Harry
Nós morávamos em uma rua tranquila. Na verdade, toda nossa vizinhança era bem tranquila.
Não havia nada que despertasse curiosidade ou comoção naquele bairro, cheio de casas medianas ou grandes, bem projetadas e excepcionalmente pintadas, de jardins sempre cuidados.
Minha família se dava bem os vizinhos e eles conosco; todos se davam bem, na medida em que as ruas eram quase sempre vazias e as pessoas ficavam normalmente trancadas em casa ou trabalhando para pagar suas contas e bens. Ou seja, cada um ficava na sua e não se metia na vida de ninguém. Um "Bom dia" e "Como está?" era tolerado, e até mesmo uma visita cordial para um almoço ou jantar, mas uma rigidez silenciosa imperava ali. A regra era ser educado e não se intrometer onde não devia. Bem normal para um bairro de classe média-alta.
Todavia, seria errado dizer que as pessoas dali eram frias e distantes. Não eram. Eram pessoas normais, com felicidades e tristezas, sorrisos e conflitos, que cada um guardava para si e resolvia dentro de seus lares bem construídos. Inclusive nós, os Potter.
A maior agitação que aquelas ruas viam era a que provinha das crianças. Ali passava poucos carros, era seguro e calmo, então era possível ver ocasionalmente as poucas crianças das casas brincando em um canto ou outro.
Entre essas crianças, havia dois irmãos de uns 8 ou 9 anos, Jeremy e Peter. Os dois, junto com um amiguinho que devia ter a mesma idade, sempre brincavam no quintal da casa à direita da nossa. Ela estava vazia, à venda, e ninguém reclamaria se por acaso estragassem as flores ou quebrassem um vidro.
Em eventuais fins de semana, quando o amigo do Jeremy e Peter saía, eles sempre batiam à nossa porta e perguntavam: "Por favor, o Harry está?". Eu era o estepe: quando o amigo deles estava ausente, sempre me pediam, muito educadamente, para ser o goleiro no jogo deles. Era sempre um pedido para ser goleiro e sempre dirigido a mim, não sei porquê. Talvez porque nossos pais se dessem bem, ou porque eu não era intimidante e gostava de crianças, ou então porque iam com a minha cara ou simplesmente porque não havia a quem mais pedir.
Então, quando podia, lá ia eu para o gol fingir que não conseguia pegar as bolas "muito fortes e rápidas" deles.
Naquele fim de manhã de sábado, quando Gina me gritou da sacada do segundo andar, avisando que a mãe estava me chamando, eu estava com eles. Houve uma série de protestos e resmungos, "porque seria muito chato jogar de dois", mas acabou que me deixaram ir.
Minha mãe estava na sala quando entrei, deitada em um dos sofás, fazendo nada e ainda de camisola.
- Os meninos te deixaram vir? – ela perguntou com os olhos em mim.
- Tiveram que deixar. Tenho que obedecer as ordens da minha mãe, não? – sorri divertido e sentei-me no sofá junto dela. Beijei seu rosto e abracei-a.
Minha mãe abriu um sorriso de volta, tocando minha face.
- Está cada dia maior. Nem parece que saiu daqui – ela colocou a mão sobre o ventre – um dia.
- Isso foi há muito tempo.
- Dezoito anos.
- Quase dezoito anos.
Ela fez uma careta e apertou meu nariz.
- Mãe!
- Você era um moleque doce, mas muito malandro. Se lembra daquela vez em que fomos à casa dos seus avós na Escócia e você desapareceu?
- Eu não desapareci, estava passeando...
- Você sumiu, Harry! A gente foi te achar naquele lago a metros da casa... Eu fiquei tão preocupada!
Ela se calou, fazendo cafuné em mim. Eu podia ver a preocupação dela como se fosse aquele dia.
- Eu amo você, meu bem. Amo você e a sua irmã. Eu estava conversando com ela esses dias sobre isso - ela sentou-se -, sobre o quanto vocês estão grandes.
- Deixa disso, Lily. – meu pai apareceu do nada na nossa frente, trazendo uma bebida colorida para minha mãe.
Eu não tinha notado-o até aquele momento, mas com um olhar para o bar no canto da sala vi que ele estava ali, se dedicando ao seu hobby favorito: dar uma de barman.
- Outro, James? – minha mãe reclamou, porém aceitou o drink e bebeu um gole mínimo. – Qual é esse?
- Um Cheeky Vimto. – meu pai pareceu orgulho – Como está?
- Muito forte.
Preocupado, ele tomou a taça da mão de Lily e experimentou o coquetel.
- Não está. Está muito bom. Experimente, Harry.
- Hã... – eu não queria, porque as bebidas do pai não eram para mim. Meu paladar não se dava bem com coquetéis, a não ser os bem doces, o que poderia não ser o caso – Não, obrigado. Está cedo demais...
- Ta quase na hora do almoço, vai abrir seu apetite.
- Ele não quer, James. – a mãe foi em meu socorro.
- É só um gole!
Eu bebi. E não estava ruim, mas realmente não era para mim.
- É amargo.
- Não é amargo! – meu pai defendeu – Vocês têm um paladar péssimo para bebidas.
- Só para as suas – a mãe disse enquanto o pai dava as costas a nós, reclamando por Gina, que "entendia de bebidas".
E onde ela estava, por sinal?
- Ele comprou um livro novo de receitas de coquetéis. – minha mãe explicou, quando James já estava de volta ao bar – Está atrás desse bar desde cedo, como uma criança com um brinquedo novo.
Eu sorri, porque aquilo era bem típico. Ele adorava fazer drinks. Nos reuniões, almoços e jantares com amigos, sempre se metia a preparar bebidas. Acho que era um jeito de relaxar.
- Vamos ao supermercado? – minha mãe convidou.
Era para aquilo que ela tinha me chamado?
- Eu não quero fazer compras.
- Vocês – e aqui estava se referindo a mim e a Gina – adoravam ir ao supermercado com a gente até pouco tempo atrás. Nós vamos sair para almoçar depois. – ela ainda me tentou – Que tal?
- A Gina vai?
- Não. Ela não quer.
- Então também não vou.
- Então não vai. – ela se levantou, batendo no meu joelho – Vai ficar com fome, porque não tem nada nessa casa. Vou tomar um banho e me trocar.
Da escada, ela gritou ao pai:
- James, anda logo ou a gente vai se atrasar.
- Estou indo!
Mas ele não saiu do lugar. Continuou atrás daquela bancada somando uma bebida a outra.
- Vai chamar sua irmã, Harry. – ele pediu, sem tirar os olhos do que fazia.
- Onde ela está?
- No quarto.
Porque queria saber de Gina e porque queria avisá-la que por uma hora ou duas teríamos a casa só para nós, fui atrás dela.
Ela estava lendo na cama, ainda embaixo das cobertas, de costas para mim. A luz do dia entrava pela janela trazendo claridade àquele quarto vermelho.
- Olá. – disse da porta, mas ela nem me olhou.
Entrei e me atirei ao seu lado.
- James está te chamando.
Ela nem deu bola, ainda com os olhos pregados no livro. Tive que esticar a mão e tomá-lo dela.
- Ei, devolve!
- James está te chamando – repeti, notando que ela lia "O Grande Gatsby".
- Devolve meu livro!
Assim o fiz. Gina voltou a lê-lo.
- O pai ta te chamando.
- Já ouvi – seus olhos estavam fixos no livro.
- Não vai ver o que ele quer não?
- Eu sei o que ele quer: quer que eu prove as bebidas dele.
- E você não vai...?
- Vou terminar esse capítulo antes.
Eu queria ficar ali, falar com ela, mas vi que Gina não me atenderia com toda a atenção voltada à leitura. Então fui tomar um banho quente e demorado.
Quando terminei, meus pais ainda estavam em casa. Minha mãe estava na cozinha, anotando qualquer coisa, devidamente vestida e penteada.
- Não tem nada aí – ela me disse, quando abri a geladeira. Estava praticamente vazia mesmo.
- Eu to com fome.
– Vou fazer compra agora, Harry. Estou fazendo a lista.
- O que vou almoçar?
Ela deu de ombros.
