Gina

Brigar com Harry me levou a exclusão e a companhia de bons álbuns, músicas que ficavam a cada momento mais repetitivas...

Era algo que eu achava impressionante, quase mágico: as palavras são muitas vezes incapazes de expressar o que pensamos ou sentimos, mas as músicas, cantadas e melódicas, têm um sentido completo. Com elas é possível compreender o sentimento, ter a sensação e tocar o objeto, mesmo que nada disso exista. Ela tem a plenitude que as palavras, as palavras soltas que saem da nossa boca, muitas vezes não têm.

Talvez por isso a música fosse uma companhia tão boa para minha tristeza.

Me entreguei totalmente a dor, então quando cada música que escolhi já havia tocado umas trinta vezes, era hora de sair daquela fossa. Não que fosse fácil. Eu queria morrer para esquecer de tudo, ficando livre das lembranças. Mas como isso não aconteceria, eu tinha de lutar contra o que sentia.

Estava com dor de cabeça e com sono, sensações de sempre tinha quando chorava muito. Tomaria um banho e, enfim, iria dormir. E dormiria a manhã toda, porque era mais de uma da manhã e eu ainda estava acordada, me sentindo péssima.

O banheiro do corredor me pareceu vazio quando entrei lá. Eu sabia o que faltava ali: Harry. Eu quis chorar de novo. No banheiro dele, mesmo que ele não estivesse lá, havia sua presença - suas toalhas, o roupão, a escova de dentes, o barbeador, o shampoo, as roupas sujas no cesto... Tudo marcava sua presença lá, mas naquele banheiro só havia minhas coisas, que eu usava eventualmente. Ele parecia muito grande, e eu me sentia tão pequena.

Tomei um banho demorado, a água do chuveiro estava pelando, quase arrancava minha pele. Junto com a água, foram algumas lágrimas. Lavei a cabeça sabendo que teria de dormir com o cabelo molhado, o que não gostava. Depois me joguei na cama e logo adormeci.

Em algum momento entre o sono profundo e o despertar totalmente, mamãe me chamou para ir à escola. Resmunguei que não iria aquele dia, ela disse algo de volta e repliquei qualquer outra coisa.

Acordei por causa do sol que batia em mim. Não estava forte e quente como no verão, mas pálido. A janela e a cortina sobre da cama estavam abertas, por isso a luz entrava.

Era quase uma da tarde... Eu havia perdido um dia de aula, então teria de pegar a matéria. Normalmente eu pediria a Harry para fazer isso para mim, mas pelas circunstâncias era melhor pedir a Luna. Ainda era horário de almoço, então com um pouco de sorte ela atenderia o celular.

- Alôôôu!

- Luna?

- Olá, Gina! Como você está? Não veio hoje.

- É, eu estava cansada, mas estou bem.

- Não parece bem.

- Não?

- Não, Gina. Sua voz está... esquelética.

Esquelética? Bem, era Luna.

- Olha, estou te ligando para te pedir um favor.

- Pode falar.

- Bem, hoje eu tenho...

Ela pegaria as matérias para mim, mesmo daquelas disciplinas que não cursava. Combinamos de nos falar depois, para marcar algo para o final de semana.

Deitada novamente, percebi uns murmúrios e barulhos vindos de baixo. Provavelmente era Jane, a empregada, que não havia ido embora ainda.

Peguei um penhoar no guarda-roupa para vestir e imediatamente lembrei de Harry, meu peito apertado. No dia anterior pela manhã estávamos nos divertindo discutindo sobre roupões e penhoares, de noite nem nos falávamos...

Quando desci, me deparei com Jane na cozinha, cantarolando e tirando algumas vasilhas do lava-louças.

- Olá, Gina.

- Olá, Jane. Ainda aqui?

- É, mas já estou acabando.

- Você quer almoçar comigo? – sacudi o pote de cookies para ela, que negou meu convite.

- Você devia comer comida, Gina, que é o que dá sangue. Por isso está tão magra, menina!

- Não se preocupe, Jane. Ficarei bem. – dei-lhe um beijo na bochecha antes de sair. Ela era tão amável.

No caminho de volta, na sala de estar, meus olhos caíram sobre o bar do papai. Não que fosse apenas dele, mas era ele que mexia e entendia de bebidas em casa.

Havia diversas opções... Pena que não tinha absinto, eu esqueceria de tudo fácil, fácil com ele. Escolhi um scotch whisky do tipo single malt, que eu sabia ser raro e caro, mas e daí? Se estava lá era para beber.

Com uma dose generosíssima, subi para a sala de TV. Nos canais de filme todos já tinham começado... Eu detestava ver filme pela metade! Deixei em um canal qualquer, enquanto devorava os cookies e o uísque.

E meus pensamentos estavam em Harry de novo... Como ele pôde fazer aquilo comigo? Aceitar um convite para sair com outra garota? A gente não tinha um pacto de exclusividade nem nada do tipo, mas a fidelidade estava implícita na nossa relação, seja ela qual fosse.

O que ele queria, que eu dissesse "Tudo bem, Harry, eu entendo" e ficasse vendo ele se agarrar com uma qualquer por aí? Ele achava que isso não ia me magoar, que não me machucaria? Aquilo me despedaçava, porque era só o primeiro passo para que eu o perdesse. Eu tinha tanto medo dele se cansar! O que eu faria, o que faria com o vazio, com o espaço que ele deixaria de preencher? A idéia era cruel!

E uma parte terrível de tudo era saber que, para não perdê-lo, eu aceitaria qualquer coisa... Uma parcela, os restos do seu amor. Eu precisava de alguma fração dele, sempre precisaria. Mesmo que fosse um sorriso por semana, encontros ainda mais escondidos, uma vez a cada mês, um olhar por dia, que fosse! Eu só precisava de um pedaço dele, porque o que eu sentia... Era pesado e esmagava meu coração.

