Naruto não é meu. Ta, e daí? uu'

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XI

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Holanda, Fevereiro de 1989.

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- Oi. – Ouviu uma voz até então desconhecida dentro do cômodo. Estava sentado na cama de Sakura, e olhava pela janela distraído. Observava a neve que começava a cair lá fora, pensando em como o clima era louco naquela cidade. A alguns minutos atrás estava bastante abafado. Sasuke se virou para ver uma das piores visões da sua vida.

Sakura entrava abraçada com um rapaz, e ele tinha um sorriso no rosto que fazia inveja em Sasuke. Não havia reparado nos olhos avermelhados e inchados dela.

- Sou o Mirk, namorado da Sakura.

Sasuke voltou a olhar para a janela, um pouco irritado.

- Percebi. – Murmurou.

Ouviu Sakura falar. – Mirk, esse é o Sasuke, o meu melhor amigo – Aquilo doeu no fundo da alma de Sasuke. – Espero que vocês se dêem bem. – Terminou, e Sasuke ouviu um barulho de beijo estalado. Olhou por cima do ombro e viu Sakura saindo do quarto, acenando para ele.

- Prazer Sasuke. – Ouviu Mirk falar, e ele não teve vontade alguma de responder. Por que ele não poderia falar "igualmente", que estaria mentindo.

Mirk permaneceu parado, observando Sasuke com seus olhos azuis escuros. E quando percebeu que Sasuke não responderia, resolveu sentar-se ao seu lado. O Uchiha viu de relance ele sentar ao seu lado. Olharam para a janela.

- Sabe, - Começou Mirk. – Eu não sei ao certo o por quê da Sakura ter me chamado aqui, mas só assim, eu pude te conhecer. – Falou. A neve lá fora havia ficado mais intensa.

- Hn. – Murmurou Sasuke, sem nem olhar para o rapaz. Mirk percebeu que ele era de poucas palavras, Sakura havia alertado-o sobre isso.

- Tenho dezoito anos, e você? – Falou com um sorriso no rosto, vendo como Sasuke ainda não dava nenhum sinal de interesse na conversa. Permaneceram em silêncio por um curto espaço de tempo. Mas, repentinamente Sasuke respondeu com a voz falhando no começo da palavra.

- Quize.

Mirk o olhou espantado.

- Oh, sério? Você aparenta ser da minha idade. – Falou, terminando com um sorriso de canto. Seus olhos azuis sorriam junto com a boca. Sasuke piscou e o olhou de relance. Piscou e voltou a olhar para a janela. – Sabia que a Sakura fala muito de você? Ela vive sonhando com um passeio em que eu vou com ela e você com a sua namorada.

Sasuke sentiu seu estômago revirar. Não se recordava de quantos pedidos de namoro ele já havia recusado por causa dela. Sentia-se um idiota apaixonado por uma menina que não conseguia vê-lo como alguém especial, e de fato isso era verdade.

- Ela também fala que apesar de você e ela serem amigos, ela te vê diferente... – Comentou. Um pequeno e fraco feixe de esperança nasceu no coração já um tanto calejado de Sasuke. Diferente? Diferente como?

-... Como se você e ela tivessem sido irmãos separados na maternidade.

O feixe morreu imediatamente e bruscamente, deixando somente aquele vácuo incômodo.

- E ela fala que não consegue viver sem você, e sem mim, claro. – Falou, sorrindo, e passando as mãos nos fios tão negros quanto os de Sasuke. Tudo o que ele falava parecia piorar mais ainda a situação emocional de Sasuke. O mais novo se sentia oprimido na cama, com medo de falar, por que temia as respostas. Queria perguntar se eles se amavam, ou se era só paixão. Queria perguntar também há quanto tempo, exatamente, eles estavam juntos. Mas permaneceu em silêncio.

Ele não sabia mais o que falar. Eles não sabiam mais o que falar.

- E ela nã...- Foi interrompido bruscamente por Sasuke.