- Não sei. Por que não vai comer um livro, igual à Gina?
Ri da má resposta dela. Ela, por acaso, estava chateada por seus filhos terem abandonado-a naquele fim de semana?
- Prefiro comida.
- Então vai ter que me esperar voltar com alguma coisa.
- O pai vai com você? – ele já não estava na sala, com seus coquetéis, quando passei por lá.
- Vai. Mas só consegui tirá-lo daquele bar com a promessa de comprar bebidas também.
- Como se as que ele tivesse lá não bastassem.
- Exatamente! – ela exclamou – Foi o que disse a ele...
Ficamos ali conversando até que minha mãe e meu pai saíram. Ainda me convidaram para ir com eles mais uma vez e quando, também mais uma vez, recusei, partiram de carro com a mãe reclamando que "era só os filhos crescerem que não queriam sair com os pais".
Ela estava de mau humor por alguma coisa, mas não dediquei muito tempo a pensar pelo que seria. Logo me vi fechando a porta e correndo escada acima para o quarto de Gina. Ela ainda estava na cama, lendo. Pela segunda vez naquele dia me atirei ao lado dela.
- Eles acabaram de sair – contei, beijando seu pescoço. Mas Gina me empurrou, desvencilhando-se de mim.
- Harry!
- O quê?!
- É fim de semana!
- Eles saíram! Foram fazer comprar depois vão almoçar, vão demorar.
Ela suspirou.
- Eu sei. Mas estou ocupada. – ela mostrou o livro, como se aquilo explicasse tudo.
- Então você vai me trocar por esse Gatsby, aí?
- Só até eu chegar na metade, ok? Na metade paro de ler. Estou quase lá.
Ela não esperou minha resposta, virou de costas e recomeçou ler. Sem outra opção, abracei-a e me permitir ficar ali, esperando.
- Você foi ver o que o pai queria? – perguntei em certo momento.
- Ahã. Tive que experimentar um Cheeky Vimto e um Mojito.
- Estavam bons?
- Sim...
Ela se calou. Eu queria jogar aquele livro fora e beijá-la, por melhor que ele pudesse ser. Apesar dos nossos pais sempre saírem, não era muito fácil conseguir um momento a sós nos sábados e domingos.
Eu não pude evitar pensar que Gina estava me dando um gelo propositalmente. Desde a quinta-feira passada, quando aconteceu um pequeno fuzuê, eu sentia que ela estava fugindo de mim de alguma forma. Talvez fosse só impressão... Porque ela ainda estava sempre ali, comigo, mas constantemente quieta e perdida em pensamentos.
- Já chegou na metade, Gina?
Ela riu.
- Quase.
Continuei esperando-a acabar de ler. Seu corpo estava quente sob as cobertas, colado ao meu. Seu cheiro único, a pele ao alcance do toque...
- Harry, assim você me distrai!
- Deixa esse livro – sussurrei em seu ouvido, enquanto minha mão apertava sua cintura.
Gina soltou um resmungo gutural e voltou-se a mim. O livro... Não havia mais livro. Ele havia sido deixado de lado.
Nossos lábios se encontraram com a familiaridade de sempre. Minhas mãos em seus cabelos, ela sobre mim, tocando meu rosto com suavidade...
- A gente devia conversar... – ela murmurou, sem forças, quando arranquei a camisola dela.
- Depois.
Me coloquei sobre ela e voltamos a nos beijar. Eu senti que Gina queria evitar aquilo, mas não conseguiu. Era difícil resistir um ao outro, eu sabia.
Quem evitou, no fim, fui eu. Porque se eu não me afastasse dela precisaria de um banho gelado muito, muito em breve.
Nós ficamos deitados lado a lado, ainda sentido o rastro de fogo das mãos um do outro no corpo, esperando eu me acalmar. Alguns minutos depois, toquei seu cabelo e ela se aproximou novamente, deitando a cabeça sobre meu peito. Nós dois ficamos ali, abraçados em silêncio, sem fazer nada...
Se passou um momento realmente longo antes de Gina me olhar e dizer:
- A gente precisa conversar.
Eu neguei.
- Depois.
- Harry, não vai ter depois. A festa é hoje. É agora ou nunca.
- Então nunca. – eu não queria falar sobre aquilo. Primeiro porque já estava mais do que arrependido de ter aceitado ir naquele baile; segundo porque não estava com ânimo; e terceiro porque Gina iria brigar comigo de novo. Mesmo que sua expressão não fosse de alguém que iria brigar.
Mas conhecendo-a como eu a conhecia, isso podia mudar em um segundo.
- É agora, Harry.
Ela sentou-se e vestiu a camisola de novo. Então ficou olhando para mim, séria, como se esperasse algo.
- O quê? – perguntei.
- Quais são seus planos para hoje?
- Pegar uma gripe e não sair da cama – me virei de lado e fechei os olhos. Mas não, não deu certo, porque Gina me sacudiu e disse que estava falando sério.
- Eu também! – rebati.
- Harry, por favor! Olha para mim.
Percebi que não haveria mesmo jeito de fugir daquela conversa que eu tanto evitava. Não havia quem conseguisse tirar algo da cabeça daquela chata quando ela realmente queria algo.
Quando me sentei de frente para Gina, aborrecido, ela ainda ficou em silêncio por mais alguns instantes antes de perguntar:
- Você vai beijá-la?
Ela tinha o olhar duro e atencioso que às vezes surgia em seu rosto. Estava muito séria e percebi que aquele não era um momento para fazer qualquer tipo de brincadeira ou agir com deboche.
Então simplesmente dei de ombros.
- Esse gesto significa que você não sabe ou não quer me responder, Harry?
Bufei. Pronto, ali estava a questão de novo: eu e Cho.
Não queria, não queria mesmo, ir àquela festa, porque eu sabia que isso não ia prestar. Se fosse e ficasse distante de Cho o tempo todo, as pessoas iriam comentar. Se fosse e ficasse perto de Cho, mesmo que não a beijasse, Gina iria reclamar; e se fosse e a beijasse, o que sinceramente não queria fazer, mas era inevitável porque aquilo era um encontro, eu admitindo ou não o fato em voz alta, Gina iria reclamar e brigar comigo. Se eu não fosse, teria que explicar o motivo para Cho e todos os outros, e Gina pensaria que eu era um covarde.
Logo, estava tudo ferrado, não importava o que iria se passar.
A minha esperança era que algo acontecesse e Cho não pudesse ir. Era a ela que me agarraria até a noite e mesmo até depois de sair de casa e entrar no carro.
- Não sei o que te responder, Gina.
- Por quê?
- Por quê? Porque não.
- "Porque não" não é resposta. – ela estava irritada - Você vai beijá-la ou não?
Eu estava ficando irritado também. O que ela queria que eu dissesse? Ta, eu não queria, mas se eu e Cho fossemos a esse baile seria estranho se não rolasse, pelo menos, um beijo. E eu imaginava como Gina se sentia e me culpava, porque era uma merda de situação. Estava mesmo arrependido por ter aceitado o convite. Mas não podia voltar atrás, então era melhor pensar pelo lado bom, que assim ninguém desconfiaria de nós.
- Me responda, Harry, por favor.
- Você sabe a resposta – disse sem olhá-la. Não podia. Não conseguia.
- Harry... – ela tocou meu cabelo, me chamando – Me responda: você vai beijá-la?
Fitei-a, me sentido lixo.
Eu queria a beijar. E assim o fiz.
Toquei seu rosto e ela passou os braços pelo meu pescoço, nossos lábios se tocando. Uma, duas, três, dez vezes...
- Eu só quero beijar você – disse.
Ela estava retribuindo meus beijos, mas então começou a se desvencilhar. Quando Gina se levantou da cama com a mesma expressão séria do rosto de antes, eu quase caí.
Ela começou a roer a unha e andar de um lado para o outro. Estava preocupada.
- Eu quero, eu preciso, que me responda, Harry. Você vai beijá-la? – ela parou de repente e olhou para mim – Vocês vão sair hoje à noite. Em um encontro. Você vai beijá-la?
Por que ela estava fazendo aquilo?
- Responda, Harry!
