Harry

Eu estava decidido a aceitar aquela situação toda e seguir em frente com a minha vida, pronto para o que viesse. Não iria ser chato e insistente, tinha feito meu último pedido de reconciliação para Gina e esperava que ela mudasse de idéia quanto a nós. Só que ela não voltava para mim. Tudo bem que só haviam se passado três dias desde que eu tinha acercado-a nos Lupin e pedido que voltássemos, mas ela parecia irredutível em sua decisão. Eu precisava encarar: talvez as coisas nunca voltassem a ser como eram antes - e isso me enraivecia. Aceitaria, aborrecido, essa condição, se assim Gina desejasse. Ela estava acima de tudo, e respeitaria sua opinião mesmo que isso me deixasse infeliz.

Entretanto, nós estávamos nos dando bem à medida do possível. Conversávamos, íamos para a escola, jantávamos com James e Lily, víamos tevê... Fazíamos todas essas coisas banais do dia-a-dia sem constrangimento.

Só que eu ainda pensava muito nela. E fazia coisas pensando nela que Gina não aprovaria se soubesse, entende? Quer dizer, eu sabia que ela achava meio ofensivo eu ficar me masturbando com ela em mente, mas eu não podia fazer nada. Eu sentia uma falta do caramba dela.

Outra coisa que andava me inquietando eram as idéias da Gina sobre sairmos com outras pessoas. É claro que eu não aprovei nada disso, mas, como estávamos separados, eu tinha que aceitar o fato dela sair com um cara se quisesse. Eu talvez até saísse com Cho.

Às vezes, durante a madrugada, eu entrava no quarto de Gina e ficava observando-a dormir, lembrando de quando dividíamos a cama. Na época em que estávamos juntos, era uma merda mal poder chegar perto dela por causa de todas as "regras" que imperava sobre nós, porém eu entendia e respeitava. Parte de mim nem queria um contato maior, por causa do que éramos – do que somos, dos nossos laços. Mas nem aquilo eu tinha mais.

Era nisso que eu estava pensando enquanto guiava o carro para casa, voltando do colégio, naquela quarta-feira. Queria nossa relação de volta como era antes mesmo com todas as regras chatas; eu aceitaria qualquer coisa, qualquer migalha.

Ao meu lado, Gina estava calada ouvindo música do celular. Ela estava particularmente bonita naquele dia: usava uma camisa xadrez (que era minha e ficava enorme nela) de flanela e mangas compridas, jeans skinny e all star brancos – surrados como os que eu usava. O cabelo dela estava preso em um rabo de cavalo. Ela estava uma gata!

Quando estacionei em frente de casa, me surpreendi ao ver o carro de James, mas não tanto quanto Gina, que saiu correndo achando que algo havia acontecido.

Vinham vozes da cozinha quando fechei a porta de entrada atrás de mim. Me dirigi para lá e encontrei Gina encostada na pia, onde James cortava carne.

- Hoje é aniversário de casamento dos nossos pais – Gina me informou. – Você sabia?

- Não.

- Nem eu. Papai vai fazer uma surpresa pra mamãe. Vai preparar o jantar e tudo.

- Que legal – mas minha voz não soou como se eu achasse aquilo legal, porque eu não achava mesmo. Não era nada grandioso. – Quantos anos de casamento? - abri a geladeira e peguei um resto de torta de chocolate que tinha lá, então sentei para comer – Gina, me passa um garfo, por favor.

- Vinte anos – James respondeu.

- Aqui – Gina me passou o garfo.

- Vinte anos é muito tempo – comentei da mesa. - Você só vai preparar o jantar para Lily ou vai dar algum presente também?

- Ele comprou flores! – Gina me mostrou o jarro com lírios do outro lado da pia.

- Vou dar um presente também – James me respondeu enquanto eu comia minha torta. – Nós vamos fazer uma viagem.

- Sério? – Gina perguntou animada.

- É, meu bem. Vamos ter uma segunda lua-de-mel.

- Uau!

- Mas vocês já tiveram uma segunda lua-de-mel – falei. – Tem um monte de fotos lá na sala da viagem que fizeram. E também já houve uma terceira, quarta e quinta lua-de-mel, se me lembro bem.

- Deixa de ser implicante – Gina defendeu James. – Eles vão viajar e pronto! Quando vocês vão, papai? Eu pensei que a mamãe estivesse muito ocupada na escola com o fim do ano letivo se aproximando...

