Naruto is not mine. Kisses, mas o resto dos personagens são meus, e ninguém tasca u.ú

.

Falas em Itálico são em inglês.

.

VII

.

.

Holanda, Outubro de 1987.

.

- Eu não acredito nisso! – Gritou Tenten, andando rapidamente em direção ao Sasuke. Levantou-se do chão, sentando-se na cadeira com um pouco de falta de equilíbrio. Que diabos ela estava falando? Por que ela gritava e apontava na sua direção, com os olhos cor de chocolate arregalados? Por que ela parecia tão desesperada ao berrar palavras desconhecidas. – Eu te conheço de algum lugar, eu te conheço!

Sasuke ergueu as sobrancelhas em confusão. Quem era ela, afinal? Agora, a garota morena de longos fios castanhos ondulados dava pulinhos, enquanto de inclinava na mesa. Ainda falava coisas incoerentes, para a total confusão de Sasuke. Mesmo que ele se esforçasse para compreender o Holandês, não conseguia quando uma pessoa falava rápido demais com gírias demais como ela falava. E todo aquele barulho agudo estava fazendo sua cabeça pulsar de forma dolorida. Se ela não parasse de falar, ele iria mandá-la calar a boca.

- Ahhh! Meu Deus! Eu não acredito! Você parece demais com um homem moreno lindo que era garçom do restaurante! Ele era tão simpático! Ele era tão lindo! Meu Deus, você se parece muito com ele! AAAH! – Gritou. Sasuke tampou os ouvidos, enquanto a encarava com uma expressão não tão amigável. Sua cabeça ainda pulsava, e suas mão não isolava todos os sons e ruídos desejados ardentemente por ele. Estava se controlando para não mandar ela para a- -Era parecido com você! Muito! Demais!

Sasuke fechou os olhos com força, a sua paciência se esgotando. Se ela não ficasse quieta nos próximos dez segundos, ele enfiaria um tampão na boca dela. O silêncio era tudo o que almejava.

- Mas eu não continuo acreditando, sério. Vocês são idênticos. Sério. Eu acho que-

- Tenten, não está vendo que ele está de saco cheio da sua voz? – Falou Jane, se aproximando de Sasuke, que abaixava a cabeça, com os olhos ainda cerrados com força.

- Ai, credo. – Falou Tenten, se afastando de Sasuke, indignada por não poder se expressar. Ela só queria avisar que conheceu alguém extremamente parecido com ele, e que achava que eram irmãos, pois era impossível duas pessoas serem tão iguais –na aparência e personalidade-. Eles pareciam ser realmente irmãos separados pelo destino, apesar do simpático garçom ser melhor do que ele, em todos os temos. Mas se ele não queria saber de um suposto irmão gêmeo do outro lado do mundo, então ta, né. – Já que eu não sou querida aqui, vou sair, beijos. – Disse se virando.

- Não, Tenten! Espera! – Ouviu sua amiga te chamar. – Fica mais um pouquinho, por favor.

A morena se virou. Sakura a olhava com os olhos brilhantes, pidões. O que ela não fazia diante desse olhar, hein? Sakura era mestre em conseguir tudo o que queria.– Ta bom, Sakura. Eu fico. – Suspirou.

Viu-a sorrir vitoriosa, se levantando da cadeira. Olhou para Sasuke, que mantinha a cabeça baixa, os ouvidos tampados. Hunf, garoto chato. Como Sakura, Nonna, e Jane conseguiam ficar perto dele, hein? Hein?

Andou até o pequeno sofá, que ficava em frente à uma enorme televisão. Pegou o controle em mão, e ligou o eletrodoméstico. Bufou de novo - odiava que dissessem que estavam enjoados de sua voz –. Garoto chato! Chato e chato! – Resmungou.

- O que você falou, Tenten? – Perguntou Nonna, do outro lado da sala, encostada no piano branco em que Sasuke adorava tanto tocar. Falando no bendito cujo...

- Jane, por favor... Pegue um remédio mim? – Pediu Sasuke educadamente.