Harry era minha alma gêmea, uma outra parte de mim. Nós éramos feitos do mesmo sangue e corpos, ele estava em mim e eu nele. Você não pode abrir mão da sua pele, dos seus olhos, dos seus órgãos, porque tudo constitui você, como ele sou eu. Eu precisava dele, para sempre. Nessa vida, em outras... sempre. Se ele quisesse, eu enfrentaria o mundo, bastava um pedido. Eu faria qualquer coisa, qualquer coisa, para não perdê-lo.

E esse era o motivo pelo qual eu iria desculpá-lo. Não agora, não amanhã, mas eu iria. Contudo, antes eu queria fazê-lo sofrer, castigá-lo! Uma parte de mim desejava isso, mas eu nem podia olhá-lo ainda, de tão furiosa que estava. Cadê o amor que ele dizia sentir? Quem ama não magoa. E que ele não pensasse que eu não entendia seus motivos, eu entendia sim. Ele queria nos proteger, precisava manter as aparências para o mundo, mas a esse preço? Era muito caro! Não caro para ele, mas para mim.

Eu não iria convidar alguém para ir à festa de primavera comigo simplesmente porque não tinha vontade de tocar, rir, dançar ou beijar qualquer outra pessoa, não era uma idéia que me animasse. Mas se eu convidasse alguém, ele não ficaria mal também? Sei que sim. Harry sentia ciúmes também, ele só era mais controlado do que eu. Ele vai acumulando tudo e, quando você menos espera, explode. Algo pode acontecer em janeiro e em dezembro ele está te acusando com aquilo. Eu sou o inverso: eu grito, choro, esperneio na hora, depois me acalmo. Juntos, acharíamos o equilíbrio, o ponto exato...

- Tatatatatatata!

Tomei um susto enorme com o barulho de tiros na televisão. O copo de uísque caiu no chão e quebrou. Ainda bem que estava vazio. Se tivesse com bebida, mamãe me mataria por sujar o carpete.

Tive de limpar tudo. Jane já tinha ido e eu estava sozinha de novo. Harry chegaria lá pelas três, mas eu não queria vê-lo. Não ainda.

Andando pela casa, sem ter o que fazer, me deparei com a porta fechada de seu quarto. Quando chegávamos da escola ela estava sempre fechada, porque Jane arrumava os quartos e fechava as portas. E nós as abríamos, como um convite e uma permissão.

Lá dentro estava escuro. No breu, andei até onde sabia estar a cama. O silêncio era tão esparso e pesado que me senti infinitamente triste por estar só. A solidão parecia cheia que alguma coisa - uma alguma coisa que eu não saberia dizer o que era, mas que era arenosa, feia, sem cor - que me incomodava.

Liguei o som de Harry e coloquei uma música bem viva, o que ajudou meu humor a melhorar. Então acendi a luz e fiquei observando o quarto, encostada à porta.

Eu queria que Harry estivesse lá, que ele me abraçasse e me fizesse rir. Eu podia fechar os olhos e fingir que ele estava no banheiro, logo sairia e viria... Ele me levaria até a cama e não haveria mais nada, nem culpa nem o mundo lá fora, só a gente. Faríamos amor, seríamos um, casaríamos, teríamos filhos e netos, envelheceríamos juntos e morreríamos, porque a gente teria se conhecido da escola aos 15 ou 16, e eu teria o apresentado aos meus pais e irmãos, e ele poderia ser filho único, talvez órfão...

Abri os olhos para o espaço tão conhecido à minha frente. Uma das portas do guarda-roupa estava meio aberta, o que chamou minha atenção. Era a porta que ocultava algumas gavetas. Abri a última e, entre várias coisas, encontrei uma chave.

Era a chave da porta do meu quarto. Harry a tinha havia dois anos, da mesma forma que eu tinha, também guardada no guarda-roupa, a chave do quarto dele. Sem ela, ele teria de me deixar em paz. Eu trancaria a porta e ele só entraria se eu quisesse. E eu não queria, não naquele momento.

A gaveta estava cheia de pequenos objetos, alguns não tão pequenos. Eram lembranças, coisinhas de vários momentos da vida dele. Nas outras gavetas havia meias, cuecas e pijamas, mas, na primeira, havia algumas coisas minhas.

Da mesma forma que havia peças de roupas do Harry no meu guarda-roupa, havia pertences meus no dele. Havia sido minha idéia... Era algo que me parecia muito íntimo, muito próximo, ao mesmo tempo em que era totalmente inocente.

Tirei tudo meu de lá. Procurei em todo guarda-roupa... Achei mais duas camisetas minhas, de resto era apenas coisas do Harry. Suas roupas tinham seu cheiro, eu podia olhar para cada peça e lembrar de um momento em que ele a usou.

Tudo estava meio bagunçado, algumas coisas caídas ao fundo, que eu, por impulso, recoloquei nos cabides. Entre algumas camisas e casacos, havia uns brinquedos antigos. Foi inevitável sorrir pela memória que aqueles objetos traziam. Vi Harry brincar com eles tantas vezes, durante a infância.

Em meio aos calçados e roupas, peguei uma camisa xadrez, que Harry não usava há muito tempo. Vesti a peça e sentei dentro do guarda-roupa, entre os sapatos. Tudo o lembrava, tudo era ele. Chorei, por trás daquelas portas. Se alguém aparecesse e olhasse de fora, nem perceberia que eu estava ali.

Na escuridão, ouvi o CD até ele chegar ao fim e o som acabar. Depois fiquei trancada com o silêncio.

Teve uma vez, quando eu tinha 6 ou 7 anos, não me lembro bem, que Harry e eu brigamos e ele me trancou naquele mesmo guarda-roupa, no exato lugar onde eu estava. Ele queria eu que chorasse e implorasse que me tirasse dali, mas eu fiquei em quieta, esperando. O escuro nunca me amedrontou. Então, depois de alguns minutos, ele abriu a porta e se sentou lá comigo. Nós brincamos entre as roupas e bonecos e carrinhos, só saindo de lá quando nossos pais apareceram.

