Harry
Quantas formas de amor existe? Amor fraterno, amor romântico, amor filial... Será que é possível amar alguém de várias maneiras? Será que tipos diferentes de amor coexistem? Particularmente, acho que não.
Chegar a essa conclusão não foi fácil. No início da minha adolescência eu tentava me convencer que tudo que sentia era tolice de uma fase da vida. Mas não era, nunca foi, eu só não via isso.
Admitir para mim mesmo que eu gostava da Gina mais do que deveria foi difícil. Eu descobri isso quando tinha 12 anos, mas não entendia o que era. Nessa idade tudo era confuso.
Aos 13, nós passávamos tempo demais juntos, mais do que os outros irmãos. Aos 14, já sabia que gostava dela de um jeito especial, e era recíproco. Gina é um ano mais nova, mas é uma garota muito sensível. Acho que ela se deu conta de tudo antes de mim.
Foi quando tinha 15 anos que percebi que aquilo não era paixão. E muito menos simples atração. Era mais, muito mais. A gente se amava.
Aquela foi a pior época. Era terrível! Eu não conseguia conviver comigo mesmo, não conseguia dormir, não conseguia pensar, não podia admitir. A culpa era uma sombra. Eu via Gina sofrer por mim em silêncio, sempre desconversando ou dando desculpas quando nossos pais perguntavam o que eu tinha.
Eu falava com ela o mínimo possível, apenas o necessário para manter as aparências. Estava decidido a ignorar tudo que sentia, o que não era fácil. Principalmente por Gina. Ela não havia reclamado da nossa distância, mas eu sabia que se sentia mal. Ela chorava a noite, comia pouco, parecia sempre triste. Nossos pais pensaram que estávamos doentes, mas claro que nossa saúde estava perfeita.
A situação durou alguns meses. No verão daquele ano, quando fiz 16 anos e ela 15, Gina veio falar comigo durante uma noite.
"Eu vou embora", disse, "vou dizer a mamãe e papai que quero estudar em um colégio interno e vou te deixar em paz".
A idéia de tê-la longe era terrível. Pior do que amá-la daquele jeito. Eu podia estar mal, mas ficaria pior longe dela. Então eu disse que não, que ela ficasse.
E a gente percebeu, juntos, que era tarde demais. Sempre havia sido tarde demais. O sentimento estava ali, nasceu conosco.
Desde então, tudo foi acontecendo com naturalidade.
Nós sempre nos demos muito bem, mas passamos a ter liberdade e intimidade. Não há constrangimento algum entre nós. Acho que é uma relação bonita, apesar de tudo. Às vezes, penso que parecemos um casal acostumado um ao outro há décadas.
É claro que não temos paz e tranqüilidade sempre, mas a gente vive, dando um passo de cada vez. Esse é o único jeito. Foi assim que cheguei aos 17 e Gina aos 16.
Gina.
Eu a amo, mais do que tudo. Queria muito que ela não fosse minha... irmã.
Sinto falta das coisas simples, como pegar em sua mão em público, abraçá-la sem restrições, fazer um passei ao ar livre e beijá-la. Mas essas são coisas que nunca poderei ter. Assim como nunca a terei completamente.
Nós nunca nos beijamos de verdade ou nos relacionamos com maior intimidade. Não por falta de vontade, mas porque a gente não pode. Não parece certo. Porém, às vezes... Eu a quero tanto, tanto, tanto! E sou capaz de ver em seus olhos que ela me quer. Mas não dá, não pode ser.
Se um dia tudo isso vai acontecer, eu não sei. Desejo e repulsa entram em conflito. É muito difícil para mim. Pra ela também.
Por isso nosso amor vive do valor que damos às coisas pequenas. Acordar um ao outro de manhã, um roçar de mãos quando ninguém está vendo, um beijo simples, apenas os lábios, dormir abraçados, dedicar uma canção ao outro... Nós aproveitamos cada oportunidade que temos para ficar juntos.
Mas nem tudo são flores, pois brigamos, enlouquecemos de desejo, nos sentimos sujos e culpados, choramos, sentimos ciúme, dividimos as dores e medos... Nos conhecemos bem. Eu conheço os sentimentos dela, conheço o corpo, as qualidades e os defeitos. Ela conhece meus sentimentos, meu corpo, minhas qualidades e defeitos.
E, acima de tudo, em meio a todas as impossibilidades, nós nos amamos.
Para aqueles que nos vêem de fora, parecemos uma família feliz. Os quatro Potter, os dois filhos adoráveis, o casal praticamente perfeito. Mas ninguém imagina como é difícil fingir sempre, principalmente dentro da sua própria casa.
Por sorte, alguns detalhes conspiram a nosso favor. Minha mãe é pedagoga e trabalha das 8h às 17h, assim como meu pai, que é arquiteto e tem sua própria empresa. Logo, de segunda a sexta-feira eu e Gina temos cerca de 2 horas para ficar sozinho em casa e fazer o que quisermos. Menos as quintas, quando eu tenho futebol e chegamos em casa uma hora mais tarde do que de costume.
Além disso, o quarto dos nossos pais fica do outro lado do segundo andar, então podemos circular livremente pelo nosso corredor e eles nunca nos vêem entrando e saindo do quarto um do outro com mais freqüência do que um casal de irmãos normalmente faria. E nossas portas são exatamente de frente uma para a outra, em dois passos encontramos nosso refúgio.
Refúgio, este, que eu procuraria muito em breve, mas antes tinha que sair debaixo do chuveiro. A água estava quente e não afastava meu sono, então era melhor parar de enrolar de uma vez.
Assim que sai do banho, senti frio. Parecia que aquela quinta-feira seria a mais gelada de abril.
Vestido com meu roupão, ouvi os sons da casa. Nada. Estava tudo em silêncio, exatamente como eu queria.
Com cuidado, sai e passei pelas portas fechadas do corredor, que dava em um outro, e desci as escadas para o térreo. Na cozinha, peguei a mesma bandeja que Gina havia usado no dia anterior para levar meu café. Agora eu iria retribuir seu favor.