- SIM, OK?! – gritei. E então baixo: - Eu vou beijá-la, infelizmente. Eu sinto muito, muito mesmo. Eu não quero, juro que não quero.
Ela estava me abraçando. Nem a vi chegar à cama, mas estava me abraçando.
- Eu sei. Ta tudo bem.
Não. Não estava tudo bem. Gina estava muito calma para estar tudo bem. Ela devia estar gritando e quebrando coisas, como costumava fazer.
Afastei-me dela e a olhei com atenção.
- Você está bem?
- Sim. – ela respondeu, obviamente sem entender minha pergunta – Por que não estaria?
Era alguma piada?
- Eu disse "sim". Disse "sim", Gina.
- Eu ouvi.
- Disse "sim, Gina, vou beijá-la".
- Ah... – ela me olhava sem compreender – Eu ouvi, Harry. Você está bem?
- Não, absolutamente.
Não estava entendendo nada. Aquela não era Gina. Ela não era do tipo que dizia "Tudo bem, aceito" e dava as costas. Ela devia estar tramando algo...
- Você tem algum plano?
- O q...? Não! Essa conversa está muito estranha... – eu concordei. – Do que você está falando?
- Você não pode simplesmente aceitar minha resposta. Você não vai me bater e jogar coisas em mim?
Levando em consideração que estávamos em seu quarto, talvez ela estivesse esperando que saíssemos de lá para me atacar.
- Não. – ela respondeu, me deixando absurdamente surpreso – Por que devia?
- Por que eu disse que devo beijar a Cho hoje à noite?
Um sorriso algo divertido, algo carrancudo se formou em seu rosto. Ela não parecia animada com a idéia, mas menos ainda disposta a me matar.
- A idéia não me agrada, mas eu pensei um pouco... Não, eu pensei muuuuito e cheguei à conclusão que per-mi-to – ela frisou bem as sílabas - você fazer isso. Você tem meu perdão adiantado.
Havia algo coisa errada. Era óbvio, era claro. Se ela havia aceitado a possibilidade tão bem, era porque queria algo em troca. Será... Não, não era possível! Ela não estava pretendendo ir com alguém, estava? Ela teria me contado antes...
- E?
- E? Não tem "E", Harry. Isso é tudo.
Analisei-a com desconfiança.
- Você, por acaso, está pretendendo ir com alguém essa noite?
Um sorriso de compreensão se formou em seu rosto.
- Ah...
- Você está ou não?
- Agora os papéis se inverteram, não? Agora é você que faz as perguntas?
- Gina, responde!
Será que ela não via como eu estava preocupado, apavorado? Porque ela não podia ter feito aquilo comigo, não podia ter aceitado o convite de alguém! Eu a trancaria no quarto antes de deixá-la sair e se agarrar com alguém por aí!
- Não. – ela respondeu arrogante, e o alívio tomou conta de mim -, não vou com ninguém. Mas poderia, se quisesse.
Não duvidava. Draco seria o primeiro interessado em acompanhá-la, não tinha dúvidas.
- Eu sei que poderia, Gina. Mas então... Por que essa "permissão" – gesticulei as aspas para ela – para eu sair com Cho?
- Eu já disse. Porque pensei sobre isso. Pode ser bom.
- Bom? Bom para quem? Para quê?
- Para conhecer pessoas, Harry. Você beija umas garotas por aí, eu beijo uns garotos por ali... AI! – eu agarrei seu braço com força, furioso. Que absurdo era esse que ela estava dizendo?! Onde ela queria chegar com aquilo?! Porque se esperava que...
- Eu to brincando! – ela se defendeu, tentando soltar-se de mim – To brincando, Harry, me larga!
- Jura que está brincando? – quase gritei, estava colérico.
- Sim! – ela estava assustada, era claro – Eu juro!
A larguei e Gina esfregou o braço. Não havia hematomas onde a segurei, mas logo haveria. Mais alguns para se somarem aos vários de quando eu a arrastei, na semana passada, para um banho gelado a força.
- Desculpe. Não queria te machucar.
- E sempre me machuca! Eu já não sei que desculpa dar ao papai e à mamãe para esses roxos todos...
Não disse nada, porque não sabia o que dizer.
- Você não tem o mínimo senso de humor, Harry. Voc...
- Você brinca com coisa que não deve! Vê se pode, sair por aí dizendo que quer beijar uns garotos!
- Eu não disse isso! Você distorce tudo!
- Não distorço não!
- Distorce sim! Distorce TUDO! Eu queria te dizer que tudo bem, você pode dar um ou dois beijos na Cho, já que você já fez a cagada de aceitar ir com ela a essa festa, e aí você vem de grosseria para cima de mim!
Houve um curto silêncio.
- Desculpe, Gina.
Ela deu de ombros.
- Tudo bem.
Naquele momento pensei em como era grande nossa facilidade para brigar e desculpar.
- Mas... Por que... Por que você decidiu que está tudo bem eu sair com a Cho? Não gosta mais de mim?
- Claro que gosto, seu idiota! Mas se o mal está feito, não pode ser desfeito. Então você vai com ela, até pode dar um ou dois beijos, contanto que não sai mais com Cho. Nunca mais.
- E se ela quiser sair comigo?
- Você diz não! Diz "NÃO", Harry. Não é "Talvez", nem "Vou pensar", é "NÃO", entendeu?
- Entendi. – ela não poderia ser mais clara, gesticulando daquele jeito. Mas eu ainda estava achando as coisas muito fáceis.
- Ok. – ela se jogou sobre a cama e puxou as cobertas – Claro, se eu quiser beijar alguém eu também posso.
- Você não vai beijar ninguém. Só eu.
Me coloquei sobre Gina e já ia beijá-la quando ela me empurrou.
- Eu to falando sério agora, Harry. Eu não quero ficar com ninguém, mas... – ela não me olhava nos olhos, mas para baixo - Eu quero saber como é beijar alguém.
- Você sabe como é beijar alguém! Eu já te dei milhões de beijos.
- Eu falo beijos de verdade, Harry.
- Os nossos não são? – me sentei, pasmo.
- São, mas eu só quero saber como é... Sabe, beijar alguém. De língua.
- Você ta zoando com a minha cara, né?
Ela não parecia estar brincando daquela vez.
- Não. Eu realmente quero saber como é.
- Por quê?
Gina respirou fundo e me encarou, cheia de coragem.
- Porque eu tenho dezesseis anos, quase 17, e nunca dei um beijo de língua em alguém. Ao contrário de você, que já teve um monte de namoradinhas.
- Mas isso foi antes da gente começar a ficar juntos!
- Que diferença, faz? Você já beijou um monte de garotas e eu nunca beijei ninguém!
- Você me beijou!
- Fora você, quero dizer. E você não conta. São beijos só de lábios.
- Mas nem por isso deixam de ser beijos!
- Eu sei que não! Mas, Harry, entenda: eu só quero beijar alguém para saber como é. Só beijar de língua e pronto, acabou.
- Eu beijo você. – me aproximei, e Gina gritou.
- NÃO! NÃO! É ERRADO!
Só quando me afastei novamente ela se permitiu relaxar.
- Eu não posso te beijar desse jeito, Harry. Com a língua. Seria pecado.
- Pecado, pecado... Você e sua mania de Deus! – aquelas palavras a feriram. Vi os olhos de Gina se encherem de lágrimas – Não, não, me desculpe...
- NÃO ME TOCA! – ela estava chorando agora. – Me deixa sozinha!
Ela escondeu a cabeça de baixo do travesseiro e me senti culpado. Não sabia exatamente pelo quê, havia tantos motivos, mas culpado.
- Gina...
- SOMOS IRMÃOS! – ela me olhou, as lágrimas caindo – ISSO É ERRADO! EU SINTO NOJO DE MIM MESMA! NÃO POSSO DORMIR À NOITE, HARRY! NÃO POSSO TER PAZ... – ela soluçou e soluçou, chorando – E você vem com essas idéias, idéias que eu quero tanto aceitar...
Eu a abracei, e ela me abraçou de volta. Ela estava chorando, e eu estava chorando.
