Gina

Os corredores estavam cheios, já que as aulas tinham acabado de terminar e cada um procurava sair dali o mais rápido possível. Me despedi de alguns conhecidos, que estavam indo para o lado oposto do meu, e continuei meu caminho.

Virei outro corredor e saí no pátio da escola, então fui para além da construção que havia ali e cheguei à entrada do campo de futebol. Cruzei o espaço pelas arquibancadas e, enfim, estava perto dos vestiários e dos bebedouros, além da quadra de vôlei e da de basquete.

Procurei por Harry, que parecia estar em lugar nenhum. O primeiro pensamento que veio na minha mente foi que ele e Cho Chang estavam escondidos em algum canto, mas deixei isso de lado. Era besteira. Ele devia estar no banheiro ou simplesmente fora da vista, não atrás dos vestiários se agarrando com alguém. Talvez nos bebedouros...

Não, Harry não estava perto dos bebedouros. Quem estava ali era Draco conversando com Pansy Parkinson. Onde...?

- Gina?

Me virei para encontrá-o. Ali estava meu motivo para me meter na aula de educação física daquele pessoal.

- Ei, Harry. Onde estava?

Olhei ao redor procurando Cho, mas ela não estava por ali. Acho que Harry percebeu exatamente o que eu estava fazendo.

- Na sala do professor. Fui ajudá-lo a guardar as bolas e todo o resto.

- Vocês não vão jogar hoje? É quinta e...

- Vamos, claro. Mas fui guardar bolas de vôlei, sem utilidade alguma no futebol. O que você quer?

- Avisar que não vou embora com você hoje.

- Você já me disse isso de manhã. – ele ficou em silêncio por um momento, então sorriu - Você é terrível.

Claro que Harry estava se referindo ao fato de eu ter ido ali apenas para dar uma investigada, para ver se as meninas, ou melhor, se Cho estava ciscando ao redor dele. E ela não estava.

- Estou indo – disse antes de partir.

- Se você quiser que eu te pegue depois, me liga.

- Ok, mas não precisa. A Hermione está com o carro da mãe dela. Tchau!

- Tchau.

Comecei a voltar pelo mesmo caminho que tinha feito. Passando em frente ao vestiário feminino ouvi vozes e risadas, e imaginei que Cho estava lá dentro. Ela podia cair e rachar a cabeça...

Eu estava indo encontrar Luna e Hermione. Nós três iríamos, depois de enrolar por dias, procurar nossas fantasias para a festa da escola, que seria em pouco mais de uma semana. Eu não tinha nada em mente e esperava que as meninas pudessem me ajudar.

Enquanto passava em frente às arquibancadas, com a grama verde e gasta sob meus pés, ouvi alguém fungar em algum lugar atrás de mim. Me virei para ver, a apenas alguns passos, Pansy Parkinson chorando discretamente. Ela andava nas arquibancadas e parou assim que me viu.

- Estou bem – se apressou em dizer -, foi só... Uma coisa que caiu no meu olho.

Claro, com certeza.

Ela continuou e passou à minha frente. Ainda fiquei parada por alguns segundos, depois continuei.

Eu não a conhecia muito bem, mas me deu uma pena vê-la chorar! Era sempre assim quando via pessoas chorando. E mesmo sem ter muito contato com a garota quis consolá-la de alguma forma, mesmo que não soubesse como. Então só segui meu caminho.

Contudo, em determinado momento, Pansy simplesmente desistiu de fingir que era só um cisco no seu olho. Ela sentou na arquibancada com o rosto escondido nas mãos e começou a chorar muito. Chorar de verdade, chorar mesmo. Eu fiquei paralisada a distância, sem saber o que fazer.

Relutante, subi as arquibancadas e cheguei ao ponto em que ela estava.

- Err... Pansy?

Ela me olhou por entre os dedos e fez um gesto negativo com a cabeça. O que ela negava eu não sei.

Devagar ela se acalmou um pouco. Ainda estava com a roupa de educação física e trazia folhas de papel, das usadas para secar as mãos, que usou para secar as lágrimas, que teimavam em cair.

- Você está bem? – me permiti perguntar.

Ela fez mais uma vez aquele gesto negativo. Não disse nada por um bom tempo. Eu sentei ao seu lado, mas não muito perto, para lhe dar espaço, e fiquei observando o campo, como ela fazia. Tinha uma grama despendida, mas bem verde, e havia árvores e morros ao fundo. A parte de trás da escola dava para algum tipo de floresta. Devia ser muito tranqüilo ali.

Ao meu lado Pansy tinha parado de chorar.

- Você está bem? – perguntei mais uma vez.

Ela me olhou por um momento.

- O que você faz se alguém que você ama te desaponta? Fode com você de verdade, sabe?

Ela secou rápido, mas eu vi algumas lágrimas caírem.

Era uma pergunta difícil. Eu pensei na resposta a dar, se devia ser a resposta certa ou uma resposta sincera, mas o fato era que eu não sabia resposta nenhuma. O que você faz? O que eu faria? Eu pensei em Harry... Pensei em Cho Chang, provavelmente naquele banheiro, tomando banho e conversando com as amigas. Mesmo se ele ferrasse com tudo, que me magoasse e desapontasse, eu estaria ali para ele?

- Você a perdoa. – eu respondi – Ou deve tentar parar de amá-la.

- E isso é possível?

Era?

- Não. Eu acho que não.

- E perdoar? Você não pode perdoar tudo. Você precisa ser forte e fazer o melhor para você. – ela parecia ter certeza daquilo – Perdoar tudo não é bom. E talvez a pessoa não queira ser perdoada. Talvez ela não lhe queira mais...

