Os personagens de Naruto são do titio Kishi, mas os outros são meus, rã e.e
.
IV
.
.
EUA, Julho de 1987
.
Entrou na igreja, sentindo o clima pesado no ar. Tinha uma das mãos de seu pai em seu ombro, confortando-a. Era o primeiro velório que ia na sua vida, e estava bem cheio. Todas as pessoas vestidas de preto, chorando. E o tempo lá fora era lindo – o céu completamente azul e sem nuvens fazia contraste com a grama verde do jardim. Um dia tão inadequado para um velório...
Aproximaram-se de um dos caixões cercado de pessoas – Quase todas de olhos azuis e cabelos loiros. Aquele devia ser o de Michael. Todos choravam, desolados. Olhou para um homem aparentemente de idade, agachado sobre o caixão escuro. Os soluços dele eram mais altos do que o dos outros possíveis parentes. Mas não era aquele caixão que queria ver. Ergueu o rosto, procurando o menor dos caixões.
Achou um que não era o menor, mas era pequeno. Desviou das pessoas, saindo dali. Seus pais permaneceram no local. Andou até o caixão cor de marfim, com somente três pessoas ao redor dele. Não dava para ver o rosto da criança dentro do caixão, o mesmo era todo tampado.
E ela estava sem ações – o que faria em um velório de desconhecidos? Nada a não ser sentir um enorme pesar. Olhou mais uma vez ao redor. Viu uma mulher de cabelos vinho se aproximar, segurando o braço de alguém atrás de si; parecia estar mais arrastando do que acompanhando. A outra pessoa era menor do que a mulher, e parecia relutar contra ela. Ele parecia não querer estar ali. Viu a pessoa soltar o braço da mão dela, virando-se e saindo dali.
A mulher ruiva fez uma careta de frustração e virou-se, correndo atrás do garoto.
Sakura voltou o olhar para as outras pessoas, olhando de longe a sua mãe chorar no ombro de seu pai.
- SASUKE, VOLTE AQUI AGORA! – Ouviu a mesma mulher ruiva gritar na porta da enorme igreja, alto o suficiente para fazer com que a maioria das pessoas se virassem, inclusive seus pais. Todo mundo parecia ansioso para conhecer o filho adotado e anônimo de Michael Hens e Sara Yamanaka.
O garoto parou de correr, e ficou paralisado no meio do grande jardim da igreja.
A calça larga branca que ele usava sacudia com o vendo lá fora. O capuz de seu casaco cinza que cobria o seu rosto caiu, revelando um cabelo completamente emaranhado; parecia que não via um pente há mais de uma semana.
Todos viram ele abaixar a cabeça, e se virar, quase lentamente. Seu rosto não era visível através da longa franja que caía e cobria-o como uma cortina.
Uma de suas pernas se arrastou para frente, seguida da outra, projetando uma caminhada. Os olhos ansiosos de dentro da igreja acompanhavam cada ação dele, na esperança de ver o rosto do garoto.
E pelo penteado e a cor do cabelo dele, Sakura constatou que já conhecia aquele Sasuke.
Era o mesmo moreno-lindo que havia roubado um estalinho dela há três dias atrás.
O mesmo garoto de olhos negros e brilhantes, alto e aparentemente feliz.
Era ele, ali, andando de forma arrasada, mortificada.
Não queria vê-lo assim.
De repente, ele parou.
A perna ficou paralisada no meio do movimento que fazia. Parecia que ele era movido à pilha, e a sua havia acabado. Estava completamente paralisado. Todos prenderam a respiração. Ele deu mais um passo para frente, e seus joelhos perderam a firmeza, e ele não conseguiu mais segurar o peso do próprio corpo. Caiu.
A mulher ruiva correu até ele, o barulho de seu tênis preto ao pisar na grama úmida era ouvido por todos. Ela abraçou-o na cintura, levantando o tronco caído na grama. Ele parecia não ter forças para nem conseguir ficar sentado, precisava de apoio. E a mulher mal conseguia segurá-lo por causa do tamanho excessivo que o garoto tinha. Ela aproximou a boca do ouvido dele, murmurando algo; parecia zangada.
Sakura se cansou de ficar parada, ele parecia muito mais arrasado do que ela pensava, a ponto de não conseguir ficar em pé.
E ela queria ajudar, muito.
Por que se sentia de alguma forma com essa necessidade.
Andou, desviando de todos, recebendo olhares curiosos. Desceu as escadas, correu até eles. À medida que se aproximava, podia ouvir o que ela falava para ele.