Porque tudo aquilo era verdade e não havia nada que pudéssemos fazer.
ooOoOoOoOoOoo
Da cama dela, nós dois ouvimos a porta lá de baixo bater e o pai gritar que haviam chegado. Mas não nos mexemos. Não saímos debaixo das cobertas, não desfizemos o abraço, Gina não tirou a mão de baixo da minha camisa e eu não tirei a mão do seu cabelo. Eles não estavam subindo, então ainda tínhamos alguns instantes.
- Eu devo ir – disse. Mas foi só falar que ela se agarrou mais a mim.
- Fica – pediu, passando o nariz no meu pescoço. Aquilo causou um arrepio -, quero você aqui comigo.
Não respondi, mas também não saí dali. Ouvi os mínimos ruídos da casa...
- Harry?
- Oi?
- Eu não vou beijar ninguém hoje.
Eu sorri.
- Que bom.
- Mas eu quero saber como é. Um dia.
Aquilo não me agradava. Não agradava nem um pouco saber que alguém, um alguém sem face, sem nome ou forma, a teria entre seus braços e tomaria para si o que é meu e nunca tive. Mas fiz um esforço para me por no lugar de Gina. Um esforço enorme. E pensei no desprendimento dela em relação à Cho, porque certamente não foi fácil, apesar de todas as brigas e discussões anteriores, aceitar aquele encontro.
Então, sim, seria doloroso e incômodo, porém eu poderia dar aquilo a ela. Porque era isso que Gina me pedia: permissão, da mesma forma que ela havia me dado quanto a Cho.
E se ela não tivesse chorado em meus braços e eu nos dela naquele dia, talvez eu nunca tivesse lhe dito, cheio de ciúme e angústia:
- Tudo bem.
Queria que fosse eu, e também não queria, que lhe desse aquele beijo especial. Queria ser eu o primeiro a provar aquela língua, e já estava cheio de inveja do homem sem nome que lhe desvirginaria a boca.
Da mesma forma que, certamente, ela inveja Cho.
- Te amo. – ela disse, se levantando.
O sorriso em seus lábios era flácido, sem forças. Morto mesmo. Ela estava em cacos, assim como eu. Viver naquela casa, pertencer àquela família, era morrer cada dia um pouco.
Quando Gina pegou uma muda de roupa e foi para o banheiro, eu deixei em paz. Deixei que ela fosse, se metesse na banheira e chorasse o resto das lágrimas que tinha, escondida e em silêncio. Quanto as minhas, foram todas para o travesseiro de sua cama.
Não me permitir ficar ali por muito tempo. Uns dez minutos depois, então, eu que fui para o banheiro, e fui lavar o rosto.
Lavei-o e lavei-o, tentando tirar a cor vermelha do rosto cheio de choro com a água limpa da torneira, mas ela não saía. Não me permiti derramar mais uma só lágrima e fui ao meu quarto. Lá, botei uns óculos de sol e fui ver tevê, como se nada tivesse acontecido enquanto o pai e a mãe estiveram fora.
Sei que dormi... Dormi e acordei ali no sofá branco, sem os óculos e com fome. Descobri que era quase cinco da tarde quando cheguei na cozinha e olhei o relógio pregado na parede.
Dormi bastante. Chorar me dava dor de cabeça e sono, como dava a Gina.
Fui atrás de minha mãe. A achei metida na ante-sala do quarto dela.
- O que tem para comer?
De volta ao andar de baixo, achei meu almoço em cima da geladeira. Era comida mexicana. Não era o meu favorito, mas era bom.
Saí pela porta da cozinha e me sentei em um dos bancos da varanda nos fundos da casa, comendo e olhando o quintal. Eu e Gina costumávamos brincar de pique nas árvores depois da grama verde e das flores, quando éramos pequenos. Nos tempos em que as coisas eram fáceis e bonitas. Nesses tempos, a mãe sempre dizia para não entrarmos no bosque, porque a gente ia se perder. E a gente obedecia, não entrava. Mas uma vez a gente entrou e conseguiu sair, e a mãe e o pai não souberam.
E crescemos e continuamos a fazer coisas que a mãe e o pai não sabiam.
ooOoOoOoOoOoo
Os planos para a noite eram o seguinte: a festa começaria às 21h, e combinamos, eu e meus amigos, de estar lá às 22h. Terminaria às 3h, quando iríamos estender a noite para algum lugar, provavelmente no pub que costumávamos frequentar, o Caldeirão Furado. Ou então para a lanchonete nova, estilo aos 60, com garçonetes de patins, vestidos de bolinha e rabos de cavalo, que havia aberto na cidade: a Três Vassouras. Nome estranho... Mas o lugar provavelmente estaria fechado às 3h.
Assim, de noite larguei o livro de biologia que estava lendo para o colégio e fui tomar banho. Estava desanimado, mas talvez fosse bom sair e me distrair. Ainda tinha esperanças de Cho me ligar dizendo que não iria.
Tirei as lentes, tomei banho, fiz a barba, passei loção, desodorante, perfume... Fiz tudo bem devagar. Coloquei os óculos de grau, vesti a cueca e a calça da minha roupa de fantasia e abri a porta do meu quarto, uma vez que já estava vestido.
Pela porta também aberta de Gina, a vi sentada em frente à penteadeira, com minha mãe atrás dela, mexendo em seu cabelo. Gina estava bem agora, ria do que a mãe falava e a olhava através do espelho.
Lily estava fazendo algum penteado nela, um tipo de coque com uns cachos caídos... Não estava pronto, mas estava ficando bom.
Me peguei entrando no quarto e sentando na cama. Observava as duas. A mãe, que me olhou quando entrei, olhava Gina pelo espelho também e falava do pai, que tinha passado a tarde toda enfurnado atrás do bar fazendo bebidas que ninguém bebeu.
- Litros de álcool e dinheiro indo pia abaixo – comentou. –, é isso que vai acontecer. Nem um exército beberia aquilo tudo. O frigobar do bar está tão cheio que não cabe mais nada ali.
- Papai está bebendo as bebidas, você bebeu algumas, eu bebi. Só Harry que não. Você devia se compadecer e beber algumas também, Harry.
- O Harry não gosta, Gina, você sabe. - a mãe me defendeu – O Remo e a Dora vão vir aqui essa noite, e a Molly e o Arthur, a Narcisa e o Lúcio não puderam, infelizmente, e seu pai vai tentar dar todas aquelas bebidas a eles. Coitados!
- Mamãe! – Gina repreendeu – O papai é bom nisso. Os coquetéis dele são gostosos.
- São muito fortes.
- Você que é muito fraca pro álcool.
- E você, senhorita, entende muito de bebida, não é? – Lily zombou - Começou a beber ontem e já sabe de tudo.
Gina deu de ombros.
- Vocês que sempre dizem que pais, hoje em dia, têm que ser liberais.
- E tem que ser, na medida do possível.
- Além disso – me intrometi –, aprender a beber cedo é bom porque você desenvolve resistência.
- Resistência? – minha mãe perguntou.
- Sim, resistência à bebida. Você não fica bêbado fácil.
- E você já ficou bêbado, Harry?
- Claro que não.
Gina soltou uma gargalhada cheia de sarcasmo.
- Várias vezes – ela disse. – Ele não tem resistência alguma.
Logo ficamos em silêncio, os três. A mãe estava concentrada na sua tarefa agora, talvez fosse um momento mais difícil do penteado, e Gina estava quieta, observando-a pelo espelho. E eu observada as duas, tão parecidas e tão diferentes.
Os cabelos da Gina eram os da mãe, mas em um tom de ruivo mais avermelhado. As duas mulheres tinham a mesma altura, a mesma estrutura de corpo. Antes elas pareciam irmãs à mãe e filha. Lily parecia ser mais jovem do que era. Assim como Narcisa, a mãe de Draco. A mãe dele era linda, alta, loira e esplendorosa. Era alvo de comentários dos garotos no vestiário da escola. Mas minha mãe não, porque ela tinha uma beleza fina, não tão óbvia e que não chamava tanta atenção. Todavia, para mim, era igualmente bela, se não mais, que Narcisa.