- Eu marquei a viagem para as férias, em agosto, depois do casamento do filho dos Weasley. O casamento vai ser na França, e de lá a gente começa nosso tour pelo leste da Europa.

- Mamãe já sabe?

- Não, vou contar hoje.

- Ela vai adorar.

- Vai? Você acha? Eu não sei, Gina... A gente realmente já fez muitas viagens desse tipo, como o Harry disse – James ainda cortava carne.

- O Harry está de péssimo humor hoje, não liga para o que ele diz – Gina me lançou um olhar feio. – Você vai sair de férias em agosto também, papai?

- Vou, já programei tudo.

- Eu não estava sabendo de nada disso.

- É porque era uma surpresa. Você ia contar tudo à Lily se eu dissesse algo.

- Não ia não! Eu ia...

- Ela arrancaria a informação de você, Gina, você sabe.

- Precisa de ajuda com o jantar?

- Não, filha, obrigado. O que eu quero mesmo – James limpou as mãos e nos encarou – é a casa vazia hoje.

Eu vi, por sua expressão, Gina absorver o pedido de James e entender o que aquilo significava.

- Oh, claro – ela falou, compreensiva. – Eu vou dormir na casa da Luna.

- Harry? – James me questionou. Estava querendo saber para onde eu iria.

- Vou para um hotel – disse. – Não estou com saco para aturar ninguém, nem os meus amigos.

- Tudo bem – meu pai tirou da mesa a vasilha vazia onde antes eu comia torta. – Eu lavo isso pra você.

- Valeu – saí da cozinha e fui para o meu quarto, onde joguei a mochila num canto e me atirei na cama. Fique olhando para fora, para o céu azul e branco, pelas portas da pequena varanda que tinha ali.

Meia hora depois consegui reunir forças para arrancar os sapatos antes de entrar embaixo do edredom. Eu havia acabado de fechar os olhos quando a porta se abriu de súbito. Sentei-me desajeitado, encarando Gina. Ela ficou parada no meio do quarto por um instante, depois falou:

- Você podia ser mais educado - estava aborrecida -, James é seu pai. Ele está super animado com esse jantar e você fica de cara fechada, dando patada o tempo todo.

- Não dei patada em ninguém.

- Deu sim! Deu patada o dia todo, em todo mundo. Se seu humor anda ruim, Harry, ninguém tem culpa disso.

- Você tem! – bradei repentinamente furioso.

Gina ficou me encarando por alguns segundos com aquele ar superior irritante e, como raramente acontecia, detestei-a de verdade.

- Foda-se! – ela gritou então e saiu batendo a porta.

Foda-se você, pensei. Não aguentava mais ficar ali, ainda bem que iria passar a noite num hotel. Assim mudaria de ares.

Fui tomar um banho muito aborrecido. Depois, por pura implicância, bati no quarto dela.

- Quero minha camisa xadrez – informei-lhe.

- O quê? – ela estava arrumando em uma mochila algumas roupas e o material escolar, certamente para passar a noite na casa da Luna, e nem me olhou.

- Quero minha camisa xadrez. A que você está usando.

Gina, da cama, se virou para mim.

- Você não tem roupa não? – perguntou com desdém – Tem que ficar andando pelado pela casa?

- Infelizmente minhas roupas insistem em desaparecer do meu armário e aparecer no seu.

- Te garanto que nunca peguei nenhuma cueca ou calça sua – ela já havia voltado sua atenção para a arrumação da mochila. – Depois que eu tomar banho te devolvo a camisa.

- Eu quero agora.

Gina bufou e se levantou. Abriu botão por botão, me fitando com raiva, e jogou a camisa para mim.

- Engole.

Ela estava só de jeans e sutiã agora. Putz.

De volta ao meu quarto, atirei a camisa em qualquer lugar, porque nem estava a fim de usá-la. Me vesti e fui preparar minhas próprias coisas para passar uma noite fora de casa. Eu não precisava de muito.

Enquanto estava ali, admiti para mim mesmo que estava de mau humor naquele dia. Eu me sentia desanimado e irritado.

Quando era quase 17h, eu e Gina entramos novamente no carro e saímos de casa com a recomendação de James de que ficássemos bem. Eu iria deixá-la na casa de Luna e depois iria para um hotel qualquer, mas percebi que não queria que ela fosse embora ainda.

- Estou com fome – falei em um falso tom de casualidade. - Vamos comer algo?