Pansy recomeçou a chorar, e me aproximei e passei meu braço por seus ombros. Ela parecia estar sofrendo de verdade.

Depois de alguns minutos ela se acalmou mais uma vez e disse que estava bem.

- Tem certeza?

- Tenho. Não, eu... Eu vou ficar bem. Essa é a parte boa de já ter se apaixonado e ter seu coração partido, sabe? Você aprende que passa. Não vai ser fácil e vai doer muito ainda, mas vai passar.

Pensei sobre aquilo... Como ela podia ter tanta certeza?

- E talvez eu nem o ame de verdade. – ela continuou – Talvez seja só uma paixão enorme.

- E não é a mesma coisa?

- Não. Na paixão você se perde, no amor ainda tem o controle de si, sabe? É assim que é, é o que acho.

- E como você pode saber se é amor ou paixão? Você não pode.

- Pode sim. Quando passar, quando você estiver bem, você olha para trás e pode analisar tudo com clareza, porque está de fora. E tudo é óbvio e claro. Provavelmente vou dizer a mim mesma: "Você foi tão burra! Ele não era bom, foi só a paixão que te cegou". Mas até lá vai doer, sabe?

- Oh, Pansy...

Fiquei ali com ela por mais uma crise forte de choro. Por fim fomos embora e ela estava melhor. Acho que colocou tudo para fora e tentou seguir adiante. Ela não disse, mas eu sabia que chorava por Draco. Todos sabiam que eles tinham um rolo até pouco tempo atrás. Tipo muito pouco tempo atrás, como uns dias antes.

Nos despedimos no estacionamento. Ela foi para o carro dela, enquanto eu segui para o de Hermione.

- Você demorou um século! – ela reclamou quando cheguei – Onde o Harry estava, no Pólo Norte? Você teve que fazer um caminho até lá para avisá-lo que ia sair com a gente?

- Dá um tempo, Hermione – Luna pediu do banco do carona, quando entrei e o carro partiu.

Eu não disse nada, fiquei pensando no que Pansy havia dito, sobre poder saber se o que sentíamos era amor ou paixão quando tudo tivesse acabado. Será que era assim mesmo? Porque eu sentia que nunca poderia ver as coisas de fora com Harry, simplesmente porque nunca iria acabar. Mesmo se acabasse a relação, que ficássemos longe, o sentimento ainda sobreviveria. Então era amor não era? Tinha de ser! Quando você precisa tanto de alguém, louca e desesperadamente, tem que ser amor. Só pode ser. Paixão não pode ser assim. E talvez a gente ainda estivesse na época da paixão. Éramos jovens e tudo era proibido, seria normal estar apaixonado e amar. É. Era isso. Simples.

Hermione e Luna estavam conversando na frente. Luna descrevia a fantasia que desejava e Hermione insistia que de que quer que fosse a fantasia que Luna queria "não era de um ser que existia".

- Isso não existe, Luna. – Hermione frisava – Não é nenhum tipo de fada, duende, cavalo, unicórnio ou... ninfa. Nenhum ser místico, fantástico ou folclórico se enquadra nessa descrição. Por que você não vai com uma fantasia simples, como uma princesa ou uma dama medieval?

- Todo mundo vai assim, Hermione – Luna disse - Eu quero alguma coisa diferente! O tema da festa de primavera é "Uma noite de fantasia e terror", muito abrangente. Eu quero alguma coisa legal, única.

- Seu namorado vai de quê? – perguntei a Luna.

- Não sei. Acho que de Batman ou algum super-herói.

- O que é bem clássico – Hermione rebateu -, super-heróis. E não sei se eles se enquadram bem no termo "fantasia". É mais aventura do que fantasia. Os meninos vão de Três Mosqueteiros, talvez ele possa ser o D'Artagnan.

- Oh, Hermione – Luna reclamou –, ele não vai querer ser o D'Artagnan. Batman é muito mais legal.

- Você pode ser a mulher-gato.

- Hermione! – Luna e eu protestamos ao mesmo tempo. Casais irem com a fantasia correspondente ao par era muito batido.

- Combinar é legal! – Hermione se defendeu. Claro que ela só estava dizendo aquilo porque seria a dama histórica de Rony, com uma fantasia de mulher do século XVII.

- Vá de Alice. – sugeri a Luna - Com seu cabelo loiro ia ficar muito legal. Alice é uma ótima história e aberta a muitas interpretações. Eu iria de Alice, se fosse loira.

- Mas vai ter várias Alices na festa... Mas eu poderia ir como a Alice daquele jogo de terror, o American McGee's Alice. Claro que eu precisaria de uma peruca preta e uma faca falsa, mas eu poderia conseguir isso.

- E vai precisar sujar seu vestido de sangue. Ou tinta. – completei.

- É – Luna concordou -, mas não é nada impossível.

Com a idéia fechada para a fantasia de Luna, só faltava a minha. Discutimos possibilidades por todo o caminho restante até a loja, mas não chegamos a lugar algum. E quando chegamos lá não encontrei nada realmente interessante e que se encaixasse no tema da festa.

- Você pode misturar – a atendente sugeriu -, comprar peças diversas e fazer uma fantasia.

- Mas eu não tenho idéias. – rebati enquanto observava Luna, no computador da loja, mostrar para outra atendente fotos na internet da personagem que queria se fantasiar. – Não sei o quê misturar com o quê para formar algo legal.

Passamos muito, muito tempo ali. Experimentei mil coisas, gostei de algumas, mas nada adequado. Eu não podia ser uma mulher dos anos 60 numa festa cujo tema era "fantasia e terror". Luna, entretanto, serial totalmente "fantasia e terror" com a Alice macabra dela.