Sentada lá, lembrei daquele dia distante. Dessa vez não havia bonecos e carrinhos ali, eles estavam guardados ao lado. Todavia, eu sentia as roupas de Harry roçando meu rosto, sentia o aroma dele, sentia o material macio da camisa que eu usava, sentia minha coxa contra os sapatos... Sentia Harry completamente comigo.

Lá embaixo a campainha tocou, me despertando da nostalgia. Devia ser ele. Talvez tivesse esquecido a chave. Sai correndo dali, os sapatos espalhados pelo chão. Coloquei tudo no lugar, tirei o CD do aparelho, estiquei a cama em que havia sentado. Quando fui para o meu quarto, levava as minhas coisas e camisa dele em meu corpo.

Peguei um livro qualquer e me atirei sobre a cama. Não queria que ele pensasse que eu havia ficado o tempo todo vagando por aí, entre os cômodos, pensando nele e cheia de lembranças. A campainha tocou muitas vezes mais, mas me recusei a atender. Não tinha mandado-o esquecer a chave! Então o meu celular tocou. Era Luna.

- Alô?

- Abra a porta!

- O quê?

- Abra a porta! Estou aqui embaixo há um século! Por acaso você não está ouvindo a campainha?

- Hã... Eu pensei que fosse o Harry. Ele está aí?

- Não! Vocês brigaram? Abra a porta!

- Já vou.

Era Luna, afinal. Onde Harry estava? Se Luna teve tempo de chegar à minha casa a pé, ele já devia estar lá. Provavelmente havia ficado se agarrando com a namoradinha...

- Olá, Gina.

- Oi, Luna.

- Bela camisa.

Nenhum sinal de Harry.

- Não seja sarcástica. Não combina com você. Entra.

Foi bom Luna ter feito aquele comentário, me lembrou que tinha que trocar de roupa. Fomos para meu quarto e lá a camisa se tornou mais um item do guarda-roupa do Harry a migrar para o meu.

- Como foi a aula hoje?

- Como sempre. Eu não gosto muito dessa coisa de instituição educacional e autoridades. Acho que cada um deveria ser autodidata, aprendendo de acordo com seus interesses.

- Muita gente não ia procurar saber de nada, desse jeito.

- Bem, elas que iriam se dar mal, não é? De qualquer forma, temos que lidar com as regras que inventaram pra gente. Toma. – ela puxou algumas folhas de fichário e cadernos da mochila. – Sua matéria. Os cadernos são meus, mas as folhas são da Emily Fitch. Você deve devolver para ela segunda, sem falta.

- Obrigada.

- Não será de graça, Gina. Você fica me devendo uma.

Sorri e comecei a copiar tudo, enquanto Luna ficou fazendo nada: olhando pela janela, cutucando a meia-calça que usava, ouvindo música, mexendo no próprio cabelo...

- Eu comprei um vestido muito bonito naquele brechó no caminho de Colchester - ela comentou, depois de algum tempo -, sabe qual é? Aquele que a gente foi um monte de vezes.

- Sei. Aquele que a dona é uma senhora bonitona.

- Ela não é uma senhora. Se as nossas avós estivessem vivas, elas seriam senhoras. Aquela mulher não deve ter nem 50.

- Senhora é modo de dizer, Luna.

- Eu quero envelhecer bem como ela. Será que eu consigo?

- Claro que sim! Você é super saudável, nem come carne.

- Eu como carne de soja.

- Que não é carne de verdade.

- Ah, cala a boca!

Lá pelas quatro e meia, terminei com a matéria e guardei tudo. Luna estava deitada no pouco sol que ainda batia na cama. Harry não tinha chegado... Onde será que ele estava?

- Você viu meu irmão no colégio hoje?

- Acho que vi, na hora do almoço, mas nem falei com ele. Ele estava conversando com uns amigos.

- Você é amiga dele.

- Outros amigos, Gina. Você sabia que ele vai levar... Quer dizer, que a Cho Chang vai levar seu irmão à festa de primavera?

Meu humor não estava bom para aquele assunto.

- Eu soube.

- Eles fazem um casal bonitinho, não é?

- Não acho.

- Eu acho. E ela é bem legal.

- E com quem você vai? – Precisava mudar de assunto.

- Com meu namorado.

Luna olhou para mim e eu vi um brilho especial em seus olhos. Ela estava feliz.

- Ele não estuda na escola – eu disse.

- E daí?

- Você pode convidar alguém que não estuda na escola?

- Claro! É só comprar um convite para ele.

- Qual o nome dele?

- Rolf.

- E o Rolf trabalha em quê?

- Ele é biólogo.

- Uau! Naquela família todo mundo gosta de biologia, hein?

Havia alguém andando pelo corredor. Era Harry, eu tinha certeza. Onde aquele babaca havia se metido?

- Você o ama ou só gosta dele, Luna?

- Do Rolf?

- É.

- Eu o amo. Penso que o amo.

- E o que seus pais pensam de você namorar um cara 10 anos mais velho?

- Meu Deus! A Hermione já veio cantar em seu ouvido também, Gina?

- Acho que no de todo mundo.

- Meus pais não se importam. Na verdade, quando os apresentei, eles nem pareceram notar que havia diferença de idade. Eles...

- Você o apresentou aos seus pais?!

- Claro! Ele é meu namorado.

- Uau! Então a coisa está séria mesmo.

- Claro que está. E mamãe e papai...

- Gina, você está aí? – meu coração pulou. Era Harry, batendo na porta. Então ele enfim havia chegado. O que ele queria comigo? Será que não sabia que eu não queria falar com ele? Ainda mais agora, depois dele ficar na escola se agarrando com a namoradinha.

- Não, não estou. Sai!

- Olha, eu sei... Oh, olá, Luna.

Ele foi entrando sem pedir permissão. Que raiva meu deu!

- A porta estava fechada, e se está fechada é porque eu não quero que ninguém entre. Sai, Harry!

- Uau, quanta agressividade. – ouvi Luna comentar.

- Desculpe – Harry pareceu verdadeiramente chateado –, não quis incomodar. Só vim dizer que aluguei aqueles filmes que você queria assistir. E trouxe mais alguns também.

- Eu não quero vê-los mais.