Peguei o suco na geladeira, dois copos, torradas, geléia, muffins, tudo que precisaria. Queria preparar ovos, linguiça, bacon, mas isso faria barulho. Se a mãe e o pai acordassem, iriam querer saber o que eu estava fazendo de pé às 6 da manhã.
Quando subi novamente, tive de tomar muito cuidado para não deixar tudo cair. O mais difícil foi abrir a porta do quarto de Gina, já que minhas mãos estavam ocupadas segurando a bandeja.
Lá dentro parecia outro mundo: um mundo seguro e bonito. O lugar tinha um tom quente, graças ao papel de parede e as luzes vermelhas dos abajures.
Coloquei a bandeja no chão perto da cama e tranquei a porta. Gina dormia tranquilamente.
Me deu pena de chamá-la, então deitei ao seu lado embaixo das cobertas. Adorava o cheiro dela, a pele, o cabelo. Gina tem longos cabelos ruivos, assim como minha mãe, mas olhos castanhos, de meu pai. Já eu tenho os cabelos do meu pai, negros e bagunçados, e os olhos da minha mãe, verdes.
Ela foi acordando lentamente. Resmungou, suspirou, se espreguiçou para, enfim, abrir os olhos.
- Oi, meu bem.
- Olá, Harry.
Ela sorriu, a paixão crescendo em mim. Gina é tão bonita!
- Que surpresa boa, acordar e ver você.
- Para você ver quão feliz eu me senti ontem, Gina.
- Preciso ir ao banheiro. Aliás, que horas são?
- Pouco mais de seis da manhã.
- Então a gente tem tempo. Agora com licença.
- Não, não vai. Eu quero ficar com você.
- Não demoro. Não se preocupe.
Infeliz, a soltei. Vi Gina correr para acender a luz do quarto.
- Apague os abajures – ela pediu.
Na volta, quando se virou para o guarda-roupa, ela viu a bandeja no chão aos pés da cama.
- Você trouxe o café para mim?! Para nós? Oh, Harry, que adorável. Obrigada!
- E você me abandona sozinho nessa cama de casal grande, fria e vazia.
- Você preferiria uma cama de solteiro? Talvez você devesse trocar a sua então. – Gina fez uma careta para mim, mexendo em seu guarda-roupa. A vi pegar o velho roupão do Peter Pan, que ela tinha desde os 10 anos e que eu tanto criticava pelo tamanho.
- Você só tem esse roupão de banho, Gina?
Ela me ignorou.
- Você sabe que está grande demais para ele.
- Eu gosto dele.
- Eu não. Me traz pensamentos lascivos.
Gina riu, mas era verdade.
- E o que o faz pensar que o seu não me traz esses pensamentos, Harry? Só porque ele é cumprido?
- Exatamente. Ele é descente. E eu sei que você tem mais um roupão de banho, então você só deve fazer isso para me testar. E também tem aqueles penhoares estampados, que...
- Penhoar não é roupão.
- Que diferença faz? Pelo menos eles são cumpridos.
- Cumpridos, mas você reclamaria se eu os usasse do mesmo jeito, porque são de tecido fino e meio transparentes. Eu vou continuar usando meu roupão do Peter Pan até não me caber mais, e vê se pára de me encher.
- Eu ainda prefiro o penhoar. – gritei para ela, porque Gina já tinha batido a porta atrás de si.
Sem mais o que fazer, me aconcheguei à cama e a esperei voltar. Eu não poderia dizer se ela demorou ou não, porque logo entrei em um estado de dormência que só passou quando senti um peso sobre mim.
- Dormiu? – Gina estava sentada às minhas costas, falando em meu ouvido.
- Não.
Ela me abraçou e ficamos um silêncio. Eu embaixo das cobertas, ela em cima.
- Que horas são, Gina?
- Uhh... Seis e vinte e dois.
- Você trancou a porta?
- Tranquei.
- Então deita aqui comigo.
Ela deitou, cheirando a sabonete. O hálito dela me lembrava a pasta de dente que usávamos.
- Você prefere um penhoar? – havia riso em sua voz.
- Prefiro.
- Então eu vou vesti-lo um dia desses. Talvez em uma segunda-feira.
A idéia me trouxe algum divertimento. Toda segunda meu pai tinha de enfrentar 90km e ir até Londres para resolver qualquer coisa da empresa. Diversas vezes ele e mamãe iam sexta à noite e passavam o fim de semana por lá. Então eu e Gina tínhamos a casa só pra gente.
- Mal posso esperar – sussurrei.
Ela estava tão próxima, quente, colada a mim. Estávamos abraçados, embolados sob as colchas e edredons. Ficamos nos olhando por um longo tempo, uma das minhas mãos perdidas em seu cabelo.
Foi Gina que se aproximou e me beijou. Não o beijo que queríamos, mas o de sempre: apenas os lábios, nunca mais do que isso. E seus lábios eram macios e aconchegantes.
Eu a senti apertar com força meu braço quando desci os beijos para seu colo e o vale entre seus seios, aquele pedaço de pele que o roupão deixava de fora. As cobertas estavam nos atrapalhando, então foi tudo para o chão.
- Ai! – ela me empurrou quando mordi com um pouco mais de força a curva de seu pescoço – Harry...
Gina se colocou sobre mim, as mãos ladeando minha cabeça. Ela era linda... Seus cabelos caíam para um lado, formanda uma cascata ruiva.
- Estou muito feliz agora. - Ela sorriu do seu jeito encantador ao dizer aquelas palavras. Tudo nela era encantador.
Ficamos em silêncio, mas entendíamos o que o outro dizia. Bastava um olhar.
Novamente nos beijamos. Minhas mãos em sua cintura, as delas em mim.
- Senta – ela pediu.
Me sentei, Gina sobre minhas pernas, uma de cada lado de meu corpo. Os lábios dela queimavam minha pele, que ela beijava lentamente, descendo do pescoço aos ombros e peito.
- Gina...