Uma vez decidida a fantasia das duas, Hermione e Luna vieram me ajudar. Foi uma tarde muito divertida, cheia de comentários e risadas. Por fim escolhi um vestido de feiticeira muito bonito, todo preto e sombrio, com alguns detalhes e bordados, mas não muito chamativo.

- Não é meio curto demais? – Hermione perguntou.

- Não – Luna respondeu por mim -, termina pouco acima do joelho, Hermione.

- Mas ele tem todas essas camadas para dar volume na saia, pode levantar quando ela dançar ou algo assim.

- Não tem tanto volume assim. – eu disse – E nem está muito curto. Não é?

Fosse ou não, foi aquele que eu levei, porque adorei o vestido. Ainda o acompanhavam um chapéu e uma varinha de condão, os quais eu decidi, ainda na loja, nunca usar.

Antes de ir para casa passamos no shopping mais próximo para comprar sapatos e acessórios. Perdemos mais uma hora ali, mas achamos o que de mais perfeito o dinheiro poderia comprar.

Quando eu cheguei em casa já era tarde. Logo mamãe e papai chegariam também. Me despedi das meninas e subi correndo para mostrar tudo a Harry, porém mudei de idéia no meio do caminho. Faria uma surpresa para todos sobre o que usaria. Reparei que a porta do quarto dele estava fechada quando entrei no meu para guardar as coisas.

- Harry? – gritei enquanto escondia tudo no guarda-roupa – Cheguei!

Ele não respondeu, mas a porta de seu quarto não estava trancada. Quando entrei vi que ele estava deitado na cama, dormindo, com o cabelo ainda molhado do banho e enrolado apenas numa toalha.

Devia ter chegado exausto, tomado banho e caído na cama, sem nem ao menos se dar ao trabalho de puxar a colcha.

Uma parte de mim queria deixá-lo dormir, mas uma outra queria acordá-lo logo. Enquanto não decidia, peguei a mochila dele jogada no chão e resolvi guardar. Tudo no quarto já estava um pouco bagunçado, apesar da minha certeza de que Jane, a empregada, havia arrumado tudo naquele mesmo dia.

Quando guardei a mochila no guarda-roupa, entre os sapatos, vi um bolo de roupa em um canto que sabia que não ficava ali. Jane não arrumava nossos guarda-roupas, então eles eram sempre um pouco bagunçados, principalmente o de Harry, mas eu sabia que ele não guardava casacos de inverno no meio dos sapatos. Talvez tivesse caído ali, então resolvi por no lugar.

Quando peguei o casaco algo caiu do meio dele. Olhei no chão e vi o verso de uma caixa quadrada de chocolates, enrolada com uma fita verde. Antes de pegá-la guardei o casado no lugar.

Eu gostava daqueles chocolates. Eram de uma doceria conhecida na região, a caixa denunciava. Quando a virei de frente, vi que havia um cartão ainda fechado, intocado como os chocolates, preso no laço na fita. "Para Harry" era tudo que estava escrito. Me enchi de curiosidade e não hesitei em abrir. Então entendi porque a caixa estava escondida no guarda-roupa.

Estava escrito no cartão, assinado por Cho Chang: "Boa Páscoa! Espero que seus dias se tornem mais doces com esses bombons. Lembre-se de mim quando isso acontecer".

Eu deixei tudo do jeito que encontrei, como se nunca tivesse mexido ali. Então fui até a cama e me deitei do lado de Harry, colocando a caixa onde ele não podia ver.

- Harry? – chamei – Harry, acorda.

Ele abriu os olhos sonolentos e sorriu.

- Olá. – esfregou os olhos e sentou-se, espreguiçando – Que horas são?

- Não sei. Mas adivinhe?

- O quê?

- Tenho uma surpresa para você.

Ele pareceu animado.

- Ah, é? O quê? O que é?

- Surpresa!

Peguei a caixa atrás de mim e ofereci a ele. Continuei sorrindo com pouco caso quando ele pegou a caixa e ficou sério.

- Você mexeu no meu guarda-roupa. Você leu o cartão?

- É claro que eu li o cartão. O que você queria, que não tivesse lido? – eu já não estava sorrindo. Estava aborrecida.

Vi Harry arrancar o cartão e ler o conteúdo da mensagem. "Eu já devia ter jogado isso fora e comido o chocolate", murmurou para si ao rasgar o papel.

Ele foi ao banheiro, jogou os restos do cartão no lixo, voltou para a cama, abriu a caixa de chocolates e começou a comer os bombons. Assim, se me dizer mais nada. Eu fiquei muito puta com ele.

- Você quer? – ele ofereceu.

Em um milésimo de segundo toda a caixa de chocolates estava no chão e eu estava de pé, gritando e esbravejando. Chamei-o por todos, todos os nomes sujos que eu conhecia, porque ele estava sendo ridículo com aquela atitude.

- VOCÊ NÃO VAI ME DIZER NADA? – perguntei em dado momento – VAI FICAR AÍ NESSA CAMA ME OLHANDO COM ESSA CARA DE BUNDA? VAI, SEU FILHO DA PUTA COVARDE?

- A minha mãe é a mesma que sua. – foi tudo que ele me respondeu.

Eu fiquei tão nervosa, tão nervosa, mas tão nervosa que simplesmente... Me tranquei no banheiro para vomitar, como era costume quando ficava assim. Eu estava puta, brava, zangada, enraivecida não por ele ter recebido os bombons, mas por ele não ter me contado e, principalmente, por estar agindo daquela forma ridícula como se nada tivesse acontecido!

