Harry

Eu posso contar nos dedos as vezes que vi ou ouvi James e Lily brigarem. Eles raramente tinham uma discussão séria, mas nessas poucas vezes as coisas ficavam bem feias. Tanto eu quanto Gina procurávamos não nos meter; ficávamos quietos no nosso canto e esperávamos a poeira baixar. E foi isso que fizemos naquele sábado, no dia seguinte ao meu encontro com Cho, enquanto o som dos gritos de James e Lily ecoavam baixos através da porta fechada do meu quarto.

Eu e Gina estávamos trancados ali havia pelo menos uma hora. Ela cantarolava de olhos fechados, tentando não escutar nada da briga. Não queria saber o motivo da discussão, assim como eu também não queria. Todavia, apesar da porta fechada e da voz de Gina, ainda era possível ouvir as vozes que vinham do andar de baixo.

Quando o barulho de vidro se quebrando seguiu um berro particularmente assustador de Lily, Gina, que estava sentada na cama e agarrada aos joelhos, se encolheu ainda mais. Vi que ela, cujos olhos ainda estavam fechados, começou a derramar lágrimas silenciosas.

Além da preocupação pelo arranca-rabo lá de baixo, me enchi de angústia por Gina. Ela sempre ficava aflita quando James e Lily brigavam. Eu também não gostava, é claro, mas não ficava desesperado como ela.

Liguei o som em um volume alto o suficiente para abafar qualquer voz. Gina ergueu os olhos para mim imediatamente.

- Ta tudo bem – garanti, me sentando ao lado dela. – Relaxa, Gina. É só uma briga sem importância, depois eles fazem as pazes. Sempre fazem

Ela sabia que eu só estava dizendo aquilo para acalmá-la, então minhas palavras não adiantaram muito.

- Não gosto quando eles brigam.

- Eu sei. Também não gosto, mas você sabe que eles sempre fazem as pazes depois. Fica calma.

Ela suspirou e, soltando minha mão, foi até o banheiro, fechando a porta atrás de si. Eu desliguei o som, não queria saber de música. As vozes de Lily e James voltaram a ser vagamente audíveis. Dava para ouvi-los, mas não para perceber com clareza o que diziam.

- Gina? – abri a porta do banheiro e entrei. Ela estava se fitando no espelho, o rosto molhado, uma mão sobre a pia e a outra na torneira aberta. Dali mal dava para ouvir os gritos dos nossos pais lá embaixo.

Abracei-a por trás e ela recostou a cabeça no meu peito. Ficamos nos olhando no espelho por um minuto ou dez, não sei dizer. Por fim Gina se afastou para ligar o chuveiro e abrir as torneiras da banheira.

- Vai tomar banho? – questionei, apesar da resposta ser óbvia.

- Vou – ela já tinha começado a tirar a roupa. Quando ficou nua, aproximei-me novamente, voltando a abraçá-la.

- Harry, não. Agora não. Não estou com cabeça...

Ela entrou na banheira, onde se deitou como se quisesse ser tão transparente quanto a própria água que começava a cobri-la. Ia deixá-la um pouco sozinha quando Gina me chamou.

- O quê? – perguntei.

- Papai falou em traição – sua voz era baixa e fraca. - Tocou no nome do professor Snape. Você acha que a mamãe...? – ela se calou. Não ousava terminar a frase.

- Pensei que estivesse tentando não ouvir.

- Eu estava. Mas é impossível não ouvir nada com essa gritaria.

Os olhos dela ainda imploravam por uma resposta. Eu respirei fundo antes de dá-la.

- Gina, não acho que a Lily traiu o James. E mesmo que tivesse traído, eu tenho certeza que não seria com Severo Snape.

- Como você pode ter tanta certeza? Eles foram namorados, quase...

- Isso foi há muito tempo atrás, Gina. Além do mais, o Snape é feio pra caramba...

- Ele tem seu charme, Harry.

Perdi a voz por um segundo. "Ele tem seu charme"?!

