Harry
Eu estava em um farol de muitos andares. No que me encontrava havia uma festa acontecendo, onde vários conhecidos meus, transmutados em estranhos seres marinhos, dançavam. Subi um andar, e o lugar estava cheio de água e – incrível! – eu podia respirar; nadei até as escadas e subi mais. Era uma sala empoeirada, cheia de quinquilharias, mas eu sabia que o espaço era um velho porão de um navio há muito tempo afundado. Segui para as escadas, mas no meio do caminho algo agarrou minha perna. Era um polvo assustador. De alguma forma eu consegui me libertar e corri para longe dali.
Enfim cheguei ao topo do farol, cuja luz estava desligada. Assim que botei os pés ali, comecei a ouvir uma voz suave e sedutora cantando. Pelo vidro vi uma sereia lá embaixo, no mar. Ela cantava para mim, eu sabia. E sua voz era tão bonita! Mas, estranho, a voz estava começando a soar estridente... Agora a sereia não cantava, mas apitava, como um alarme, cada vez mais alto...
- Harry, Harry, acorda!
O barulho do despertador e as sacudidas de Gina me fizeram abrir os olhos, mesmo contra minha vontade. Eu queria dormir, ainda tinha muito sono.
- Me deixa, Gina!
- Harry, vai para sua cama. Já são seis da manhã, o celular despertou.
- Eu estou na minha cama – em meio ao sono, já quase voltava a dormir.
- Não está não, Harry. Está na minha. Abre os olhos! – uma sacudidela mais forte me fez obedecê-la – Vai para sua cama, Harry. Daqui a pouco a mamãe vai te chamar e você tem de estar na sua cama.
- Hoje é sábado, ninguém vai acordar antes das nove. As nove você me chama, ta? – eu abracei-a pela cintura e a trouxe para perto. Estava grogue de sono.
- Não, me larga! Eu vou te jogar no chão se você não sair daqui.
Senti as mãos de Gina no meu corpo, empurrando. Que merda!
- Droga, eu vou. Você enche meu saco!
Levantei aborrecido. Quando já estava na porta ela me chamou de volta.
- Que é? – perguntei rude, mas no meu tom de voz normal; como a casa estava totalmente silenciosa, a impressão foi de que eu havia gritado.
- Toma. – Gina jogou algo para mim. Eu vesti a cueca e fui para o meu quarto me atirar na cama para dormir de novo. Talvez eu voltasse para o farol e descobrisse um jeito de chegar àquela sereia tão misteriosa...
- Meu filho, acorda... Acorda, Harry. Harry!
Eu fechei os olhos e os abri, então não era mais tão cedo e minha mãe estava ali, me chamando. Não, não podia estar na hora de acordar, podia? Há dois segundos eu estava entrando sob as cobertas frias...
- Harry, acorda! Já está tarde.
- Acorda! – eu senti alguma coisa macia bater contra a lateral do meu rosto com força. Aquilo não era coisa da minha mãe! - Acorda! Acorda!
- Gina, pára! – gritei.
- Já está tarde, levanta, Harry! – as pancadas continuaram até eu me irritar... Me sentei para ver a mãe tentando tomar o travesseiro de Gina, pulando em cima da cama. Elas estavam discutindo, mas no meu estado de recém desperto, cheio de sono, eu não podia compreender nada muito bem.
- CHEGA, GINA! Se você quebrar a cama do seu irmão vai ter que dar a sua para! Que menina difícil! – a última parte ela pareceu falar consigo mesma – Vê se isso é jeito de acordar as pessoas?
- O sono do Harry é tão pesado que um caminhão poderia passar por cima dele e ele só daria conta quando chegasse no céu. Ou no inferno.
Gina me lançou um olhar significativo, que eu entendi perfeitamente. Se eu fosse para o inferno, ela iria comigo.
A mãe saiu, batendo a porta. As coisas ao meu redor ainda estavam acontecendo em câmera lenta pelo sono... Quando olhei para Gina – que enfim havia parado de pular – ela estava com um sorriso travesso no rosto. Eu me atirei de volta aos travesseiros.
- Ah, não vai dormir de novo, Harry! Já é uma e meia da tarde!
- Impossível.
- É possível sim! Você dorme mais do que a cama...
- Levanta logo, Harry. – minha mãe estava de volta, tentando me expulsar da cama – Ta muito tarde pra você ficar aí, deitado. Você deve estar doente, não é possível alguém dormir tanto com tão boa saúde. Eu vou te levar pra fazer um exame de sangue!