- Shh. – o dedo dela calava meus lábios. Ela se aproximou e me beijou, nos beijamos milhões de vezes, as mãos dela desamarrando meu roupão.
É realmente, realmente difícil me controlar quando ela é tão doce e provocante.
Ajudei-a a tirar a peça. Olhando em seus olhos, tudo que vi foi amor e devoção.
- Te amo – eu disse.
- Eu te amo.
Ela sorria. Nos beijamos e novamente deitamos.
A sensação que seus pequenos beijos em meu pescoço, peito e barriga provocavam era magnífica e agoniante. Era dolorosamente belo estar ali com ela.
Gina voltou para os meus lábios, e nesse momento uma de minhas mãos desceu para a pele de sua coxa, enquanto a outra tirava aquele roupão infantil.
Já a vi nua milhões de vezes, e ela conhece meu corpo tão bem quanto eu o dela. Mas nunca pude tocá-la com liberdade, nunca com paixão. Temos limites um com o outro, porque ambos sabemos que se formos muito longe não poderemos parar.
- Eu quero você.
Mas, claro, não a tive. Em vez disso, beijei aquele espaço entre seus seios, a barriga, o umbigo, o ventre, as pernas, apertei suas coxas e quadril. E beijei seus lábios, sem nunca ter mais do que isso.
- Se esse momento tivesse uma trilha sonora – ela me perguntou, quando a virei de bruços -, qual música seria?
- Eu não sei – não fazia idéia, não queria pensar, só queria continuar sentindo seu cheiro e roçando os lábios em suas costas. Tocando a pele dela, beijando. – Qual?
- Pensei em Le Ciel Dans Une Chambre.
- O Céu Em Um Quarto?
- É. Ai! – mais uma vez a mordi com mais força do que o necessário.
- Desculpa.
- Não se desculpe. – ela se virou para mim – Não se desculpe, porque quando você está perto de mim, este quarto não tem mais nenhuma parede, mas sim árvores, árvores infinitas, e quando você está assim perto de mim é como se aquele teto não existisse mais, eu vejo o céu apoiado em nós *.
Ela sorriu, e eu sorri de volta. A beijei mais uma vez, provando seus lábios. A sensação dos nossos corpos nus se tocando era o céu e o inferno.
Suas pernas enlaçaram meu quadril e o apertaram contra si. Não esperava por aquilo. Congelei.
Ouvi Gina começar a rir baixinho, apesar de tentar segurar-se.
- Desculpa – ela tentava conter o riso -, esqueci.
Levei um instante para conseguir me controlar e sair de cima dela, o que exigiu toda minha força de vontade. Apertei os olhos com as mãos, senti o movimento de Gina levantando da cama. Precisava respirar fundo e me acalmar.
Quando abri os olhos, ela estava sentada na cama de calcinha e sutiã.
- Lamento. Não foi minha intenção te deixar excitado e testar seus limites.
- Não me diga.
- Toma. – ela jogou o que percebi ser uma cueca, que vesti – Estava na minha gaveta.
- Você devia tirar isso daí.
- Mamãe nunca mexe nas minhas coisas, não se preocupe.
Gina arrumou a bandeja sobre a cama e sentou-se ao meu lado, segurando minha mão.
- Por que você só usa samba-canção? – ela me serviu, colocando uma torrada com geléia em minha boca – Por que você só dorme de cueca, não usa um pijama?
Por que, por que, por que... Gina sempre tinha o que perguntar e falar.
Tomamos nosso café e quando terminamos era pouco mais de sete horas. Se não descêssemos até 7:30h, a mãe ia subir para nos chamar.
Deitamos novamente para aproveitar aqueles últimos minutos, nossas mãos unidas entre nós. Eu analisava e tentava contar as sardas mínimas que Gina tinha no rosto e ombros. O tempo foi passando sem que percebêssemos. Depois de um longo silêncio, Gina falou.
- Você é lindo, Harry.
Ela disse aquilo com sua simplicidade habitual, que me fazia lembrar o quanto a amava. Eu adorava isso e tudo nela.
- Você é linda.
- Você parece um galã de filme francês.
- Não pareço.
Ela se esticou e me beijou.
- Parece sim. E ponto final.
ooOoOoOoOoOoo
Três da tarde a aula acaba e eu posso ir para casa. Mas não hoje, pensei. Porque era quinta-feira e, como de costume, tinha futebol.
A última aula foi educação física e nós íamos ficar mais uma hora jogando bola. "Nós" significa meus colegas de turma nessa disciplina.
O sinal já havia tocado e Madame Hooch, a professora, ido embora. Logo Gina apareceria e sentaria nas arquibancadas, como sempre faz, me esperando.
- Vamos lá, cara? – Draco Malfoy bateu em meu ombro, me chamando de volta para o campo.
Segui meu amigo e vi que, das garotas da turma, só Parvati e Padma Patil e Cho Chang tiveram coragem de jogar conosco, os rapazes. Hermione estava sentada na arquibancada, seguindo Rony com os olhos.
- Não sejam violentos - as meninas pediram. Era charme, porque na verdade as três eram muito boas no futebol. Principalmente Cho, que só perdia para Angelina Johnson, que já tinha saído da escola, e talvez para Gina.
O jogo foi difícil para o meu time. Todos pareciam cansados, e perdemos de três gols de diferença. Vi as meninas, que ficaram juntas no time vencedor, comemorarem, antes de eu sair em direção aos vestiários.
A verdade era que eu não estava com cabeça para jogos e lamentações qualquer. Havia descoberto que a festa de primavera da escola seria no final do mês. Isso enchia minha cabeça, como costumava acontecer nessa época.
Eram as garotas que convidavam, e eu realmente esperava que nenhuma me chamasse. Pois assim, no fim, Gina e eu acabaríamos sem par e sendo "obrigados" a acompanhar um ao outro por "bondade". Contudo, se alguém me convidasse... Como eu poderia recusar? Havia murmúrios sobre eu nunca me envolver com ninguém, sobre não ser visto com garotas. Os rapazes sempre comentavam algo, e mesmo quando eu dava desculpas qualquer, como dizer que "não ser visto não quer dizer que eu não faça", meus amigos não sossegavam completamente.