- Eu tenho certeza que nada aconteceu, Gina. A Lily nunca trairia o James, isso é coisa da cabeça dele. Você sabe como ele é cismado com o Snape.

- É, eu sei... Concordo com você, mas... e ele? Acha que ele a trairia?

As insinuações de Gina estavam começando a me atormentar também. Eu tinha certeza que ela havia ouvido, tão bem quanto eu, a palavra "traição" sair da boca de ambos dos nossos pais.

- Ele também a ama. Quem ama não trai.

O olhar de Gina deixou de mostrar preocupação e nervosismo por um instante e refletiu descrença.

- Você sabe tão bem quanto eu que trai sim. Cho que o diga!

Suspirei. Ele ia começar de novo?! Ela sempre fazia o "favor" de me lembrar disso!

- Gina, vamos deixar a briga acabar e aí tentamos descobrir o motivo por trás dela, ok?

Novamente aflita, ela assentiu.

- Eu não quero que eles se divorciem, Harry.

- Eles não vão! Não podem, Gina - só imaginar Lily e James separados parecia errado.

Ao fechar a porta do banheiro atrás de mim, percebi que os gritos haviam cessado. Lá de baixo só vinha o silêncio.

Ousei sair do quarto e, lentamente, me dirigi as escadas. Lily estava sentada no primeiro degrau, no patamar, com o rosto entre as mãos. Estava chorando. Ela nunca me lembrava tanto Gina quanto quando chorava.

Sentei ao lado dela e abracei-a. Lily chorou ainda mais agarrada a mim. Depois de um bom tempo serenou e me encarou com seus olhos inchados e brilhantes pelas lágrimas.

- Sinto muito por isso, Harry. Fizemos uma cena, eu e seu pai.

- Ta tudo bem, Lily, ta tudo bem...

- Não está bem, Harry! Eu o detesto às vezes, o detesto! Isso é tão errado... – ela voltou a chorar, mas não demorou tanto a se acalmar dessa vez – Cadê a Gina?

- Tomando banho.

Por um instante, vi um vislumbre de sorriso nos lábios de Lily.

- Ela sempre toma banho quando eu e James brigamos. Enche a banheira e se enfia lá dentro, desde pequena – a mão de Lily alcançou a minha, e eu apertei-a forte. – Ela está bem?

- Está. Acho que agora está.

- Ela vomitou? – eu assenti – Não sei o que a Gina tem que sempre vomita quando fica nervosa. Médico nenhum resolve isso...

- Ei, Lily – eu vi que ela estava tentando tornar aquela conversa casual para se distrair e também me distrair. Mas eu estava preocupado demais para isso. – Ta tudo bem?

Por um longo momento, ela apenas me fitou com angústia e insegurança.

- Está, Harry. Vai ficar. Eu... Eu... – ela se levantou, nervosa – Eu vou ver Gina, ela deve estar aflita.

- Ela está.

- Você ficou com ela enquanto... – sua voz vacilou - enquanto eu e James discutíamos?

- Fiquei.

- Que bom. Gina fica agoniada, muito aflita...

Ela saiu comentando consigo mesma o quanto Gina ficava preocupada com as eventuais "briguinhas bobas" que tinha com James. Vi Lily entrar no banheiro do corredor e sair no segundo seguinte, dirigindo-se então para o meu quarto.

Encontrei James na varanda, sentado em um dos bancos duplos de madeira que ele mesmo havia instalado ali muitos anos antes. Fitava as árvores fronteiriças do nosso quintal dos fundos com um olhar perdido e, para minha total surpresa, fumava.

- Pensei que você tinha parado de fumar – comentei num tom que esperava soar casual ao me sentar ao lado dele. James pareceu acordar de um sono profundo ao som da minha voz.

- Eu parei.

- Engraçado você dizer isso, porque tem um maço cheio e um isqueiro na sua mão esquerda. E, na direita, um cigarro aceso.

- É ilusão de ótica. O sol se pondo de vez em quando dá essa impressão.

- Claro.

No silêncio que surgiu, deixamos o humor de lado. James me encarou com uma expressão séria e preocupante. Naquele momento, era um homem desesperado.