- Não! – ela puxou todos os cobertores e eu fiquei no frio.
- Quero você lá embaixo em 15 minutos. E, Gina, desce pra me ajudar com o almoço.
- Ah, mã...
- "Ah" nada. Eu não estou pedindo, estou mandando. E arruma essa cama, Harry. Vamos, Gina!
Gina se levantou bufando e saiu batendo os pés. Quando ela já tinha se retirado, minha mãe me lançou um olhar "não-me-contrarie" e bateu minha porta pela segunda vez naquele dia.
Não podia ser mais de uma da tarde, podia? Olhei no relógio... Puxa, podia sim! Era exatamente 13:42h. Nossa, como eu havia dormido! E eu tinha de acordar cedo para fazer todo o dever, droga! Isso teria de ficar para mais tarde.
Mesmo sem vontade, levantei. Fui ao banheiro, escovei os dentes e vi que meus cabelos estavam tão bagunçados quanto em qualquer outra manhã. Novamente no quarto embolei edredom, lençol, travesseiros e tudo mais e joguei de qualquer jeito no guarda-roupa. E a colcha, onde estava...? Eu não entendia a necessidade de arrumar a cama. Já era tarde, daqui a pouco eu ia dormir de novo!
Quando desci todos estavam na cozinha. Gina arrumava a mesa, meu pai falava ao telefone e a mãe tentava guardar vários ovos de Páscoa na geladeira.
- Oba, chocolate!
- São para amanhã! – minha mãe informou.
Claro, previsível.
Sem mais o que fazer, esperei meu café-da-manhã que seria o almoço sentado à mesa. Não gostava muito de pular refeições, mas não tinha outro jeito.
Gina se aproximou trazendo copos e talheres. Usava um vestido, reparei. Estava bonita. Ela sorriu para mim e continuou a tarefa com calma.
A mãe estava com a cabeça enfiada na geladeira, ainda tentando organizar os ovos lá, o pai estava na sala, gritando ao telefone.
Ocasionalmente, minha mão subiu para entre a cintura e o quadril de Gina em um gesto carinhoso e totalmente inocente. Não havia nada demais ali, a toquei da forma que meus pais a tocavam. Mas mesmo assim ela me olhou num misto de espanto e medo. "Pára" seus lábios formularam, enquanto se afastava com pressa. Ela parecia chocada e aquilo me surpreendeu. Não tive intenção alguma em constrangê-la. Além disso, ninguém estava olhando.
Fiquei um pouco aborrecido, e Gina deve ter percebido, porque se aproximou e afagou meus cabelos. Depois sorriu amarelo, voltando aos pratos e copos e talheres.
Nós estávamos tão acostumados a manter distância perto das pessoas que, ás vezes, coisas simples cresciam e nos assustavam, mesmo sem motivos. Todos os irmãos têm algum tipo de contato - da mesma forma que amigos e pais e filhos e colegas de trabalho -, mas podíamos esquecer disso eventualmente.
Logo meu pai voltou (ele conseguiu colocar todos os chocolates na geladeira) e almoçamos. Arrumamos tudo, os quatro juntos, quando terminamos. Então subi e resolvi navegar na internet, deixando os trabalhos escolares para depois. Após um tempo Gina apareceu à minha porta, fechando-a.
- Olá.
- Oi.
- O que você está fazendo?
- Nada, só navegando na internet.
Ela me olhou com diversão.
- Ta vendo sites pornôs?
- Não.
- Ah, sei...
Ela se aproximou da escrivaninha, onde eu estava sentado usando o notebook, e olhou o que eu estava fazendo.
- Mensagens instantâneas? Conversando com quem, com a Cho? – havia desprezo na sua voz.
Respirei fundo. Ela mesma havia dito que não queria falar naquele assunto, então por que estava provocando e trazendo-o à tona? Eu sabia que havia uma parte de Gina que ainda estava chateada com aquilo e compreendia, mas eu estava fazendo tudo por nós dois.
- Vai começar, Gina?
- Não. – ela tinha uma postura dura - Já disse que não quero falar sobre isso. Mas...
- O que foi?
- Você sabe o que eu ouvi sua amiguinha dizer ontem?
Ela ouviu? Acho que ela estava espionando...
- O quê?
- Que ela vai falar com você para que combinem as fantasias da festa.