Às vezes eles usavam um tom brincalhão, de modo que não parecesse realmente sério, mas eu podia sentir que havia uma cobrança. Em outros momentos a pergunta era direta. Eu dizia o de sempre: que era discreto.
Mas o assunto sempre voltava. Um dia durante uma aula, outro no almoço, em um trabalho escolar, numa festa... A cobrança para provar minha masculidade me envolvendo com o máximo de garotas possíveis sempre me cercava.
E não só meus amigos comentavam, mas também aqueles que eu não conhecia. Sabia disso porque os rumores sempre davam um jeito de se espalhar e acabavam chegando ao meu ouvido.
Gina diz que com ela também há algum questionamento, mas as meninas são mais discretas. Basta ela dizer que está esperando a pessoa certa e as garotas sossegam. Mas ela logo terá de pensar em outra desculpa. Ela tem quase 17, e quem chega nessa idade sem nunca se envolver com ninguém?
Eu queria que essa cobrança em cima de mim fosse mais fácil de lidar, como é para Gina, por ela ser garota. Eu não devo explicações a ninguém, mas todos parecem querê-las. Realmente não me importo sobre o que desconhecidos pensam a meu respeito, mas quando são meus amigos me sinto chateado pelas piadinhas e comentários. Só Rony e Neville Longbottom nunca comentam nada. Sou grato a eles por isso, apesar de nunca ter-lhes dito nada.
O pior de todos é Draco, mas tenho de lidar com a questão. O que mais poderia fazer? Como explicar a minha situação? Que, de alguma forma, eu estou com alguém sim?
A pressão tornava tudo pior do que era. E não era só isso: e se alguém descobrisse? E se descobrissem que eu e Gina nunca saiamos com ninguém pela nossa... relação? Era preciso manter as aparências, e nunca sair com ninguém não era algo que passasse despercebido. Em casa não conversamos muito sobre isso com minha mãe e meu pai, então eles acham que fazemos tudo que todos os outros adolescentes fazem, mas que nos mantemos quietos. E mesmo de vez em quando é preciso fingir que há alguém, que fulano ou cicrano que ligou é mais do que um amigo ou amiga. Caso contrário eles iriam notar algo errado conosco.
Logo, fingir eventualmente um romance era necessário ao nosso constante teatro. Mas a não ser para os nossos pais, a gente nunca fazia isso. Todavia, se alguma garota do colégio me chamasse para acompanhá-la, eu não poderia dizer não. Seria muito suspeito... Todos iam começar a pensar no motivo e, uma vez que eu claramente não sou gay, um outro porquê teria de existir. E eu temia que descobrissem, temia de verdade.
E eu tinha quase certeza que Cho Chang iria me convidar. Ela estava dando sinais há algum tempo que estava interessada em mim, e eu adoraria ir com ela se não tivesse Gina.
Cho é uma garota muito bonita e alegre, eu a adoro. Gosto de conversar e rir com ela, mas isso é tudo. Ela é uma amiga e nunca poderia ser mais, porque esse espaço especial já está preenchido.
E além de tudo, como eu poderia dizer não a Cho depois do que ela passou? O namorado dela, Cedrico Diggory, havia morrido ano passado e ela estava mais frágil. Eu temia que, com um não, ela se sentisse desprezada.
Então eu tinha que aceitar se ela me convidasse. E mesmo se não fosse ela, se fosse qualquer outra garota, eu tinha que aceitar, porque era preciso manter as aparências. Eu entendia isso, mas Gina não entenderia. Ou pelo menos não tão bem. Para evitar brigas, era melhor que ninguém me chamasse.
Porém... Eu sentia que Cho ia me convidar. Assim que avisaram sobre o baile, naquele dia mesmo, percebi que comecei a encontrá-la mais do que de costume. Para mim ela estava tomando coragem para fazer o pedido, e iria fazê-lo logo, para garantir que ninguém pedisse antes e eu dissesse sim.
Eu precisava rezar para que estivesse errado.
Para evitar cruzar com qualquer garota, resolvi não tomar banho na escola e ir embora antes de todo mundo. Em cinco minutos estaria em casa. Juntei minhas coisas no vestiário e saí. Àquela altura, todos já deveriam estar no banho, então era seguro.
No caminho até o ponto das arquibancadas onde Gina esperava, vi Hermione. Não havia problemas em encontrar com ela, que iria ao baile com Rony.
- Olá, Hermione.
- Ei, Harry. Aqui, você vai até a Universidade de Essex no começo de maio, não vai?
- Vou. Vou da uma olhada por lá.
- Será que você me daria uma carona? Eu realmente não quero entrar para Essex, mas estou me inscrevendo no maior número de faculdades possível. Então, como eu sei que você vai visitar...
- Eu te dou uma carona, Hermione.
- Obrigada, Harry!
Depois de dar alguns passos, ouvi Hermione gritar algo sobre Rony, que não entendi.
- O quê?
- Talvez Rony também queira ir com você.
Ela gritou bem alto dessa vez, e eu pude compreendê-la perfeitamente. E não só compreendi o que Hermione disse, mas também que aquele ponto esvoaçante de cabelos negros metros e metros atrás dela era Cho Chang.
- Ta!
Apertei o passo. Ia chegar em Gina antes de Cho chegasse até mim, mesmo que ela estivesse correndo e eu não. A menos que... Ai! Que ela gritasse, como estava fazendo.
Era impossível fingir que eu não estava ouvindo. Gina, alguns metros à minha frente, claramente ouvia. Ela olhou para mim confusa. "O que ela quer?" Perguntou, movimentando os lábios sem emitir som. Eu tinha uma idéia precisa do que Cho queria, mas apenas dei de ombros e me virei para a voz que chamava.
- Harry! – Cho esta ofegante e vermelha quando chegou até mim. Ela precisou recuperar um pouco do fôlego antes de falar – Harry... Harry, eu queria saber... Será que, talvez... Talvez você queira... Me acompanhar na festa de primavera?