E eu a amava, assim como amava meu pai. E não pude evitar, daquele momento, pensar que Gina estava certa em me chamar de louco alguns dias atrás. Eu nunca, jamais, poderia permitir que eles soubessem o que acontecia dentro daqueles dois quartos que ficavam de frente um para o outro.
Levou mais alguns minutos para que Lily terminasse seu trabalho. Quando acabou, as duas ruivas, uma do lado da outra, ficaram admirando o penteado bem feito.
- Ficou ótimo, mamãe. Obrigada.
- De nada, Gina.
Sai dali para eu mesmo me arrumar. Ouvi, ao longe, a campainha tocar. Seria Remo e Ninfadora Lupin ou Molly e Arthur Weasley? Talvez os dois casais. A mãe saiu correndo para atender quem fosse.
No meu quarto novamente, mal continuei a me vestir e Gina entrou invadindo o banheiro e começou a fuçar no armá armarto, Gina estava no banheiro dali, fussando gole sram admirando o trabalho bes dois quartos que ficavem de frente um pro rio sob o lavatório.
- Você viu meus pincéis de maquiagem? Sumiram.
Ela estava brincando comigo... Só podia estar. Queria me torturar!
Gina estava usando não mais seu roupão, como quando a mãe estava arrumando seu cabelo, mas sim um conjunto preto de calcinha e sutiã, meia arrastão 7/8 e sapatos de salto. Ela estava... incrível. Parecendo uma stripper, mas incrível. Eu meio que fiquei sem ar.
- Você viu, Harry? Eu não sei onde estão.
Ele fechou o armário e saiu da suíte. Com os olhos pregados nela e a boca aberta, a segui. Gina cruzou o corredor, se debruçou sobre a escada e gritou:
- MÃE! MÃE, SOBE AQUI!
Ela ficou parada ali, esperando, e eu, com o coração batendo rápido, fiquei parado na porta do quarto, olhando...
A pele branca coberta pelas roupas íntimas; as penas meio tampadas, meio visíveis pela meia preta; os pés calçados no sapato da mesma cor... Se fosse despi-la, começaria por ali...
Ouvi passos na escada e minha mãe apareceu. Ela brigou com Gina por estar na escada vestida daquele jeito, porque tinha gente em casa. Gina se desculpou, dizendo que não sabia e perguntou por seus pincéis... E meus olhos não saíam dela. Só saíram quando as duas sumiram pelo outro corredor, indo em direção do quarto dos meus pais. E eu continuei fiquei parado ali, fitando o lugar onde Gina tinha estado, sentindo que meus pés nunca mais poderiam se mover...
Então ela reapareceu vindo na minha direção e eu perdi o fôlego mais uma vez.
- Achei!
Ela sorriu mostrando os pincéis e entrou no seu quarto. Meus olhos, nem por um momento sequer, se desviaram dela. Algo quente e agitado crescia em meu estômago e subia para o peito... Será que ela ia ficar vestida assim por muito tempo?
Percebi que Gina não tinha pressa, ou talvez fosse eu que via tudo em câmera lenta. Ela se sentou na cadeira da penteadeira e começou a maquiar-se, mas eu não notei nada dos produtos e tons que cobriram seu rosto, porque meus olhos ainda estavam naquele corpo... Naquelas meias... Aquelas meias pareciam uma teia de aranha negra cobrindo sua pele, indo até a coxa... Eu queria me aproximar e tocá-la. Queria atirar Gina sobre a cama e esquecer de tudo, tudo e tê-la bem lentamente; ela usaria só aquelas meias e sapatos... E beijaria sua barriga a mostra, e os ombros sardentos, e os lábios vermelhos que estavam em cor de sangue, rubros pelo batom que ela deslizava sobre eles...
- O quê? – Gina perguntou, me trazendo de muito longe, de meus devaneios obscenos.
Eu a olhei nos olhos e só então percebi que estava ao seu lado. Não tinha me dado conta que havia chegado até ali. Foram meus pés que me guiaram ou foi a atração que me incitou a aproximar?
- Você está linda – disse.
Ela abriu um sorriso bem bonito.
- Obrigada. Você não acha que o batom fez muito contraste com minha pele não? É de um vermelho bem vivo.
- O batom não interessa. – me agachei para vê-la melhor, virando seu rosto para mim. E confidenciei: - Quero beijar você...
- Não – ela riu, me empurrando -, não, Harry. Você vai borrar minha maquiagem.
- Você está linda.
- Obrigada.
- Gostei da meia. – toquei-a. Minha mão subiu por suas pernas, sua coxa, seu quadril e chegou a sua cintura. A outra foi para o pescoço nu, já que os cabelos estavam presos – Você está irresistível vestida assim. Divida. Sexy. Excitante.
- Estou?
- Está.
Ela olhou por cima de meus ombros e mandou:
- Feche a porta.
Fechei e em um segundo estava de volta, nossos lábios se encontrando.
- Você nem ajuda – disse Gina, quando meus lábios deslizaram por seu pescoço. Podia sentir as mãos dela em meu peito e costas, queimando -, nem veste uma camisa... – afastou-me dela e me olhou – Fica desfilando por aí com essa calça meio aberta, me provocando. Dá vontade de arrancá-la de uma vez...
Ela me beijou. Me beijou e então seus lábios é que estavam no meu pescoço e, logo, descendo por meu peito. Eu levei a mão aos seus cabelos...
- Não – ela se afastou, se pondo de pé -, a gente precisa sair. Você vai acabar desarrumando meu cabelo desse jeito.
- Só mais um beijo.
- Na volta. Se você se comportar bem.
Abracei-a e roubei um beijo. E outro e outro.
- Se eu me comportar bem, Gina, vou ser um menino mau e tirar sua roupa, peça por peça, quando chegarmos... E sabe o que vou fazer depois?
Ela abriu a boca para responder, me fitando com aquele olhar frouxo, seduzido, mas fechou-a e negou com um gesto de cabeça.
- Depois você me diz. São nove e meia e a gente precisa ir, Harry.
- Um último beijo.
- Não. Não. – ela tentava me convencer e a ela também com aquelas negativas – A gente precisa se arrumar. Eu ainda tenho que refazer minha maquiagem. Vai.
Ela me empurrou para a porta, e eu deixei. Seria paciente. Saberia esperar.
Quando saí, ouvi a porta dela se trancando. Sorri. A tranca era para evitar que eu fosse atrás dela ou que ela fosse atrás de mim? Os dois, provavelmente.
Terminei de me vestir, me sentindo um verdadeiro mosqueteiro com a minha fantasia. Já ia descendo quando voltei para trocar os óculos pelas lentes de contato.
Na sala, meu pai estava atrás do bar, conversando com Lupin. Remo Lupin e sua esposa, Ninfadora, eram grandes amigos da família. Ele e meus pais haviam estudado na mesma faculdade.
- Harry – meu pai me disse, depois que os cumprimentei -, vem cá. Quero falar com você.
Nós fomos para fora, saindo pela porta da frente. Sob a luz da porta de entrada, ele me deu dinheiro e disse:
- Para hoje à noite.
- Obrigado.
Já ia voltar quando ele me chamou mais uma vez, muito sério.
- Harry, fique de olho na sua irmã. Eu quero que você tome conta dela. Principalmente com aquele filho dos Malfoy. Reparei que ele anda muito saidinho para cima de Gina.
Eu concordei, porque era verdade. Até meu pai havia reparado!
- Então está combinado, Harry?
- Está, pai. – aquela conversa não era nada confortável. O principal motivo era eu ser a maior preocupação que ele podia ter quanto a garotos com Gina. Não que ele soubesse, claro.
- Eu não quero que fique grudado nela, claro que não. Até porque sei que a Gina deve ter uns namoradinhos escondidos por aí – ele parecia transtornado por aquilo. Gina sempre foi sua menina dos olhos -, mas... Tome conta dela. Como um irmão deve fazer.
- Ok. – queria sair dali.
- Ok. - ele suspirou e entrou, parecendo muito mais aliviado.
Tentei não me sentir um grande merda quando entrei novamente em casa e fui para a cozinha. Tentei apagar aquela conversa incômoda.
Ninfadora e Molly, cada uma delas com um coquetel na mão, estavam ajudando minha mãe a preparar qualquer coisa.