Gina estava morrendo de ciúmes. Eu podia perceber pelo tom seco e aborrecido dela.
- E?
- E se você fizer isso eu te mato! Você não vai combinar fantasia nenhuma! Diz para ela que foi a mamãe que escolheu, alguma coisa assim. Não me interessa que desculpa você vai dar, mas você vai dar alguma. Me prometa!
- Prometer o quê?
- Não seja sonso. Prometa que você não vai combinar sua fantasia com ela. Eu não quero vomitar.
- Eu prometo. Eu prometo tudo que você quiser.
- Não! – eu ia me aproximar, mas Gina ergueu as mãos em protesto – É fim de semana. Você sabe o que isso significa.
Significava distância.
- Eu sei.
- E você está ficando muito abusado.
Eu estava ficando abusado? Engraçado, porque tive essa mesma impressão dela nos últimos dias. Mas dizer isso a ela seria procurar briga.
- Eu estou?!
- Está.
- Não que você reclame.
Ela me olhou com certo rancor. Mas o que ela queria? Tinha começado a me atacar sem nenhuma justificativa sólida.
- É isso mesmo, Gina. Você nunca reclamou por eu estar sendo "abusado".
- Não use esse tom de desafio comigo, Harry.
- Ta bom.
Voltei ao computador, ignorando-a. Às vezes Gina realmente me aborrecia. Estava agindo como se fosse uma grande dama indefesa e eu o lobo mau. O contrário talvez fosse mais provável.
- Você me irrita às vezes, Harry.
- Você que me irrita.
- Ta, vamos deixar isso pra lá. Eu vim aqui te fazer um convite. Uma sugestão, na verdade.
- Minha resposta é não.
- Você nem ouviu!
- É não mesmo assim.
Ela bufou. Então ignorou minha negativa, continuando:
- Bem, papai e mamãe vão sair hoje à noite. Vão jantar e depois ir num show, algo assim. – Gina se aproximou, sentando-se na escrivaninha onde eu estava. Eu a olhei porque, afinal, o assunto parecia interessante – Então eu pensei: vamos sair também! Ficar em casa muito tempo me contém quando está todo mundo aqui.
- Podíamos ir ao cinema.
A levaria no cinema que costumávamos freqüentar em Basildon. Era um lugar pequeno que tinha sempre o mesmo público, logo não haveria riscos.
E como morávamos no distrito de Maldon, em Essex, e Basilton é um outro distrito, então ir até lá significava uma viagem para uma terra onde não havia conhecidos. Assim, longe de casa, quase que podíamos agir como qualquer outro casal. Era como estar em um país distante, sem identidade.
Gina aceitou minha sugestão. E à noite, pouco depois de meus pais saírem, já me apressava:
- Vamos, vamos!
Ela estava contente. Eu também. Depois de uma semana difícil, tudo estava bem de novo.
Nós fomos e, enquanto a sessão não começava, jantamos em um fast-food. Então ficamos dando voltas no bairro tranquilo e boêmio. Numa rua vazia, arrastei Gina para baixo de uma enorme marquise e ficamos ali aproveitando o momento... Eram horas de liberdade.
ooOoOoOoOoOoo
Domingo minha mãe me acordou dizendo que iríamos almoçar na casa dos Malfoy. Me surpreendi um pouco, porque não estava sabendo daquilo. Aparentemente Narcisa Malfoy, que é mãe de Draco e esposa de Lúcio Malfoy, havia encontrado-a no supermercado e feito o convite, que minha mãe aceitou.
- Os Weasleys também vão. – ela também me disse.
Estava desanimado... Não que eu não gostasse dos Malfoy ou algo assim. A casa deles era agradável, muito grande e bonita. Além disso, eles eram gentis e Draco meu amigo. Mas eu havia pensado que seria um domingo em família. Todavia, nós fomos.
Descobri que Rony não estava por lá assim que cheguei, apenas seus pais, Molly e Arthur Weasley, apareceram. Ele havia ido passar a Páscoa na casa de Hermione.
Draco veio nos cumprimentar pouco depois. Ele chegou com seu charme habitual, cheio de sorrisos, dizendo:
- A cada dia as mulheres da família Potter estão mais bonitas!
Draco era muito legal quando queria, mas também era um verdadeiro Jack-the-lad*. Às vezes me incomodava seu jeito com Gina, porém tinha que ignorar. Eu não podia passar dos limites e exagerar.