Eu estava preocupado com Gina atrás de mim. Tinha absoluta certeza que ela ouvia a conversa. Tentava imaginar a cara dela, o que ela estava pensando a respeito. Com certeza esperava uma desculpa e um não de minha parte... E Cho esperava um sim, parecendo ansiosa.
A escolha não era entre as duas, entre desapontar uma ou outra, mas o que seria melhor para nós, Gina e eu. Eu sabia que ela ficaria chateada, porém não podíamos fazer tudo que quiséssemos, mas o que era preciso. Eu não queria magoar Gina, de modo algum...
- Harry, alguém já te convidou?
- Hã... Não.
Vi o alívio percorrer Cho. Em um gesto que esperava ser discreto, dei uma olhada em Gina. Ela procurava disfarçar, mas estava surpresa. Provavelmente pensava em nomes nada educados para dar a Cho.
- Que bom, Harry. Eu pensei que talvez alguém... Enfim. Ah, mas... Você aceita ir comigo?
Gina iria ficar furiosa e irritada quando eu dissesse sim. Porque eu tinha que dizer sim. O sim iria nos proteger, o não levantaria suspeitas.
– Eu... Eu aceito. Será um prazer, Cho.
- Oh, que bom! Por um momento... Esquece. Agora eu preciso ir, tomar banho e tudo. Depois a gente combina os detalhes, Harry.
- Claro.
Eu queria que Cho demorasse mais, mas ela saiu correndo a todo vapor. Provavelmente estava tão feliz que mal podia esperar para contar a novidade às amigas. E eu teria de enfrentar Gina. Encará-la. Será que a decepção estaria estampada em seu rosto?
O maxilar dela estava trancado, como acontecia toda vez que ela ficava brava. Foi curioso, mas me deu vontade de beijá-la. Mesmo que pudesse não tive chance, pois ela logo me deu as costas e começou a andar em silêncio.
Não dissemos nada ao entrar no carro ou no trajeto para casa. Ela colocou uma música alta que eu detestava, mas deixei tocar. Se fôssemos discutir, era melhor estar em casa.
Gina bateu a porta do carro com força quando estacionei. De propósito. E então eu tinha perdido a paciência! Ela viu que eu estava anormalmente furioso, mas não conseguiu me trancar para o lado de fora da casa, como pretendia. Eu era mais forte e mais rápido.
Ela correu escada acima. Antes de eu colocar o pé no primeiro degrau, ouvi a porta do seu quarto bater três vezes. Em alguns momentos eu tinha vontade de dar um coça em Gina, porque ela agia como uma criança teimosa e birrenta.
- Abre a porta. – eu gritei em um tom que era impossível Gina não perceber que as coisas não estavam bem. – Abre ou eu vou arrombar! E você sabe que eu faço isso!
- Vai embora.
O choro estava misturado à sua voz. Aquilo me deu desespero. Desespero não só para vê-la, mas também para saber se tudo estava bem.
- ABRE A PORTA AGORA!
Gina abriu sem que eu precisasse pedir de novo. Eu nem sabia mais se estava nervoso ou preocupado, porém me obriguei a contar até dez. Ela só tem 16, disse a mim mesmo. Então me lembrei que eu só tinha 17.
- Ginevra, você vai parar de agir como uma idiota pra gente conversar?
Ela não reclamou quando a chamei pelo nome, do qual não gostava muito. Apenas continuou sentada na cama, as pernas cruzadas, me ignorando com classe.
- Não vai falar comigo não?
Ela fazia um esforço enorme para não deixar cair nenhuma lágrima. Gina pode ser durona quando quer.
- Até quando vai me ignorar?
Passou um instante e Gina correu quarto afora. Eu ouvi quando a porta do meu quarto bateu, seguida da do banheiro de lá.
- Merda!
Ela não trancou as portas, então foi fácil vê-la debruçada sobre o vaso sanitário. Gina sempre vomitava quando ficava muito nervosa.
- Você está bem, Gina?
Minha resposta foi o barulho da descarga e o da água correndo na pia. Ela escovou os dentes e lavou o rosto. Quando tentei tocá-la, Gina fugiu da minha mão, mas pelo menos não saiu. Ficou parada de costas, perto do lavatório.
Ela não disse nada. Por vários minutos ficou imóvel, e eu aproveitei para encher a banheira. Liguei todas as torneiras e o chuveiro, observando a água.
Ela caia do chuveiro e parecia se despedaçar em mil pedaços ao se chocar na banheira. Depois todos esses cacos se uniam de forma perfeita, formando uma só superfície.
O amor tinha de ser como a água: mesmo se partindo em mil, todos os pedaços se uniriam perfeitamente, transformado no mesmo de antes, mas maior e melhor. Eu sabia que o amor não era assim. Porque apesar do que se diz em livros e filmes, o amor, esse amor romântico, não suporta tudo. As circunstâncias, os sonhos, a distância muitas vezes são mais fortes. E isso não significa que o amor não exista, mas que ele não pode ser concretizado.
Ele podia se partir e se unir, mas chegaria um momento em que os pedaços não combinariam. Estariam desgastados. Os cacos do amor são sólidos, não líquidos. Eu temia o dia que os cacos de Gina se solidificassem. Por mais que ela dissesse que não, que era impossível, eu temia. Eu temia que esse momento fosse aquele instante. Com ela tudo é difícil, complexo, grande. A gente pode errar um com o outro pensando que acertou.
Eu temo o dia em que ela vai dizer: cansei. O dia em que ela querer alguém para levá-la ao cinema, para apresentar aos nossos pais, para ter filhos. Ela diz que isso não é importante, mas Gina é muito jovem ainda, como eu. Hoje o cinema é uma prioridade maior do que os filhos, mas um dia o quadro irá se inverter. "Eu posso adotar", ela diz, mas eu me pergunto se isso será suficiente. E até quando será suficiente? E quanto a mim, vou amá-la para sempre? Não tenho dúvidas disso. Ela é meu sangue, o que corre em minhas veias, o que passa pelo meu coração e o faz bater. No dia em que Gina disser que não pode mais, eu me perco. Eu me perco.