- Droga, moreno! Eu falei para você comer aquele sanduíche que eu fiz para você! Mas não, você é teimoso o suficiente para ficar sem comer absolutamente nada por três dias. O sanduíche só seria para evitar isso que está acontecendo. Você vai acabar desmaiando aqui! – Ela bronqueava severa. – E você acha que está ganhando o que com isso? Você acha que eles estão felizes por t e verem passar fome, é? Claro que não, moreno! Ao contrário, eles se foram, mas querem ver você bem, entende? –Ela tomou fôlego - Droga, moreno! Pára de abaixar a cabeça assim... Vamos lá, levanta... – Ela agora sussurrava com um enorme bolo na voz, tentando erguer a àbeça dele. Sakura aproximou-se, perto o suficiente para ver as lágrimas que surgiam nos olhos dela. – É a sua última chance de dizer adeus...
- Não... – Era a voz dele. Arranhada e rouca, como se estivesse gritado por horas seguidas. -... Não...
Sakura ajoelhou-se ao lado da mulher, nenhum dos dois ainda havia percebido a sua presença.
-... Não faça isso comigo, por favor... – Ele suplicava, baixinho. Parecia imensamente angustiado, triste, carente. E não conseguia esconder o seu real estado.
O que Sakura fez a seguir foi por puro impulso. Jogou-se em cima dele, enterrando a cabeça na curva de seu pescoço, apertando-o contra si com seus braços. Era torturante ver alguém no estado que ele estava... Queria ajudá-lo, muito muito.
Ele imitou-a, enterrando sua cabeça na curva do pescoço dela.
Sakura não sabia direito o por que de estar fazendo isso, ela só sentia que havia necessidade de reconfortá-lo. E a necessidade era tão grande, que parecia que ela era única que conseguia acalmá-lo. O moreno-lindo precisava se despedir de sua família, depois não teria outra chance. E se a mulher ruiva não estava conseguindo, ela que iria tentar.
Ergueu um pouco o tronco, levantando-o junto. Tinha que exigir o máximo de seu equilíbrio e sua força, ele era muito pesado. Foi se levantando aos poucos, com ele junto. Uma de suas mãos largou o pescoço dele para acariciar os fios negros embolados. Conforme ela ia ficando de pé, ele também ia, o tempo todo com o rosto apertado contra a curva do pescoço dela.
A professora olhava a cena assustada, com a boca escancarada. Como aquela garotinha conseguiu levantá-lo sem nem ao menos ouvir um protesto dele? Como ele estava deixando-a desembaraçar o seu cabelo negro? E ele não soltava nenhum resmungo ou nem mesmo a afastava de si.
Quem era aquela garota de estranho cabelo rosado?
Viu-o parar de abraçá-la, quando estava em pé. Ergueu suas mão, pagando o rosto da Haruno firmemente. Curvou-se mais um pouco, olhando-a nos olhos. A pupila de Sakura dilatou no mesmo instante, e Sasuke percebeu, já que estava muito perto. De angustiado, os olhos dele passaram para calmos. Piscaram, olhando-se fundo. Os ombros do moreno relaxaram, e ele suspirou.
Jane se assustou ao perceber o poder que ela exercia sobre ele. E se assustou mais ainda ao olhar os olhos dela – eram aqueles mesmos olhos claros que seu aluno havia desenhado no cantinho da folha com perfeição!
Então era ela a sua namoradinha?
Sorriu discreta. Ela era tão bonitinha! E tinha um olhar tão reconfortante... Pode compreender os movimentos anteriores de Sasuke.
- Vamos, Sasuke... – Sussurrou a menina, segurando a mão dele.
- Não quero. – Falou.
- Você depois não vai ter outras chances de se despedir deles.
Sasuke voltou a olhar para o chão.
- Que se f... – Iria xingar, mas foi interrompido.
- Moreno! Palavrões não, okay?
Sasuke bufou e virou o rosto.
- Venha, Sasuke... Por favor... – Pediu Sakura com carinho.
- Eu ganho o que com isso, hein? Eu não estou a fim de ver nenhum membro da minha família dentro de um caixão; eu não quero ver. – Falou largando a mão de Sakura, para dar logo em seguida meia volta.
- Se você não vier... – Ameaçou Jane. - ... Você vai para o orfanato agora mesmo.
- Mas cedo ou mais tarde, que diferença faz?
- Sasuke, eu estou com a sua guarda, você não vai para um orfanato, só se eu quiser.
- Eu não estou para piadas hoje.
- Eu não sei se você sabe, mas Sara era muito minha amiga. E ela me pediu, para que se eu morresse depois dela, ficasse com os seus filhos. – Disse. Sasuke parou de andar. – E o único que restou foi você.