Então mesmo um pouco desconfortável, o segui andar acima. Gina foi conosco, deixando os adultos sozinhos no andar de baixo.
- Eu comprei um novo game que é...
Deixei Draco falando de seu jogo e me mantive em silêncio. Ouvi poucas palavras do que dizia, apenas as ditas com gritos de entusiasmo chegaram até mim. Foi uma caminhada curta do hall de entrada ao quarto dele, mas foi suficiente para Gina perceber algo. Eu estava pensando no que ele havia me dito naquela semana na escola, que talvez ele convidasse-a para ir ao baile. Claro, ele comentou da possibilidade de chamar mais umas dez garotas, mas quem estava ali no momento era Gina. E enquanto Draco discursava à nossa frente, ela me perguntou, apenas com o movimento dos lábios, se tudo estava bem. Acenei a cabeça e não disse nada.
Não sei muito bem porque, mas de alguma forma a presença de Draco me constrangeu. Ele pareceu tão grande e eu pequeno. Será que Gina via isso também?
Draco nos convidou para jogar o tal jogo novo, mas eu não quis. Me surpreendi quando Gina aceitou, porque a única coisa que ela gostava de jogar no videogame era Guitar Hero.
- Vamos, Harry. – ela ainda tentou me animar, mas eu realmente não estava a fim.
Ambos se acomodaram no sofá em frente à TV e eu fingi ficar analisando a coleção de CD's na estante de Draco, enquanto na verdade os observava. Eu disse a mim mesmo que aquilo tudo não tinha nada a ver, mas não consegui me convencer ao ver Draco passar seus braços por Gina e segurar suas mãos com o intuito de ensiná-la a controlar o joystick. Não demorou muito e ele a soltou, mas os dois continuaram sentados lado a lado.
Eu queria sair dali... Não queria ficar vendo Gina se divertir com alguém que não fosse eu. Além disso, Draco dava em cima de todo ser que usasse saias. Se eu saísse e ele realmente a convidasse para ir à festa? E se Gina aceitasse?! Ele era muito popular, parecia ser do tipo que agradava a todas, bem típico: loiro, forte, de olhos azuis e tal. Gina não gostava dele, mas... Sempre existia uma possibilidade. Ainda mais eu tendo aceitado ir com Cho.
- Você ta muito quieto, cara. – Draco me disse – Ta tudo bem?
- Ta.
Pela cara de Gina ela percebeu que eu mentia.
Mas todos os pensamentos foram interrompidos com a entrada da Sra. Malfoy. Trazendo bebidas em uma bandeja, ela sorria, esplendorosa com sempre. Minha mãe era muito bonita, mas a Sra. Malfoy era deslumbrante. Às vezes eu realmente me perguntava se ela era mãe de Draco.
- Eu trouxe suco e vinho. Mas eu tenho certeza que seus pais não se importam se beberem um pouco de álcool hoje, não é? – perguntou a mim e a Gina.
Os Malfoy eram muito liberais. Não que nossos pais não fossem, mas "proibir" parecia não existir no vocabulário deles para com Draco ou nós, amigos dele. E, bem, talvez nossos pais se importassem por bebermos fora de casa sim, mas se Narcisa oferecia não seria educado negar.
Por um momento eu esqueci que estava incomodado com Draco e Gina, mas assim que a olhei lembrei. Ela tinha o semblante um pouco inquieto. Pela primeira vez naquele dia reparei no que ela usava. Era um vestido azul-marinho de botões e uma meia 5/8 branca. Os pés descalços circulavam livremente sobre os tapetes e a madeira do chão; as sapatilhas ao lado do sofá. Ela estava linda com os cabelos soltos. Linda. Draco devia ter reparado nisso também.
Gina sorriu e, dentro de mim, algo de desapertou um pouco.
- Vamos voltar ao jogo? – Draco chamou – Tem certeza que não quer participar, Harry?
- Tenho. Eu não quero.
Ele voltou para o sofá e, dessa vez, Gina sentou-se no chão. Ela fez aquilo por mim, eu sabia. Ela viu alguma coisa quando me olhou. Eu fiquei mais tranqüilo, por isso me permiti sair dali, deixando a porta aberta. Ia descer, mas os quadros nas paredes do corredor me distraíram. Eram, principalmente, retratos dos antigos Malfoys. Aquela era uma família velha e de tradição.
