio tarde.

Thalia o olhou nos olhos como se deixasse uma mensagem subliminar. Percy a encarava, ela virou as costas e saiu da quadra. Ele tentou marcar a cesta, porém errou feio por causa da distração.

- 06 de agosto de 2006 –

- Distribuindo bottons para Vege Sexy? – perguntou Grover chegando bem perto de Annabeth que estava na esquina distribuindo folhetos.

- Na verdade, são só panfletos – disse ela entregando um para ele também – Tem uma churrascaria do outro lado da rua, e eu estou incentivando a não matarem as vacas.

Grover viu uma vaca sendo esquartejada por uma faca no panfleto.

- O gerente deve te amar – comentou ele rindo e olhando o panfleto – Eca, que nojo, precisava tirar uma foto da vaca sendo triturada? Não sei nem se vou conseguir respirar direito, que nojento!

- Bem vindo à realidade, bonitinho – disse Annabeth irônica para ele, apressou-se em esticar o braço para entregar os panfletos para duas velhinhas que passavam conversando.

- Que modo mais imbecil de passar as férias – comentou ele baixinho.

- Quê? – perguntou ela rapidamente.

- Nada, só achei sua ação muito bonita – disse ele amassando o panfleto enquanto ela olhava para o lado. Ele aproveitou para arremessar na direção do lixo, mas errou por pouco e o papel caiu na calçada.

- Pega, ou farei você comê-lo pelas narinas! – mandou ela nervosa.

Como se fosse um cachorrinho o fez.

- Só quero deixar claro que fiz isso por causa do meio ambiente – ele sorriu.

- Ok, senta aqui, Cláudia! – e Annabeth deu algumas palmadinhas no banco. Ele olhou cético – É sério!

Ele sentou no banco da praça para descansar, Annabeth aproveitou para guardar os folhetos em sua mochila.

- Então, o que traz pelas redondezas? Se disser que tem fofocas boas, vai ganhar um bottom meu – disse ela tirando da mochila um broche verde, redondo.

- Esse troço? Eu compro isso na... Que lindo, é muito bonito – mudou rapidamente ao ver a cara esmagadora da amiga – Mas então, falando sério, foi bom encontrar você, porque eu preciso perguntar algumas coisas.

- Sou praticamente a rainha dos conselhos, em outra vida eu cobraria por isso, mas convenhamos que eu tenho dinheiro suficiente para as próximas décadas, então, desabafe – disse ela falando tudo muito rápido e ao mesmo tempo.

- É sobre Hermione, ela foi mesmo embora? Quero dizer, eu fui viajar, achei que estava tudo bem mas ao que me consta ele foi para a Inglaterra e nem ao menos se despediu.

Annabeth o olhou, de lado, ele parecia chateado com o fato dela ter ido embora sem dizer nada.

- Para ser sincera, ela me contou o quanto era apaixonada por você, Grover – ela disse honesta – Eu era a sua melhor amiga, ela me dizia tudo sobre as suas particularidades, só que eu precisava respeitar a opinião dela. Ela não quis que ninguém sofresse com o seu sumiço, voa lá. Aqui estamos nós, solitários, no meio de uma praça, em plenas férias de verão!

Ele sorriu, de lado.

- Eu gosto bastante dela, é uma pena que as coisas tenham terminado dessa forma – disse ele encarando os próprios cadarços.

Annabeth deu uma cotovelada em sua barriga, sorrindo.

- E você? O que me conta? Como Percy se comportou na viagem para Chicago?

Grover sorriu, meio forçado.

- Escuta, eu estou atrasado para o almoço!

Annabeth o olhou, sentindo a estranheza no ar.

- Ok, só não coma carne!

- Oh, o panfleto. Perdi a fome – ele sorriu – Sério, a gente se fala outra hora, preciso mesmo ir – ele deu um beijo na testa de Annabeth – Até mais tarde.

- Até – disse ela retirando os panfletos da mochila para redistribuir.

Voz de Annabeth: "Sem mais palavras, sem mais mentiras, sem mais choro, sem mais dor, sem mais machucados, sem mais tentativas."

Annabeth encarou o andar de Grover.

- 06 de agosto de 2006 –

Alguém estava batendo insistentemente na porta de seu quarto, Hermione estava lendo, silenciosa e com a luz apagada. Ela não ia atender porque sabia que corria risco de ser reconhecida. E não tinha pedido nenhum serviço de quarto. E as pessoas continuaram a bater sem se identificar. Como não havia olho mágico, ela ficou com medo. Quem quer que fosse, estava batendo sem parar.

- Sou eu, você pode confiar em mim! – disse a voz familiar de Rony.

