Harry
- Que tal essa camisa, filho? É tão...
- Mãe! – reclamei, fechando a porta do boxe que tinha deixado aberta. Lily entrou no banheiro sem bater; antes estava no meu quarto escolhendo uma roupa para eu sair como se eu ainda tivesse dois anos e não pudesse fazer isso sozinho – Eu estou tomando banho!
- E daí?
- Eu to pelado!
- Harry, eu sou sua mãe, já te vi pelado milhões de vezes. Te dei banho, te amamentei, troquei sua roupa...
- Ta, Lily, ta. Me deixa ver essa camisa.
Coloquei a cabeça para fora e dei uma espiada no que ela tinha escolhido. Acabamos resolvendo a questão da roupa sem grandes desavenças. Deixei-a pensar que estava escolhendo o que queria só para fazer uma média.
Íamos ao aniversário de Donna, uma amiga de Lily do trabalho. Seria um almoço de aniversário, segundo minha mãe, muito bem organizado. Eu não estava muito a fim de ir, mas infelizmente ela fazia questão que Gina e eu fôssemos.
Quando fiquei pronto, resolvi descer. Passei antes no quarto de Gina, que estava vazio. Ela devia estar com Lily, acabando de se arrumar.
Na sala, James, sobriamente vestido, estava enfiado atrás do bar.
- Quer uma bebida, filho? – ele me ofereceu assim que entrei. – Tem um...
- Não, obrigado – apressei-me em dizer, me atirando no sofá. Não queria ficar bêbado antes de chegar a tal festa por mais tentadora que fosse a proposta. Provavelmente passaríamos o dia todo na companhia de um monte de gente velha, numa festa entediante de adultos. Por mais que Donna fosse simpática e agradável, eu duvidava que ela tivesse escolhido uma música decente para tocar no seu aniversário.
Se passaram dez, vinte, trinta minutos, mas Lily nem Gina desceram. Então James começou a me questionar sobre a faculdade, se eu ainda queria ir para Essex ("Sim"), para quantas instituições tinha me inscrito ("Muitas") e quando chegavam os resultados ("Junho"). Quando eu estava quase dormindo de tédio, as mulheres apareceram. Ambas estavam lindas, mas Lily não ganhava de Gina no quesito beleza. Ninguém ganhava.
Lily usava um vestido branco um pouco curto, mas bonito. Gina vestia um tomara-que-caia cinza e justo, ainda mais curto. Ela estava fabulosa, maquiada e com os cabelos soltos. Precisei desviar minha atenção dela para não me entregar.
- Minhas mulheres estão lindas – James comentou, saindo de trás do bar. – Só acho que os vestidos estão curtos demais. Principalmente o seu, Gina.
- Ah, por favor! – Lily exclamou em desaprovação, vestindo o casaco discreto que antes levava nas mãos.
Em silêncio eu concordei com James. Elas podiam se vestir com mais discrição. Eu não queria ninguém comentando das pernas minha mãe, pelo amor de Deus! Por mais bonita que Lily fosse, e ela era realmente bonita, era minha mãe. Não seria agradável ouvir um cara comentar qualquer coisa sobre ela. Eca!
O mesmo eu podia dizer de Gina. Só que se não me agradava ouvir alguém falar de Lily, era mil vezes pior com Gina. O ciúme me cegava. E eu precisava admitir: o vestido de Lily nem estava curto se comparado ao de Gina.
Por fim saímos. Lily caminhava elegantemente nos saltos altos para o carro, a discussão com James sobre vestidos já esquecida. Gina e eu seguíamos atrás deles, sem conversar ou nos olhar. Caso contrário a vontade que eu estava de beijá-la só aumentaria.
Alguns minutos depois, sentados no banco de trás do automóvel da família, Gina e eu ouvíamos a conversa de Lily e James sem prestar atenção. Estávamos calados, eventualmente olhando um para o outro. Ela estava tão terrivelmente bonita e o espaço no carro parecia tão pequeno que ficava difícil não prestar atenção nela.