Quando por fim resolvi voltar, ouvi uma risada alta de Draco. Parado do lado de fora, de onde não podiam me ver, percebi que o jogo estava desligado, uma vez que não havia mais som.
- ... então eu falei para ele "Como é que você sabe?". – Draco dizia - Porque, obviamente, ele não tinha como saber. Aí ela entrou no meio da conversa...
Ela quem? Eu estava totalmente de fora.
- Ela achou que vocês iriam brigar? – Gina perguntou.
Bem, parecia que ela estava atenta. Aquilo não me agradou.
Deixei Draco terminar sua historinha sem prestar muita atenção, as palavras entrando por um ouvido e saindo pelo outro. Aparentemente ele contava mais um de seus rolos com alguém.
- De qualquer forma – Draco disse em determinado momento -, o que aconteceu é que eu ainda estou sem par. Que tal você ir comigo?
Meu interesse na conversa surgiu de imediato, enquanto meu coração parecia pular um batimento. Ele só tinha esperado eu sair para chamar Gina. A resposta pareceu demorar séculos. Foi apenas um instante mínimo, mas muito longo. E para meu infinito alívio, ela riu.
- Você não pode estar falando sério, Draco.
- Por quê? É um convite sério.
- Você não é do tipo que leva ninguém para um encontro.
- Mas não é um encontro, é só uma festa. Sem compromissos. Talvez eu tenha algumas segundas intenções, mas e daí? Nós dois estamos livre, então não há impedimentos.
Filho da mãe.
- Eu não vou com você. Você é meu amigo.
- Mais um bom motivo para você ir comigo. A gente iria se divertir muito juntos, ia ser legal. Nós nos damos bem.
- Não, Draco. E acredite, Harry não gostaria de saber que você me convidou.
Draco não fazia idéia de como eu não estava gostando daquilo.
- Você está esperando que alguém específico te convide? Porque, pelo que eu sei, eu sou o único garoto solteiro da escola que não te convidou.
O que?Ela não havia me dito que alguém a havia chamado! Por quê?
- Não exagera, Draco. E eu não vou com você. – seu tom foi definitivo. Draco também devia ter percebido isso, pois deu o que pareceu ser um suspirou resignado.
- Ok. Mas se você se arrepender depois vai ser tarde demais, porque eu vou ligar agora para a gata da Katie Fitch e convidá-la. Ela é das minhas, sabe?
- Boa sorte, Draco.
Percebi que Draco não ficou chateado com a negativa de Gina. Ele não costumava ficar chateado com muita coisa. E ele não tinha medo de receber um não, então acho que por isso ele mal se importou. Mas, para mim, a negativa de Gina foi essencial. Eu realmente temi que ela aceitasse por um momento.
Ouvi passos se aproximando e imediatamente entrei no quarto, como se tivesse acabado de chegar lá de baixo. Quase me choquei com Draco, que deixou seu celular cair. Ele apanhou-o e saiu.
Fitei Gina e, depois de um segundo, ela me disse:
- Você ouviu.
Não foi uma pergunta, mas uma afirmação. Eu não disse nada. Ela ficou imóvel no sofá, com uma cara estranha. Por fim consegui me mover e fui até lá, sentando ao seu lado. Nossas mãos se encontraram e ficamos ali, quietos. Alguma coisa estava estranha. A incerteza parecia bater novamente na minha porta. Uma incerteza indefinida. Mil pensamentos diferentes me passaram pela mente, flashes de objetos e idéias e coisas e possibilidades.
Então Draco entrou e nos soltamos.
- Eu vou à Festa de Primavera com a Katie Fitch, haha! – ele parecia animado.
- Algo muito incomum para você, que sempre vai sozinho e tenta pegar o máximo possível de mulher que der. – comentei, tentando soar normal.
- É, para você ver... Estou mudando.
- Claro. – Draco mudando? Talvez em outra vida.
- Então o que vamos fazer agora, Potters?
- O que você quiser. – respondi animado. Meu humor não estava lá essas coisas, mas eu precisava parecer bem como de costume.
- Uau! Então é melhor você sair e deixar eu e sua irmã sozinhos, Harry.
Draco começou a rir, mas eu não achei graça nenhuma da piadinha idiota dele.
- Babaca.
- Ué, não era o que eu quisesse?