- Depois de todos esses anos, sua mãe ainda me surpreende – sua voz era triste. - E nem sempre são surpresas boas...

- O que você quer dizer com isso? – estranhamente, meu coração disparou. Quem costumava ter esses nervosismos por Lily e James era Gina, não eu.

- Tenho certeza que você ouviu.

- Não ouvi não. Nós tentamos não ouvir. O que aconteceu, James?

- ELA É LOUCA, A SUA MÃE! – repentinamente ele estava de pé, zangado e fora de si como poucas vezes eu tinha visto – ACHA QUE EU TENHO UMA AMANTE, VÊ SE PODE!

- E você tem?

Ele pareceu não acreditar que eu tinha perguntado aquilo. Tive certeza que a resposta era "não" pelo olhar incrédulo que me lançou.

Tão de súbito quanto havia ficava bravo, James se acalmou. Atirou-se novamente no banco e acendeu outro cigarro. Eu imitei o gesto dele, acendendo um para mim também.

- Eu nunca trairia sua mãe. Nunca. Já ela...

- Ela também não trairia você. Eu tenho certeza.

James deu um suspiro triste e continuou fumando. Resmungou qualquer coisa sobre eu não fumar, mas não me repreendeu. Não muito tempo depois, divagou:

- Queria ter essa sua certeza, Harry. Eu a tenho, na maior parte do tempo. Mas quando Lily começa a fazer acusações descabidas... Eu me pergunto o porquê dela desconfiar tanto de mim. Só pode ser porque tem o rabo preso...

- Não, pai, não é nada disso. Se a Lily faz perguntas é porque se importa. Porque gosta de você.

Não saberia dizer por quanto tempo James ficou me encarando antes de sorrir e falar:

- Ei, rapaz, é o pai que tem que dar lição para o filho, não o contrário – ele passou o braço pelo meu ombro e me deu um tapinha camarada. Poucas vezes eu me senti tão filho dele quanto naquele momento.

Mais da metade do maço de cigarros se foi antes de nós nos levantarmos e decidirmos subir. Depois de tantos anos de convivência com aqueles dois, sabia que agora era a hora de Lily e James se reconciliarem. Uma longa conversa os aguardava e, depois, um passeio em família para todos nós. Ou pelo menos assim seria se desse tudo certo.

- Isso fica comigo – falei quando James tentou guardar o resto dos cigarros no bolso da calça. – Você não penou para parar de fumar para voltar ao vício numa tarde, não é?

Nessa altura já estávamos no corredor, em direção ao meu quarto. James me parou e, para somar-se a mais uma das surpresas do dia, me abraçou. Nós nos dávamos muito bem, mas não costumávamos trocar muitos abraços.

- Você já está do meu tamanho – ele disse no meio do abraço com uma voz que parecia orgulhosa. – É um homem.

Depois me soltou gentilmente e entrou no meu quarto. Um instante depois, encabulado, mas também satisfeito por alguma razão, eu o segui.

ooOoOoOoOoOoo

A porta do banheiro estava aberta. James estava parado na soleira olhando para dentro, onde eu sabia estar Lily e Gina.

Me aproximei e o interior do cômodo entrou no meu campo de visão. Pude ver Lily sentada na borda da banheira, onde Gina ainda estava, o corpo escondido pela água cheia de espuma e sabão. Só era possível ver sua cabeça e seus ombros. Provavelmente ela e Lily estavam conversando antes de James entrar, mas agora tudo estava em completo silêncio.

- Oi, papai – Gina foi a primeira a dizer alguma coisa.

- Oi, meu bem. Você está bem?

- Estou. - James desviou os olhos de Gina e encarou Lily - Lily, eu...

- Vem – ela se levantou e, de braços cruzados e expressão fechada, passou por James e por mim. Ele seguiu atrás dela, fechando a porta do meu quarto ao sair.

- Fiquem aí – ouvi a voz de Lily gritar do corredor.

Procurei os olhos de Gina e ela ainda estava na banheira. Tinha um clima tenso no ar que fez com que demorássemos mais um minuto para encontrarmos nossas vozes.