- Antes você queria.

- Mas eu não quero mais, Harry. Perdi a vontade!

Fui obrigada a desviar o olhar do dele, porque o que eu via ali me incomodava. Ele ficou magoado com a minha atitude, mas foi bem feito!

Um movimento chamou minha atenção e vi Luna, quieta durante minha discussãozinha com Harry, futucando em sua bolsa.

- Eu vou deixar os DVD's na sala de televisão, caso mude de idéia, Gina.

Dei de ombros.

- Tanto faz.

- Harry? – ele estava quase saindo, quando o chamei – Foi por isso que você demorou, por que passou na locadora?

- Foi. Ou você pensou que eu tinha ficado perambulando com alguém por aí?

Eu quis ir até lá e bater nele. Cretino, sabia exatamente o que eu estava pensando. Temi que Luna tivesse percebido algo a mais na sua resposta, mas ela continuava concentrada na bolsa.

- Até mais, garotas.

- Espera aí, Harry. – Luna pediu. Me espantei. O que ela queria com ele?

Luna tirou um ovinho de Páscoa da bolsa. Estava escrito "Harry Potter" no papel de embrulho.

- Mamãe fez alguns ovos de páscoa. O seu quebrou e provavelmente derreteu. É melhor colocar na geladeira antes de comer.

- Um pouco cedo, não?

- É a mamãe. – Luna falou aquilo como se explicasse tudo.

- Obrigado, Luna. Agradeça a sua mãe por mim.

Harry saiu e, então, me dei conta do quanto estava aliviada por ser a mãe de Luna, não ela, a dar algo a Harry. Meu Deus, eu estava ficando louca!

- Que cara feia, Gina. Não se preocupe, eu trouxe para você também. E para você são dois!

Tive de rir. A mãe dela havia me mandado um ovo de chocolate, e minha amiga havia feito um para mim também. Apesar de estarem meio moles, os comi. Era uma pena que eu não tivesse comprado nada para ela, mas a recompensaria. Faltava mais de uma semana para a Páscoa.

- Obrigada, Luna. Você é a melhor amiga que eu poderia ter.

- Talvez eu seja mesmo. Talvez não. – Ela sorriu. – Você e o Harry brigaram?

- Mais ou menos.

- Mais ou menos?

- Sim, nós brigamos. Você sabe, nada sério. Coisas de irmãos...

- Sei.

Mas Luna não sabia, é claro. Ela era filha única e, mesmo que não fosse, não teria o tipo de relação que eu tinha com Harry com um irmão. Luna era viva demais para isso. O que será que ela diria se soubesse? Tinha a impressão que, apesar de não aprovar, ela não me crucificaria por aquilo.

- Eu amo você, sabia Luna? Você é mesmo a melhor amiga que eu poderia ter.

- Oh, que doce!

Ela me abraçou tão forte! Os abraços de Luna eram muito bons, porque havia tanta... energia neles.

- Vamos sair? – perguntei – Vamos sair hoje à noite, amanhã à noite e depois? É um convite, diga sim!

- Eu não to com muito ânimo hoje não, Gina.

- Por favor!

- Ah, Gina...

- Você já combinou alguma coisa com seu namorado?

- Não, mas...

- Então vamos sair, vamos, por favor! Vamos sair e ficar bêbadas por aí.

- Uau! Falando assim você até me animada.

- Isso é um sim?

Luna pensou um pouco antes de responder.

- Ta, isso é um sim. Mas eu não quero ir para um lugar agitado e cheio de gente não.

- Ta. Excelente. E você pode dormir aqui essa noite.

- Então você vai ter que me emprestar umas roupas... E preciso avisar meus pais.

- Eu te empresto o que você quiser. Menos minha escova de dentes.

- Que sorte a minha estar na bolsa então.

Ficamos a tarde toda conversando. No começo da noite, fizemos nossos planos: jantaríamos em algum lugar e depois iríamos em um pub que nosso grupo costumava freqüentar. Mas daquela vez era apenas eu e a Luna.

- Gina, a gente podia ir comer pizza...

- Eu não quero pizza, Luna. Quero comer uma comida descente hoje.

- Então você deveria ficar em casa e comer a comida da sua mãe.

O que ela havia dito fazia sentido.

Enquanto Luna acabava de se arrumar, fuçando minhas roupas em busca de algo para vestir, fui até o quarto do Harry para pegar a chave do carro. Porém, ele não estava lá. Estava na sala de TV com papai, assistindo a um dos filmes que havia trazido mais cedo.

- Harry?

Ele olhou para mim. Olhou de cima à baixo.

- Você me espera? - ele perguntou ao papai.

- Vai lá – papai respondeu, sem tirar os olhos da TV – que depois a gente volta o filme.

- Ta.

- Você está bonita. – Harry me disse quando se aproximou.

- Quero a chave do carro.

- Vai sair?

- Vou.

Ele foi até o quarto e eu esperei no corredor.

- Toma.

- Traz aqui, Harry.

- Vem pegar.

- O carro não é só seu, sabia? É nosso.

- Eu não disse que você não pode pegá-lo. Eu disse para você vir buscar as chaves.

Eu o odiava, odiava e odiava! Eu tive ir até lá, na zona de perigo.

- Solta a chave, Harry. Solta-a-chave!

- Olha para mim. Você não está nem olhando para mim.

Com esforço, olhei para ele.

- Solta a chave.

Ele soltou e se aproximou de mim. Ficou perto, muito perto. Perto demais.

- Vai mesmo sair?

- Já disse que vou.

- Sozinha?

- Com a Luna.

- Só com a Lua?

- Só. Mas assim que chegar à boate eu vou arrastar o primeiro cara gato que encontrar para o banheiro e a gente vai transar a noite toda.

- Mentirosa.

- Acredite no que quiser.

- Não faz isso comigo, Gina. Você sabe que está me matando.

- Ótimo. Quando você for só um cadáver eu paro.

Senti as mãos dele em minha cintura.

- Me larga, Harry. A porta está aberta, ta todo mundo aqui.