Se ela dissesse naquele banheiro que era melhor acabar com o que quer que tínhamos de uma vez, para evitar os problemas futuros, eu estava disposto a me atirar na banheira e morrer. Nem sei se a enchi por esse motivo, mas estava disposto àquilo.
Era impressionante. Assustador! Ela me tinha nas mãos e nem sabia... Que poder era aquele sobre mim? Que encantamento, que magia? Era só amor? Penso que meu amor pode de fato ser doente, de tão forte que é.
- Não me mate com seu silêncio, eu imploro, Gina.
- Eu... Eu sou pedaços, Harry. Porque... – ela me olhava agora, chorando enlouquecida. E ela chorava por mim. Gina não ia me deixar. Não naquele momento, não tão cedo. – Por quê? Por que eu não sou suficiente? Por que eu não sou boa o bastante?
- Você é, você é! Como você não seria?
- Então por quê? Por que você vai ter um encontro com ela? Por quê?
- Como eu ia dizer não?
- Dizendo: não. É tão simples!
- Não, não é! Você sabe que não é! Você sabe da cobrança em cima de mim, desse julgamento silencioso que as pessoas fazem, você sabe que...
- Besteira. Você devia se importar menos com o que as pessoas pensam e se importar mais com o que eu penso! – ela correu até mim e me beijou. Aquele beijo pesado, que pressiona, um último pedido, uma mensagem para que eu entendesse o que ela sentia, um por favor. Suas mãos seguravam minha blusa com força, um gesto que pedia: entenda, Harry, você é meu, você fica comigo, você tem de ficar comigo – Eu te amo.
- Eu sei, eu sei – eu a abraçava e ela chorava -, eu também te amo, mas você sabe, você entende... Eu sei que sim.
- Entender não significa concordar, Harry! – ela se separou de mim com tanta brutalidade... Parecia uma peça essencial de um quebra-cabeça, sem o qual a figura a ser montada se perdia, ficando indefinível – Eu sei sobre seus problemas com seus amigos, você já me contou milhões de vezes! E entendo que essa cobrança seja dura, eu entendo que você precise fingir – ela enfatizou muito fingir -, até suporto olhares, comentários de garotas... Mas dividi-lo com elas? Eu não posso, não posso! Não me peça isso, por favor, por favor!
- Gina...
Ela começou a chorar descontroladamente mais uma vez, sentada ao pé da porta. Vê-la chorar por mim naquele momento... Significava que eu estava no poder, que a tinha em minhas mãos. O pensamento durou um segundo, algo mínimo, egoísta, e logo eu já estava ao seu lado, pedindo que se acalmasse.
- Você não vai me dividir com ninguém, Gina. Eu só vou sair com a Cho, nada mais. Como amigos.
- Mentira! Você sabe, sabe tão bem quanto eu, que isso é um encontro! Um encontro em que vocês vão, no mínimo, se beijar no final. Então ela vai querer sair com você de novo, e você terá de dizer sim, porque vai ficar se perguntando o que os outros vão pensar se disser não... Logo vão namorar...
- Não!
- ...e eu serei seu segredo, uma parte escondida de todos nesse triângulo, e só vai me sobrar os restos! Porque você vai ter que fingir tão bem e a mentira será cada vez maior que vai engolir o que temos, até que não existirá um "nós", mas um "eu" e um "você".
O que eu poderia dizer? Era verdade. O problema em fingir era que o jogo crescia... Por que é essa a ordem das coisas, certo? Você conhece alguém, sai com ela algumas vezes, começam a se ver mais, percebem que estão apaixonados e então estão juntos. Claro, pode haver um corte em alguma dessas fases, então não há toda a coisa do "ficar juntos". Mas por tanto tempo eu fugi dessa situação que se eu dissesse "não" à Cho em algum momento, haveria rumores... E eles poderiam levar a mim e Gina, então o que seria? Eu não sei como aconteceria, mas haveriam de nos separar. E se a gente, eu ou ela, ficássemos com alguém, mesmo que só para manter as aparências, as coisas ficariam complicadas também, certo? Ficaria complicado entre nós.
Não havia opções, mas eu sairia com Cho e não deixaria nada passar de um encontro. Essa foi minha decisão, que contei a Gina.
- Eu não acredito em você, Harry. Você diz isso agora, mas na hora você dirá "sim" àquela garota. E cada "sim" a ela é um "não" a mim. E mesmo que você realmente pretenda fazer como diz... Você pode sair com ela e gostar dela mais do que de mim, e eu te perco de qualquer forma!
- É esse seu medo? Isso nunca vai acontecer! – os soluços sacudiam o corpo pequeno entre meus braços. Seu desespero era praticamente sólido, eu quase chorava com Gina – Eu nunca a trocaria por ninguém!
- Você não pode saber. Você não pode saber se nunca vai se apaixonar ou amar outra pessoa. Eu nunca, nunca vou, mas você pode, porque vai chegar um momento, uma hora, em que o que posso oferecer não será suficiente.
- Não vai, não.
- Vai sim! Vai, eu sei, e isso pode estar acontecendo agora.
- Não, nunca! Eu prometo, prometo!, que nunca vou me perder de você. Eu não posso! Sou egoísta demais para imaginar minha vida sem você, Gina. Que tolice, pensar que eu poderia amar outra pessoa. Você sabe que não, já te disse. Você pode duvidar do que sinto, mas isso é eterno. Nem que eu tivesse oportunidade de conhecer todas as mulheres do mundo, nunca amaria nenhuma mais do que a você.
- Você mesmo diz, Harry, que o amor não sobrevive a tudo. Você diz...
- Ele se desgasta, mas não o meu. Talvez o seu...
- Não, não o meu!
- A gente pode não ficar juntos, mas eu sempre vou te amar. A Cho... Ela é necessária, porque a gente precisa fingir, Gina, você sabe disso. Se alguém descobrisse... Isso não pode acontecer, e a gente precisa fingir, você sabe.