.:.:O#O:.:.
.
EUA, Agosto de 1987.
.
Sasuke estava sentado no sofá branco da sala do apartamento de sua infeliz professora. Olhava chateado para o teto, lamentando por ter de repetir o ano na escola.
Cutucou o prato de comida que estava apoiado em suas coxas com o garfo. Aquele frango frito estava com uma aparência boa, confessava. Mas ele não estava realmente com fone nenhuma. Colocou o prato intocado de comida em cima da mesinha de centro de vidro.
Jane apareceu na sala, escovando os cabelos cacheados cor de vinho ainda úmidos. Olhou para o Para o prato repleto de comida. Sasuke já estava exigindo demais de sua paciência. Ele não havia comido direito desde o velório de sua antiga família, o máximo que havia enchido seu estômago havia sido alguns tomates picados.
- Ah, qual é, moreno? Você está a fim de me estressar, é? Eu sei que a minha paciência é muito grande, mas você está acabando com ela! – Reclamou colocando a escova em cima da mesa ao seu lado. – Pára de fazer esse teatrinho de "eu não vou colaborar".
Viu ele cruzar os braços, olhando para o lado oposto.
- Aposto se fosse aquela garotinha simpática, a... Como é o nome dela? Ah, sim, Sakura. Se fosse a Sakura que estivesse te pedindo para comer, e depois se você olhasse nos olhos dela, iria comer tudinho! Até o próprio prato, aposto.
- Hmpf. – Resmungou, fechando os olhos.
Jane desfez a cara de zangada, mudando para uma de preocupada. Ela realmente estava preocupada. Sasuke não comia quase nada o dia inteiro, desse jeito ele ia parar em um hospital.
E o emagrecimento dele era bastante nítido. Os ossos eram bem visíveis.
Andou até ele, sentando-se ao seu lado. Suspirou.
- Sasuke... Saco vazio não para em pé. – Falou erguendo a mão para afagar o ombro dele. Sasuke abaixou o olhar. – O que você mais gosta de comer?
Um sorriso passou ligeiro pelos seus lábios.
- Tomates... – Sussurrou. Há muito tempo que não comia-os.
- Hmm... Ta. Eu faço pra você. – Disse sorrindo. Sasuke parou de olhar para o lado oposto, e fitou a mulher magra que saía do seu campo de visão. Levantou-se, andando até o corredor. Passou pela porta do primeiro quarto, que era o de Jane, depois entrou na porta do seu quarto. Estava ali a pouco mais de uma semana, não sabia de quase nada sobre aquele pequeno apartamento. A única coisa que havia descoberto no seu quarto havia sido um closet meio secreto.
Jogou a franja para trás, ela estava atrapalhando a sua visão. A ideia de investigar o que havia dentro daquelas duas portas de madeira escura era muito tentadora. E o fato de Jane não ter deixado-o abrir tornava aquilo tudo mais divertido. Tocou de leve na maçaneta redonda de ferro, sentindo um arrepio no braço. O ferro estava muito gelado!
Bem, isso não importava. Segurou firme e puxou. A porta não abriu. Fez mais força. Parecia estar emperrada.
Puxou, puxou e puxou. Em um solavanco, a porta abriu, fazendo Sasuke perder o equilíbrio e cair no chão. Assustou-se com o tamanho do closet – Era enorme!
Entrou no mesmo, sentindo a camada de poeira sob os pés descalços. Nas paredes tinham algumas teias de aranha. A madeira descascava em alguns pedaços, nos cantos. Olhou mais a fundo, onde a claridade do lado de fora do closet não entrava. Andou até lá, percebendo que havia algo enorme coberto por um grande e pesado pano. Bateu de leve em cima do pano, tossindo em seguida pela poeira que levantou. Tampou o nariz, sentindo-o coçar. Agarrou firme o pano e puxou-o de uma vez.
Seus olhos se arregalaram ao ver o grande piano branco que sua professora particular escondia. Por que ela escondia aquele instrumento tão lindo? E, caramba! Amava pianos. E há muito tempo que não via um.
Adorava a sensação dos dedos deslizando pelas notas pretas e brancas. De sentir todo o seus sentimentos escondidos fluírem para as pontas dos dedos. E a sensação de se sentir aliviado depois de tocar.
Sentou-se no banquinho do piano, apertando as primeiras notas. Tudo o que sentia era um prazer imenso no que fazia, e algo quente crescer dentro de si.
--
Jane cortava calmamente as frutas¹ vermelhas, quando ouviu um som que muito tempo não ouvia.