- Eu só espero que você não abuse dela. – Falou o mais novo, se virando para olhá-lo. – E eu espero que você não resolva fazer coisas para maiores de idade. Com ela. – Os olhos azuis do rapaz na sua frente estavam arregalados, e a voz de Sasuke seca. – Se não, você estará fodido. – E eu que vou tirar a virgindade que ela se torne mulher comigo. Completou em pensamentos. De fato, esse era o maior desejo dele.

E mesmo sendo três anos mais velho que Sasuke, Mirk engoliu a seco. A voz do mais novo estava assustadora.

- Okay? – Perguntou Sasuke, estendendo a mão em compromisso. Mirk a apertou, sorrindo forçadamente.

Os dois assentiram, e Mirk se levantou, falando. – Eu acho que eu vim aqui só pra te conhecer, não é?

Sasuke deu de ombros.

- Então eu vou indo. – Falou, se virando na direção da porta. – Até mais.

Quando Mirk já estava no vão da porta, ouviu a voz de Sasuke.

- Só não a faça sofrer. – Ele disse baixo, sem olhar. – Ela não merece.

Ficaram um minuto em silêncio.

Farei menos que você. Mirk pensou, fechando a porta.

.:.:O#O:.:.

Depois da breve conversa, Sasuke desmoronou na cama, tampando o rosto com as mãos. Seu coração palpitava fortemente, e o ar fugia de seus pulmões. Ele pressentia que Sakura futuramente iria levar um pé na bunda, depois de ter entregado seu corpo a aquele rapaz. E ele se sentia mal em imaginar Sakura sofrendo.

Estendeu a mão e pegou o telefone. Discou alguns números, e esperou.

- Alô, Nonna? É o Sasuke. ...Não, eu estou bem. A Jane saiu com as amigas dela. N... Não. Não. Nonna, eu vou passar aí para pegar as chaves da sua casa, okay? Quero ir embo... Não, eles ainda não chegaram de viajem. Porque eu quero. Não... É. Okay. Eu vou arrumar as minhas coisas e as da Jay e eu passo aí. – E desligou o telefone.

Iria finalmente voltar para casa, para o seu quarto, para o piano. Deu uma forte inspirada e expirada, e se levantou da cama, caminhando em direção ao espelho. Olhou a marca de unha perto do olho, onde Sakura sem querer havia arranhado. E sorriu.

Já havia arrumado a sua mochila e a mala de Jane, e já estava saindo de casa quando ouviu alguém.

- Hey! – Era Sakura. – Onde você está indo?

Sasuke abaixou a cabeça.

- Para a casa de Nonna. – Sua voz era quase um sussurro.

- Mas meus pais nem chegaram de viajem...! – Falou Sakura, os olhos tristes.

- Eu sei.

- Então não vá... Por favor... – Sua voz falhara no final. – Não quero ficar só com a minha irmã aqui, ela não me ajuda, nem...

- Enquanto eu estive aqui, você praticamente me desprezou. – Falou, olhando para o jardim na sua frente. – Você só me procurava quando queria descer as escadas ou...

- Mentira! – Levantou uma das mãos que seguravam a muleta, em protesto. – Eu também te procurava quando eu precisava pegar alguma coisa no guarda...

- Nem termina de falar, okay? – Falou, áspero. – Eu só quero que... – Ele olhou para o céu. -...Esquece. – Desistiu de falar, se virando e fechando a porta.

Sakura permaneceu estática, sem saber o que fazer.

.:.:O#O:.:.

Havia chegado em casa com a enorme mala laranja da Jane, e a sua pequena mochila de costas. Jogou as coisas em cima do sofá, e correu para o quarto, para se despir logo e entrar de baixo da ducha. Tudo o que ele estava precisando naquele momento era de um bom e relaxante banho. Só assim ele conseguia pensar no mal que estava fazendo a si mesmo ao ficar ao lado de Sakura, durante todo o tempo. A cada segundo que se passava, ele ficava mais e mais encantado por ela, apesar das patadas, das coisas horríveis que ela falava, e das rejeições. Esse último era o pior.

Pegou o xampu que estava na sua frente, e se lembrou do dia em que fora comprá-lo, duas semanas atrás. Sakura ira com ele, e não deixara ele escolher.

