Gina

Sentei nas arquibancadas para esperar Harry. Era quinta-feira, o dia em que ele ficava jogando futebol depois da aula de educação física.

Enquanto esperava, peguei meu celular e olhei pela enésima vez as mensagens de texto que tinha recebido dele naquele dia. Depois da nossa reconciliação na noite anterior, Harry havia me mandando mensagens absolutamente adoráveis sobre nós dois. Eu sabia que tinha que apagá-las, pois corria o risco de alguém pegar meu telefone e acabar lendo o que não devia, mas estava sem coragem. Ele tinha escrito coisas tão bonitas, tão verdadeiras!

Vi, do outro lado das arquibancadas, Hermione sentada em meio a cadernos e livros. Estava estudando como de costume. Fazia algum tempo que não conversávamos mais do que assuntos banais e eu já estava decidida a ir até ela quando uma voz me cumprimentou:

- E aí, Gina, beleza?

Era Draco.

- Olá. Como vai?

- Não muito bem – ele se sentou ao meu lado, segurando uma bolsa de gelo sobre o joelho. – Me fodi todo na aula hoje.

- O que aconteceu? – levantei a bolsa de gelo e dei uma espiada em seu joelho, que estava inchado e roxo.

- O filho da mãe do seu irmão me derrubou feio.

- O Harry? Ele não é violento nos esportes. Isso não é do feitio dele.

- O problema é que ele não sabe brincar.

Aquilo não me cheirou bem.

- Só porque eu fiz um piadinha no vestiário – Draco continuou – ele ficou puto e me derrubou de propósito. Ainda bem que a professora Hooch nem viu direito o que aconteceu, porque senão ele ia se ferrar.

- Me desculpe por isso.

- Não se preocupe, estou bem. E o Harry já está se sentindo culpado o suficiente, isso paga a coisa toda.

- Claro. Mas – a curiosidade tomou conta de mim – o que você disse para deixar Harry tão chateado?

- Nada demais; esquece isso, é assunto passado. Vamos falar de coisas interessantes. Você não está saindo com ninguém, está?

Suspirei.

- Não, Draco, não estou.

- Então que tal sairmos um dia desses? Que tal hoje? Meus pais estão fora até segunda, a gente pode aproveitar a casa só pra gente.

Olhei bem para Draco. Tenho certeza que meu "não" ficou claro em minha expressão.

- Ah, Gina, vamos lá – ele passou o braço pelos meus ombros e me apertou contra si. – Vamos nos divertir um pouco.

- Não – só para ter algo para fazer e me livrar dele, limpei a caixa de entrada do meu celular. Adeus mensagens do Harry.

- Puxa, por que não? Por que você não me dá uma chance?

- Porque não, Draco. Você não faz o meu tipo, dá em cima de todo mundo e eu não gosto de você desse jeito.

- A gente não precisa fazer nada – assegurou, apertando-me mais contra si. – Vamos só conversar e tal.

Ignorei-o.

- Ei, diz alguma coisa – ele tomou o celular das minhas mãos, conseguindo minha atenção. – Podemos ir a outro lugar se você quiser. Vamos ao cinema! Eu sei que você adora cinema. Vamos ver aquele filme que ta todo mundo falando, o "Cinzas Partidas".

- É "Cinzas Perdidas", Draco. E não, não vou ao cinema com você, até porque já vi esse filme.

- Podemos ver outro.

- Não – peguei meu celular de volta e me afastei de Draco. Não é que eu não gostasse dele, mas estava certa que ele só queria um pouco de diversão. Sem contar que a conversa que eu tivera com Pansy Parkinson há um tempo atrás não me saía da cabeça.

- Por que não?

- Eu já te disse porquê. Além do mais, você não leva a sério ninguém com quem sai – Não que eu quisesse ser levada a sério por ele.

- Talvez porque a única pessoa com quem eu realmente gostaria de sair não me dá uma chance.

Desviei os olhos da partida de futebol e encarei-o, mas logo voltei novamente minha atenção ao jogo. Tive vontade de perguntar o que ele queria dizer com aquilo, mas temi a resposta que poderia receber. De qualquer forma, era besteira eu pensar que era uma indireta. Garotas maravilhosas caíam por ele; eu não era bonita o suficiente para chamar sua atenção de um modo especial.

Minutos depois Draco falou:

- A gente está organizando um acampamento para quando as aulas acabarem. A maioria dos que vão é o pessoal que está se formando e vai para a universidade no próximo semestre, mas seria legal se você fosse. Acho que a Luna vai, e o Harry, o Rony e a Hermione vão com certeza.