Harry nem bateu na porta, porque sabia que era o melhor para ele. Eu terminei, escovei meus dentes, lavei o rosto, mas ainda estava brava. Muito brava. Sai do banheiro e ele ainda estava me olhando com aquela cara, sentado na cama.

Fui até lá, levantei minha mão e deixei a marca dos meus cinco dedos no rosto dele. Os cinco, perfeitinhos de um lado, e não tão perfeitos do outro. Os travesseiros foram para o chão, os objetos de um dos criados, alguns da escrivaninha, roupas do guarda-roupa... E Harry quieto, e seu silêncio me dando forças para quebrar mais coisas e batar nele.

- EU ODEIO VOCÊ! QUERO QUE MORRA! MORRA! MORRA! MORRA! MORRA! MORRA!

Pisei em alguma coisa molenga. Era um chocolate.

- PORRA! OLHA O QUE ME FEZ FAZER: DEPERDIÇAR CHOCOLATE! TEM GENTE PASSANDO FOME, NÃO SABIA NÃO?

Harry se levantou e vi que estava tentando controlar a raiva. Queria que ele se descontrolasse também, que brigasse comigo de volta. Ele veio até mim, eu recuei. "Vai me bater", pensei, mas tudo que fez foi, com força, me agarrar pelos braços e me puxar.

- ME LARGA! ME SOLTA!

- VOCÊ QUER BERRAR? QUER GRITAR, QUER FAZER UM ESCÂNDALO? QUER CHAMAR OS VIZINHOS AQUI? VOU TE DAR UM MOTIVO!

Tentei me soltar, mas ele tinha força e a usava contra mim. Ele me arrastou para o banheiro, meus braços doendo onde ele segurava, e eu tentando arranhá-lo, socá-lo e dar tapas para me soltar, mas ele não largava. Só me agarrava com mais força, me sacudia, gritava e eu gritava de volta.

Ele me agarrou pelo entebraço e abriu o chuveiro. Entre lutas e gritos, me arrastou para dentro da banheira e me colocou em pé embaixo do chuveiro aberto, berrando.

- ME SOLTA, HARRY, ME SOLTA!

- VOCÊ TEM QUE ESFRIAR A CABEÇA, GINA. – ele falou com sarcasmo.

- NÃO, ME LARGA! ME LARGA! – a água estava gelada e eu estava imobilizada por seus braços. Nem podia chutá-lo, porque ele me prendia por trás. Mas pelo menos ele estava sofrendo com a temperatura da água quase tanto quanto eu.

- GRITA MAIS! – ele berrou no meu ouvido – GRITA PORQUE OS VIZINHOS DO FIM DA RUA AINDA NÃO OUVIRAM! GRITA PORQUE AGORA VOCÊ TEM UM MOTIVO, SUA LOUCA VARRIDA, ESCADALOSA!

- VOCÊ É RIDÍCULO!

- E EU ODEIO VOCÊ! ÀS VEZES ODEIO VOCÊ! – ele me colocou contra a parece, me virando de frente para ele. Ainda não podia bater em Harry, porque ele segurava meus braços com força, mas tinha muita vontade – PRECISA CRESCER! VOCÊ É UMA CRIANÇA BIRRENTA AINDA! FOI MAL EDUCADA, PRECISAVA LEVAR UMAS PALMADAS!

- ENTÃO ME BATE! NÃO É ISSO QUE VOCÊ QUER?

Ele levantou a mão e me encolhi contra a parede como pude, o que não era muito. Porém, o tapa não veio. Quando olhei para Harry, ele me fitava com raiva, a mão ainda erguida, e fazia enorme esforço para se controlar.

Por fim ele abaixou a mão e me largou, me jogando contra o canto do boxe. Eu quase caí no meio de tanta água.

- Eu odeio você, odeio, ás vezes. – me disse – É ridícula, uma criança birrenta.

- E você um cuzão. – rebati. – Se fosse o contrário o que você ia fazer? Ia ficar todo estranho e calado e eu ia ter que ficar "Harry pra cá, Harry pra lá" só para ver se você melhorava o humor. Perdedor.

Ele veio para cima de mim de novo, mas se controlou. Quando eu vi que ele não ia mesmo me bater, ergui o queixo e o enfrentei com o olhar.

Ele continuava lindo. Lindo! O cabelo molhado caindo sobre a testa e os olhos, a toalha perdida entre o banheiro e o quarto, ele em sua altura me encarando com fúria. Estava lindo como sempre. Acho que ele pensou o mesmo de mim, porque nós estávamos ali bravos e então com os braços um ao redor do outro, nos beijando com o chuveiro aberto.

E foi o melhor beijo jamais dado até aquele dia, porque foi uma explosão. Não era novo, não havia línguas, não era livre, mas era muito bom. E de beijo em beijo, passou um certo tempo.

Ambos estávamos sem fôlego quando nos separamos. Abracei-o forte e, sim, estava tudo ali, ele estava sob minhas mãos.

- Eu amo você, sinto muito – eu disse.

- Shhh. Ta tudo bem.

Ele me abraçou com mais força ainda, uma das mãos em meus cabelos. E o chuveiro continuava aberto. Estávamos protegidos da água gelada de onde estávamos, mas nossos pés estavam congelando.

Nos beijamos novamente antes de nos soltarmos. Harry desligou o chuveiro e saíamos dali. Fora do boxe, pedimos "Desculpa" ao mesmo tempo e rimos pela coincidência.

- Desculpe, de qualquer modo. – Harry continuou.

- Foi minha culpa também. Desculpe.

- Ta tudo bem.

No silêncio nos entendemos e rimos. Ele me abraçou e estremeceu. Eu devia estar gelada com aquelas roupas molhadas.