Ele continuou a rir e ligou a tevê, sentando-se do outro lado de Gina. Meu humor não melhorou. O programa exibido até poderia me interessar se Draco não ficasse murmurando ocasionalmente, tão baixo que eu não podia ouvir, qualquer coisa para Gina. E também se ela não ficasse rindo de volta.
Por duas vezes quando Draco se debruçou para cochichar com Gina, sua mão foi para a perna dela. Na terceira vez a mão ficou lá, mexendo no vestido, então foi subindo e subindo, até que Gina a tirou.
Que cara de pau, bem na minha frente! Eu era o irmão dela!
Saí, porque se ficasse mais um minuto ali daria um soco em Draco. Ultimamente ele estava muito saidinho. E Gina, por que não o cortava de uma vez? Eu estava cheio.
Cheguei a um banheiro e bati a porta. Precisava me controlar, mas a água gelada da torneira não lavava a insatisfação do meu rosto.
Alguém bateu à porta.
- Está ocupado.
- Sou eu.
Gina.
Me senti satisfeito por ela ter vindo me procurar e incomodado por ela achar que eu não poderia me cuidar.
- Oi. – ela cumprimentou quando abri a porta.
- Oi.
- Posso entrar? Não tem ninguém aqui fora, não se preocupe. De todos os banheiros dessa casa imensa, parece que você escolheu o mais isolado. Ninguém poderia saber que eu estou aí com você.
Era verdade. Só por isso a deixei entrar.
- Qual o problema?
- Nenhum.
- Nenhum?! Eu te conheço muito bem, Harry. – então Gina disse depois de um curto silêncio - Você está com ciúme.
- Eu não estou com ciúme. Não me faça rir! Ciúme de quem?
- Você sempre tenta esconder o que você sente.
Ela me abraçou e seus braços me desarmaram. Era difícil esconder algo de Gina, eu tinha que admitir. Nos soltamos e ela voltou a me fitar.
- Você ficou chateado pelo Draco me convidar para o baile?
Eu dei de ombros.
- Um pouco. Temi que aceitasse.
- Eu não quero ir com ele, não tem como eu aceitar.
- Ele é bem popular entre as garotas. Todas gostam dele.
- Todas? Não todas. Mas ele é bonito? Bonito pra caramba? Poxa, é, eu tenho que admitir – eu não gostei de ouvir aquilo -, mas ele não é para mim. Eu não gosto dele, ele nem faz meu tipo. Você sabe. Esses caras bonitos demais só enchem os olhos.
- Você ta dizendo que eu sou feio?
- Não! Absolutamente! Eu não disse isso, Harry. Você é muito, muito bonito, você sabe disso, só que vocês têm belezas muito diferentes. Ele é tipo fast food, todo mundo gosta, e você é culinária francesa, melhor para quem sabe apreciar.
Eu fiquei um pouco confuso...
- Ok – Gina continuou -, talvez a analogia a comida não tenha sido muito boa, mas você entendeu o que eu quis dizer. Foi um elogio.
- Obrigado então... Eu acho.
De qualquer forma eu ainda não estava satisfeito.
- Você está muito amiguinha do Draco.
- Ah, Harry, por favor!
- Por favor? Quando a gente estava assistindo TV ele ficou te tocando e contando segredinhos no seu ouvido e você nem se importou.
- É mentira! Ele ficou fazendo comentários comigo sim, mas não era nenhum segredo.
- Você ficou rindo!
- Eu não fiquei rindo. Eu sorri como resposta, como quando alguém te diz algo e, como você não sabe o que responder, sorri. Foi isso.
- E você vai explicar por que ele ficou passando a mão em você também?
- Harry... Meu Deus! – ela passou a mão pelo rosto e se sentou sobre a tampa da privada. Então me olhou. – Você não é assim.
- Você não me respondeu.
- Todo mundo toca todo mundo! Você vai falar com alguém a toca o joelho da pessoa para chamar sua atenção, é assim que funciona! Você já deve ter feito isso milhões de vezes.
- Ele não tocou seu joelho na terceira vez.
- Não – ela disse -, é verdade. E como você deve ter percebido, já que estava prestando tanta atenção, eu retirei a mão dele.
- Demorou muito.
Gina respirou fundo e me olhou com raiva, porém não disse nada. Após um tempo, perguntei:
- Por que você não me disse que um monte de garotos te convidou para a festa?
- Porque isso é irrelevante, porque você não ia gostar. Eu não vou com nenhum deles. Eu vou sozinha, você sabe.