- Você está lindo – Gina murmurou para mim quando James ligou o rádio. – Gostei da roupa que mamãe escolheu. Jeans e blazer ficam ótimos juntos, ainda mais com all star para completar o visual.
Ela sorria marota. Estava me provocando com a coisa toda de Lily escolher minhas roupas.
- Quando a gente chegar em casa – retruquei no mesmo tom baixo e divertido dela – você vai me pagar por isso.
O sorriu de Gina aumentou. A mão dela se entrelaçou à minha e, assim, continuamos seguindo para o aniversário de Donna.
ooOoOoOoOoOoo
A festa era num clube, em um salão próximo a um jardim esplendoroso. O lugar era espaçoso e claro, a decoração era toda branca. Lily ficou falando de como tudo estava perfeito e James comentou de detalhes arquitetônicos como as paredes de vidro e o pé direito alto, mas não prestei muita atenção.
Donna veio nos cumprimentar assim que nos sentamos na nossa mesa. Depois das saudações e da entrega do presente, ela falou animada da festa que estava dando e do quanto estava feliz por conseguir...
- ...reunir meus amigos e minha família. Até Nicholas deixou a faculdade no meio das provas e veio comemorar comigo. Vocês lembram do Nicholas? – Donna perguntou a mim e a Gina – Às vezes vocês brincavam juntos quando eram pequenos.
- Não lembro – Gina respondeu.
- Eu acho que lembro – disse, a imagem de um menininho de cabelos castanhos e olhos azuis surgindo na minha mente.
- Vou mandar ele vir falar com vocês depois – Donna prometeu. Ela ainda conversou conosco um pouco mais, porém logo foi cumprimentar outros convidados.
Não demorou e James se levantou, comentando que iria até o bar.
- Não vá importunar os barmans – Lily pediu, conhecendo a péssima mania de James. – Eles estão trabalhando e não querem...
- Não vou importunar ninguém, Lily – mas ele saiu em direção ao bar com cara de que ia sim.
Comecei a conversar com Lily quando Gina saiu para pegar o casaco que tinha esquecido no carro. Ela perguntou de Cho, ou melhor, da "garota que ligou ontem lá para casa". Eu fui salvo do papo por um rapaz mais ou menos da minha idade que chegou até nossa mesa perguntando:
- E aí, tudo bem, Harry? – ele bateu no meu ombro e sentou-se no lugar, antes ocupado por James, ao lado de Lily.
- Tudo bem – respondi, desconfiado que aquele era Nicholas.
Ele virou-se para minha mãe e disse:
- Se eu não soubesse que você é a Lily, iria garantir que é a Gina. É tão jovem!
Lily riu, corando levemente. O modo como ele fez aquele comentário tão cortês me lembrou um pouco Draco, apesar dos dois serem claramente diferentes tanto na aparência quanto nos modos.
- Ah, Nicholas, você é gentil como sua mãe – foi a resposta de Lily. – Ela me disse que você está cursando Inglês em Cambridge.
- É verdade. Você já está na faculdade, Harry? – ele se virou para mim e algo nele não me agradou.
- Começo no próximo semestre.
- Ah, claro. Esqueci que você é um pouco mais novo do que eu.
- Você tem vinte, não, Nicholas? – Lily questionou – A última vez que te vi, há uns dois ou três anos atrás, você estava totalmente diferente. Era um adolescente cheio de espinhas, mas agora...
- Mãe! - chamei-lhe a atenção. Ela não ia começar com aqueles assuntos, não é?
- Tudo bem – Nicholas falou. – Não faz mal, eu...
- Achei! – Gina chegou até a nossa mesa e se atirou em sua cadeira, entre eu e Nicholas. Nem o viu – O casaco caiu embaixo do banco, deu um trabalhão pra...