- Toma. – ele me passou uma toalha.

Eu ainda fiquei lutando contra as roupas e pingando água quando ele secou-se e saiu para vestir algo. Me livrei do agasalho e da blusa, mas o jeans molhado estava colado na minha pele.

- Harry, acho que vou precisar de uma mão aqui.

- Um minuto.

Ele apareceu com a mão cheia de chocolates, que jogou no lixo.

- O restou vou deixar para Jane arrumar amanhã. O que foi?

- Eu não consigo tirar minha calça.

- Eu tenho certeza que há uma tesoura por aqui...

- Harry!

- Estou brincando. – ele riu – Senta aí.

Sentei na tampa do vaso, Harry puxou pelo pé, forçou, mas a calça não saía.

- Por que você usa calças tão abertadas?

- É skinny, Harry. E seca não estava apertada, mas você a molhou. Jesus! Por que não sai? Eu to com frio.

- Vem cá.

Deitei na cama dele e encharquei-a, mas depois de uma luta de 10 a 0 para a calça, ela enfim saiu. Mas ao menos o episódio rendeu boas risadas.

Fui tomar um banho quente enquanto Harry descia e colocava tudo para secar. Eu merecia um banho bem relaxante de banheira pela longa tarde.

- O pai e a mãe chegaram – ele me avisou quando voltou.

- Ainda precisamos conversar – disse antes que ele me deixasse sozinha ali. Nossa conversa não havia terminado.

- Vou para a sala de tevê agora. Depois, ok?

Tive de concordar, não havia outra opção.

ooOoOoOoOoOoo

Depois do jantar Harry e eu subimos enquanto mamãe e papai ficaram lá embaixo, com a louça e todo o resto. Estávamos no quarto dele conversando baixo, porque meus pais ainda estavam acordados e, por isso, a porta estava aberta.

- Por que você não me cotou? – perguntei a Harry depois de uns dois minutos cheios de pedidos de desculpas por ambos os lados – Eu só quero saber o porquê de mentir. Me faz pensar que você está escondendo alguma coisa.

- Eu não menti, omiti. E eu só não falei nada porque sabia que você não ia gostar.

- Mas se você tivesse me contado antes, nada disso teria acontecido. Isso não vai funcionar com mentiras, Harry. Eu pensei que você me contasse tudo, como eu te conto.

- Você sabe de tudo realmente relevante que acontece na minha vida, Gina, mas... Isso não era relevante. Eu ia comer os bombons, jogar o cartão fora e - puf! Você nunca ia ficar sabendo de nada. Simples, Gina. Mas eu esqueci que os bombons estavam lá.

Sentada na cama dele, observei-o à minha frente. Com a cara mais deslavada do mundo ele me dizia que eu não precisava ficar sabendo de nada.

- Só que isso é algo que eu gostaria de saber, Harry. Se você tivesse me contato eu não teria gostado, mas são só chocolates, pelo amor de Deus! O que você acha que eu iria fazer, jogar tudo fora?

- Você diz isso agora, porque já passou. Você ia ficar chateada.

- Ia ficar aborrecida com ela, a Cho, não com você. Você não pediu que ela te desse chocolates. Que dia ela te deu isso?

- Terça.

- Terça-feira agora? Antes de ontem?

- Foi. Terça depois da Páscoa. E eu não dei nada para ela, antes que me pergunte. Fiquei surpreso. Não imaginava que ela me daria alguma coisa.

- Claro... – suspirei – Mas o que me deixou chateada, muito chateada hoje, foi você simplesmente se negar a falar sobre isso. Que atitude ridícula!

- Você estava brava! Eu não ia conversar com você no meio de um ataque de raiva.

- Não, não senhor! Eu só fiquei brava quando você se recusou a falar. Se me visse com alguém, ou encontrasse o cartão de alguém para mim nas minhas coisas, e eu me recusasse a falar, você ia fazer o mesmo.

- Não ia dar o showzinho que você deu. – ele disse com desdém.

- Porque você é contido! Simplesmente fica sentado esperando até não aguentar mais! Harry, olha... – eu não queria brigar de novo, e me obriguei a ficar calma – Eu só quero que você me conte as coisas. Me conte tudo, como antes.

- Eu conto! Só não disse isso.

- Eu não posso ter certeza, posso?

- Se você acreditar em mim, sim.

Frustrada, porque ele parecia não querer entender o que eu dizia, me deitei na cama. Harry ficou sentado ali, me olhando.

- Não fica puta, é verdade. Eu estou sendo sincero. Não tem nada acontecendo no momento que você precise saber, Gina.

- Bem, você achou que eu não precisava saber dos chocolates, e eu acho algo muito relevante a se saber. – sentei-me novamente - Eu quero que você me diga se alguém der em cima de você. E quero que você me diga se quiser responder a isso.

- Eu não vou! – ele se defendeu – A Cho não me interessa, ninguém me interessa, Gina, a não ser... Bem, você sabe. – ele olhou para a porta, como se alguém pudesse ter acabado de surgir ali, mas não havia ninguém. – Isso é ridículo.

- O quê? O que é ridículo? Você gostar de alguém? Eu gostar de alguém?

- Você está gostando de alguém?!

- Não! Mas, não sei, talvez possa acontecer, não é? Você gosta da Cho, senão não teria aceitado o convite dela.

- Eu não gosto dela.

- Gosta. Talvez não goste de se apaixonar e ficar, mas acha ela agradável.

- É diferente.

Neguei com um gesto. Não, não era muito diferente.

- É um pulo, Harry. Você pode me amar e se apaixonar por alguém.

- Não. – ele parecia confuso com o que eu estava falando – Quem disse isso?