- Eu não posso te soltar. Estou com medo de você sair e transar com alguém por aí.

- Você acha mesmo que eu vou fazer isso?

- Não sei.

- Me larga!

- Eu não posso, não posso... Diz que está tudo bem.

- Não está tudo bem! Me larga! Eu vou gritar!

- Gina...

- PAPAAAAI! PAPAI! PAPAI! PAPAI!

- Cala a boca!

Ele me soltou na mesma hora, um segundo antes do papai aparecer na porta do quarto.

- O que está acontecendo aqui?

- Nada. – respondi ao papai – Harry não queria me dar as chaves do carro, mas já está tudo certo.

- Você vai deixá-la sair? – Harry perguntou furioso – Ela vai sozinha com a Luna pra uma boate e disse que vai t...

- Cala a boca, Harry!

- O que é? Pra mim você fala, mas pro pai não?!

- Cala a boca!

- Vem fazer!

E eu fui, com toda a minha ira, que não era pouca. Fui para cima dele e o enchi de tapas. Harry ria e o riso dele me deixava mais raivosa. Ele mal se protegia, apenas cobria a cabeça com os braços. Eu queria que ele chorasse de dor, que ele sofresse, que ele implorasse...

- Pára, Gina! – Senti papai me puxando, e eu tentava me soltar. Queria matar Harry com minhas próprias mãos, a fúria que sentia com certeza daria conta disso. – Filha, pára!

- Eu vou te esganar, Harry!

- Seus tapas nem fizeram cócegas.

- Pára de provocá-la, Harry. Que merda! – papai estava me segurando forte – Gina se você não se controlar, não vai sair.

Com a ameaça, me obriguei a sossegar. Percebi que mamãe e Luna também estavam ali. Nem as tinha visto chegar.

- O que está acontecendo? – papai perguntou, depois de me soltar. Ele olhava de Harry para mim.

- Nada – respondi a ele. – O Harry que não me queria deixar sair.

Harry não falou nada.

- E o que mais? Porque essa cena toda não pode ser por tão pouco.

Eu não disse nada. Nem Harry. Nós sabíamos os motivos por trás daquela discussão.

- Meus filhos, dois lutadores de boxes. Jesus!

Papai saiu, deixando nós quatro encarando um ao outro. Luna foi a primeira a imitá-lo, talvez percebendo que estava sobrando ali, entre família.

- Gina, será que você poderia deixar eu e Harry sozinhos? – mamãe pediu.

- Claro.

Sai, e antes mesmo de fechar a porta escutei Harry reclamar com mamãe sobre mim. Ele contou o que eu havia lhe dito, que eu ia sair e dormir com qualquer um. Idiota! Eu nem ia para uma boate.

- E você acreditou? – ouvi mamãe perguntar a ele – Ela só disse isso para te provocar. É natural que você queria protegê-la, ela é sua irmã...

Deixei-os e, em meu quarto, encontrei Luna jogada sobre a cama.

- A gente ainda vai sair?

- Vamos, Luna.

Minha noite estava arruinada, mas eu não daria o sabor da vitória ao Harry.

- Ta tudo bem?

- Ta. Não aconteceu nada demais. Nada que não aconteça às vezes.

- Uhh... Você e Harry sempre se dão tão bem, acho que nunca os tinha visto brigar assim.

- Então você precisa vir mais aqui.

Luna riu. Ela estava muito bonita. Tinha conseguido juntar várias peças do meu guarda-roupa e formar uma combinação totalmente nova, algo que eu nunca havia pensando.

- Você está pronta?

- Estou, Gina.

- Então vamos sair para encher a cara.

Nós jantamos em um restaurantezinho simples perto do pub em que iríamos. Achei que algumas pessoas ali pensaram que éramos namoradas, o que nos divertiu. Depois, fomos para o pub. Chegamos lá cedo, lá pelas 22h, não tinha muita gente ainda. Ficamos conversando, enquanto The Runaways tocava.

Meu humor estava melhor, mas não bom o suficiente, por isso comecei a beber assim que cheguei, porém nada muito forte, só uns coquetéis. Eu era forte para bebida, assim como papai.

- Você não vai pode dirigir assim. – Luna falou, lá pela meia-noite. Mal sabia ela que eu estava ótima. Nem tinha experimentado absinto ainda, que eu provaria de qualquer jeito.

- Estou bem. – e estava mesmo, totalmente consciente dos meus pensamentos e ações – E qualquer coisa você sabe dirigir, não sabe?

- Sei.

- Excelente!

Em certo momento, quando eu já tinha tomado mais coquetéis do que poderia contar e estava, aí sim, um pouquinho alta, pensei em realmente fazer o que havia dito a Harry: pegar um cara qualquer e ficar com ele. Mas eu não queria, não de verdade. Eu estava sendo tão infantil! Estava tentando ficar bêbada só para não pensar em Harry, para esquecê-lo e tudo que dizia respeito e ele. Era uma droga ser resistente à bebida, às vezes. Eu queria estar bêbada e não lembrar de nada

- Gina! – Luna gritou em meio ao barulho, me despertando dos devaneios – Você não estava me escutando, não? Você está longe... Ta tudo bem?

- Ta. E com você?

- Está tudo muito bem comigo.

- E está se divertindo?

Pela cara de Luna eu sabia que estava soando estranha. Ela ia pensar que era pela bebida.

- Até que to. Mas eu preferiria que nossos amigos estivessem aqui conosco.

- Seria melhor, não é?

- É.

Houve um instante de silêncio.

- Você quer ir embora, Luna?

- Quero.

- Ótimo – era ótimo mesmo, eu estava cansada de ficar ali –, eu também. Espera aí que eu vou pagar a conta e já volto.

- Você pagou o jantar, eu pago as bebidas.

- Não, você é minha convidada, Luna. Eu pago.

Fui até o bar e pedi uma dose se absinto.

- Pura. – completei.

- Pura? - o barman espantou-se.

- Pura. E do mais forte.

- Garota corajosa. – ele disse ao entregar a bebida. Eu não bebi, só paguei tudo e saí do lugar com Luna.