- Por que?

- Por que dói. – Respondeu, olhando-a com as sobrancelhas erguidas em confusão. Se pedia um remédio, era por que lhe doía alguma parte de seu corpo.

- Aonde? – Que doía ela sabia, óbvio. Mas se doía, tinha que ser em algum lugar.

- A minha perna, tenho anemia, esqueceu? Anemia dá dor na perna.

- Eu sei, garoto. Mas eu achei que pudesse ser dor de cabeça, afinal, ninguém merece a voz da Tenten.

- QUUÊÊ? – Gritou Tenten, com uma veia estourada na testa, altamente irritada. Como aquela ruiva de meia figa ousava falar da voz dela? Como? – E a sua voz é muito linda, né Jay? – Falou a morena, por entre dentes. Pior do que a sua voz fina, era a voz em pedaços e arranhada de Jane. – Fica quieta, sua sardenta!

- EU NÃO TENHO SARDA! – Berrou Jane em resposta. Não eram sardas, eram pintinhas! PIN-TI-NHAS! – Será que vocês não sabem a diferença de pintas e sardas? Será? Sua retardada! Não é sarda!

- É sarda sim! – Revidou Tenten, avançando em Jane. As duas pareciam altamente irritadas – pareciam não, estavam – e davam a impressão de que uma havia tocado no ponto fraco da outra. Tenten disse que Jane era sardenta – o que é verdade, mas a ruiva se negava em aceitar – e Jane disse que a voz de Tenten era horrível – o que também era verdade, mas a morena negava a todo custo.

- Taquara rachada! – Gritou Jane, voltando aos quinze anos de idade.

- Enferrujada! – Gritou Tenten de volta.

- CHEGA! – Ouviram Nonna gritar, enquanto se aproximava. – Vocês parecem duas adolescentes disputando quem tem o melhor namorado. Ah, Jane, eu não sabia que você tinha voltado a ser uma pirralha igual a Tenten e a Sakura. Francamente...

- Ei! – Agora foram as duas adolescentes que chamaram a atenção da mais velha de todas.

- Nonna! Nós não somos pirralhas! Ta certo, Tenten ainda é, mas eu não, ta? – Falou Sakura, cruzando os braços.

- Eeei! – Tenten chamou, indignada. – Eu não sou a mais nova aqui, okay? A pirralha é você, Sakura. – Terminou, dando um cutucão no ombro da mais nova.

- É você! – Gritou.

Sasuke olhou para o garoto parado ao longe.

Ele não era de muitas palavras, isso era meio óbvio. Quieto e aparentemente inteligente. Apesar da expressão séria, ele parecia ser extrovertido. Sasuke gostava de pessoas divertidas e extrovertidas, apesar dele ser altamente e completamente introvertido. E sério demais. Mas o que importava? Nada, afinal. Só importava que com aquelas pessoas legais e sociáveis, ele conseguia sorrir – timidamente, mas sorria – sem forçar. E esse pensamento o fez esquecer da dor na perna e da na dor de cabeça que começava a dar seus primeiros sinais de vida, ao olhar as quatro mulheres que berravam descontroladas.

A mais nova de todas – Sakura – gritava enquanto apontava para a Tenten. Pelo o que ele havia entendido, Sakura estava tentando se defender em meio à berros, tentando falar que sua testa não era grande, e que ela era mais madura que Tenten. A morena por sua parte, gritava para Jane falando que a ruiva era sardenta, e para a Sakura, berrando com sua voz aguda, dizendo que a mesma não o era. Jane gritava com Tenten, falando que o que tinha na cara eram pintas, e não sardas. E Nonna tentava – também aos berros – parar com a gritaria, o que não surtia muitos efeitos.

Neji, que até agora não havia mexido um músculo sequer, começou a se movimentar. Sasuke o viu alongar os bíceps, e as pernas, para logo em seguida, com passos lentos, andar em direção à ele que permanecia sentado na mesa, com os braços dobrados e a cabeça apoiada, quase que preguiçosamente. O mais velhos dos garotos se sentou na frente de Sasuke, com a postura ereta.