Eu dei de ombros.

- É só uma possibilidade.

- Não é, não.

- Mas você acha a Cho atraente, não acha? Acha ela legal, amigável?

- Gina, isso...

- Responde, por favor.

Harry suspirou antes dar minha resposta.

- Acho, ela é muito simpática e é bonita, mas isso não interessa.

- Vocês vão na festa de primavera juntos, Harry. Vocês serão um casal por pelo menos uma noite. Isso é totalmente relevante.

- A gente não combinou não falar sobre isso?

- Mas falta uma semana para o baile! A gente vai ter que falar sobre isso mais cedo ou mais tarde.

- Agora não, ta?

Me rendi:

- Ok, então. Mas me diz – aproximei-me dele um pouco -, você acha que me ama ou só está apaixonado por mim?

- Qual a diferente?

- Tem muita diferença! – estava pensando no que Pansy havia me dito.

- Não posso sentir os dois? Estar apaixonado e amar?

- Mas e quando a paixão acabar, ainda vai me amar?

- Ela nunca vai acabar.

- Como você sabe?

- Porque ela nunca se concretiza, Gina. – Harry abaixou a voz – Porque eu não posso beijar você, não posso tocar você, não posso fazer sexo com você. Não posso nem sair por aí segurando sua mão. Uma coisa que a gente não tem não acaba.

Eu fitei-o muito séria. Será que ele tinha noção de como aquilo soava horrível?

- Isso soa horrível.

- Mas é a verdade, Gina. O que você quer que eu diga?

- Que tudo vai ficar bem e a gente vai ser feliz.

- Não sei se vai ser assim.

- Mas é o que eu quero ouvir! Mesmo que seja mentira.

Harry suspirou.

- Desculpe. – ele pensou por um tempo, parecendo preocupado, e eu fiquei observando suas feições. Então continuou – A gente só vai ser feliz se for livre: livre do que as pessoas pensam, das imposições sociais, da nossa própria cultura, principalmente. Livre de todos os conceitos de certo e errado que ela impõe pra gente.

- E isso é possível?

- Para mim, hoje não. Talvez um dia.

- O que você quer dizer?

Eu estava confusa.

- Que talvez não me importe de sair por aí com você, segurando sua mão e te beijando na rua um dia.

Agora estava chocada.

- O quê?! Harry! – aquilo era ultrajante – Harry! Você ta bem? Pelo amor de Deus! Nós somos... – não, eu não conseguia dizer – James e Lily Potter são meus pais, e são seus pais também! Você sabe o que isso significa!

- Fala baixo! E sim, eu sei o que significa: que nós somos irmãos.

- Não diga.

- Bem, mas é o que é. Eu estou dizendo, e não posso ter certeza, mas talvez um dia, talvez eu possa ser corajoso o suficiente para sair por aí e dizer que gosto de você. Eu não sei, é só uma possibilidade. Tudo é possível no mundo. A gente pode morrer amanhã, o planeta pode ser destruído por alienígenas, Elvis pode aparecer vivo...

- Você não está bem. – eu estava verdadeiramente assombrada com o que ele estava me dizendo – Não está bem. Você precisa usar a lógica, Harry. E... Pense na Lily e no James, pense nos nossos amigos, na nossa família! As pessoas iam nos apontar na rua, nos criticar e xingar, como se fosse a Caça às Bruxas do século XXI! Isso é errado, Harry! Isso é errado, você sabe, eu sei. Por que está dizendo isso?

Eu estava quase chorando. Harry estava me fazendo ficar péssima.

Ele se aproximou até estar bem perto e tomou meu rosto entre suas mãos. Me olhou com atenção e rigidez, muito sério.

- Presta atenção: eu não disse que vou fazer nada disso. Eu disse que é possível, um dia, como também é possível que nunca aconteça. Talvez eu perca a coragem amanhã. É só uma coisa que eu penso às vezes. Só entenda uma coisa, Gina. Eu - eu, você não precisa compartilhar minha opinião – estou cansando disso. Eu quero você. To cansado das regras. Eu não aguento mais! Eu... Eu quero você. Amo você. Eu sinto culpa, muita culpa, entro em conflito, mas eu quero você. Ninguém precisa saber. Que se dane o resto!

Ele tentou me beijar, mas eu não pude. Me levantei e fiquei longe dele. Que coisa... Nojenta, asquerosa, suja ele estava me dizendo! Eu estava chorando, porque não queria ele ali. Queria o Harry, o meu Harry, que sempre concordava comigo e compartilhava opiniões.

Eu não podia olhar para ele, não podia olhar sem pensar...

- Meu Deus!

Tudo soava horrível e tudo fazia sentido, porque Harry dizia tanto do que eu mesma sentia e não podia admitir... Não, não podia. Talvez ele fosse mais forte do que eu, afinal.

- Desculpe. – ele me disse – Não devia ter dito isso.

- Harry, eu... Eu não sei o que dizer. – estava tentando parar de chorar, mas não conseguia.

- Eu devo estar parecendo um louco para você agora, né? Um tarado, que...

- Não, claro que não! Eu só preciso de um tempo par digerir o que me disse. Ta tudo bem.

Eu me aproximei e toquei seu rosto, como para confirmar o que havia dito, mas não deu muito certo, porque minha expressão me denunciava.

- Não está tudo bem, você está chorando! Desculpe.

- Não se desculpe! Eu amo você também, eu quero dormir do seu lado, transar com você, beijar você, segurar sua mão, mas... Eu não posso lidar com tudo isso, Harry! Por favor, por favor, não me peça mais do que posso te dar. POR FAVOR!