- Segura para mim – dei o drink a ela ao entramos no carro. Eu queria beber aquilo em casa, caso fosse ficar muito doida.

- Você está bem para dirigir, Gina?

- Estou muito bem.

- Tem certeza?

- Absoluta.

- Você saiu do pub carregando uma taça deles. – ela exibiu o absinto para mim - Você percebeu?

- Percebi sim.

- Oh... E o que é isso?

- Absinto.

- Meu Deus, eu não acredito que você comprou! Isso é bom? – Luna cheirou a bebida, procurando indícios de alguma coisa.

- Não sei, não bebi ainda. Experimenta.

Luna provou um golinho só.

- Argh, muito forte!

Quando chegamos era pouco mais de uma da manhã. Eu guardei o carro sem problemas, o que surpreendeu Luna.

- Você está mais sóbria do que imaginei – ela disse.

O absinto era realmente forte. Derramou um pouco no carro, mas estava quase tudo lá quando fui beber. Eu, que estava acostumada com o gosto do álcool, fiz uma careta para engolir tudo aquilo.

- Nossa, é forte mesmo, Luna!

- O que é forte?

Eu não acreditei naquela voz. Era Harry. Não era possível que ele estava esperando eu chegar!

- O cara que eu peguei. – respondi a ele, cheia de coragem – Ele era super forte, não era Luna?

- Muito forte – Luna riu e foi direto para o banheiro. Será que ela ia vomitar ou tomar banho? Ela não tinha bebido muito, tinha? Eu batia à porta.

- Luna, você está bem?

- Estou. – ela gritou lá de dentro - Só preciso de um banho quente. Traz uma toalha para mim?

- Claro.

No meu quarto, peguei a toalha. Quando me virei, lá estava Harry.

- O que você quer, Harry?

- Quem era ele?

- Quem?

- O seu fortão.

Comecei a rir. "O seu fortão"? De onde Harry tinha tirado aquilo?

- Gina, responde!

Ignorei-o.

- Luna, abre a porta.

- Gina, quem era?!

Luna abriu a porta. Eu olhei para Harry com todo o desprezo que consegui e o deixei falando sozinho.

ooOoOoOoOoOoo

No sábado fui para casa da Luna. Fiquei lá todo o fim de semana, só voltei para casa na segunda depois da aula.

Evitei Harry até quarta-feira. Com o passar dos dias, minha fúria foi passando também. Eu estava sentindo falta dele.

No jantar daquela noite, os únicos que falavam eram papai e mamãe. Em certo momento o silêncio ficou tão tenso que papai se levantou abruptamente da mesa e foi para o bar, preparar uma bebida.

Ao subirmos, eu e Harry lado a lado, parei no meio da escada, ao que ele me imitou. Eu estava cansada daquilo, queria que tudo ficasse bem de novo.

Toquei sua mão de leve e então, pela primeira vez em alguns dias, olhei para seus olhos com vontade.

Eu não disse nada, nem ele. Havia muito a ser dito, mas eram apenas palavras... No silêncio a gente se entendeu melhor.

Terminei de subir e o deixei ali. Lá pelas 23 horas, quando a casa estava quieta e todos já estavam deitados, eu ouvi a porta do meu quarto abrir. Foi a primeira vez, desde o dia em que brigamos, que eu não trancava a porta a noite.

De olhos fechados, me concentrei nos sons: a porta foi fechada, a chave virada na fechadura, alguns passos, a luz dos abajures sendo acesas, o ranger mínimo da cama ao receber mais um corpo. Abri os olhos.

Senti o movimento na cama e das cobertas, as mãos de Harry me abraçando pela cintura, o toque tão delicado, o beijo que ele deu em meu ombro, a respiração dele às minhas costas...

Ele pôs meu cabelo de lado, expondo meu rosto. A boca dele roçou meu ouvido, me arrepiou, e ele cantou baixinho, pouco mais do que sussurros, I Will para mim.

- Quem sabe quanto tempo eu te amo? Você sabe que eu ainda te amo. Terei que esperar uma vida inteira solitária? Se você quiser que eu espere, eu esperarei... Amo você para sempre e para sempre, amo você com todo o meu coração, amo você quando estamos juntos, amo você quando estamos separados... *

Me virei para ele quando Harry terminou. Uma das minhas mãos ficou contornando seu rosto, tocando e apreciando cada pedacinho, a outra em seu pescoço. Eu não cansava de admirar sua beleza... Eu o achava tão, tão bonito que às vezes doía em mim.

Harry não tinha uma beleza óbvia. Ele tinha uma beleza rebuscada, era assim que eu a definia. O rosto dele era lindo, nada comum. Não era o tipo de beleza que agradava a todas, mas era exatamente meu tipo de beleza.

Ele não era o cara grandão e sarado. Harry era magro, mas não seco. Ele tinha carne nos lugares certo. Eu sabia que ele podia, se quisesse, encantar alguém, enlouquecer, sem dizer palavra alguma, só com o olhar certo no seu belo rosto.

Às vezes eu me perguntava se merecia tanto. Achava ele bonito demais para mim. Eu sabia que não era feia, mas a minha beleza não era incomum como a dele. A única coisa de especial em mim eram os cabelos, tão ruivos.

Quando eu passei meu dedo nos seus lábios, ele beijou a ponta. Então me apertou contra ele, me levando para mais perto. Deitada em seu ombro, minha mão ficou fazendo círculos em seu peito. Ficamos assim por longos e longos minutos, só aproveitando a companhia um do outro. Todo o resto tinha ficado para trás.

Eu estava distraída quando Harry chamou por mim. Olhei para ele, que demorou a falar.

- A Cho não significa nada, você sabe. – as palavras não pareciam ter pressa para sair de sua boca – Eu amo você. Nem me importo sobre sábado.

- Sábado?

- Sábado, Gina. Quando você saiu com a Luna.

O que ele queria dizer? Eu não estava entendendo... Devia ter deixado transparecer isso, porque ele explicou:

- Você disse, sábado, que tinha ficado com um cara fortão. Eu não me importo, porque você fez isso por causa da Cho, então talvez eu ten...