Neji suspirou.

- Então você é o tão famoso Sasuke Uchiha.

- Famoso? – Perguntou o mais novo, confuso. Desde que ele sabia, nunca havia aparecido em jornais ou algo do...-

- Sim, eu vi você na TV a cabo, quando passou a notícia em um canal americano da morte da família Hens. E eu soube também que você era o garoto órfão que a família havia adotado, verdade?

Sasuke não conseguiu evitar a tristeza no olhar. Aquele assunto era um tanto... Delicado, digamos, para ele. Havia sido a sua segunda maior perda, e ele não gostava de falar disso, por que sentia seu peito doer de forma quase insuportável.

Olhou para o garoto que ainda esperava uma resposta.

- Sim. – Confirmou, mesmo sendo mentira. Não havia sido adotado pela família, e sim vendido. E ele nunca revelaria aquela informação para alguém, não gostava de receber olhares carregados de pena. Se contasse, iriam começar a olhá-lo assim. Sua boca era uma fechadura sem chave para poder abri-la.

- E quantos anos você tem?

- Treze. – Falou, se endireitando na cadeira, colocando sua coluna ereta. – E você?

- Dezesseis. – Disse, espantado pela idade do menino. Ele não tinha cara de dezesseis anos, nem de longe. Parecia ter uns quinze, no mínimo. E ele parecia ter uma mentalidade muito mais avançada do que um garoto normal de treze anos. – É de onde?

- Estados Unidos. – Mentiu Sasuke. Não poderia falar que sua terra natal era no Japão, ele provavelmente perguntaria por que e como ele havia parado na Holanda, e, provavelmente, Sasuke não teria escapatória.

- Interessant. – Suspirou. – É até bom para nós que pratiquemos nosso inglês com você, mas... Você está morando na Holanda, não é? Então eu acho que já está na hora de você aprender o nosso idioma. Seria interessante.

Sasuke permaneceu calado. Aquilo parecia mais com grego. Tudo o que ele havia entendido, foi: "Het is zelfs goed voor ons om onze Engels praktijk met u, maar... Je bent woonachtig in Nederland, is het niet? Dus ik denk dat het tijd voor u om te leren onze taal. Het zou interessant zijn". Essa língua, com certeza, era uma coisa de outro mundo.

- Hã? - Ergueu as sobrancelhas. – Desculpe, mas... Se não for muito incômodo, você poderia, por favor, voltar a falar em Inglês?

- Ja, natuurlijk. (Sim, claro.) – Concordou Neji, ainda proferindo aquela língua complexa. – Então, eu disse que seria interessante te ver falando Holandês.

Agora as sobrancelhas negras de Sasuke estavam erguidas em compreensão. – Hhnn...

- Waarom je niet leren? (Por que você não aprende?) – Perguntou Neji, com os olhos claríssimos divertidos.

- Hein? Waarom... Wat...? Hã? (Hein? Por que… O que? Hã?) Você poderia falar em inglês, por favor? - Estava começando a se sentir motivo de riso, e ele não era um brinquedinho para ficarem brincando com ele, rindo dele. Neji sorriu, voltando a falar em inglês. Era tão hilária a cara que Sasuke fazia quando alguém falava em holandês com ele...

- Por que você não... -? – Foi interrompido pelo grito agudo que Nonna soltou. Logo em seguida, as outras três se calaram. O silêncio foi bem vindo pelos tímpanos dos dois garotos.

- Thanks, Nonna. – Agradeceu Sasuke e Neji ao mesmo tempo, o mais velho com um sorriso.

Nonna cruzou os braços, já impaciente.

- Ninguém agüentava mais a gritaria de vocês três. Francamente... Pareciam três garotinhas no primário gritando por causa de um doce. E você, Jane... Achei que tinha crescido mentalmente, mas vejo que é mais infantil que Sakura. – Negou com a cabeça. - E você é sardenta sim. Tente se conformar.