"Pense bem, Sasuke. Você é um menino, e meninos não entendem de beleza. Deixa comigo." E logo em seguida, ela havia passado as mãos nos fios negros cujo se deparara com vários nós e pontas duplas. Depois disso, ela ficou horrorizada, e usou todos os seus argumentos para convencê-lo de ir ao seu cabeleireiro. "Aaaaah qual é, Sasuke! Ele é um gayzinho tãããão simpático!" Mas, depois de muito esforço, ele havia se sentado totalmente contra a vontade na poltrona prateada do Lee.

O cabeleireiro havia falado que ele precisava de uma hidratação profunda e corte. E havia perguntado se ele conhecia algo chamado escova. Sasuke negou, dando um sorriso de canto. Depois, Lee desembaraçara os fios negros com as mãos, e fizera uma hidratação. Ainda com os fios molhados, Sasuke se olhava no espelho, enquanto Lee penteava com um pente fino, e cortava as pontas. Todas as pontas. Muitas pontas. Depois de quase meia hora, o corte estava finalizado. E Sasuke imediatamente despenteou a obra feita por Lee, e estranhou os fios uns quatro dedos mais curtos. Sua franja não era mais a mesma. Antes estava no comprimento de seu queixo, agora mal passava das sobrancelhas.

E ele ainda estranhava os fios cortados.

Pegou o xampu, espremeu na palma das mãos o líquido consistente rosa (seu xampu era de morango! Culpa da riquinha.) e passou nos fios negros. Sorriu quando a imagem de Sakura apareceu na sua mente. E o sorriso morreu ao se lembrar do rapaz de dezoito anos, fios negros e olhos tão azuis quanto o oceano em uma tempestade.

Seu cérebro já tão conturbado formou a imagem de Sakura chorando, sofrendo, e do rapaz sorrindo amargamente. Seu coração se espremeu. Ele iria matar Mirk se ele fizesse alguma coisa a Sakura. Matar. Por que ele se sentia na obrigação de protegê-la. E a ideia de ver Sakura namorando um menino três anos mais velho que ela o atormentava. Por que, na verdade, o que Sasuke sentia por Sakura não era paixão, era...

- ... Amor... – Sua voz era um sussurro. Abaixou a visão para os pés, triste. - ... Eu... a... a... a-amo... – Confessou para o nada, com um aperto no coração e a voz estrangulada, triste, muito triste por saber que não era correspondido. Seus olhos estreitos de tristeza miravam a parede, sem nada ver. Permaneceu ali, parado, nu e com o cabelo repleto de espuma, sentindo a água morna cair em suas costas e passear por suas nádegas, por mais de hora. Quando terminou o banho, se enxugou e foi para o seu quarto. Queria dormir, desde que ira para a casa de Sakura quando os pais dela estavam viajando, ele não conseguiu dormir direito, pois a mesma sempre inventava saídas de última hora, brincadeiras ou alguma coisa paralela. Mesmo ela estando com a perna quebrada.

Já deitado na cama, devidamente aquecido e vestido, ele sentiu uma moleza incrível e um mal estar enorme. Mesmo com casaco e edredom, ele sentiu um frio intenso invadindo seu corpo grande já todo encolhido. Talvez a pressão dele estivesse caindo. Desmaiou deitado na cama.

.:.:O#O:.:.

Nonna chegou em casa, e estranhou as malas estranhamente jogadas no sofá. Sabia que Sasuke era muito organizado e odiava bagunças, então por que toda aquela algazarra?

Alguma coisa deveria estar errada.

Subiu com pressa as escadas que levavam ao segundo andar, depois mais dois lances de escada que levavam ao terceiro. Abriu a porta do quarto dele, e o viu deitado de lado na cama com os braços caídos na lateral, e com a boca fechada. Seus olhos não estavam completamente fechados, o que mostrava somente a parte branca de seus olhos. Aproximou-se dele, encostando a mão em sua testa.

- Como está gelado! – Falou, se preocupando. Sasuke não estava dormindo, ele não dormia assim. Ela sempre o observava, e todas as noites ele dormia de lado, com as mãos em baixo do rosto e a perna ligeiramente encolhida. Ele parecia estar desmaiado.