Gina deu de ombros. Estava brava comigo e calada, com uma expressão de poucos amigos.

- Isso é um sim? – perguntei.

Ela deu de ombros de novo e virou o rosto, olhando para fora. Queria dizer qualquer coisa para Gina, mas não sabia o quê. Então peguei seu queixo com os dedos e a fiz voltar-se para mim. Sua face estava banhada de lágrimas.

Quer saber? De repente, assim num estalo, percebi que estava cansado daquilo. Cansado demais! Tentava me convencer que tinha aceitado que Gina se afastasse de mim, mas não tinha. Não ia tentar me enganar mais. A quem eu convencia com aquela conversa fiada? A verdade é que eu não suportava mais aquela merda toda. Não suportava deixar as escolhas todas nas mãos dela, apesar do que eu havia dito antes. Eu já nem estava zangado ou de mau humor, só me sentia exausto.

Estacionei na primeira vaga que achei. Gina estava chorando forte então. Eu não a consolei nem nada, só fiquei parado com as mãos no volante. Estava difícil de enxergar, e foi aí que percebi que também estava chorando.

Em algum momento ela me abraçou e choramos juntos. Ninguém disse nada. Não foi preciso.

ooOoOoOoOoOoo

- Está cheio para um dia de semana – comentei ao entramos na Três Vassouras, a lanchonete nova que tinha aberto na cidade. Era a primeira vez que íamos lá. O lugar era muito bem decorado no estilo dos anos 60, com direito a garçonetes de saias longas e rodadas, patins arcaicos e tudo.

- Vamos sentar ali no canto – Gina se dirigiu para uma mesa mais no fundo do lugar, em frente a uma das grandes janelas. Acompanhei-a e esperamos alguém vir nos atender, o que não demorou a acontecer.

Depois de pedirmos sanduíches, refrigerantes e batata-frita, ficamos em silêncio, ora nos encarando, ora observando a lanchonete, as pessoas, o dia lá fora. Nossos olhos estavam vermelhos. Assim que paramos de chorar dirigi para aquele lugar sem perguntar mais nada a Gina sobre ela estar com fome ou não.

Comemos praticamente calados, só abrindo a boca para fazer algum comentário engraçado sobre alguém. Ao sairmos de lá era mais de seis da tarde.

- Você vai mesmo para a casa da Luna? – perguntei a Gina quando entramos mais uma vez no carro.

A resposta dela foi uma ligação para Luna, desmarcando sua ida até a casa da amiga.

- O que vamos fazer agora? – Gina questionou ao desligar o celular.

- Vamos ao cinema? – sugeri.

- Ta.

- O de Basildon?

- É muito longe.

- Podíamos ficar por lá. Vamos faltar aula amanhã.

- Não posso faltar aula amanhã, tenho que entregar um trabalho.

Por fim acabamos em um cinema dali mesmo. Vimos um filme engraçado e triste sobre um cara que não tinha recebido as cinzas da mãe, que haviam sido mandadas pelo correio. Na jornada em busca por esses restos mortais, ele descobre um bocado de coisas sobre a vida, as pessoas e ele mesmo. Até que foi um bom filme. Quando saímos do cinema já era noite e fomos para o primeiro hotel de aparência decente que encontramos.

- Um quarto? – o homem da recepção perguntou ao fazer nosso cadastro.

Foi Gina quem respondeu:

- Um quarto com duas camas, por favor.

- Camas de solteiro?

- Pode ser. – Depois virou-se para mim: – Você trouxe o seu cartão de crédito? Porque eu não trouxe o meu.

- Está aqui.

Nos hospedamos em um quarto do sexto andar. O hotel era bom, bem arrumado e limpo; nosso quarto era claro, com um papel de parede que achei estranho, mas pelo menos tinha tevê a cabo. A primeira coisa que fiz foi me atirar na cama e ligar a televisão.

- Vou tomar banho – Gina informou.

- Ok.

Quando ela entrou no banheiro e fechou a porta, fiquei só de cueca e deitei embaixo das cobertas, mas não antes de pegar qualquer coisa alcoólica, nem sei bem o quê, no frigobar e beber sem sentir gosto nenhum. Estava esgotado e só queria dormir.

