Naruto™ não é meu, mas os outros personagens são. E quem roubar, vai ter suas tripas fora de seu corpo.

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III

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EUA, Julho de 1987

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Aquela casa nunca pareceu tão grande como estava parecendo agora, sem Sai e Ino correndo pela casa, com Sara dando suas broncas de rotina, e Michael rindo de tudo, afastado.

Silenciosa demais sem o choro de Ino e as músicas cantadas pela voz desafinada de Sara. Chata demais só com ele ali dentro.

Triste demais... Solitária demais...

Revirou-se na rede amarela da varanda, olhando para o céu cinzento. Iria chover logo, logo. Sem saber por quê, a imagem de Sakura atingiu a sua mente. Os olhos sorridentes piscavam em sua memória como se estivessem querendo dizer: "Venha me ver! Venha me ver! Você precisa de mim!", e de certa forma precisava, para sentir aquele conforto e felicidade que eles emanavam.

A sensação do coração acelerado voltava, real demais. De fato ele batia acelerado toda vez que lembrava da sensação de ter os lábios avermelhados prensados contra os seus.

E a lembrança do rosto corado da menina fez com que um sorriso sincero brincasse na sua face. Por que gostava de causar aquela sensação de "eu sou o bom" nas pessoas. Principalmente nas que gostava.

As primeiras gotas de chuva caíam, algumas o atingiam por causa do vento frio. Gostava do frio.

Embalou-se, pegando impulso com as pernas que pendiam na lateral da rede. A franja negra e recentemente picotada pelo próprio acima das sobrancelhas se espalhavam pela testa conforme o vento batia. Os cabelos da nuca se arrepiaram com a forte rajada de vento e gotas frias que o atingiu.

Iria gripar se continuasse ali, e não fazia parte de seus planos ficar doente. Levantou-se, se lembrando do dia que tivera. Da despedida de seus familiares. Eles haviam partido agora pouco, às seis horas. O caminho da casa deles até o aeroporto levava uma hora. Olhou para o relógio pendurado na parede. Eram sete e meia, eles deviam ter chegado.

Iria aproveitar para estudar, mas o som da televisão ligada chamou a sua atenção. Pelo visto Sai esquecera de novo a televisão ligada. Desceu as escadas, chegou na sala. Na verdade, quem havia esquecido era Michael, já que ele era o único que assistia o canal "notícias 24 horas".

A imagem da expressão preocupada da apresentadora chamou a sua atenção. Sentou-se no sofá enquanto ouvia o que ela falava.

"Um acidente grave ocorreu agora a pouco. Um carro derrapou na estrada a caminho do aeroporto e bateu contra um poste. Temos imagens ao vivo."

- Hmm.. - Sasuke observava a imagem de um carro em forma de sanfona contra um poste, os cacos de vidro espalhados no chão, o caminhão de bombeiros parado ao lado do carro, com alguns bombeiros tentando retirar alguns corpos.

"Houve sobreviventes?"

"Não, não houve. Estimasse que quatro pessoas tenham morrido. Os bombeiros estão tentando retirar alguns corpos, mas o carro está muito prensado contra o poste, o que dificulta a operação"

"Eu estou vendo nas imagens que os bombeiros estão conseguindo retirar um corpo de um adulto, certo?"

"Sim, de um homem."

Sasuke respirou fundo. Coitado dos parentes daquelas pessoas, eles iriam sofrer muito. O carro realmente estava destruído. Viu os bombeiros fazer uma cara de espanto ao reconhecerem o homem.

"Parece que um dos mortos é o Michael Hens, o dono da maior rede de hospitais dos EUA, a 'H.S.'."

Sasuke arregalou os olhos, não acreditando no que estava vendo. Não houve reação nenhuma, seu cérebro parecia ter entrado em pane. Não processava a informação que recebia, parecia irreal, como se fosse um sonho.

... Ou melhor, um pesadelo.

"Os bombeiros conseguiram retirar o corpo da mulher que estava no banco de carona, reconhecida como a mulher de Michael Hens, Sara Yamanaka Hens, herdeira da empresa de automóveis 'Yama'."