Teria que fazer o teste para comprovar. Pegou o braço dele e jogou para cima, que caiu no rosto desfalecido.

- Ah meu Deus... Ah meu Deus... – Falou, dando tapas na cara dele, para ele acordar. Não adiantou muito. – Acorda, Sasuke, acorda. – Falou, a voz firme, os tapas se intensificando. A face mais pálida que o normal começava a ficar avermelhada. – Droga! – Resmungou, se levantando para ir pegar a garrafa de álcool. Quando voltou, despejou rapidamente o líquido nas mãos, e colocou para ele cheirar. Nesse momento a campainha tocou. Nem ligou, pois a porta estava aberta. E Sasuke continuava sem reação.

- Acorda! – Falou com sua voz já alterada, dando um tapa mais forte que os outros. Deu outro com a mesma intensidade. Não sabia há quanto tempo ele estava desmaiado, se estivesse a muito, poderia estar em coma... Mas por que, exatamente ele desmaiou?

Não percebeu que quem chegava na sua casa era a causadora de seus problemas.

- Nooonna? – Ouviu a voz de Sakura lá de baixo, tremida. – Onde você táá?

- No quarto de Sasuke! – Gritou de volta. Logo Sakura já entrava no quarto. Nonna não viu, mas os olhos de Sakura já estavam encharcados ao ver o Sasuke desmaiado. Nonna batia com força no rosto dele, deixando várias marcas avermelhadas.

- Pára de bater nele, Nonna! Pára! – Mais um tapa. - Pára! – E outro. - PÁRA! – Gritou por fim.

Nonna parou imediatamente.

- Ele ta acordando, poxa! – Sakura gritou, vendo Sasuke ofegar. Ele abriu os olhos, ainda sonolentos, enquanto balbuciava algo. Sua língua parecia estar enrolada, com um nó que impedia de sua voz sair.

- Eu ava s... nhano, ãe... – Murmurou, olhando para Nonna. – Ava... An... Eu... – Ele tentava falar, sem sucesso.

Nonna permanecia assustada, com o coração na boca. Mesmo sendo médica, nunca tinha visto alguém demorar tanto para acordar de um desmaio. Sakura ao seu lado, engolia as lágrimas de desespero. O moreno ainda tinha dificuldade para focalizar os olhos.

Nonna tentou sentá-lo, mas ele ainda não tinha equilíbrio na coluna, e por isso, despencou para a frente, em cima de Nonna.

Ele já estava um pouco mais recuperado, e sentado na cama. Ele olhava para Nonna, aparentemente chateado, massageando a bochecha, murmurando alguma coisa.

- Por que... Você me acordou? – Perguntou, olhando para ela. Sua voz ainda um pouco morta. – Eu estava sonhando... Tão bom... – Lamentou, abaixando a cabeça. – Preciso... Dormir... – Falou, soltando um bocejo.

- Não, não, levanta a cabeça! – Pediu Sakura, tentando levantar o corpo pesado. Mas já era tarde, ele havia adormecido. Só adormecido.

.:.:O#O:.:.

- O que você fez dessa vez? – Perguntou Nonna, encarando um Sasuke adormecido, mas dirigindo a palavra para Sakura.

- Eu? Nada. Acho que foi só mais um pico de pressão. – Comentou, tentando parecer tranqüila, enquanto fechava os grandes orbes, com a voz trêmula.

- Como assim? – Nonna perguntou, estreitando os orbes azuis. Sakura a olhou.

- Ele tem uma pressão baixa absurda, descobrimos isso quando uma vez ele desmaiou em cima de mim, enquanto eu descia a escada. No dia estava... Hm, não me recordo bem, mas acho que estava quatro por cinco, alguma coisa assim. Ele quase bateu as botas, sério mesmo. – Falou, olhando janela afora. Nonna ficou em silêncio, olhando para Sakura.

- Vou medir a pressão dele. – Decidiu, se levantando da cama e saindo pela porta. Logo voltou com um aparelho em mãos. – Vamos ver... – Falou, começando a medir a pressão dele. Pediu silêncio para Sakura, que já estava calada. Arregalou os olhos ao constatar a pressão baixíssima que ele tinha. – Deus... – murmurou, olhando para o garoto adormecido na cama, com a face vermelha. Estendeu a mão acariciando a bochecha com marca de dedos.