Lily pigarreou, chamando sua atenção. Gina se deu conta do estranho na nossa mesa e cumprimentou-o com um "Oi" sem graça.
- Esse é o Nicholas, de quem a Donna estava falando – Lily explicou a Gina. – Nicholas, essa é a Gina.
- Me lembro dela – ele sorriu para Gina de um jeito que eu não gostei. – Como vai? Faz tempo que não nos vemos.
- Estou bem.
Lily se levantou com a desculpa de tirar James do bar. Nesse momento, Nicholas lançou o convite:
- Eu estou sentado com os meus primos, eles são mais ou menos da nossa idade. Querem ir para lá? Vai ser melhor do que ficar aqui, eu garanto.
No mesmo instante que eu respondi "Não, obrigado", Gina falou "Sim, é claro". Entreolhamos-nos.
- Vamos – ela me pediu. - Pode ser legal.
- Não. Vai você – disse, deixando claro nas entrelinhas que não queria que ela fosse.
Mas Gina me encarou profundamente e, com uma expressão desafiadora, se levantou.
- Vamos, Nicholas – chamou, então foi embora com aquele idiota do filho da Donna.
ooOoOoOoOoOoo
Ela voltou para nossa mesa cerca de uma hora depois. Eu estava sentado sozinho, pois Lily e James estavam na pista de dança, dançado, é claro.
- Você é um bobo – Gina disse, sentando-se ao meu lado. – Por que não vai se sentar com a gente? Tem uma mesa no jardim com um pessoal da nossa idade. Aqui está um saco.
- Estou bem aqui, obrigado.
- Vai ficar aqui emburrado e sozinho por birra?
Encarei-a zangado. O tempo todo que eu tinha ficado sozinho serviu para que a impressão que tive de que Nicholas estava interessado em Gina se tornasse certeza, assim como serviu para aumentar minha raiva dela por ter aceitado sentar-se na mesa dele.
- Por que você não sossega e fica aqui comigo?
- Porque aqui está chato, Harry. Eu conheci essa garota, Janice, e ela estuda música, olha que interessante! Ela é super legal, você...
- Ah, Janice? – perguntei com desdém – Tem certeza que você conheceu uma garota? Não seria um tal de Nicholas que você conheceu?
Vi sua expressão mudar e se tornar impassível.
- Não acredito que você está com ciúme. Não acredito.
- Vai à merda, Gina.
- Não acredito. Estou numa mesa com um monte de gente, o que você acha que aconteceu? Que a gente ficou se agarrando embaixo da toalha?
Me limitei a fitar o nada e a esvaziar minha taça de bebida. Nicholas babaca.
Senti a mão de Gina apertar meu joelho por baixo da mesa.
- Por favor – ela pediu baixo, a voz dócil -, não faz isso. Por favor. Por favor, Harry.
- Me deixa – resmunguei.
Ela pareceu ofendida. Levantou-se e, inacreditável!, me deixou novamente sozinho.
Tive que ficar curtindo desamparado minha raiva e meu ciúme. Tive vontade de ir até aquela maldita mesa e ver o que estava acontecendo por lá. Mas eu tinha orgulho, não daria as caras no jardim depois que dizer que não iria.
Muito tempo depois, Lily e James voltaram a se sentar, pois o almoço seria servido. Quando meu pai pediu que eu fosse chamar Gina para comer conosco, fui com prazer, mas um prazer muito bem disfarçado.
Ela estava mesmo em uma mesa no jardim, sentada entre o Nicholas e uma menina negra, com quem conversava animadamente. Gina parecia tão entusiasmada que tive vontade de perguntar sobre o que falavam, mas limitei-me a dizer ao chegar até ela:
- James mandou você vir comer com a gente.
Gina me encarou com seus penetrantes olhos castanhos e se levantou, voltando comigo. Uma sensação de vitória se espalhou pelo meu corpo.
Comemos em silêncio. Ou melhor, eu comi em silêncio; Gina, Lily e James conversaram bastante.