Tudo aquilo parecia formar um bolo na garganta de Sasuke. Bem, era bem simples, se aquilo estava acontecendo com ele, provavelmente ele iria parar em um orfanato. Mas não estava acontecendo de fato com ele, era um pesadelo. Um pesadelo bem horrível. Queria acordar logo, mas parecia impossível. Sentia todos os seus nervos queimarem, como se estivessem jogando ácido em cima. A sensação daquele pesadelo era insuportável.

"Parece que o corpo do filho mais velho do casal também já foi retirado."

Não! Não! Além de tudo o pesadelo estava errado! Era ele, Sasuke, que era seu filho mais velho. Sasuke Uchiha! Não o pirralho; Sai era o filho do meio!

Olhou para os corpos envolvidos por um plástico negro. Deixou um sorriso histérico escapar. Era bem simples: ele iria acordar logo, e iria abraçar bem forte a todos, como fazia na infância, após um pesadelo.

Estava sendo horrível presenciar a toda aquela cena, principalmente para ele, que nunca havia pensado em um dia como aquele. Nunca havia pensado na morte de Sara, Ino ou Sai, nem mesmo de Michael.

Ele só não sabia quando tinha dormido.

"Está difícil a retirada do último corpo."

Quem deveria ser? A Ino. Ela era a única que ainda não tinha aparecido morta, por enquanto. Pelo visto, o pesadelo era sobre isso mesmo, sobre a morte de todos os seus familiares.

Sasuke permanecia olhando estático para a televisão, e para toda aquela jorrada de ácido em cima dele. O seu cérebro se recusava em aceitar como verdade aquelas notícias. Para ele, era tudo mentira. Uma mentira muito estúpida e mal feita, com informações erradas. E o incrível é que a sensação do coração se rasgando no meio por mãos repletas de espinhos era real demais. Ruim demais.

Piscou, atordoado, sentindo a boca secar, e o ar ser transformado em gás lacrimejante. Sim, por que seus olhos estavam se umedecendo de uma forma dolorida e irritante.

Seus tímpanos não captavam mais som nenhum. Seus olhos enxergavam, literalmente, tudo cinza e borrado. O fluxo de água só crescia nos olhos. Aquilo estava ruim demais, era o pior pesadelo que estava tendo. Como se acordava?

Beliscou-se forte no braço. Sentia a sua unha machucar a pele alva, deixando um arco avermelhado. Piscou. A televisão continuava dando notícia do acidente. Apertou mais ainda, tentando despertar. A dor estava ali, mas nada de acordar. Girou a mão.

- Aahhnn... - Gemeu de dor. Por que não estava conseguindo acordar? Não sabia se conseguiria ficar ali tanto tempo, estava se sentindo sufocado. Aquela agonia o sufocava. Por que não estava conseguindo acordar?

- Talvez por que eu não esteja em um pesadelo... - Sussurrou débil, deixando que as lágrimas pingassem.

Tinha que ser um pesadelo! Tinha que ser um pesadelo! Ele não aguentaria se fosse verdade. E a dor era tão sufocante, tão horrível, que o fazia se curvar sobre o seu coração.

Ouviu o telefone tocar.

Levantou-se, seus joelhos não tinham firmeza. Teve que se apoiar na parede para se manter em pé. Enquanto andava em direção ao telefone, tinha sensação de que tudo na verdade não era um pesadelo. Era tudo real. Mas não podia ser real - não aguentaria se fosse real. Mas ele era um garoto forte, não era? Pelo menos era isso que o seu irmão mais velho falava.

Atendeu ao telefone, deixando os joelho cederem e caírem no chão.

- A-alô...? - Perguntou soluçando. Estava soluçando? Desde quando?

- Moreno? - Ouviu a voz de sua professora do outro lado da linha.

- O que você também está fazendo aqui? Vai morrer também? - Sua voz era completamente sufocada, quase um sussurro.

- Aqui onde? Hã? Morrer? Do que você está falando?

- Meu pesadelo. Eu estou tendo um pesadelo. - Falou desolado.

- Moreno você está chorando?