- Legal.

- Então você vai?

- Não sei, Draco, tenho que pensar.

- Você pode ficar na minha barraca – ele piscou para mim no seu típico jeito Draco Malfoy de ser. – Vai ter um lugarzinho especial reservado para você.

Tive que rir. Aquela proposta era tão típica de Draco - era assim que ele era.

ooOoOoOoOoOoo

- Urgh, você está nojento – reclamei para Harry quando ele veio até mim depois que o jogo acabou. Draco já tinha se retirado para o vestiário a fim de tomar banho – Está todo suado.

- Ah, é? – ele abriu os braços e tentou me abraçar, mas me desvencilhei. Harry riu. Foi um riso franco e feliz, como há muito tempo eu não via nele.

Fomos para casa. O clima entre nós estava agradável como nunca. Não falamos muito, mas ficamos trocando olhares apaixonados. Eu podia ver naqueles olhos verdes maravilhosos de Harry o quanto ele queria chegar em casa logo para que ficássemos juntos.

De fato, a primeira coisa que ele fez ao pisar em casa foi me abraçar e me beijar. Eu queria, tanto quanto ele, continuar nossos amassos de onde havíamos parado, mas definitivamente Harry precisava de um banho antes. Quando eu disse isso ele reclamou, apesar de ter sumido correndo para tomar banho.

Recolhi nosso material jogado no chão e subi também. Guardei nossas coisas e fui atrás dele.

- O que aconteceu entre você e Draco? – perguntei entrando em seu banheiro.

- O quê? – ele abriu a porta do boxe e me olhou, sentada no chão onde eu estava.

- O que aconteceu entre você e Draco?

- Nada.

- Ele disse que você o machucou. O joelho dele...

- Ah, isso – ele se calou.

- Então – insisti -, o que aconteceu?

- Nada, eu só cometi uma falta. Acontece com bastante frequência nos esportes, se você não sabe.

- Engraçadinho – zombei sem achar graça. - Ele deu a atender que foi uma falta proposital. Que você ficou, nas palavras do Draco, puto por uma piada que ele fez. Que piada foi essa?

- Esquece isso, Gina – ele jogou água em mim, molhando-me toda. Merda!

- A piada foi sobre mim, Harry?

- Não, sobre mim. Sobre eu ainda ser virgem, mas não tem mais importância. Draco pode ser um idiota, você sabe. E não posso dizer que me orgulho de tê-lo derrubado.

- É, o joelho dele estava horrível – a expressão de Harry era de quem estava mesmo arrependido. – Oh, tudo bem, deixa isso pra lá.

- Não, espera aí. Ele estava conversando com você, o que queria?

Dei de ombros, completando:

- Assuntos banais. Ele disse que vocês estão organizando um acampamento para comemorar o fim das aulas. Por que não me disse nada?

- Eu soube hoje. Acho que isso ficou decidido hoje.

Ele pegou o xampu e começou a lavar a cabeça. Fiquei observando seu banho; Harry, de olhos fechados, nem percebeu. Ele era tão bonito, tão gostoso, tão gato! Às vezes era difícil de acreditar que eu o tinha quase que exclusivamente só para mim.

Em silêncio tirei minha roupa e entrei no banho com ele. Pude perceber sua surpresa quando meus abraços o cingiram por trás. A sensação dos meus seios tocando suas costas era aconchegante e erótica.

Harry virou-se em meu abraço e me beijou. Suas mãos começaram a passear pelo meu corpo, assim como as minhas pelo dele. O efeito dos seus toques mim... Nossa! Um calafrio subiu pela minha espinha quando sua boca alcançou meu mamilo.

- Harry – minha voz era débil, pouco mais que em sussurro.

Ficamos nessa confusão de beijos, toques, provocações e carícias por um tempo que pareceu eterno. Quando voltamos a nos beijar, pude perceber o quão excitado Harry estava. Tive vontade de tocá-lo como Cho havia feito, mas não tive coragem. E até teria continuado nossa sessão de amassos se eu não tivesse certeza de que estávamos muito perto de perder o controle. A água, nossos corpos nus, a proximidade... Era demais.

Foi com dificuldade que consegui, sem fôlego, me afastar dele. Aquela foi a primeira vez que vi claramente Harry se tocar. Me senti estranha, um pouco desconfortável, mas também poderosa e sexy por deixá-lo naquele estado.