- Então – Gina enfim falou -, chegou a hora deles terem a conversa.

- É. A conversa depois da briga.

- Está tão quente aqui – não sei se ela disse isso porque estava realmente quente ou apenas para mudar de assunto, mas o comentário de fato me distraiu.

Abri o basculante e tomei o lugar de Lily, sentando-me na borda da banheira. Tive o cuidado de trancar a porta do banheiro antes.

- Essa água já deve estar fria – coloquei a mão na água e percebi que ela ainda estava morna.

- Está boa – a mão de Gina encontrou a minha dentro d'água. Ela se aproximou e se levantou o suficiente para nossos lábios se encontrarem – Eu amo você.

- Eu amo você também.

- Promete que nunca vamos brigar como os nossos pais?

- Nós já brigamos como eles, Gina, você...

- Promete que nunca mais vamos brigar assim? Promete?

- Prometo que vamos tentar.

- Obrigada, Harry - ela me beijou de novo. Quando nossos lábios se afastaram, havia uma expressão de estranheza no seu rosto - Você está cheirando a cigarro.

- É o James. Ele estava fumando.

- E, obviamente, você o acompanhou.

- Não.

- Mentiroso - ela meteu as mãos molhadas no bolso da minha bermuda. – O que é isso?

O maço e o isqueiro estavam em suas mãos.

- Um maço e um isqueiro.

- Do papai?

- É.

- E você pegou para você, é claro. Vai acabar viciado como ele.

- Eu só fumo eventualmente. Assim como você – completei ao vê-la secar as mãos e tirar um dos cigarros do maço. - Você vai acabar viciada.

Gina não me ouviu; jogou o maço e o isqueiro no chão e se recostou na banheira com seu cigarro recém aceso nas mãos. Devia estar se achando uma estrela do cinema.

- Entra aqui comigo – seu tom era doce. – Estou meio deprimida. Preciso ser consolada.

Nem foi preciso pedir duas vezes. Um instante depois eu já estava lá dentro com ela.

Havia algo de perigoso em dividir a banheira com Gina, algo de excitante e perturbador. Não que me importasse. A única parte irritante foi que, no melhor momento, o crítico, Gina se afastou de mim e foi para o outro extremo da banheira.

Então ficamos ali, cada um em um canto, conversando e dividindo o resto dos cigarros. Eu tinha total percepção dos pés de Gina roçando minhas coxas. Me perguntei se ela estava me provocando ou se era apenas um gesto automático.

- Eu me pergunto – falei em dado momento – o que desencadeou essa briga de hoje. James disse que Lily fez acusações... Que acusações foram essas exatamente?

Gina, que estava mais tranquila, ficou novamente tensa, mas logo voltou a relaxar.

- Lily te disse? – insisti.

- Disse – ela tomou o último cigarro das minhas mãos e fumou com elegância, com um ar blasé que eu sabia que ela adorava aparentar. – Tem essa garota...

- James disse que não estava traindo Lily.

- Me deixa terminar, Harry. Tem essa garota que está trabalhando na empresa...

- De arquitetura?

- Qual mais seria? Nosso pai tem alguma outra empresa? Enfim... Me deixa falar dessa vez, ok? Essa garota, ela é nova lá, é estagiária ou algo assim, está apaixonada pelo papai.

Gina se calou. Estava esperando para ver minha reação, mas tudo que consegui fazer foi soltar um assobio de espanto.

- É, eu sei – ela continuou. - Bizarro, né? Papai... Ele é bonitão e tudo, mal tem quarenta, mas... é estranho lembrar que ele é homem. Ele só costuma ser pai.

- Continua, Gina. E a garota?

- Ah, claro. Ela está apaixonada pelo papai, está... meio obcecada, pelo que mamãe disse.

- Como são palavras de Lily, nós sabemos que pode ter um pouco de exagero nisso.