- Você está muito calado – Lily falou em dado momento – O que foi, Harry?
- Nada.
- Eu te conheço, menino. Quando você fica muito calado, carrancudo desse jeito, é porque tem algo te incomodando.
Senti os olhos de Gina em mim, mas não a fitei.
- Essa festa está muito chata – disse -, quero ir embora.
- Deixa, mamãe – Gina se intrometeu. – Ele deve ter acordado com o pé esquerdo hoje.
- Cala a boca, ninguém te chamou na conversa! – bradei com ela.
- Ei, Harry! – James chamou minha atenção – Isso é jeito de falar com a sua irmã?
Bufei e voltei a comer ainda mais puto, se é que isso era possível. Para piorar meu humor, depois do almoço Nicholas reapareceu em nossa mesa.
- Vamos dançar, Gina? – ele convidou galanteador.
Ela, não sei se para me provocar ou por vontade, aceitou. Levantei no mesmo instante que os dois se encaminharam para a pista de dança e fui até o bar pegar outra bebida. O pior é que a música tinha melhorado, estava tocando agora umas baladas boas da década de 70. Será que pelo menos não podiam colocar uma música ruim para eles dançarem?
Depois de três drinques voltei para a mesa. James não estava.
- Sabe – Lily comentou -, ela já é grandinha, Harry. Por mais que você queira protegê-la, Gina não precisa disso.
- O quê?
- Sua irmã tem praticamente 17. Deixe-a em paz! Está parecendo o James...
Aqueles conselhos entraram por um ouvido e saíram pelo outro. Lily não fazia idéia do que estava falando. Ela não fazia idéia do que existia entre Gina e eu.
ooOoOoOoOoOoo
Vi, na pista de dança, Nicholas deixar Gina e ir dançar com a mãe. James foi dançar com Gina, deixando Lily só. Ela veio até mim.
- Não – disse antes que ela fizesse o pedido. – Não vou dançar com você, Lily.
- Por que não me chama de "mãe", Harry? Até parece que não gosta que eu seja sua mãe...
- Não vou dançar com você, mãe.
- Vai sim, precisa melhorar essa cara.
Não tive como fugir, ela me arrastou para a pista de dança com ela. Felizmente James logo voltou a dançar com Lily. Eu já estava voltando para a mesa quando alguém segurou meu braço.
- Me concede essa dança? – Gina perguntou gentil.
Quis gritar um não bem grande, mas em vez disso aceitei sua mão e o convite.
A música que estava tocando era agitada, mas a pista agora era uma bagunça tão grande de pessoas que foi fácil eu e Gina dançarmos devagar e próximos, ao som de uma canção imaginária própria.
No começo não falamos nada, porém eu acabei dando o braço a torcer e perguntei:
- E aí, ele já te cantou?
- Quem?
- Quem seria?
- Você está falando do Nick?
- Nick? Vocês já são tão íntimos que estão se chamando pelo apelido? – minha raiva e meu ciúme voltaram com força total - Como ele te chama, de "Gi"?
Gina, em vez de se zangar mais uma vez, riu.
- Harry, Harry... Você não toma jeito. Não aprende nada.
- Do que você está falando? – meu tom não era nada amigável.
- Estou falando que não tem nada entre eu e ele...
- Ainda.
- ...mas se tivesse, isso não seria um problema. Combinamos que teríamos um relacionamento aberto e...
- Não! – soltei-a. – Você comentou algo sobre isso, mas foi uma decisão sua, unilateral! Eu não concordei com nada!
- Nem precisa, afinal sou eu quem faz as regras agora.
Nossa, meu ódio foi tanto que meus punhos fechados tremiam!
- Quem disse?!
- Eu disse – ela estava começando a se enfurecer, mas seu tom era baixo, pois tinha muita gente ao nosso redor. – Além do mais, você não pode falar nada! Ou já se esqueceu da sua cena com a Cho na festa do colégio? Sem contar que vira e mexe eu vejo vocês dois se beijando na escola!