Eu sabia, ela mesma havia dito. Mas é difícil entender como outra pessoa se sente. Você só pode ser uma de cada vez. Gina não entendia como eu me sentia... E era difícil explicar. Havia temor e muito mais. Queria que ela ficasse guardada para mim, só isso.
- Eu gosto muito de você, não quero discutir.
- Então não vamos discutir, Harry.
Ela tentou se aproximar, mas me afastei.
- Só me diz mais uma coisa.
- Fala. – ela parecia cansada daquilo.
- Se não fosse por mim, você iria com Draco?
Ela suspirou.
- Eu não sei. Não dá para medir as possibilidades na nossa vida. Se não fosse por mim, você namoraria a Cho? Talvez... Sim ou não. Sem você muita coisa seria diferente. Talvez eu nem conhecesse o Draco.
Eu gostava tanto, tanto dela... Gina era magnífica. Ela sabia dizer as coisas certas nos momentos certos.
Eu a puxei e a abracei, então disse:
- Draco está dando em cima de você.
- Ela dá em cima de todo mundo. É o jeito dele, não é nada sério. Você vê coisas onde não têm.
- Ele quer você.
Ela me olhou.
- E eu você. Eu não nego que Draco possa querer algo, mas ele quer alguma coisa com toda garota. Ele não gosta de mim. Não há nenhum interesse legítimo.
- Eu não gosto que você flerte com ele.
- Eu não flerto com ele! Você sabe. Só com você.
Ela sorriu e me beijou. Foi muito doce. Na minha cabeça, aquela estranha cena surgiu: nós dois nos beijando em um banheiro estranho.
E eu já tinha me esquecido o porquê de estar chateado. Meus pensamentos estavam ali, nela. Naquele vestido azul marinho, na meia branca cumprida. Eu adorava aquelas meias. Minha mente estava limpa de tudo, menos dela. Eu podia sentir as pernas de Gina roçar nas minhas, algo quente e tortuoso crescendo em mim.
Eu a beijei com mais vontade. Minha mão sumiu embaixo de seu vestido...
- Harry!
No chão, meu casaco e camisa foram jogados de lado. Não pela primeira vez, mas provavelmente a mais perigosa até o momento, nada, nada mais importava. Gina sob mim, suas pernas me enlaçando, nosso abraço... O contato um com o outro preenchia tudo.
- Não aperta tão forte. – Gina tocou minha mão sobre sua coxa – Vai deixar marca.
- Ta.
Mas eu não tirei minha mão dali, só a subi mais, sentindo a pela macia. Minhas costas ardiam onde ela passava as unhas, que estavam curtas, mas mesmo assim... Eu queria mesmo era tirar aquele vestido cheio de botões e...
Ficamos por vários minutos ali. Só quando, lá de baixo, ouvimos alguém gritar que o almoço estava pronto que nos separamos.
Gina estava bagunçada, mas, fora isso, continuava apresentável. Quanto a mim só precisava da camisa.
- Eu vou na frente. – ela me disse.
Levantou-se descabelada. Observei-a ajeitar as roupas e mudar a expressão do rosto. Notei seus pés se moverem pelo chão, o movimento do vestido ao caminhar, as meias que terminavam um pouco acima do joelho, a pele à mostra... que antes eu estava tocando. Meus olhos ficaram ali, naquele pedaço de pele branca e inocente entre a meia e o vestido...
Na porta, ela voltou-se a mim:
- Desça em dois minutos.
Então saiu e me deixou sozinho.
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* Gíria em inglês para expressar um cara que é confiante e não muito sério, que se comporta do jeito que quer, sem pensar nos outros.
Aos Leitores:
triste, triste... a segunda metade do capítulo foi simplesmente lamentável. td mudou do q eu havia planejado. eu escrevi a primeira parte há pouco menos de 2 meses atrás e a segunda essa smn e simplesmente ñ acertei o tom... o harry estava particularmente sensível nesse domingo de páscoa. foi só por isso q ele ficou meio q depressivo e tal no começo da segunda parte. sinto q esse ñ é o comum dele. fazer o harry sempre é mais difícil, mas dessa vez foi meio impossível. eu sinto mt. tbm soou horrível para vocês? se sim, me digam. e eu tenho más notícias: o próximo cap vai ser de calmaria tbm, mas vms ver mais da relação dos dois com os outros. e depois... a festa. depois dessa festa as coisas vão... ficar mais temperadas, digamos assim. e se eu desapontei alguém com esse capítulo, eu sinto muito. estou ficando mt enfadonha, ñ? d qq forma mandem reviews, pf, sempre estou interessada em saber oq pensam. além disso, elas (as reviews) inspiram a escrever... elas são a única forma de saber q alguém lê as fics. se ning deixa review, presumo q ning lê e se ning lê, ñ tem razão escrever. e continuem acompanhando a história e ñ desitam de mim, pf!