Sasuke se deu conta das lágrimas, e secou-as. Não, ele não estava chorando. Ouviu a repórter da televisão falar que era a família Hens que tinha morrido, e deixou um soluço escapar pela garganta sufocada.

- Moreno? Você está bem? - Ele podia ouvir o tom de preocupação na voz de sua professora. – O que está havendo?

- Morreu... Sara, Ino, Sai, Michael... Eles morreram, morreram! - Disse quase gritando. - Mas eu vou acordar. - Falou enlouquecido, deixando um sorriso triste aparecer.

- Sasuke, você já está acordado... - Disse com um pesar na voz.

Não, não, eu não estou acordado, não estou, é só um pesadelo, pesadelo... Olhou para o teto, tinha que ser um pesadelo.

- Estou?

- Sim...

- Mentira. - E bateu com o telefone no gancho. Queria ter a prova que tudo não era uma mentira. Iria acordar o mais rápido que podia.

O gás lacrimejante se misturou com um gás anestésico. Sentiu seus sentidos sumirem, e os olhos se fecharem. O resto do corpo não tinha mais capacidade para se sustentar, caiu no chão. A dor no coração era insuportável demais para lutar contra ela. E tudo ficou escuro.

.:.:O#O:.:.

- Sakura? - Chamou Ane.

- O que?

- Amanhã nós vamos em um enterro.

Sakura arregalou os olhos.

- De quem? Quem morreu?

- A família Hens.

- Qual? Aquela que o papai estava fechando negócios?

- Sim, essa mesma.

- Sério? - Enrugou a testa.

- Sim... - Falou triste. - Venha cá ver.

Sakura saiu da varanda, e andou até o pequeno quarto de seus pais. Viu sua mãe olhando com os olhos estreitos para a televisão ligada. Parou ao seu lado, vendo as notícias que os repórteres passavam. Uma família inteira morta, assim, do nada... Os parentes iriam ficar bem tristes...

- Parece que a família Hens tinha um filho adotado, chamado Sasuke Uchiha, que não iria fazer a viajem junto com a família.

"Sasuke?" Pensou. Só conhecia uma pessoa com aquele nome. O moreno lindo que não iria fazer a viajem com a família por conta da recuperação. Será que era ele? Seria um tanto chato se fosse... Perder a família, de uma hora para outra... Onde ele estaria? Torcia para que não fosse ele.

Mas, se fosse ele...

Deveria estar arrasado.

Sentou-se, absorvendo toda aquela informação. Não gostava de mortes... E ficava triste quando uma acontecia, por todos. Levantou-se, indo se deitar na cama. O ambiente estava ficando melancólico demais, não gostava disso, não era como as estrelas.

Piscou, com o sono a invadindo. Amanhã teria que ver pessoas dentro de um caixão, e isso a desanimava, e seu desânimo significava sono. Em menos de um minuto, Ane viu sua filha "desmaiada" na cama.

.:.:O#O:.:.

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Holanda, Julho de 1987

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Olhou para o espelho, passando a escova nos longos cabelos cor de chocolate. Estavam crescendo muito, e pelo oque parecia, Neji ficava chateado quando a via prender os fios sedosos em dois coques.

"Por que não soltar? Eles são tão lindos, Tenten. Você é doida. Veja, eu uso o meu solto. E todo mundo gosta."

Legal era que Neji nem era metido. Suspirou, se lembrando do acontecimento de hoje a tarde. Uma xícara de chocolate, TPM, e um amigo super intrometido não são substâncias que, uma vez misturadas, resultam em um bom resultado.

E por pura teimosia, Tenten experimentou misturar. O resultado havia sido uma grande discursão.

Tudo havia começado com um súbito desejo de chocolate. Ela era chocólatra ao extremo, e todos os dias comia pelo menos uma travessa de brigadeiro. Mas hoje, seu desejo estava muito incontrolável, muito maior do que o normal. E para sassear a sua sede de chocolate, nada mais normal do que ir em uma chocolateria. Mas qual não foi a sua surpresa ao ver Neji sentado na mesa mais afastada com uma caixa de bombons em mãos.