Quando ele terminou, abriu os olhos. Afastei-me da parede onde estivera encostada e lhe dei um beijo de leve e sorri. Era uma forma de dizer que estava tudo bem, apesar de não haver motivos para que ele pensasse o contrário.

Enrolei-me numa toalha, recolhi minhas roupas e fui para o meu quarto vestir qualquer coisa. Lá, enfiei um vestido e deitei na cama, de onde podia observar o céu pela janela aberta. Como eu imaginava, Harry, devidamente vestido, logo apareceu.

Ele se deitou com a cabeça sobre o meu estômago e ficamos observando o céu. Não falamos nada, só ficamos juntos. Meus dedos mexiam em seus cabelos negros e rebeldes, e fiquei pensando...

A noite passada tinha sido libertadora, de certa forma, porque estávamos fora de casa. Era mais fácil ficar com Harry longe dali. Eu sentia a presença dos meus pais em nosso lar mesmo quando eles estavam ausentes. Tentava, mas era sempre tão difícil não pensar neles, e em mim e em Harry. Se houve algo bom na nossa separação foi o fato de poder viver com a consciência tranquila.

Droga. Eu já estava pensando demais de novo. Precisava me distrair.

- Harry?

- Uh?

- Me beija.

Ele abriu os olhos sonolentos e me encarou. Depois se colocou sobre mim e nos beijamos incontáveis vezes.

Eu gostava do peso dele sobre o meu corpo. Era reconfortante. Era bom.

Por fim nos deitamos lado a lado. Ele logo adormeceu, afinal havíamos ficado acordados uma boa parte da noite. Acho que dormi pouco depois, porque tudo se apagou.

ooOoOoOoOoOoo

- Meu bem, acorda.

Abri os olhos e vi mamãe. Imediatamente meu coração acelerou e olhei para o lado: Harry estava deitado de costas para mim, felizmente. Eu morreria se ela nos pegasse dormindo abraçados ou algo do tipo. Já era desconfortável o suficiente estarmos os dois na mesma cama, mesmo que cada um virado para um lado.

- Estávamos conversando – procurei explicar casualmente, notando que o céu já estava escuro – e acho que acabamos dormindo.

- Acorda, filho. Harry – mamãe agora estava chamando-o.

Demorou alguns instantes até que ele abrisse os olhos. Quando o fez, mamãe sorriu para nós dois.

- O pai de vocês lhes expulsou de casa ontem. Sinto muito.

- Tudo bem – falei.

Harry me olhou desconfortável e se levantou.

- Aonde vai, Harry? – mamãe perguntou.

- Pro meu quarto.

Era um pensamento exagerado, mas de repente temi que mamãe começasse a me interrogar sobre o que Harry estava fazendo na minha cama. Respirei fundo e tentei olhar a cena de fora: um casal de irmãos dormindo na mesma cama, cada um em um canto. Ta, não era nada demais, principalmente para nós, que havíamos sido criados com tanta liberdade um com o outro e com nossos pais. Todavia, como dizia Shakespeare, a suspeita sempre persegue a consciência culpada.

- Onde dormiram ontem? – mamãe indagou.

- Ficamos em um hotel, alugamos dois quartos – fiz uma nota mental para combinar aquela estória com Harry depois. – E como foi com papai?

- Nós vamos viajar! – ela falou com entusiasmo - Mas James disse que já comentou sobre isso com vocês.

- É, comentou.

- Ele também me deu isto – mamãe levantou os cabelos ruivos como os meus e exibiu as orelhas, onde usava brincos muito bonitos.

- De ouro e esmeralda – ela estava claramente orgulhosa do presente. – Para combinar com os meus olhos, foi o que James disse.

- Combina mesmo – seus olhos eram tão verdes quanto os de Harry.

- Vamos jantar.

Descemos juntas, mas antes mamãe bateu na porta de Harry e chamou-o para comer também.

- Chegaram agora? – perguntei ao alcançarmos a sala, me referindo a ela e a papai.

- Não, no horário de sempre, lá pelas cinco. Vocês pareciam cansados, por isso não os acordei antes.

Papai estava pondo a mesa quando entrei na cozinha. Apesar de termos sala de jantar, quase nunca a usamos.

- Boa noite, Gina – papai saudou-me.

- Boa noite, papai – lhe dei um beijo na bochecha e sentei no meu usual lugar à mesa. Harry apareceu logo depois, sem nenhum traço de desconforto no olhar.