- Cala a boca, Harry, me deixa terminar. Ontem, essa garota, Katherine Weiner, ligou para mamãe e marcou um encontro com ela. Hoje elas almoçaram juntas. Katherine, mamãe disse, foi muito convincente sobre o hipotético caso que estaria tendo com o papai. Então ela, a mamãe, ficou certa que papai estava mesmo traindo-a...

- Mas não está. Está?

- Papai disse que não. Então... Ah, o resto da história você sabe. Deu no que deu, a briga feia deles.

- Então essa garota louca basicamente mentiu e tentou enganar Lily para... fazer nossos pais brigar?

- Para acabar com o casamento deles, Harry, e ficar com o papai. Como se ele fosse querê-la!

Nossa. Nossa! Não sabia que James estava com essa bola toda.

- E onde as supostas traições da mamãe entram nisso tudo? Onde Snape entra nisso tudo?

- Não entram, Harry. Papai simplesmente ficou fora de si e acusou a mamãe de qualquer coisa.

- Sei. Sei. Mas e se ele...

- Não, Harry, para! Eu sei o que você vai dizer: e se o papai estiver mesmo traindo a mamãe com essa garota? Ele não está, eu sei, você sabe e até a mamãe, no fundo, sabe disso. Essa puta louca, essa Katherine Weiner, está mentindo. Papai não trairia mamãe. Ele não trairia a nossa família – Gina parecia uma fera ao defender James.

- Há meia hora atrás você estava...

- Eu sei o que disse, Harry. Eu estava preocupada, meio fora de mim também. Se eu perguntei se alguém estaria traindo alguém foi por causa dos gritos desvairados da briga, mas agora que eu sei a história toda está claro que James é inocente. Você sabe.

E eu realmente sabia. Eu tinha certeza absoluta que meu pai não estava traindo minha mãe.

- Eles vão se acertar.

- Vão sim, tenho certeza. Mamãe está mais calma e dá para ver que ela também acredita no papai. Ela só foi um pouco precipitada, acusando-o logo de cara antes de perguntar o que estava realmente acontecendo.

- E essa tal Katherine, o que vai acontecer com ela?

- Papai vai colocá-la no olho da rua, no mínimo. Parece que ela está perseguindo-o...

O silêncio voltou a cair entre nós. Gina estava pensativa e minimamente preocupada apesar do seu persuasivo discurso anterior.

- Ei, vem cá – puxei-a pelas pernas e ela sumiu dentro d'água por um segundo para então reaparecer bem perto de mim.

- Louco! – ela reclamou quando emergiu - Eu podia me afogar.

- Numa banheira? Duvido muito.

Seus lábios estavam com gosto de sabonete; sua boca, de cigarro. Parecia que a água só aumentava a sensação dos seus seios contra meu peito, do seu corpo quente e feminino contra o meu.

A cada dia as mãos de Gina, assim como as minhas, ficavam mais ousadas. Eu já estava prestes a dizer que precisávamos nos afastar novamente quando senti uma de suas mãos naquela parte mais íntima de mim.

Abri os olhos imediatamente. Gina estava muito perto.

- Eu não sei fazer isso – sua voz era quase um sussurro e, apesar das palavras, sua mão trabalhava bem.

Coloquei meus próprios dedos sobre os dela. Nossas mãos se moviam lentamente, eu já estava perdendo o foco e a concentração e me deixando levar pelas sensações da mão de Gina em mim.

ooOoOoOoOoOoo

A água da banheira estava descendo ralo abaixo. Gina, com os lábios colados nos meus, estava imprensada contra a parede do chuveiro pelo meu corpo. Suas mãos tentavam me trazer para mais e mais perto; as minhas...

- Harry, não – Gina me empurrou e, em vez de se cruzarem no meu quadril, suas pernas tentaram alcançar o chão. Eu fui obrigado a colocá-la novamente em pé dentro da banheira.

Ela se afastou e saiu do boxe, se enrolando em uma toalha. Não me encarou, não falou comigo.

- Ta puta?

- Não – sua voz era furiosamente contida, um traço de sarcasmo -, imagina. Você está sempre tentando me forçar a transar com você, mas claro que não fico chateada! Droga! – ela me fitou, seu rosto era um lamento – Sinto muito, não quis dizer isso.