Ele me abraçou, e chorei desesperada agarrada a ele. Harry dizia "Não, não, não chore", "Desculpe", "Sinto muito", "Está tudo bem" e coisas do tipo a todo instante, mas eu não conseguia me controlar. Eu estava chorando tanto e tão alto e nem sabia bem porque estava chorando.

Eu ouvi passos no corredor. Pelo barulho dos saltos sabia que era mamãe. Estava vindo para o quarto de Harry.

- O que está acontecendo? Por que ela está chorando? – mamãe, preocupada, me tirou dos braços de Harry com pressa e me abraçou. Agarrei-a com força e chorei em seu ombro. Nada melhor do que a mãe nessas horas – O que foi, Gina? O que aconteceu? Harry, o que aconteceu?!

- Eu... – Harry não sabia o que dizer. O quarto dele estava uma zona desde o incidente da tarde e ele precisava de algo que justificasse meu choro e os objetos espalhados – Eu não sei muito bem, ela...

- O que foi, Gina? – a voz de papai perguntou. Eu nem sabia que ele estava lá também. – O que aconteceu?

- Você bateu nela? – minha mãe perguntou brava e Harry respondeu "Não", o que me fez presumir que ela estava falando com ele – Então o que aconteceu? Fala, Harry!

- E-eu não sei! Ela... Ela apareceu aqui chorando, jogando tudo no chão, quebrando tudo... Parece, parece... Eu não sei, tem a ver com um garoto que ela gosta ou algo assim...

- Alguém machucou você? – papai perguntou furioso, tentando me soltar da mamãe e ver se todas as partes do meu corpo estavam no lugar – Alguém fez algo com você, Gina? Um garoto?

- Acho que o cara que ela gosta está namorando com outra, é isso – Harry se apressou em dizer. Sua voz estava insegura.

- Não pode ser só por isso. – mamãe disse – O que está acontecendo, Gina? Me fala, minha filha!

- É isso. – consegui dizer entre lágrimas e soluços – Tem esse garoto e...

Ouvi mamãe dar um suspiro de alívio. Papai disse "Não acredito" e ouvi passos e a porta batendo. Quando enfim me soltei de mamãe, vi que ele não estava mais ali. Era quem tinha saído.

- Vá buscar um copo d'água para ela, Harry – mamãe pediu. Ele saiu correndo e nos deixou sozinhas.

Mamãe me sentou na cama e secou minhas lágrimas, me beijando em seguida.

- Gina, minha filha, se você sair quebrando a casa e chorando cada vez que alguém te desapontar, vamos ficar sem móveis e você sem lágrimas.

- Desculpe, mãe.

- Ta tudo bem. Só não faça de novo, ok? – concordei – Você me deu um enorme susto! É só isso mesmo? Não tem mais nada para me dizer?

Havia muito que eu queria falar, mas nada que podia.

- Não. Foi só isso. – mamãe foi no banheiro e voltou com lenços de papel. Me lembrei daquele dia a tarde, quando consolei Pansy – Tem esse garoto e ele começou a namorar uma menina aí.

- E você gosta muito dele?

- Ah, mamãe – Se eu gostava muito dele? –, você não tem idéia! E ele me disse umas coisas... horríveis!

- Ah, Gina... Não chora mais! É ruim, eu sei. Mas é a vida. Você vai ver, um dia vai encontrar alguém maravilhoso.

- Não vou, não.

Eu já havia encontrado.

- Vai sim. E vai rir disso. Vai ser difícil até lá, mas vai rir disso tudo.

- A água. – Harry reapareceu esbaforido.

Ele sentou do lado de mamãe e ficou me olhando. Eu queria e não queria pedir desculpas. Ele devia estar se sentindo péssimo por mim.

- Vamos, Gina, vou te por na cama – mamãe disse.

- Preciso escovar os dentes.

- Então vai.

Entrei no banheiro e fechei a porta. Meus olhos estavam vermelhos, o rosto inchado. Lavei-o e fiz todo o necessário, então saí.

Parecia que mamãe tinha decidido por todos os filhos na cama. Ele estava cobrindo Harry e lhe dando um beijo de boa noite. Eu ri da cena. Apesar de tudo éramos uma família.

- Boa noite, filho.

- Boa noite, mãe.

- Vamos para a cama agora? – mamãe me perguntou. Eu concordei, mas antes fui dar um beijo de boa noite em Harry também.

- Boa noite, Harry.

Mamãe estava atrás de nós, de forma que não poderia ver nossos rostos. Quando me abaixei, meu cabelo caiu sobre a face de Harry e lhe dei um beijo na boca que durou um instante a mais do que deveria. Ele ficou parado sem mover um músculo. De onde mamãe estava o gesto não pareceu mais do que um beijo na bochecha.

- Boa noite, Gina.

Nós duas saímos e o deixamos ali. No meu quarto mamãe arrumou a cama para eu dormir.

- Há quanto tempo não coloco minha filha na cama! – ela disse, quando se deitou ao meu lado e me abraçou – Vocês dois cresceram e passou tão rápido! Há poucos dias ainda eram bebês.

- Também não é assim, mamãe.

- É assim para mim! E olha só: Harry vai para a faculdade no próximo semestre e você ano que vem. Daqui a pouco vão namorar, casar e vou perder vocês.

- Não vai não! Eu amo você, nunca vou te abandonar.

- Vamos ver se não mesmo. Gina – ele continuou depois de alguns instantes -, o que aconteceu hoje exatamente?

Eu suspirei.

- Não quero falar sobre isso, mãe.

- Ta. Mas eu estou aqui, se quiser conversar. Só porque seu irmão – aquela palavra me feriu – é o único nessa casa com a sua idade não significa que só ele possa te entender. Ok?