- Ele normalmente tem o sono levíssimo, com essa carícia sua ele já estaria acordado.

- Eu sei. – Falou Nonna.

- Mas como nesses quinze dias que ele ficou comigo, ele só dormiu uns três dias... – Comentou, abaixando a cabeça. E não comentara, mas nessas três vezes ela sem querer o atrapalhou, falando alto ou qualquer coisa que o acordasse. Agora que ela reparava nas olheiras dele.

- Então vamos deixá-lo dormir em paz... Vem, Sakura. – Falou, se levantando da cama, sendo seguida por Sakura e suas muletas. – Vamos deixar ele sonhar por um bom tempo.

.:.:O#O:.:.

Sasuke teve um sonho calmo; feliz e bom quando estava desmaiado. Depois que dormiu, aquele que parecia ser o melhor sonho da sua vida se transformou em um pesadelo. Um pesadelo que ele queria acordar, mas não conseguia. Somente de longas e insensíveis horas que ele despertou, dando graças a Deus por tudo não ter passado de um pesadelo. E depois, ficou com medo de voltar a dormir. Permaneceu por mais algumas horas acordado, deitado na cama, olhando através da janela, para as estrelas.

Elas, sempre companheiras... Nunca o abandonavam.

Sentia-se cansado, de alguma forma. Sua pressão caiu de maneira absurda logo que saiu do banho, e ele realmente não sabia o motivo. Ainda se sentia mole, sem reação, dopado.

Não sabia o que faria na sua vida dali para frente. Já estava farto de ter que sofrer decepções, e sempre que tentava gostar de alguma menina que o correspondesse, sua cabeça se focava em Sakura. Infelizmente. Como se só ela existisse.

Ele andava pensando seriamente em viajar para os Estados Unidos, desde que uma velha amiga sua lhe fez o convite. Já que ele fora recentemente adiantado dois anos na escola, e não tinha nenhum compromisso, ele não via problema algum em arrumar sua mala e passar uma temporada fora. Um ano, talvez dois... Não sabia. Voltaria quando estivesse com vontade.

A ideia agora lhe parecia completamente irresistível. Estava prestes a reunir forças para se levantar para ligar para sua amiga quando Nonna entrou no quarto.

- Sasuke, tive uma ideia. – Falou, contente, com um sorriso de orelha a orelha. – Que tal se a gente viaj-!

- Não. – Cortou-a, grosseiramente. – Eu vou viajar sozinho.

- Ah, vai? – Perguntou assustada pela repentina decisão dele. – E para onde?

- Estados Unidos. – Falou sério, se virando para olhá-la.

- E eu deixei? – Perguntou ela, estreitando os orbes azuis.

- Por que? Eu não posso? – No seu rosto, um ar desafiador.

- Eu tenho que autorizar primeiro. Não sei se você sabe, mas Jane passou a responsabilidade dela de cuidar de você para mim.

Ele se levantou da cama, lentamente, olhando-a nos olhos.

- Você me autoriza a faz-?

- Não. – Interrompeu a mais velha da mesma maneira que Sasuke havia lhe interrompido. – Eu não deixo.

- Pois eu vou mesmo assim. – Falou, com um ar de decisão e desafio. E ele iria mesmo Nonna não deixando. Iria sim.

- Não vai não. – Ela falou, com a mesma determinação.

Um minuto de silêncio.

- Vejamos.

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- Alô...? Karin? Sou eu, Sasuke. Lembra aquele convite que você fez par...? Sim, eu aceito. Claro que a Nonna deixou. Sim. Hn. Mês que vem? Quando? Tudo bem pra mim. Sim. Hn. Hn. Quero. Muito. Já tinha comprado as minhas passagens? (risos) Ta. Mês que vem eu vou... Ah, okay. Não, sem problema. Então eu vou ficar no seu apartamento com seu irmão? Ta bom. Sim. Mesmo. Sim. Sim. Caramba, eu não já falei que eu estou feliz? Sim. Muito. Aham. Okay. Daqui a um mês mesmo? Não pode ser me...? Merda. Sim, ela deixou. Pode deixar. Abraços. – tu tu tu tu.