Eu já tinha saído do boxe. Gina veio até mim e me abraçou forte, ao que não retribuí.

Forçá-la? Forçá-la?!

- Sinto muito – repetiu. - Sinto muito. Não quis dizer isso, não com essas palavras...

- Não estou tentando te forçar a nada – me surpreendi com o quão duro soei.

- Eu sei, desculpe. Fui infeliz com as minhas palavras. Desculpe.

Ela se afastou o suficiente para me beijar e eu me rendi. Aquele foi como um dos muitos outros beijos que trocamos aquela tarde: quente e demorado.

- Eu realmente lamento, Harry. Eu só quis dizer...

- Que às vezes eu pressiono você.

- Bem, é – ela admitiu com uma timidez que me tocou.

- Sinto muito. Eu que devo me desculpar.

- Está tudo bem.

- Eu te amo, eu nunca...

- Eu sei.

Ela me abraçou forte novamente. O abraço teria durado mais se não fôssemos subitamente surpreendidos por batidas na porta.

- Gina, cadê o Harry?

Era James. Sua voz nos fez dar um pulo e nos separar. Não sei quanto a Gina, mas meu coração disparou.

Os olhos dela estavam aflitos quando encontraram os meus. O medo de sermos descobertos estavam ali, e eu tinha certeza que ela via o mesmo nos meus olhos.

"Responde", movi os lábios sem emitir som, "Seja casual". Gina pareceu acordar de seu torpor e encontrou a voz.

- Não sei, papai. Eu acho... Acho que ele foi dar uma volta.

- Ah, ta. Vou ligar para o celular dele...

Meu celular estava no meu quarto. Eu podia dizer que saí e o esqueci ali.

- ... e pedir para ele voltar para casa. Se arrume, filha, nós vamos sair.

- Onde vamos?

- Jantar fora.

- Podemos ir comer pizza? Estou com vontade de comer pizza.

- Ta, pode ser.

Ouvi os passos de James se afastar. Quando Gina olhou novamente para mim, apesar do nervosismo de quase ser descoberta, ela estava feliz.

- Papai e mamãe fizeram as pazes.

Ela me abraçou de novo. Por enquanto tudo estava bem.


Aos leitores:

Esse capítulo pode parecer irrelevante, mas ele não é. Não é mesmo. Talvez vocês não gostem muito dele por falar tanto no James e na Lily, mas as coisas estão acontecendo exatamente como tem que ser.
Semana passada eu não atualizei a fic. Vou explicar porquê: meu computador estragou e foi formatado. Eu não perdi tudo porque faço backup mensalmente, mas perdi tudo que tinha feito em novembro, o que inclui o capítulo 16 de E4P. Então tive de reescrevê-lo todo, o que só foi possível essa semana. Outro ponto que contribuiu para o meu não-esforço em reescrever apressadamente esse capítulo foi a quantidade de reviews, que anda caindo ultimamente. Por onde andam os meus leitores, hein?
Gente, vou adiantar algo: no próximo capítulo a Gina terá uma grande surpresa - só não digo se boa ou ruim.

Beijos e até breve,
Lanni.

PS: Ah, estou sentindo tanta falta de escrever Perdidos na Rotação!


Respostas as reviews:

ooo Carol Good God: Pode sim. Como esse mês é o aniversário da fic, as atualizações estão sendo mais frequentes.
Vc "morreu" pela Gina? Então se prepara, porque eu acho que você vai morrer de novo na póxima atualização. Esse triângulo ainda vai dar muito confusão. Beijo.

ooo Patty Carvalho
: É, tbm acho que os pontos de vista tendem a "desalinhar" a balança do lado que as pessoas ficam na história. Mas, no final, tanto faz se ficam do lado do Harry ou da Gina, eles estão caminhando juntos, mesmo que haja alguns passos de distância entre um e outro. Beijo.