- Eu vou te perder. Eu sei, eu sinto!
- Não vai.
- Eu vou. Pode não ser hoje ou amanhã, mas eu vou te perder um dia. Essa Cho foi só o primeiro passo... Imaginá-lo com ela, sorrindo ao seu lado, beijando-a... É muito difícil, mas vai acontecer. E tudo para sustentar essa situação? Por nós? Que terrível! O que é pior, descobrirem sobre nosso amor ou a dor de vê-lo com outra?
- Gina! Que...
- E se eu resolvesse sair com alguém também? Talvez eu convide Miguel Corner ou Dino Thomas para ir a essa festa comigo. Você iria gostar, Harry?
Fiquei em silêncio. Na minha mente, as imagens passavam em flashes rápidos: Gina sorrindo ao lado de alguém, sussurrando-lhe ao pé da orelha, beijando, dando as mãos...
- Você não faria isso.
- Então você pode e eu não?
- É diferente. A cobrança comigo é grande, com você não.
- Então vamos ver se eu posso ou não.
- Você não faria.
- Duvida?
Duvidava, claro, mas não diria a ela. Não diria, porque ela poderia resolver fazer apenas para me enfrentar. Gina não sairia com qualquer garoto, porque não queria estar com ninguém mais além de mim. Ela já havia me dito isso muitas vezes, e eu também podia enxergar o fato em seus olhos. Mas, por via das dúvidas, fiquei calado. Deixei Gina sair, ir para seu quarto ou se meter em qualquer outro canto da casa. Logo tudo ficaria bem de novo. Sempre ficava.
Tomei meu banho pensando nela, a água quente relaxando meus músculos. A mãe e o pai chegaram trazendo comida chinesa, que seria o jantar. Ela não quis comer. Não tinha nada no estômago e não quis comer. Desajuizada!
Levei a comida para ela, mas Gina fingiu dormir. Deixei-a. Era melhor.
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* Trecho da música "Le Ciel Dans Une Chambre", de Carla Bruni.
Aos Leitores:
If I was young, I'd flee this town / I'd bury my dreams underground / As did I, we drink to die, we drink tonight...
Boa noite, bom dia ou tarde, leitores! Nesse exato momento estou ouvindo "Elephant Gun", tema de "Capitu". Vocês viram a microssérie? Foi tão bonita! O melhor trabalho que vi na televisão brasileira nos últimos anos, melhor até do que "Hoje é dia de Maria". Para os que viram: gostaram? Eu achei primorosa! E, ah!, o fim me fez chorar tanto... Já havia lido "Dom Casmurro", mas ver Bentinho acusar Capitu é muito mais doloros do que ler. Digo "doloroso" porque acredito na inocência de Capitu, não creio que ela tenha traído Bento. Era um amor tão bonito! E ele (Bentinho) terminou infeliz e solitário... Tão triste e tão belo. Em alguns momentos pude fazer uma ligação entre o fim de Capitu/Dom Casmurro e o que essa fic terá, mas deixei de lado, porque o final dessa história... Bem, isso não é assunto para agora.
E antes de comentar sobre "Entre 4 Paredes", recado a quem não viu "Capitu": tem para baixar na internet. Procure. Provavelmente a qualidade não está maravilhosa, mas está boa o suficiente para se ver tudo que interessa e vale a pena na microssérie. E, depois de ver, baixe a trilha sonora (a trilha sonora foi o que mais me chamou a atenção no começo... tão boa!). Toda vez que ouço o começo de "Elephant Gun" me lembro da cena do primeiro beijo... Quando Bento penteia Capitu e a beija. Ah, sem falar na cena do giz! Linda, linda... E o fim, quando as duas Capitus aparecem para o Dom Casmurro, a Letícia Persiles (a Capitu perfeita!) dançando... Com certeza comprarei o DVD e o verei infinitas vezes!
Agora, vamos ao trabalho.
Fiquei absolutamente extasiada com a boa aceitação da fic. Houve uma aceitação maior do que eu imaginei para o tema, provavelmente porque vocês, como eu, não vêem Harry e Gina como irmãos, pois eles não têm esses laços na história de Rowling. Entretanto, nessa história, eles são de fato irmãos. A princípio eu pensei que se ninguém gostasse da trama, eles não teriam laços de sangue, e já tinha até uma alternativa para esse caso; mas como vocês gostaram, vou manter a linha de pensamentos original. Então se vocês tem dúvidas, elas acabam aqui: sim, ambos são filhos de Lily e James Potter. Claro, há a possibilidade de eu mudar de idéia, afinal tudo é possível, mas não creio nisso.
Um dia quero falar com vocês sobre o processo de criação da fic, a pesquisa que fiz, o material que analisei... Mas não hoje, porque não pude dar uma olhada em tudo ainda. Por hora, agradeço aqueles que estão lendo, agradeço a todos que comentaram. Espero ansiosa as opiniões sobre esse novo capítulo. Acho que o anterior ficou melhor, mas fazer a introdução à história sempre é compliciado. Devo dizer que, no começo, escrever sob o ponto de vista de um garoto foi desafiador, espero não ter fracassado por completo quanto a isso (rapazes, dêem suas opiniões, por favor).
Outro ponto: eu decidi colocar nessa fic algumas coisas que gosto, como livros, músicas e filmes. Se vocês repararem, os protagonistas irão sempre estar comentando, vendo, ouvindo, falando, etc; sobre tais obras. E eu, lamento a ousadia, gostaria de recomendar eventualmente a vocês algo, como fiz com Capitu hoje, será que posso? Seria um prazer para mim.
O link para a capa da fic está no meu profile antes mesmo de "Entre 4 Paredes" ter sido publicada. Particularmente eu adorei, mas gostaria de saber o que vocês acharam. Dêem uma olhada nela, ok? Até porque eu acho o Harry retratado na capa perfeito para o Harry que imagino. E para terminar: pretendo postar o próximo capítulo até o fim do ano, mas é improvável que seja antes do Natal. Então feliz Natal a todos, espero poder desejar feliz ano novo na próxima vez que voltar aqui.