- Não sou n-!

- Sh, quieta que eu estou falando. – A calou. – É e pronto final. Tenten, você tem a voz fina, okay?...

- Eei-!

- ...Mas não se preocupe, meu bem. Não é tanto como essas duas estão falando. E Sakura, a sua testa não é desproporcional ao seu rosto como elas estão falando, tudo bem?

- Sim.

- Mas, pelo o que eu vi, vocês três tem a mesma mentalidade.

- Eeeei! – Começaram as três, de novo. Mas logo, Nonna as calou novamente.

- Sh, sem discussão, por favor, sim? Já basta o que eu tive que passar agora. Ai, caramba, fiquei com dor de cabeça. – Ela balançou a cabeça negativamente, para logo em seguida se virar, e mirar os dois garotos, que observavam calmos a todo aquele fim de discussão. Pareciam aliviados, e felizes com o silêncio. – Vou pegar um comprimido para a minha dor de cabeça, vocês também querem?

- Sim, Nonna, por favor, o da dor na perna para mim, também. Jane não pegou quando eu pedi.- Ouviu Sasuke dizer, a voz arranhada. A moleza da doença parecia estar atingindo-o de novo. – E um travesseiro, acho que vou dormir.. – Completou.

- Okay, Sasuke. E você, Neji? Quer alguma coisa? – Ela perguntou, os orbes azuis sorridentes.

- Hm... Um capuccino, pode ser? – Pediu ele, educadamente.

- Sim, claro, querido. – Falou, andando em direção à ele. – Nem falei com você, me desculpe. Estava ocupada demais em fazer esse moreno chato aí comer alguma coisa. – Disse, dando um beijo estalado na bochecha dele. Viu Sasuke rolar os olhos. Logo em seguida, o abraçou com força. Fazia tempos que nem ele, nem Tenten iam dar um 'olá' para ela. Ficava com saudade deles, claro. Quando parou de abraçá-lo, olhou-o nos olhos; eles pareciam muito felizes. – Como está a sua família, querido? Nossa, seu cabelo está belo! O que tem feito? – Ela estendeu a mão para tocá-lo, mas ele se desviou com os orbes estreitos. – Tenten, por que não tem o cabelo igual ao dele?

A morena bufou.

- Ta. – Suspirou Nonna. Olhou mais uma vez pra Neji. – Ficou fortinho, hein, Neji? Andou malhando? Seus músculos estão bem avantajados, mocinho. – Disse, pegando o braço dele entre as mãos. – Olhe só esse bíceps! – E apertou-o com os dedos delicados.

- Não malho muito não, só as vezes.

- Aposto que está com um lindo tanquinho aí em baixo. – Disse, sorrindo enquanto se afastava. – E... Ah, não se esqueça que bombas não servem para nada. – Disse.

- Não tomo bombas, Nonna. – Falou, se levantando também, indo em direção à Tenten. A morena ainda mantinha o biquinho emburrado, enquanto soltava faícas pelos olhos que miravam as outras duas garotas. – Se acalme, Tenten. Sua voz é fina, mas é linda. – Disse Neji, abraçando-a. Tenten sorriu, e enfiou sua cabeça na curva do pescoço dele. Adorava seu amigo por causa disso.

Sakura olhou para Sasuke, que tentava manter a cabeça erguida. Podia ver os orbes negros se fechando ao poucos. Do jeito que ele dormia, parecia que tinha um calmante permanente no sangue. Sonhava em ver o Sasuke que vivia ativo novamente, mas para isso era só ela dar mais comida, e fazê-lo pegar mais sol. Se não se enganava, sol era bom. Mas estava chovendo muito nesses últimos dias.

Sentou-se na cadeira ao seu lado, e o envolveu em um abraço aconchegante. Olhou através de umas das enormes janelas da sala, e pôde constatar que ventava bastante. Será que seria uma má ideia passar a noite na casa de Nonna? Poderia dormir com Sasuke – Isso é, na mesma cama. – E abraçá-lo no meio da noite. Seria aconchegante sentir o calor do corpo dele envolvido com o seu.