- Ok, mamãe.

- Eu te amo muito, meu bem. - ela beijou minha testa em um gesto carinho. – É a melhor filha que eu poderia ter.

- Ah, mãe... Não sou não.

Não era mesmo. Estava longe de ser.

- Claro que é. Você é um anjo.

- Eu sou má.

- Você não é má. Não diz isso. – ela me olhou com atenção – O que está acontecendo, Gina?

- Nada.

- Nada? Eu te conheço. Eu sei quando tem alguma coisa errada com meus filhos. E tem algo estranho com o Harry também, ele estava nervoso essa noite. Mas se vocês não querem me falar o que é, eu respeito. Pelo menos sei que conversam e se ajudam. Sempre terão e a mim e a seu pai para te apoiarem, e um ao outro.

Ai, meu Deus!

- Mamãe, por favor... Eu não quero falar sobre isso nem sobre nada hoje, ok?

- Ok. – mas ela continuou mesmo assim – Vocês sempre se deram tão bem, não é, Gina? Eu fico feliz com isso.

- Mamãe!

- Tem irmãos que se detestam. Vocês se dão muito bem. Brigavam quando pequenos, mas sempre ficavam de bem no fim. Hoje nem brigam direito. Eu me lembro...

- Mamãe, por favor! Eu estou com sono, quero dormir. Só fica aqui comigo, ok?

- Ai, ok, Gina! Eu vou te deixar dormir. Vou só ficar aqui com você.

Ela apagou as luzes e ficamos deitadas embaixo das cobertas, eu tentando dormir.

Os braços dela eram um remédio reconfortante. Eu a amava e a papai muito, muito, muito! Só de pensar que um dia eles podiam descobrir... Não, não, não! Isso nunca aconteceria, eu não permitiria, Harry não permitiria. Não poderíamos permitir. Eu os amava muito para isso e sabia que Harry também. Ele só estava confuso.

Depois de um tempo o sono começou a chegar. Eu fiquei ali, quieta e abraçada à mamãe, até me perder na escuridão de um mundo de sonhos e pesadelos.


Aos Leitores:

ohh, eu gostei desse cap. o q vocês acharam? quero saber! estou feliz com o resultado final, pela primeira vez em alguns capítulos.
mais uma vez agradeço a todos que lêem e, principalmente, a quem lê e comenta. eu adoro ler reviews! adoro escrever e saber se gostam, pq gostam, se ñ gostam, do q ñ gostam... enfim. e no próximo cap: o baile! he, he.
espero que todos tenham ganhado mts chocolates nessa páscoa. o harry ganhou tantos q lhe causou problemas! eu certamente engordei de tantos ovos que comi. e se posso pedir algo, não deixem de ler minhas outras fics, ok?
para terminar quero agradecer profundamente a todos que comentam. não sabem como me fazem felizes! eu escrevo para que as pessoas leiam e a única forma de saber que isso está acontecendo é pelas reviews. obrigada, obrigada, obrigada pelas palavras sempre maravilhosas!
vou tentar correr com o próximo cap, mas as provas estão chegando e não sei se isso será possível.

Beijos e até a próxima.

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Respostas às reviews:

o SallyRide: oh, que legal!! espero que continue lendo e acompanhando aqui. bjs.

o Guta Weasley Cullen: o harry é maduro msm, mas às vezes escorrega. oq achou dele e do que aconteceu nesse cap? eu, novamente, agradeço pelas palavras tão gentis. espero realmente merecê-las. bjs.

o Grace Black: hehe, os tipos de comida acho q foram precisos. espero q vc tenha gostado desse cap tbm. vai ter mais um pouco de draco no próximo. bjs.

o Anna Weasley Potter: oh, que bom que achou q a demora valeu a pena. espero q essa última tbm tenha valido. e estou continuando com a fic, viu? e que venha logo o baile msm! bjs.

o Patty Carvalho: oh, rs. obrigada pelas palavras. gostei da review. obrigada por ler e comentar. tentei ñ demorar tanto dessa vez. bjs.

o Pedro Henrique Freitas: oh, o meu leitor mais assíduo! rs. obrigada, como sempre, pelas palavras. adoro suas reviews. e obrigada por acompanhar tbm minhas outras fics. vc é adorável. obrigada sempre! bjs.

o danda jabur: ohh, eu queria q a cena da rua vazia fosse mais específica, mas simplesmente ñ deu. vou tentar detalhar mais as coisas nos proximos caps, ok? e eles são meio sem noção sim, rs. qm ñ é? mas eles se completam. o baile vem no próximo cap, ok? ou pelo menos... ñ, é melhor me calar por aqui. bjs.

o Marininha Potter: oh, q bom! obrigada pelas palavras, obrigada pela review. ela pode ser pequeninha, mas significa mt para mim, acredite. bjs.

o Oraculo: oh, q bom! é estranho msm eles serem irmãos e tal, mas é assim. mas eu ñ fico chateada, acredite. eu queria algo diferente e consegui. obrigada pela review. e vc viu nesse cap q nem sempre eles (ou pelo menos um deles) conseguem se controlar tão bem, né? rs. bjs.

o Michelle Granger: oh, q bom q gostou. espero q goste desse cap tbm. estava anciosa para terminá-lo! bjs.

o Pati Black: enfim tem um cap novo! andei o mais rápido possível. estou sempre tentando demorar menos. nesse meio tempo atualizei minhas outras fics tbm. bjs e até.

o Genevieve W. Potter: fico realmente, realmente feliz qnd gostam. estou tentando dar meu melhor aqui. obrigada por ler e comentar. significa mt. bjs.