- Shhh. – calei-o com um gesto. Às vezes Harry era muito bobinho. - Não existe nenhum fortão, seu tolo. Eu inventei aquilo só para te provocar.

- Inventou?

- Claro que sim. Que idéia, Harry! Eu só quero você.

Por um curto tempo, ele ficou em silêncio.

- Você me fez chorar, sabia?

- Sério? – sorri.

- Sério, Gina. Doeu muito te imaginar com outro. Muito.

- Doeu? – aquilo me pareceu uma pequena recompensa pela minha própria dor.

- Sim.

- Talvez tenha sido bom eu mentir, então. Daqui para frente você pode se lembrar dessa dor como a que eu sinto quando imagino você com aquela garota. Ou com qualquer outra.

- Gina, eu já disse...

- Não, Harry. Hoje não. Eu to cansada de discutir isso, deixa para depois... É inevitável, de qualquer forma, certo? Você já disse sim, todos já sabem. Eu só quero me preocupar quando a hora chegar, ta?

- Ta. Mas ta tudo bem agora?

Tudo bem? Não, não estava bem. Será que ficaria?

- Dentro do possível, sim.

- Então você devolve as suas coisas que você pegou de mim? Eu quero ter algo de você no meu quarto, ao meu alcance.

- Amanhã eu devolvo.

- Promete?

- Prometo.

Ele tocou meu cabelo, colocando-o atrás da orelha. Eu segurei sua mão contra minha face, beijei sua palma; depositei ali todo meu amor, então fechei-a, prendendo o beijo.

Harry entendeu o gesto. Ele levou a mão até o coração e abriu-a ali, depositando o beijo. Então sorriu para mim.

- Eu peguei uma camisa sua no seu guarda-roupa. – confidenciei a ele – Uma xadrez de botão, meio grossa.

- Nem reparei.

- Eu não vou devolver.

- Tudo bem. Mas nesse caso eu vou querer uma camisa sua também.

- Pode escolher.

- Já escolhi. Quero essa. – ele puxou e exibiu para mim, com um sorriso doce e um pouco malicioso, a camiseta no meu corpo. Ela fazia um conjunto de pijama com a calcinha que eu usava. Não me fiz de rogada e dei a peça para ele.

- Talvez eu queira o resto – ele comentou, jogando minha camiseta no chão.

- Então talvez eu queira o resto da sua roupa também.

- Mas eu só to de cueca.

- E eu só estou de calcinha.

Ficamos nos olhando por um momento e, então, tiramos tudo. Sob as cobertas, nossos corpos se encontraram. Eu queria, e eu sabia que Harry queria, dormir enroscada ao seu corpo nu.

Quando ele me beijou, foi de forma possessiva. Eu gostei. Nossos lábios se uniram e se chuparam como se fossem uma fruta madura, mordiscando e acariciando. Os beijos tinham gosto de paixão e saudade.

- Isso está ficando muito perigoso. – ele disse, minutos depois. Seus lábios roçavam os meus enquanto falava, nossas mãos estavam um no outro. – Muito perigoso.

Eu concordei e beijei-o.

Harry estava totalmente certo. Contudo, naquele momento, com ele sendo tão carinhoso, eu estava adorando o perigo. Amando o perigo.

Amando.

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* I Will, música dos Beatles presente no White Album.


Aos Leitores:

Uh, esse cap não fico grandes coisas, eu sei... Está ruim, não é? Ficou espaçoso, um pouco repetitivo no fim. Acho que foi o mais fraco até agora. Eu realmente lamento, mas td aconteceu assim. Como eu tive de lidar com o tempo pela primeira vez na trama, foi um pouco difícil. De qq forma, aguardo ansiosa a opinião de vocês.

Outro ponto delicado na narração da fic foi sobre algumas cena, como a da escada, qnd Harry e Gina "fazem as pazes". Eu sei, exatamente, cada movimento, cada detalhe dos gestos deles, e colocar isso na fic a deixaria mt mal estruturada. Não sei se consegui passar a importância e a profundidade daquele momento, mas espero que sim, como nos outros pontos em que me encontrei na mesma situação. Nessa cena, e em outros momentos da fic, o silêncio entre eles é muuito importante, pq é pelo olhar e gestos sutis que eles dizem tudo. Eu queria fazer tomadas dessas cenas, aí eu teria certeza que vocês entenderiam meu ponto de vista. Mas, bem, isso é uma fic.

E eu quis, nesse capítulo, como também farei nos próximos, mostrar a relação da Gina e do Harry com as pessoas que convivem com eles, seus amigos, seus pais... Dessa vez eu enfoquei a amizade da Luna com a Gina, mas logo terá mais sobre isso e vocês compreenderão cada vez melhor os personagens.

Também achei um pouco difícil escrever sobre a Gina agora, porque assim que eu acabei o capítulo anterior, sobre o Harry, eu comecei esse. Foi complicado, eu estava totalmente imersa na cabeça dele e tive de largar tudo e entrar na mente da Gina, que é diferente. O bom é que os dois são parecidos, então acho que daqui a algum tempo vou me acostumar com essas mudanças.

Bem, acho que pelo que vocês já leram foi possível perceber que Harry e Gina são bem próximos, bem íntimos. Entretanto, o "íntimos" deles vai muito além do físico. Eu vou explorar mais isso daqui pra frente, especialmente nas conversas. Por isso, deixo avisado: como eles não têm limites um com o outro, suas conversas também não tem. Eles falam o que querem, sem se preocupar com termos e vocabulários, por isso não se choquem se virem alguma coisa mais esdrúxula, vulgar ou pesada, daqui pra frente - já aviso que não é minha culpa, mas dos personagens, que ganham vida própria. Principalmente da Gina, que às vezes fala coisas só para ferir, irritar ou testar o Harry. E ele, às vezes, rebate ou age da mesma maneira.

Quando vocês lerem essas palavras, provavelmente já será janeiro. Mas de qualquer forma desejo a todos um excelente fim de ano, com muita alegria e bonança. Feliz ano novo!