Sentiu-o se endireitar, e chegar com a face perto demais da sua. Por um breve momento, teve a sensação dos lábios dele sobre os seus. Mais um selinho roubado, ótimo.

De longe, Tenten e Jane observaram a cena. A ruiva já havia se acostumado com os selinhos, já a morena...

- Sakura! Que história é essa de dar 'selinho de graça' nesse garoto, hein? – Perguntou Tenten emburrada. Sasuke se assustou com o repentino grito, e a olhou de longe.

- Ah, qual é, Tenten! Ele é meu amigo. E selinhos são tão inocentes como um abraço ou beijo na bochecha. Eu dou selinhos no meu pai, na minha mãe e na minha irmã. Por que eu não posso dar no meu amigo?

- Eu sou sua irmã também, Sakura. E em mim você não dá selinhos.

Sakura rolou os orbes.

- Você quis dizer irmã de consideração, né? De sangue eu só tenho uma.

- Ta, ta. Mesmo assim. – Deu ombros.

Sakura ergueu as sobrancelhas em confusão.

- Você quer?

- Não, Sakura! Eu só estou tentando mostrar que-

- E nem vem, ta? Eu sei que você também dá selinhos no Neji. – Neji confirmou mentalmente. – É impossível que, com uma amizade tão duradoura vocês nunca tenham trocado nenhum contato como esse, ou talvez mais, ninguém sabe. – Sorriu. – E enquanto não tiver uma língua no meio, não tem problema. – Completou, acariciando os fios negros.

"Algum dia... Eu vou querer uma língua no meio." Pensou Sasuke, puchando-a mais para perto de si. Agora, conseguia quase sentir as palpitações do coração da sua amiga. Ele a adorava, muito. A adorava tanto, que quase não agüentava. Tinha vontade de confessar o quanto gostava dela, só que ele não conseguia expelir nenhum sentimento, ou coisa do gênero.

Tenten voltou a abraçar Neji. Olhando de longe, eles dois pareciam um casal de namorados. Abraçados daquele jeito... A sua amiga fazendo carinho nos fios dele... A cabeça apoiada no ombro dela, a mão em sua cintura... Tenten sentia que Sasuke queria muito mais do que uma simples amizade, muito mais. E Sakura só o via como amigo.

Aquela relação entre eles, futuramente iria resultar em corações partidos, dores e lágrimas. Tenten sabia disso.

Suspirou, enterrando o rosto no peito de Neji. Inspirou profundamente o perfume que ele exalava. Garoto cheiroso – pensou.

Viram Nonna descer as escadas, quase saltitando de felicidade. Trazia uma bandeja com duas xícaras e um copo d'água.

- Sasuke, o seu remédio, e Neji, o seu capuccino . – Disse enquanto depositava a bandeija em cima da mesa. Sakura olhou para Nonna, a ideia de dormir ali era altamente tentadora.

- Nonninha... – Chamou Sakura, se afastando de Sasuke. Ouviu ele resmungar baixinho por causa da ação dela. – Eu posso dormir aqui?

Nonna sorriu. A chuva lá fora parecia que não ia acabar tão cedo... E já estava anoitecendo, a mãe de Sakura não deixava ela voltar para casa sozinha. E também, ninguém sabia se em seguida cairia uma chuva de granizo ou não, o tempo em Amsterdã era muito louco. Uma hora chovia, outra fazia sol...

- Sim, querida. – Falou sorrindo. Seria legal ver Sakura dormindo ao lado se Sasuke por uma noite, ela o conheceria um pouco melhor... Como pessoa. – Sasuke, tome logo o seu remédio.

Ele obedeceu, pegando o comprimido branco.

- Vou ligar para a sua mãe, vou avisar que você quer dormir aqui, okay?

Sakura assentiu, feliz.

.:.:O#O:.:.