- É diferente – argumentei com o coração acelerado; não sabia que ela tinha conhecimento daquilo. – É ela que sempre me beija, eu só...
- Corresponde.
- Exato.
- E isso faz diferença?
- Faz toda a diferença!
- Argh! – ela caminhou para fora da pista e eu fui atrás dela até uma das varandas do salão, onde, depois de fechar as portas de acesso, ficamos protegidos - Olha, Harry, eu não me importo, sinceramente – Gina estava tão aborrecida que havia lágrimas em seus olhos. - Eu não estou brigando com você por beijá-la, ou por ela beijar você, já que insiste na diferença entre um e outro. Eu só quero que pare com essas cenas de ciúme idiotas e absurdas! QUERO QUE PARE DE ME SUFOCAR!
Gina saiu batendo o pé e me deixou só. Mais emburrado do que nunca, voltei para a mesa.
ooOoOoOoOoOoo
Sozinho com os meus pensamentos, admiti para mim mesmo que tinha exagerado. Talvez realmente não houvesse motivo para tanto, mas era difícil me controlar quando se tratava de Gina. Só de imaginar outra pessoa com ela...
Desviei desses pensamentos e olhei para o jardim pela parede de vidro do salão. Queria pedir desculpas a Gina, mas ela havia desaparecido e com a tempestade violenta que caía lá fora era impossível sair para procurá-la. De qualquer forma, logo estaríamos em casa e eu poderia me desculpar.
Por não ter o que fazer, fui até uma das varandas. A chuva caía forte há algum tempo. Estávamos esperando ela diminuir e Gina aparecer para ir embora.
Demorou para que a tempestade acalmasse. O céu estava escuro e chuviscava quando um movimento me chamou a atenção no horizonte verde pela grama. Forcei a vista e tive a impressão de ver um vulto ruivo. Quando o vulto aumentou, percebi que quem vinha era Gina, porém ela caminhava ao lado de Nicholas.
Respirei fundo e contei até dez. Voltei para a mesa e procurei me concentrar em qualquer coisa, menos nos dois juntos lá fora.
Pouco depois Gina apareceu, encharcada e tremendo, diante de mim e dos meus pais.
- O que aconteceu, Gina? – Lily parecia preocupada.
- A chuva me pegou quando eu estava explorando o clube.
Sozinha?, tive vontade de perguntar, mas me calei.
- Vamos embora agora, James – Lily continuou. – Essa menina pode pegar uma pneumonia molhada desse jeito.
James passou seu paletó para Gina e partimos. Uma parte de mim ficou tentada a abraçá-la e aquecê-la, porém a raiva foi maior.
Nos despedidos de Donna antes de ir embora. Nicholas, agora sentado com a mãe, estava tão encharcado quanto Gina. Me esforcei para não socá-lo, e consegui.
Nem olhei para Gina no caminho de casa, e acho que nem ela para mim. Era incrível a facilidade que tínhamos para brigar.
Quando chegamos, Lily arrastou-a escadas acima e se enfiou com ela no banheiro. Eu estava impaciente para conversar com Gina, perguntar que merda ela estava fazendo com o idiota do Nicholas durante a chuva. Na verdade, nem tinha certeza se queria saber a resposta.
No meu quarto, me joguei na cama e procurei pensar com calma. Provavelmente eles só haviam se encontrado casualmente quando chuva começou a cair e foram procurar um abrigo juntos, afinal aquele clube era enorme e tinha muitos lugares para se esconder da aguaceira que caiu. E mesmo que eles não tivessem se encontrado casualmente, não precisava ter acontecido nada. Eu estava com ciúme à toa.
Esperei Gina acabar o banho e ir para o quarto. Assim que isso aconteceu e Lily foi embora, eu me enfiei no quarto dela e tranquei a porta.