Para finalizar, vou avisar que devo demorar um pouco mais com a próxima atualização, pq vou viajar. Vou tentar escrever alguma coisa nesse meio tempo, porém não prometo nd. Mas difícil msm para atualizar será qnd chegar fevereiro, qnd a rotina recomeça. Eu fico totalmente sem tempo... Será complicado, mas é melhor ñ pensar nisso agora.

Agradeço a todos que estão lendo fic. Àqueles que deixaram reviews - devidamente respondidas abaixo - agradeço em dobro.

Um abraço e até a próxima.

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Respostas às reviews:

o Michelle Granger: agradeço pelo "muito bom", rs. vms ver se vc volta a escrever suas fics logo. e obrigada pela review, espero q vc continue comentando.
beijo.

o carol w potter: bem, é realmente bom q vc esteja gostando da história, espero q vc ñ tenha achado esse cap mt ruim. e não se preocupe qnd ao futuro e qnt ao fim da trama, pq mt coisa vai acontecer ainda. e eu te digo: eu gosto de finais felizes em fics...
beijoo!

o Pati Mello: certamente não fiquei fula com vc, pode ser sincera e dizer o que quiser - pode mesmo. as críticas, boas e ruins, são importantes.
em relação a aceitação da fic, que vc comentou, eu não quis dizer que as pessoas estavam adorando a idéia de ter dois irmãos se pegando (rs). a aceitação é referente a essa história, não ao incesto. eu não quero que ninguém aprove ou desaprove a relação incestuosa, tanto faz para mim as opiniões sobre isso, mas o que me importa é a aprovação ou não da qualidade da fic. e, como eu já disse, ninguém precisa ver Harry e a Gina como irmãos (mas seria bom, se vissem), mas sim saber que eles são, aqui. eu não os sinto como irmãos nas outras histórias, mas sei que são, nessa trama. aliás, eu nunca, jamais, poderia escrever a fic com o Rony e Gina, simplesmente porque seria indigesto demais para mim pensar sobre isso... Mas com o Harry e a Gina não é indigesto, porque - sendo repetitiva - eu não os vejo como irmãos, pois eles não têm esse laço na história da Rowling. eu não preciso que os leitores sintam ou internalizem Harry e Gina como irmãos, basta que eles saibam que eles (os personagens) o são. ou seja, tds podem continuar a ver, em essência, harry e gina como harry e gina, desde que a lógica da situação tenha entrado na mente deles.
e não se sinta acanhada com sua opinião, ok? a crítica que critica ajuda. é errando que se aprende, e se não vemos o erro, não iremos melhorar. é isso, rs.
bjos.

o Patty Carvalho: oh, sabe que eu tbm adorei a capa da fic? gostei de verdade. e eu concordo obsolutamente com vc, o amor do harry e da gina é lindo. é o tipo de amor idealizado, a não ser por um ponto e outro, claro.
bem, vc disse que gostou do cap anterior, então espero que não fiquei absolutamente desapontada com esse...
e qnt a trama, o desenrolar, como vc disse, não se preocupe, pq tudo vai se acertar.
eu tbm acho Dom Casmurro mt triste e injusto, é uma pena que as coisas aconteceram assim... de qq forma, é uma leitura que realmente vale a pena, e é assim pq é como é.
beijo!

o Anna Weasley Potter: vou confessar a vc que entrar na mente do harry ñ foi fácil, mas parece que não me saí tão mal assim, as pessoas gostaram do cap anterior.
eu tbm achei o harry radical, mas ele ama mt a gina. ele faz isso para protegê-la. no fim ela acabou aceitando isso, mesmo que não tenha ficado feliz.
obrigada pela review e continua comentando, rs.
beijo!

o AluadaMax: Meu Deus, se no começo vc ñ botava fé em mim, quero saber sua opinião agora, com esse cap, que eu achei o mais fraco de tds...
de qq forma, obrigada por ser tão amável com suas palavras. agradeço os elogios, e espero manter tds com a "pulga atrás da orelha" por um bom tempo, até o fim da fic, rs.
abraço!

o Mariana Rocha: concordo com vc sobre Maninho e a minha fic, e fiquei lisongeida com seu comentário ("só vi personagens tão humanos [no sentido de serem complexos] na fic Save Me"). eu li Save Me e gosto dela, mas não da sua continuação.
espero que, daqui para a frente, continue achando que é "uma experiencia ótima ler" a fic. e ñ se preocupe com o final: mt coisa vai acontecer ainda.
beijo!

o Pedro Henrique Freitas: o situação é bem assim, como vc comentou sobre o cap anterior. sobre a distinção entre harry e gina das fics, devo dizer que eu, também, consigo separar as personalidades dos personagens em cada história, vendo "novos" harry e gina diferentes. suas observações foram bastante precisas.
abraço!

o Thierry Harry: oh, obrigada, rsrs. bom saber q vc realmente gostou, espero que continue assim... e se vc tiver mais alguma dúvida, pergunte.
bjs

o krolpotter: ohh, obrigada, hehe. o harry é msm incrível - eu tenho que concordar com vc!
bj!!

o RaFa Lilla: aii, o capítulo novo chegou, mas... os conflitos da festa ainda vão demorar um pouco. continua a ler que vc vai começar a ter suas perguntas respondidas com o tempo.
beijo

o danda jabur: ohh, vc chorou no cap anterior? que triste... mas foi realmente terrível para a gina. sobre o fim da fic, ñ se preocupe com isso agora. MT coisa vai acontecer até lá e td vai entrando nos eixos.
sobre a relação do harry e da gina, só foi dizer uma coisa: só sabendo que eles são irmãos, vc consegue ler a fic. com o tempo vc vai se acostumar melhor a idéia e, então, sentir melhor a história (assim espero). e em relação a capa, eu adoro-a. acheia linda, modéstia à parte.
bjoo!

o Marininha Potter: hehehe, obrigada. espero q vc ñ tenha ficado decepcionada com o capítulo novo.
abraço.