Passou a mão por cima da bota de couro, desabotoando-a. Seu pé queimava, dolorosamente. Passar um dia inteiro fora com uma bota de couro e salto agulha de dezesseis centímetros sem plataforma não era para qualquer um.

Colocou cuidadosamente o par de botas ao lado da porta. Jogou os longos cabelos, suspirando. Estava cansada e impaciente. Retirou o grosso casaco e pendurou ao lado da porta.

Olhou para frente, e viu sua mãe descendo as escadas. Os fios ruivos presos em um coque desleixado. Usava um avental e agasalho.

- Boa tarde, querida! – Disse Ane, acelerando o passo em direção a ela.

- Boa tarde. – Disse, enquanto a mais velha a abraçava. - O que tem para comer, hein? Estou com fome.

- Quer que eu pegue um copo de leite para você?

- Sim. – Falou, andando em direção ao sofá bege que ficava ao lado da escada. Jogou-se nele, suspirando. – Mas, o que tem para comer?

Ouviu uma risada de Ane. – Nada, querida. Seu pai quer que a gente vá jantar em um restaurante.

- Hmm... Então nós podemos ir naquele restaurante de comida chinesa? – Perguntou, se animando com a ideia. – Fiquei com vontade de comer com aqueles pauzinhos... Como é o nome mesmo?

- Hashi. – Ouviu sua mãe dizer, enquanto voltava com o copo de leite. – Amanhã vou ter que ir ao Albert Heijn¹ e na Boerenmarkt² fazer umas boas compras... – Ane falou, entregando o copo a filha. – Sua irmã come demais, e você também. Enfim, quer ir comigo?

- Uhum. – Falou Stephanie enquanto tomava o leite. Elas não comiam tanto assim... Ah, qual é? Estavam em faze de crescimento! – Falando na Sakura, onde ela está?

- Saiu para se encontrar com a Tenten. – Disse.- Tenten voltou de viajem ontem, trouxe uma munição de chocolate. Ah, é, esqueci de te avisar, mas ela trouxe três caixas para você. – Falou, sorrindo. – Essa garota não tem jeito.

Ane se sentou, ao lado da filha. Mas se levantou a contragosto logo em seguida, quando ouviu o telefone tocar.

- Alô?

- Ane?

- Nonna! – Falou a ruiva. – Quanto tempo que não me ligava... Está tudo bem com você, Jay e seu novo filho? É Sasuke... né?

- Sim. – Disse. – E por causa dele, Sakura, Tenten e Neji estão aqui em casa.

- Sério? – Perguntou. – Sakura já me falou dele, mas...

- E a sua filha está pedindo para dormir aqui.

Uau! – Pensou. Então esse garoto era, digamos, encantador o suficiente para atrair as pessoas, e dar vontade a ela de nunca mais sair de seu lado, é isso? Afinal, Sakura vivia falando do bendito cujo, dizendo o quão ele é lindo – O que Ane comprovava, havia visto-o somente uma vez, e foi nos EUA – e legal, apesar de sério e introvertido. Mas o que importava? Ele era tudo de bom e atraente. – Falava a filha. E agora, ela queria dormir na casa de sua melhor amiga, só por que o garoto que era o seu amigo lindo estava lá, morando lá.

Respirou fundo.

- Deixa eu falar com ela?

Nonna concordou. Ouviu-a chamar sua filha.

- Mãe?

- Sakura, por que você quer dormir aí, hein?

- Por que eu estou com preguiça de ir para casa.

- Mas nós vamos naquele restaurante chinês que você gosta tanto!

- Hm... Mesmo assim... Eu quero dormir aqui... – Sakura pediu com jeitinho. – Por favor, mãe...

- Ta. – Se rendeu. – Daqui a pouco Stephanie vai levar a sua roupa, okay?

- Eeeu? – Disse Stephanie, se levantando do sofá, indignada. Ora, por que ela? Havia passado o dia inteiro fora, estudando e ensaiando com a sua banda – sim, ela tinha uma banda. Iriam fazer uma apresentação na escola que estudava, e estavam treinando muito para se saírem bem. - , cantando, voltou com a voz rouca para casa, com os pés pegando fogo e ainda teria que levar roupa de dormir para a sua irmã mais nova na casa da melhor amiga da sua mãe, à quadro quarteirões de distância? Que injustiça! – Por que eu?