Quando começamos a jantar a comida que meus pais tinham trazido da rua, tentei fazer com que meus pensamentos se concentrassem em qualquer coisa que não fosse minha relação com Harry - tentei ouvir mamãe, que falou do aniversário de uma amiga no sábado, e papai, que comentou do curso de barman que começaria a frequentar -, mas não consegui. Então deixei a sensação de culpa tomar novamente conta de mim, pedindo perdão a Deus pelos meus atos recentes.


Aos leitores:

Capítulo tranquilo, sem grandes acontecimentos. Ele serviu para mostrar como será mais ou menos essa nova fase do relacionamento do Harry e da Gina, além de dar aguns ganchos para os próximos capítulos.
Agradeço a todos que estão lendo e comentando, não sumam!

Abraços,
Lanni.

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Respostas as reviews:

ooo Oraculo: Sim, finalmente as pazes. Agora esses dois estão em um bom momento, apesar de que a paz deles começará a ser perturbada vez ou outra muito em breve. Agradeço pelos seus elogios, fico feliz que esteja gostando do rumo da trama. Beijão!

ooo Anna Weasley Potter: Oh, rs, sério? Eu tinha a reconciliação deles em mente há tempos. Será que eles "se entendam de vez" mesmo? Ou vem Cho por aí? É só continuar lendo que logo você vai descobrir. Mas, sabe, a Cho dessa fic é uma boa garota, realmente. Ela é uma pessoa adorável. Enfim... O capítulo novo veio rápido sim, viu? Beijo!

ooo Patty Carvalho: O Harry estava mesmo um porre. Além de possessivo ele pode ser muito chato quando quer. A Cho vem logo, ou nem tanto, por aí, mas antes vamos ver a Gina fazer umas coisinhas que desagradam o Harry. Beijo!

ooo Yasmin Prado
: É, eu acho que todos gostam mais de E4P, porque ela é mais dramática e tem mais reviravoltas. Você comentou que fazia "séculos" que não encontrava uma fic H/G para ler... Vc costuma ler fics de qual shipper? Beijo!

ooo anneborges: Vácuo? Que isso, não deixei vácuo nenhum, rs. A Gina, além de não ser de ferro, gosta mesmo do Harry, gosta muito. Seria realmente complicado se eles não fizessem as pazes. Ah, viu como o capítulo novo vão demorou nada? Beijão!

ooo Lizaaa: Safadinha, a Gina? Acho que não... Ou nem tanto, rs. Acho mesmo que ela é meio lenta, digamos. Olha como demorou para ela e o Harry chegarem ao atual nível no relacionamento deles - apesar do fato dos dois serem irmãos pesar muito nas decisões da Gina. Beijo, até mais!

ooo fairy malfoy: É verdade: o capítulo passado foi mesmo o fogo que a cena do quarto do Teddy provocou. Os dois realmente não conseguem ficar longe um do outro, eles são ótimos juntos.
"A Gina (pelo que parece) ainda vai mandar muito na relação dos dois". Também acho isso, rs. Beijo!

ooo Pedro Henrique Freitas
: Como sempre, você analisou muito bem o que aconteceu na fic. Harry realmente não aguentou e "explodiu", então as coisas foram se desenrolando e deu no que deu: a reconciliação dos dois.
Você falou algo sobre momento de descoberta, e eu acho que a fic é bastante sobre isso: sobre descobertas, sobre o H e a G se descobrirem, descobrirem a extesão dos sentimentos deles frente as impossibilidades. Acho que é isso, rs. Bj, Pedro!

ooo Marininha Potter: Oh, não? O que vc esperava que acontecesse então? Não, não "rolou tudo" - sexo ainda é algo proibido entre eles. Cho? Ah, ela é uma pessoa adorável nessa fic, na minha opinião, mas os leitores não conhecem muito dela ainda. Ela, como vc disse, não é mesmo uma vadia. Enfim, fico por aqui. Beijo!

ooo Pati Black: Oh, que bom que você continua acompanhando a fic! Fico feliz que ainda esteja por aqui. * smile *
Não acho estranho que você torça pelos os dois, todos torcem. É normal torcemos pelo protagonista de uma história, seja ele bandido ou mocinho - apesar do Harry e da Gina não serem nem um nem outro, são apenas "pessoas normais". Beijo!

ooo Jazz.C: Eles não foram em frente não, rsrs. Não se permitiriam, não mesmo!
Como eu disse pro Pedro, a fic é mesmo sobre descobertas, em vários sentidos, apesar de não ser só sobre isso. Beijo, até mais!