Sasuke havia descoberto o seu piano.
E a canção que ele tocava era linda.²
Largou os tomates, andando em direção ao closet "secreto". Entrou no mesmo, vendo Sasuke com a cabeça baixa, se movendo lentamente no ritmo da melodia. Jane viu os dedos dele tocarem com uma certa agilidade o instrumento.
Aproximou-se, com a boca escancarada. Não sabia que o moreno tocava tão bem. Paralisou, relaxando com o som que saía das pontas dos dedos dele.
Aos poucos, a pequena canção ia chegando ao fim. Era uma melodia tão linda, tão tranqüilizadora... Queria aprendê-la também.
Viu Sasuke retirar lentamente os dedos de cima das notas, inspirando e respirando profundamente. Ele virou um pouco a cabeça, olhando-a por cima dos ombros.
Jane se aproximou, devagar, com a boca e os olhos escancarados.
Sasuke voltou a olhar para o piano.
- Sasuke... você toca piano! – Sorriu.
- Sim. – Ele assentiu.
- Por que você não tocou antes?
- Porque talvez você estivesse escondendo esse piano.
A ruiva sacudiu as mãos, se desculpando.
Sasuke virou-se para ela, com a testa franzida.
- Por que você o escondia?
Jane abaixou o olhar.
- É que ele foi da minha antiga irmã... – Disse. – Ela me deu esse piano e um mês depois ela... Faleceu.
Sasuke abaixou o olhar, compreensivo.
- Mas... Você toca piano também, né?
- Sim, mas eu toco pouco, não gosto de ficar me lembrando da minha irmã mais velha.
Irmã mais velha...
Sasuke a olhou. Não era o olhar indiferente, raivoso, irônico, debochado, irritado nem mesmo o emburrado que ela estava acostumada a receber. Mas sim um olhar carregado de saudade, com uma sombra de dor. Muito diferentes dos olhares matinais que ele lhe lançava.
Viu-o sair rapidamente do closet, andando pelo corredor.
Tudo o que ele não podia fazer naquela casa era se trancar no quarto como havia feito logo quando chegou ali.
Sim, por que ele passou três dias enfurnado naquele maldito cômodo, sem comer, sem ir ao banheiro, e sem dormir. Esse último era evidente quando ele se destrancou, suas olheiras denunciavam tudo.
Seguiu-o, por todo o percurso que ele fez. Andou até a cozinha, sentou-se, levantou-se, e, quando ela menos percebeu, ele se virou rápido demais para dar tempo de ela pensar, e correu para o quarto, não dando tempo de Jane evitar mais alguns dias de confinamento do próprio.
- Abre essa merda de porta agora!
- Não!
- ABRE AGORA! EU ESTOU MANDANDO! – Gritou batendo com raiva na porta.
- EU JÁ FALEI QUE NÃO VOU ABRIR! – Gritou na mesma altura.
Jane parou de bater na porta, percebendo que no grito ela não conseguiria evitar mais uma crise dele.
- Sasuke, qual é o seu problema, hein? Eu não consigo te entender...
- Você não sabe de nada, não tem como entender! – Ele falou alterado. – Você não sabe de nada!
Jane fechou os olhos.
- Como eu posso saber se você não me conta? – Disse. – Você sabe que eu realmente quero te entender.
Ouviu ele suspirar. O barulho das molas no colchão denunciavam que ele estava se sentando.
- Você quer ouvir a minha história? – Disse ele, tão baixou, que Jane precisou encostar a orelha na porta para ouvir.
- Eu quero, mas eu não estou ouvindo quase nada. Você fala muito baixo.
Ele não demorou para responder.
- Então saia daqui. – Ele respondeu entre dentes.
Jane já não estava se agüentando de raiva. Sua paciência estava esgotada.
- Eu já estou de saco cheio de você, seu Uchiha! Você não colabora, sempre emburrado, e distante! Qual é o seu problema, hein?
- O problema? – Ele perguntou aumentando o tom de voz. – Você quer saber qual é o meu problema? – Ele quase gritava agora.
- Eu quero saber se você sofre de transtorno mental ou algo do tipo!
- O MEU PROBLEMA FOI TER NASCIDO! – Ele gritou a plenos pulmões. - SE EU NEM EXISTISSE, EU NÃO PRECISARIA ESTAR MORANDO AGORA NESSA MERDA DE CASA JUNTO COM VOCÊ! VOCÊ NÃO ESTARIA DE SACO CHEIO DE MIM!
Jane parou de bater na porta ao ouvir a voz gritada dele.