Gina estava enrolada na toalha, procurando uma roupa no armário. Ela me viu entrar e não falou nada. Sentei-me na sua cama e fiquei observando atento ela trocar de roupa. Quando acabou, disse:
- É melhor você sair. Mamãe ficou de me trazer um chocolate quente e não seria legal se ela encontrasse você trancado aqui comigo.
Levantei e abri a porta.
- Agora você não está mais trancada – falei, voltando a me sentar na cama.
De repente a bainha do meu blazer me pareceu muito interessante. Senti o colchão afundar ao meu lado e vi, pela visão periférica, Gina se sentar. Respirei fundo para tomar coragem para falar:
- Desculpe por ter ficado tão puto com você. Eu sei que exagero às vezes.
- Só às vezes?
- É, só às vezes. Mas você, Gina, você me dá motivos...
- Harry, esquece. Deixa o assunto de lado. Eu não estou nem com vontade nem com paciência para discutir isso com você.
- Por quê?
- Porque não.
Aquilo estava fácil demais.
- Você está me escondendo algo, Gina? – perguntei desconfiado.
- Harry – ela se pôs de pé e colocou as mãos na cintura -, você está paranóico, sabia? Eu gosto de você. Por que esconderia algo?
Por que não esconder?
- Isso quer dizer que não aconteceu nada entre você e o Nick?
Ela suspirou e disse com tédio e indiferença:
- Não aconteceu nada relevante.
Minha testa se franziu e quando voltei a falar meu tom foi hostil:
- O que isso quer dizer?
- Que eu gosto de você.
- Gina, o que isso quer dizer?
- Nós nos beijamos. Só isso.
Me levantei, meu corpo todo formigando estranhamente.
Só isso? Só isso? Só isso, porra? Ela ainda dizia "só"? Que droga de brincadeira era aquela?
- Ta zuando? – consegui articular.
- Não – ela disse simplesmente, a voz e a expressão inalteráveis. – Mas de certa forma eu menti: nós não nos beijamos, ele me beijou e eu correspondi. Afinal, isso faz toda a diferença, não é, Harry?
Eu podia sentir minhas unhas penetrando a carne de tão forte que minhas mãos estavam fechadas.
Para evitar fazer uma besteira, como dar um soco em Gina, saí do quarto batendo a porta.
Aos leitores:
Esse capítulo, pelo menos no meu ponto de vista, foi ligeiramente diferente quanto à estrutura e ao ritmo. Perceberam? E gostaram? A Gina mudou mesmo, não?
No final desse mês a fic completa um ano, e o que isso significa? Presentes! Não presentes propriamente ditos, mas postarei novos caps com frequência se vocês também me presentearem e deixarem bastantes reviews. Então todo mundo que ler, comente também!
Beijão,
Lanni.
Respostas às reviews:
ooo Grace Black: Sim, a Gina mudou, então suas atitudes se renovaram, de certa forma. Draco dar trabalho? Bem, pode ser que sim ou que não... É só esperar para ver! Todavia, certamente há confusões à vista na fic. Aliás, essas confusões já começaram, rs. Abraço!
ooo Oraculo: Ei! Fico feliz que esteja apreciando a história. As coisas estão começando a tomar um rumo diferente, estão começando a se encaminhar. Obrigada pela review. Abraço!
ooo Carol Good God: Oh, tudo bem. Às vezes ficamos realmente sem tempo, o importante é que vc reapareceu aqui, rs.