E o seu coração esquentou por alguns segundos, o sangue pareceu fluir normalmente. Ela foi até a porta, segurando o celular e abriu.

- Rony, que alívio! – disse ela o chamando para dentro. Abraçou com força assim que entrou. Fechou a porta e tornou a abraçá-lo – Você está bem, que saudade!

Ele sorriu maliciosamente.

- Você não achou que podia continuar no país e escapar do governo, não é mesmo?

Ela estranhou a maneira como ele falava.

- O amor somente é bonitos nos filmes, Hermione – ele pegou o celular e colocou na orelha, pelo visto, ainda ninguém havia atendido do outro lado – Porque na vida real é ilusão.

Ele adentrou o quarto enquanto Hermione ficava parada na porta.

- Não adianta fugir, os policiais cercaram o quarteirão todo – então ele fez uma expressão de que havia alguém do outro lado da linha – Pai? Mãe? Está tudo bem, eu achei Hermione Jane Granger.

Ela correu até a janela do quarto, de fato, as polícias tinham cercado o lugar.

- Rony...

- Tarde demais! – disse ele desligando o celular. Ele sorria diabolicamente.

- 06 de agosto de 2006 –

Empire State Of Mind

Youtube: /watch?v=0UjsXo9l6I8

Annabeth estranhou porque tantas polícias estavam rodeando o Central Park, ela não se sentia nada segura daquela forma, por isso decidiu apertar o passo para voltar para casa. Não era cedo, a escuridão do céu já despontava na linha do horizonte.

- Oi, doce – disse Percy se aproximando, ela colocou a mão no peito assustada – Desculpe – ele a beijou na testa, estava segurando a bola em baixo do braço, provavelmente estava vindo da quadra.

- Tem alguma coisa errada! – disse ela olhando ao redor – Estamos correndo risco de vida.

Annabeth começou a correr, Percy a segurou pelo braço.

- Eu preciso contar algo a você. É muito importante.

Annabeth o olhou nos olhos. Ela o beijou rapidamente nos lábios.

- Nada é mais importante do que estar com você, Percy – ela segurou em sua mão – Não quero saber o que é, outra hora você me conta. Agora nós precisamos ir embora daqui. Rápido!

Ele a olhou, ela estava preocupada, os seus olhos demonstravam isso.

- Deixa para lá, vamos – eles deram as mãos e saíram correndo para o apartamento dela.

E o barulho das sirenes assustavam todos em volta, eram muitas polícias.

Voz de Annabeth: "Lendo o livro do Querido John, eu descobri uma coisa, que o amor significa mais pensar na felicidade da outra pessoa do que na própria. Não importa o quão dolorosa seja a sua escolha."

Voz de Percy: "E se algum dia tiver a opção de escolher: eu darei a minha vida pela sua, Annabeth! Isso eu faria sem pensar duas vezes!"

- 06 de agosto de 2006 –

Atena estava andando de carro, as polícias passavam de um lado para o outro, fechando a rua. Suas mãos começaram a tremer involuntariamente, o seu estômago revirou.

Algo estava errado.

Ela parou o carro no semáforo vermelho, a sua mente sofreu um bloqueio repentino e seus olhos ficaram vidrados.

- O que está acontecendo?

Ela ficou um bom tempo se encarando no retrovisor, e o semáforo abriu, as outras pessoas estavam preocupadas, buzinavam pedindo para ela sair da frente. No entanto, ela estava muito chocada para dirigir.

Ou pior, ela não sabia para onde ia. Ou o que fazer.

Sirenes, ambulâncias, polícias.

- O que eu estou fazendo aqui? Quem sou eu? – perguntou ela com as duas mãos coladas no volante.

O sinal fechou novamente. Ela soltou o cinto e saiu do carro, descalça, sem saber o que fazer. A única coisa que sabia é que o barulho a incomodava. Deixou o carro para trás, no trânsito, com as portas abertas. Nada mais importava, nada. Ela só queria descobrir quem era e o que estava fazendo ali.

Enroscou as mãos nos cabelos loiros, preocupada.

- A senhora está com algum problema? – perguntou o homem do carro de trás ao abaixar o vidro.

- Eu preciso ir para a casa – disse ela respirando fundo.

- E aonde você mora?

Ela olhou para ele, e sincera, respondeu.

- Eu não sei!

E deixou-se cair sentada na calçada.

- 06 de agosto de 2006 –

Hermione estava sem saída.

- Venha, eu vou dar um jeito nessa palhaçada – disse ele estendendo a mão para ela.

- Como eu vou confiar em você? – perguntou ela com lágrimas nos olhos – Você me encurralou dessa forma, você me traiu, Rony!