- Para quem é isso? - Perguntou Tenten, aproximando-se do amigo.

- Como para quem? É para mim. - Falou calmo, protejendo a caixa da amiga chocólatra.

- Neji, eu não sou idiota, eu sei que você não come chocolate. Ou melhor, que você tem alergia à chocolate. - Disse estreitando os olhos. - Para quem você comprou?

- Tenten, oque você está fazendo de novo aqui? - Desconversou.

- Me deu vontade de comer chocolate, ué. Não tem nada demais nisso. - Deu ombros.

- Você está viciando.

- Eu já sou viciada. E nem tenta mudar de assunto, okay? Para quem é essa caixa de bombom?

- Minha mãe.

Tenten cruzou os braços, desconfiada. A mãe de Neji não gostava de chocolate, também. E ela se perguntava como poderiam existir pessoas que simplesmente não gostavam de chocolate. Iria deixar essa desculpa passar, não iria descutir.

- E oque você está fazendo aqui de novo? Pelo amor de Deus, Tenten! Chocolate aumenta o colesterol e dá espinhas, e você tem pavor de espinhas.

- Eu não pedi a sua opinião, Neji. - Disse se virando de costas, andando em direção ao balcão. Neji ficou mudo, olhando para a sua amiga que definitivamente estava viciada. Uma amiga viciada em chocolate! Era só oque faltava. Viu a morena pedir um chocolate quente, que, em menos de três minutos estava pronto. Observou a mesma pagar, e, segurando firmemente a chícara em mãos, andar na sua direção.

Tenten sentou-se, tomando um gole da sua bebida tão saborosa.

- Quer um gole?

Neji enrugou o nariz.

- Não, obrigado.

- Ainda bem. - Sussurrou. O barulho do líquido sendo sugado pela boca avermelhada de Tenten irritava Neji profundamente.

- Dá para você parar de fazer esse barulho? - Perguntou irritado.

- Qual? - Seu tom era de deboche. - Esse? - E sugou, fazendo Neji ficar vermelho de raiva.

- Argh! - Gemeu, furioso.

- Ihhh, cruz credo, Neji! Até parece que é você que está na TPM. - Falou, arregalando os olhos logos em seguida. Um estalo se fez presente na cabeça do garoto.

- Você... Você já... Mestrua...? - Perguntou tímido, sentindo suas maçãs se esquetarem.

- Não te interessa. - Falou, também rubra, voltando a dar o seu gole generoso no chocolate quente. No mesmo instante, começou a tocar a música "ABC" do Jackson Five. Tenten era louca por eles.

- Fala, Tenten, sou seu amigo... - Suplicou Neji, cada vez mais vermelho.

- Você é um ga-ro-to. E ga-ro-tos não precisam saber disso. - Bufou, virando a cara.

- P-por favor... - Disse abaixando a cabeça. - Se você me falar, eu te falo para quem é o bombom. - Mas pelo santo do chocolate meio amargo! Como ele era teimoso! Mas era tentador saber para quem era aquela caixa... Se não fosse para ninguém, seria para ela.

Tsc, Tsc. Feio, hein, Tenten? Puro interesse...

Mas o bombom era tão apetitoso!

- Tá. - Adimitiu, dando mais um gole no chocolate e corando. - ...Eujámestruo ... - Disse em um sussurro quase inaudível, rápido demais. - Satisfeito?

- Se não fosse pelo fato de eu não ter ouvido oque você falou, sim.

- Poxa, Neji, você é muito chato! - Disse juntando as sobrancelhas em frustação. - Eu já mestruo sim! - Disse em um sussurro por entre dentes, pouco mais audível.

- Não ouvi. - Disse sincero.

- Por que você não me fala primeiro para quem é essa caixa de bombom?

- Não, eu perguntei primeiro.

- Claro que não!

- Claro que sim!

- Neji, presta a atenção, eu cheguei aí você perguntou oque eu estava fazendo aqui, e eu respondi que vim comer chocolate, e perguntei para quem eram esses bombons. E você respondeu perguntando oque eu estava fazendo aqui! Viu, eu que perguntei primeiro. Agora me fala, para quem é esse bombom? E... Caramba! Eu amo essa música! Sing a simple melody...- Começou a cantar estalando os dedos.