Gina demorou muito no banheiro. Deve ter ficado lá mais ou menos uma hora, o que era estranho, porque eu sabia que ela havia tomado banho antes de sair de casa. Acho que ela chorou, pois seus olhos estavam levemente vermelhos quando a porta se abriu e ela apareceu enrolada no roupão do hotel. Ficou me encarando com uma expressão séria e dolorida.

- Quê? – perguntei me sentando. Ela não respondeu, só continuou com aquela mesma expressão preocupante. Eu desliguei a TV e me levantei; estava começando a ficar assustado. – O que foi, Gina?!

Ela se aproximou de mim a passos lentos até ficar bem perto, com o corpo quase colado ao meu. Eu mal me mexi. As mãos dela subiram para a minha nuca; as minhas, para sua cintura. Os gestos eram todos muito vagarosos. Gina ficou na ponta dos pés e me beijou.

Foi um beijo suave, reconfortante e quente depois de tanto tempo separados. Foi como chegar em casa depois de um dia terrível e encontrar a familiaridade e o conforto a que estamos acostumados. Não foi um beijo ardente esse primeiro, mas os que vieram em seguida começam a se tornar. Quando caímos na cama, a coisa toda já estava bem perigosa.

Mas o perigo era ótimo. Os beijos já estavam bem desesperados, e eu podia sentir as mãos de Gina vagarem pelo meu corpo. Tive que me segurar para não fazer uma besteira quando percebi que ela não usava nada embaixo do roupão. O pior é que Gina nem ajudava: ficava me beijando daquele jeito bom, e aquelas pernas...

Suas pernas apertavam meu quadril contra o dela de um modo provocante, me deixando doido. Doido mesmo. Eu já estava sentindo um frêmito crescente no baixo ventre e ela ficava fazendo aquelas coisas.

- Gina...

Ela deu um jeito de ficar por cima de mim e começou a beijar meu peito e ir descendo...

- Caralho! – xinguei, insano e sem ar. - Preciso de um instante.

Toda vez que eu ficava super excitado, Gina normalmente me deixava sozinho ou me dava às costas como se nada tivesse acontecido, então eu podia resolver meu "problema" sozinho. Mas não daquela vez. Daquela vez ela voltou a me beijar com sofreguidão e guiou minha mão para dentro da minha cueca.

- Gina...?

- Ta tudo bem – ela disse, me olhando. Estávamos deitados um de frente para o outro, e ela estava com o rosto afogueado – Pode fazer.

- Mas você não gos...

- Ta tudo bem.

Nem tive tempo para ficar sem graça, porque já tínhamos voltamos a nos beijar e as mãos de Gina ainda corriam por mim. Aquelas mãos terríveis! O roupão dela estava jogado de lado, e fui tocando e apertando a pele dela até não aguentar mais a pressão que fazia em mim mesmo.

Entre gemidos e resmungos de prazer, meus e dela, tirei a mão de dentro da cueca e usei o roupão - era do hotel mesmo, depois eles lavavam - para me limpar. Então precisei me distanciar da Gina. Necessitava de um minuto para voltar a me sentir inteiro e humano. Mas eu mal me afastei e ela já voltou a beijar meu pescoço e a me provocar.

- Não.

Afastei-a, porque precisava mesmo de um minuto. As coisas tinham acontecido muito rápido para que eu pudesse entender. Gina não costumava ser tão... tão daquele jeito, não mesmo. Ela nunca tomava atitude nenhuma, mas agora... Talvez o tempo separado tivesse sido bom.

Mantive os olhos bem fechados enquanto o ar entrava e saía dos meus pulmões. Estava contente, mas também me sentia estranho. Gina definitivamente era uma outra Gina.

Ao abrir os olhos, vi que ela tinha se deitado na outra cama. Havia vestido a camisola e estava toda encolhida.

- Gina? – ela não me respondeu – Gina?

- Que é? – sua voz estava chorosa.

Levantei-me e fui até cama dela. Ela estava chorando.

- O que foi? Por que está chorando? – sentado ali, afaguei seus cabelos – Eu pensei que a gente tinha acabado de se reconciliar... O que aconteceu?

- Nada.

- Você está se sentindo culpada? – Ela fez um gesto de negação com a cabeça – Então qual é o problema?

Ela se sentou e começou a chorar desesperadamente ao mesmo tempo em que falou:

- Você queria que eu me afastasse, então eu me afastei.

Não, não! Eu não a havia rejeitado. Como ela podia pensar aquilo?

- Você entendeu tudo errado.