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Holanda, Março de 1989.

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- CALA A BOCA SAKURA! – Gritaram, mãe e filha, para a caçula da família, que por sua vez se encolheu no sofá, emburrada. Droga, ela nem podia mais falar do seu namorado!, reclamou.

- O problema é que você fala muito o tempo todo. – Rebateu a primogênita, folheando o livro que tinha em mãos. Logo em seguida ajeitou os óculos de leitura. – E eu quero ler em paz, me permite?

- E eu estou traduzindo esse livro de medicina do alemão para o holandês, e isso é difícil, filha. – Falou a jovem mãe, procurando uma palavra qualquer no dicionário alemão.

- Ta bom, ta bom... – Falou Sakura, rolando os olhos. – Chatas... – Sussurrou.

- E eu ouvi isso. – Falou Ane.

O pai de Sakura e Stephanie observava tudo no vão da porta da cozinha, com um sorriso no rosto e um copo de leite nas mãos. Sua filha mais velha estava deitada no sofá menor, com as pernas encolhidas debaixo de um grosso edredom e com um grosso livro de aventura nas mãos. Sakura estava entediada, passando os canais da tevê, deitada, envolvida por uma manta de lã. Sua mulher estava na mesa de jantar, com três grossos livros ao lado do copo de leite. Estava usando o seu óculos de leitura, e tinha o cabelo preso em um coque praticamente desmanchado.

- Essa vida é muito chata. – Reclamou Sakura, desligando a tevê, enquanto se sentava no sofá. – Eu quero fazer alguma coisa de diferente. Compras, talvez.

- Hey, isso não é diferente. – Reclamou Stephanie, desviando seus olhos da leitura para a sua irmã caçula.

- É, eu sei. – Falou. O telefone tocou logo em seguida. Sakura correu para atender, tropeçando na mesinha de centro. Ah, como era bom ser livre, sem aquelas malditas muletas!

- Alô? – Atendeu. – Nonna? Por que você está chorando? O que houve...? O Sasuke? Não, eu não vi el... O que? O que aconteceu? – Sua voz se alterou. – Oh meu Deus! Não acredito! Ta, eu vou te ajudar. - Desligou o telefone logo em seguida, correndo para a porta de entrada.

- O que aconteceu, Sakura? – O pai dela perguntou, procupado.

- O Sasuke...!

- O que tem ele?

Enquanto abria a porta, ela respondeu, atordoada. – Fugiu.

.:.:O#O:.:.

Abriu a porta do táxi. Certamente, não sabia direito onde estava, como que ele faria para achar algum lugar para ficar. E ele nem sabia falar aquele idioma louco! Ele teria que se virar com seu fraco inglês para conseguir alguma coisa.

Atravessou a rua, ajeitando a mochila nas costas. Olhou ao redor, estava sentindo frio. Aquele era o país mais diferente que ele já havia visto. Estava feliz por estar mais perto do que nunca de seu irmão, estava prestes a encontrá-lo. Sabia que agora ele finalmente estava na cidade em que ele morava atualmente, e estava verdadeiramente feliz por isso. Havia trabalhado tanto nos Estados Unidos para conseguir dinheiro duficiente para ir atrás de seu irmão...

Não percebeu quando esbarrou em alguém, levando essa pessoa ao chão.

- I'm sorry, I ..

- No, I'm sorry...! – A menina falou, ajeitando o óculos. Ele reparou que ela tinha os olhos ocidentais, e o seu cabelo era absurdamente liso e preto.

- Me desculpe, mas…- Ele começou falando em japonês, e ela arregalou os olhos, aparentemente feliz.

- Oh meu Deus! Você fala em japonês? – Ela respondeu, no mesmo idioma em que ele perguntara. – Não acredito, eu cheguei a pouquíssimo tempo aqui na Holanda e… Me desculpe, meu nome é Kigimura Mizuki. – E fez uma reverência.

- O meu é Uchiha Itachi. – Ele falou, imitando o gesto dela. – Cheguei hoje aqui. Não conheço ninguém ainda. Só você.