Neji rolou os olhos.

- Tenten...

- One two three, You and ME! - Cantou imitando a voz do pequeno Michael.

- Tenten, presta a atenção aqui!

A morena parou de estalar os dedos e cantar para olhar para os olhos de cor peculiar do Neji.

- Você mestruou ou não?

- SIM! - Gritou impaciente. - EU MESTRUEI MÊS PASSADO, SATISFEITO?

Todos na chocolateria olharam para ela. Neji arregalou os olhos. Observou a morena enrubecer violentamente, chateada por ter a atenção de todos sobre si. E Tenten odiava ser o centro das atenções. Viu ela largar o chocolate quente em cima da mesa e sair correndo para fora do local. Levantou-se, indo atrás da morena. Viu ela correr e entrar em um beco do outro lado da rua. Andou até o local, se culpando por ser tão surdo.

- Tenten?

- S-sai D-daqui! - Disse com a voz embargada. - Viu? E-eu est-tou chora-ando por s-sua causa-a!

- Por minha causa? - Perguntou apontando para si.

- É-é!

- Ah, por que?

- Por sua culpa to-odo mundo sabe que eu já-a mestruo-o! - Disse se encolhendo.

- Tenten, não é "todo mundo", é só a chocolateria!

- E eles vã-ão conta-ar para os parentes e amigo-os deles, que vão contar p-para os parentes e amigos dos parente-es e amigos, que vão...

- Tenten, menos... - Disse se aproximando dela, envolvendo-a em um abraço protetor. - Mestruar é normal para todas as mulheres...

- É?

Neji rolou os olhos.

- É.

- Ah, Neji, eu não sei oque seria de mim se-em você... - Disse melancólica. Afinal, TPM causava essa mudança brusca de humor?, Neji se perguntava. Bem, não sabia. O importante é que estava abraçando Tenten, e adorava fazer isso. Apertar a cintura fina era algo extremamente prazeroso.

- Neji?

- Hm?

- Para quem é aquela caixa de bombom que você esqueceu na choco-choco? - Choco-choco era o nome carinhoso que Tenten havia dado para a loja de chocolates. Neji arregalou os olhos, se lembrando da cara caixa de bombom.

- Ih, o bombom! - Soltou o corpo de Tenten, apressado. Ninguém poderia ter pego a caixa, era cara demais para gastar outra mesada nela. Soltou um suspiro de alívio ao ver a embalagem amadeirada com um laço de fita verde musgo no mesmo local que deixara. Andou até lá, pegando o objeto com cuidado no colo. Voltou para onde Tenten estava. Viu a mesma secar as lágrimas e com um sorriso comentar como ele era rápido.

-... Mas, você não me respondeu para quem é essa caixa linda aí.

Neji olhou para a caixa, e virou-se de costas para a Tenten, escondendo o rubor. A morena percebeu abaixando o olhar.

- Ah, entendi... É para aquela menina que você estava ficando? - Perguntou desanimada.

- Não... - Falou. - É para você, Tenten! - Disse se virando rapidamente, estendendo o objeto na direção dela.

"Mas não é o meu aniversário nem nada... Hoje é o dia do amigo, por acaso?" Pensou.

- Hoje é algum dia especial...? - Perguntou pegando a caixa, examinando os bombons com formato de flor ali dentro.

- Não, Tenten. Eu sei que é um pouco atrasado mas... É o seu presente de aniversário.

Tenten sorriu. Mesmo depois de cinco meses, ele não esqueceu!

- Obrigada, Neji! - Disse abraçando ele. - Mas por que você demorou tanto?

- É que meu pai atrasou com a mesada e... Ela foi cara.

- Não precisava, Neji! Você gastou muito dinheiro com isso daqui e eu sei que a sua mesada é sofrida...

- Que isso, Tenten. Precisava sim.

- Não, não precisava.

- Precisava.

- Não precisava.

- Precisava.

- Não precisava! Que coisa!