Mesmo sem compreender as lágrimas, sem compreender porquê ela estava tão sensível, abracei-a e deixei-a chorar até cansar. Depois ficamos em silêncio. Eu estava feliz por tudo estar bem de novo.

- Harry?

- Sim?

Nós já estávamos deitados e abraços embaixo das cobertas.

- Eu estou confusa... Não sei o que é certo e o que é errado – ela estava recomeçando a chorar. – Mas eu quero ficar com você. Eu quero mesmo.

- Então vamos ficar juntos, como antes. Não se preocupe com mais nada por enquanto.

Sequei suas lágrimas e beijei. Nunca iria me cansar de beijá-la.

- Cheguei a pensar que nunca mais ficaria com você de novo – confidenciei. – Cheguei mesmo.

- É, eu também – ela fez uma pausa, então continuou: - Você acha...? – calou-se.

- O que é?

- Nada.

- O que é? – insisti.

- Você acha... Acha que eu agi mal com você? Quer dizer, hoje, agora. Fui muito, sei lá... Atirada?

- Você não foi atirada. Não se preocupe com isso – tirei uma mecha de cabelo da frente de seus olhos. - Eu amo você.

- Eu também.

- Vamos esquecer de tudo hoje. Vamos só ficar juntos, como nos velhos tempos, e dormir.

Ela assentiu e me apertou mais contra si. Eu, pela primeira vez em vários dias, me sentia eu mesmo. Estava em paz e dormi feliz ao lado de Gina.

ooOoOoOoOoOoo

Quando acordei, estranhei o lugar onde estava, mas logo lembrei que tinha ido para um hotel. Lembrei também daquela noite e senti falta de Gina, que não estava ao meu lado. Ainda estava escuro lá fora, percebi pelas cortinas abertas da janela, e quando olhei pelo quarto não vi mais ninguém.

- Gina?

- Aqui.

Levantei e a encontrei encolhida em um canto, escondida pela outra cama.

- O que você está fazendo aí?

- Nada, Harry. Só não consegui dormir.

- Por quê?

- Não sei.

Havia alguma coisa ali, talvez a mesma coisa que a tinha feito chorar antes. Para apoiá-la, sentei-me ao seu lado e passei o braço por seus ombros.

- Estou feliz – falei, e Gina sorriu fraco. – Você está feliz?

Ela deu de ombros como se dissesse "Tanto faz". Tinha mesmo algo errado; questionei-a com o olhar.

- Só estou pensando em nós, Harry. Em como era, em como vai ser...

- Vai ser como sempre foi.

- Nunca mais vai ser como antes. Não funcionou.

Suspirei. Será que ela ia começar de novo com aquilo?

Gina virou meu rosto para ela e me beijou.

- Quero te beijar para sempre.

- A gente pode se beijar a noite toda.

- Não podemos. Daqui a pouco é hora de se arrumar para ir ao colégio.

- Então vamos aproveitar esses últimos momentos.

Levantei-me e lhe ofereci a mão para ajudá-la a se erguer. Gina ficou alguns segundos encarando a mão que eu oferecia, então me olhou nos olhos e disse:

- Enquanto estamos aqui, mamãe e papai estão lá em casa. Nem imaginam que os filhos são dois ingratos, dois loucos apaixonados um pelo outro. Eles morreriam de desgosto... Enquanto estamos aqui, eles estão comemorando um casamento que deu certo, a família que construíram. Mas essa família é um fiasco! – sua voz soou tão amarga que me preocupou.

- Não – falei agachado diante dela, que tinha os olhos marejados. Agora eu havia entendido o motivo de seu choro e de sua insônia – Não quero ouvir. Eu já sei disso tudo, você já sabe. Por favor, Gina.

Ela me abraçou muito, muito forte. Meio desesperada. Eu já tinha até esquecido da sensação que me invadiu naquele instante - culpa -, porém ignorei-a. Não pensaria sobre isso aquela noite, de perturbada já bastava Gina. Eu precisava ser forte por nós dois, porque era isso que eu fazia.

Levei-a de volta para a cama - pequena para nós dois, que estávamos acostumados com nossas camas de casal. Ficamos apenas nos olhando por um bom tempo antes de recomeçamos a nos beijar.

Tudo havia acontecido tão rápido, tão inesperadamente, que me sentia pisando em ovos. Queria saber quais seriam as "novas regras" do nosso recém-reatado relacionamento. Beijo, pelo menos, eu tinha certeza que era permitido, porque Gina não parava de me beijar. Não que eu estivesse reclamando.