Ele a olhou, aproximou-se.

- Eu... Eu fui um idiota, e estou disposto a consertar isso, segure a minha mão – disse ele estendendo a mão para ela.

- Por que eu faria isso?

- Porque eu só queria me vingar, porque eu sou um imbecil – ele parou respirando – E porque eu sou a sua única esperança! – murmurou ele.

Ela olhou para sua mão e segurou.

- 06 de agosto de 2006 –

Annabeth estava olhando as luzes dos carros das polícias espalharem pela cidade. Alguma coisa de fato estava acontecendo ali pelas redondezas, ela ia ligar a televisão, mas Percy segurou a mão dela no ar.

- Escuta, eu preciso te falar uma coisa – disse ele olhando – E é importante.

- Não pode nem mesmo esperar?

- Não, eu não consigo mais – disse ele a olhando nos olhos.

Ela o olhou, preocupada.

- Então fale.

Ele respirou fundo.

- Quando você me conheceu, eu era outra pessoa, eu estava com Thalia, e você era a garota da carteira ao lado, a garota que invadia o banheiro masculino, você era apenas a caloura. A mais bonita de todas elas – disse sinceramente – E eu me apaixonei por você no segundo que a vi, mesmo estando com Thalia, porque ela nunca significou nada para mim. Depois que eu conheci você, tudo mudou, os meus sentimentos mudaram, a minha vida mudou.

- Percy... – ela arregalou os olhos na direção dele – Aonde você quer chegar com isso?

- Só gostaria que você soubesse, Thalia não vai passar de uma garota qualquer para mim, não importa o que digam para você.

- Percy...

Ele segurou nas mãos dela.

- Faz algum tempo que eu venho guardando isso para você, no entanto, eu não consigo mais manter isso dentro de mim. Eu te amo mais do que tudo nessa vida e gostaria que você fosse a minha namorada – ele colocou a mão de dentro dos bolsos e tirou uma caixinha preta – Oficialmente!

- Percy...

- Eu te amo, Annabeth!

- Eu também te amo, Percy Jackson – e ela pulou em seu pescoço – É claro que eu aceito!

Voz de Percy: "E se você concorda com o autor de Querido John, só queria acrescentar que quando a outra pessoa está extremamente feliz, isso te faz feliz. Isso faz você se sentir tão especial quanto. E basta. O amor é tudo em nossas vidas!"

- 06 de agosto de 2006 –

- O que é isso? – perguntou Hermione sendo guiada por Rony pelas escadas de emergência do hotel – Por que estamos subindo? Ainda mais de escadas?

- Uma porque os elevadores são cheios de câmeras, e segundo, estamos subindo porque você vai escapar por cima.

Ela pareceu incrédula.

- Como? Você quer que eu saia voando?

- É, exatamente isso.

- Quê?

- Continue andando – disse ele correndo – Continue andando que eles estão subindo – e guardou o celular no bolso.

- Como você sabe?

- Essa SMS – ele passou o celular para ela – Os policiais acabaram de invadir o Saguão do Hotel!

Ventava muito no heliporto, um helicóptero estava lá em cima, com as portas abertas.

- Aquela é Rachel Elizabeth, ela é uma das garotas mais ricas do colégio. O pai dela tem um helicóptero!

- E...

- É por lá que você vai escapar. Conversei com ela.

- Rony...

Ela o olhou, ele soltou a sua mão.

- Vá, antes que seja tarde demais.

Rachel desceu do helicóptero, os seus cabelos esvoaçavam ao vento, ela tinha dificuldade em fazê-los parar atrás da orelha para enxergar.

- Vamos – disse ela passando o braço em volta do ombro de Hermione. A hélice do helicóptero começou a girar.

- Rony... – ela se soltou dos braços de Rachel que olhava incrédula.

Hermione correu até ele, abraçou-o com força.

- Obrigada por tudo!

- Imagina, só cuidado com as câmeras de segurança. É sério, os policiais do país inteiro estão procurando por você.

Ela o beijou, inesperadamente.

- Não... – murmurou ele atordoado após o beijo – Vá! – os policiais abriram a porta – VAI, VAI!

Hermione soltou Rony, correu até o helicóptero e bateu a porta. Ele levantou vôo antes mesmo que os policiais alcançassem.

Hermione conseguira escapar. E as sirenes dos carros das polícias apitavam em vão nas ruas.

Voz de Annabeth: "O amor é tudo em nossas vidas. Ainda que você consiga escapar de seu destino!"

Continua...