- Boa noite. – cumprimentei-as.
- Você está lindo! – a Sra. Weasley exclamou com seu jeito maternal - Quase tão bonito quanto Rony. A mesma fantasia!
- Ele está mais bonito que Rony – minha mãe disse, orgulhosa, me fitando – O melhor dos Três Mosqueteiros.
- Obrigado. – respondi às duas mulheres - Onde está o Sr. Weasley?
Ele não estava em lugar algum, nem na sala nem ali.
- Foi levar Rony nessa festa de vocês e já está vindo – Molly respondeu, antes de voltar-se à minha mãe e começar discutir um assunto qualquer.
Sorri para Ninfadora, que parecia distraída.
- Olá, Harry.
- Oi. Cadê o Teddy? – Ted era o filho dos Lupin e meu afilhado.
- Com minha mãe. Eu não queria deixá-lo lá. Sempre fico preocupada...
- Filhos sempre dão preocupação – Molly se intrometeu -, mesmo depois de grandes. Eu tenho 6, todos homens feitos, e eles ainda me deixam de cabelo branco. Mesmo Gui... Oh! Eu disse a vocês que ele vai se casar? – as duas mulheres soltaram exclamações de surpresa, e a Sra. Weasley não parecia muito feliz – Com aquela francesa que ele conheceu trabalhando no banco, Fleur Delacour.
- Eu não sabia! – minha mãe exclamou – Quando eles marcaram a data?
- No fim do mês passado. O casamento vai ser em agosto, na França...
Eu não estava interessado no assunto, então sentei ali, sem prestar atenção nas três, para esperar Gina ficar pronta. Pensei nela se arrumando lá em cima. Já era praticamente 22h e iríamos chegar atrasado.
Foi alguns minutos depois de Arthur Weasley chegar que Gina apareceu. Ela entrou na cozinha com um sorriso inseguro.
- E então, como estou?
Linda. Ela estava linda. Infinitamente linda.
Usava um vestido preto de bruxa que delineava seus seios e cintura, e então ele se abria com volume na altura do quadril. Alguns cachos ruivos do cabelo caíam sobre seu rosto, precisamente maquiado. E ainda usava aquela bendita meia arrastão!
Minha mãe, Molly e Ninfadora se derreteram em elogios. Eu não falei nada. Saí para a varanda. Se eu a olhasse muito ou abrisse a boca, senti que iria me denunciar.
Quando todos saíram da cozinha, ainda permaneci olhando as árvores ao fundo do quintal, tentando colocar em ordem pensamentos e sentimentos. O que aconteceria aquela noite?
Entrei na sala para ver Gina sentada no sofá ao lado de meu pai, que parecia ter lágrimas nos olhos.
- O que aconteceu ali? – perguntei a Lily, baixinho, interrompendo sua conversa com Remo e indicando os dois.
- Nada, Harry. Sua irmã cresceu e seu pai só está percebendo isso agora. Dê um tempo a ele, ok?
- Ta.
- Nada de piadinhas.
- Ok, mãe.
Chamei Gina, que se desgrudou do pai, e nos despedimos de todos. Quando entramos no nosso carro, enfim confessei:
- Você está linda!
- Obrigada. – havia um sorriso realmente grato em seus lábios.
- Eu não imaginei que você pudesse ficar ainda mais bonita, mas está.
Ela se aproximou e beijou minha bochecha, depois arrumou meu chapéu.
- Você está ótimo também. Lindo! Mas hoje não é um galã do cinema francês, é um bravo mosqueteiro.
E partimos. Mas não antes de eu perceber que, até aquele momento, Cho não havia ligado para desmarcar nada.
ooOoOoOoOoOoo
- Esqueci o dinheiro! – foi o que Gina disse assim que estacionei o carro e saímos para a noite fria.
- Está no meu bolso.
- Oh, certo. E as entradas?
- Também.
Eu estava protegido do ar gelado pela longa capa que usava, mas percebi que Gina, cujo vestido não tinha mangas, estava arrepiada de frio.
- Devia ter colocado uma blusa – lhe disse, passando o braço por seus ombros.
- Ia acabar com meu visual.
A Festa de Primavera seria em um tipo de clube a alguns quarteirões do colégio. Havia uma grande faixa pendurada na frente do lugar, indicando o evento que aconteceria ali aquela noite.
Enfrentamos uma fila curta e entramos no clube. Meu primeiro pensamento foi que aquela festa estava bem diferente da do ano passado, porque a decoração estava mais sombria e, contraditoriamente, colorida.
- Está lindo! – Gina exclamou, olhando ao redor. Havia imagens de monstros, bruxas, seres mágicos, místicos, príncipes e princesas, personagens de contos de fadas e de terror, animais alados, vampiros... Dezenas de figuras nas paredes e presas no teto alto do salão, que estava cheio de gente.
O lugar havia sido transformado em uma boate. As pessoas, todas jovens, mais ou menos da nossa idade, dançavam ao som de The Libertines uma ao lado da outra, segurando copos, gritando, cantando junto com a música, se beijando, enquanto eu e Gina tentávamos vencer a multidão e achar nossos amigos.
- Você viu algum conhecido? – Gina gritou no meu ouvido, tentando fazer com que eu a escutasse acima do som alto.
- Não! – respondi, gritando para ela também – Não vi ninguém.
Não havia visto nem Cho, que tinha combinado de encontrar ali.
Percorremos o lugar por vários minutos antes de achar quem procurávamos. O primeiro que vi foi Draco, beijando Katie Fitch, no meio da multidãno meio da multidfoi Draco, beijando visse acima do sios e se beijando, as o vestido dela no.
- Harry! – ele gritou quando me viu, pulando em cima de mim. – Ah, meu irmão, você chegou! Rony, RONY! RONY! – ele berrava para que fosse ouvido – Ele está aqui! Os Três Mosqueteiros estão reunidos!
E Rony e Hermione, Luna e um cara, que devia ser Rolf Scamander, o tal namorado dela, estavam ali também, dançando e se divertindo.
- Já vi que vou sobrar – Gina gritou para mim -, estão todos em casais.
E era verdade. Draco e Katie. Rony e Hermione. Luna e Rolf.
- Você não vai sobrar.
Ela foi falar com Luna e Hermione, e Draco me ofereceu sua bebida.
- Aproveita, porque para comprar bebida aqui você tem que ser maior de idade. Só com identidade.
- Eu tive que comprar fichas para todos. – Rony reclamou - Eu e Hermione.
- To com um monte de ficha. – Draco enfiou uma mão no bolso, mostrando os papéis carimbados - Para pegar a bebida não precisa de identidade. Só para tirar a ficha.
Achei que ele já estava meio chapado, porque Draco estava me dizendo aquilo do nada, desatento. Bem sem sentido.
- Ok, valeu.
Aceitei a bebida e ele me ofereceu o cigarro também. Só quando traguei percebi que aquele não era o tipo de cigarro que se compra em supermercados e mercearias, mas sim o tipo que tem que se comprar discretamente de um fornecedor ilegal.
- Viu Cho por aí? – perguntei, passando o cigarro a Rony. Draco já não estava me dando atenção, estava beijando seu par novamente.
- Ela passou por nós faz uns minutos. Disse que logo passava aqui de novo.
Fui cumprimentar as meninas. Hermione estava linda, fazendo par com Rony, vestida de dama de séculos passados, e Luna, que me apresentou ao seu muito simpático namorado, vestido de Batman, estava de Alice da história Alice no País das Maravilhas.
- Eu queria vir de Alice de terror – ela me explicou -, mas não deu certo. Infelizmente.
- Mas você está linda assim.
- Valeu!
- Harry, Harry...
Era Gina, pedindo para que eu guardasse o celular dela, uma vez que sua roupa não tinha bolso.
- E me dá dinheiro – ela continuou. –, quero beber algo.
Mandei-a pegar umas fichas com Draco; quando ela foi atrás dele, ele abriu um sorriso enorme e a ergueu no ar.
- Gina, Gina. – ele disse, mais pra lá do que pra cá – Você está liiiiiinda!
- Draco, me solta!