Ela, como tantas vezes antes, não se importou quando tirei sua camisola. Tudo que ouvi foram lamúrias de prazer quando comecei a trilhar beijos por seu queixo, pescoço e colo. Minhas mãos formigavam para tocá-la toda. Meus beijos continuaram descendo por aquela pele até o vale entre os seios e o umbigo. Nesse momento Gina me chamou.

- O que foi?

Ela me puxou e me beijou com uma intensidade que me surpreendeu. Pegou uma de minhas mãos e levou até seu seio.

- Não fala nada, não pergunta nada, senão vou me arrepender. Não quero pensar em nada, nada agora.

Gina voltou a me beijar com intensidade. A língua dela estava dentro da minha boca quando minha mão livre desceu para o seu outro seio.

Meu estômago revirou de nervosismo e agitação enquanto eu tocava aquela carne macia, que não demorou muito eu comecei a beijar, sugar, mordiscar... Podia sentir Gina puxar de leve meu cabelo e apertar meu ombro enquanto murmurava qualquer coisa, tinha certeza que de olhos fechados.

Eu estava tão eufórico com tudo aquilo. Minha mente era dominada por apenas um pensamento: Gina, Gina, Gina. Gina e o corpo quente e macio dela ao meu alcance, o corpo que eu estava tocando como nunca antes.

Foi uma noite memorável.


Aos leitores:

Eu sei que disse para algumas pessoas que o Harry daria um tempo para a Gina decidir o que queria, mas mudei de idéia. Espero que tenham gostado de como as coisas aconteceram. Agora estamos em tempos de calmaria depois da tempestade, mas a questão é que mais cedo ou mais tarde aparece outra tempestade por aí, não é mesmo?
Obrigada a todos que estão lendo e comentando, espero reviews para saber a opinião de vocês sobre esse novo capítulo.

Beijos,
Lanni.

PS: Ia postar antes, mas deu um erro aqui no site que eu não estava conseguindo fazer o upload do capítulo.

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Respostas as reviews:

ooo Anna Weasley Potter: Ah, o Harry nem precisou implorar tanto assim pela Gina não. Ela sentia falta dele e então tudo foi acontecendo... Até chegar à gota d'água e eles voltarem. Mas apesar deles terem voltado, a situação dos dois não está resolvida, então continue lendo para saber onde vamos parar. Abraço!

ooo Grace Black: Sim, sim, é verdade. E suas torcidas acabaram dando resultado: H e G voltaram. O que será que vai acontecer agora, hein? Nossa, ainda tem muita estória para vir por aí! Obrigada pela review e por estar sempre por aqui. Abraço!

ooo Kellysds: É verdade, ninguém deveria tentar resistir ao Harry, apesar de que ela não resistiu muito, não é? Quer dizer, até que resistiu, mas no fim eles acabaram voltando, como eu sempre planejei. Mas como nem tudo são flores... Muita coisa vem por aí. Abraço!

ooo fairy malfoy: Sim, é verdade. A Gina foi muito sincera porque sinceridade é algo importante para ela. Sem contar que, bem ou mal, ela aprendeu algo sobre a relação dela e do Harry com a traição que sofreu, então as coisas não serão mesmo como eram antes. Tudo está mudado.
Você fez algumas suposições interessantes, mas não posso dizer se estão certas ou erradas. Abraço!

ooo anneborges
: Oh, rs, obrigada. Você é muito gentil. Pode deixar que não vou deixar de postar não. Posso demorar um pouquinho, mas acabo aparecendo por aqui. Abraço!

ooo Patty Carvalho: Seus problemas acabaram! H e G enfim estão juntos de novo. Mas por quanto tempo, hein? Fica tranquila que falta muito para o fim da fic ainda. E não vai chegar carta nenhuma, porque, rsrs, como eu já disse antes, eles são mesmo irmãos. Posso até mudar de idéia, mas até agora essa vertente realmente não me atraiu.
"O que eu tenho mais certeza é que eu acho que vai rolar muita Cho ainda hauhsua!". Você tem certeza que acha, rs. Mas, sabe, também acho que vai rolar muito Cho ainda. Abraço!