- E você não deve ter um lugar para ficar, estou certa? – Ela perguntou. O moreno assentiu. – Tenho um quarto sobrando no meu apartamento, você pode ficar lá até se ajeitar aqui. Eu sei, a gente se conheceu agora, mas eu não gosto de morar sozinha. E se você for algum tarado eu te denuncio. Você aceita?

- Sim, sim, claro. – Seus olhos negros estavam brilhantes. – Muito, muito obrigado.

Que sorte eu tenho!, pensou. Nunca adivinharia que com apenas poucas horas naquele país diferente encontraria alguém da mesma origem que ele. A única coisa que ele teria a fazer agora era agradecer a Deus, e torcer para encontrar seu irmãozinho logo.

E aquela menina era uma louca por abrigar alguém estranho na casa dela.

Começaram a andar juntos, em direção ao apartamento dela.

- E a propósito, eu não sou nenhum tarado.

Mizuki apenas sorriu, ajeitando o cabelo timidamente.

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Continua...

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N/A: OMG! Quanto tempo fiquei sem postar D: Me desculpem a demora, guyas... Mas é que as aulas começaram na minha escola, e lá é uma prova por semana :/ Ou seja, eu estou f... Ferrada. =D Além disso, eu não sabia se eu continuava a postar ou não no orkut, e resolvi dar um tempo para ver se eu chegava a um número considerável de comentários por lá... E eu estou postando aqui primeiro, só Deus sabe quando eu vou postar esse capítulo lá. So, sintam-se privilegiados *-* Mas enfim, espero que vocês gostem *-* Fiz com muito carinho, e a partir de agora o Itachi vai ter uma participação muito maior na fic \O/ Finalmente, né? *-*

Reviews Anônimas:

Julia S.S: XD Eu sei disso, e eu prefiro escrever POVs, sabe... Mas se essa fic fosse toda em POVs não seria a mesma coisa. Aí eu preferi em 3ª pessoa ;) Eu tb amo a Tenten, apesar de ser uma personagem quase terciária. Amizade colorida reina (L) Que bom que gostou apesar de eu não achar perfeito *-* Ta muito longe disso, infelizmente D: É, ela gostou da ideia, o problema vai ser convencer aquela poia de voltar a escrever as fics dela, e de voltar a gostar de fanfics ¬¬ Sasuke está num estágio mais avançado da pegação *-* Que bom que também gostou da música *-* xo xo ;*

Julia S.S: O 'Zezím' namorado da Sakura é alguém que é meio sei lá xD Ele não vai durar muito tempo. Todo mundo ficou com peninha dele :/ xo xo ;*

Tai: Que bom que gostou! Ta aí a continuação. Beijinhos.

Anon: Sim, eu calculei mais ou menos para a música andar junto com a história XD Pena que só funciona com quem lê rápido, como eu, ou como você :~ A Sakura é uma burra, e a burrice dela afeta ele, sacas? XD Pronto, conheceu. Não sei se você gostou, mas eu gostei da cena que o Sasuke desmaia. Foi um pico de pressão. *-* xo xo :*

Priih . ncesa: , eu sou a Chane CX A Kurara escafedeu-se. Desista de Drops of Bloods (?), ela abandonou. HUAEHUAHEUHAUHEUAHUAHE, do jeito que você fala parece que a Sakura é uma pessoa de verdade, e não só um personagem XD Sim, ela teve ciúmes do Neji u-u A fic vai vir pros dias de hoje sim *-* Não o Lee é gay e só fez uma participação especial cortando o cabelo do Sasuke-chan XD Pronto, o Itachi apareceu *-* E não se preocupe com reviews grandes, são as minhas prediletas *O* Eu demorei só um tico u-u xo xo ;*

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Gente, se vocês quiserem me add no MSN o e-mail é esse: c _ chwoork (arroba) live . com. (retirem os espaços e acrescentem o 'arroba') Por favor, você não precisa sentir medo ou vergonha em me add e conversar comigo. Sou meio noob mas eu não mordo. E eu adoro conhecer pessoas novas *---* E não se esqueçam, reviews fazem milagres.

Équissou équissou. (xo xo)

little C. :*