Fiquei com vontade de bater nele, mas Draco a pôs no chão e desisti. Enquanto dava um par de fichas a ela, ele, mesmo acompanhado, tentou beijá-la, que o empurrou e se desvencilhou.
Ele está chapado, disse a mim mesmo. Não precisava ficar chateado, porque ele estava chapado.
Gina reapareceu diante de mim minutos depois, trazendo duas cervejas.
- A fila estava enorme. Saúde!
Se é que era possível, o lugar parecia ter ficado ainda mais cheio desde que chegamos. Era difícil andar e tínhamos que gritar com o outro para ser ouvido através da música alta.
Apesar de estarmos entre casais, nossos amigos, com exceção de Draco e Katie, não ficaram se beijando o tempo todo. Luna e Rolf, Rony e Hermione dançavam e riam comigo e com Gina.
Quando, pela enésima vez, uma nova música começou a tocar, eu já havia esquecido de Cho. Se ela não aparecesse ali, nem me lembraria dela. Mas ela apareceu, sorridente e vestida de fada.
- Harry!
- Oi, Cho.
Gina me lançou um olhar... E se afastou.
Eu não sabia o que fazer. Devia ficar ali com Cho ou sair dali com ela? Seria desconfortável estar acompanhado dela na frente de Gina.
Meu par me abraçou quando acabou de chegar até mim, e eu retribuí o gesto, dividido.
- Você está bonita – elogiei, porque era verdade.
- Obrigada. Você também. Vamos sair daqui? – ela sugeriu.
- Ah... claro. - achei que sair seria melhor para Gina - Um minuto.
Fui até Gina, dançando a poucos metros de nós. Eu precisava saber se tudo estava bem.
– Gina, vou dar um volta com Cho. - reparei que ela estava fumando um dos cigarros de Draco, e tomei-o dela.
- Vai. – ela disse, arrogante, como se não estivesse nem aí. Mas ela estava aborrecida, eu sabia - Vai e aproveita. Vou ficar aqui.
Ela me deu as costas e voltou a dançar ao som da música agitada.
- Você não quer ficar com o pessoal? – tentei – Fica ali com eles.
- Eles querem namorar, Harry. Não vou ficar segurando vela.
- Vai ficar aqui sozinha?
- Tem um monte de gente a nossa volta. Não to sozinha.
Ela pegou o cigarro de volta e ficou me olhando por um momento.
- Vai. Eu deixo.
- Desculpe.
- Vai logo!
Quando estava saindo, ela segurou meu braço.
- Dois beijos – disse, gritando perto do meu ouvido -, e só. Ok?
- Ok.
- Prometa.
- Eu prometo.
Aqueles olhos dela, cheios de nervosismo e aflição, me fariam prometer qualquer coisa. Eu beijei seu rosto, o coração batendo estranho, rápido e devagar, e saí dali.
Era Depeche Mode que tocava quando segurei a mão de Cho. Eram eles que tocavam quando começamos a andar, ela na minha frente, e olhei para atrás para ver Gina dançar de olhos fechados. Eram eles que tocavam quando vi um garoto chegar em Gina e começar a falar com ela. Eram eles que tocavam quando ela fez um gesto de negação com a cabeça e ele se foi, desanimado. Eram eles que tocavam quando a perdi de vista...
O tempo se passou em um borrão. O salão escuro, cuja única iluminação provinha dos globos de luz presos no teto, era o lar temporário de todos nós, que dançávamos e nos divertíamos. Eu fazia isso e também pensava em Gina.
E estava meio que fugindo de Cho. Me mantendo distante. Até que estava indo bem na minha tarefa. Ia ao banheiro, me perdia dela propositadamente no meio da multidão, a pedia para comprar bebidas, já que eu não podia, pois ainda tinha 17... Eu queria manter a palavra que tinha dado a Gina. Eu só pensava nisso. Enquanto os segundos se transformavam em minutos e esses em horas, eu, com Cho, eu só pensava em manter minha promessa para Gina.
Contudo, quando um bom tempo havia de passado, percebi que não podia fugir de Cho a noite toda. Ela havia sido quase direta então, se virando para mim e sugerindo que fôssemos lá para fora "tomar um ar".
- Aqui está bom – rebati, apesar de estar morrendo de calor com aquela capa longa -, ta fresco.
Eu só podia estar doente se achava que ali estava fresco. Só me dei conta do absurdo daquelas palavras quando elas saíram da minha boca.
- Tem muita gente aqui. – Cho disse – Vem.
Ela pegou minha mão e me puxou. Eu, vencido e temeroso, me deixei ser guiado.
Gina, Gina, Gina, a promessa para Gina... Era o que pensava. Porque eu sabia, sabia e tinha de admitir para mim mesmo, que no momento em que meus lábios tocassem os de Cho seria difícil parar.
Então era melhor não começar. Não queria beijá-la.
Eu tinha acabado de tomar uma bebida. Tinha ido ao banheiro havia quinze minutos. Que desculpa poderia dar para desviar do caminhamos que tomávamos? Porque estávamos indo lá para fora, para uma área ao ar livre...
Na verdade, não estávamos não. Eu notei que Cho estava fazendo um caminho diferente. Ela estava indo para a esquerda, e se ela quisesse mesmo tomar um ar, devia ir para a direita.
- Cho, a gente ta indo para o lado errado.
- Não estamos não. Estamos indo para o lado certo.
Havia um segundo andar naquele salão. Um segundo andar fechado e inacessível, onde provavelmente era o escritório ou algo do tipo, que cobria apenas uma parte pequena do lugar. Para chegar até lá era preciso subir uma escada em um canto. Embaixo daquela escada não havia ninguém. Era para lá que estávamos indo.
- Cho, eu acho melhor...
- Não. – ela disse, firme, me olhando – Confia em mim.
Havia mais pessoas dançando por ali, como em todo o espaço. Mas embaixo da escada, naquela parte escondida, estava vazio. Vazio. Não havia ninguém.
- Eu... – tentei dar a volta, mas Cho não soltou minha mão.
- Harry! Do que você tem medo?
De mim. Era de mim que tinha medo.
Ela continuou me guiando... Então lá estávamos, embaixo daquela escada, ela encostada na parede e eu a sua frente, nervoso e tremendo, de cabeça baixa, as pessoas atrás de nós, a uma pequena distância.
Eu sei, sei que não devia. Mas ergui os olhos e reparei no rosto dela. Vi que havia sardas, como no de Gina. Que ela era realmente bonita, mas não como Gina. Que tinha os cabelos longos, como os de Gina. Que me olhava com atenção e expectativa, como Gina fazia às vezes. Eu sabia que seu coração estava batendo forte. Que as mãos dela tocaram meus ombros. Que as minhas subiram para sua cintura. Que...
Eu não soube de mais nada quando nos beijamos, mas pensei em Gina, que não era ela ali, na minha promessa e que temi aquele momento, aquele momento exato, desde o começo. Pensei que havia tempo, muito tempo, que não beijava ninguém livremente. Que minha língua não tocava outra. E que era bom, que gostava da sensação.
Quando nos separamos para respirar, o pensamento que um beijo já tinha ido se formou na minha mente. Só mais um e sairíamos dali.
E o segundo veio logo. E junto com ele minhas mãos no cabelo dela, na cintura dela, as mãos delas em mim, me puxando para perto. E, nossa!, como era bom beijar alguém sem precisar ficar tendo cuidado com os toques, com onde se colocava as mãos.
- Harry... – Cho me empurrou – Preciso respirar.
Dois. Dois, pensei. Preciso sair daqui.
- Vamos voltar para a pista...
Comecei a me afastar, mas Cho segurou minha camisa.
Foi ela que me beijou. Foi ela. Ela agarrou minha camisa e, quando a olhei, ela me beijou. Eu realmente, realmente, realmente queria manter minha promessa, mas ela me beijou. E então a merda já estava feita, a promessa já havia sido quebrada, e me deixei beijar.
Voltamos para aquele canto escondido sob a escada com os lábios grudados. Só nos veriam se chegassem perto, e ninguém se atreveria a isso. Não havia motivos...