Um abraço e até a próxima.
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Respostas às reviews:
o Anna Weasley Potter: rsrs, espero q vc já tenha se recuperado do seu choque e esteja bem para continuar lendo a fic. e acho q ñ demorei mt com a atualização, não é? espero q tenha sido rápido o suficiente. e tbm espero que essa seja uma "aquelas fics q vc perde ate o rumo de casa".
obrigada por ter "amado" a história, fico realmente feliz com isso.
um grande abraço!
o danda jabur: ahh, que bom que adorou! fiquei receosa com a aceitação da fic, mas saiba que pretendo sim ir até o fim com essa, pois estou mt animada e cheia de idéias!
agradeço o comentário e espero que sua empolgação com a história não diminua. e eu gosto de ouvir sobre a vida dos outros, sua história com seu "primo" foi interessante, não "asneiras", rs.
um feliz natal a vc tbm, e um ano novo excelente, mesmo que eu esteja bem adiantada. te desejo td que me desejou em dobro.
beijo!
o Guta Weasley Cullen: hauauahua! qnt vi seu nick, pensei: mais uma que gosta de Twilight. eu li tds os livros, mas o quarto realmente de decepcionou... vc já leu td a série??
agora sobre a fic: vc disse q ela era "diferente". esse foi um dos objetivos qnd escolhi o tema. eu queria algo que ainda não tivesse sido explorado, algo que só eu tivesse, sabe? fico MT feliz que vc tenha achado-a "muito, muito, mas muito linda" - eu tbm achei mt linda, hehe.
obrigada pelos parabéns e elogios, espero de fato merecê-los um dia. (e pode "favoritar" a vontade! rs.)
beijos.
o RaFa Lilla: hehehe, a história é complicada mesmo, e td tende a piorar! a situação para os dois não será fácil...
que bom que vc adorou a idéia, tinha medo que ninguém além de mim gostasse. eu tbm ñ consigo imaginá-los assim, mas só não consigo fora da fic, qnd escrevo ou leio, eles são irmãos. "Eles são tão perfeitos juntos que de qualquer forma funciona" [2], hehe.
abraço!!
o Tammie Silveira: hahahaha! "curiosa" é um adjetivo excelente, eu adoro! é um prazer saber q vc classificou minha história como curiosa, pq eu adoro sua fic "Minha Doce Noiva" (espero atualizações). eu li seu profile, vi sua foto (linda) e fiquei curiosa (rsrs, a palavra aí) para saber qual sua "autora favorita (que) escreve suspense médico"... quem é? talvez eu conheça.
sobre sua review: obrigada. obrigada pelas palavras, eu gostei do seu comentário, achei sincero. espero que eu consiga atingir suas expectativas (e as minhas tbm). continue lendo, pf, pois adoraria saber sua opinião a respeito da história.
abraço!
o Thierry Harry: nossa, quanto prestígio! espero e gostaria de merecê-lo.
bem, é uma pena q vc ñ gostei mt de universo alternativo, pois este é beem alternativo. mas fico feliz por vc estar lendo, espero q continue e ñ se decepcione com a fic. mas eu devo dizer: esse amor entre o harry e a gina ñ é bem "fraternal" ñ, pelo contrário... rs.
qnt as suas dúvidas, acho que nesse capítulo elas foram esclarecidas, certo? d qq forma, vou deixar td bem claro:
1) sim, o Harry sabe do amor da Gina, que ambos ñ podem assumir.
2) sim, a Gina "ainda tem aquele cabelinho ruivo maravilhoso".
obrigada pelos parabéns, realmente espero q vc tenha gostado do capítulo.
beijo!!
o Mariana Rocha: obrigada pelo elogio tão bondoso! é mt bom saber que vc acha a historia bem escrita, fico feliz com isso. espero q esse capítulo e os próximos estejam bons tbm...
beijão!
o Patty Carvalho: hehehe, "brilhante" é excelente! e, como eu disse acima, Harry e Gina são irmãos de sangue, oq "é realmente de se preocupar e pensar", certo? rs.
eu li Maninho, gosto dela, mas essa fic e a minha são bastante diferentes... vc msm vai ver isso com o desenrolar da trama.
beijo.
o Juli-chan: que bom que adorou a fic! tbm acho q o site precisava de temas polêmicos, as histórias andam todas iguais, em sua maioria, ultimamente, né?
um grd abraço, bom fim de ano!
o Pedro Henrique Freitas: suas palavras me emudecem. devo agradecer mt pela sua review, foi uma das melhores que já recebi no site. obrigada!
seu comentário foi tão maduro que me obrigada a ser indelicada e perguntar: qnts anos vc tem? gostaria mt de saber.
eu não deveria dizer isso, mas qnd li q vc achou a fic o "projeto mais ousado", me enchi de orgulho... pq eu tbm adorei a idéia da fic. eu realmente me apaixonei pelo tema, pela complexidade das personagens, pela desconstrução de um tabu... Eu achei a trama genial, e ela estava lá, esperando por mim, sem ninguém ter tocada-a antes. Era a cereja do bolo, e era minha! hehe.
escrever com a Gina ñ foi mt difícil, mas acho que deixei a desejar com o Harry. ñ sei se consegui transmiti os sentimentos tão bem dessa vez, mas tentei, até porque o Harry ñ é um cara comum: ele é muito sensível, msm q ñ parece às vezes.
e concordo com vc qnd fala da distinção de "Entre 4 Paredes" e "Maninho". ñ só as situações são diferentes, mas as personagens... nossa, o meu Harry e Gina são mt mais complexos do que os da Ara, sem desmerecê-los, pq gosto de seu trabalho. mas as personagens são msm diferentes!
espero realmente q vc tenha gostado desse capítulo, q eu ñ tenha te decepcionado... estou com medo, rs. e ñ se preocupe em me pressionar, ok? às vezes um pouco de cobrança é bom.
mudando de assunto, vc está prestando vestibular pra quê?
beijoooooooooo!!