ooo Grace Black: Não teve mais coisa com a Cho não, te garanto. Mas essa história não terminou por aí.
Acho que agora, mais do que nunca, a Lily e o James não vão prestar muita atenção no Harry e na Gina, na estranha união deles. Todavia, o futuro da fic é uma página em branco (quase literalmente)... rs. Beijo.

ooo fairy malfoy
: É verdade. Gina está serena, em um bom momento, mas o Harry... Ele é cabeça dura mesmo, demora mais para aprender as coisas.
"Gostei do cap, sem muitas revelações". Como eu já disse antes, estamos na calmaria depois de uma tempestade e antes de outra. Beijo.

ooo SkyAboveUs: Ah, o capítulo não demorou, viu? Sua espera não foi longa, rs. Espero que tenha gostado da atualização, apesar do capítulo não ter sido tão focado em H e G. Beijo.

ooo MariaMaria6
: Sim, sim, é verdade. O tema da fic é "no mínimo polêmico", mas eu sinto que as fics precisam de uma sacudida, sabe? São todas muito iguais e eu queria fazer algo que amasse e que fosse diferente, o que acho que consegui.
Harry e Gina são mesmo irmãos. E vc acertou, já respondi isso muitas vezes mesmo. Tbm acertou quando disse que "eles vão sempre se sentir culpados". Sim, eles vão sempre se sentir culpados. A culpa é tão presente que eles começam a aprender a conviver com ela.
"Você gostou mais da 3 temporada de skins q das 2 primeiras??" Não, gostei mais da segunda. Mas achei que, para o universo da fics, a terceira temporada funcionava melhor. Beijo.

ooo Kel Minylops: Adoro leitores novos. Adoro o fato de, dessa altura do campeonato, ainda atrair "sangue fresco". Novos leitores sempre contribuem com pontos de vista interessantes.
Fico feliz que, apesar da sua falta de tempo e de vc não ler muitas fics ultimamente, tenha se atraído pela minha história. Ela é, ouso dizer, minha menina dos olhos, apesar de não ser minha favorita entre as que escrevo/escrevi - esse lugar é ocupado por Perdidos na Rotação.
"Acho q essa palavra (incesto) não define bem o q o H e a G tem. Eles se gostam de verdade, se atraem de todas as formas e conhecem um ao outro melhor do q ninguém. E estão crescendo juntos, o q eu acho a parte mais difícil e por isso todos esses conflitos estão acontecendo". Concordo plena e totalmente.
Agradeço suas palavras e sua review. E não se preocupe, gosto de reviews imensas, assim como tbm aprecio as pequenas. Um grande abraço e até a próxima.

ooo RaFa Lilla: Hahaha. Essa foi uma "referência" totalmente acidental. E desculpa te entristecer, mas a Gina não vai ter mais nada com o Nick. Pelo menos não planejo isso por enquanto. Beijo!

ooo Marininha Potter: Algo muito ruim? Por que tem essa impressão que algo ruim vai acontecer? É algum temor pelos personagens? Olha que uma hora um "desastre" vai acontecer, hein... Só não digo qual desastre é e nem quando.
Eu tbm já li essa fic chamada "Ruivos", mas não gosto muito dela. Gosto mais de "Vênus". É ótima, angustiante, triste e bonita; recomendo-a. Beijo.

ooo Anna Weasley Potter: Ah, mas apesar desse capítulo ter sido do Harry, nada realmente grandioso aconteceu, só esse lance da Lily e do James que é, julgo eu, importante para a fic, para aproximar os personagens da família. Além é, claro, do amasso (discreto) do Harry e da Gina na banheira, rsrs. Beijo.

ooo Pedro Henrique Freitas: "(Harry) me pareceu bem presunçoso e provocativo quando voltou do cinema com a Cho. Escolher justamente o cinema que ele vai com a Gina? tsc tsc". Isso é tão típico de Harry! Fica querendo provocar e testar a Gina. Mas ele não mentiu sobre o encontro com a Cho, fica tranquilo. Ele se comportou mesmo. Beijo, Pedro.

ooo Yami Umi: É claro que eu não pretendo dar uma folga para o Harry e a Gina. Muita coisa ainda vem por aí, então se prepare! Beijo.