Minha mente estava vazia. Me permiti beijar Cho, beijar de verdade, com lábios e línguas, apertá-la contra mim e tocá-la. E quando minhas mãos foram para baixo de seu vestido e meus lábios para seu pescoço, ela não me afastou, como Gina costumava fazer. E só continuei com aquilo porque eu queria alguém, e quem eu queria não podia ser minha.
E quando beijei seu colo e toquei seus seios sobre o vestido, Cho não me empurrou. Me trouxe mais para perto. E um som entrecortado saiu da garganta dela quando mordisquei sua pela. E outro som, igualmente perturbador, saiu de mim quando suas mãos arrancaram minha camisa de dentro da calça e ela tocou meu estômago. E os sons continuaram ocasionalmente...
Continuaram quando uma de minhas mãos agarrou sua cintura e a outra a tocou mais uma vez sob o vestido. Quando voltei a beijar sua boca. Quando as mãos dela, atrevidas, desabotoaram minha calça e entraram ali.
Mordi seus lábios. Teria afastado-a se não estivéssemos protegidos por minha capa.
Gina...
- Cho...
Estávamos tão apertados um contra o outro que por um instante louco pensei que havíamos nos transformado em uma coisa só, em um estranho objeto decorativo do salão, em parte da parede.
Beija-a com sofreguidão quando uma de suas mãos continuou em mim. Aquela mão delicada, me tocando com tanta intimidade... E minhas mãos apertando sua nuca, seu quadril...
Tive vontade gritar quando... Mas não me permiti. Beijei-a novamente enquanto ela limpava a mão na minha calça e abotoava-a de volta. Fechou o zíper, me abraçando pela cintura. Meu coração estava calmo, depois de ter batido muito rápido. Nossos lábios e línguas ainda dançavam no beijo, mas suavemente agora. A pressa já tinha passado.
Eu a abracei, e Cho me abraçou de volta. Ficamos ali, em silêncio, de os olhos fechados, ouvindo as respirações um do outro e a música e as pessoas.
Tanta coisa passava pela minha cabeça... Por trás das pálpebras fechadas, imagens, medos, palavras, objetos, lembranças surgiam em flashs... Era um turbilhão.
Abri os olhos.
Ali, a dois metros de distância, onde mais ninguém chegaria, porque não gostaria de se intrometer entre um casal aparentemente apaixonado, ela estava parada. Cinzenta, doente, entorpecida, fitava meus olhos com dor e vida.
Gina estava paralisada diante de mim.
Aos Leitores:
Continua no próximo episódio... rs. Esse foi o segundo maior capítulo de fic que já escrevi.
A próxima fic que atualizarei é Further Education. E para quem não sabe, fiz um blog onde poderão acompanhar melhor meus passos com minhas histórias, meus projetos e coisas do tipo. O endereço é (tire os espaços) www. lannilu. blogspot. com .
Agradeço a todos que estão lendo e comentando. Deixem reviews, por favor, porque estou louca para saber o que acharam do cap. Ando sentindo falta de algumas pessoas que comentaram no passado e não comentaram dessa vez ou das últimas... Cadê vocês, pessoal?
Até mais, bjs.
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Respostas às reviews:
o SallyRide: vc, como sempre, está aqui comentando. fico feliz. sobre sua pergunta, digo que o harry e a gina são realmente irmãos. pelo menos esses são meus planos até agora. vc gostou desse capítulo novo? um grd abraço.
o Marininha Potter: oh, eu ri bastante com sua última review ("kinder ova"), haha. acho que a dúvida que vc tinha (sobre os beijos de H/G) ficou esclarecida nesse cap, ñ? eu já tinha escrito antes, em um capítulo do harry, que os beijos eram apenas de lábios, não tinha? eu acho que sim, de qq forma. enfim: são beijos sem língua.
aii, eu realmente não estou lendo "De um jeito diferente", desculpe. ando sem tempo, e gosto mais mais UA. mas vou tentar ler, ok? bj.
o Marcia B. S.: desculpe por te confudir, vou tentar explicar. a gina é uma pessoa bem crente. ela ainda leva consigo mais culpa e peso por eles se gostarem do que o harry, e quer ficar com ele, mas ao mesmo tempo ñ qr e ñ consegue. por isso essa reação louca dela, explosões de uma hora para outra. é a culpa pelo incesto. entendeu? qualquer coisa, pergunte.
foi a primeira vez que comentou aqui, não foi? obrigada pela review. continue comentando, pf. abraço.
o Guta Weasley Cullen: ohh, que adoráveis palavras! a gina é msm mt intensa. ela é frágil, mas explosiva. ela sente td a flor da pele. acho que o harry também, um pouco.
obrigada por estar sempre aqui. fico realmente feliz por ver um comentário seu. * smile * abraço.
o Grace Black: hauhauhaua. "Ginny e Harry em mais um quebra pau..." vão ter mts ainda, acredite.
acho que vc vai ver o crescimento dos dois ao longo da fic. se não o crescimento, pelo menos o desenvolvimento dos personagens. fique tranqula que tudo virá em seu tempo.
tivemos mais ainda da Lily nesse cap, e do James e da relação com os pais. teve tanto disso que tive que cortar algumas partes e reescrever outras, até que ficou assim, como postei. ainda teve mt deles (dos pais)?
"e quero muito o prox cap pra ver no que que vai dar esse baile" rsrs... não vou dizer nd sobre isso. bj.
o Anna Weasley Potter: acho que o Harry caiu na real antes da Gina, mas quando ela o fizer, vai acontecer mt coisa...
olha, eu digo que eles são mesmo irmãos. pelo menos esses são meus planos. ñ vou dizer que ñ pode mudar, pq pode, mas acho improvável. e desculpe por demorar praticamente um mês com o cap, mas tive duas semanas de provas e ficou complicado escrever. abraço!
o Pati Black: ohh, meu deus! enfim chegamos na festa... oq vc achou? senti, pela sua review, que vc estava morrendo de curiosidade para saber o que aconteceria. espero que tenha gostado... ai, quero mt saber sua opinião! hehe, bjs.
o Pedro Henrique Freitas: rsrs... as coisas estão ficando mais complicadas msm, né? é um amor realmente impossível. eu ñ acredito em amores perfeitos e idílicos, utópicos, mas o do harry e o da gina nessa fic seria assim. se não fosse toda essa situação de ser irmãos...
e o que achou desse cap? estou louca para saber oq meus leitores acharam sobre ele. abraço.
o Genevieve W. Potter: ohh, obrigada! ^^ puxa, vai acontecer tanta coisa ainda... não chore. e eu acho que discutir o final é desnecessário agora, pq mt coisa ainda vai acontecer. muita mesmo, rs. beijo.
o danda jabur: se vc ñ sabia oq dizer no cap passado, fico imaginando nesse... o q achou?
olha, não se preocupe com o fim da fic. mt água vai rolar até lá, e ñ vou dizer mais nd. vai ser preciso ler para descobrir o desenvolvimento e os destinos dos personagens.
sabe que o capítulo passado iria ser diferente a princípio? nele, o Harry não iria sugerir uma intimidade maior com a Gina ñ, mas eu fui escrevendo e escrevendo e as coisas simplesmente chegaram ali e vi que td tinha que acontecer assim - como vc leu.
e guarde suas lágrimas... ainda terá mts momentos de choro por aqui. acho que dá para perceber, não é?
eu sei TD que vai acontecer na fic. tenho um planejamento detalhado de tds as fics que escrevo e o que vai acontecer nelas em cada capítulo até o fim, o que significa que eu tenho um fim. algo pode mudar, claro, mas não é provável.
a fic explora um momento crucial da vida dos dois (H e G), quando td começa a se complicar. ñ vou dizer até onde vai, mas ela vai mostrar a vida deles como jovens que são agora. só vou dizer isso. bjo.
o Jazz.C: obrigada! continue por aqui e continue lendo que terá mais logo. tentei postar o mais rápido que pude, mas aconteceu tanta coisa que acabei ficando sem tempo... enfim. abraço!
o Camila ls Macedo: ahh, gostei que você comentou. comente sempre agora! rs. obrigada pelas palavras. espero que tenha gostado desse cap. bj.