ahh, por falar nisso: eu comecei uma nova história e qm ainda ñ leu, leia. está td bem parado ainda, mas eu garanto q vai ficar boa. acho q vai ser bem diferente do q vc's encontram por aí. a gina tem algo de estranho e mal formulado dentro dela. eu estou bem satisfeita com os planos q tenho. e em breve... vai ter uma coisa nova, uma surpresa. fiquem de olho!
e antes que puxem minha orelha pela demora, eu peço desculpas. qm quiser saber mais detalhes do motivo, passe no meu perfil q está td lá.
vou agradecer a tds q estão lendo, os q não comentam q os que comentam. esses últimos, dêem uma olhada abaixo nas suas respostas (curtas, dessa vez).
Beijo e até mais!
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Respostas às reviews:
o AluadaMax: ohh, que bom q a gina lhe parece familiar e tal. espero q vc continue lendo e gostando da fic. eu te mandei uma PM falando do harry parecer com o louis garrel na verdade. vc viu? bjoo.
o Patty Carvalho: hehehe, obrigada. espero q vc continue lendo e gostando. bjoo.
o Guta Weasley Cullen: ohh, que palavras adoráveis! obrigada! esperarei sempre suas opiniões sobre a história. bjoo.
o Thierry Harry: oh, rsrs. fazendo das suas as minhas palavras: desculpe por esta resposta fraca, mas estou caindo de sono! espero q vc continue lendo e comentando. bjoo.
o RaFa Lilla: nossa, mt obrigada pelas palavras e pelos votos. desejo o msm a vc! esperarei suas reviews sempre. bjoo.
o Grace Black: uau, rsrs. obrigada. espero q vc continue lendo, gostando e comentando. bjoo.
o Marininha Potter: ohh, tbm acho o relacionamento deles maravilhoso, apesar de td. isso me inspira a escrever. espero continuar te "vendo" por aqui, hauahuahua. (vai ter harry e cho daqui a pouco, é só cotinuar lendo e esperar.) bjoo.
o Priscila Louredo: olá! hehe, obrigada. espero continuar lendo suas reviews e q vc continue gostando. espero ñ desapontar ninguém. bjoo.
o Pedro Henrique Freitas: depois da sua PM adorável, vc merece mais algumas linhas, rsrs. como sempre, seus comentários são verdadeiramente inspiradores. obrigada é td q eu posso dizer, mas ñ é suficiente para expressar o quão feliz sua opinião me deixa. valeu! espero q vc continue lendo, e espero ñ desapontar ninguém com capítulos como o de hj e tal. bjo.
o Genevieve W. Potter: ohh, ñ se lamente antes da hora. vai dar td certo no fim. obrigada pelas palavras e continue lendo q td vai ficar ok. bjoo.
o Andy Weasley Potter: nossa, obrigada! rs. e ñ se precocupe com o fim, leia e vc verá como as coisas serão. acho q ning vai se lamentar realmente, caso eu continue com a msm idéia até o fim. bjoo.
o Anna Weasley Potter: ohhh, obrigada. "mágico" é uma excelente palavra. e o baile vem logo! bjoo.
o Mariana Rocha: ohh, quero saber sua opinião sob esse cap. está repetitivo de novo, ñ está? bjoo.
o danda jabur: ahh, a gina é meio pamonha com o harry. mas ela vai ter a lição dela. espere e verá. olha, creio q a fic deve ter uns 25 capítulos, algo em torno disso se eu ñ mudar de planos e tal, mas ñ creio. bjoo.
o Eeva Uchiha7: uhh, review fresquinha a sua, rs. espero q vc chegue logo nesse cap e, qnd isso acontecer, deixe mais reviews, rs. agradeço as palavras e espero q vc continue lendo. (capitu amava mt bento para traí-lo... ela o esperou por tanto tempo e foi fiel, ñ seria justo e lógico ela jogar anos de espera pro ar assim de repente) bjo.