ooo Priscila Louredo: Estou esperando a atualização de Desencontros, espero que não demore. Tem algum projeto novo para quando sua fic acabar?
É, a Gina está mesmo confusa... Mesmo depois de se reconciliar com o H ela está confusa, apesar de ter ficado mais esperta com tudo que aconteceu entre os dois. E, bem, eu creio que tenho sim uma boa solução para a fic. Abraço!

ooo Gabriela Granja: Oh, foi bonitinho, né? A cena no quarto do bebê Ted, quero dizer. Esses dois simplesmente não conseguem ficar separados, não tem jeito. Abraço!

ooo sophie caine: Obrigada! Aí está o novo capítulo, espero que tenha gostado. Não deixe de dar sua opinião sobre ele. Abraço!

ooo Yasmin Prado: Oh, rs, que bom que gostou de fazer essa descoberta - de E4P. Espero que continue lendo (e gostando!) da fic. Não creio que tenha chances da Gina ser adotada, essa idéia não me agrada muito. "Eles são mesmo irmãos. Posso até mudar de idéia, mas até agora essa vertente realmente não me atraiu".
Vc disse que ia dar uma olhada nas minhas outras fics... Não sei de chegou a ler, mas Perdidos na Rotação é o meu xodó! Acho que é minha fic favorita das quatro que tenho, apesar de estar relativamente no começo ainda e tudo. Se puder dá uma olhada nela. Abraço!

ooo Dessinha McGuiller: Rsrs... Pela terceira vez hoje: "Eles são mesmo irmãos. Posso até mudar de idéia, mas até agora essa vertente realmente não me atraiu". Por um lado você está certa - não vai acontecer nada para mudar o fato de que eles realmente são irmãos.
Não te levo a mal, absolutamente. Pelo contrário, fico lisonjeadíssima pelas tuas palavras. "Um casal - ora de irmãos, ora de amantes - que tem uma força de atração inconsciente sobre as pessoas... Mas ao mesmo tempo que as pessoas se deslumbram também acabam sentindo o peso que essa história carrega". Eu bem que sei como é sentir o peso que uma história carrega. Faz algum tempo que li o livro Lavoura Arcaica, belíssimo, do Raduan Nassar. Não vou contar nada sobre a obra, mas é uma dessas coisas que nos sufoca. Se puder, leia.
Gostaria que você não abandonasse a fic, mas compreenderei se isso acontecer. Para te deixar despreocupada (ou não), aviso que tenho um final em mente que julgo adequado para toda a tragetória do Harry e da Gina. Abraço enorme!

ooo Marcia B. S.: Sim, sim, é verdade. Vou te dar uma dica para compreender melhor a estória, já que não é a primeira vez que vc diz que não consigue "conceber a totalidade dessa relação". Acho que você precisa parar de tentar estabelecer uma relação entre você e a estória ("filha única tem seus momentos de não entendimento... mesmo meus primos são pessoas estranhas para mim para imaginar esse tipo de relação") e se concontrar apenas na trama e nos personagens, no que eles vivem. Tem que parar de tentar estabelecer uma relação entre eles e você, entende? Pense na fic, no universo dela, não no seu. * smile * Espero ter ajudado em algo. Abraço!

ooo Guta Weasley Cullen: É exatamente isso. "Ela não consegue realmente fazer sentindo", embora as coisas sejam coesa, além de para você, para ela. O Harry às vezes é muito exagerado; diz que quer X, mas quando consegue X esquece das condições impostas para que tivesse esse X. Mas é inegável que ele goste da Gina. Obrigada pela review adorável! Abraço!

ooo Pedro Henrique Freitas: É, e acabou que deu no que deu: a reconciliação deles. Apesar dos dois voltarem, nem tudo será um mar de rosas. Muitos obstáculos, inclusive colocados por eles próprios, ainda virão.
"As coisas esquentaram na metade final do capítulo". Acho que esquentaram mais nesse, rs.
"Acho que foi muito precipitado o ultimato do Harry". O Harry É muito precipitado às vezes. Em outras, ele internaliza tudo até que explode. Abraço!

ooo Yami Umi: Puxa, obrigada! Então espero que você continue por aqui, lendo a fic e dando sua opinião. Abraço!

ooo Marininha Potter: Bem, aí está a situação da reconciliação dos dois. Foi mais rápido do que você imaginou? Só que dificuldades ainda virão e muita água vai rolar... Abraço!

ooo Lizaaa: Oi! Obrigada pela review tão doce, suas palavras foram muito gentis. Pode deixar que continuarei escrevendo sim. Abraço!