Relação H/G dar certo? Beeem... é, estava dando certo sim, mas agora, com esse último capítulo, as coisas podem mudar novamente. É melhor eu parar por aqui antes de falar demais. Abraço!
ooo Yasmin Prado: Nossa, não. Eu sou completamente cannon, rs. Sou totalmente fiel ao que Jo Rowling criou, só gosto dos casais do livro, apesar de gostar de elaborar essas relações ou até mudá-las um pouco. Abraço!
ooo Lizaaa: Pelo seu "smile" acho que gostou do último capítulo, não? Tomara que tenha gostado desse também. A Gina deu um pouco de dor de cabeça ao Harry, rsrs. Abraço!
ooo anneborges: Esse mês terá muitas atualizações, dependendo de como for a resposta de vocês, leitores. Oh, sim, comente, assim eu de fato sei que você está semper aqui. *smile* Abraço!
ooo Marininha Potter: Ai, é péssimo quando nossa review simplesmente desaparece do nada! Quanto à Gina, fique tranquila, pois, no meu ponto de vista, o final dela será ok. Ela também é a minha personagem favorita da saga HP. Abraço!
ooo Anna Weasley Potter: "Pelo jeito (Harry e Gina) estão se entendendo até bem demais". Olha, eles estavam realmente se entendendo bem, mas agora...
É, o Harry não desmarcou o encontro dele com a Cho, que acontecerá no próximo capítulo. Se o Draco vem por aí? É possível, mas não vou dizer mais nada sobre isso. Abraço!
ooo Patty Carvalho: É, o capítulo passado foi mais tranquilo mesmo. Eu gosto de tramas, sejam de fics, livros, filmes, etc, onde "o nada acontece", como em Perdidos na Rotação. Nela, cada capítulo é um somatório para a história geral, apesar de não ser extremamente importante por si só. Talvez seja por isso que ela é minha fic favorita das que tenho. Abraço!
ooo fairy malfoy: Draco infantil? Por que acha isso, pela conversa que ele teve com a Gina? Ele pode ter sido sincero... ou não! Rsrs.
Não sei se a Gina tem mais receio pelos pais do que por Deus, mas, sei lá, vai ver que sim, afinal os pais estão, no ponto de vista material e físico, mais próximos dela do que Deus. Abraço!
ooo Shimbo Walker: Oi! Há quanto tempo!
Não sei se concordo com você quanto a "maturidade, serenidade e comedimento recém-descobertos pelos personagens". Diria que a Gina sim, ela adquiriu essas qualidades, mas o Harry não. E não tem nada a ver comigo, até porque eu tenho essa fic planejada do começo ao fim faz meses e já sabia há tempos que a história tomaria o rumo que está tomando, assim como os personagens.
Sobre nosso projeto, nossa!, devo te pedir desculpas pela minha ausência. Ando totalmente sem tempo para pensar nisso, o que realmente só poderei fazer com dedicação quando terminar as fics que tenho. Contudo, espero que possamos manter contato até lá ou chegar a uma outra solução.
Obrigada pelas palavras gentis e pela review. Abraço!
ooo Ly Anne Black: Oh, realmente, você ficou com uma review especial: a ducentésima!
Obrigada por suas palavras! A parte sobre os diálogos foi especialmente interessante (eu também gosto muito dos diálogos deles). Mudando um pouco de assunto, eu também acho que, hoje em dia, há poucas fics boas. Eu escrevo sobre histórias que eu gostaria de ler, tentando oferecer ao leitor um trama diferente do que é encontrado por aí e até um pouco mais madura - sobre isso, minha outra fic em andamento, Perdidos na Rotação, é bem assim ao meu ver.
Espero voltar a te "ver" por aqui, gostei muito da sua review. Abraço!
ooo Pedro Henrique Freitas: Pedro, rs, eu infelizmente não posso te dizer se Draco estava falando sério ou não quanto a estar genuinamente interessado na Gina, mas em certo momento você terá, de certa forma, a resposta para essa pergunta.
Como você pôde ver, o trecho que postei no blog não tem nada a ver com G/D, mas sim com Gina e um outro rapaz.
Vou te contar uma coisinha sobre o acampamento: tanto o Harry quanto a Gina descobrirão coisas nesse passeio, mas a natureza de suas descobertas são muito diferentes.
Ainda não te mandei seu e-mail, mas vou. Agora, com o ano chegando ao fim, ando atolada, você sabe como é. Abraço!