- Se eu digo que precisava, é por que precisava!

- Você. É. Um. Chato! - Falou gritando, saindo dali.

- Eu também te amo, querida! - Ouviu ele gritar atrás de si.

Olhou-se no espelho. Se Sakura estivesse ali, era estaria falando a mesma coisa de sempre: "Esse é o casal de amigos mais problemático que eu conheço. Imagina de vocês fossem um casal de verdade? Urgh, não queria nem estar perto."

Casal de amigos e problemático. Isso soava tão engraçado para as duas, que depois de uma conversa saudável com sua amiga Tenten nem se lembrava mais da discursão que tinha constantemente com Neji.

Estava com uma enorme saudade dela... A sua viajem estava demorando muito – uma semana. Ahh! Mas ainda faltava muito mais.

Quero minha amiga!

.:.:O#O:.:.

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EUA, Julho de 1987.

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A sensação que sentia, definitivamente, não era uma das melhores. O órgão batendo forte demais dentro do peito não era muito bom... Doía muito, muito.

Piscou os olhos, devagar. Estava acordando do pesadelo – Finalmente!. Levantou-se o mais rápido que podia, se espreguiçou; havia dormido no chão da sala, sua coluna doía. Ouviu alguns ossos estalarem, e andou para o quarto de seus pais.

Bateu de leve, e não ouviu nenhum entra. Eles ainda deveriam estar dormindo. Abriu a porta, botando a cabeça para dentro.

- Mãe? – Perguntou, baixinho, andando em direção à cama perfeitamente arrumada. Não, não, eles deveriam estar dormindo ali! Ele já tinha acordado, não tinha?

Ou essa droga de pesadelo não acordava nunca?

Saiu do quarto, andando pelo enorme corredor. Foi até a porta branca do quarto de Ino – abriu rapidamente. Andou até o berço de madeira, ansiando por ver os fios loiros espalhados pelo travesseiro. Vazio.

Correu até o quarto de Sai, abriu a porta com medo e raiva. Ele tinha que estar ali! Foi até a cama de solteiro, vazia.

- Não, não!

Onde eles estariam? Talvez tomando o café da manhã. Correu até a cozinha, quase tropeçando nos degraus da escada. Tinham que estar lá!

Sentiu uma pontada forte demais no peito ao ver o cômodo vazio. Completamente vazio.

O telefone começou a tocar, andou até o local, e atendeu o mesmo.

- Alô?

- Moreno?

-Você de novo?

- Moreno... Eu sinto muito, muito...

- Pelo oque?

- Por eles... Ir embora assim, de uma hora para a outra... Você está bem, querido?

- Eu não... Do que você está falando?

- Ah, Sasuke... Você me falou ontem à noite de todos mortos, e eu vi hoje a reportagem na tevê e...

- ... ah... – Arfou.

- Quer que eu vá para ai?

Silêncio. Uma pontada forte surgiu em seu peito, fazendo-o levar a sua mão até o seu coração. Nem ele mesmo entendia o que se passava pela sua cabeça. Girava tanto, que um fraco enjoo começava a atingi-lo. E foi aumentando cada vez mais, até sentir a necessidade de correr até um banheiro. Largou o telefone em cima da mesa, e correu para o vaso sanitário. Seu coração batia de forma dolorida contra as suas costelas. Doía muito. Botou tudo para fora – toda a comida que não havia comido. A dor em seu peito aliviou, respirou um pouco mais aliviado.

E toda a realidade parecia lhe atingir com bofetadas na cara. Como acordara no chão da sala, enquanto no pesadelo, havia desmaiado ali? Se Jane estava ligando para ele agora falando que sentia muito, então era por que era tudo verdade.

Não podia ser verdade.

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Continua...

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N/A: Nhá, gente, vocês vão querer me matar :O Oh, tadinha de mim i_i

Ta, tá, mas vocês vão ver que esse drama todo foi necessário u.u E depois vão ficar felizes por isso. Kurara, linda, meu amor, não me mate, siim? K3

Fiquei feliz com as reviews :D E espero ganhar mais *-*

Beijos o/