Nota do Autor: Um bafo atrás do outro. Percy, Annabeth, Grover, Rony, Hermione. Até mesmo o Luke teve um toque especial nesse capítulo! Todos eles estão passando por momentos dramáticos, mas acreditem. Estou pegando leve com eles, coisas piores virão!

Bom, essa semana vai ser bem corrida, estou em semana de provas, mas as aulas estão acabando e após isso teremos mais fanfics porque vou passar mais tempo em casa escrevendo. É bom acrescentar que estou muito feliz com o número de reviews e o conteúdo de TODAS elas, amando, amando mesmo e adorando as indicações de músicas, vou tentar colocar todas – mas não prometo porque por vez ou outra posso acabar esquecendo, ok?

Nem sei o que dizer, Dilma ganhou as eleições, conforme o esperado, e Harry Potter e as Relíquias da Morte foi muito bom. Por enquanto são só essas as novidades, beijo!

Respondendo as reviews:

- Existe a possibilidade de Percy e Thalia voltarem? – by Amanda.

R) Existe, principalmente quando Percy tomar um pé na bunda, ele vai ficar bem carente. Não acho que sinceramente ele vá gostar de Thalia, isso nunca, ele já superou faz tempo.

- Tyson é gay? – by Amanda.

R) Rs, duzentos porcento!

- E como será o futuro de Atena, Fred e o bebê? – by karoll, by Melissa.

R) Isso reaproximará o casal, sem dúvidas. No entanto Atena irá passar por problemas maiores, ela terá que decidir entre a própria saúde e o bebê. Os remédios dela são fatais e matarão o bebê. Ou ela toma o remédio e salva a própria vida, ou a vida do bebê. É um drama e tanto daqui para frente, teremos novidades e muito choro (barra) drama. Pode deixar, em breve teremos Back to December na fanfic. Obrigado!

- Algum dia, quando ela descobrir, Annabeth irá perdoar Percy? – by Luiza.

R) Primeiro tenho que agradecer todos os seus comentários, foram vários e amei todos de verdade. Foi uma surpresa vê-los de volta, achei que tivesse desistido, hahaha. Então, respondendo, Annabeth não irá perdoar Percy tão cedo, vai demorar alguns meses, quando ele for atingido por um... Raio? HAHAHA, quase, Percy irá passar por uma deficiência física na próxima temporada. E Annabeth será a única pessoa a colocar esperanças na vida dele novamente, isso unirá os dois, definitivamente!

- Foi erro de digitação ao falar que a Annabeth estava grávida, né? – by Regina.

R) Rssss, nem tinha reparado, mas foi sim. Desculpa! Annabeth? Grávida? Nãooooo tão cedo, pelo amor de Deus. Isso seria um drama muito drama para vida dela, coitada.

- Por que a Hermione não quis ligar para a Annabeth? Decepção master! – by Melissa.

R) Ela não queria ser rastreada, acabou optando por não ligar. Ela quer escapar da polícia ao mesmo tempo continuar em Nova York. Estranha, mas se eu fosse ela não tomaria essa mesma atitude.

- O Percy não vai contar para Annabeth sobre a traição, né? – by Melissa.

R) Não, ela vai descobrir sozinha. E imagina, quando ela descobrir, raios e trovões irão dominar o seriado, imagina só!

- As músicas são muito boas. Como você escolhe as músicas? – by Melissa.

R) Olha, é a parte mais difícil da história, encaixar a música na história, porque as histórias são muito cortadas, tem muito drama, cena engraçada, é difícil conectar uma música com TODAS as cenas. O tempo que cada leitor demora para ler também é muito difícil, por isso que eu peço que eles recoloquem a música quando acabar e ainda a cena continuar. E eu fico escutando várias, várias para ver se encaixa em cada cena. Leio e releio, fico imaginando a cena e a música para tentar encaixar. Obrigado pelo elogio, espero que esteja gostando. Beijão Mê!

Continua...

Próximo Capítulo:

- Obrigada por ser legal comigo, Rachel – disse Hermione a olhando – Apesar de termos conversado poucas vezes na escola, eu agradeço mesmo por tudo o que você está fazendo por mim.

- A pedidos do Rony – Rachel sorriu – Nada que uns favores sexuais não resolvam – Hermione arregalou os olhos com as insinuações – É brincadeira, nós nunca nos pegamos, mas nós somos parentes, caso não saiba! – Rachel mostrou os cabelos ruivos – Ele é o meu primo de segundo grau!

Hermione assentiu sorridente.

- Mas tem algo em troca que você pode fazer – Rachel apontou para a pilha de cadernos dela em cima da mesa – São as minhas lições das férias de verão!

- Isso seria a melhor coisa que poderia acontecer nas minhas férias! – disse Hermione com os olhos brilhando.