- Minha mãe deveria ter me abortado. – Agora sua voz já estava um pouco mais baixa. - Meu pai me vendeu, meus compradores morreram, e agora eu estou nessa merda de apartamento, vivendo com uma chata que nem você que nem me aturar sabe. – Ouviu algo cair no chão. – Eu estou cansado de tudo isso! Eu sinto falta do meu Nee-san, da minha Okaa-san, de Sara e Ino, de todo mundo que se foi e que eu amava!
- Sasuke, cala a boca! Você não fala tanto assim! Desembestou a falar do nada! Você é doido!
Os nervos dele já estavam a flor da pele.
- SUA BURRA IDIOTA! EU ESTOU CONTANDO A MINHA VIDA PARA VOCÊ!
- EU VOU TE MATAR QUANDO VOCÊ SAIR DAÍ!
- EU ESTOU POUCO ME LIXANDO PARA VOCÊ!
- EU QUERO QUE VOCÊ MORRA! – Ela socou a porta. Sasuke havia esgotado toda a sua paciência, e havia xingado-a. E se tinha uma coisa que ela não suportava era ser xingada. - EU NÃO TE ATURO MAIS POR NADA DESSE MUNDO!
- E VOCÊ NÃO ACHA QUE EU DESEJO O MESMO QUE VOCÊ? – O grito dele agora saiu meio trêmulo.
Jane ficou em choque. Somente agora se dava conta do que ele havia falado.
"Meu pai me vendeu, meus compradores morreram"
Ele foi vendido como uma mercadoria. Sasuke foi comparado a uma mercadoria. Ele deve ter sofrido um choque com esse acontecimento. Não sabia o que poderia se passar na cabeça de alguém na hora de ser vendido.
Parou de olhar para baixo, para encarar a porta.
Não tinha noção do que ele passou ao ser vendido pelo próprio pai.
- Sasuke...
- Sai daqui.
-... Por favor...
- O que você quer?
- Me deixe entrar...
Silêncio.
- Não.
Suspiro. Jane olhou para o telefone que começou a tocar. Por que ele tinha sempre que tocar em momentos indevidos?
Andou pisando firme no chão, enraivecida.
- Alô? – Atendeu com a voz firme.
- Jay? É você, filha? - Perguntou uma voz alegre do outro lado da linha.
- Nonna? – Perguntou feliz, quase pulando de felicidade. – Mamãe! Eu sinto tanto a sua falta... – Disse com lágrimas de saudades nos olhos.
- Eu também, filhota... – Disse a senhora. – Eu te liguei por que eu tenho uma proposta para você.
- Proposta? – Perguntou a ruiva confusa.
- Sim. Filha, você anda muito sozinha aí, né? Eu também ando aqui, então...
Jane começava a entender o que sua mãe queria.
- ... Eu quero que você venha morar comigo aqui na Holanda.
Jane arregalou os olhos.
- Mãe... E-eu quero muito, mas...
- ... Mas?
- Eu não moro mais sozinha, eu tomo a conta de um garoto de treze anos... A mãe dele morreu e ela era minha amiga, pediu para eu ficar com a guarda dele...
Nonna pareceu gargalhar do outro lado da linha.
- Não tem problema, Jay! – Chamou Nonna pelo apelido de infância de Jane. – Eu vou adorar ter um netinho morando comigo.
Jane sorriu.
- Então eu acho que você aceitou, né? Amanhã eu te ligo para a gente acertar tudo direitinho.
- Ta, mãe. Um beijo, tchau. Sim, sim, mãe, eu também sinto a sua falta. – Sorriu mais uma vez. – Tchau. – E desligou.
Virou-se, teria uma nova notícia para dar para Sasuke. Só que ele havia se tornado o seu garoto-problema que fazia de tudo para não colaborar para terem uma vida sem brigas.
-... Holanda?
Aquela não era a sua voz, e sim a dele. E aparentava estar mais calma. Arregalou os olhos, ele estivera ouvindo tudo pela extensão.
- ... Sim. E você vai ter que ir comigo.
.
Continua...
.
N/A: Capítulo dedicado a Priih . ncesa Mitsashii, que acompanha essa humilde fic, e não deixa de mandar review. Além de eu quase matá-la de ansiedade :D
E gente, o papo aqui é sério. Eu só não parei de postar essa fic aqui no Fanfiction por que a Kurara não deixou.
Pois bem, os capítulos vão demorar mais um pouquinho então. Eu não recebo incentivo nenhum para postar aqui, né? É justo :) Igualdade para todos! Ganhando poucas reviews, capítulos demorados nn
Bem, gente, até breve! o/