- Por que você é a irmã mais velha dela. – Disse Ane. Para ela, essa era uma boa justificativa.

- Eu sou muito explorada nessa casa, sabia? Desse jeito eu vou fugir para o Alaska! A-LAS-KA! – Completou, gritando. – E estou falando sério! Ei, não faça essa cara de 'ah, eu não mereço isso'. – Disse com os orbes estreitos.

A mais velha suspirou. De novo essa história de Alaska.

- Sua irmã está revoltada, - Falou para Sakura, no telefone. - eu mesma levo, então.

- Acho bom. – Disse Stephanie, voltando a deitar no sofá.

Ane revirou os olhos achocolatados na órbita. – Ta. Vou arrumar a sua roupa e já estou aí.

Após ouvir a comemoração de sua caçula, e a respiração pesada da sua primogênita que dormia desmaiada no sofá, sorriu. Pelo visto, só iriam ela e seu marido jantar fora, e depois, poderia finalmente experimentar aquela lingerie preta que havia comprado outro dia.

Riu de novo, subindo as escadas. Imaginava como seria para Sakura dormir na mesma cama que um garoto. Por que ela tinha certeza de que aqueles dois iriam dormir juntos.

.:.:O#O:.:.

.

Japão, Outubro de 1987.

.

- Itachi? – Mikoto sorriu, emocionada. Fazia quase seis meses que não ouvia a voz do seu querido, estava começando a pensar o pior.

- Sim, Okaa-san. – Falou Itachi, sorrindo. – Eu tenho boas notícias.

Mikoto sorria em meio a lágrimas. Seu filho tinha notícias de Sasuke! Do caçula! Sentiu o coração calejado acelerar no peito.

- Então, fale! – Pediu, as mãos trêmulas.

- Sasuke está na Holanda. – Falou, em uma rajada de ar. – Eu estou tendo que trabalhar para ir atrás dele.

- Ah, eu não acredito! – Sorriu. – Você sabe onde está o meu pequeno Sasuke...! Você sabe!

- Sim, e eu sei também que ele está em Amsterdã. – Falou, entrando no clima de felicidade da mãe. – Você não vai tardar a vê-lo, Okaa-san. Não vai.

.

Continua...

.

AH¹ - É a maior rede de Supermecados na Holanda. Tem em tudo que é lugar que você pode imaginar.

Boerenmarkt² - É uma feirinha orgânica que tem atrás de uma igreja em Amsterdã.

N/A: Capítulo dedicado à MiHh por que... Por que... Ah, sei lá XD Por que eu gosto de dedicar \o\ E por que eu gosto muito dessa menina de olhos azuis, ela merece*-* Manda reviews e comenta no orkut, está sempre dando um 'up' por lá :D

MiHh, esse foi pra vc \O/ Ah, é. E pessoal, desculpem a demora, mas a jeca aqui deletou o capítulo errado e teve que escrever todo de novo. E_E' Enfim...

Reviews Anônimas:

Natalia-chan :D : Obrigada e, espero que tenha gostado da continuação *-*

Julia S.S: Omg, mais uma fã *-* Você deve ter lido o perfil antigo e amado, néah? Estou tão emocionada! çç' SasuSaku e NejiTen é ALL. E, não, não vai ter NaruHina por que eu simplesmente ODEIO a Hinata u_u Obrigada pela review *-*

Hana: Obg *-* Sasuke ta chato por causa da adolescência, bem u.u Espero que tenha gostado da continuação *-*

Jacke Tequila: Fígado cru é bem nojentin D: Obrigada pela review *-*

.

Agradeço hoje e sempre pelas maravilhosas reviews que vocês me mandam *-* Amo vocês, leitoras! *chora de emoção*

.

Kisses ;*